Torre do TomboRetomando nossa série de postagens sobre ação educativa em arquivos, hoje abordamos as atividades desenvolvidas pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, localizado na cidade portuguesa de Lisboa, instituição importantíssima para pesquisadores do mundo inteiro, que abriga acervo milenar e, em muitos aspectos, intimamente relacionado à história do Brasil e dos demais países que foram colônias portuguesas.

Sua data de criação é incerta, e remonta ao século XIV. A mais antiga certidão expedida é de 1378. Desde então até o ano de 1755 funcionou como Arquivo do rei e dos seus vassalos, da administração do reino e das possessões ultramarinas, servindo à administração régia, emitindo certidões e franqueando a consulta a poucos pesquisadores. Apenas no século XIX as atribuições do Arquivo alargaram-se à formação de funcionários e ao ensino da Diplomática, em um processo que pouco a pouco trouxe a compreensão contemporânea do Arquivo como instituição voltada à sociedade.

Hoje, como um dos arquivos de âmbito nacional da rede portuguesa de arquivos, é subordinado à Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, serviço central da administração direta do Estado português, que por sua vez é integrado à Secretaria de Estado da Cultura. Tem investido em sua difusão por meio do Serviço Educativo, compreendido como uma necessidade para fazer valer os dispositivos legais que reconhecem o papel sócio cultural dos arquivos e do patrimônio por eles salvaguardados, conforme podemos acompanhar através do artigo “Conhecer e visitar: o Serviço Educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo”, de Maria de Lurdes Henriques.

Em um cenário marcado pela visão de que os arquivos seriam instituições eminentemente voltadas a apoiar a administração pública e atender a demanda de pesquisadores, nos quais pouco ou nenhum espaço sobraria para a educação. Maria de Lurdes enfatiza o esforço que fora empreendido nos últimos 10 anos, até mesmo entre os profissionais da área, para convencer sobre a necessidade de ir além das visitas tradicionalmente oferecidas ao público interessado em conhecer o Arquivo, passando a assumir uma postura pró ativa no campo da educação para a cidadania, buscando atrair novos públicos e atuando de forma articulada às escolas, afinal, somente é possível valorizar e divulgar aquilo que se conhece.

No caso português, o ainda jovem Serviço Educativo passou a oferecer “visitas temáticas apoiadas em textos didáctico-pedagógicos, complementados por documentos seleccionados, que poderão ser visualizados em diferentes suportes, do original ao digital”. São abordados temas como as origens e evolução da Língua Portuguesa; literatura e censura literária; formação e evolução do Estado Português; minorias étnicas e religiosas, entre muitos outros.

Guardar-memorias_abrir-caminhosO primeiro produto editado e publicado pelo Serviço como material de apoio voltado a um público amplo, especialmente de professores e estudantes, foi o “Guia jovem: Guardar memórias… Abrir caminhos…”, distribuído gratuitamente em todas as bibliotecas escolares. Igualmente, passou-se a criar e produzir exposições e mostras documentais, como polo dinamizador para as visitas e a interação com o público, já que estas permitem abordagens diversificadas, com a construção de diálogos que dependem muito dos saberes e interesses trazidos pelos visitantes.

No mesmo sentido, o Arquivo assinou protocolo de colaboração entre a Direcção Geral de Arquivos e a Direcção Geral do Desenvolvimento e Inovação Curricular, por meio do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, que coordena mais de 2 mil bibliotecas escolares, tendo como objetivo a sensibilização dos professores responsáveis pelas bibliotecas para as potencialidades pedagógicas e para a relevância dos recursos de informação disponíveis nos arquivos. Se as experiências cotidianas demonstravam que os professores muitas vezes não consideravam os arquivos como locais a visitar, tal como seriam bibliotecas, museus, monumentos ou sítios arqueológicos, o importante seria cativar e demonstrar o contrário. Esta proximidade com os professores tem sido valorizada em cada ação, especialmente no planejamento, construção e realização das visitas, pensadas de acordo com o perfil e os interesses dos grupos, em diálogo desde o agendamento, passando pela troca de materiais preparatórios, até a visita em si.

Maria de Lurdes também registra que a dedicação da instituição à digitalização de documentos contribuiu para a efetivação do Serviço Educativo, ao viabilizar a ampliação do acesso sem prejudicar a conservação dos originais.

Conhecer um pouco mais sobre as experiências portuguesas, em um país ibérico onde a arquivística é bastante desenvolvida, nos dá mais fôlego para seguir a diante na consolidação de nosso próprio serviço educativo, demonstrando que estamos na direção correta!

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Referência:

HENRIQUES, Maria de Lurdes. Conhecer e visitar: o Serviço Educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. ALA, n.27, 2012: 7° SIAT. Disponível em http://docplayer.com.br/4894782-Conhecer-e-visitar-o-servico-educativo-do-arquivo-nacional-da-torre-do-tombo.html, acesso em 24 mai 2016.

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