Curso de Formação para Professores – Educação Patrimonial e Cidadania: história da escravidão e da liberdade no Rio Grande do Sul

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Neste primeiro semestre de 2015, o Programa de Educação Patrimonial UFRGS/APERS realizará a quinta edição do Curso de Formação para Professores. Para organizá-la, o Programa buscou parceria junto ao Grupo de Trabalho Emancipações e Pós-Abolição da ANPUH-RS, que prontamente aceitou o convite para a construção do curso Educação Patrimonial e Cidadania: história da escravidão e da liberdade no Rio Grande do Sul.

Com recursos do Edital Proext/MEC 2015-16, o Programa, em conjunto com GT da Anpuh, elaborou uma programação, que será divulgada na próxima semana, cujo eixo será a história da escravidão e da liberdade no RS, abordadas por meio da leitura de documentos e das possibilidades de trabalhos pedagógicos a partir de patrimônios diversos.

O curso é gratuito e contará com uma carga horária de 60 horas, das quais 20 horas serão reservadas para estudos a distância. Os encontros presenciais acontecerão nos dias 11, 18 e 25 de abril; 9, 16, 23 e 30 de maio; e 13, 20 e 27 de junho, sempre aos sábados, das 08h30 as 12h no Auditório do Arquivo Público do RS. O público alvo são os professores da rede pública de ensino, para os quais serão destinadas a maior quantidade de vagas, as equipes do Projeto Territórios Negros e do Programa de Educação Patrimonial.

As inscrições (vagas limitadas) começam a partir do dia 19 de março e serão realizadas pelo e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br. Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (51) 3288-9112.

2015.03.13 Cartaz Corrigido

Mulheres no APERS, gênero e história X: resgatando trajetórias

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Estamos no mês das mulheres! No último domingo, 08 de março, celebramos o Dia Internacional das Mulheres, um dia de homenagens, mas especialmente de reflexão sobre direitos conquistados e direitos ainda almejados, e de luta para garantir equidade, respeito e autonomia. No mesmo dia o Arquivo Público comemorou seus 109 anos de existência, celebrando vida longa numa instituição centenária que se atualiza e dinamiza a cada ano, atenta às transformações da sociedade.

Nesta data tão especial, duplamente marcante, nada melhor do que reafirmar o compromisso institucional com a preservação do patrimônio documental por nós custodiado e com a garantia do acesso a ele, sempre buscando difundi-lo ampliando os “pontos de acesso” e os mecanismos de aproximação entre usuários e documentos. Neste sentido, conectando a celebração do aniversário do Arquivo à celebração do Dia das Mulheres, melhor ainda reafirmar este compromisso relembrando nosso empenho em construir instrumentos de pesquisa que lancem luz especial sobre as mulheres: até o final do mês de março pretendemos lançar o tão mencionado catálogo sobre História das mulheres e das relações familiares, que descreve os documentos da Vara de Família e Sucessão do Porto Alegre.

São documentos que estamos apresentando no blog mensalmente “em pílulas”, desde o começo do ano passado. Leitoras e leitores já devem ter percebido seu grande potencial para a pesquisa nas áreas de história das mulheres, das relações familiares e de gênero. Obviamente sabemos que o recorte do acervo descrito no catálogo não registra apenas partes de histórias de mulheres, mas de mulheres e homens em relação, entretanto, o projeto “Afinal, onde estão as mulheres no APERS? Gênero, memória e história”, através do qual o Catálogo História das Mulheres & Relações Familiares vem sendo lentamente construído desde 2011, apresenta uma intencionalidade política, de afirmar a história das mulheres. De apontar acervos que têm potencial para ajudar a resgatar e problematizar trajetórias, traçar perfis, questionar comportamentos, refletir sobre sofrimentos, resistências e conquistas.

Hoje, neste post celebrativo, apresentamos mais uma “pílula” torcendo para que ela instigue o desejo de pesquisar mais, de tornar-se uma usuária ou usuário do Arquivo Público, de desvendar muito mais sobre tantas mulheres que viveram em nosso estado, cujas histórias de vida são registradas aos fragmentos entre as caixas e milhares de folhas de nosso acervo. Apresentamos Ottilia em sua relação com Affonso, chamando a atenção para alguns aspectos que podemos analisar a partir dos documentos.

