II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos

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2012.12.26 II Jornada Ditaduras Chamada de Artigos

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APERS Entrevista: Édina Santos Agliardi

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2012.12.26 APERS Entrevista Pesquisadora Edina Santos Agliardi

Édina Santos Agliardi, 30 anos, é auxiliar de biblioteca no IPA/Porto Alegre e está no 8º semestre do Curso de História na FAPA. Foi estagiária no APERS de 2009 a 2012 e hoje faz uso de nosso acervo para explorar sobre a temática indigenista. Confira nossa entrevista com Édina:

Blog do APERS: Édina, você pode comentar sobre a pesquisa que vens desenvolvendo atualmente?

Édina: Aqui no Arquivo, quando trabalhava com os documentos envolvidos no projeto Documentos da Escravidão, encontrei um processo que tratava sobre um conflito entre índios e fazendeiros na região de Passo Fundo. Isso despertou meu interesse e comecei a pesquisar. Esta problemática ainda é atual, pois os índios continuam em conflitos envolvendo disputa por território. Minha pesquisa ainda é incipiente no que se refere à questão indígena. No processo crime que estou pesquisando já identifiquei muitos dados tratados no processo, por exemplo: quando mencionam “índios” estão se referindo aos Kaingang e quando se referem às terras de Arechim, provavelmente, seja parte do território da cidade de Erechim… Este processo tem mais de 200 páginas e envolve 26 testemunhas, 16 réus indígenas e 06 vítimas. É um conflito onde os índios reivindicam terras da região da Grande Passo Fundo ocupadas por tropeiros e milicianos vindos dos Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina e começaram a se fixar nestas terras em torno de 1827. Estes tropeiros vinham em busca do gado que vagavam pelo planalto depois da expulsão dos jesuítas para comercializá-los nas feiras de Sorocaba. Porém esta região é rica em Araucárias e o seu fruto é o principal alimento dos Kaingang. Esses índios foram considerados mais hostis em comparação aos guaranis, por exemplo, e nessa época o homem branco não dominava a língua Kaingang. Na tentativa de amenizar a situação e “civilizar” estes índios o Estado começou o processo de aldeamento. Alguns índios, por uma questão de autoproteção, se aliaram aos mecanismos do Estado para tentar se proteger e outros tentaram reocupar regiões que já haviam sido demarcadas por fazendeiros. É a partir daí que inicia o conflito por terra analisado em minha pesquisa para o TCC, que depois pretendo dar continuidade.

Blog do APERS: O que despertou teu interesse por esta temática?

Édina: Participei de alguns seminários sobre a temática indigenista e comecei a me interessar pela temática. Nesses seminários tive a oportunidade de ouvir as falas do Cacique guarani Cirilo e da Cacique Charrua Acuab (primeira cacique mulher no Rio Grande do Sul) ambos da região da Lomba do Pinheiro e pude visualizar melhor a situação. Ficou clara a pouca assistência do Estado. Como historiadores não podemos estudar somente o passado, mas analisar o passado com os olhos no presente. Então essa questão social chamou minha atenção porque ainda hoje só se fala sobre a questão indigenista no mês de abril. São sempre os mesmos problemas, os índios são criticados por usarem telefone celular e outros objetos “modernos”, mas os tempos mudaram, eles foram tirados das suas terras… O processo colonizatório interferiu em sua cultura.

Blog do APERS: Foste estagiária no APERS. Como esta experiência contribuiu para tua formação acadêmica e profissional?

Édina: Considero muito emocionante falar dessa experiência porque antes era comerciária, estudava e trabalhava. Quando fiquei sabendo da oportunidade fiquei desesperada! E agora?! Já estava no meu emprego há algum tempo, mas pensava: “Eu não quero isso para minha vida”. Como estagiária minha renda diminuiria muito e seria complicado pagar a faculdade, mas a experiência seria única e foi isso que eu fiz! Pedi demissão e me aventurei! Apaixonei-me, era isso que eu queria! A experiência de trabalhar com fontes primárias não tem palavras para quem está cursando História. Analisar o contexto, a forma de escrita… Quando comecei a trabalhar com esse processo não sabia quem eram os índios em questão, mas fui pesquisando, mesclando as informações das fontes primárias com os referenciais bibliográficos… Além disso, teve o intercambio de conhecimento com os acadêmicos de outras instituições de ensino… Aprendi muito. O Arquivo, profissionalmente, é uma grande referência. Quando voltei à instituição como pesquisadora me senti muito feliz!

Blog do APERS: Qual a importância do acervo do APERS para tua atuação enquanto pesquisadora?

