Oficinas de Educação Patrimonial – Outubro e Novembro 2019

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Fechando as postagens relativas às oficinas realizadas no ano de 2019 a partir do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, confira as turmas recebidas nos meses de outubro e novembro:

Outubro

  • 02/10: nessa tarde 24 professores, pesquisadores e ativistas sociais participaram da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo” ofertada dentro da programação do evento Questões para a História Negra do RS / 8º Curso de Formação para Professores PEP UFRGS-APERS. Confira fotos o evento aqui.

  • 04/10: Acompanhados pela professora Daniela Scheffers, as e os estudantes da turma 203, 2° ano do Colégio Estadual Inácio Montanha, estiveram no Arquivo Público em uma manhã de sexta-feira para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos” Para ver as fotos, clique aqui.

  • 08/10: Em uma manhã de terça-feira, as e os alunos do 2º ano do Colégio Estadual Inácio Montanha, vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pela professora Denise Marques. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 09/10: Durante uma manhã de quarta-feira, os estudantes de 9° ano da EEEM Oscar Pereira estiveram no APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pela professora Adriana Costa. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 10/10: Acompanhados pelo professor Rodrigo Souza dos Santos, estudantes do 8° ano da EMEF Pepita Leão foram recebidos no Arquivo Público em uma manhã de quinta-feira para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 10/10: Durante uma tarde de quinta-feira, os alunos da EEEM Ceará vieram ao APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pela professora Adriana Costa. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 11/10: Em uma tarde de sexta-feira as e os estudantes do 6° ano da EEEM Oscar Pereira estiveram no Arquivo Público para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Jaqueline Fraga. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 15/10: Em uma manhã chuvosa de terça-feira, as alunas e alunos do 6° ano do Colégio Romano Senhor Bom Jesus vieram ao APERS para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Maria Eduarda Carvalho. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 16/10: Durante a manhã de quarta-feira, os estudantes do 3° ano do Ensino Médio da Fundação Bradesco de Gravataí, vieram visitar o Arquivo Público para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Diego Scherer. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 17/10: Nem o temporal daquela sexta-feira de manhã foi suficiente para impedir que as e os alunos do 2° ano do Colégio Estadual Inácio Montanha viessem ao APERS. Acompanhados pela professora Raquel Braun, elas e eles vieram participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 22/10: Durante a manhã a equipe do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS deslocou-se até a Unisinos para ofertar a oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de gênero na história” dentro da programação do VII Ofícios de Clio, evento promovido pelo GT Acervos, da ANPUH-RS. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 23/10: Durante a manhã de quarta-feira, estudantes do 3° ano do Ensino Médio da Fundação Bradesco de Gravataí, vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Diego Scherer. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 24/10: Na tarde de quinta-feira, o APERS recebeu a visita de mais uma turma do 3° ano do Ensino Médio da Fundação Bradesco de Gravataí que, acompanhados pelo professor Diego Scherer, vieram participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 25/10: Pela manhã de sexta-feira, as e os estudantes do 6° ano do Colégio Romano São Mateus, vieram ao Arquivo Público para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Karen Cerutti. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 29/10: Durante a manhã de terça-feira as e os estudantes de 6° ano do Colégio Romano Santa Marta vieram ao APERS para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pelo professor Alessandro Maldonado. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 31/10: Na manhã de quinta-feira, estudantes da turma 163 do 6° ano do Colégio Romano Senhor Bom Jesus vieram ao Arquivo Público para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Eduarda Carvalho. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 31/10: Na noite de 31/10, quinta-feira, estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da EEEF Cândido Portinari estiveram no APERS para vivenciar a oficina Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos, acompanhados pela professora Adriana Quadros. Para ver as fotos, clique aqui.

Novembro

  • 01/11: em meio às atividades da Semana do Servidor, colegas do estado foram convidados a visitar o APERS e ter contato com seu acervo por meio do brincar! Foi uma excelente experiência com os jogos “Caso X: investigando um crime da ditadura em Porto Alegre” e “AfricaNoArquivo”. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 05/11: Na manhã de terça-feira alunos(as) do 3° ano do Colégio Fundação Bradesco, de Gravataí, vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Diego Scherer. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 06/11: Na manhã de quarta-feira, estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual Augusto Meyer vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Alfredo Ranzan. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 07/11: nessa tarde 26 estudantes do 9º ano do Colégio de Aplicação da UFRGS estiveram no APERS acompanhados pelo professor Vanderlei Machado para vivenciar a oficina “Resistência em Arquivo: patrimônio, ditaduras e direitos humanos”. Para ver fotos, clique aqui.

