2015.04.15 Ação Educativa em Arquivo II

Seguindo com a nossa segunda publicação a respeito das ações educativas desenvolvidas em arquivos públicos, hoje vamos apresentar um trabalho muito interessante desenvolvido pelo Arquivo Histórico Municipal de Porto Alegre Moysés Vellinho (AHPAMV).

Localizado na Avenida Bento Gonçalves, uma das principais vias de Porto Alegre, a instituição ocupa o espaço de um casarão do século XIX no qual estão reunidos dezenas de milhares de documentos, datados desde 1764, que constituem importantes fontes de pesquisa sobre a cidade. Dentre essa documentação, são encontrados jornais e revistas, que veiculavam informações a respeito do cotidiano da cidade, e documentos oficiais como relatórios, projetos, mapas, plantas e correspondências que permitem a compreensão das administrações municipais.

Tanto o acervo documental como a biblioteca especializada na história de Porto Alegre estão disponíveis para pesquisa pública. Entretanto, uma das formas de acesso e difusão que privilegiaremos neste texto, diz respeito às atividades educativas desenvolvidas pela instituição que tem como objetivo “construir o conhecimento sobre a cidade e despertar a consciência para a necessidade de preservação do patrimônio cultural” (Blog do AHPAMV).

O próprio acervo do Arquivo Histórico constitui a matéria-prima das ações de Educação Patrimonial, sendo os documentos pela instituição custodiados, as fontes utilizadas para o desenvolvimento dos projetos. Segundo Biazzetto, o Arquivo inseriu-se no movimento de patrimonialização ocorrido nos anos 90 primeiro com a oferta de visitas guiadas para o público e no ano de 1997 com o primeiro projeto de educação patrimonial denominado de Papel Antigo e Papel Velho, seguido, no ano de 2000, pelo projeto Vivo Toque. Por conta disso, aponta Ivana Parrela que, no Rio Grande do Sul, o Arquivo Histórico Moysés Vellinho “desenvolve ações que são pioneiras no cenário nacional, de forma contínua”. Reforça que a partir de 2005, a “metodologia da Educação Patrimonial passou a ser, formalmente norteadora dos trabalhos”.

Os dois Projetos mencionados, pela pesquisa que realizamos no Blog do Arquivo Moysés Vellinho, não são mais desenvolvidos pela instituição. Em substituição, encontramos outros sete projetos que compõem as ações educativas hoje desenvolvidas. São eles: (1) Onde está o patrimônio?; (2) Brincando de Editar; e (3) Arquivo vai à escola: detetives investigadores e defensores do Patrimônio, destinados às Séries Iniciais do Ensino Fundamental; (4) Detetives na Casa dos Malheiros, para o sextos e sétimos anos do Ensino Fundamental; (5) Cuidar para não Esquecer, atividade oferecida para os oitavos e nonos anos do Ensino Fundamental; (6) Visitas de Sensibilização, disponíveis para turmas de alunos da Educação de Jovens e Adultos; e (7) Formação de Professores (mais informações a respeito das atividades podem ser encontradas no Blog do Arquivo, acesse aqui).

O Arquivo Histórico de Porto Alegre, assim como os demais investigados por Parrela são boas exceções de instituições arquivísticas que consolidaram práticas educativas como função própria de um arquivo. Sabe-se, entretanto, que os investimentos dos arquivos brasileiros em atividade educativas, quando comparados aos dos museus, ainda são baixos. Talvez isso também explique, em conjunto com outros elementos, os motivos pelos quais nas instituições museológicas desenvolvem mais atividades educativas que as instituições arquivísticas. Ainda assim, no artigo em que compara as experiências desenvolvidas nos arquivos públicos localizados nas capitais dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, dentre os quais o trabalho desenvolvido pelo Arquivo Moysés Vellinho, é exposta a “adoção de boas práticas consolidadas na área”. Entretanto, segundo ela “existe pela frente um longo percurso para qualificar os trabalhos desenvolvidos pelas análises críticas, difundir as metodologias empregadas e estreitar o diálogo com as várias partes envolvidas e, especialmente, com as universidades que formam, ao mesmo tempo, arquivistas, historiadores e educadores sem discutir as relações da pesquisa com a educação em um de seus locus privilegiados: os arquivos”.

Seguiremos nos próximos meses apontando outras experiências que evidenciem a importância de que os trabalhos educativos em arquivos sejam contínuos, reconhecidos como uma exigência da difusão e como forma de garantia, também, de direitos.

Para saber mais:

  • Site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, clique aqui.
  • Blog Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho, clique aqui.
  • Giovanni Biazzetto – Patrimônio e Memória nas Práticas de Educação Patrimonial do Arquivo Histórico Moysés Vellinho de Porto Alegre/RS (1997 a 2005), clique aqui.
  • Ivana Parrela – Educação Patrimonial nos arquivos brasileiros: algumas experiências e perspectivas de uso da metodologia, clique aqui.
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