Participe do evento “Moradia popular: a cidade em disputa no pós-Abolição” #NovembroNegro

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No novembro negro, o Arquivo Público promove, em parceria com o GT Emancipações e pós-Abolição da ANPUH-RS e com o Quilombonja, o seminário “Moradia popular: a cidade em disputa no pós-Abolição” no dia 25 de novembro.

A atividade é gratuita e não necessita inscrição prévia. Vamos participar!

Programação:

25 de novembro | 09h-12h

Lutas por moradia em Porto Alegre: perspectivas históricas e geográficas

– Daniele Vieira (POSGEA / UFRGS)

– Álvaro Klafke (APERS)

– Rodrigo Weimer (APERS)

– Vinícius Furini (DEE)

25 de novembro | 14h-18h

Da Bonja pro Mundo: territórios e lugares na cidade plural

Coletivo Quilombonja

Clique aqui para acessar o evento no Facebook. Informações pelo e-mail gteprs@gmail.com.

Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS no VII Ofícios de Clio

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2019.10.23 APERS no Ofícios de Clio

Ontem pela manhã, 22 de outubro, parte de nossa equipe do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS esteve na Unisinos participando do evento VII Ofícios de Clio – Patrimônio e Memória em Risco: Desafios do Século XXI, promovido pelo GT Acervos, Memória e Patrimônio da ANPUH/RS e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Unisinos. Nossa contribuição se deu por meio da oferta da oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de gênero na história” como parte da programação do evento.

Foi uma excelente oportunidade para difundir o Arquivo Público, seus acervos e serviços, além de reafirmar o compromisso da instituição com o acesso à informação e a valorização de seu potencial educativo e cultural. Agradecemos a todas e todos os participantes, que se engajaram na oficina e participaram ativamente das reflexões e debates propostos, assim como à organização do evento, pela oportunidade e reconhecimento ao nosso trabalho. Desejamos vida longa ao “Ofícios de Clio”!

 

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Participe do curso “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade”

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2019.09.18 Close na sala de aula

O Arquivo Público do Estado está participando, junto com o grupo Close – Centro de Referência da História LGBTQI+ do RS, da organização do evento “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade”. A iniciativa é um curso de formação de professores da Educação Básica voltado às temáticas de diversidade de gênero e sexualidade. Ocorrerá no dia 19 de outubro, sábado, no Auditório do APERS, é gratuito e as vagas são limitadas. Participe!

Informações e inscrições pelo e-mail: closehistoria@gmail.com.

APERS na II Semana Acadêmica do Curso de História da PUC – Aconteceu!

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Semana Acadêmica

Na última quinta-feira, a historiadora do APERS, Nôva Brando, participou da II Semana Acadêmica do Curso de História da PUCRS a convite dos estudantes que compuseram a Comissão Organizadora do Evento. Durante o turno da manhã, ofereceu a oficina “Historiadores em Arquivos: porquê?“, na qual problematizou a presença desses profissionais em arquivos públicos a partir da sua experiência no APERS.

Nôva apresentou a Instituição, suas principais funções e trabalhos, a partir do Acervo da Comissão Especial de Indenização a Ex-presos Políticos, no qual esteve pessoalmente envolvida durante os anos de 2013 a 2015. A ideia foi propor reflexões acerca do papel do historiador em um arquivo à luz das problematizações da história pública, tendo como ponto de partida um conjunto documental específico e num determinado contexto, aquele no qual o Estado brasileiro instaurou a Comissão Nacional da Verdade.

Também teve espaço para a participação daqueles que acompanharam a oficina. Foram reproduzidos processos dos ex-presos políticos Carlos Alberto Telles Franck, Dario Viana dos Reis, Elson Bidigaray, José Wilson da Silva e Pedro de Arbues Martins Alvarez. Com a característica de serem processos de ex-militares que se opuseram ao Golpe de 64 e que por isso sofreram perseguições e torturas, os documentos se transformaram em fonte para proposições de atividades de difusão de acervo na perspectiva de diálogo com questões do tempo presente, da história pública e da função social do historiador.

O Arquivo agradece pelo convite e pela participação dos estudantes e reconhece, mais uma vez, a importância desses encontros entre academia, experiências docentes e instituições de memória. Foi ótimo!

E se quiser dar uma espiadinha em parte do que foi apresentado, clica aqui!

