II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos

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2012.12.26 II Jornada Ditaduras Chamada de Artigos

Para acessar o Regulamento da II Jornada clique aqui.

APERS Entrevista: Édina Santos Agliardi

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2012.12.26 APERS Entrevista Pesquisadora Edina Santos Agliardi

Édina Santos Agliardi, 30 anos, é auxiliar de biblioteca no IPA/Porto Alegre e está no 8º semestre do Curso de História na FAPA. Foi estagiária no APERS de 2009 a 2012 e hoje faz uso de nosso acervo para explorar sobre a temática indigenista. Confira nossa entrevista com Édina:

Blog do APERS: Édina, você pode comentar sobre a pesquisa que vens desenvolvendo atualmente?

Édina: Aqui no Arquivo, quando trabalhava com os documentos envolvidos no projeto Documentos da Escravidão, encontrei um processo que tratava sobre um conflito entre índios e fazendeiros na região de Passo Fundo. Isso despertou meu interesse e comecei a pesquisar. Esta problemática ainda é atual, pois os índios continuam em conflitos envolvendo disputa por território. Minha pesquisa ainda é incipiente no que se refere à questão indígena. No processo crime que estou pesquisando já identifiquei muitos dados tratados no processo, por exemplo: quando mencionam “índios” estão se referindo aos Kaingang e quando se referem às terras de Arechim, provavelmente, seja parte do território da cidade de Erechim… Este processo tem mais de 200 páginas e envolve 26 testemunhas, 16 réus indígenas e 06 vítimas. É um conflito onde os índios reivindicam terras da região da Grande Passo Fundo ocupadas por tropeiros e milicianos vindos dos Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina e começaram a se fixar nestas terras em torno de 1827. Estes tropeiros vinham em busca do gado que vagavam pelo planalto depois da expulsão dos jesuítas para comercializá-los nas feiras de Sorocaba. Porém esta região é rica em Araucárias e o seu fruto é o principal alimento dos Kaingang. Esses índios foram considerados mais hostis em comparação aos guaranis, por exemplo, e nessa época o homem branco não dominava a língua Kaingang. Na tentativa de amenizar a situação e “civilizar” estes índios o Estado começou o processo de aldeamento. Alguns índios, por uma questão de autoproteção, se aliaram aos mecanismos do Estado para tentar se proteger e outros tentaram reocupar regiões que já haviam sido demarcadas por fazendeiros. É a partir daí que inicia o conflito por terra analisado em minha pesquisa para o TCC, que depois pretendo dar continuidade.

Blog do APERS: O que despertou teu interesse por esta temática?

Édina: Participei de alguns seminários sobre a temática indigenista e comecei a me interessar pela temática. Nesses seminários tive a oportunidade de ouvir as falas do Cacique guarani Cirilo e da Cacique Charrua Acuab (primeira cacique mulher no Rio Grande do Sul) ambos da região da Lomba do Pinheiro e pude visualizar melhor a situação. Ficou clara a pouca assistência do Estado. Como historiadores não podemos estudar somente o passado, mas analisar o passado com os olhos no presente. Então essa questão social chamou minha atenção porque ainda hoje só se fala sobre a questão indigenista no mês de abril. São sempre os mesmos problemas, os índios são criticados por usarem telefone celular e outros objetos “modernos”, mas os tempos mudaram, eles foram tirados das suas terras… O processo colonizatório interferiu em sua cultura.

Blog do APERS: Foste estagiária no APERS. Como esta experiência contribuiu para tua formação acadêmica e profissional?

Édina: Considero muito emocionante falar dessa experiência porque antes era comerciária, estudava e trabalhava. Quando fiquei sabendo da oportunidade fiquei desesperada! E agora?! Já estava no meu emprego há algum tempo, mas pensava: “Eu não quero isso para minha vida”. Como estagiária minha renda diminuiria muito e seria complicado pagar a faculdade, mas a experiência seria única e foi isso que eu fiz! Pedi demissão e me aventurei! Apaixonei-me, era isso que eu queria! A experiência de trabalhar com fontes primárias não tem palavras para quem está cursando História. Analisar o contexto, a forma de escrita… Quando comecei a trabalhar com esse processo não sabia quem eram os índios em questão, mas fui pesquisando, mesclando as informações das fontes primárias com os referenciais bibliográficos… Além disso, teve o intercambio de conhecimento com os acadêmicos de outras instituições de ensino… Aprendi muito. O Arquivo, profissionalmente, é uma grande referência. Quando voltei à instituição como pesquisadora me senti muito feliz!

