APERS Entrevista: Analistas PROCERGS

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No mês de agosto completamos 10 anos do primeiro atendimento documentado via Sistema de Administração de Acervos Públicos – AAP (para saber mais clique aqui). Hoje entrevistamos Diones Rossetto e Viviane Hekman, analistas da Companhia de Processamento de Dados do RS – PROCERGS que atualmente são responsáveis por assessorar o Arquivo Público do RS nas demandas do sistema AAP.

2016-09-14-apers-entrevista-analistas-procergs FOTO PROCERGS

Diones Francisco Rossetto, 30 anos, é graduado em Ciência da Computação pela PUC/RS e pós-graduado em Engenharia de Software pela UNISC. É analista de Computação na PROCERGS e trabalha com o sistema AAP desde 2011.

Viviane Therezinha Langone Hekman, é graduada em Processamento de Dados pela Unisinos, especialista em Análise de Sistemas pela PUC/RS e em Gestão Empresarial pela ESPM. É analista de Sistemas na PROCERGS e trabalha com o sistema AAP desde 2004, quando iniciou o levantamento de requisitos para informatização do APERS.

Blog do APERS: O sistema AAP foi desenvolvido em sua totalidade pelas equipes do Arquivo Público do RS e da PROCERGS. Qual foi o maior desafio ao receber essa demanda?

Diones: Dentre os inúmeros desafios que este sistema nos apresentou, o principal deles foi desenvolver um sistema que atenda o cliente de forma plenamente satisfatória e atenda os requisitos necessários da área de arquivística.

Viviane: O maior desafio foi a normalização dos processos de indexação dos documentos, isso foi condição sine qua non para viabilizar a informatização do APERS. Para este processo houve uma imersão dos técnicos da PROCERGS e ativa participação colaborativa dos arquivistas do APERS com apoio total da Diretora da instituição, na época a Sra. Rosane Feron. Na normalização dos processos, o APERS aderiu a norma ISAD (G) e posteriormente a Nobrade. Para que fosse possível informatizar os serviços de atendimento ao público, houve normalização também dos processos de atendimento ao cidadão/pesquisador.

Blog do APERS: Para iniciar o trabalho de desenvolvimento do sistema foi necessário se apropriar de alguns conceitos e teorias que fundamentam a arquivística. O que mais chamou a sua atenção sobre essa nova área?

Diones: Toda a parte de terminologia, acervos e organização documental requereu bastante estudo e, como não possuía conhecimento prévio, foi muito interessante essa experiência.

Viviane: Foi o embasamento nos quatro pilares da arquivologia, ou seja, classificação, avaliação, descrição e preservação. Bem como o gerenciamento de políticas e ações arquivísticas, na preservação do patrimônio histórico.

Blog do APERS: Como a experiência em trabalhar com o sistema AAP colabora para que vocês pensem o acesso a informações e documentos no desenvolvimento de novos sistemas?

Diones: A experiência em trabalhar no AAP e em temas de arquivos, certamente trouxe muito mais informações sobre a forma de documentação, sobre a organização dos acervos nos arquivos, sobre história e genealogia.

Viviane: Com os resultados obtidos no uso do sistema AAP introjeta-se a importância de gerenciar e administrar documentos, aplicando os conceitos e teorias utilizados pela Arquivologia. Esses conceitos permitem às empresas públicas ou privadas maior controle sobre as informações que produzem e custodiam, bem como otimizar a logística dos espaços para a guarda dos documentos, permitindo desta forma, prestarem serviços com mais eficiência e rapidez, atendendo adequadamente aos cidadãos.

Blog do APERS: Hoje em dia é bastante comum acessar serviços por aplicativos. Disponibilizar o acesso ao sistema AAP pelo aplicativo RS Móvel foi uma iniciativa de vocês, como surgiu a ideia?

Diones: A ideia surgiu devido a um trabalho que estava fazendo na disciplina da Pós-Graduação que estava cursando na época, na qual pude ter contato com o desenvolvimento de tecnologia móvel. Como o AAP não possuía tal recurso, decidimos criar essa ferramenta e adicionarmos ela ao RS Móvel, e ao mesmo tempo, permitir uma melhor experiência dos usuários do APERS durante suas pesquisas e atendimento com o uso dessa inovação tecnológica.

