Atenção: APERS estará fechado no Dia do Servidor Público, 28 de outubro.

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2019.10.25 Dia do Servidor Público

Em 28 de outubro celebra-se no Brasil o Dia do Servidor Público. A data é considerada ponto facultativo, e o por tal razão o Arquivo Público do Estado estará fechado nessa segunda-feira. O expediente será retomado em horário normal da terça-feira.

Aproveitamos a oportunidade para felicitar a todas e todos os colegas servidores do estado do Rio Grande do Sul, registrando nosso apreço e gratidão pelo empenho cotidiano em servir à sociedade. Que possamos sempre ser reconhecidos e valorizados nesse sentido.

Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS no VII Ofícios de Clio

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2019.10.23 APERS no Ofícios de Clio

Ontem pela manhã, 22 de outubro, parte de nossa equipe do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS esteve na Unisinos participando do evento VII Ofícios de Clio – Patrimônio e Memória em Risco: Desafios do Século XXI, promovido pelo GT Acervos, Memória e Patrimônio da ANPUH/RS e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Unisinos. Nossa contribuição se deu por meio da oferta da oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de gênero na história” como parte da programação do evento.

Foi uma excelente oportunidade para difundir o Arquivo Público, seus acervos e serviços, além de reafirmar o compromisso da instituição com o acesso à informação e a valorização de seu potencial educativo e cultural. Agradecemos a todas e todos os participantes, que se engajaram na oficina e participaram ativamente das reflexões e debates propostos, assim como à organização do evento, pela oportunidade e reconhecimento ao nosso trabalho. Desejamos vida longa ao “Ofícios de Clio”!

 

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Aconteceu no APERS: “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade”

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No dia 19 de outubro, último sábado, o Arquivo Público recebeu o curso “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade”, organizado pelo APERS junto a diversas entidades da sociedade civil, particularmente o grupo Close e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O “close certo” do dia foram profícuos debates sobre respeito à diversidade sexual e de gênero no ambiente escolar. Um dos momentos mais emocionantes foram os relatos de professorxs LGBTQI+ e suas experiências como educadorxs.

As portas do Arquivo sempre estão abertas no sentido de promover reflexões tendendo a uma sociedade mais inclusiva e que combata os preconceitos. Confira a baixo alguns registros do evento feitos por Muriel Freitas, e até a próxima!

Comunicado

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Prezados pesquisadores e comunidade em geral. Na quinta-feira, dia 24 de outubro, o Arquivo Público estará com expediente somente interno, ou seja, a Sala de Pesquisa estará fechada. Programe-se e agende sua demanda para antes ou depois da data mencionada.

Contamos com a compreensão de todas(os).

15 de outubro, Dia do Professor: nossa singela homenagem em forma de documento.

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2019.10.16 Homenagem Dia dos Professores

Ontem, dia 15 de outubro, celebramos o Dia do Professor. Não é uma data qualquer. É o dia daquelas e daquelas profissionais que dedicam suas vidas à educação, que compartilham conhecimentos, suscitam curiosidade, doam suas energias. Pessoas que tantas e tantas vezes ensinam muito mais do que qualquer conteúdo curricular: ensinam a construir laços de afeto e solidariedade.

Hoje, nossa singela homenagem a tais profissionais pelo seu dia vem em forma de destaque a um documento: trazemos o processo administrativo de solicitação de pensão da professora Emma Laura Regina Barcala, nascida em 1900 na cidade de Bagé, que se diplomou como professora de música em 1919, exercendo a profissão por toda a vida desde aquele ano. Iniciou a carreira lecionando e dirigindo a Escola Municipal de Itaqui. Em 1925 fundou o Instituto Beethoven, em Porto Alegre. Mais tarde, lecionou também no Ginásio Concórdia.

Já em 1963, Laura, com mais de 60 anos, viúva e sem condições de sustentar-se, solicita concessão de pensão ao estado dirigindo-se diretamente ao governado Ildo Meneghetti, apelando ao “espírito de justiça” com que acreditava que o mesmo costumava agir. A concessão e a revisão de pensões vitalícias previstas na Lei 2.717, de 18 de outubro de 1955, estava a cargo, à época, da Secretaria do Interior e Justiça. A Comissão de Pensões Vitalícias tinha como responsabilidade analisar as solicitações e conceder ou não a pensão, para o que exigia que a parte solicitante fornecesse uma série de informações ao pleitear o benefício. Além de seu pedido inicial, a requerente anexou ao processo diversos documentos como cópia de seu diploma, certidão de nascimento e casamento, declarações comprovando sua atuação profissional em diversas instituições e como professora particular, atestado de pobreza, certidão do Tesouro do Estado comprovando não receber nenhum valor pelos cofres públicos, materiais relacionados à audições e outros eventos promovidos por ela e seus alunos, entre outros.

Passear os dedos por entre as folhas que compõem esse processo e olhá-lo atentamente pode fazer-nos imergir em muitas reflexões sobre a constituição do acervo da Secretaria do Interior e Justiça – SIJ (1947-1975), do qual ele faz parte e que atualmente encontra-se em tratamento técnico. São muitos setores, carimbos, assinaturas e rubricas que dão conta de um longo percurso por dentro da “máquia pública” durante sua tramitação, que se estendeu entre agosto de 1963, quando foi aberto por Laura junto à SIJ, e fevereiro de 1973, quando finalmente é registrada decisão favorável do Tribunal de Contas, amparada em concessão do então governador, Euclides Triches, subscrita pelo secretário Octávio Germano. Emma Laura, já com 73 anos, passaria a receber pensão de Cr$149,76. Para acessar a digitalização de parte desse processo, clique aqui.

