A partir de hoje até o dia 24 de dezembro, o Blog do APERS contará com uma série de cinco relatos da historiadora Nôva Brando acerca do curso realizado no Arquivo Público de São Paulo. O curso, conforme o relato geral da semana anterior, foi dividido em seis unidades. Hoje, serão relatados os aprendizados e experiências vividos a partir da temática Arquivos Públicos e Patrimônio Histórico Documental.

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Seguimos, então, com o relato de Nôva:

     Na unidade I, Arquivos Públicos: Histórico e Funções Atuais, trabalhamos com noções básicas de Arquivologia a partir da Lei 8.159 de 1991, que dispôs sobre a Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados. Para isso, assistimos o video Arquivologia: Conceituação e Finalidades do Arquivo. Sobre seu conteúdos, foram abordadas questões sobre conceito de arquivo e sobre suas finalidades, tais como guarda, preservação e acesso à documentação. Também assistimos os vídeos produzidos pelo APESP, Gestão Documental e Acesso à Informação e Lei de Acesso à Informação. A partir deles, discutimos o papel que o Arquivo de São Paulo passou a desempenhar, a partir da regulamentação da Lei de Acesso no Estado de São Paulo. Nesse caso, uma das suas principais atribuições, assim como de vários outros arquivos do país, passou a ser de tornar acessível toda e qualquer documentação sob sua custódia que não esteja classificada como sigilosa.

     Como atividade de encerramento dessa unidade, foi-nos solicitado a leitura de dois textos e a realização de um questionário sobre o seus conteúdos. O primeiro deles, escrito pela arquivista Heloísa Bellotto, Da administração à história: ciclo vital dos documentos e função arquivística, fundamentou noções importantes da arquivologia, levantou questões conceituais ligadas as três idades dos documentos, compreendidas dentro da lógica de um ciclo vital. Conhecemos um pouco das características dos documentos que passam por uma ou pelas três idades, a dos arquivos correntes, dos intermediários e dos permanentes e como nelas atuam (ou não) as tabelas de temporalidade. Já no texto das historiadoras do APESP, Andresa Barbosa e Haike da Silva, Difusão em Arquivos: Definição, políticas e implementação de projetos no Arquivo Público do Estado de São Paulo, foram abordadas questões a partir daquilo que foi identificado pelas autoras como atividades ligadas, conceitual e estruturalmente, à difusão em arquivos. Seguno elas, a ação editorial e a ação educativa, meios pelos quais a sociedade conhece o patrimônio documental, “devem ser colocadas em primeiro plano nas políticas institucionais dos arquivos, como parte de uma relação de interdependência entre recolhimento, custodia, preservação e gestão documental”.

     Na unidade II, Patrimônio Histórico-Documental, três foram as leituras que guiaram os fóruns e atividades de avaliação propostos aos alunos. O texto de Ferrarezi e Romão, Arquivo, documento e memória na concepção discursiva, levantou a possibilidade de uma leitura à luz da teoria do discurso para visitar a noção de arquivo. Segundo as autoras, para além do lugar científico já consolidado, seria possível um diálogo com a concepção da análise do discurso que considere os sujeitos, os discursos, as memórias e a ideologia como elementos fundantes desses espaços. No final do artigo, elas seguem com considerações que julgamos muito pertinentes de serem discutidas pelos profissionais de arquivo: “a primeira delas e a de que os arquivos são vistos não como um recorte da realidade, mas como resusltado de injunções ideológicas que direcionariam a construção de uma ordem formada por certos documentos e não por outros, o que implica considerar que essa ordem foi produzida sócio-historicamente. Essa assertiva combina com a nossa segunda consideração, tão cara à teoria do discurso: a que de, ao dizer, o sujeito sempre cala algo, assim, um arquivo ordenado de uma maneira, crivado por uma sequência de documentos, mobilizador de certas fontes, fixador de um modo de dizer sobre um tema, sempre silencia outra ordenação, outros modos possíveis de dizer e outras fontes .[…] a terceira consideração: a necessidade de interpretar os processos de produção, constituição e circulação dos sentidos […]”.

     Já na leitura de Eloisa Caimi, Fontes históricas na sala de aula: uma possibilidade de produção de conhecimento histórico escolar, assim como na leitura de Andresa e Haike, pudemos seguir na aproximação com a escola. A autora trabalhou com a incorporação e a utilização de fontes históricas nas aulas de história e suas repercussões nos debates acadêmicos, enquanto possibilidades de instrumentalizarem a produção de conhecimentos históricos na Educação Básica. Essa problematização ocorreu por meio da análise de manuais escolares antigos e livros didáticos atuais, bem como nas políticas públicas como PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) e PNLD (Plano Nacional do Livro Didático). Ainda nessa unidade, trabalhamos com o clássico texto Documento/Monumento de Le Goff, no qual o autor problematiza o documento a partir de uma analogia entre ele e o monumento. Dentre as considerações importantes, Le Goff adverte que o documento tal como o monumento possui uma história e que todos que com ele trabalham devem conhecê-la; lembra também, que assim como um monumento, sua produção foi intencional e que cabe àqueles que hoje a analisam descobrirem quais foram os objetivos que a caracterizaram. E, ainda, apontamos que assim como sobre o monumento, sobre o documento é necessário lançarmos olhares questionadores mais que olhares contemplativos.

     Como tudo, um pequeno recorte daquilo que tive oportunidade de aprender nesses dois primeiros módulos do curso.

O registro das bibliografias completas utilizadas nos dois primeiros módulos do curso pode ser acessado aqui. Na próxima semana, Nôva nos contará um pouco mais sobre a Unidade III – Ensino de História e Sequências Didáticas.