Participe: PEP UFRG-APERS promove 6ª edição do curso anual de formação para professores!

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       Problematizar e pensar juntos os desafios colocados à escola e à comunidade escolar em nossa sociedade contemporânea. Refletir sobre dificuldades e transformações, e construir caminhos que contribuam para qualificar os processos de ensino-aprendizagem, as relações humanas e a produção de conhecimentos nestes espaços. São alguns dos objetivos que motivam a oferta de mais uma edição do curso de formação para professores que vem sendo promovido pelo Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS (PEP) desde 2011.

    Em 2016 o curso intitula-se “Educação Patrimonial, Cidadania e Direitos Humanos: desafios do tempo presente”, e iniciará no dia 26 de agosto, sexta-feira, às 14h. Serão sete encontros, sempre nas sextas, das 14h às 19:30h, com pausa para o lanche e convivência. Os temas abordados, sempre em uma perspectiva voltada ao trabalho nas escolas, serão: patrimônio cultural e educação; ditaduras e ensino na Educação Básica; liberdade docente e o projeto “Escola sem Partido”; relações étnico-raciais; estado laico e liberdade religiosa; diversidade e relações de gênero; e violência Direitos Humanos.

    A carga horária será de 40h com certificado, em um curso que envolverá palestras com debate, oficinas, relatos de experiência e rodas de conversa. As inscrições serão gratuitas, e iniciarão na próxima semana, dia 03 de agosto, quando divulgaremos a programação completa. O público-alvo são, especialmente, professoras e professores da rede pública de ensino com atuação efetiva em sala de aula. Caso as vagas não sejam todas preenchidas por estes, serão inscritos professores de redes privadas, educadores atuantes em espaços não formais de educação, e estudantes de cursos de graduação em licenciaturas.

 Informações podem ser obtidas pelo e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br.

    Programe-se, converse com colegas de sua escola e participem!

Ação Educativa em Arquivos IX: serviço educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo

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Torre do TomboRetomando nossa série de postagens sobre ação educativa em arquivos, hoje abordamos as atividades desenvolvidas pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, localizado na cidade portuguesa de Lisboa, instituição importantíssima para pesquisadores do mundo inteiro, que abriga acervo milenar e, em muitos aspectos, intimamente relacionado à história do Brasil e dos demais países que foram colônias portuguesas.

Sua data de criação é incerta, e remonta ao século XIV. A mais antiga certidão expedida é de 1378. Desde então até o ano de 1755 funcionou como Arquivo do rei e dos seus vassalos, da administração do reino e das possessões ultramarinas, servindo à administração régia, emitindo certidões e franqueando a consulta a poucos pesquisadores. Apenas no século XIX as atribuições do Arquivo alargaram-se à formação de funcionários e ao ensino da Diplomática, em um processo que pouco a pouco trouxe a compreensão contemporânea do Arquivo como instituição voltada à sociedade.

Hoje, como um dos arquivos de âmbito nacional da rede portuguesa de arquivos, é subordinado à Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, serviço central da administração direta do Estado português, que por sua vez é integrado à Secretaria de Estado da Cultura. Tem investido em sua difusão por meio do Serviço Educativo, compreendido como uma necessidade para fazer valer os dispositivos legais que reconhecem o papel sócio cultural dos arquivos e do patrimônio por eles salvaguardados, conforme podemos acompanhar através do artigo “Conhecer e visitar: o Serviço Educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo”, de Maria de Lurdes Henriques.

Em um cenário marcado pela visão de que os arquivos seriam instituições eminentemente voltadas a apoiar a administração pública e atender a demanda de pesquisadores, nos quais pouco ou nenhum espaço sobraria para a educação. Maria de Lurdes enfatiza o esforço que fora empreendido nos últimos 10 anos, até mesmo entre os profissionais da área, para convencer sobre a necessidade de ir além das visitas tradicionalmente oferecidas ao público interessado em conhecer o Arquivo, passando a assumir uma postura pró ativa no campo da educação para a cidadania, buscando atrair novos públicos e atuando de forma articulada às escolas, afinal, somente é possível valorizar e divulgar aquilo que se conhece.

No caso português, o ainda jovem Serviço Educativo passou a oferecer “visitas temáticas apoiadas em textos didáctico-pedagógicos, complementados por documentos seleccionados, que poderão ser visualizados em diferentes suportes, do original ao digital”. São abordados temas como as origens e evolução da Língua Portuguesa; literatura e censura literária; formação e evolução do Estado Português; minorias étnicas e religiosas, entre muitos outros.

Guardar-memorias_abrir-caminhosO primeiro produto editado e publicado pelo Serviço como material de apoio voltado a um público amplo, especialmente de professores e estudantes, foi o “Guia jovem: Guardar memórias… Abrir caminhos…”, distribuído gratuitamente em todas as bibliotecas escolares. Igualmente, passou-se a criar e produzir exposições e mostras documentais, como polo dinamizador para as visitas e a interação com o público, já que estas permitem abordagens diversificadas, com a construção de diálogos que dependem muito dos saberes e interesses trazidos pelos visitantes.

No mesmo sentido, o Arquivo assinou protocolo de colaboração entre a Direcção Geral de Arquivos e a Direcção Geral do Desenvolvimento e Inovação Curricular, por meio do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, que coordena mais de 2 mil bibliotecas escolares, tendo como objetivo a sensibilização dos professores responsáveis pelas bibliotecas para as potencialidades pedagógicas e para a relevância dos recursos de informação disponíveis nos arquivos. Se as experiências cotidianas demonstravam que os professores muitas vezes não consideravam os arquivos como locais a visitar, tal como seriam bibliotecas, museus, monumentos ou sítios arqueológicos, o importante seria cativar e demonstrar o contrário. Esta proximidade com os professores tem sido valorizada em cada ação, especialmente no planejamento, construção e realização das visitas, pensadas de acordo com o perfil e os interesses dos grupos, em diálogo desde o agendamento, passando pela troca de materiais preparatórios, até a visita em si.

Maria de Lurdes também registra que a dedicação da instituição à digitalização de documentos contribuiu para a efetivação do Serviço Educativo, ao viabilizar a ampliação do acesso sem prejudicar a conservação dos originais.

Conhecer um pouco mais sobre as experiências portuguesas, em um país ibérico onde a arquivística é bastante desenvolvida, nos dá mais fôlego para seguir a diante na consolidação de nosso próprio serviço educativo, demonstrando que estamos na direção correta!

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Referência:

HENRIQUES, Maria de Lurdes. Conhecer e visitar: o Serviço Educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. ALA, n.27, 2012: 7° SIAT. Disponível em http://docplayer.com.br/4894782-Conhecer-e-visitar-o-servico-educativo-do-arquivo-nacional-da-torre-do-tombo.html, acesso em 24 mai 2016.

Regulamento PEP 2016: divulgação do resultado final sairá apenas na próxima semana

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2016.01.20 para Regulamento PEP 2016

    Conforme divulgamos amplamente através do Regulamento PEP 2016, acabou nesta segunda-feira, dia 21 de março, o prazo para envio da documentação necessária à seleção das escolas que serão atendidas este ano nas oficinas realizadas pelo Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS (PEP).

    O regulamento previa que hoje, 23 de março, seria divulgada a lista das escolas contempladas, e que entre os dias 24 e 30 de março entraríamos em contato por telefone com cada uma delas para agendar as datas de oficinas. Entretanto, devido a grande procura que tivemos, informamos que o prazo para divulgação da lista final será estendido até o dia 30/03. Esperávamos ser procurados por cerca de 15 escolas, mas recebemos inscrição de 27, o que torna necessário mais tempo para organizar os documentos recebidos e tentar contemplar o maior número de escolas, professores e estudantes na agenda anual.

   Neste sentido, informamos também que não haverá prorrogação das inscrições. Contamos com a compreensão de todas e todos. Estejam atentos às notícias do blog, já que ao longo do ano divulgaremos outras ações oferecidas pelo PEP, como o curso de formação para professores.

Participe das ações do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS em 2016!

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2016.01.20 para Regulamento PEP 2016

Nosso Programa de Educação Patrimonial está entrando em seu oitavo ano de atividades. A cada novo período buscamos inovar e qualificar os serviços prestados. Nesse sentido, e no intuito de estreitar os laços entre escolas, Universidade e Arquivo, aprofundando os processos de ensino-aprendizagem a partir do patrimônio cultural vinculado ao ensino de História e à arquivística, no ano de 2016 a participação das turmas nas oficinas de Educação Patrimonial oferecidas nas dependências do APERS será compreendida como parte de um projeto, orientado pelo PEP em contato com professores e coordenações pedagógicas das escolas, desenvolvido ao longo do ano letivo de 2016, e norteado pelo Regulamento PEP 2016. Clique aqui para acessá-lo.

Pedimos ampla divulgação do regulamento, pois todos os agendamentos de oficinas para o ano serão feitos a partir dele.

Professora e professor, leia atentamente, divulgue entre sua rede de contatos, converse com colegas na Escola, e já insiram a participação no Programa em seu plano de ensino para o ano, prevendo as etapas desenhadas pelo regulamento: preparação das turmas antes da vinda à oficina, vivência das oficinas no APERS (com transporte oferecido pelo PEP), e aprofundamento da discussão sobre educação a partir do patrimônio em sala de aula, que resultará em um produto a ser exposto na Mostra PEP de Final de Ano, na primeira semana de dezembro de 2016.

Os “produtos” poderão ser textos, poesias, fotografias, maquetes, peças teatrais, fanzines, ou tudo aquilo que as(os) estudantes possam criar a partir do contato com o patrimônio salvaguardado pelo Arquivo Público, com o conhecimento construído a partir da participação no Programa, e pela reflexão a respeito dos bens culturais de nossa sociedade, do bairro, da comunidade escolar. Todas as atividades são gratuitas e poderão ser orientadas pela equipe do PEP, composta por servidores, professores, estagiários e bolsistas da UFRGS e do APERS.

