Conforme nos propusemos para 2015, hoje iniciamos as postagens mensais na categoria AfricaNoArquivo, que terão como objetivo difundir o Projeto AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil compartilhando seus produtos, problematizando as possibilidades de trabalho a partir deles e apontando desdobramentos para dar sequência ao que foi desenvolvido ao longo do ano passado.

Em 2014 já havíamos publicado no blog três reflexões produzidas a partir de três dos seis documentos que compõem o kit da caixa pedagógica. Nesses textos, que podem ser lidos na categoria “Arquivos & Diversidade Étnica” apresentamos previamente os documentos sugerindo possibilidades de abordagem. Porém, como o projeto ainda estava em construção, não postamos as reproduções no formato como estão sendo distribuídas nas caixas, com suas respectivas transcrições e diagramação.

2015.03.04 Imagem para AfricaNoArquivo

Hoje começamos a disponibilizar para download todos materiais que compõem o kit que está sendo entregue às escolas de Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Viamão. Dessa forma ampliaremos o alcance do projeto, permitindo que pesquisadores, leitores interessados no tema e educadores de qualquer lugar tenham acesso, podendo baixar, imprimir, utilizar em atividades educativas, criar propostas a partir das que são por nós apresentadas… Neste post você pode baixar:

Material de Apoio à Professora e ao Professor! Traz uma contextualização e introdução ao projeto, além de instruções e dicas de como aplicá-lo com as turmas escolares e com outros grupos.

Seleção de páginas do Inventário de Felisbina da Silva Antunes (1871, cidade de Pelotas). No documento constam arrolados um total de 146 escravizados. Optamos por digitalizar, transcrever e reproduzir a página inicial do processo, as duas primeiras e as duas últimas páginas do arrolamento dos “Bens semoventes e moveis”, onde é possível identificar nome, idade, especialização e valor atribuído às e aos escravizados. Dados que permitem problematizar a formação do plantel, o tipo de propriedade e de trabalho produtivo com que estes sujeitos históricos estavam envolvidos, a reprodução e a formação de famílias na propriedade, o local de nascimento dessas pessoas…

Carta de Liberdade de Rita (Pelotas, 1835). Escrava de ganho de Manoel José de Barros, foi ama de leite da filha do senhor e comprou sua alforria com pecúlio acumulado a partir da venda se “quitandas”.

Testamento de Antonio Gaia (Rio Grande, 1883). Preto forro da Costa da Mina, Antonio registra neste documento seus últimos desejos por encontrar-se “doente e temendo a morte”. Acumulou bens e estabeleceu rede de sociabilidade com negros e negras que são contemplados em seu Testamento.

No próximo mês disponibilizaremos os outros três documentos do kit, e na sequência o jogo de tabuleiro e o vídeo produzido pela equipe para aprofundar e qualificar as ações nas escolas. Acompanhe e compartilhe conosco através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registros de suas experiências com o material produzido pelo Projeto AfricaNoArquivo. Reflexões, fotos de atividades realizadas nas escolas… Tudo poderá contribuir para a difusão e a valorização desse trabalho, instigando desdobramentos!