Blog do APERS: Qual a importância do acervo do APERS para tua atuação enquanto pesquisadora?

Édina: Os acervos são muito ricos, retratam grande parte da história do nosso Estado, as pessoas não têm dimensão da quantidade e qualidade dos documentos, claro tem muito a ser feito ainda, mas há a preocupação da guarda.

Blog do APERS: Nas suas horas vagas, quando não estás estudando/pesquisando, quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Édina: Minha válvula de escape é dançar! É dançando que me desestresso, é um momento de lazer… Participo de ensaios, apresentações… É muito bacana! Eu gosto de outros esportes, mas por questões de tempo não consigo praticar. E claro, ficar com a família e amigos é sempre importante, gosto dessa convivência… Sempre volto com mais ânimo para o trabalho!

APERS é palco de gravação do Programa Nação da TVE!

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   No último sábado, dia 22, o Arquivo Público do RS abriu espaço à musicalidade de matriz africana ao se tornar palco para a gravação do programa Nação, da emissora pública TVE, que contou com a participação do Coral do CECUNE.

   O CECUNE, Centro Ecumênico de Cultura Negra, é uma organização não governamental isenta de vínculos de caráter político-partidário e religiosos, criada em março de 1987 que visa à inserção social e à reconstrução da cidadania da população negra. Dentre as diversas ações sócio-culturais da ONG, o Coral do CECUNE, o qual estreou publicamente em 24 de novembro de 1996, destaca-se por promover a pesquisa e o estudo dos cantares do povo negro.

   A gravação contou com a presença de 15 componentes do coral, incluindo o regente, Laércio Guedes de Faria, e a equipe de produção da emissora.

   O programa Nação vai ao ar todas as segundas, às 20:30, quartas, às 7:30 e aos sábados, às 20:00. A previsão de exibição do programa gravado no Arquivo Público do RS será entre os dias 21 e 28 de janeiro de 2013.

Boas Festas e Ótimo 2013!!

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Cartao Natal APERS

APERS conta histórias: Coleção 7 Governos

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     Em 1997 o Arquivo Público do RS, no momento em que projetava o quadro de arranjo da sua documentação, a definição dos Fundos da instituição e a partir de uma demanda instituída pelo Sistema de Arquivos do RS (SIARQ/RS), produziu uma série de estudos sobre a Organização Estrutural do Poder Executivo do Estado do Rio Grande do Sul.

     A proposta do trabalho era investigar o porquê da criação de cada tipo de documento oficial, bem como a função que ele desempenha, conhecendo as competências da cada unidade ou órgão administrativo e consequentemente a estrutura administrativa do Estado.

     Para tanto a equipe do APERS descreveu a Organização Administrativa do Poder Executivo gaúcho a partir do Governo de Walter Peracchi Barcelos (1967 a 1971), o primeiro a buscar uma padronização dos mecanismos de planejamento, coordenação e controle, estendendo-se até o Governo de Alceu Collares (1991 a 1994).

    O estudo está dividido em sete livros que foram elaborados proporcionando informações detalhadas sobre estrutura administrativa de cada gestão e apresentam uma introdução que descreve a conjuntura destes governos relacionando-os com o contexto da política nacional, com o período marcado pelo golpe executado por militares em 1964 quando se instaurou a ditadura no país.

     A partir de 1966 novos padrões foram estabelecidos através do Ato Institucional nº 3, que dentre outras alterações, determinou-se a eleição indireta dos Governadores. Foi neste período que se instauraram no Estado os mandatos de Walter Perachi (1967-1971), Euclides Triches (1971-1975), Synval Guazelli (1975-1979) e José Augusto Amaral de Souza (1979-1982).  Jair de Oliveira Soares foi o primeiro governador eleito pelo voto popular e governou de 1983 a 1987. Seu sucessor foi Pedro Jorge Simon que comandou o Estado de 1987 a 1991. Numa eleição realizada em dois turnos, Alceu de Deus Collares foi vitorioso permanecendo no comando do Estado de 1991 a 1994. Em cada volume são fornecidos dados bibliográficos do governador bem como sua trajetória política.