Além de afirmar a diversidade dos potenciais de pesquisa de nosso acervo, trazer esse documento hoje, em alusão ao Dia do Professor, é nossa forma de dizer que a trajetória de cada professora e professor importa, que suas histórias são prenhes de significados e que os saudamos com um parabéns bastante caloroso!

Aproveitamos para divulgar que os processos de pensão oriundos do Fundo Secretaria de Justiça (1975-1991) já podem ser pesquisados a partir do “Catálogo Secretaria da Justiça: processos administrativos de pensões”.

Exposição virtual “Caminhos dos Arquivos – Nossas Histórias, Nossas Heranças”: arquivos de Erechim, Esteio e Passo Fundo

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“[…] a construção da memória está estreitamente vinculada ao acesso à informação, que por sua vez está vinculada à organização dos seus suportes materiais.” (PEREIRA, 2011, p. 20)1.

Chegamos à quarta edição da série de postagens mensais sobre o Programa Caminhos dos Arquivos, no qual consta o projeto de exposição, em módulo virtual, denominada “Caminhos dos Arquivos: Nossas Histórias, Nossas Heranças”. Hoje destacaremos instituições de Erechim, Esteio e Passo Fundo, compartilhando seus serviços e trajetórias:

Erechim

Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font (Erechim) – agrega informações desde o início da colonização do Alto Uruguai Gaúcho. É o órgão responsável pela custódia, conservação, processamento técnico e divulgação de valioso conjunto documental constituído de textos, fotografias, mapas e plantas produzidos pela administração pública municipal desde o início do século XX até a atualidade. Entre outros registros significativos para a história da cidade e demais municípios da região do Alto Uruguai, também encontra-se disponível acervo de depoimentos orais e fundos documentais particulares. Esses fundos e coleções são fruto de incorporações resultantes de doações de arquivos pessoais e de família e de extinção de órgãos ligados ao comércio, indústria, hospitais, e vários segmentos econômico-sociais. Tendo como meta ampliar o acesso público ao acervo, o Arquivo está em constante processo de catalogação, com a criação de base de dados específica para seus conjuntos documentais. O acervo do arquivo é de reconhecido valor probatório e histórico-cultural, além de constituir-se em registro da memória local e testemunho do cotidiano da cidade. Destaca-se a grandiosa contribuição acadêmica que este espaço fornece aos pesquisadores, resultando em diversas dissertações e teses apresentadas nas mais renomadas instituições de ensino superior do Brasil. Assinalamos, também outros projetos desenvolvidos pelos profissionais do Arquivo, tais como a Colonização de Erechim, História Oral, Práticas em Arquivos, Divulgando Monografias e Seminário de História Regional.

Endereço: Avenida Pedro Pinto de Souza, nº 100, Erechim/RS.

Horário de Funcionamento: das 8h às 11h30min e das 13h30min às 18h.

Contatos: (54) 3522 9284 – arquivoerechim@gmail.comFacebook – Instagram

Esteio

Arquivo Público Municipal Terezinha Laci dos Santos (Esteio) – de responsabilidade da Secretaria Municipal de Administração, possui denominação em homenagem a Terezinha Laci dos Santos. Nascida em 1949 em Viamão, Terezinha foi admitida como servidora do Município de Esteio em 3 de abril de 1984, no cargo de auxiliar de escritório. Trabalhou em diferentes setores, até ingressar no Arquivo Municipal, onde ficou lotada entre 1995 e 2009, ano de seu falecimento, exercendo, por último, a função de chefe de seção de comunicação e arquivo. A servidora dedicou-se ao trabalho de organização, guarda e conservação da documentação do Município, mesmo com a precariedade das instalações, contribuindo para que muitos documentos pudessem ser preservados até hoje. Considerado um dos setores fundamentais para o andamento da gestão pública, possui documentos com as principais informações a respeito dos recursos humanos, financeiros e de patrimônio, desde a criação do município. O Arquivo atende, principalmente, solicitações internas de documentos por servidores da Prefeitura. Os pedidos externos, que ingressam via Ouvidoria da Administração Municipal, também são respondidos, dentro do previsto pela Lei Federal nº 12.527, mais conhecida como Lei de Acesso à Informação. A partir de 2016, com a promulgação da Lei Municipal 6.403/2016 cria-se o SISMARQ – Sistema Municipal de Arquivos, onde define-se responsabilidades e procedimentos técnicos para o Arquivo. As solicitações também atendem órgãos externos como Tribunal de Contas do Estado e Ministério Público. Atualmente o espaço contempla as necessidades básicas de um arquivo, como a localização em andar térreo (devido ao peso do conjunto de documentos), acondicionamento em estantes de aço e caixas padronizadas, condições adequadas de climatização e de circulação do ar e área disponível para expansão.

Endereço: Avenida Presidente Vargas 2662, Centro, Esteio/RS.