Viviane: O Diones teve uma disciplina sobre tecnologia móvel no curso de pós-graduação que cursou em 2015/2016, daí surgiu a oportunidade de aplicar este conhecimento no desenvolvimento da plataforma da Pesquisa de Documentos também para o RS Móvel.

Blog do APERS: Sabemos que muitos programas de gerenciamento de documentos e informações são desenvolvidos por profissionais da área de tecnologia da informação sem o auxílio de arquivistas ou conhecimento da teoria arquivística. A partir da parceria entre profissionais da PROCERGS e do APERS, quais dicas vocês podem dar aos profissionais da tecnologia da informação ao desenvolverem sistemas com essa finalidade?

Diones: A área de arquivística é uma área muito rica e o desenvolvimento de soluções para a mesma e requer muito suporte, informações e ajuda de profissionais dessa área, a fim de entregarmos um sistema de suporte eficiente aos conceitos de arquivologia, tão importante para a manutenção da história da sociedade.

Viviane: No processo de informatização de toda atividade/negócio é essencial a parceria entre profissionais de informática e de quem detém o conhecimento, para a excelência no resultado final.

Sistema AAP: há 10 anos facilitando o gerenciamento do patrimônio documental do RS

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    No mês de agosto completamos 10 anos do primeiro atendimento documentado via Sistema de Administração de Acervos Públicos – AAP! O Sistema AAP foi concebido a partir de uma parceria entre as equipes do Arquivo Público do RS e da Companhia de Processamento de Dados do RS – Procergs, para atender a necessidade de gerenciamento do patrimônio documental custodiado pelo Arquivo.

    Para tanto, as equipes iniciaram o trabalho de planejamento e implementação do sistema anos antes, uma vez que tanto o APERS precisava sistematizar seus procedimentos, quanto a equipe da Procergs tinha de compreender conceitos e necessidades específicas do campo da Arquivologia. Por não existir no mercado um sistema que atendessem às funcionalidades demandadas, o sistema AAP foi desenvolvido na sua totalidade tendo por base a Norma Geral Internacional de Descrição Arquivística – ISAD(G). Para saber mais sobre as características técnicas do sistema clique aqui.

    Em 16 de maio de 2005 começaram a ser cadastrados no sistema os primeiros dados básicos dos itens documentais custodiados pelo APERS, com isso podemos localizar rapidamente os documentos para sua disponibilização aos usuários. Atualmente possuímos cadastrados no sistema dados de 620.315 itens documentais, sendo que temos os dados e a disponibilização das imagens de 30 mil documentos. Estes referem-se as Cartas de Liberdade do período da escravidão no RS, 1763 a 1888, que foram contempladas pelo projeto “Documentos da Escravidão no Rio Grande do Sul” (para saber mais clique aqui).

    No último dia 16 completou 10 anos do primeiro atendimento registrado via sistema AAP, isso significa maior controle e confiabilidade na disponibilização dos documentos custodiados pelo Arquivo Público do RS. O sistema possibilita identificar a localização dos documentos, os usuários e os atendimentos realizados e contribui significativamente para a preservação dos acervos, uma vez que reduz a quantidade de manuseio dos mesmos.

    A inserção dos dados dos itens documentais permanentes no sistema AAP requer um preparo anterior, que demanda recursos humanos, financeiros e tempo. Assim, nossas equipes trabalham continuamente para que os dados dos acervos custodiados pelo APERS sejam disponibilizados via sistema.

Aconteceu no APERS o Seminário de Políticas Públicas e Acervos Documentais

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            Na sexta-feira, dia 05 de agosto, aconteceu no APERS o Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais, que contou com a participação de um público que lotou o auditório da instituição. O evento foi aberto com as boas vindas da Diretora Aerta Moscon, que falou da importância do debate em torno de políticas públicas que visem a promoção da gestão, da preservação e da difusão de acervos documentais.