Conforme regulamento, as inscrições das escolas interessadas em participar serão recebidas até o dia 21 de março de 2016, através do e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br. Dúvidas poderão ser elucidadas pelo mesmo endereço, ou do telefone (51) 3288-9117. Estamos empolgados com as possibilidades que se abrem em 2016, e desejamos contar também com a empolgação de professores(as), coordenações pedagógicas, direções, pais e estudantes! Participem!

Relatórios 2015 – DIDOC: Ações educativas e culturais

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O Arquivo Público do Rio Grande do Sul possui uma série de atividades na Área de Ação Educativa, sobretudo as vinculadas ao Programa de Educação Patrimonial, consolidadas e reconhecidas pelas mais diversas instituições ligadas à educação. De modo geral, quase todas as atividades são desenvolvidas dentro da própria instituição. Na intenção de darmos continuidade e estendermos essa aproximação, elaboramos o projeto APERS? Presente, Professor? Propostas Pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas que pretendeu levar um pouco do Arquivo Público até a escola, a partir da construção de propostas pedagógicas que tiveram como ponto de partida os documentos custodiados pela instituição. O objetivo caracterizou-se pela disponibilização virtual de atividades que pudessem ser desenvolvidas pelos professores nas salas de aula da educação básica.

Logo Laranja

Para a segunda edição do projeto APERS? Presente, Professor? Propostas Pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas, foram construídas propostas de trabalho para a sala de aula com fontes arquivísticas, a partir do eixo temático História e Direitos Humanos. Essas propostas foram disponibilizadas, no formato PDF, no Blog do Arquivo, com os seguintes objetivos:

  • Contribuir, a partir de mais uma ação dentro da perspectiva da Difusão Cultural e das Ações Educativas, para a divulgação dos acervos do Arquivo e das suas potencialidades;
  • Contribuir para o uso de fontes arquivísticas no trabalho pedagógico desenvolvidas nas escolas de Educação Básica;
  • Fomentar discussões, no âmbito dos processos de ensino-aprendizagem, em torno dos Direitos Humanos a partir de uma perspectiva histórica.
  • Divulgar e incentivar a utilização, tanto para pesquisa quanto para o ensino, de documentos tais como os processos administrativos de indenização, inventários e processos-crime do período da escravidão, de processos de desquites e divórcios, de processos administrativos da Secretaria da Justiça, dentre outros que trabalhados.

Até o dia 28 de novembro, foram produzidas 6 propostas pedagógicas, com em média, 36 páginas cada uma. Desde o início da segunda edição até a metade do mês de dezembro as propostas pedagógicas tiveram cerca de 108 visualizações no Blog Institucional.

Com o encerramento dessa segunda edição do projeto, ocorrerá a publicação de uma coletânea em volume único, contendo as seis propostas. Praticamente finalizada, o arquivo aguarda apenas ficha catalográfica e ajustes finais de formatação. Para o ano de 2016 está prevista a publicação da coletânea no mês de fevereiro e a interrupção da produção de novas propostas pedagógicas. Nesse caso, não haverá uma IIIª edição para o próximo ano, uma vez que a historiadora responsável pelo projeto se dedicará a outras atividades na instituição. De qualquer forma, permanece no horizonte da Divisão de Documentação a possibilidade de publicação das propostas elaboradas nas duas edições. Para isso, a equipe da Divisão estará atenta aos editais e possibilidades de captação de recursos para esse fim.

Outra atividade que demandou atenção das equipes da Divisão de Documentação foi a elaboração do projeto piloto Estágio Curricular para o Curso de História. O Estágio Curricular em História é um dos serviços educativos oferecido pelo APERS. Caracteriza-se por uma série de atividades destinadas ao cumprimento de estágio curricular obrigatório ou para horas complementares exigidas para integralização dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em História. Objetiva oportunizar aos graduandos dos cursos de história vivências relacionados aos fazeres dos historiadores em instituições arquivísticas. No projeto-piloto foram previstas a apresentação da instituição e dos processos de trabalho realizados por sua equipe, em especial a equipe de historiadoras do APERS; observação participativa de atividades realizadas por historiadores; prática monitorada de atividades previamente selecionadas pela equipe responsável pela supervisão do estágio.

O Estágio Curricular objetivou oportunizar aos graduandos dos cursos de História vivências relacionadas aos fazeres dos historiadores em instituições arquivísticas. Seis alunos do Curso de História da FAPA concluíram o estágio que contou com uma carga horária de 30 horas. Para o ano de 2016 foram planejadas as seguintes atividades: seminário sobre instituições de guarda de acervos e seus profissionais, e estágio curricular.

CaixaPedagogicaAinda entre as ações educativas, merece destaque o projeto AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil. Ele foi desenvolvido ao longo de 2014 a partir de recursos captados junto ao Prêmio Pontos de Memória 2012, do IBRAM (conforme registrado na aba “Projetos Patrocinados”). Em 2015 centramos o trabalho na finalização da montagem de 700 caixas pedagógicas, na distribuição das mesmas, e na divulgação dessa ação. Intencionávamos realizar parceria com a Secretaria Estadual de Educação para o processo de distribuição em todas as escolas de Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Viamão, conforme previsto originalmente no projeto aprovado pelo IBRAM. No entanto, como esta parceria não se efetivou, a entrega das caixas às escolas tornou-se mais morosa, exigindo que um responsável de cada instituição venha até o APERS retirar o material. Assim, após enviarmos e-mails para as Coordenadorias Regionais e Secretarias Municipais e divulgarmos em nossas mídias sociais, decidimos ampliar o público-alvo a partir do segundo semestre de 2015, passando a atender todas as escolas públicas que manifestem interesse em receber a caixa.

Ao longo deste percurso contamos com o auxílio da equipe do Departamento de Transporte da SMARH, que em diversos turnos cedeu um carro da Central de Veículos, com motorista, para visitar escolas de Canoas e Gravataí entregando as caixas. O motorista viajou sempre acompanhado por Davi dos Santos, estagiário que faz parte de nossa equipe de Ação Educativa. Registramos e agradecemos também o apoio da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (ATEMPA), que abriu espaço em seu IV Encontro de Educadores, realizado em outubro de 2015, para que pudéssemos entregar o material aos professores da rede municipal de Porto Alegre.

Até dezembro de 2015 foram distribuídas cerca de 400 unidades. Ainda temos um grande número de exemplares para fazer chegar aos estudantes e professores em 2016! Se você é professor(a), estudantes, ou membro de alguma comunidade escolar, comente sobre o projeto. Pergunte se a escola já recebeu o material, e caso haja interesse, entre em contato conosco através do e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br, ou do fone (51)3288-9117.

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O Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS (PEP), realizado nesta parceria institucional desde 2009, teve novidades, desafios e conquistas em 2015. Graças aos recursos captados através da UFRGS pelo Edital ProEXT, Programa de Extensão Universitária do MEC, ao empenho da equipe e a acolhida que o Arquivo dá ao público recebido em suas dependências, foi possível manter a realização das oficinas de Educação Patrimonial, do curso de formação para professores e da capacitação de oficineiros, entre outras atividades. Os recursos viabilizaram a contratação de transporte para o deslocamento das turmas até o Arquivo, e de bolsistas, que junto aos estagiários do APERS atuaram como oficineiros com ao público escolar, assim como a produção de um livro e de um folder do PEP.

Ao longo do ano foram ministradas 85 oficinas, atendendo um total de 1.769 estudantes. Foram 48 oficinas Os Tesouros da Família Arquivo (para 6º e 7º ano), 24 oficinas Resistência em Arquivo (para o Ensino Médio), e 13 oficinas Desvendando o Arquivo Público: historiador por um dia (para 8º e 9º ano). Se compararmos ao número de oficinas realizadas em 2014 entre abril e dezembro (128), aparentemente tivemos um desempenho menor, entretanto, 2015 foi palco de uma atividade bastante importante e enriquecedora: a reformulação da oficina Tesouros, a primeira criada pelo PEP, construída a partir de documentos relacionados ao contexto da escravidão no Rio Grande do Sul. Dedicamos boa parte do primeiro semestre a esta reformulação, em paralelo ao desenvolvimento da 5ª edição do curso de formação para professores. Nossa equipe participou dos encontros do curso – também voltado à temática da escravidão e da luta por liberdade –, desenvolveu pesquisa no acervo para selecionar documentos que abordassem os contextos e conceitos desejados, fez a digitalização, transcrição, reprodução e plastificação dos mesmos, criou materiais de apoio, pintou as novas caixas em MDF utilizadas na dinâmica… Tudo preparado com carinho entre março e junho, quando retomamos o recebimento das turmas, seguindo com oficinas entre junho e o começo de dezembro.

A nova  Tesouros está mais densa, focada na análise e problematização de documentos que ajudam a conhecer melhor a trajetória de mulheres e homens outrora escravizados, que resistiram no cotidiano por uma vida melhor. Os estudantes entram em contato com quatro diferentes tipos de carta de liberdade; com um testamento de um liberto que fazia parte da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário; com um processo criminal em que uma criança negra, livre, de 11 anos foi sequestrada no Uruguai e escravizada ilegalmente aqui; com três inventários que demonstram diferentes estruturas de posse de escravizados, suas idades, afazeres e contexto social no qual estavam inseridos; e com a história do casal Ana e Manoel, contada a partir de um registro de compra e venda, de uma carta de liberdade e de um registro de casamento. Esse destaque dado à oficina Tesouros em 2015 explica a quantidade bem maior de práticas dela frente as demais: para testar o novo modelo, entre os meses de junho e julho agendamos apenas esta oficina, retomando as outras duas em agosto.