Horário de Funcionamento: 08:00 – 11:30 / 12:30 – 17:00

Contatos: (51) 3458-1878 – arquivo.esteio@gmail.com

Histórico PF

Arquivo Histórico Regional (AHR) – iniciou suas atividades com a denominação de Museu e Arquivo Histórico Regional, no Campus I da Universidade de Passo Fundo (UPF), em 1984. Após uma reorganização física e nominativa, recebeu a designação atual e foi alocado no Campus III da UPF, no centro de Passo Fundo. O AHR está vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História da UPF e ao curso de graduação em História, servindo de local de guarda, conservação e restauro e, sobretudo, de laboratório para pesquisadores da cidade e região, vetor para a produção do conhecimento.

Endereço: Campus III / UPF – Avenida Brasil, 743, Centro, Passo Fundo/RS

Horário de Funcionamento: de segunda à sexta-feira das 08h às 11h30min e das 13h30min às 17h30min

Contatos: (54) 3316.8516 – ahr@upf.brSite – Facebook


1 BORGES, Cila Vs; FERREIRA, Ivani Gama; VIEGAS, Solange Ribeiro. A Oficina de Conservação da Biblioteca José de Alencar em consonância com a Agenda 2030. In: Seminário de Informação em Arte, 6., 2018, Rio de Janeiro. Anais… . Rio de Janeiro: Redeart/rj, 2018. p. 1-10. Disponível em: <https://docplayer.com.br/137100034-A-oficina-de-conservacao-da-biblioteca-jose-de-alencar-em-consonancia-com-a-agenda-2030.html&gt;. Acesso em: 15 out. 2019.

Sábado no APERS será dia de “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade”

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Quando iniciamos a divulgação em nosso blog, em 18 de setembro, do curso “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade” já acreditávamos que essa é uma iniciativa fundamental, porém, não imaginávamos que seria acolhida tão rapidamente. Em poucos dias o número de solicitações de inscrição superou o número de vagas, e não voltamos a publicar sobre o tema por aqui.

Entretanto, o dia do evento aproxima-se, e embora não tenhamos mais vagas a disponibilizar, consideramos muito importante reforçar o chamado aos já inscritos, e divulgar os nomes das e dos palestrantes que farão desse encontro um momento especial de aprendizado, sensibilização e afirmação para a diversidade. Clique nas imagens para ampliar:

 

A quem se inscreveu, um até breve! Nos vemos no dia 18/10! Para todas e todos nós, que possamos seguir promovendo e apoiando debates em prol do respeito e da diversidade.

Entrevista com Maria do Carmo Aguilar – parte II

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No trecho da entrevista publicado na semana anterior, a historiadora Maria do Carmo Aguilar explicava a forma como relaciona fontes escritas e orais em sua pesquisa.

E outra questão, assim, te provocando um pouco. Tu não acha que existe o risco para nós, e eu me coloco também como historiador do pós abolição em áreas rurais, de a gente se centrar nas fontes orais no pós-abolição ao contrário de fazer um cruzamento com as fontes escritas como a gente faz para o século XIX?

Na dissertação eu fiquei centrada nas fontes orais, mas se a gente pegar a minha dissertação e a minha tese e unir as duas aí a gente vai ver o cruzamento. Porque a minha dissertação começa em 1930/40 e a tese ela vai de 1870 a 1900. E aí na tese eu voltei para o final do XIX justamente para poder analisar esse contexto dessas relações de trabalho que eles, os entrevistados, estavam falando. Então eu fiz essa partição, na dissertação eu usei história oral e na tese eu fiquei nas fontes escritas, mas na tese eu também puxo, eu vou puxando as entrevistas; tem as entrevistas na tese também, eu vou trazendo argumentos da minha dissertação para a tese, então, eu uso ali na tese também história oral e as fontes escritas, faço meio que esse cruzamento. Mas num capítulo, num capítulo que eu estou discutindo o trabalho análogo ao escravizado e tal, aí eu vou puxando essas entrevistas. Mas se juntar, porque eu vejo a minha dissertação e a minha tese como um grande conjunto. Porque o que me levou a pesquisar o meu problema na tese foram as provocações que os quilombolas fizeram na dissertação, então, eu vou pegando na mesma região; se eu for pegar os dois em conjunto é de 1870 a 1960, então eu tenho esse recorte temporal e ali tem fontes primárias, fontes orais, fontes escritas, tem uma gama de fontes. Mas é difícil fazer isso.

É um desafio?

É um desafio, é difícil. Tem a questão do tempo, o nosso tempo de pesquisa. No mestrado são dois anos, é pouco tempo para você aprofundar, para você fazer esses cruzamentos de fontes. É difícil, né? É difícil você conseguir fazer isso.

2019.10.09 Maria do Carmo Aguilar

E continuando na questão das fontes, dá para ver nos teus trabalhos que você é uma historiadora com fundamentação empírica muito grande. Então, queria te pedir para falar um pouco sobre o papel das fontes do Arquivo Público no teu trabalho.