APERS - Colecao 7 governos     Por fim é descrita a Estrutura Organizacional do Poder Executivo de cada gestão incluindo a Administração Direta, composta pela governadoria do Estado e Secretarias de Estado, a Administração Indireta suas autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, de forma a apresentar suas particularidades. Completa o trabalho um organograma que demonstra a estrutura organizacional do governo em questão.

NOTA: Ressalta-se que, em 2006, o APERS publicou um livro com informações mais amplas sobre o assunto: “Fontes para a História Administrativa do Rio Grande do Sul: a trajetória das Secretarias 1890 – 2005”.

Lançamento do Livro Os Fraga: a saga de uma família.

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A Associação dos Amigos do APERS promoveu o lançamento do livro “Os Fraga: a saga de uma família”, de autoria de Maria Fraga Dornelles, pesquisadora do Arquivo Público. O evento ocorreu no Espaço Joél Abílio Pinto dos Santos no dia 18/12, e foi muito prestigiado. Confira fotos abaixo!

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Os interessados em adquirir o livro podem entrar em contato com a srª Maria Fraga Dornelles pelo telefone: 33982993.

Aplicando a Lei 10.639 V: fontes primárias em sala de aula e danças africanas.

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Hoje chegamos a nossa última publicação sobre o Curso Aplicando a Lei 10.639: Patrimônio, Cultura e História da África e Afro-Brasileira. E como não poderia deixar de ser, fechamos nossos posts a este respeito com “chave de ouro”, já que o Curso também foi encerrado desta forma, em uma sexta-feira repleta de energia, com espaços de reflexão e confraternização.

No começo da tarde a equipe do APERS esmerou-se em apresentar ao grupo de participantes os projetos e acervos do Arquivo que podem ser utilizados para pesquisa e como ferramentas no ensino. A arquivista Elizabeth Lima, chefe da Divisão de Documentação, apresentou os catálogos seletivos de documentos da escravidão como produtos do Projeto Documentos da Escravidão no RS, elaborados a partir do acervo do APERS e muito utilizados por pesquisadores para recuperar a história de escravização e luta por liberdade de africanos e afro-descendentes em nosso estado. Elizabeth procurou esclarecer o quanto estes documentos podem ser úteis aos educadores, como fontes primárias de conhecimento. Em seguida a equipe que está trabalhando atualmente em uma nova fase do Projeto Documentos da Escravidão no RS também trouxe sua contribuição. Este grupo está realizando a indexação das cartas de liberdade salvaguardada pelo APERS que foram digitalizadas, de maneira que os pesquisadores possam consultá-las via internet relacionadas aos seus respectivos verbetes descritivos. Assim, elaboraram reflexão a respeito do uso destes documentos na sala de aula, apontando potencialidades, conteúdos e críticas que podem ser feitas a partir da leitura e análise das chamadas cartas de alforria.

Já ao final da tarde, aproveitando o belo espaço do pátio interno do Arquivo, que faz parte do Espaço Cultural da instituição, foi realizada atividade de encerramento com apresentação de danças africanas, em que contamos com a alegre e qualificada contribuição de Miguel (DJ Muhali) e Segone Cossa, estudantes moçambicanos que realizam intercâmbio na UFRGS e trabalhos vinculados à cultura africana. Eles apresentaram de maneira interativa diversos ritmos e passos de danças africanas de diferentes períodos, ensinando-os ao público e fazendo com que todos dançassem. Enfim, o Curso foi finalizado com um leve e descontraído coquetel, servido sob as árvores do jardim. Torna-se difícil descrever esta tarde de alegria com palavras, então confira um pouco mais a partir das fotos exibidas abaixo!

Agradecemos a todas e todos que colaboraram para a realização deste Curso, seja como palestrantes, oficineiros, participantes. Cada um trouxe sua experiência e conhecimento na busca por construirmos juntos uma educação mais equitativa, inclusiva e engajada. Devido à grande adesão por parte dos educadores e estudantes de licenciaturas, já estamos planejando uma segunda edição para o ano de 2013, que certamente será divulgada no blog. Então, até breve!

