Guinter Tlaija Leipnitz, 28 anos, é licenciado e mestre em História pela UFRGS. Atualmente é doutorando do Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS e professor do Curso de Licenciatura em História da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Confira nossa entrevista com Guinter, que pesquisa em nossas fontes documentais desde 2007.

 Blog do APERS: Guinter, você poderia comentar um pouco sobre o projeto que vens desenvolvendo atualmente?

Guinter: No doutorado, estou desenvolvendo um projeto de pesquisa que tem como objeto os trabalhadores e pequenos produtores da Campanha rio-grandense, no fim do século XIX e início do XX. Minha preocupação principal é analisar as possibilidades de reprodução social desses grupos no contexto de fim da escravidão e de fechamento do “livre” acesso a terra.

Blog do APERS: como se deu a sua aproximação com este tema?

Guinter: Ela se deu a partir de estudos realizados durante meu mestrado, quando meu foco eram os arrendamentos de terra e gado no mesmo contexto espacial e temporal. Fui tomando contato com bibliografia sobre história agrária do Rio Grande do Sul e do Prata, e percebi que esta era uma temática que me instigava bastante.

Blog do APERS: qual a importância do acervo do APERS para sua atuação enquanto pesquisador?

Guinter: O Arquivo tem tido uma importância fundamental na minha experiência como pesquisador, desde pelo menos 2007, quando comecei a levantar fontes para uma futura pesquisa de mestrado. Os livros de transmissões e notas do acervo de tabelionatos guardados pela instituição, bem como os processos judiciais envolvendo litígios agrários foram as fontes centrais para meu trabalho, e sua exploração me ajudou muito a compreender as relações contratuais que se estabeleciam no campo durante o século XIX, bem como os conflitos decorrentes dessas relações, opondo diferentes concepções sobre direitos de propriedade.

Blog do APERS: você trouxe uma de suas turmas para realizar uma visita guiada em nossa instituição, na sua percepção, qual a importância do acervo do APERS e de outras instituições para o processo de formação dos acadêmicos?

Guinter: Penso que oportunizar o contato direto dos graduandos com as fontes é imprescindível para uma boa formação (e mesmo para aproximá-los definitivamente ao campo da História). Em muitos casos (e particularmente, dos acadêmicos do curso de História da Universidade Federal do Pampa de Jaguarão, cidade cujas instituições com guarda de acervos são ainda mal conhecidas) são poucas as oportunidades que os alunos têm de visualizar uma fonte histórica em sua materialidade (sua preservação, caligrafia, poeira). Mesmo que trabalhemos dentro da sala de aula com fontes digitalizadas ou transcritas, nada substitui esse contato direto, momento em que os alunos tendem a se dar conta da ideia do conhecimento histórico enquanto algo em um inacabado processo de construção, produto de pesquisa. Os alunos sempre valorizam muito essas oportunidades, e não escondem o seu entusiasmo depois das visitas. Assim, pretendo continuar levando os alunos ao Arquivo e a outras instituições similares, sempre que for possível.

Blog do APERS: qual a sua dica para os pesquisadores que estão começando agora a lidar com fontes primárias?

Guinter: Estar disposto a descobrir “novos mundos” a partir dessas fontes. No entanto, é fundamental ter paciência, e não desistir quando suas expectativas são frustradas (não encontrar informações que esperava, ter dificuldade com caligrafia e “fórmulas textuais” comuns a muitos documentos). Igualmente, é importante não tomá-las como expressão direta da verdade sobre aquela determinada realidade. Qualquer fonte expressa um fragmento de uma realidade passada, e que foi produzida a partir de determinados agentes históricos, para atender a fins específicos, que não necessariamente correspondem aos interesses do pesquisador. Além disso, mas nem por isso menos importante, tomar todos os cuidados ao manuseá-las, sempre utilizando luvas, folhear com as duas mãos, contribuindo ao máximo para sua preservação, pois esta não é uma responsabilidade restrita apenas aos arquivistas e trabalhadores da instituição de guarda.

Blog do APERS: nas suas horas vagas, quando não estás pesquisando, quais são os seus hobbies ou suas atividades preferidas de lazer?

Guinter: Gosto de passar o tempo com minha companheira, e de me encontrar com meus amigos. Aprecio bastante o futebol, mas infelizmente nos últimos tempos apenas pela TV e pelos jornais. Sempre curto uma música, escutando discos ou rádio. Procuro assistir filmes e programas na TV de meu interesse. Caminhadas pelas ruas de Porto Alegre, Pelotas e Jaguarão, cidades que atualmente divido minha moradia.