Quanto ao já mencionado curso de formação para professores, intitulado Educação Patrimonial e Cidadania: história da escravidão e da liberdade no RS, foi realizado entre os meses de abril e junho, em 10 encontros nas manhãs de sábado. Foram capacitados 38 professores, que concluíram as horas necessárias para o recebimento do certificado, além de duas servidoras do IPHAE e 11 estagiários e bolsistas da equipe do PEP. Para mais informações, veja o relatório do curso.

Devido à programação diferenciada, a capacitação de oficineiros também ocorreu de forma distinta no 1º semestre. Foi possível receber três estudantes da disciplina de Estágio de Docência III – Educação Patrimonial, do curso de Licenciatura em História da UFRGS, que se incluíram no processo de reformulação da oficina, participando de alguns dos encontros do curso de formação, realizando visita ao conjunto arquitetônico do APERS, construindo materiais didáticos para a oficina Tesouros em parceria com a equipe do PEP, e finalmente realizando quatro práticas dessa oficina. No 2º semestre voltamos à capacitação em seu formato habitual, com 12 encontros, sendo quatro de aproximação com as oficinas e sua base teórica, dois de observação, e seis de práticas. Neste semestre foram capacitados 11 oficineiros.

Em 2015 também participamos de eventos promovendo a difusão do PEP:

  • No encontro Dos Ofícios de Clio V: Patrimônio e Diversidade Cultural, promovido pelo GT Acervos/ANPUH-RS, a historiadora Clarissa Sommer apresentou a comunicação intitulada “Oficina Os Tesouros da Família Arquivo e Caixa Pedagógica AfricaNoArquivo: ações educativas no Arquivo Público do Estado do RS e patrimônio negro”;
  • No XXVIII Simpósio Nacional de História da ANPUH-Brasil as professoras Carla Simone Rodeghero (UFRGS) e Claudira Cardoso (FAPA e IFRS) apresentaram a comunicação “O arquivo como espaço de ensino: experiências de educação patrimonial na parceria UFRGS-APERS”;
  • A oficina Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos foi apresentada na UNIVATES por Andressa Malhão, Clarissa Sommer, Deise Freitas e Nôva Brando, como parte da programação do IV Simpósio Internacional Diálogos na Contemporaneidade e Semana Acadêmica do Centro de Ciências Humanas e Sociais;
  • No XVI Salão de Extensão da UFRGS, Andressa Malhão e João Victor Câmara apresentaram a comunicação “Educação patrimonial e formação de professores: escravidão, liberdade e emancipação como demanda escolar”;
  • No XI Salão de Ensino da UFRGS foi a vez de Amanda Ciarlo e Guilherme Lauterbach apresentarem “De Patacho a Panxo: o uso de processos crime em oficinas de educação patrimonial sobre escravidão e liberdade”.

Como mencionado anteriormente, também produzimos o livro “PEP em revista: O Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS”, pensado em formato de revista, bastante ilustrado e dinâmico, que conta a história do PEP de 2009 até meados de 2015. O material está pronto, aguardando envio à Gráfica da UFRGS para impressão, e será lançado em seguida. Já o folder do PEP, produzido este ano, está impresso! Confira:

Fechamos o balanço de um ano tão produtivo agradecendo a participação de cada uma e cada um que colaborou de alguma forma para esta construção tão coletiva: estudantes de graduação e de cada escola, professores da Educação Básica, professores das Universidades, equipe PEP… Que 2016 seja ainda melhor!

Neste sentido, aproveitamos para informar que em 2016 o agendamento de oficinas será organizado a partir de um regulamento, que será publicado aqui no blog na próxima quarta. O principal objetivo é estreitar os laços com as escolas, fazendo com que as atividades de educação patrimonial extrapolem a vivência das oficinas no espaço do Arquivo, sendo aprofundadas na comunidade escolar. Informações pelo e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br. Até breve!

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Ação Educativa em Arquivos III: Serviço Didático no Arquivo Nacional da Catalunha

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Ao propormos a publicação de artigos mensais a respeito de ações educativas em arquivos temos como principal objetivo difundir o que vem sendo feito e demonstrar as múltiplas potencialidades de tais instituições e seus acervos para os processos de ensino-aprendizagem. Inicialmente pretendíamos nos deter às ações desenvolvidas no Rio Grande do Sul e no Brasil. Entretanto, conhecendo minimamente a realidade dessa área em nosso país, temos consciência das debilidades ainda vivenciadas. Assim, apresentando atividades e programas levados a cabo também em outros países, pretendemos incentivar a exploração dessa importante “faceta” que contribui para a efetivação do papel social e cultural de nossas instituições congêneres.

Nesse sentido, foi com satisfação que tomamos conhecimento da realidade dos “serviços educativos” ou “serviços didáticos” desenvolvidos pelos arquivos espanhóis. Ainda que brevemente, em um contato através dos sites institucionais, pudemos notar que diversos deles possuem setores consolidados dedicados a pensar os usos educativos do patrimônio documental salvaguardado. Desde os arquivos das municipalidades, passando pelos arquivos das províncias e das comunidades autônomas, até o Archivo Histórico Nacional, a maioria oferece ações no campo da difusão voltadas a professores, estudantes e comunidade interessada, como visitas guiadas adaptadas aos interesses específicos de cada grupo, oficinas com manuseio e análise de documentos, disponibilização de materiais de apoio didático pela internet e exposições que destacam documentos de diversos fundos.

2015.05.20 Arxiu Nacional Catalunya

Hoje destacamos o Serviço Didático do “Arxiu Nacional de Catalunya”, ou Arquivo Nacional da Catalunha, que tem por missão “administrar, salvaguardar e preservar os arquivos e registros do Governo e da Administração pública Catalã, assim como os de indivíduos, organizações e entidades catalãs para que as pessoas descubram, usem e aprendam com esse patrimônio documental; favorecer a consolidação de una sociedade livre, aberta e democrática assegurando o acesso aos documentos, instrumentos essenciais que garantir o exercício dos direitos dos cidadãos e o controle das atuações dos poderes públicos; facilitar a compreensão histórica de nossa identidade nacional e apoiar a vida cultural e intelectual dos catalães”.

Para cumprir com tal missão, o Arquivo é composto por uma equipe multidisciplinar e organiza-se em oito áreas, sendo uma delas a de “Servicio didáctico”, especialmente voltada para “animar entre o professorado e o alunado do secundário a utilização didática da história com fundos de arquivo. O que é feito mediante a utilização dos fundos documentais do arquivo como fonte 2015.05.20 Arxiu Nacional Catalunya 2para o estudo e a investigação, e elaborando recursos documentais e didáticos específicos”. Este núcleo oferece visitas guiadas (com duração de 45 min.); oficinas (com duração de 2h); atendimento individualizado de assessoramento a professores e estudantes, para apresentar a instituição, dar suporte à produção de materiais pedagógicos próprios para os educadores, e de pesquisas escolares para os estudantes; e ainda disponibiliza via internet seleções didáticas de documentos por dossiê temático ou por conteúdo curricular, e propostas de atividades pedagógicas e materiais de apoio produzidos pela equipe do Arquivo.

Fizemos apenas uma apreciação prévia a partir dos conteúdos disponibilizados através do portal institucional, que já demonstram o grande potencial do acervo para fins educativos, a diálogo existente entre os servidores do Arquivo e os educadores, e a evidente compreensão de que dar suporte à educação e estimular a valorização do patrimônio são sim um importante papel dos Arquivos. Obviamente uma visita presencial, ou mesmo uma pesquisa através de questionários, seriam o ideal para conhecer melhor as ações e utilizá-las como referencial. Não descartamos essa possibilidade em um futuro breve. Entretanto, as informações publicizadas pelo site estão bem organizadas e transparentes – o que parece demonstrar o avanço e o reconhecimento das instituições arquivísticas na sociedade espanhola – e possibilitam destacar que as ações educativas não são executadas de forma isolada das demais ações arquivísticas, e não são pensadas como projetos com um “prazo de validade”. São desenvolvidas como serviços prestados à comunidade, equivalentes ao serviço de consulta ao acervo, ou de gestão documental, por exemplo.

Certamente a realidade do Arxiu Nacional de Catalunya, e dos arquivos espanhóis em geral, está diretamente vinculada à cultura daquela sociedade, que estabelece relações de pertencimento com o patrimônio e a história mais profundas do que as estabelecidas pela sociedade brasileira. Ainda estamos distantes de um contexto em que os documentos sejam reivindicados e acessados por todos os cidadãos cotidianamente. Muito de nós ainda não sabemos identificar e diferenciar museus, bibliotecas e arquivos, não sabemos onde estas instituições se localizam, ou quais serviços podem prestar, raramente tivemos acesso a essas informações durante a vida escolar e não fomos instigados a investigar de que forma se dá a produção do conhecimento através da pesquisa. Consequentemente, havendo menos demanda e valorização social, haverá menor atenção e investimentos por parte dos gestores públicos, que não serão cobrados.

Nesse contexto, acreditamos que o fortalecimento de serviços educativos em arquivos pode contribuir de forma eficiente para “quebrar” esse ciclo, por um lado ajudando a transformar a realidade das instituições arquivísticas através da educação, por outro favorecendo “a consolidação de una sociedade livre, aberta e democrática assegurando o acesso aos documentos, instrumentos essenciais que garantir o exercício dos direitos dos cidadãos e o controle das atuações dos poderes públicos”, como pretendem os catalães.