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Aplicando a Lei 10.639 IV: Territórios Negros e Literaturas Afro

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   No dia 08 de novembro, quinta-feira, os participantes do curso de extensão Aplicando a Lei 10.639: Patrimônio, Cultura e História da África e Afro-Brasileira tiveram oportunidades únicas para discutir o ensino da temática a partir de fontes que podem ser muito significativas e atrativas aos educandos: o patrimônio cultural da cidade que os cerca, e a literatura africana e afro-brasileira.

   No turno da tarde contamos com a importante parceria da Prefeitura de Porto Alegre por meio da Secretaria Municipal de Educação e da Companhia Carris Porto-alegrense, que desenvolvem o projeto Territórios Negros: afro-brasileiros em Porto Alegre. Através deste projeto educadores, estudantes e a comunidade em geral têm a oportunidade de percorrer diferentes espaços da cidade ocupados e constituídos por afro-brasileiros, em um “tour cultural” realizado em ônibus da Carris adaptado especialmente para o percurso que apresenta territórios históricos e contemporâneos da Capital. Para atender o grande número de inscritos no Curso o grupo foi dividido e a visitação foi realizada duas vezes na mesma tarde. Nesta maratona contamos com a colaboração da atenciosa guia Fátima Rosane da Silva André, funcionária da Carris que acompanhou os participantes ao longo de todo o trajeto que incluiu visitação ao Largo da Forca, na Praça Brigadeiro Sampaio, ao Mercado Público e ao Areal da Baronesa, no Quilombo da Travessa Luis Garanha. De dentro do ônibus foi possível conhecer diversos outros locais, porém nestes o público foi convidado a descer para maior interação com os espaços. Acreditamos que a participação no Territórios Negros foi de suma importância para qualificar cada participante como multiplicador de conhecimentos e sensibilidades para com o tema, explicitando exemplos da presença negra e suas contribuições que estão em cada canto da cidade, ao nosso redor, e muitas vezes passam despercebidos, seja pela carência de políticas de memória e valorização da cultura afro-brasileira, ou por não sermos educados a ler para a cidade a partir da observação e análise de seus espaços, bens patrimoniais e culturais.

   Já no turno da noite as experiências foram centradas no uso da literatura como ferramenta de ensino e aprendizagem em sala de aula, seja nas aulas de literatura em si ou em outras disciplinas. Na mesa intitulada Literaturas Africanas e Afro-Brasileiras em Sala de Aula contamos com a presença de Geny Ferreira Guimarães, professora de Geografia da rede pública de ensino do Rio de Janeiro e doutoranda pela UFBA, e de Eliana Inge Pritsch, doutora em Letras e professora da FAPA. Geny abordou o uso de literaturas afro-brasileiras nas aulas de Geografia, incentivando que os educadores busquem novos materiais de apoio para suas aulas; que procurem trabalhar em perspectiva interdisciplinar; que superem o trabalho com mapas e a própria Geografia Física ampliando conceitos e conteúdos; e que façam opções tanto metodológicas quanto políticas, levando para dentro das escolas textos de escritores e intelectuais negros, contribuindo para desconstruir imagens de subalternidade que tenham sido projetadas em relação aos negros ao longo de nossa história. Eliana comentou a relação entre a produção literária e as transformações na história, evidenciando que os negros, tanto em África quanto no Brasil, foram deixando de ser vistos como objetos da Literatura e passando a ser sujeitos dela à medida que se organizaram e lutaram pela superação do passado colonial e escravista. Salientou ainda a importância de introduzir literaturas africanas e afro-brasileiras nos currículos escolares, buscando superar a predominância de cânones literários que pouco dão visibilidade à cultura afro, explicitando que há grande produção em poesia, contos e romances tratando do universo africano e afro-brasileiro.

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   Para saber mais informações sobre o “Territórios Negros” clique aqui.

   Artigos relacionados:

Aplicando a Lei 10.639 I: políticas de ação afirmativa e História da África em sala de aula

Aplicando a Lei 10.639 II: visitando o Museu Julio de Castilhos e debatendo o racismo na obra de Monteiro Lobato

Aplicando a Lei 10.639 III: Tesouros da Família Arquivo & Ensino de História Afro

Seminário Ditaduras, Direitos Humanos e Ensino: transformando esta história!