  • 12/11: Na tarde de terça-feira, o Arquivo Público recebeu as turmas de 6°, 7° e 8° ano do professor Bruno Xavier Silveira. Os estudantes da EMEF Nossa Senhora de Fátima vieram participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 13/11: Na manhã de quarta-feira estudantes de 8° ano da EMEF Herbert José de Souza vieram ao APERS participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pelo professor Marcelo Roberto Rios. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 14/11: Durante a manhã de quinta-feira estudantes do 9° ano da EMEF Pepita Leão estiveram no APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Rodrigo Souza dos Santos. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 19/11: na manhã de terça-feira 33 estudantes do 9º ano da EMEF Herbert José de Souza visitaram o APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de gênero na história”, acompanhados do prof. Marcelo Roberto Rios. Para ver fotos, clique aqui.

  • 20/11: Na manhã de quarta-feira 30 alunos e alunas do 6º ano da EMEF Gonçalves Dias (Portão/RS) estiveram no Arquivo Público vivenciando a oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Caren Kangberg. Para ver fotos, clique aqui.

  • 22/11: 28 estudantes do 7º ano da EMEF Theodoro Bogen estiveram no APERS acompanhados pelo professor Guilherme Fraga. Naquela tarde de sexta participaram da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”.

  • 28/11: a última oficina do ano foi realizada com estudantes do 9º ano do Colégio de Aplicação da UFRGS. Acompanhados pelo professor Vanderlei Machado, participaram da oficina “Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos”. Para ver as fotos, clique aqui.

Para saber mais a respeito das oficinas e demais ações desenvolvidas no âmbito do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, clique aqui.

Ação Educativa e Consciência Negra no APERS #NovembroNegro

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Damos sequência às nossas postagens que ficaram pendentes em relação ao ano de 2019, iniciando pelo último texto da série em celebração ao #NovembroNegro.

Desde 2009 o Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS oferece, entre outras, a oficina Os Tesouros da Família Arquivo, construída a partir de diferentes tipos documentais produzidos no contexto da escravidão no Brasil e salvaguardados por nossa instituição. A oficina busca nomear e reconhecer a ação de mulheres e homens a quem o cativeiro foi imposto, mas que resistiram de formas diversas e lutaram por liberdade. A partir de um testamento e um processo-crime, alguns inventários, registros de compra e venda e cartas de liberdade, entramos em contato a história de Maria, senhora de “mais ou menos 90 anos” que foi capturada na região do Congo no final do século XVIII; com o Pancho, menino uruguaio de 12 anos que nasceu livre mas foi sequestrado na banda oriental e vendido ilegalmente como escravo em uma colônia de imigrantes; com a Jacinta e o Vicente, pais do Fortunato, uma família sendo tratada como bens. Falamos de possibilidades de trabalho e sociabilidade em grandes plantéis rurais ou em pequenas manufaturas urbanas, da formação de famílias, de formas diversas de resistência.

A seguir compartilhamos pequenos vídeos gravados por estudantes da EMEF Nossa Senhora de Fátima (bairro Bom Jesus/Porto Alegre) comentando sua participação na referida oficina. Eles estiveram conosco no dia 12 de novembro, trazidos pelo professor Bruno Xavier Silveira:

 

 

 

Essa ação, pensada em 2008 com inspiração no trabalho de descrição arquivística que deu origem aos Catálogos de Documentos da Escravidão, transformou-se em uma importante atividade de difusão do acervo e de ação educativa que, por sua vez, inspirou o desenvolvimento do projeto “AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil”. A partir desse último, com recursos captados em edital do IBRAM, distribuímos caixas pedagógicas como doação para escolas levando um pouco de nosso acervo para dentro das salas de aula, promovendo discussões a respeito das conexões entre África e Brasil a partir da diáspora e sobre as marcas da escravização em nossa sociedade. Aqui, compartilhamos alguns registros de estudantes utilizando a caixa AfricaNoArquivo na EMEF Osório Ramos Correa, de Gravataí, sob orientação da professora Jane Rocha de Mattos, e na EEEF Imperatriz Leopoldina, de Porto Alegre, com a professora Isadora Librenza:

Oficina e caixa pedagógica, entre outras diversas atividades como cursos e eventos promovidos pelo Arquivo Público com essa temática, são afirmações de nosso potencial enquanto lugar de memória negra, enquanto lugar que se presta à produção de conhecimento engajado no combate às desigualdades e ao racismo.