            Com a mediação da professora Claudira Cardoso, Sônia Constante e Débora Flores foram as primeiras palestrantes da tarde. Noções Teóricas em questão de Políticas Públicas Arquivísticas foi o nome dado pela Professora Sônia (UFSM) para sua apresentação. Começou tratando das competências nas diferentes esferas de governo e dos impostos e receitas federais, estaduais e municipais, a partir de informações contidas em portais institucionais, como forma de introduzir as discussões a respeito de políticas públicas, de modo geral, e depois de políticas públicas relacionadas a arquivos. Na sequência, partindo de exemplo de dados noticiados por alguns meios de comunicação, comentou a relação entre imprensa, comunicação e poder e a relação delas com as Políticas de Estado. Depois disso, Sônia trabalhou com o conceito de Jose Maria Jardim para Políticas Públicas Arquivísticas, “o conjunto de premissas, decisões e ações – produzidas pelo Estado e inseridas nas agendas governamentais em nome do interesse social – que contemplam os diversos aspectos (administrativo, legal, científico, cultural, tecnológico, etc.) relativos à produção, ao uso e à preservação da informação arquivística da natureza pública e privada”. Lembrou que de acordo com a legislação, caberia ao Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) a elaboração e ao Arquivo Nacional, a implementação e o acompanhamento de uma política nacional de arquivos, no âmbito de um Sistema Nacional de Arquivos (SINAR) –  o caminho entre a legislação e a efetiva implementação, foi palco de discussões ao longo do Seminário. Ainda em sua fala inicial, tocou em outros dois assunto. O primeiro deles, sobre o Modelo de Gestão de Llansó Sanjuan que dentre outras exigências, prevê a necessidade de recursos humanos e econômicos para implementação de uma política de sucesso. Por fim, falou para os participantes da necessidade da presença de abordagens sobre políticas públicas arquivíticas nos currículos dos cursos de arquivologia. E encerrou sua fala problematizando o projeto de Emenda Constitucional nº 241/2016 (PEC 241), que tramita no Congresso Federal e que institui um novo regime fiscal, o qual desvincula os gastos e investimentos do setor público à receita de impostos e ao Produto Interno Bruto. Com a possibilidade de sua aprovação, deixou a seguinte pergunta: Seria possível, diante deste cenário e de maiores restrições de recursos, a efetivação de uma política pública para arquivos?

            Rosani Feron, diretora do Arquivo Histórico de Porto Alegre Moisés Vellinho, retomou o conceito de Jardim para problematizar a existência de políticas públicas de arquivo no Brasil em sua apresentação intitulada Políticas Públicas de Arquivo. Além desse autor, a palestrante recorreu aos elementos, apontados por Renato Tarcísio, necessários para efetivá-las, como a necessidade de definição das ações e metas a serem realizada, a implementação de processos e meios para colocá-las em prática e as normas para dar a garantia legal a ações. Conforme Rosani, teríamos uma quantidade expressiva de leis e normativas sobre arquivos, entretanto, estariam faltando os meios para colocá-las em prática. O Arquivo Nacional, responsável por implementar e acompanhar a Política Nacional de Arquivos, definida pelo Conselho Nacional de Arquivos, não cumpriria os objetivos, justamente pela ausência de dotação orçamentária prevista para a execução de políticas públicas de arquivo em esfera nacional. De acordo com a gestora, portanto, a inexistência de recursos destinados à execução de uma política nacional de arquivos seria o elemento central para a não efetivação daquilo que é previsto em legislação.

            No segundo momento da tarde, conduzido por Jonas Melo, Débora Flores levantou, com a apresentação de Os Documentos Digitais e o uso do Processo Eletrônico, inquietações sobre a produção de documentos digitais. Segundo a palestrante, seriam poucas as experiências de preservação digital comprovadas e experimentadas por instituições se comparadas às experiências com manuscritos ou com impressos. Ressaltou, entretanto, que os documentos digitais estão sendo produzidos em escala crescente e que o respeito a normas e a procedimentos legais para a gestão e a preservação desse material seria mais que urgente – lembrou que a responsabilidade para a definição de norma, procedimentos e instrumentos legais é de responsabilidade da Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos (CTDE) do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ). A arquivista apresentou aos participantes um conceito de documento arquivístico digital e falou sobre o Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos (SIGAD), um conjunto de procedimentos e operações técnicas, característica do sistema de gestão arquivística de documentos, processado por um computador. Lembrou da necessária observância do e-Arq Brasil, um modelo de requisitos para sistemas informatizados de gestão arquivítica de documentos que devem integrar qualquer SIGAD e da necessidade de um repositório digital confiável (RDC-Arq). Por fim, explorou um pouco o projeto de Processo Eletrônico Nacional e da implantação do Processo eletrônico no RS (PROA – Processos Administrativos e-GOV), sistema de tramitação integral em forma digital de processo administrativo, através de atividade de cadastramento e movimentações efetuadas pelos usuários. Ressaltou a participação do SIARQ/RS (Sistema de Arquivos do RS) no Comitê Gestor do PROA; das normativas arquivísticas previstas pelo sistema, desde a elaboração do Decreto que o instituiu no âmbito do Poder Executivo Estadual; da implantação de política de classificação, avaliação e preservação de acesso aos processos eletrônicos de modo que o atual sistema possa ser transformado, futuramente, em um SIGAD; e do cadastramento de assuntos dos processos estar centralizada no APERS.