Ottilia era órfão de mãe e pai quando se casou, em dezembro de 1920, aos 16 anos. Seu marido, comerciante de Porto Alegre, era 18 anos mais velho, com 34. Menos de quatro anos após o matrimônio, em junho de 1924, dão entrada nos papéis de desquite amigável, documento salvaguardado pelo Arquivo e descrito no referido catálogo. Além de problematizar a grande diferença de idade entre o casal e o pouco tempo que durou a relação, outros elementos contribuem para aproximar-nos da história de Ottilia: através da pesquisa realizada para construção do instrumento, verificamos que há em nosso acervo um processo de tutela de agosto de 1920 em que Affonso aparece como tutor de Ottilia e de seu irmão, logo após o falecimento da mãe dos adolescentes. Pouco tempo depois, em novembro de 1920, ele passa o papel de tutor para o irmão mais velho dos jovens, que alcançou a maioridade.

Assim como ocorre em diversos outros casos, a tutela não foi descrita no catálogo por ser da 3ª Vara de Família, que está fora do recorte para esta ação, mas será referenciada em um campo do verbete de desquite, facilitando o trabalho de pesquisa ao relacionar os documentos da Vara de Família e Sucessão de determinado casal a outros documentos deles produzidos em outras varas/comarcas do Poder Judiciário. Mesmo que o processo de desquite amigável de Ottilia e Affonso seja relativamente simples, relacionando apenas a petição inicial, a certidão de casamento, despachos e pedidos de certidões, sem registrar a voz de testemunhas ou qualquer disputa entre os cônjuges, cruzá-lo com outros processos, como o de tutela, oportuniza ao(à) pesquisador(a) diversos elementos para construir análises e narrativas: qual seria a relação entre Affonso e a família de Ottilia, que lhe permitiu chegar a tutor? Como interpretar um casamento entre tutor e tutelada tão pouco tempo depois de sua morte da mãe, e sendo a noiva apenas uma menina? Era comum naquele período que tutores de meninas se casassem com elas? Quais as relações de poder se estabelecem em um casamento como este?

Aqui levantamos brevemente alguns apontamentos a partir de dois processos relacionados. Uma pesquisa que relacione uma quantidade maior de documentos a partir de questionamentos pertinentes, que busque localizar habilitações de casamento, processos criminais, ações de alimentos ou separação de corpos de um mesmo casal, ou de vários casais em determinado período, certamente poderá produzir reflexões expressivas e resgatar diversas trajetórias de vida!

Pesquisando no Arquivo

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Você sabia que no APERS há uma grande quantidade de documentos que foram pouco ou nada pesquisados? O acervo do APERS é constituído de documentos referentes aos Poderes Judiciário (1763 a 1980), Executivo (1822 a 2012) e Legislativo (1953 a 1995), assim como aos Tabelionatos (1763 a 1986) e ao Registro Civil (1929 a 1975), perfazendo mais 5 mil metros lineares de documentos. As datas referidas representam o período inicial e final, podendo haver lacunas de tempo entre elas.

Com o intuito de divulgar documentos que possam se tornar objeto de estudo, postaremos, na terceira semana de cada mês, indicações de possibilidades de pesquisa em nosso acervo. Confira na próxima semana nosso primeiro post.

A requalificação espacial do Complexo da ALRS e seus impactos para o APERS

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Na última terça-feira representantes do Arquivo Público do RS, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), da Assembleia Legislativa do RS (ALRS) e da Viliecca & Associados, empresa vencedora do concurso para requalificação espacial do Complexo da ALRS, reuniram-se para discutir os impactos que a intervenção no terreno ao lado do APERS causará à instituição.

2015.03.10 Reuniao predio assembleia 004O Complexo da ALRS está inserido na Área de Interesse Cultural (AIC) da Praça da Matriz e requer análise conjunta sob o ponto de vista do Patrimônio Histórico, por possuir o Solar dos Câmara tombado em instância federal e o Arquivo Público do RS em instância estadual.

2015.03.10 Reuniao predio assembleia 025A proposta de requalificação do Complexo da ALRS (clique aqui para saber mais) prevê a retirada da circulação de veículos sobre a cobertura do Prédio 1 do Arquivo Público do RS e a construção de um edifício, com mesma altura de nosso Prédio 2, no terreno vizinho ao de nossa instituição, na rua Riachuelo.

A partir desta reunião espera-se que se sigam as tratativas para que a requalificação do Complexo da ALRS esteja em harmonia com a arquitetura preexistente ao seu entorno, uma vez que edificações como o conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS são únicos e representam parte da história de nosso Estado.

APERS 109 ANOS!