Foram fundamentais, foram as fontes que jogaram luz nesse imediato pós abolição. Então eu pesquisei. O meu objetivo na tese era analisar as relações de trabalho estabelecidos entre libertos e empregadores nesse pós abolição, de ver algumas questões, a questão de inclusão e exclusão desse mercado de trabalho, como é que se deu esse processo, quais eras as expectativas de ex senhores, dos libertos em relação a esse mercado de trabalho, que mercado de trabalho era esse e o que é esse trabalho livre para ex senhores e para libertos. Então havia a possibilidade de trabalho autônomo na região que eu pesquisei, que foi Cruz Alta, eles ficaram nas propriedades. Qual era o grau de autonomia ficando ali na propriedade, onde conheceram o cativeiro? Como é que eles negociaram com esses ex-senhores os termos dessa nova relação? Então tinha uma série de perguntas e para eu responder eu fui paras fontes fazer esse cruzamento. Então, eu analisei uma série de fontes documentais, analisei os processos crimes, eu acho que para Cruz Alta tinha uns seiscentos e poucos processos, desses seiscentos e pouco eu achei uns cerca de cinquenta e poucos que mencionava negro, preto ou pardo, e desses cinquenta e poucos quase trinta mencionava a condição; era preto forro ou ex escravo de fulano de tal, era o preto liberto ex escravo de fulano de tal e aí era em torno de uns trinta, assim. Aí, nos processos crimes eu consegui ver ali a experiência, a trajetória desses sujeitos ali envolvidos naquela contenda. E nos processos crimes você vê as redes de sociabilidade, no que trabalhavam, a partir dos processos eu consegui. Eu tinha acesso à planta de Cruz Alta de 1880 e poucos, aí eu consegui mapear as residências deles ali, então eles estavam, alguns, próximo, perto uns dos outros, aí tem processos crimes sobre festas, bailes de fandangos na casa de libertos, porque tem vários libertos juntos e são moradores das proximidades ali. Então, a gente consegue pesquisar, fazer esse mapeamento essa trajetória e experiência que o processo crime me deu. Fui para os inventários para ver a questão da produção, a estrutura fundiária da região. Os inventários em Cruz Alta eu acho que era quatrocentos e poucos, aí já tem mais de mil documentos que eu pesquisei. E aí ali também tinha… eu consegui localizar alguns libertos trabalhando nessas propriedades, também pesquisei os livros de transmissão em notas que aí eu fui olhar os contratos de locação de serviços, os contratos estabelecidos entre os libertos e empregadores e também dei uma olhada nas cartas de alforria com clausulas de prestação se serviços. Então, eu acho que os processos, os documentos custodiados pelo Arquivo são fundamentais, sem eles… com eles eu consegui responder aos meus problemas de pesquisa e através deles, igual aos processos crimes, eu consegui problematizar os dados do censo. Você pega as profissões que aparem no censo, as profissões em Cruz Alta tem um alto número de assalariados, números que eu jamais encontrei nos processos crimes, então, eu consegui problematizar os dados do censo. A gente sabe que tem todo um problema na questão dos censos e que os censos eles vem a fixar no tempo, ali, aquele sujeito e nos processos crimes você vê o movimento e te permite fazer uma análise mais qualitativa. Então, no processo crime tem o liberto que vai dizer que a sua ocupação é lavrador, mas ele está construindo um muro. Então como é que ele aparece no censo, ele é um lavrador ou ele é um jornaleiro? Como é que isso aparece? Até a questão dos libertandos, não tem no censo os libertandos. Eles não são assalariados, estão trabalhando num trabalho compulsório para cumprir as cláusulas da carta de alforria. Então como é ele aparece ali? Onde é que ele está? Não está, né? Os libertos trabalhando por casa e comida, também não são assalariados, né? Os libertos trabalhando para pagar dívida não estão ali. Então, isso os processos crimes e os contratos, eles me permitiram fazer essas problematizações dos dados do censo. Então, para mim foi fundamental para a minha tese, né? Foi um trabalho gigante, porque eu esgotei toda a documentação que tinha para Cruz Alta, deu trabalho, a gente fica no Arquivo, vem toda semana, já conhece todo mundo. Eu colocava o Jorge como um doido correndo atrás de processos para mim, ia atrás da Neide… Mas, tem que fazer isso, né? Lá pelas tantas a gente começa a sonhar, eu sonhava, assim, com… você sonha! (risos). Porque você está ali. Quando eu fui fazer a estrutura de pós, então gente, era um tal de contar boi. Você tem que fazer isso, né? Olhar ali as propriedades, nossa! Aquilo para mim, sabe? (risos) Eu sou historiadora qualitativa e quando você vai para fazer essa questão mais quantitativa, para a estrutura de pós, isso para mim foi meio um desafio. Entrava num desespero para fazer aquelas quantificações ali, mas fiz…

Tu encontraste testamento e inventário de libertos, de pessoas negras?

Pouquíssimos. Acho que inventários eu achei uns dois e testamento um. Muito, muito poucos… e parcos recursos. Você vê ali a pobreza, o processo de exclusão ali, quando você vai ler esses documentos. Mas foram muito poucos ali, uns dois ou três, assim…

Eu queria te pedir para falar um pouco sobre os livros notariais. O que tu encontra nesses livros, que tipo de informação?