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   No último sábado, dia 08 de dezembro, foi realizado nas dependências do APERS o seminário Ditaduras, Direitos Humanos e Ensino: transformando esta história! O evento foi realizado em parceria entre o Arquivo Público e o Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS e teve apoio da Associação dos Amigos do APERS. Cerca de 60 participantes prestigiaram o evento, que envolveu discussões relevantes e atuais acerca do tema central.

  Pela manhã os historiadores Ramiro Reis (rede de Ensino de Gravataí), Clarissa Sommer (APERS) e Ananda Fernandes (AHRS) participaram da mesa intitulada Reflexões sobre Ditaduras e Direitos Humanos na Escola. Clarissa falou acerca do uso de depoimentos relacionados às ditaduras, comentando as relações entre história e memória e o potencial destes materiais como fontes de informação e sensibilização nas salas de aula. Ananda abordou a Operação Condor e suas conexões repressivas na região do Cone Sul, comentando múltiplas possibilidades para o ensino, como o uso de documentos de arquivos repressivos. Já Ramiro abordou o uso do cinema e a construção de sequências fílmicas para trabalhar com ditaduras e direitos humanos nas escolas, apresentando trechos de vídeos e lista com diversos filmes relacionados ao tema. Após as apresentações e debate o Profº Enrique Padrós (UFRGS) divulgou o lançamento da nova edição da Revista Anos 90 (PPG-História/UFRGS), que traz o Dossiê Ditaduras de Segurança Nacional no Cone Sul, convidando o cientista político Carlos Gallo (UFRGS) para apresentar seu artigo Do Luto à Luta, que compõe esta publicação.

   À tarde foram inicialmente apresentadas as publicações Memória, Verdade e Justiça: as marcas das ditaduras do Cone Sul e a última edição da Revista Taller, que traz o Dossiê Coordinaciones represivas em el Cono Sur de América Latina. Ambas as publicações são importantes contribuições aos pesquisadores da área. Posteriormente, o historiador da UFMS, Jorge Fernández, comandou a mesa Rio Grande do Sul, a Operação Condor desconhecida: o seqüestro do engenheiro argentino, onde o engenheiro e ex prisioneiro político argentino Carlos Claret nos deu um emocionante relato sobre o período em que foi perseguido pela ditadura argentina, em especial durante sua passagem pelo Brasil, explicitando as conexões entre as ditaduras. Ao final Claret respondeu de maneira muito simpática e acolhedora a diversas questões levantadas pelos participantes. O Seminário foi encerrado, ao final da tarde, com a mesa Olhares femininos sobre a repressão e resistência, onde ouvimos os depoimentos de Nilce Azevedo Cardoso e María Gabriela Ordem, ambas ex presas políticas, perseguidas respectivamente pelas ditaduras brasileira e argentina. Os dois depoimentos foram muito tocantes, fazendo a todos refletirem sobre diversas questões relacionadas àquele período que ainda estão pendentes em nosso cotidiano, como a banalização da violência na sociedade brasileira. Assim como nas mesas anteriores, diversas perguntas e reflexões foram feitas pelo público, que ao final saudou ao Arquivo e à UFRGS pela iniciativa de realização do evento, evidenciando a necessidade de que este tipo de atividade seja realizada em mais ocasiões e para públicos cada vez mais amplos.

   Agradecemos a todos que participaram do Seminário pela disposição e seriedade com que trataram este importante tema, aproveitando para informar que já está sendo organizado o regulamento para II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos, evento bianual que terá sua 2ª edição realizada no APERS em parceria com a UFRGS em abril de 2013. Fique atento!

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   Para baixar Memória, Verdade e Justiça clique aqui.

   Para baixar Revista Taller, clique aqui.

APERS no Ciclo de Eventos Historiador – Perfis Profissionais

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            Durante os dias 06 e 07 de dezembro as historiadoras Clarissa Alves e Vanessa Menezes estiveram no Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP), localizado na capital paulista, para participar do Ciclo de Eventos: Historiador Perfis Profissionais. A proposta deste encontro era discutir o perfil profissional dos historiadores atuantes em arquivos, suas atribuições, responsabilidades e possíveis contribuições.