            E na última palestra, Da avaliação à Difusão da Informação: estratégias para arquivistas e profissionais da informação, de Moisés Rockembach foram discutidos os paradigmas que separam diferentes concepções sobre o objeto da arquivologia, o modelo custodial e o modelo pós-custodial. Apresentou os métodos de avaliação de forma historicizada, desde as origens da avaliação de Jenkinson (1922), passando pela Teoria dos valores de Schellenberg (1958),  Plano documental de Booms (1970), Estratégia documentária de Samuels (1986), Macroavaliação de Cook (1992), Microavaliação de Eastwood (1992), Avaliação integrada de Couture (1998) até o Fluxo Informacional de Silva e Ribeiro (2005). Seguiu no caminho da difusão, ponto que considerou como interdisciplinar nos estudos da informação. Falou sobre a diferença entre a difusão passiva e a difusão ativa (cultural, educativa, editorial); sobre acessibilidade e transparência, sobre o atendimento e o entendimento do público que procura por documentos custodiados por arquivos; sobre as mudanças na mediação, compreendida, para ele, como uma forma de selecionar, filtrar, acrescentar qualidade na recuperação de conteúdos; e sobre o reconhecimento de que toda ação sobre qualquer informação não é neutra e nem imparcial e que, portanto, o trabalho arquivístico é posicionado.

            Lembrando da grande participação do público, que esteve presente até o final do evento, agradecemos a todos os apoiadores (Museu da História da Medicina do RS, PPG em História da UFSM, Programa de Educação Patrimonial UFRGS|APERS e Associação de Amigos do APERS) que auxiliaram na construção do evento e, principalmente, ao público, que compreendeu a necessidade de que discutamos cada vez mais o assunto até que consigamos, de fato, implementar uma Política Nacional de Arquivos que responda a urgente necessidade de gestão, preservação, acesso e difusão dos acervos públicos e de interesse social em nosso país.

Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais: transferido para dia 05, sexta-feira!

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Informamos que, por diferentes motivos, tivemos alterações na data e na programação do Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais.

Cartaz_Novas data e Programau§u£o

Inscrições Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais

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    Devido a problemas técnicos, não estamos conseguindo realizar as inscrições para o Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais pelo e-mail institucional apers@smarh.rs.gov.br (divulgado anteriormente). Como forma de solucionar o problema rapidamente, criamos uma conta de e-mail para efetivação do procedimento.

   Portanto, para os interessados, divulgamos o novo e-mail para realização das inscrições: seminarioapers@gmail.com. Basta enviar o nome completo do interessado e um e-mail para contato. Avisamos também, que toda a inscrição será confirmada por e-mail. Desde já nos desculpamos pelos transtornos e ficamos à disposição, para quaisquer dúvidas, pelo telefone 51 3288 9112.

Cartaz Programacao - Email

Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais – Programação e Inscrição

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    Hoje divulgamos a Programação do Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais, que será realizado no dia 04 de agosto no Arquivo Público do Rio Grande do Sul, Auditório Marcos Justos Tramontini (Rua Riachuelo 1031, Centro).

Cartaz Programacao - Email

   A participação é gratuita e as inscrições podem ser realizadas pelo e-mail seminarioapers@gmail.com. Serão fornecidos certificados com carga horária de 6 horas para ouvintes que acompanharem o evento na sua totalidade. Outras informações por e-mail ou pelo telefone 51 3288 9112.

Post alterado em 20/07/2016: alteração do email para inscrição.

Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais

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Cartaz Geral_Divulgação

No dia 04 de agosto será realizado, pelo Arquivo Público do Rio Grande do Sul, o Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais. Com o objetivo de conhecer, explorar e problematizar as políticas públicas destinadas à gestão, preservação e difusão dos acervos documentais públicos e de interesse social.

O evento será realizado com o apoio do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, do Programa de Pós-Graduação em História da UFSM, do Museu da História da Medicina do RS e da Associação de Amigos do APERS.

Em breve divulgaremos a programação completa. Acompanhe em nosso Blog!!!

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