Os contratos, contratos de prestação de serviços. Eu achei alguns. Eu achei libertos pegando empréstimos com terceiros, escravizados pegando empréstimos com terceiros para pagar a carta de alforria e aí voltando ao cartório para poder assinar o contrato de locação de serviços com esse terceiro, para poder pagar a dívida de liberdade. Então eu acho esses contratos de locação de serviços e também contratos firmados entre libertos e empregadores que, não está ali especificado que emprestou algum dinheiro para pagar a dívida de liberdade. E são contratos também que não tem muitas especificações, né? Então, o liberto vai trabalhar no horário de trabalho que é comum na região. Mas aí que horário de trabalho que é comum? É o horário de trabalho de quem? Porque você tem vários, na realidade, tipos de trabalho em disputa ali, você tem o trabalho compulsório, trabalho escravizado, trabalho assalariado, você tem vários arranjos de trabalho. Então, o horário de trabalho vai ser referente a que tipo desses arranjos? Então, os contratos são poucos, achei muito poucos, acho que não chegou a dez e assim, não tem nenhuma especificação, não são muito específicos. É de acordo com a região. O valor também, o valor do salário também nesses para pagar a dívida de liberdade. Aí eu tive que fazer as contas, né? Aí a gente percebe que a mão de obra é cotada muito abaixo do valor, que daí eu pego o trabalho dos libertos e comparo com esses libertos que estão assinando contrato de trabalho para pagar dívida de liberdade, a mão de obra deles é cotada muito abaixo do valor e aí eles tem que trabalhar um tempo maior. Isso é uma forma de você esticar o máximo essa dominação, esse instrumento de dominação.

Então, para finalizar, uma pergunta mais descontraída. O que a Maria do Carmo faz quando não está pesquisando?

A gente precisa namorar com meu companheiro (risos). Sair para dançar, eu sou dançadeira, gosto de dançar, gosto de ler e ouvir música. Enfim, acho que todo mundo gosta, né? Namorar, dançar, ouvir música, ler um livro… Ler, porque depois que você termina o doutorado, você senta, relaxa e vai ler sem aquela preocupação de ter que fichar, você lê de forma mais descontraída, relaxada. Acho que é isso…

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Entrevista com Maria do Carmo Aguilar – parte I

Aconteceu no Arquivo: Simpósio Questões para a História Negra do RS / 8º Curso de Formação para Professores PEP UFRGS-APERS

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Entre os dias 01 e 03 de outubro o Arquivo Público recebeu um evento muito especial, que colocou a história negra do Rio Grande do Sul no centro de nossas atenções e reflexões. Promovido em parceria entre o Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, o Departamento de Educação e Desenvolvimento Social (DEDS) e o Núcleo de Pesquisa em História (NPH) da UFRGS, o Simpósio Questões para a História Negra do RS / 8º Curso de Formação para Professores PEP UFRGS-APERS contou com um público bastante assíduo que se dedicou a debater experiências e epistemologias negras atuais a partir de diversos ângulos.

As mesas de debate e apresentação de trabalhos, assim como a conferência, a oficina e as atividades culturais, convergiam para a reflexão em torno da produção e disseminação do conhecimento em uma perspectiva negra, trazendo temas como o ensino em Educação para as Relações Étnico-raciais, as religiões de matriz africana, a história da escravização e da luta por liberdade, os estudos do pós-abolição, do associativismo e da militância negra, abordagens geográficas sob a ótica da apropriação de territórios e ocupação dos espaços urbanos, o feminismo negro, a história da arte e os patrimônios culturais.

A partir do álbum de fotos a seguir é possível visualizar um pouco do que foi essa enriquecedora experiência coletiva, que contou com comunicadores e palestrantes tanto de Porto Alegre quanto do interior do Rio Grande do Sul e de outros estados.

Mais uma vez agradecemos a participação de todas e todos, reafirmando o compromisso do APERS com o combate ao racismo e a difusão de acervos e temáticas que contribuam nesse sentido.

Oficinas de Educação Patrimonial – Setembro 2019

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Devido ao forte envolvimento de nossa equipe do Núcleo de Ação Educativa com a realização, na semana anterior, do evento “Questões para História Negra do RS”, não foi possível postarmos no dia do “APERS em Números” a notícia referente às oficinas realizadas em setembro. Porém, elas não apenas aconteceram, como foram muito significativas. Então, confira hoje as escolas que estiveram conosco no mês passado:

  • 04/09: no turno da manhã as e os estudantes de 8° e 9° ano da EMEF Heitor Villa Lobos, da Zona Leste da capital, vieram ao APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pelo seu professor Raul Vital. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 05/09: na tarde de quinta-feira, alunas e alunos do 9° ano da EEEF Cândido Portinari estiveram no Arquivo para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pela professora Adriana Quadros. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 06/09: na manhã de sexta-feira estudantes do 6°, 7° e 8° anos do Colégio Santa Marta – Rede Romano participaram da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela sua professora Adriana Quadros. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 10/09: na manhã de terça-feira, os alunos do 6° ano do Colégio Bom Jesus – Rede Romano vieram ao APERS para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pelo professor Jairo Brum Júnior. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 11/09: na tarde de quarta-feira, as e os estudantes do 9 ° ano da EEEF Frederica Schutz Pacheco vieram ao Arquivo para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Jefferson Garrido. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 13/09: na manhã de sexta-feira, a turma do 7° ano da Escola São José estive no APERS participando da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Nikita Medeiros. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 17/09: em uma tarde chuvosa da terça-feira, estudantes do 6º, 7º, 8°e 9° ano da EMEF Pepita de Leão vieram ao APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de Gênero na História”, acompanhados pelo professor Rodrigo Souza Santos. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 19/09: antes do feriado do dia 20 de setembro, os estudantes de 8° e 9° ano da EEEF Araguaia vieram ao APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de Gênero na História”, acompanhados por seu professor Milton. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 24/09: na manhã de terça-feira, os estudantes do 9° ano da Escola São José vieram ao Arquivo Público para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados por sua professora Nikita Medeiros. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 24/09: na tarde de terça-feira, alunas e alunos do curso de Museologia da UFRGS, disciplina de Educação em Museus, participaram da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados por sua professora Zita Possamai. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 25/09: na manhã de quarta-feira, estudantes do 2° ano do Ensino Médio da EEEM Francisco Canquerini, município de Viamão, vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados por sua professora Neima Fonseca. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 26/09: na manhã de quinta, alunos e alunas do 2° ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Inácio Montanha estiveram no Arquivo Público para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pela professora Raquel Braun. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 27/09: na manhã de sexta-feira, estudantes de 2°ano do Ensino Médio, turma 202 do Colégio Estadual Inácio Montanha vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Marcelo Mello. Para ver as fotos, clique aqui.