            Na mesa de abertura, realizada na noite do dia 06 e composta por Benito Schmidt (Presidente da ANPUH – Brasil), Carlos Bacellar (Coordenador do APESP), Jaime Antunes (Diretor do Arquivo Nacional), Fernando Teixeira (Representante da ANPUH-Brasil na Câmara de Arquivos Judiciais do Conselho Nacional de Arquivos) e Janaína Mello (Representante do GT Patrimônio da ANPUH-Brasil), discutiu-se a importância do trabalho dos historiadores nos arquivos relacionando esta problemática com questões de fundo da área, como as mudanças de paradigmas trazidas pela Lei de Acesso à Informação – que explicita o direito de acesso aos documentos não mais apenas em sua fase permanente, mas desde a fase corrente e intermediária; e a importância de efetivarem-se políticas públicas que valorizem os arquivos como instituições de saber, que protejam e preservem o patrimônio e ao mesmo tempo promovam processos de gestão que diminuam as massas documentais acumuladas viabilizando acesso qualificado. Assim, reforçou-se a importância da constituição de equipes multidisciplinares para estes locais, que além de historiadores e arquivistas poderiam contar com profissionais como sociólogos, químicos, bibliotecários, advogados, etc., qualificando o trabalho e ampliando o lastro social das discussões ali travadas, tornando os arquivos visíveis à sociedade em geral.

            Compreendendo-se os arquivos como instituições de saber e lugares sociais onde profissionais de áreas diversas podem atuar, muitos desafios e possibilidades surgem para o historiador nestas instituições. Pensando em qualificar ainda mais o trabalho destes historiadores, foram criados cinco Grupos de Trabalho (GT’s) que discutiram diferentes aportes desta atuação para buscar traçar seu perfil profissional: 1- Formação do historiador para atuar em arquivos, 2- Os historiadores e a difusão cultural em arquivos, 3- Os historiadores e a gestão documental, 4- A pesquisa feita por historiadores que trabalham em arquivos e 5- Os historiadores e o atendimento aos consulentes. O debate nos GT’s aconteceu na manhã do dia 07 e suas contribuições foram levadas à plenária final, que se realizou à tarde.

            Vanessa participou do GT 3- Os historiadores e a gestão documental, que apontou para a importância da colaboração dos historiadores nos processos de formulação de políticas e instrumentos de gestão documental, de maneira a garantir a preservação de acervos que sirvam à pesquisa histórica futura, contribuindo com o olhar daqueles que compreendem o ofício da pesquisa histórica, as transformações da historiografia, a crítica e a interpretação dos documentos. Clarissa participou como coordenadora do GT 2- Os historiadores e a difusão cultural em arquivos, que colocou entre as possíveis atribuições do historiador em arquivos a colaboração na produção de instrumentos de pesquisa, na organização de publicações e eventos temáticos, na produção de textos e projetos de captação de financiamento, na seleção da documentação para exposições e catálogos, no assessoramento à construção de produtos de comunicação, na curadoria de exposições de caráter histórico, na proposição e fomento do debate historiográfico com base nas fontes de arquivo, na confecção atividades educativas a partir do patrimônio, etc.

            A partir das proposições dos GT’s e das contribuições da plenária final a comissão de sistematização elaborará documento sobre o perfil profissional dos historiadores atuantes em arquivos, que será encaminhado às direções de arquivos, ao CONARQ, aos cursos superiores de História e outros relacionados à área de arquivos, e servirá de base à atuação da ANPUH-Brasil. Acreditamos que este Ciclo, como bem foi registrado ao longo do evento, marca a ampliação do debate sobre a atuação dos historiadores para além das universidades e escolas, de maneira a valorizar cada vez mais os profissionais que se dedicam a atuar em instituições de memória.

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APERS nas 67ª e 68ª reuniões do CONARQ

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    O Arquivo Público do RS foi representado pela servidora Maria Cristina Kneipp Fernandes nas 67ª e 68ª reuniões do Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ, nos dias 03 e 04 de dezembro, no Rio de Janeiro.

