O Cinema no Arquivo projetou, no dia 16 de julho, no auditório Marcos Justo Tramontini, o filme O Ilusionista, de Jos Stelling. Após a exibição do filme, a Professora de Filosofia da Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Doutora em Filosofia pela UFRGS, Ana Carolina da Costa e Fonseca, conversou com o público sobre o desconforto e o dilema que o filme provoca, por se tratar o que vulgarmente se considera “loucura” e “normalidade”. Ela destacou que o diretor pode ter se utilizado dos trabalhos de Friedrich Nietzsche, Michel Foucault, Sigmund Freud e Wilhelm Reich para desconstruir estes conceitos, questionando a suposta normalidade da sociedade, revelando a doença social que está presente em cada um de nós.

    Algumas faces da “loucura”, como a do artista que é incompreendido na sociedade, pois não se enquadra nos supostos padrões de normalidade, e a do doente mental, cujo preconceito e intolerância segregam, são facilmente identificadas no filme, porém loucura e normalidade se misturam a ponto de não se saber quem é o “louco” e quem é o “normal”, mostrando que a dita normalidade não passa de um equívoco. Cada um pode parecer “louco” aos olhos do outro; ou seja, O Ilusionista provoca a discussão do que é normalidade, fato que causou certo alvoroço na plateia. Concordando ou não com os conceitos abordados, ele provoca certa estranheza que certamente nos levará a questionamentos internos da relação de nosso papel tanto na sociedade quanto em nosso universo interior.

   As imagens, aliadas à música, falam por meio de símbolos, como frases incompletas em letreiros, pintura lobotomizada de Freud, moscas mortas a martelada, uma mãe controladora, um suicida, uma situação quase incestuosa da mãe com um dos filhos, um caixão virado de cabeça para baixo e padres rindo desta situação (demonstrando um comportamento inadequado como sacerdotes e guardiões da moralidade), a dependência dos óculos que os dois principais personagens têm (pois enxergam a realidade de forma diferente sem eles).

   De qualquer forma, há muitas cargas dramáticas que norteiam as cenas desta obra, fazendo de “O Ilusionista” um filme para ser visto várias vezes.

    Confira as imagens do evento abaixo!

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