Para saber mais a respeito das oficinas e demais ações desenvolvidas no âmbito do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, clique aqui.

Exposição Descobrindo o Acervo do Arquivo Público: processos criminais de uma sociedade racista e homofóbica como a de Porto Alegre da década de 1940

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Redes Sociais

Neste mês, em continuidade ao projeto exposição “Descobrindo o Acervo do Arquivo Público”, no intuito de revelar vestígios comprobatórios de ações, paixões e concepções deixadas pelos sujeitos históricos em documentos, selecionamos em nosso acervo os Processos Criminais de Deoclécio Martins, também conhecido como “Carmem Miranda”, que nos remetem a uma cidade em que homens realizavam encontros noturnos furtivos em espaços públicos como a Praça da Alfândega, em Porto Alegre.

A visitação está aberta no Arquivo Público do RS de 01 de outubro até 01 de novembro,  segunda a sexta-feira, das 08:30h às 17h, sem fechar ao meio dia. A entrada é franca e a exposição localiza-se na Sala Joél Abílio Pinto dos Santos, andar térreo do APERS.

Entrevista com Maria do Carmo Aguilar – parte I

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Maria do Carmo Moreira Aguilar é licenciada em história pelo La Salle (2009), mestra (2012) e doutora (2018) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É coautora do laudo histórico-antropológico de reconhecimento da comunidade quilombola do Rincão dos Caixões e agora trabalha naquele de reconhecimento da Família Machado.

Maria, queria te pedir para falar um pouco sobre a tua trajetória acadêmica.

Bom, eu iniciei a minha graduação em 2005 lá no La Salle, logo quando eu iniciei a graduação já fui para a iniciação científica. Na iniciação científica eu participava de um projeto em uma comunidade quilombola que era a Chácara das Rosas, é um projeto de memória e identidade quilombola e nesse projeto a gente trabalhava com história oral. 2019.10.02 Maria do Carmo AguilarEntão, eu ia com a orientadora, o grupo de pesquisa, participava das entrevistas, fazia as transcrições, tinha as leituras, mas a fonte era fonte de história oral. Então fiquei na iniciação científica, eram dois projetos, um com Chácara das Rosas e outro com Manoel Barbosa que são da mesma parentela, um em Canoas e outro em Barro Vermelho, Gravataí. Aí eu estava na iniciação científica e nesse período eu conheci o Vinícius, Vinícius Pereira de Oliveira, quefoi o historiador que fez e participou do relatório socioantropológico da Chácara das Rosas. A gente começou a conversar, trocar bibliografia, ele me indicava autores e livros. Aí ele me convidou, ele estava compondo a equipe da elaboração do laudo sócio histórico-antropológico da comunidade do Rincão dos Caixões, que fica em Jacuizinho no planalto do Rio Grande do Sul, aí ele me convidou para participar da elaboração desse relatório. E aí que deu meu primeiro contato com o Arquivo Público, porque antes disso as minhas fontes eram, basicamente, história oral; aí eu vim para o Arquivo, pesquisei inventários, processos crimes e aí deu-se o meu primeiro contato com Arquivo Público. Aí eu me formei e quando eu conheci essa comunidade o meu tema de mestrado começou a ser elaborado, ali na graduação eu já comecei a pesquisar algumas coisas e aí no mestrado os sujeitos da minha pesquisa foram os quilombolas dessa comunidade. E aí, mais uma vez foi com história oral, né? Então trabalhei com história oral, mas vim também aqui no Arquivo fazer pesquisas pontuais sobre alguns aspectos do contexto do pós-abolição e rever alguns fichamentos que já tinha feito nesse projeto, na elaboração do laudo. E aí eu terminei a dissertação e também no andamento da dissertação veio o tema, a proposta da minha tese. A minha tese foi sobre a relação de trabalho de libertos pós-abolição e aí eu me joguei no Arquivo, aí sim eu vim para o Arquivo, pesquisei inventários, processos crimes, livros de transmissão de notas, aí a base da minha pesquisa foi o acervo documental aqui do Arquivo Público, na minha tese.

E como tu encaras o compromisso social do historiador que trabalha com comunidades remanescentes de quilombos ou outros temas sensíveis?