Programa de Educação Patrimonial – Planejamento 2015

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Desde 2009 o APERS vem desenvolvendo seu Programa de Educação Patrimonial em parceria com a UFRGS, em especial com o Departamento de História e o Colégio de Aplicação. Conforme já divulgamos ao final de 2014, através dessa parceria foi possível captar recursos para 2015 e 2016 que viabilizarão a manutenção das ações, sua qualificação e aprofundamento. Neste sentido, para 2015 temos um planejamento diferenciado, elaborado a partir da reflexão sobre o trabalho desenvolvido ao longo do ano passado, que nos apontou para a necessidade de formação da equipe, de produção de publicações a partir de nossa experiência, e de qualificação da oficina Os Tesouros da Família Arquivo, que foi a primeira a ser criada e oferecida às escolas, ainda em 2009, e tem como fonte primária documentos que retratam o contexto da escravidão no Rio Grande do Sul.

Assim como em 2013, ao identificarmos a urgência em criar uma oficina para o Ensino Médio que tratasse do tema ditaduras e direitos humanos, organizamos o planejamento daquele ano de forma que pudéssemos dedicar o primeiro semestre à criação da oficina, e o segundo à aplicação dela e das demais que já oferecíamos, este ano vamos dedicar o primeiro semestre à qualificação da oficina Os Tesouros da Família Arquivo e para outras produções:

  1. Produção de um fôlder de divulgação e de uma revista sobre as ações do Programa, entre fevereiro e março;
  2. Realização de curso de formação da equipe em parceria com o GT Emancipações e Pós-Abolição da ANPUH-RS, entre os meses de abril e maio, com calendário a ser definido. O curso será aberto para professores da rede pública de ensino e versará sobre escravidão, liberdade e pós-abolição a partir de documentos de arquivo;
  3. Reformulação, entre maio e a primeira quinzena de junho, da oficina Os Tesouros da Família Arquivo a partir do aprendizado construído no curso;
  4. Oferecimento às turmas escolares da referida oficina já qualificada, entre a segunda quinzena de junho e a primeira de julho, antes das férias escolares.

Em relação ao segundo semestre, aproveitaremos o período de férias escolares para fazer ajustes nas demais oficinas, “Desvendando o Arquivo Público: historiador por um dia” e “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, realizaremos em agosto a capacitação de novos oficineiros, voltada a estudantes de graduação em estágio curricular ou que desejem obter certificado de horas complementares, e em setembro retomaremos a agenda normal com as três oficinas, que se estenderá até a primeira semana de dezembro. No segundo semestre também pretendemos organizar e publicar um caderno de propostas pedagógicas para o momento “pós-oficina”, que contribuam para a continuidade do trabalho com Educação Patrimonial e documentos de arquivo após a vivência das turmas no APERS.

O contato para agendamento de oficinas poderá ser feito a partir de 01 de abril. As atividades são gratuitas e ofereceremos também o transporte para escolas. Desejando qualificar o agendamento, as marcações serão confirmadas mediante preenchimento de formulário que será enviado por nossa equipe aos professores e professoras. Outra novidade será um turno fixo quinzenal em que ofereceremos qualquer das três oficinas à noite. O objetivo é ampliar o trabalho com os cursos noturnos e com a EJA. Até o final de fevereiro divulgaremos em qual dia da semana isso ocorrerá. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br ou pelo fone (51)3288-9117.

Aproveitamos para reforçar a divulgação da distribuição das caixas pedagógicas AfricaNoArquivo, mais uma ação educativa de nossa instituição. As caixas estão disponíveis como doação para todas as escolas públicas de Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Viamão, e podem ser retiradas no Arquivo Público de segunda a sexta das 08:30h às 17h. Para conhecer melhor esse projeto clique aqui.

Que 2015 seja muito produtivo e nos possibilite ampliar o alcance do Programa de Educação Patrimonial UFRGS/APERS!

Relatórios 2014 – DIPEP: Programa de Educação Patrimonial

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logo-pep_curvas2014 foi um ano e tanto para nosso Programa de Educação Patrimonial, desenvolvido com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e compreendido no APERS como parte de nossas ações educativas. Como o nome já diz, o Programa abrange uma série de ações realizadas ao longo de todo o ano, envolvendo uma equipe de estagiários, bolsistas e servidores. Graças a importante parceria com a UFRGS pudemos receber recursos do Edital ProExt, Programa de Extensão Universitária do MEC, que viabilizou o pagamento de transporte para turmas escolares, de bolsas para seis estudantes de graduação em História que, junto aos estagiários do APERS, tiveram intensa atuação como oficineiros ao longo do ano, e também de publicações que já foram empenhadas e serão lançadas no primeiro semestre de 2015.

Ao total foram realizadas 128 oficinas, que atenderam 2.720 estudantes das séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Dentre essas oficinas é interessante destacar que quatro foram oferecidas como vivências para uma turma de graduação em História da FAPA, uma turma do curso técnico de Turismo do SENAC, um grupo de professores em formação do município de Santo Antônio da Patrulha e um grupo de profissionais de instituições de memória que participaram da atividade dentro da programação do Seminário da Rede de Educadores em Museus. Entre todas foram 55 oficinas “Os Tesouros da Família Arquivo”, para os 6º e 7º anos do Ensino Fundamental, 21 oficinas “Desvendando o Arquivo Público: historiador por um dia”, para os 8º e 9º anos, e 52 oficinas “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditaduras e Direitos Humanos”, para o Ensino Médio e EJA. No ano em que o Brasil rememorou os 50 anos do golpe militar de 1964 tivemos a oportunidade de debater o tema com mais de 1.000 estudantes, que vivenciaram esta última oficina criada no segundo semestre de 2013 a partir dos processos de indenização que compõem o acervo da Comissão Especial de Indenização salvaguardado pelo APERS.

Além das oficinas realizamos duas edições do Curso de Capacitação de Oficineiros, destinadas a estudantes de graduação em História e áreas ligadas ao Patrimônio Cultural. No primeiro semestre o processo de capacitação iniciou em 12 de março com 15 novos oficineiros. No segundo semestre foram mais 16 oficineiros que estiveram conosco a partir de 15 de agosto realizando seus estágios curriculares ou obtendo certificados de horas complementares. Esta ação se configura como um importante espaço de interação entre o APERS e as universidades, colocando o Arquivo como campo de estágio para graduandos, difundindo a educação patrimonial como metodologia de ensino e aprendizagem, e contribuindo para a formação de futuros educadores.

Também nos empenhamos no esforço anual de oferecer um espaço qualificado de formação continuada para professores, realizando a quarta edição do Curso Educação Patrimonial, Cidadania e Direitos Humanos, que contou com 35 inscritos e 18 professores que foram até o final da formação. Foi excelente debater diversos temas como escravidão e liberdade, gênero, ditadura e direitos humanos a partir do patrimônio e de documentos de arquivo, estimulando o acesso aos bens culturais assim como sua valorização, análise e crítica, oportunizando fruição, informação e ferramentas para a leitura do mundo e a produção de conhecimento.

Para difundir e compartilhar nossas experiências participamos de diversos eventos. Em agosto estivemos no XII Encontro Estadual de História, promovido pela ANPUH-RS, onde foram apresentados os pôsteres “História, memória e verdade: reflexão sobre desafios éticos a partir da aplicação da oficina Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, de autoria dos estagiários Gabriel Amorim e Guilherme Tortelli, e “Patrimônio, Escravidão e Ensino: abordagens e desafios éticos no ensino sobre escravidão no Rio Grande do Sul a partir da oficina Os Tesouros da Família Arquivo”, do estagiário Eduardo Hass e do bolsista Gustavo Malossi; e a comunicação “Construção da oficina Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos – memórias, história e ética”, de autoria da historiadora Clarissa Sommer Alves. Em setembro a historiadora Clarissa apresentou a mesma oficina no Seminário Arquivos, Ditadura e Democracia, promovido pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz – RJ) problematizando os papéis das instituições arquivísticas e as possibilidades de difusão e usos educativos de seus acervos. Em outubro participamos do 15º Salão de Extensão UFRGS, onde a estagiária Thaise Mazzei, sob orientação da professora Carla Rodeghero, apresentou a comunicação intitulada “Oficinas de Educação Patrimonial: graduandos e alunos da escola básica compartilhando um mesmo espaço de aprendizagem”, e em novembro da XX Jornada de Ensino de História e Educação, em que as historiadoras Clarissa Sommer, Nôva Brando e Vanessa Menezes ministraram para professores e estudantes de História uma versão adaptada da oficina Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos. No início de dezembro o Programa foi apresentado também no 1º Encontro Nacional de Extensão Universitária, que reuniu em Brasília professores e coordenadores de projetos e programas contemplados pelo edital ProExt, oportunidade em que fomos representado pelo professor Igor Teixeira, da UFRGS.

Outra ação realizada com apoio do Programa de Educação Patrimonial foi o projeto “AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil”, através do qual distribuiremos centenas de caixas pedagógicas para escolas públicas de diversos municípios da região metropolitana de Porto Alegre, e que será objeto de um relatório específico a ser publicado em breve.

Felizmente nossa atuação, que vem se desenvolvendo e consolidando desde 2009, foi novamente reconhecida através do Edital ProExt 2015, de forma que teremos recursos garantidos para os próximos dois anos. A parceria com a UFRGS, reafirmada institucionalmente através da renovação de nosso convênio no final de 2014, afirma-se como fundamental, demonstrando a partir dessa experiência conjunta muito bem-sucedida o quão frutífera pode ser a aproximação entre universidades, instituições de memória e sociedade. Conforme planejamento que também postamos hoje, temos uma série de novos objetivos e de novos planos para 2015, que passam pela qualificação das oficinas, de nossa equipe e do registro de nossas ações, assim como pela produção e publicação de reflexões. Que 2015 seja tão produtivo quanto 2014 foi!

O APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato V

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Nesta semana, disponibilizamos o último relato de Nôva Brando sobre o curso realizado no Arquivo Público de São Paulo. Nas últimas quartas-feiras, foram apresentadas reflexões a respeito das Unidades I e II do curso, Arquivos Públicos e Patrimônio Documental, da Unidade III, Ensino de História e Sequências Didáticas, da Unidade IV, Documentos Iconográficos e Cartográficos como recurso pedagógico e da Unidade V, Documentos Textuais como recurso pedagógico. Nessa quarta feira, no relato da Unidade VI, vamos saber um pouco mais sobre Periódicos como Recurso Pedagógico.