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2015.03.11 Apers 109 anos 2

AfricaNoArquivo – Compartilhando a produção do Projeto (I)

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Conforme nos propusemos para 2015, hoje iniciamos as postagens mensais na categoria AfricaNoArquivo, que terão como objetivo difundir o Projeto AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil compartilhando seus produtos, problematizando as possibilidades de trabalho a partir deles e apontando desdobramentos para dar sequência ao que foi desenvolvido ao longo do ano passado.

Em 2014 já havíamos publicado no blog três reflexões produzidas a partir de três dos seis documentos que compõem o kit da caixa pedagógica. Nesses textos, que podem ser lidos na categoria “Arquivos & Diversidade Étnica” apresentamos previamente os documentos sugerindo possibilidades de abordagem. Porém, como o projeto ainda estava em construção, não postamos as reproduções no formato como estão sendo distribuídas nas caixas, com suas respectivas transcrições e diagramação.

2015.03.04 Imagem para AfricaNoArquivo

Hoje começamos a disponibilizar para download todos materiais que compõem o kit que está sendo entregue às escolas de Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Viamão. Dessa forma ampliaremos o alcance do projeto, permitindo que pesquisadores, leitores interessados no tema e educadores de qualquer lugar tenham acesso, podendo baixar, imprimir, utilizar em atividades educativas, criar propostas a partir das que são por nós apresentadas… Neste post você pode baixar:

Material de Apoio à Professora e ao Professor! Traz uma contextualização e introdução ao projeto, além de instruções e dicas de como aplicá-lo com as turmas escolares e com outros grupos.

Seleção de páginas do Inventário de Felisbina da Silva Antunes (1871, cidade de Pelotas). No documento constam arrolados um total de 146 escravizados. Optamos por digitalizar, transcrever e reproduzir a página inicial do processo, as duas primeiras e as duas últimas páginas do arrolamento dos “Bens semoventes e moveis”, onde é possível identificar nome, idade, especialização e valor atribuído às e aos escravizados. Dados que permitem problematizar a formação do plantel, o tipo de propriedade e de trabalho produtivo com que estes sujeitos históricos estavam envolvidos, a reprodução e a formação de famílias na propriedade, o local de nascimento dessas pessoas…

Carta de Liberdade de Rita (Pelotas, 1835). Escrava de ganho de Manoel José de Barros, foi ama de leite da filha do senhor e comprou sua alforria com pecúlio acumulado a partir da venda se “quitandas”.

Testamento de Antonio Gaia (Rio Grande, 1883). Preto forro da Costa da Mina, Antonio registra neste documento seus últimos desejos por encontrar-se “doente e temendo a morte”. Acumulou bens e estabeleceu rede de sociabilidade com negros e negras que são contemplados em seu Testamento.

No próximo mês disponibilizaremos os outros três documentos do kit, e na sequência o jogo de tabuleiro e o vídeo produzido pela equipe para aprofundar e qualificar as ações nas escolas. Acompanhe e compartilhe conosco através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registros de suas experiências com o material produzido pelo Projeto AfricaNoArquivo. Reflexões, fotos de atividades realizadas nas escolas… Tudo poderá contribuir para a difusão e a valorização desse trabalho, instigando desdobramentos!

Distribuição de Caixas Pedagógicas e Catálogos Seletivos

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Relembramos que estamos em fase de distribuição das caixas pedagógicas do projeto AfricaNoArquivo e do catálogo seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Saiba mais:

CaixaPedagogicaCaixas pedagógicas AfricaNoArquivo: distribuídas às escolas públicas de Canoas, Gravataí, Porto Alegre, Viamão e para as 30 primeiras escolas de qualquer município, instituições de memória, associações e entidades da área (cultura negra) que declararem e justificarem o interesse em receber o material. Neste caso, a escola/ instituição/ entidade deverá enviar uma mensagem para nossa equipe através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registrando o interesse e referenciando a atuação na área. Essas 30 caixas serão destinadas conforme a ordem de recebimento dos e-mails. Mais informações na Aba “Projetos Patrocinados”.

2015.01.21 Catalogo ResistenciaCatálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil: distribuição do catálogo para instituições voltadas para o ensino e a pesquisa sobre a história da ditadura no Brasil, como escolas de ensino médio da rede pública, universidades, arquivos, bibliotecas e organizações ligadas a essa temática. Acesse aqui a listagem de instituições contempladas. Para ler outras notícias sobre este catálogo, clique aqui.

Ambos os materiais, de distribuição gratuita, podem ser retirados na sede do Arquivo Público do RS (Rua Riachuelo, nº 1031 – Centro Histórico | Porto Alegre) por um representante da instituição devidamente identificado e mediante a assinatura de termo de compromisso, sendo doada uma caixa ou um catálogo por instituição.

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