A gente está lidando com pessoas vivas, né? É uma demanda extremamente atual! Eu tive todo o cuidado na minha dissertação na questão das discussões que ei ia fazer, as discussões dos laudos, como eu faria essa discussão de uma forma que a discussão que eu colocasse ali não fosse capturada para contralaudos. Então, eu tive toda essa preocupação. Eu sou historiadora e sou ativista também, então, a minha pesquisa de mestrado teve todo o rigor acadêmico, a objetividade, estar bem fundamentada, mas ela foi criada para servir de instrumento de demandas daquela comunidade quilombola. Então, o meu objetivo era também esse de que servisse para demandas da comunidade como serviu. Então eles pegaram a minha dissertação, colocaram de baixo do braço e foram bater à porta da Prefeitura reivindicando direitos dizendo “Olha, nós temos um livro contando a nossa história, meu antepassado fulano de tal foi escravizado nessa região e está aqui e isso, isso, isso, isso…” e demanda os seus direitos. Então tem toda essa preocupação. A gente é muito impactada, acho que a primeira vez que eu cheguei numa comunidade quilombola e que você vê aqueles sujeitos e aquelas demandas, você conversa com eles igual, conversando com a Dona Funé, a Dona Edoilde, acho que uma tinha 102 e a outra 98 [anos de idade] e elas contando que o pai contava o que o avô contava, elas estavam relembrando coisas do tempo da escravidão. Então, nossa, elas conviveram; aí elas falavam “a minha bisavó foi escravizada e eu convivi com ela, ela sentava na beira do fogão” e contava os casos das tristezas como que era, então você ficando ali com aquelas pessoas e elas estão reivindicando seus direitos, isso dá aquele impacto. Eu tive todo esse cuidado na minha escrita, que a minha escrita fosse servir de mais um instrumento para as demandas quilombolas. E é muito bacana isso, porque eu me lembro que estava lendo a questão da economia interna dos escravizados e tal, e eu estou lá em Rincão dos Caixões a seis horas de distância de Porto Alegre, a gente chega na cidade e ainda tem que andar de carro uma meia hora de estrada de chão batido, estou sentada lá com o senhor Etuíno e aí eu pergunto “Com quem o senhor aprendeu a plantar?”, “Ah, com o meu pai, que aprendeu com o meu avô, que aprendeu com o meu bisavô e o meu bisavô é lá do tempo dos escravos”, eles contavam que tinham um pedacinho de terra para plantar; “era só um pedacinho que o senhor deixava para plantar só para comer mesmo, né?”, aí você, poxa… que fantástico. Isso a gente só consegue quando vai lidar com essas pessoas, com essas pessoas que estão vivas, porque quando a gente vem aqui para o Arquivo vê os processos e tal, mas é quando a gente sai para as comunidades quilombolas a gente vê essa memória, essa coisa viva, isso é muito bacana. Não sei se eu te respondi…

Eu acho que sim e tu também deixou um gancho para a próxima questão. Como tu vê esse cruzamento entre a oralidade e a escrita, entre a fonte oral e a fonte escrita?

Elas são, as duas, importantes, né? Eu acho que na minha dissertação uma complementou a outra. Mas, eu usei muito pouco fontes escritas na minha dissertação e mais fontes orais. E não senti falta. Tem toda uma questão em torno da história oral. Tinha, né? Não se tem mais em torno da história oral, mas eu não senti a necessidade de “Ah, tem que comprovar aquilo que a Dona Erocilda está falando”, não, é o que ela está falando, é isso! Mas eu acho que são fontes que elas se complementam, uma complementa a outra. Eu, na minha dissertação, vim para o arquivo para poder mostrar esse contexto com pós-abolição que eles estavam falando, então tentei mapear um pouco esse contexto, mas eu não vim para o Arquivo tentar comprovar a partir de uma fonte escrita o que eles estavam me dizendo. Mas eu acho que são duas fontes… A história oral, eu gosto de trabalhar com história oral, mas é difícil trabalhar porque eles subvertem os nossos marcos temporais o tempo inteiro. Você vê, eu venho aqui para o Arquivo, na minha tese de doutorado o meu marco é 1870 a 1900, então eu pego os processos de 1870 a 1900. Mas quando eu vou para uma entrevista o meu marco é 1960, mas eles não estão nem aí para o meu marco, eles vão contar história lá da época do cativeiro e volta e vem e vai; e as senhoras que a gente faz entrevistas com elas, conversam entre elas e ignoram a gente por completo. A gente fica ali tentando, mas eles vão subvertendo e é interessante como é que a história oral problematiza as fontes. Então, na minha dissertação, os meus entrevistados estão sempre subvertendo marcos e problematizando 1888 como marco universal do trabalho negro, eles estão dizendo que “Não é bem assim do jeito vocês estão falando nesses livros, aqui nós tivemos tentativas de captura do trabalho negro aos moldes do trabalho escravo”, eles estão falando de 1930, 1920 e 1940, então eles problematizam. Na dissertação, eu também utilizei história oral para problematizar esses nossos marcos, porque a gente cria esses marcos muito fixos ali e os entrevistados subvertiam o tempo inteiro esses nossos marcos.

Na próxima semana, confira a continuação da entrevista com Maria do Carmo Aguilar!