Para informações sobre as ações educativas desenvolvidas pelo APERS, entrar em contato pelo e-mail acaoeducativa@planejamento.rs.gov.br.

Historiadora do APERS participa de conversa virtual com mestrandos da UFSC sobre a atuação em Arquivos.

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2019.09.04 Servidora em bate-papo virtual na UFSC

A convite das professoras Carmem Zeli Gil e Mônica Martins da Silva, a servidora Clarissa Sommer Alves participou, na manhã da última terça-feira (03/09) de um bate-papo virtual com estudantes da disciplina “Educação Patrimonial e Ensino de História”, ofertada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na grade do Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória).

A turma foi convidada a ler a monografia defendida por Clarissa em 2015 junto ao Departamento de História da UFRGS, intitulada “Reflexões sobre o ofício do historiador em arquivos a partir da construção da oficina Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos“. O texto foi escrito sob orientação da prof.ª Carla Roseghero, e tem como objeto essa que é uma das oficinas ofertadas pelo Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS. A partir dessa leitura foi estabelecido o diálogo, que tinha como principal objetivo oportunizar espaço para elucidar dúvidas, compartilhar informações atuais a respeito dos serviços educativos ofertados pelo APERS, e sobre a experiência da atuação de historiadoras em instituições arquivísticas na perspectiva da educação patrimonial.

Embora o tempo tenha sido curto para tantas questões surgidas, a conversa foi bastante estimulante. Agrademos a oportunidade de difundir nosso trabalho e de construir referências para o aprofundamento da reflexão sobre o potencial educativo dos arquivos.

Oficinas de Educação Patrimonial – Agosto 2019

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Ao longo do primeiro semestre de 2019, além do envolvimento com outras ações educativas, nossa equipe dedicou-se à atualizações dos materiais que compõem as oficinas ofertadas por meio do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS. No mês de agosto, retomamos o cotidiano de oficinas, primeiramente formando o novo grupo de estudantes do ensino superior que atuarão como oficineiras e oficineiros, e em seguida recebendo a primeira turma escolar de 2019:

– Dias 22 e 23/08: realizamos as oficinas “Desvendando o Arquivo Público: relações de gênero da história” e “Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos” com estudantes do curso de História em processo de capacitação. Parte do grupo que vivenciou tais atividades foi composto por estagiárias e estagiários do APERS, que se dispuseram a contribuir com a formação da nova equipe. Agradecemos a todas e todos! Confira as fotos:

– 27/08: recebemos 20 estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Amadeo Rossi, de São Leopoldo, acompanhados pela professora Nice Stelter Passos. Participaram da oficina Resistência em Arquivo. Confira as fotos:

 

Ação Educativa em Arquivos XI: experiências do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (II)

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2016-09-28-acao-educ-em-arquivos-apcbh   A postagem de hoje na categoria “Ação Educativa em Arquivos” traz a continuidade da reflexão levantada no texto anterior, a partir das experiências do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH). No final de julho apresentamos, de forma mais geral, as ações que vinham sendo desenvolvidas por este Arquivo desde a sua criação, na década de 1990. Hoje, vamos nos debruçar sobre os processos de reflexão que levaram à reformulação das visitas monitoradas à instituição e à formulação de novas compreensões que ajudaram a expandir os usos do Arquivo e de seus acervos nas ações educativas, para além da pesquisa e ensino sobre história local, como vinha sendo enfocado. Para acompanhar nossa análise, reveja o post anterior aqui.

   Alguns elementos levaram a equipe do APCBH a identificar a importância dessa reformulação: dificuldades percebidas em aplicar visitas que oportunizassem contato direto com os documentos, devido às limitações de infraestrutura do Arquivo (pouco espaço físico, sem área pedagógica ou para lanches e descontração, etc.); mudanças nas demandas das escolas a partir de transformações em seus currículos, que passaram a valorizar projetos transversais em detrimento às pesquisas sobre história local; percepção de que os documentos poderiam ser explorados para a construção de sentidos relacionados a identidades e memórias individuais e coletivas, gerando relações de pertencimento entre estudantes e arquivo, e não apenas para aprofundar conhecimentos sobre história local.

