No início do mês de setembro, a equipe responsável pela Difusão Cultural e Serviços Educativos do APERS foi procurada pela Professora do Curso de História da Faculdade Porto-Alegrense (FAPA), Claudira Cardoso, que trouxe a seguinte demanda à instituição: a possibilidade de ofertamos vagas para estágio curricular que contemplasse vivências na área do Patrimônio Histórico-Cultural e que discutisse o fazer dos historiadores em instituições arquivísticas.

Como se sabe, desde 2009, o Arquivo oferece para os alunos de graduação dos curso de história, e outros cursos ligados ao Patrimônio Histórico-Cultural, uma outra modalidade de estágio, a Capacitação de Oficineiros, que possui como objetivo central, habilitar futuros profissionais para práticas de ações educativas a partir de patrimônios documentais. Como parte do Programa de Educação Patrimonial PEP UFRGS|APERS, a Capacitação de Oficineiros é procurada principalmente por alunos do Curso de Licenciatura em História da UFRGS, que necessitam de horas de prática em instituições culturais que respondam as exigências da disciplina Estágio em Educação Patrimonial. Dessa forma, a estrutura da Capacitação de Oficineiro, mais vinculada a processos educativos, não contempla uma série de outras atividades realizadas por historiadores dentro de instituições arquivísticas.

Por esse motivo, a equipe do APERS já vinha discutindo a possibilidade de construção de uma proposta de estágio para o curso de história, que abrangesse outras áreas para além da educação patrimonial. E foi a partir da demanda mais imediata vinda do Curso de História da FAPA que a Equipe da Difusão e Ações Educativa elaborou um programa de Estágio Curricular para o Curso de História, no formato de um projeto-piloto.

Com o objetivo de oportunizar aos graduandos vivências relacionadas aos fazeres dos historiadores em instituições arquivísticas, foi estruturado um estágio com uma carga horária de 30 horas, divididas em 10 horas de observação e 20 horas de práticas. Organizado em seis encontros, o projeto-piloto atendeu a seis alunos entre o dia quinze de setembro e cinco de outubro, nos turnos da manhã e tarde.

Visita GuiadaNo primeiro encontro de Observação, os estudantes participaram de uma Visita Guiada, com a Técnica em Assuntos Culturais Giglioli Rodrigues, e de uma apresentação das atividades nas quais temos historiadores envolvidos, organizada pelas historiadoras Caroline Baseggio e Nôva Brando. No segundo turno de Observação, os alunos acompanharam os processos de trabalho sobre os quais adiante realizariam práticas monitoradas: Sala de Pesquisa, Difusão de Acervos e Pesquisa Histórica, Avaliação e Descrição Documental e Ações Educativas.

Atividade Sala de PesquisaA primeira prática foi na Sala de Pesquisa. Durante os períodos em que estiveram observando o trabalho, acompanhado da Caroline Baseggio, os estudantes puderam conversar e conhecer um pouco das diversas atividades de atendimento ao usuário. Foram apresentados os Instrumentos de Pesquisa utilizados na sala e o sistema de consulta online de documentos. Para que os alunos pudessem entender melhor como funciona a pesquisa no Arquivo, o grupo também fez a busca de processos e certidões no Acervo. Ao final, a discussão ficou por conta da seguinte questão: em que o Historiador pode contribuir de maneira diferenciada ao atendimento aos usuários/pesquisadores de instituições de guarda de documentos?

Atividade de Difusão de Acervos e Pesquisa HistóricaDurante a observação, os graduandos puderam acompanhar as atividades que envolvem a Difusão de Acervos e Pesquisa Histórica, tais como seleção de conjunto documental, pesquisa sobre a temática abordado nos documentos e elaboração de texto para divulgar o acervo do qual tais fontes fazem parte. Essa mesma dinâmica observada, foi vivenciada na segunda prática. Nela, acompanhados por Nôva Brando, puderam conhecer uma seleção de processos administrativos do Acervo da Secretaria da Justiça, que está em tratamento técnico, e produzir um texto de difusão a respeito daquele conjunto documentos que pelo recorte, permitem acessarmos informações a respeito de políticas de segurança pública.

Acompanhadas no período da observação, as atividades de Avaliação e Descrição Documental foram exploradas na terceira prática. Nela, sob a supervisão da arquivista Viviane Portella e da Técnica em Assuntos Culturais Roberta Scholz, eles puderam entrar em contato com instrumentos de classificação e avaliação documental e com o Sistema de Administração de Acervos Públicos (AAP), onde são indexados os documentos. Fizeram alguns exercícios de avaliação a partir também de uma seleção de documentos e também cadastraram alguns documentos no AAP.

Por fim, puderam colocar em prática aquilo que observaram nos trabalhos realizados pela Equipe das Atividade Ações EducativasAções Educativas. Dentre uma série de possibilidades de planejamento e execução de atividades que vinculem a educação aos documentos de arquivo, na quarta e última prática, acompanhados por Nôva Brando e pela historiadora Clarissa Alves, elaboraram uma proposta de atividade pedagógica a partir de processos de indenização a ex-presos políticos do período da Ditadura Civil-militar, que foram previamente selecionados.

Finalizada a experiência, temos a certeza de que a oferta de um tipo de estágio no qual os alunos vivenciem as diferentes atividades nas quais historiadores estão envolvidos é uma tarefa importante da instituição. Ao mesmo tempo que possibilita a problematização a respeito das possibilidades de atuação dos historiadores em espaços e instituições de memória, que oportuniza a qualificação aos futuros profissionais da área de história, também divulga o Arquivo e os acervos por ele custodiados para um público cada vez maior.

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