Hoje é dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Não poderíamos deixar de ressaltar essa data, seja pelos diversos trabalhos que o APERS vem desenvolvendo no intuito de resgatar a história afro-brasileira, a partir do Projeto Documentos da Escravidão ou da realização de cursos e eventos relativos à temática, seja pela percepção que temos da importância de conhecer, debater e valorizar as matrizes africanas de nossa sociedade, para construir um país justo e equitativo.

Nesse sentido, hoje gostaríamos de saudar a todas e todos que cotidianamente se dedicam a pesquisar a história negra do Brasil, que é a história de cada um de nós, brasileiros e brasileiras; a compreender e difundir a cultura e as contribuições dos africanos que foram trazidos para cá, e que aqui, mesmo em meio a um longo e duro processo de escravização, resistiram, interagiram, tensionaram, e se afirmaram enquanto indivíduos e enquanto povo, e que persistem, hoje, na luta contra o racismo. Saudamos aos que combatem a desigualdade e que têm clareza de que ela não está ligada apenas a uma questão econômica, mas também a uma questão de cor. É necessário conhecer e refletir sobre as estatísticas de um Brasil que passou por quase quatro séculos de escravidão, e que hoje ainda enfrenta uma realidade onde a maior parte do povo pobre e marginalizado é negro. Difícil dizer ou escrever isso? Sim, é duro. Mas é necessário, para que possamos transformar tal realidade, sem “tapar o Sol com a peneira”.

Acreditamos que as ações nesse sentido não podem se restringir às “semanas da Consciência Negra”, mas, ao mesmo tempo, acreditamos que o Dia da Consciência Negra é uma data fundamental, que deve ser celebrada. Por isso hoje voltamos a expor nossa compreensão de que as instituições públicas, como nós, Arquivo Público, devem ter compromisso com essa transformação.

Em 2013 uma série de ações e projetos necessários ao APERS nos impediram de construir, como havíamos apontado, uma nova edição do curso de formação para educadores realizado no final de 2012, que tinha como temática central a aplicação da Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas do país. Por outro lado, ao longo de todo o ano nosso blog manteve postagens mensais sobre o tema, e realizamos uma pesquisa para receber contribuições à construção da próxima edição desse curso. Divulgamos aqui o resultado, com o compromisso de aproveitá-lo em 2014, quando teremos mais fôlego para organizar a formação da maneira que os educadores e a temática merecem.

Mas obviamente não poderíamos deixar de promover em 2013 uma atividade nesta área. Então, já reserve sua agenda: nos dias 03/12 e 04/12, às 18:30h, o APERS e o Coletivo Catarse realizam um Cine debate para refletir sobre as matrizes afro no Rio Grande do Sul, exibindo os documentários “O Grande Tambor” e “Batuque Gaúcho”, esse último uma produção que será exibida pela primeira vez nessa oportunidade. Como debatedores teremos Sergio Valentim e Eugênio Alencar (Mestre Paraqueda). Não dá para perder!

Consciência Negra