    Dois projetos foram fundamentais para que a equipe pudesse trabalhar nessa perspectiva: o projeto “Circuito de Museus”, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação, e o projeto “Arquivo 20 anos”, realizado para comemorar as duas décadas do APCBH.

    A partir do primeiro, foi possível receber retornos dos estudantes quanto à visita ao Arquivo, já que ao final das visitas do circuito eles registravam suas impressões em materiais que compuseram uma exposição. Tais retornos evidenciaram a dificuldade dos jovens em se reconhecer no espaço do Arquivo, demonstrando que a dinâmica relacionada à história da cidade a partir de documentos fotográficos ficava registrada para eles como mais uma aula de História, quase sem relação entre o acervo manuseado e a instituição que o salvaguardava. A visita ao Arquivo seria mais uma visita a um “museu”, porém sem os atrativos de um museu?!

    Já o segundo, oportunizou recursos para a contratação de uma consultoria na área, para a produção de sinalizações interpretativas plotadas em determinados espaços do Arquivo, trazendo reflexões apresentadas por uma “mascote” ao longo do percurso da visita, para a impressão de fac-símiles de documentos que seriam manuseados pelos grupos escolares, e para a montagem de kits pedagógicos com materiais para conservação preventiva de documentos (luvas e máscaras, lápis 2B, borracha, tecido, produtos caseiros para evitar infestação por pragas, etc.) dos próprios estudantes – viabilizando uma dinâmica de relação entre a preservação dos documentos do Arquivo e dos documentos pessoais dos visitantes. O próprio percurso da visita foi ampliado, passando agora por depósitos de acervos em diferentes estágios do tratamento documental, demonstrando a dinamicidade do trabalho cotidiano nos processos de gestão documental.

    Estas observações e conquistas oportunizaram a introdução da discussão sobre preservação e valoração dos documentos de arquivo, em paralelo aos documentos produzidos pelos próprios indivíduos ao longo de sua trajetória de vida. Assim, conceitos fundamentais à área de arquivos foram trazidos para dentro das visitas, debatendo a formação de acervos e fundos, valor informacional, formato e suporte dos documentos, etc.

    Algumas destas problematizações têm nos acompanhado ao longo do trabalho desenvolvido pelo APERS no campo da ação educativa, e o diálogo com o trabalho de outras instituições certamente é importante para que possamos nos atualizar, qualificar e ter estímulo para seguir. A experiência mineira evidencia dois pontos que, para nós, também são claros: a importância da avaliação constante do trabalho, expressa pelo salto de qualidade que foi possível dar a partir dos retornos e exposições produzidos pelas turmas, e a necessidade de recursos para o desenvolvimento do trabalho – no caso do APERS, a parceria com a UFRGS tem sido fundamental para que possamos investir na produção de reproduções de documentos, materiais pedagógicos em geral, contratação de bolsistas e de transporte para as escolas, compra de equipamentos, entre outros elementos.

    Certamente é possível realizar bons trabalhos com criatividade e empenho das equipes, mas nossa trajetória tem demonstrado a centralidade de lutar para que o poder público reconheça a importância da valorização das instituições de memória, e dos Arquivos, destinando condições materiais e humanas para aprofundar ações culturais, educativas e de gestão. Além disso, o diálogo com as experiências de Belo Horizonte nos fazem refletir sobre a importância de conectar oficinas de demais ações educativas com o papel técnico, político e social dos arquivos. Isso pode ser dado a partir de temáticas e reflexões históricas, mas elas precisam estar conectadas ao nosso tempo presente, e fazerem sentido para indivíduos e coletividades de agora. Por isso o investimento em temas que nos fazem pensar enquanto cidadãos e cidadãs de nosso tempo, como acesso à informação e ao patrimônio, relações étnico-raciais, relações de gênero, democracia e direitos humanos. Seguiremos!