Atividades SIARQ/RS – Setembro 2019

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O Arquivo Público do RS, enquanto Órgão Gestor do Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul – SIARQ/RS, atua para efetivar a gestão documental nos órgãos do Poder Executivo. Durante o mês de setembro os servidores participaram de reuniões de assessoria técnica, reuniões de comitês e grupos de trabalho, que listamos abaixo:

Dias 01 a 30: Na Fundação de Ciência e Tecnologia (CIENTEC), os arquivistas do APERS Juliano Balbon e Maria Cristina Fernandes realizaram cinco (05) visitas de assessoria técnica, para orientações e verificação das atividades de gestão documental para transferência e recolhimento de documentos.

Dias 01 a 30: Na Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas (CORAG), os arquivistas do APERS Juliano Balbon e Maria Cristina Fernandes participaram de seis (06) assessorias técnicas, para orientações e verificação das atividades de gestão documental para transferência e recolhimento de documentos.

Dia 03: Aconteceu nas dependências do Arquivo Público, a reunião do CGSIARQ – Comitê Gestor do SIARQ/RS para definições sobre documentos da Secretaria de Cultura e suas classificações, como também retorno do GT de Extinções do estado sobre documentação das empresas extintas.

Dias 09 e 11: a historiadora Nôva Brando e os estagiários Christian Roque e Marie France estiveram no Campus Cachoeirinha da Fundação de Ciência e Tecnologia (CIENTEC), para tentativas de prestarem orientações sobre higienização de documentos.

Dia 17: o arquivista Jonas Melo esteve reunido com a equipe do Protocolo da Secretaria da Casa Civil, para prestar orientações sobre classificação, avaliação e acondicionamento de documentos de arquivo.

Dia 18: Os arquivistas Maria Cristina Fernandes e Jonas Melo estiveram nas dependências da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler – FEPAM, em reunião para prestarem orientações aos membros da Comissão Permanente de Avaliação de Documentos da Fundação.

Em maio, o Arquivo Público analisou sete (07) Listagens de Eliminação de Documentos visando a aprovação, recebidos por processos administrativos, conforme estabelecido pelo Decreto 52.808/2015, em seu Art. 6º, parágrafo V.

E, neste mês, foram recebidos na caixa do e-mail assuntos-proa@planejamento.rs.gov.br, vinte e sete (27) e-mails de diversos órgãos, referentes a solicitações, esclarecimentos de dúvidas com relação à atribuição de assuntos no Sistema PROA. Além desses, na caixa de correio do SIARQ/RS foram recebidos três (03) e-mails com questões sobre gestão documental.

Para solicitar assessoria ao SIARQ/RS, visando implementar as normativas e os instrumentos de gestão documental, pode entrar em contato pelo e-mail siarq-apers@planejamento.rs.gov.br ou telefone (51) 3288-9114.

Visitas guiadas ao APERS – Setembro 2019

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Visitas Guiadas APERS

No mês de setembro foram realizadas 08  visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 06:  visitaram o Arquivo Iara Ledur Marques e seu esposo Mario Fernando Gomes Marques.

Dia 09:  visitou o Arquivo Olinda Frantz Vogel, viúva do nosso ex-diretor Henrique Canísio Vogel.

Dia 12: pela manhã 16 alunos do Programa SENAC-RS Comunidade, acompanhados pela professora Angelita Franco Cardoso.

Dia 13: pela manhã, 39 alunos da escola Estadual Padre Jaeger em Canoas-RS, acompanhados pela professora Diulli Adriene e Marcia Ecoten.

Dia 13: à tarde, o artista João Goedert da Bienal 2010 que doou a obra ao APERS chamada “Guarda”.

Dia 23: pela manhã, a estagiária Manuela Pavoni e seus pais Neri Antonio Pavone e Onivalda Maria Perondi.

Dia 24: 11 componentes do grupo do Projeto Moradia Popular: a cidade em disputa no Pós-Abolição, em parceria com o Arquivo Público, GT Emancipações e Pós-Abolição da ANPUH-RS e o Quilombonja.

Dia 26: 06 alunos do Programa do Instituto Leonardo Murialdo, acompanhados pelo professor Marcelo Silva.

Guias: Giglioli Rodrigues, Iara Gomide e Marta Helena de Araujo.

Lembramos que oferecemos, semanalmente, visitas guiadas ao conjunto arquitetônico, com duração de 1h30min, nas segundas-feiras às 14h30min e nas sextas-feiras às 10h. Agende sua visita pelo e-mail visitas@planejamento.rs.gov.br ou ligue para (51) 3288 9134.

APERS em números – Setembro 2019

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Confira alguns dados referentes aos serviços realizados no APERS durante o mês de setembro:

– Assessorias SIARQ/RS: 15

– Usuários atendidos: 290

Cidadão: 172

Usuários internos: 7

Pesquisadores: 111

Novos pesquisadores: 29

– Atendimentos aos usuários: 1.065

Cidadão: 226

Usuários internos: 34

Pesquisadores: 805

– Indexação Sistema AAP: 750

– Visitas guiadas: 08

– Oficinas de Educação Patrimonial: 13

– Visualizações blog institucional: 12.730

Veja abaixo gráfico com os quantitativos diários de atendimento aos usuários referente ao mês de setembro:

2019.10.02 Apers em números

Clique aqui e saiba mais sobre os serviços que o APERS presta a comunidade.

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