Jornal- Recurso Pedagógico

Segundo Nôva:

Quem nunca utilizou uma matéria/reportagem/conteúdo de jornal como recurso pedagógico, atire a primeira pedra?! Começo esse relato com essa pergunta-afirmação como forma de explicitar a dimensão da importância que teve essa unidade do curso. De fato, todos aqueles que já trabalharam ou trabalho com educação escolar, utilizaram-se, em algum momento, de produtos construídos pela imprensa escrita para construírem dinâmicas de trabalho em sala de aula. E para discutirmos, mais profundamente, o uso desse complexo instrumento de comunicação, transformado em fonte de pesquisa para historiadores, professores e alunos, foi-nos proposto a leitura do texto Na oficina do historiador: conversas sobre história e imprensa de Heloisa de Faria Cruz e Ensino de História com o uso de jornais: construindo olhares investigativos de Raquel França dos Santos Ferreira, e a construção de uma sequência didática a partir da seleção de uma temática de reportagens de periódicos.

No artigo de Heloisa, deparamo-nos com a problematização do uso que os historiadores fazem da imprensa como fonte de pesquisa e da discussão de procedimentos teórico-metodológicos para o tratamento dessa tipologia documental. Para ela, habilidades em lidar criticamente com ela, vem ganhando terreno nos espaços de formação dos professores-pesquisadores. Nessa leitura, também encontramos a sugestão de um roteiro e de procedimentos capazes de auxiliar na articulação da análise de qualquer jornal com o campo das lutas sociais no interior das relações no qual foi constituído. Conforme ela, um roteiro para análise da Imprensa Periódica deveria conter quatro itens: (1) Identificação do Periódico (título, subtítulo, datas-limites da publicação, periodicidade); (2) Projeto Gráfico (organização e distribuição dos conteúdos); (3) Produção e Distribuição; e (4) Projeto Editorial (movimentação e posicionamento político). Adverte por fim que “também na área da História, no ensino e na investigação sobre os mais variados temas e problemáticas, a utilização de materiais da imprensa hoje está cada vez mais generalizada. E sem dúvida, tais usos nos distanciam de um tempo em que a imprensa era considerada como fonte suspeita, a ser usada com cautela, pois apresentava problemas de credibilidade. Nestas últimas décadas perdemos definitivamente a inocência e incorporamos a perspectiva de que todo documento, e não só a imprensa, é também monumento, remetendo ao campo de subjetividade e da intencionalidade com a qual devemos lidar”.

Ferreira, por outro lado, a partir da seleção de atividade pedagógicas com jornais, realiza uma reflexão sobre a forma com tem percebido certa “marginalização” da utilização desse recurso, o qual ela entende como ferramenta potencializadora de aprendizagens. Nele, a autora apresenta algumas dinâmicas realizadas no Colégio Estadual Nilo Peçanha, na cidade de São Gonçalo. Detalhadamente, entramos em contato com a organização e o desenvolvimento do trabalho, dividido por ela em contextualização, contraste/comparação e retorno. Todos os trabalhos, conforme Raquel, visavam “aliar a leitura de jornais a sua utilização em aulas de História do Ensino Médio como forma potencializadora da aprendizagem da disciplina, em especial, com referência a temas do Brasil na História do Tempo Presente”. Ainda nesse texto, avalia a experiência de forma muito positiva em vários aspectos, dentre eles: “a possibilidade da integração entre disciplinas […] e a compreensão de os acontecimentos são sucessivos e simultâneos a outros, ajudando a consolidar entre os alunos a noção de tempo histórico”.

Essa foi nossa última unidade, depois disso passamos a trabalhar na construção do trabalho de conclusão do curso – a elaboração de uma sequência didática na qual fossem utilizados diversos tipos de fontes no curso trabalhados.

A sequência pedagógica elaborada pela historiadora do APERS será compartilhada aqui no Blog assim que for publicada no site do Arquivo Público de São Paulo. O registro das bibliografias completas utilizadas na unidade VI do curso pode ser acessado aqui.

O APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato IV

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Nesta semana, disponibilizamos o quarto relato de Nôva Brando sobre o curso realizado no Arquivo Público de São Paulo. Nas últimas quartas-feiras, foi apresentado aos leitores do Blog do Arquivo, reflexões a respeito das Unidades I e II do curso, que trataram sobre Arquivos Públicos e Patrimônio Documental, da Unidade III onde foi abordada a temática Ensino de História e Sequências Didáticas e da Unidade IV na qual esteve presente considerações sobre a utilização de Documentos Iconográficos e Cartográficos como recurso pedagógico. Nessa quarta-feira, no relato da Unidade V, teremos algumas considerações acerca do tema Documentos Textuais como Recursos Pedagógicos.

Seguimos com as impressões da historiadora Nôva:

     Acredito que essa tenha sido uma das unidades mais importantes do curso realizado no APESP. Ainda que as aulas de história tenham englobado em seus materiais didáticos pedagógicos diversificadas tipologias documentais nas últimas décadas, não temos como negar que o documento escrito e o texto ainda são matérias-primas essenciais e, na maior parte do tempo, ainda protagonistas no trabalho cotidiano de sala de aula. Isso quer dizer, por um lado, que a leitura e a escrita permanecem sendo condição e resultado de aprendizagens significativas no âmbito da história e quer dizer, por outro, que as abordagens em torno da leitura e da escrita também sofreram modificações no percurso histórico pelo qual passou o currículo e a disciplina de história. Para discutirmos a unidade assistimos o vídeo As palavras e a sala de aula e lemos dois textos, A escrita como condição para o ensino e a aprendizagem de história de Helenice Rocha e Estratégias de leitura e competência leitora: contribuições para a prática de ensino em História de Vânia Silva.

Documentos Textuais 2

     No texto de Helenice, entramos em contato com um dos problemas que afetam boa parte das salas de aula da Educação Básica, sobretudo as públicas – o insuficiente domínio da leitura e da escrita. Segundo a autora, isso refletiria diretamente no ensino-aprendizagem da disciplina de história, pautada na leitura e na escrita, cujo programa de aula é construído pelo professor a partir das expectativas acerca desse domínio pelos alunos. Dessa avaliação, alguns professores recorreriam as famosas cópias ao perceberem as fragilidades na formação da turma, que conforme Rocha não ensinam nem a ler nem a escrever. Por outro lado, existiriam professores que apostariam na produção do texto como objeto de reflexão daqueles que possuiriam condições de continuar aprendendo a ler e escrever. Ainda daquilo que considerei bem importante nesse texto, foi o apontamento de que a leitura e a escrita da história, assim como de qualquer área, requerem um tipo específico de letramento relacionado com elementos próprios do campo de conhecimento e que o papel do professor seria auxiliar “o aluno em sua formação histórica, a partir de uma racionalidade mais ou menos letrada, oral ou escrita”.

     Vânia defendeu que o trabalho com a linguagem, oral e escrita, não deve ficar reduzido às aulas de português. Segundo ela, ler é construir significados e cada campo do conhecimento os elabora de formas diferentes. Para Silva, é importante que o professor esteja atento a necessidade de sempre encontrar um bom objetivo para a leitura de um material e ao mesmo tempo propiciar a compreensão, por parte dos alunos, da importância daquela atividade. Nesse caso: “orientar a leitura dos alunos de modo sistemático pode representar uma valiosa contribuição para melhorar o seu desempenho”.

     Além dos textos, assistimos um vídeo produzido pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Professores de São Paulo, As palavras e a sala de aula (acessar preferencialmente pelo navegador Internet Explorer).

http://media.rededosaber.sp.gov.br/Portal_efap/2011/PEB_INGRESSANTES_II/HISTORIA/HISTORIA_MOD_04_FICCAO_PALAVRAS_E_SALA_DE_AULA.wmv

     A partir de um diálogo estabelecido em uma sala de professores, entre professores, a respeito de futebol, o vídeo nos aproximou de um elemento importante que compõem aquilo que chamamos de capacidade leitora, seja de um documento escrito ou seja de um discurso compartilhado oralmente: o contexto impresso nas palavras. Tomando como ponto inicial um relato sobre futebol e sobre a possibilidade do time de um dos professores sair da Primeira Divisão ou da Série A e ir para a Segunda Divisão, foi mencionado uma palavra repleta de contexto: a Segundona. Percebemos que trata-se de uma palavra conhecida para aqueles que acompanham campeonatos de futebol, o que não era o caso do outro professor envolvido na conversa. Para ele, tal palavra era vazia de significado, embora soubesse escreve-la ou lê-la, caso fosse solicitado. Desse simples diálogo, percebemos o quanto é necessário desnaturalizar a compreensão das palavras, dos textos escritos e falados e investir na compreensão de que os significados dos diferentes conteúdos precisam ser construídos. Para o conhecimento histórico, em específico, o documento escrito pode contribuir muito!

    E como forma de encerrar essa unidade, foi proposta uma atividade na qual deveríamos propor uma breve sequência didática a partir de um documento disponibilizado pelo APESP. Escolhi um texto sobre transporte ferroviário e propus a seguinte atividade (clique para acessar o PDF): Das ferrovias para as rodovias – o desenvolvimento do transporte em nosso país.

O registro das bibliografias completas utilizadas no quarto módulo do curso pode ser acessado aqui. Indicamos também a visita a Exposição Virtual do APESP – Ferrovias Paulistas (clique para acessar). Na próxima semana, vamos saber o aconteceu na Unidade VI – Periódicos como Recurso Pedagógico.

O APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato III

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Nesta semana, publicamos o terceiro relato de Nôva Brando sobre o curso realizado no Arquivo Público de São Paulo. Nas últimas quartas-feiras, foi apresentado aos leitores do Blog do Arquivo, reflexões a respeito das Unidades I e II do curso, que trataram sobre Arquivos Públicos e Patrimônio Documental, e da Unidade III na qual foi abordado a temática Ensino de História e Sequências Didáticas. Hoje, no relato da Unidade IV, encontraremos impressões acerca do tema Documentos Iconográficos e Cartográficos como Recurso Pedagógico.

Iconografia e Cartografia

Seguimos com o relato:

Esse foi um momento bastante interessante do curso. Se na unidade anterior pensamos na organização das práticas de ensino-aprendizagens cotidianos por meio da elaboração de sequências didáticas, nessa unidade pensamos na utilização daquilo que considero como documentos de potencial riquíssimo para o trabalho em sala de aula: mapas e fotografias. Para discutirmos as possibilidades pedagógicas a partir da transformação desses documentos em fontes históricas, lemos dois textos, assistimos um vídeo e realizamos tarefas a partir da análise de dois mapas do estado de São Paulo disponíveis na Exposição Oeste Paulista do APESP.

Na tese de doutorado de Daniela Marzola Fialho, Cidades visíveis: para uma história da cartografia como documento de identidade urbana, defendida no ano de 2010 no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entramos em contato com discussões sobre cartografia. Em seu trabalho, a autora abordou questões como a história da cartografia, a história dos significados e das diferentes interpretações cartográficas, a cartografia como representação relacionada ao imaginário, à identidade, à memória e ao esquecimento e o lugar que ela ocupa na produção das identidades e das subjetivações de determinados espaços. Essas problematizações foram propostas a partir do prisma dos mapas da cidade de Porto Alegre. Conforme Castro, autor mencionado pela autora: “através da história, mapas foram produzidos em diversas sociedades. Egípcios, chineses, astecas e nativos da Polinésia fizeram mapas que variavam em simbolismo, escala e materiais, com diferentes propósitos. Cada uma dessas tradições cartográficas representava a cultura da sociedade onde se originou. Nem sempre os mapas foram um produto do empirismo geográfico, tal como nosso senso comum os imagina.” Dessa forma, Daniela parte do pressuposto de que um mapa é uma construção social do mundo expressa pela cartografia, imagens que devem ser analisadas na sua especificidade, texto que permite ser lido, discurso que deve ser interpretado, produtor de identidade que pretendeu re-tratarum determinado espaço. Em suas palavras, “como representação do mundo, é uma construção imaginária (da realidade), mas que tem o poder não só de orientar o olhar e a percepção (do real) como também de criar a paisagem urbana que representa”.

Depois das discussões em torno da utilização de mapas em sala de aula, que ganharam um contorno para muito além de um instrumento de localização ou mera figura ilustrativa de determinados conteúdos, passamos a debater questões que dizem respeito à iconografia, mais especificamente a um tipo específico de imagem, a fotografia. Para realizá-las, assistimos o vídeo A arte de retratar a história – Caçadores de Alma, veiculado pela TV Brasil.

Por meio dele, entramos em contato com fragmentos da história da fotografia a partir de depoimentos e fotografias de Alberto Dinis, Américo Vermelho, Bob Wolfenson, Boris Kossoy, Cássio Vasconcellos, Evandro Teixeira, German Lorca, Jorge Araújo, José de Souza Martins, Kitty Paranaguá, Luiz Achutti, Maria Helena Machado, Maurício Vicente Ferreira Jr., Orlandro Brito, Vânia Toledo e Vladimir. Desde as imagens e as falas, o vídeo despertou-nos questionamentos sobre o valor da fotografia enquanto documento e a sua intencionalidade em deixar documentado para o futuro determinada situação, fato, pessoa, paisagem através de um olhar. Uma espécie de resistência da memória que registra um mundo que no instante seguinte não mais existirá para ser fotografado novamente.

Além do vídeo, lemos o texto de Ana Maria Mauad, Através da imagem: fotografia e história interfaces, no qual abordou o uso da fotografia no processo de construção do conhecimento histórico. Para isso, salientou a importância da compreensão histórica da fotografia “como uma mensagem que se elabora através do tempo, tanto como imagem/monumento quanto como imagem/documento”.

De certa forma, assim como nos debates sobre a utilização de mapas como instrumentos pedagógicos, nas discussões sobre a utilização de fotografias também foram levantados as mesmas preocupações quanto à subestimação de suas potencialidades. Para que isso não ocorra, entretanto, esses elementos apontados, mostraram-se pertinentes para serem desenvolvido também nas salas de aula. Em outras palavras, as dimensões históricas tanto dos mapas quanto das fotografias são elementos de abordagem indispensáveis junto aos alunos, da mesma forma que para eles seja fundamental a compreensão de que tanto um quanto o outro são formas de representação e de significação do mundo. São bem mais complexos que meras ilustrações despropositadas, mas para isso precisam ser questionados em sua historicidade.

Uma bom exemplo das potencialidades do trabalho pedagógico a partir de lentes cartográficas e iconográficas pode ser encontrado na exposição virtual, Oeste Paulista (para visualizar, clique aqui) produzida núcleo de difusão do Arquivo Público de São Paulo.

O registro das bibliografias completas utilizadas no quarto módulo do curso pode ser acessado aqui. Na próxima semana, vamos saber o aconteceu na Unidade V – Documentos Textuais como recurso pedagógico.

O APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato II

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Na semana passada, iniciamos uma série de relatos sobre curso realizado no Arquivo Público de São Paulo pela historiadora do APERS, Nôva Brando. Depois do Relato I, no qual foi apresentado aos leitores do Blog do Arquivo, algumas impressões sobre a Unidade I e II Arquivos Públicos e Patrimônio Documental, hoje publicamos o Relato II que tratará da Unidade III do Curso, Ensino de História e Sequências Didáticas.

Sequências Didáticas

Segundo Nôva:

Depois de entrarmos em contato com alguns conhecimentos arquivísticos como, por exemplo, a importância da gestão documental e as funções de um arquivo público, e com discussões em torno da relação dos arquivos com aquilo que hoje compreendemos como patrimônio documental, iniciamos nossa caminhada rumo à sala de aula da Educação Básica, conforme a proposta do curso.

Para a terceira unidade do programa, Ensino de História e Sequência Didática, os professores do curso nos solicitaram três leituras. A primeira delas foi um artigo publicado pela Revista Brasileira de História chamado A Guerra das narrativas, escrito por Christian Laville. A partir dele, discutimos aquilo que se esperou historicamente do ensino de história tomando como ponto inicial experiências nas quais ele foi utilizado ou para manter a ordem estabelecida, ou para reconstituir Estados, ou para lutar contra o Estado ou mesmo para definir uma identidade supranacional. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, segundo o autor, a função de educação para a cidadania democrática se pretendeu vencedora acerca das guerras de narrativas provocadas pelo ensino de história, deslocando uma pedagogia da história centrada no ensino para uma pedagogia da história centrada nas aprendizagens dos alunos. Entretanto, ainda que teoricamente o ensino de história deixasse de responder pela função de uma instrução nacional, permaneceu sendo acusado de não cumprir exigências de conteúdos que remetiam para tal pressuposto. E isto estaria ligado àquilo que o autor chamou de uma ilusão que remetia a possibilidade de que a narrativa histórica vivenciadas nas salas de aulas carregasse consigo grandes poderes. E por conta desse paradoxo, a importância da afirmação de que a tarefa do ensino de história é “formar indivíduos autônomos e críticos e levá-los a desenvolver as capacidades intelectuais e afetivas adequadas, fazendo com que trabalhem com conteúdos históricos abertos e variados e não com conteúdos fechados e determinados, como ainda são com frequência as narrativas que provocam disputas. Senão, essas guerras de narrativas desencadeadas em todo o mundo vão acabar gerando somente perdedores, tanto no que diz respeito a identidade nacional quanto em relação à vida democrática”.

Os debates continuaram com a leitura de um texto de Helenice Rocha, Problematizando a organização do ensino de História. Nele a aula torna-se objeto central, como “uma forma de organização do ensino na escola, envolvendo um planejamento como também a própria realização e consequente avaliação”. Como uma forma possível de organização, a autora defende a proposta de uma Sequência Didática Problematizadora na qual o professor e o aluno realizam atividades interdependentes que se constituem como passos da aula ou de um conjunto de aulas. Lembrou-nos que um dos apontamentos feito pelos professores, que questionam a viabilidade de uma Sequência Didática em meio a uma carga horária reduzida de disciplina de história. Em resposta a isso, advertiu-nos da tendência equivocada de montar uma sequência incluindo todo o conteúdo de um determinado período histórico levada a cabo por muitos professores que descaracterizam a ideia inicial. Conforme a autora residiria nesse ponto a agência do professor e do aluno enquanto sujeitos ativos da construção histórica inclusive da disciplina de história e que para tanto, seria necessário tomar para si a responsabilidade da seleção e dos recortes necessários de uma tradição existente no ensino, construindo com isso novas possibilidades de aprendizagem e uma nova tradição, por que não.

Foi da leitura desses dois textos que entramos no universo da sala de aula, ainda que, sem os usos de documentos de arquivo. De uma certa forma, assim penso, foram importantes para discutirmos organização e intencionalidade curriculares e para percebermos que são históricas e que portanto, cabe ao professor a sua desnaturalização e (re)construção sempre que isso for necessário à qualificação do ensino e das aulas de história, especificamente. Na próxima unidade iremos ao encontro dos documentos de arquivo.

O registro das bibliografias completas utilizadas no terceiro módulo do curso pode ser acessado aqui. Na próxima semana, Nôva nos contará um pouco mais sobre a Unidade IV – Documentos Iconográficos e cartográficos como recurso pedagógico.

APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato I

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A partir de hoje até o dia 24 de dezembro, o Blog do APERS contará com uma série de cinco relatos da historiadora Nôva Brando acerca do curso realizado no Arquivo Público de São Paulo. O curso, conforme o relato geral da semana anterior, foi dividido em seis unidades. Hoje, serão relatados os aprendizados e experiências vividos a partir da temática Arquivos Públicos e Patrimônio Histórico Documental.

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Seguimos, então, com o relato de Nôva:

     Na unidade I, Arquivos Públicos: Histórico e Funções Atuais, trabalhamos com noções básicas de Arquivologia a partir da Lei 8.159 de 1991, que dispôs sobre a Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados. Para isso, assistimos o video Arquivologia: Conceituação e Finalidades do Arquivo. Sobre seu conteúdos, foram abordadas questões sobre conceito de arquivo e sobre suas finalidades, tais como guarda, preservação e acesso à documentação. Também assistimos os vídeos produzidos pelo APESP, Gestão Documental e Acesso à Informação e Lei de Acesso à Informação. A partir deles, discutimos o papel que o Arquivo de São Paulo passou a desempenhar, a partir da regulamentação da Lei de Acesso no Estado de São Paulo. Nesse caso, uma das suas principais atribuições, assim como de vários outros arquivos do país, passou a ser de tornar acessível toda e qualquer documentação sob sua custódia que não esteja classificada como sigilosa.

     Como atividade de encerramento dessa unidade, foi-nos solicitado a leitura de dois textos e a realização de um questionário sobre o seus conteúdos. O primeiro deles, escrito pela arquivista Heloísa Bellotto, Da administração à história: ciclo vital dos documentos e função arquivística, fundamentou noções importantes da arquivologia, levantou questões conceituais ligadas as três idades dos documentos, compreendidas dentro da lógica de um ciclo vital. Conhecemos um pouco das características dos documentos que passam por uma ou pelas três idades, a dos arquivos correntes, dos intermediários e dos permanentes e como nelas atuam (ou não) as tabelas de temporalidade. Já no texto das historiadoras do APESP, Andresa Barbosa e Haike da Silva, Difusão em Arquivos: Definição, políticas e implementação de projetos no Arquivo Público do Estado de São Paulo, foram abordadas questões a partir daquilo que foi identificado pelas autoras como atividades ligadas, conceitual e estruturalmente, à difusão em arquivos. Seguno elas, a ação editorial e a ação educativa, meios pelos quais a sociedade conhece o patrimônio documental, “devem ser colocadas em primeiro plano nas políticas institucionais dos arquivos, como parte de uma relação de interdependência entre recolhimento, custodia, preservação e gestão documental”.

     Na unidade II, Patrimônio Histórico-Documental, três foram as leituras que guiaram os fóruns e atividades de avaliação propostos aos alunos. O texto de Ferrarezi e Romão, Arquivo, documento e memória na concepção discursiva, levantou a possibilidade de uma leitura à luz da teoria do discurso para visitar a noção de arquivo. Segundo as autoras, para além do lugar científico já consolidado, seria possível um diálogo com a concepção da análise do discurso que considere os sujeitos, os discursos, as memórias e a ideologia como elementos fundantes desses espaços. No final do artigo, elas seguem com considerações que julgamos muito pertinentes de serem discutidas pelos profissionais de arquivo: “a primeira delas e a de que os arquivos são vistos não como um recorte da realidade, mas como resusltado de injunções ideológicas que direcionariam a construção de uma ordem formada por certos documentos e não por outros, o que implica considerar que essa ordem foi produzida sócio-historicamente. Essa assertiva combina com a nossa segunda consideração, tão cara à teoria do discurso: a que de, ao dizer, o sujeito sempre cala algo, assim, um arquivo ordenado de uma maneira, crivado por uma sequência de documentos, mobilizador de certas fontes, fixador de um modo de dizer sobre um tema, sempre silencia outra ordenação, outros modos possíveis de dizer e outras fontes .[…] a terceira consideração: a necessidade de interpretar os processos de produção, constituição e circulação dos sentidos […]”.

     Já na leitura de Eloisa Caimi, Fontes históricas na sala de aula: uma possibilidade de produção de conhecimento histórico escolar, assim como na leitura de Andresa e Haike, pudemos seguir na aproximação com a escola. A autora trabalhou com a incorporação e a utilização de fontes históricas nas aulas de história e suas repercussões nos debates acadêmicos, enquanto possibilidades de instrumentalizarem a produção de conhecimentos históricos na Educação Básica. Essa problematização ocorreu por meio da análise de manuais escolares antigos e livros didáticos atuais, bem como nas políticas públicas como PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) e PNLD (Plano Nacional do Livro Didático). Ainda nessa unidade, trabalhamos com o clássico texto Documento/Monumento de Le Goff, no qual o autor problematiza o documento a partir de uma analogia entre ele e o monumento. Dentre as considerações importantes, Le Goff adverte que o documento tal como o monumento possui uma história e que todos que com ele trabalham devem conhecê-la; lembra também, que assim como um monumento, sua produção foi intencional e que cabe àqueles que hoje a analisam descobrirem quais foram os objetivos que a caracterizaram. E, ainda, apontamos que assim como sobre o monumento, sobre o documento é necessário lançarmos olhares questionadores mais que olhares contemplativos.

     Como tudo, um pequeno recorte daquilo que tive oportunidade de aprender nesses dois primeiros módulos do curso.

O registro das bibliografias completas utilizadas nos dois primeiros módulos do curso pode ser acessado aqui. Na próxima semana, Nôva nos contará um pouco mais sobre a Unidade III – Ensino de História e Sequências Didáticas.

O APERS marcou presença na Oficina “O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula” do APESP

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Ação Educativa APESPA segunda edição do ano de 2014 da Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula promovido pelo Núcleo de Ação Educativa do Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) aconteceu entre os dias 26 de agosto e 10 de novembro na modalidade EAD. E Nôva Brando, historiadora do APERS, acompanhada de professores e profissionais ligados a instituições de guarda e preservação da memória de diversos estados do Brasil, participou de todas as etapas e atividades propostas no programa do curso. Ao todo foram 60 horas de curso, das quais 48 horas na modalidade de ensino a distância e 12 horas na modalidade presencial. Seguem alguns relatos de Nôva:

“O curso foi dividido em sete unidades, trabalhadas na modalidade à distância, e dois encontros presenciais. O primeiro deles aconteceu no início de setembro. Nele tivemos a oportunidade de conhecer as diversas atividades realizadas pelo APESP, desde os Centros que fazem parte do Departamento de Gestão do Sistema de Arquivos do Estado de São Paulo até os Centros que formam o Departamento de Preservação e Difusão de Acervo. Compõem o segundo, o Centro de Acervo Permanente, de Acervo Iconográfico e Cartográfico, de Preservação e de Difusão e Apoio à Pesquisa, ao qual está subordinado o Núcleo de Ação Educativa. Durante essa visita monitorada, conversamos com diversos profissionais ligadas a cada um desses centros.”

“Seguiram-se a isso, dois meses de trabalho via Moodle, plataforma de ensino utilizada como ferramenta para a efetivação das atividades de muitos cursos a distância. Em média, cada uma das sete unidades foram trabalhadas em um período de uma semana. Na primeira unidade, Arquivos Públicos: histórico e funções atuais, trabalhamos com noções básicas de arquivologia: conceitos, finalidade de um arquivo, gestão documental, difusão documental e acesso à informação. Na unidade dois, Patrimônio histórico-documental, discutimos muito o conceito e compreensão do que seja um documento, sua relação com a memória e com o ensino de História. Depois disso, na terceira unidade, Ensino de História e Sequências Didáticas, problematizamos a organização do ensino de história e seu potencial em meio a uma guerra de narrativas. Na quarta unidade, Documentos Iconográficos e cartográfico como recurso pedagógico, foram trabalhadas as possibilidades de trabalho a partir da fotografia e da cartografia e suas contribuições para discussões sobre identidade, por exemplo. Na sequência, na quinta unidade, Documentos Textuais como Recurso Pedagógico, importantes questões foram abordadas, tais como o entendimento da escrita e da competência leitora como condição para o ensino e a aprendizagem da história. Na sexta unidade, Periódicos como Recurso Pedagógico, nos debruçamos sobre o trabalho com a imprensa escrita e a sua contribuição na formação de olhares investigativos tão necessários ao processo de ensino-aprendizagem.” Nas próximas semanas, a servidora elaborará textos individuais sobre os trabalhos desenvolvidos em cada uma das unidades mencionadas.

Por fim, como proposta de fechamento da Oficina, os cursistas passaram a trabalhar com a Elaboração de uma Sequência Didática, que funcionou como um trabalho de conclusão, no qual puderam abordar uma série de conhecimentos construídos no decorrer dos dois meses de leituras e de realização de atividades. Assim, no segundo encontro presencial em novembro, foram apresentadas as Sequências Didáticas.

Nessa oportunidade, os cursistas apresentaram propostas de trabalho didático com documentos de arquivo, em formato de sequência didática. Dentre as temáticas abordadas, foram compartilhadas propostas sobre a Anistia, a Imigração, o Oeste Paulista e as Ferrovias, Propaganda, Revolução Constitucionalista de 1932, a Segunda Guerra Mundial e sobre o Rio Tietê. A historiadora do Arquivo, considerando a trajetória do APERS de fomento a atividades internas e externas relativas ao período da Ditadura, elaborou uma sequência didática a partir de documentos custodiados pelo APESP sobre a Anistia de 1979, que será divulgada aqui no Blog, assim que for publicada pelo Arquivo Público de São Paulo.