    Entre diversas pautas o Fórum Nacional de Arquivos Públicos Estaduais, justificou nossa participação. Estiveram presentes os representantes dos Arquivos dos Estados do Pará, Mato Grosso, Ceará, Maranhão, Piauí e Minas Gerais. Como resultado deste encontro tivemos a proposição e aprovação junto ao plenário do CONARQ da Câmara Setorial de Arquivos dos Estados e do Distrito Federal, com o objetivo de fortalecer e colaborar com as ações do CONARQ. Outro ponto debatido foi à necessidade de reorganizar o Fórum Nacional de Arquivos Públicos, para que este possa fazer a articulação política, bem como captar recursos para desenvolver projetos de melhorias nos arquivos públicos. Para isso foi constituída uma comissão provisória que terá a responsabilidade de organizar o processo eleitoral do Fórum.

   Para acessar a ata da 67ª reunião clique aqui, para acessar a ata da 68ª reunião clique aqui.

Veja os nomes confirmados para depoimentos no evento deste sábado!

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2012.12.05 Seminário Ditaduras, DH e Ensino Confirmação de Depoimentos

   A participação é gratuita e as inscrições podem ser feitas através do email projetocultural@sarh.rs.gov.br. Para mais informações, clique aqui.

Aplicando a Lei 10.639 III: Tesouros da Família Arquivo & Ensino de História Afro

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   Chegamos às reflexões sobre nosso terceiro dia de evento, quarta-feira, 07/11, quando os participantes tiveram a oportunidade de experienciar a oficina de Educação Patrimonial Os Tesouros da Família Arquivo, e da participar de uma mesa de debates focada nas ferramentas e possibilidades metodológicas para o ensino de história da África e afro-brasileira.

   No turno da tarde realizou-se a vivência da oficina Os Tesouros da Família Arquivo, que faz parte do Programa de Educação Patrimonial do APERS e vem sendo oferecida desde 2009 para turmas de 6º e 7º ano do Ensino Fundamental. Foi elaborada a partir de fontes primárias salvaguardadas no Arquivo que tratam sobre a escravidão no RS, e tem como principal objetivo debater a importância do patrimônio cultural para a compreensão de nossa história, a construção e questionamento de nossas memórias, buscando debater sempre as marcas da escravidão em nossa sociedade explicitando o racismo como algo que precisa ser combatido. As turmas visitam as dependências do Arquivo, participam de atividades como teatro de bonecos de luva e caça ao tesouro, e tomam contato com documentos como carta de liberdade, registro de compra e venda de escravos, inventário, processo crime e testamento. Ainda que a atividade tenha sido idealizada para um público com faixa etária em torno de 10 e 13 anos, sempre que é oferecida como espaço de vivência para adultos, seja com turmas de cursos de licenciatura, com grupos de educadores ou público diverso, surte excelente debate, afinal, apresenta-se como uma alternativa lúdica e atrativa de trabalho com a temática afro a partir do patrimônio cultural que nos circunda. Além disto, as vivências com grupos adultos oportunizam conversas e reflexões que auxiliam a equipe da instituição a repensar e aprimorar a oficina a partir das contribuições levantadas pelos participantes.

   No turno da noite a mesa foi composta pelas historiadoras Clarissa Sommer e Vanessa Menezes, ambos do APERS, e pela Prof.ª Carla Moura, da Escola Estadual Santa Luzia, em Porto Alegre. Todas as falas focaram-se em abordar possibilidades de trabalho em sala de aula e formas de vencer as dificuldades impostas pela escassez de recursos, pouco conhecimento advindo de formações universitárias ainda deficitárias nesta área, e em muitos casos o pouco apoio das direções ou do Estado para realização de atividades inovadoras, que quebrem a lógica de currículos eurocêntricos, lineares e factuais. Este foi o tema central abordado por Clarissa, que ressaltou a importância da organização e luta dos educadores na busca pelo avanço destas pautas, e aproveitou a oportunidade para compartilhar materiais de subsídio que podem ser baixados gratuitamente pela internet, como a coleção História Geral da África, da UNESCO. Vanessa criou propostas de atividades apresentadas como sugestões a serem aplicadas pelos professores nas escolas, como oficina de culinária afro-brasileira, trabalhos com literaturas infanto-juvenis, e também com mapas de diversos períodos, que ajudam a localizar e ressaltar a complexidade da história africana, seus reinos e diferentes formas de organização. Já Carla apresentou o projeto O poder da Memória, que desenvolveu na Escola Santa Luzia a partir de sua participação no curso para professores em Educação Patrimonial e Cidadania, oferecido pelo APERS em ao longo de 2012. Carla desenvolveu com seus educandos atividades de prospecção, identificação, registro e apropriação dos patrimônios da comunidade em que a Escola está inserida (bairro Santo Antônio, Vila Maria da Conceição, mais conhecida como “Maria Degolada”), propondo a “Educação Patrimonial como ensino centrado nos bens culturais, não como simples objetos de contemplação e conformação social, mas como testemunhas da história, elo entre o passado e o presente, entre vivos e mortos e acima de tudo como um convite à ação, portanto, ao exercício da cidadania”. Como a comunidade é de maioria negra, grande parte dos patrimônios elencados por seus alunos referiam-se às matrizes afro-brasileiras, ainda que a princípio poucos dos estudantes se reconhecessem neles ou se auto-afirmassem negros. Assim, Carla buscou problematizar e valorizar o patrimônio da comunidade e dos afro-brasileiros, para a partir da realidade dos estudantes e de seus familiares trabalhar diversos outros conhecimentos e conceitos. Saiba mais sobre O Poder da Memória.