Ação Educativa em Arquivos X: experiências do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (I)

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Após algumas viagens mais distantes, que nos levaram a arquivos estrangeiros, na postagem deste mês e do próximo a respeito de ações educativas em arquivos voltaremos nossa atenção ao trabalho desenvolvido pelo Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte. Este arquivo municipal foi fundado em 1991, mesmo ano de publicação da Lei de Arquivos no Brasil, nascendo voltado à modernização de tais instituições, engajado na construção de procedimentos de gestão documental amparados pela então nova legislação, em meio aos avanços democráticos vivenciados por nossa sociedade com o fim da ditadura e no contexto de promulgação da Constituição de 1988.

Nosso texto de hoje será referenciado especialmente no artigo “Educação Patrimonial e o Ensino de História em Instituições Arquivísticas: Ações educativas no Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte”, de Raphael Rajão Ribeiro, historiador e então chefe do Departamento de Tratamento, Pesquisa e Acesso do APCBH, e Michelle Cobra Torre, graduada em História e Comunicação Social, publicado pela Revista Acervo em volume de 2012. Neste trabalho os autores historicizam a trajetória das ações educativas desenvolvidas pela instituição, chamando a atenção para uma situação especial em meio à realidade arquivística que nos cerca majoritariamente: trazem à luz as experiências de um arquivo que vem se preocupando e atuando fortemente na área educativa desde sua fundação, compreendida como parte importante de suas ações de difusão. Por este motivo, decidimos dividir a reflexão em duas partes, apresentando de forma mais geral neste post os trabalhos desenvolvidos pelo APCBH até o ano de 2010, e no mês seguinte os processos de reflexão que levaram à reformulação de suas visitas monitoradas e à formulação de novas compreensões que ajudariam a expandir os usos do Arquivo e de seus acervos nas ações educativas para além da pesquisa e ensino sobre história local.

Raphael e Michelle refletem a respeito de tais ações buscando compreender os pressupostos teóricos e metodológicos que as embasaram ao longo dos anos, apontando para a escassez de produções específicas que fundamentem a educação em arquivos, assim como para a ausência de divulgação sistemática das ações levadas a cabo no país, o que teria contribuído para uma aproximação de referenciais do ensino de história e da educação patrimonial. Destacam que a presença de historiadores na equipe e o contato com referenciais franceses corroboraram para “maior ênfase na abordagem da instituição e de seu acervo pelo seu valor de evidência para o estudo do passado”. Nesse sentido, também teriam contribuído as novas diretrizes para a educação nacional constituídas no processo de redemocratização dos anos de 1980 e 1990, que colocavam a necessidade de se trabalhar com procedimentos de pesquisa histórica nas práticas de ensino-aprendizagem da Educação Básica.

Nesse percurso de análise, vão se debruçando sobre as atividades e projetos desenvolvidos desde a década de 1990, demonstrando como os serviços educativos demandados, especialmente pelas escolas, sempre estiveram presentes na vida do APCBH, contribuindo para seu reconhecimento social e fortalecimento de seus laços com a comunidade.

Para eles, a condição de arquivo municipal propiciou grande contato com as escolas da região, que apresentaram demandas por reproduções de documentos que pudessem ser usadas em sala de aula, assim como por visitações. Nos anos iniciais, em que a instituição Foto Visita APCBHestava instalada em um espaço diminuto, em salas da então Secretaria Municipal de Cultura, o Arquivo reproduziu uma amostra de seu acervo, que era levada às escolas. A partir da mudança para um espaço próprio, ocorrida em 1996, o APCBH passou a receber visitas do público escolar, que seguem sendo oferecidas até hoje. Daquele ano até 2010 as visitas monitoradas foram organizadas como espaço para apresentação tanto da instituição quanto da trajetória histórica do município, a partir de um trabalho didático com fotografias. Para qualificar a interação entre Arquivo e professores, estes eram convidados para realização prévia de visitas técnicas.

Em 1997, ano marcado pelas comemorações dos cem anos da capital mineira, foi lançado o Projeto Momentos de uma capital centenária, que teve como produto a reprodução 31 documentos fotográficos, em pranchas e em slides, que foram distribuídos para todas as escolas da cidade, retratando paisagens marcantes da história local. Apesar do mérito nas intenções do projeto, de sua qualidade ou abrangência no alcance, a ausência de acompanhamento mais sistemático do que era feito com o material nas escolas fez com que em muitos casos os kits não chegassem aos verdadeiros interessados, sendo tomados por indivíduos como um “presente” do Arquivo, e não como um material didático que deveria ser compartilhado por professoras e professores, socializado na biblioteca escolar.