Parte da Equipe do Centro de Difusão e NôvaFoi também durante os dois encontros que Nôva Brando pode conhecer um pouco mais das Ações Educativas desenvolvidas pelo APESP ao ser convidada a participar de uma reunião com os servidores do Centro de Difusão e Apoio à Pesquisa da Instituição. A coordenadora do Núcleo de Ação Educativa, Andresa Barbosa, elaborou uma apresentação na qual foi mencionada cada uma das ações desenvolvidas: A sala de aula no Arquivo, Ateliê Infantil, Visita Monitorada, Conhecendo o DEOPS/SP, Oficina Pedagógica, O Professor no Arquivo, atividades que atendem desde crianças da educação infantil até o professor da Educação Básica.

Nôva também apresentou, em outra oportunidade, as Ações Educativas desenvolvidas pelo APERS. Nesse momento estiveram presentes vários servidores do Centro de Difusão e Apoio à Pesquisa do APESP, além de funcionários do Arquivo Histórico de São Paulo, do Arquivo Nacional, de arquivos de outras cidades do interior de SP, para citar alguns.

Foram mencionados os eventos e os cursos diversos promovidos ou apoiados pelo APERS e, sobretudo, apresentados o Programa de Educação Patrimonial UFRGS&APERS, o Projeto ÁfricaNoArquivo e o Projeto APERS? Presente, professor!. Segundo relata a historiadora Nôva, “a percepção foi de que as atividades desenvolvidas tanto pelo APERS quanto pelo APESP em muito se assemelham na medida em que ocupam papel indispensável de aproximação e apropriação da comunidade em relação a instituição”.

Além das aprendizagens mais pontuais, relativas à participação da historiadora na oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula, o Arquivo Público do RS vislumbra muitas possibilidades de qualificação das atividades que desenvolve a partir de momentos de troca como caracterizaram as aulas acompanhadas e os encontros vividos no Arquivo Público de São Paulo.

APERS na XX Jornada de Ensino de História e Educação

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     Na semana passada, nos dias 3 e 4 de novembro, Clarissa Sommer, Nôva Brando e Vanessa Menezes, historiadoras do Arquivo Público do RS, participaram da XX Jornada de Ensino de História e Educação, realizada na Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Convidadas a ministrar a Oficina Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos no evento, tiveram também a oportunidade de assistir a conferências, mesas e simpósios temáticos.

     No turno da tarde de segunda-feira, participaram da mesa Professores de História e Experimentações, com Nilton Mullet Pereira (UFRGS); Dália Leindecker (Rede Estadual de Ensino); Adriana Senna (FURG) e depois disso acompanharam o Bate-papo Culturas Juvenis, com Carmem Zeli de Vargas (UFRGS). Ainda na noite desse dia, prestigiaram a Conferência de Abertura Desafios da História do Tempo Presente, com Helenice Aparecida Rocha (UERJ).

     Na terça-feira pela manhã, foi o momento de realizarem, com os participantes da Jornada, a vivência da Oficina Resistência. Cerca de 20 pessoas, entre estudantes e professores, participaram da dinâmica proposta pelas historiadoras. Em um formato adaptado para o Evento, as atividades contaram com recursos multimídia, que possibilitaram apresentar as etapas da oficina desenvolvidas nas dependências do APERS. Em seguida, todos os participantes puderam manusear os materiais que compõem as caixas pedagógicas, seguindo praticamente a mesma metodologia aplicada com os alunos do ensino médio que a instituição costuma receber nas vivências. Foi um sucesso!!!

   No turno da tarde participaram das comunicações, nas quais estudantes, pesquisadores e professores puderam apresentar trabalhos. Dentre as apresentações, tivemos um trabalhos inscrito pela Nôva, A História do Tempo Presente, Presente! O Ensino da História da Ditadura Civil-Militar Brasileira a partir do Uso de Fontes Arquivísticas, cujo objeto de análise foi um projeto em desenvolvimento no APERS. E no turno da noite, um pouco antes de retornarem para Porto Alegre, ainda puderam acompanhar a mesa Ensino de História e Direitos Humanos, formada pelos professores Solon Viola (UNISINOS) e Helenice Aparecida Bastos Rocha (UERJ).

    Além da vivência, Clarissa, Nôva e Vanessa escreveram um artigo intitulado Ação Educativa e Educação Patrimonial em Arquivos: a Oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos” no APERS. Divulgaremos por aqui as produções escritas para o Evento assim que forem publicadas.

Participe da Capacitação de Oficineiros em Educação Patrimonial!

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  Ao longo do 1º semestre de 2013 a equipe do Programa de Educação Patrimonial do APERS esteve envolvida com a criação de uma nova oficina e com o desenvolvimento de outra edição do curso de formação para educadores. Agora, iniciando o 2º semestre, chegou o momento de nos prepararmos para voltar a receber as escolas e suas turmas! Assim, em breve ofereceremos mais uma edição da Capacitação de Oficineiros em Educação Patrimonial, e gostaríamos de convidar você!

 O objetivo central da atividade é colocar estudantes de graduação em contato com a teoria e a prática da Educação Patrimonial, refletindo sobre as relações entre bens culturais e educação. Se você é estudante de História ou de outros cursos ligados ao patrimônio, neste semestre contribua com nosso Programa, conheça o Arquivo por dentro, aproprie-se de debates a cerca dos usos dos bens culturais nos processos educativos, e ajude-nos a realizar oficinas com turmas da Educação Básica.

  Confira aqui o cronograma da capacitação. A participação é gratuita, as vagas são limitadas e as inscrições vão até o dia 16/08/13. Você pode atuar realizando seu estágio curricular obrigatório conosco, ou obtendo certificado de horas complementares (40h). Participe!

2013.08.07 Capacitação Oficineiros 2013

APERS na Oficina Educação Patrimonial em Museus e Arquivos: teoria e prática

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     Entre os dias 24 e 26 de outubro as historiadoras Clarissa Sommer Alves e Natália Souza Silva, membros do núcleo de Ação Educativa do APERS, estiveram em São Paulo para participar da Oficina Educação Patrimonial em Museu e Arquivos: teoria e prática, realizada pela Associação de Arquivista de São Paulo e ministrada pela Profª Dra. Maria de Lourdes Parreiras Horta, pioneira na introdução da Educação Patrimonial no Brasil. O curso ocorreu nos dias 25 e 26 de outubro, na USP.

    Nesta oficina puderam reforçar os conhecimentos já aplicados no Programa de Educação Patrimonial do APERS, tendo contato com outras instituições brasileiras que atuam na área, trazendo novos referenciais teóricos e ideias de metodologias e práticas.

     Aproveitando a viagem até aquele estado, na tarde de 24 de outubro Clarissa e Natália participaram de visita técnica ao Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP), realizada pelas servidoras Haike Roselane Kleber da Silva e Andresa Cristina Oliver Barbosa, a quem agradecemos muito pela receptividade e parabenizamos pela dedicação e carinho com que desempenham suas funções no APESP. Este arquivo inaugurou recentemente sua nova sede, que possui estrutura e organização exemplar para guarda, tratamento, difusão e acesso à documentação. Lá nossa equipe teve contato com diversos setores do APESP, como difusão e ação educativa, conservação, restauro, informática, iconografia, entre outros, aprendendo muito com as colegas paulistas. Conheça um pouco mais a partir das fotos na galeria abaixo.

     Também visitaram a Pinacoteca de São Paulo, na noite de 25 de outubro, com olhar atento às ações educativas lá realizadas. Destacam-se os jogos pedagógicos elaborados para apropriação das exposições por parte das crianças, e a forte preocupação daquela instituição com a acessibilidade, que se expressa na realização de exposições receptivas a cidadãos com as mais diversas deficiências.

     Acreditamos que a ida a São Paulo foi de suma importância para a qualificação de nossas ações na área de difusão, especialmente no campo das ações educativas. Pretendemos em breve estar divulgando no blog novas atividades e oficinas que sejam frutos desta rica experiência!

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Capacitação de Oficineiros: você sabe o que é?

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     Desde 2009 o APERS oferece à comunidade oficinas de Educação Patrimonial que trabalham a relação entre história, memória, identidade e cidadania a partir da observação, análise e reflexão do patrimônio custodiado pela instituição. As oficinas têm como público as turmas das séries finais do ensino fundamental, porém, elas fazem parte do Programa Educação Patrimonial e Cidadania, que é mais amplo e está estruturado em eixos:

   Assim, um dos eixos fundamentais de ação do Programa é a capacitação de oficineiros, que ocorre semestralmente e tem como objetivo contribuir para a formação de futuros educadores para que possam utilizar a Educação Patrimonial como ferramenta de ensino e aprendizagem, sendo capazes de mediar a relação entre seus educandos e a apropriação, reflexão e crítica do patrimônio cultural.

     Para isto a capacitação é organizada em 04 encontros teóricos, que incluem apresentação do APERS e do Programa, manuseio e discussão dos materiais das oficinas, leitura e discussão de textos da área de patrimônio; 01 encontro de observação, e que os capacitandos assistem à equipe do APERS realizando oficina com turma de alunos da Educação Básica; e 06 práticas, quando os futuros educadores realizam todos os passos das oficinas atuando com os grupos escolares.

    A formação é oferecida de maneira totalmente gratuita e em duas modalidades:

1- Estágio Curricular Obrigatório: para aqueles estudantes que precisam desenvolver seus estágios curriculares em instituições de memória com ações vinculadas à educação;

2- Horas Complementares: para aqueles estudantes que desejam obter certificado de horas complementares em atividades de extensão (40h).

    Divulgue, participe e ajude-nos a construir uma nova postura em relação aos patrimônios culturais e novas práticas educativas, que se utilizem dos bens culturais como fontes de conhecimento, que estreitem as relações entre as instituições de memória e as escolas, que sejam mais lúdicas e dinâmicas, e que consolidem a compreensão de que educação não se faz apenas dentro das salas de aula.

   Saiba mais.

Capacitação de oficineiros: inscrições abertas!

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