Édina: Os acervos são muito ricos, retratam grande parte da história do nosso Estado, as pessoas não têm dimensão da quantidade e qualidade dos documentos, claro tem muito a ser feito ainda, mas há a preocupação da guarda.

Blog do APERS: Nas suas horas vagas, quando não estás estudando/pesquisando, quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Édina: Minha válvula de escape é dançar! É dançando que me desestresso, é um momento de lazer… Participo de ensaios, apresentações… É muito bacana! Eu gosto de outros esportes, mas por questões de tempo não consigo praticar. E claro, ficar com a família e amigos é sempre importante, gosto dessa convivência… Sempre volto com mais ânimo para o trabalho!

APERS é palco de gravação do Programa Nação da TVE!

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   No último sábado, dia 22, o Arquivo Público do RS abriu espaço à musicalidade de matriz africana ao se tornar palco para a gravação do programa Nação, da emissora pública TVE, que contou com a participação do Coral do CECUNE.

   O CECUNE, Centro Ecumênico de Cultura Negra, é uma organização não governamental isenta de vínculos de caráter político-partidário e religiosos, criada em março de 1987 que visa à inserção social e à reconstrução da cidadania da população negra. Dentre as diversas ações sócio-culturais da ONG, o Coral do CECUNE, o qual estreou publicamente em 24 de novembro de 1996, destaca-se por promover a pesquisa e o estudo dos cantares do povo negro.

   A gravação contou com a presença de 15 componentes do coral, incluindo o regente, Laércio Guedes de Faria, e a equipe de produção da emissora.

   O programa Nação vai ao ar todas as segundas, às 20:30, quartas, às 7:30 e aos sábados, às 20:00. A previsão de exibição do programa gravado no Arquivo Público do RS será entre os dias 21 e 28 de janeiro de 2013.

Boas Festas e Ótimo 2013!!

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Cartao Natal APERS

APERS conta histórias: Coleção 7 Governos

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     Em 1997 o Arquivo Público do RS, no momento em que projetava o quadro de arranjo da sua documentação, a definição dos Fundos da instituição e a partir de uma demanda instituída pelo Sistema de Arquivos do RS (SIARQ/RS), produziu uma série de estudos sobre a Organização Estrutural do Poder Executivo do Estado do Rio Grande do Sul.

     A proposta do trabalho era investigar o porquê da criação de cada tipo de documento oficial, bem como a função que ele desempenha, conhecendo as competências da cada unidade ou órgão administrativo e consequentemente a estrutura administrativa do Estado.

     Para tanto a equipe do APERS descreveu a Organização Administrativa do Poder Executivo gaúcho a partir do Governo de Walter Peracchi Barcelos (1967 a 1971), o primeiro a buscar uma padronização dos mecanismos de planejamento, coordenação e controle, estendendo-se até o Governo de Alceu Collares (1991 a 1994).

    O estudo está dividido em sete livros que foram elaborados proporcionando informações detalhadas sobre estrutura administrativa de cada gestão e apresentam uma introdução que descreve a conjuntura destes governos relacionando-os com o contexto da política nacional, com o período marcado pelo golpe executado por militares em 1964 quando se instaurou a ditadura no país.

     A partir de 1966 novos padrões foram estabelecidos através do Ato Institucional nº 3, que dentre outras alterações, determinou-se a eleição indireta dos Governadores. Foi neste período que se instauraram no Estado os mandatos de Walter Perachi (1967-1971), Euclides Triches (1971-1975), Synval Guazelli (1975-1979) e José Augusto Amaral de Souza (1979-1982).  Jair de Oliveira Soares foi o primeiro governador eleito pelo voto popular e governou de 1983 a 1987. Seu sucessor foi Pedro Jorge Simon que comandou o Estado de 1987 a 1991. Numa eleição realizada em dois turnos, Alceu de Deus Collares foi vitorioso permanecendo no comando do Estado de 1991 a 1994. Em cada volume são fornecidos dados bibliográficos do governador bem como sua trajetória política.

APERS - Colecao 7 governos     Por fim é descrita a Estrutura Organizacional do Poder Executivo de cada gestão incluindo a Administração Direta, composta pela governadoria do Estado e Secretarias de Estado, a Administração Indireta suas autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, de forma a apresentar suas particularidades. Completa o trabalho um organograma que demonstra a estrutura organizacional do governo em questão.

NOTA: Ressalta-se que, em 2006, o APERS publicou um livro com informações mais amplas sobre o assunto: “Fontes para a História Administrativa do Rio Grande do Sul: a trajetória das Secretarias 1890 – 2005”.

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