Conforme noticiamos na semana anterior, o APERS participou do I Seminário Internacional Documentar a Ditadura: Arquivos da Repressão e da Resistência, realizado no Arquivo Nacional entre os dias 4 e 6 de junho de 2013. Além da participação enquanto ouvintes, servidoras dessa instituição apresentaram comunicações no evento.

 Nesta semana, apresentamos em mais detalhes a comunicação intitulada de Ditadura, Direitos Humanos, Arquivos e Educação a partir do patrimônio: documentar a ditadura para que(m)?, realizada pelas historiadoras Clarissa Sommer e Nôva Brando.

  Além da salvaguarda, da organização, da preservação e da promoção do acesso à documentação, o APERS desenvolve ações de difusão de seus acervos e dentre eles, um Programa de Educação Patrimonial em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As ações desenvolvidas, acontecem em torno de atividades de formação para professores, capacitação de estudantes de graduação, oficinas voltadas às Séries Finais do Ensino Fundamental produzidas a partir dos acervos da instituição e de difusão da Educação Patrimonial em arquivos.

  A partir da trajetória do Programa, o Arquivo percebeu o potencial dessas ações para sensibilização quanto a valorização e crítica ao patrimônio em um contexto de intensas discussões a respeito da identificação, preservação e acesso aos arquivos produzidos pela repressão e pela resistência à Ditadura Civil-militar brasileira. Acompanhando os debates sobre os usos destes documentos na busca por memória e verdade, e no resgate da história do período, o APERS decidiu explorar o acervo da Comissão Especial de Indenização aos Ex-presos Políticos do RS, salvaguardado nessa instituição, para a construção de uma nova oficina, agora voltada ao Ensino Médio, com enfoque na temática Ditaduras e Direitos Humanos. E foi sobre as reflexões, a partir das experiências acumuladas, e sobre a construção da nova oficina que Clarissa e Nôva construíram tal trabalho.

  O enfoque girou em tono da discussão sobre o papel das instituições arquivísticas e de seus acervos nesse contexto de luta por memória e verdade, compreendendo que as ações de lugares custodiadores de documentação sobre o período da Ditadura podem extrapolar a viabilização de pesquisas históricas e a garantia de direitos às vítimas e seus familiares, fomentando também a ampliação do acesso a tais documentos, especialmente no processo de ensino e aprendizagem na Educação Básica.

  Durante a apresentação, foram expostos os objetivos da nova oficina, como a promoção, a partir do conceito de Alfabetização Patrimonial, de ferramentas de leitura do mundo para a compreensão da trajetória histórico-temporal em que estamos inseridos. Além disso, as autoras exploraram a metodologia que está sendo utilizada para sua construção e as expectativas criadas de que tal ação educativa auxilie no fortalecimento do exercício crítico da cidadania. E desse percurso de discussão e criação, Clarissa e Nôva reforçaram a ideia de que somente com a apropriação dessa temática por parte da sociedade estabeleceremos o caminho, até então percorrido na luta por memória e verdade, à luta por justiça.

  O texto completo com referenciais e reflexões será publicado em breve pelo Arquivo Nacional, e disponibilizado on-line. Acompanhe em nosso blog, pois compartilharemos com você!

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