A partir de 1999 iniciou-se o Projeto Histórias de Bairros de Belo Horizonte, em muito resultante da constante procura do Arquivo por estudantes das séries iniciais da Educação Básica, que desejavam pesquisar sobre a história local. O APCBH iniciou o “levantamento de fontes em seus acervos e nos de outras instituições de memória da cidade, sistematizado a partir da divisão espacial dos bairros”, e pensando produtos a partir do material coletado. Já em 2007 foi constituída uma equipe para “produzir uma coleção de cadernos paradidáticos APCBH 1voltados para o público de 9 a 12 anos”. Os primeiros exemplares da Coleção História de Bairros de BH foram lançados em 2008, contando hoje com nove cadernos, mais o volume dedicado ao professor. Todos podem ser baixados pela internet, acesse aqui um dos exemplares! Estes produtos colocaram o Arquivo em uma nova posição: deixaria de envolver-se apenas com o processo de seleção de fontes que seriam trabalhadas pelos professores em sala de aula, colocando-se como agente ativo, produtor de reflexões e propositor de metodologias no campo do ensino de história, evidenciando a pertinência da atuação de outros atores na confecção de materiais didáticos, para além dos profissionais diretamente envolvidos com as escolas e do grande mercado editorial brasileiro do livro didático.

Em 2003 foi lançado o material Vídeo Documento, com 11 minutos de duração, conduzido pela narrativa de uma criança chamada Davi, estudante que entra em contato com o Arquivo a partir de uma proposta de atividade feita pela professora. Já buscando ampliar a percepção dos acervos como documentos que informam sobre o passado, o foco do vídeo é discutir “o sentido daquele arquivo público municipal como patrimônio da cidade. Para tanto, parte-se das referências da criança: seu arquivo pessoal e a variedade de documentos que o compõem; suas vivências na cidade, como o uso do transporte coletivo; os locais que reconhece na documentação histórica, como o parque central da cidade; a importância de se preservar os documentos e os critérios utilizados para isso”. O material foi reconhecido pelo IPHAN com o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade na categoria de melhor ação de Educação Patrimonial do ano, e passou a ser utilizado nas visitas monitoradas.

APCBH 2Em 2007, para qualificar a preparação das e dos professores, e consequentemente das(os) estudantes, às visitas, foi publicada a cartilha “Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte: informação e memória”, que pode ser acessada aqui. Nela são apresentados conceitos importantes para a compreensão das funções de uma instituição arquivísiticas, suas atividades nos processos de gestão documental, salvaguarda, difusão e acesso ao patrimônio cultural documental , além de apresentar o APCBH, sua história e acervos, trazer orientações para melhor organização e aproveitamento da visita, e sugestões de atividades para a sala de aula.

As produções aqui evocadas evidenciam a centralidade dada pelo APCBH às ações educativas enquanto elemento constitutivo de sua identidade enquanto instituição pública de arquivo. O sucesso e reconhecimento do trabalho, agraciado com parcerias, recursos captados externamente e premiação em nível nacional, certamente está relacionado à dedicação de uma equipe constituída e consolidada para esta área, e à compreensão, por parte da instituição como um todo, do potencial e do papel social dos Arquivos enquanto espaços de memória, cultura e educação. Seguiremos com essa reflexão!

Agora você pode baixar a publicação “PEP em Revista”!

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2016.07.13 Capa PEP em Revista vol 1Em março deste ano realizamos o evento de lançamento da publicação “PEP em Revista: o Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS”, produzida com recursos do edital Proext MEC 2015/2016 para registrar as ações que vem sendo desenvolvidas na parceria entre o APERS e a UFRGS desde 2009. O volume, organizado pelas servidoras do APERS Clarissa Sommer e Nôva Brando, e pela prof.ª Carla Simone Rodeghero (História/UFRGS),  foi produzido por elas com contribuição de toda a equipe presente no Programa em 2015 – grupo que pode ser conhecido nas páginas da publicação.

Os exemplares estão sendo distribuídos no APERS para professores, profissionais de instituições de memória e patrimônio, e demais interessados. Agora, disponibilizamos também online, para que você possa baixar e conhecer mais sobre este trabalho! Acesse clicando aqui.

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