   Para baixar História Geral da África, clique aqui.

   Para acessar o blog da profª Carla, clique aqui.

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APERS recebe certificado de finalista no Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

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   Este ano pela primeira vez submetemos o Programa de Educação Patrimonial do Arquivo Público ao Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do IPHAN, que está em sua 25ª edição. Agora compartilhamos o certificado recebido, que confirma nossa participação e a classificação em nível estadual como finalistas na categoria Educação Patrimonial. Confira abaixo!

APERS - Certificado Prêmio Rodrigo M. F. de Andrade   Para conhecer as propostas vencedoras deste ano clique aqui.

Estagiária do APERS participa de formação na FDRH

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   No dia 29 de novembro nossa estagiária Cristieli Melo participou da Formação direcionada aos estagiários da SARH, realizada pela FDRH. A finalidade do evento foi contribuir na formação e qualificação dos estagiários, além de motivar o desenvolvimento de competências técnicas e humanas.

   Por meio deste evento foi possível entender mais sobre as atitudes que devemos ter em relação ao atendimento ao público. Alguns dos principais tópicos abordados para que a qualidade no atendimento seja aprimorada foram: não utilizar gírias para se comunicar com o cliente, nem falar ao mesmo tempo em que este; não deixar o cliente esperar por muito tempo, sempre o tratando com educação; e não passar a ligação sem deixar de dar um bom atendimento à pessoa. Além disso, foi destacada a importância de um bom relacionamento interno no ambiente de trabalho e a necessidade de mantermos os problemas pessoais de lado para que possamos melhor atender aos usuários. Desta forma, acreditamos que a partir deste treinamento possamos qualificar nosso serviço de atendimento aos usuários.

APERS em Números – Novembro 2012

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Confira alguns dados referentes aos serviços realizados no APERS durante o mês de novembro:

Atendimentos aos usuários: 1.307APERS

Busca e rearquivamento: 1.534

Documentos recuperados: 208

Encaixamento: 108

Indexação Sistema AAP: 1.196

Reprodução de documentos: 707

Visitas guiadas: 05

Saiba mais sobre os serviços que o APERS presta a comunidade.

Visitas guiadas ao APERS – Novembro 2012

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   No mês de novembro foram realizadas 05 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 10: 15 alunos do Curso de História da ULBRA, acompanhados pelo professor Rudimar Abreu.

Dia 22: Vinicius Moreira da Silva aluno do 3º semestre de História da ULBRA, cursando a disciplina de Estágio I.

Dia 23: 04 participantes do Seminário “Um debate sobre o papel das Câmaras Municipais no Brasil Colonial e Imperial no RS”, ocorrido no Auditório Marcos Justo Tramontini do APERS e promovido pelo AHPAMV.

Dia 26: 16 alunos da ESPRO – Ensino Social Profissionalizante para Jovens Aprendizes, acompanhados pelo professor Rudimar Anghinone, que ministra a disciplina de Técnicas Administrativas.

Dia 27: 12 alunos da ESPRO, acompanhados pela professora Loiva Steigleder, que ministra a disciplina de Técnicas Administrativas.

Guias: Aline Nascimento Maciel Comasseto, José Gonçalves de Araújo e Maria Lúcia Ricardo Souto.

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