Entrevista com Jonas Moreira Vargas – parte I

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Jonas Moreira Vargas é professor no departamento de História da Universidade Federal de Pelotas. Graduou-se em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2004 e defendeu seu mestrado na mesma instituição em 2007 (dissertação premiada no concurso de teses e dissertações da ANPUH – RS, em 2008). Defendeu sua tese de doutorado em 2013, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (menção honrosa do concurso de melhor tese de doutorado da Associação Nacional de História no biênio 2013-2014). De volta à UFRGS, realizou estágio pós-doutoral entre 2014 e 2015. Sua dissertação e sua tese foram publicadas: “Entre a Paróquia e a Corte – os mediadores e as estratégias familiares da elite política do Rio Grande do Sul (1850-1889)” (Editora UFSM / ANPUH, 2010) e “Os Barões do charque e suas fortunas. Um estudo sobre as elites regionais brasileiras a partir de uma análise dos charqueadores de Pelotas (Rio Grande do Sul, século XIX)” (Óikos, 2016).

– Jonas, queria te pedir para falar um pouco da tua trajetória profissional e das principais pesquisas que tu realizaste.

Então, eu considero que o meu primeiro grande trabalho com fontes e com arquivos, início da trajetória profissional, foi quando eu fui estagiário do Memorial do Judiciário aqui no Rio Grande do Sul. Eu lembro que escolhi estudar os juízes de direito no Rio Grande do Sul, os magistrados, fazer uma prosopografia dos juízes de direito que atuaram na província entre 1833 e 1889, ver a prática mesmo da Justiça no cotidiano. E aí eu tive contato com o meu primeiro acervo que foi o Arquivo Histórico, nessa ocasião eu conheci o Paulo Moreira e a gente sabe que o Paulo, se tu conversas com ele um pouco, ele te dá várias dicas, se empolga e tudo. E aí eu acabei vindo pesquisar aqui no Arquivo Público, que nesse primeiro momento eu não utilizei muito as fontes do Arquivo. Logo depois eu entrei para o mestrado na UFRGS e aí eu já tinha esse meu interesse de estudar as elites, né? Acho importante estudar elas porque as decisões que elas tomam afetam um grupo muito maior de pessoas, acabam afetando nossas vidas, com projetos muitas vezes contrários ao da maioria da população. E aí no mestrado eu trabalhei basicamente com as famílias da elite política daqui do Rio Grande do Sul, na segunda metade do século XIX, até o fim da Monarquia. E depois, no doutorado, continuei o meu interesse pelos estudos das elites, mas em vez de estudar, digamos, os mais poderosos relacionados a política, eu tentei investigar as famílias mais ricas, aí eu fiz um recorte sobre os charqueadores em Pelotas. Aí foi um trabalho, que aí sim, o Arquivo Público foi a minha segunda casa, porque eu pesquisei muito aqui e foi fundamental para a minha tese. Entre o mestrado e o doutorado, eu fui professor substituto em Santa Maria na federal, aprendi muito lá. E ainda depois do pós-doutorado na UFRGS, eu comecei a pesquisar um pouco o caudilhismo, o pós Revolução Farroupilha e logo depois eu fui para UFPEL, que é onde eu estou. Mas, basicamente, eu destacaria isso.

E qual é a importância das fontes do Arquivo Público nas suas pesquisas, principalmente no doutorado que tu mencionaste que tem uma base mais forte no Arquivo Público?

2019.09.04 Jonas

Eu gostaria de começar respondendo essa pergunta falando um pouco da minha pesquisa de mestrado, porque eu acho importante, né? Porque a princípio se tu examinares o rol de fontes que tem no Arquivo Público, tu achas que não dá para se trabalhar com história política. Mas, como no mestrado eu estava predisposto a fazer uma história social da política, porque muitos da historiografia tradicional trabalhavam só com o anais da Assembleia, com imprensa, com o programa dos partidos e eu achei que outros tipos de documentação poderiam ser possíveis de ser tratados, a partir do ponto de vista da história social da política. Então utilizei processos crimes, inventários de Deputados, crimes em que os escravizados deles estavam envolvidos, ações que eu encontrei aqui para o alistamento eleitoral, então, eu comecei a perceber a riqueza da documentação daqui. Os inventários e os processos crimes são os que eu mais gosto. E aí já com essa experiência no doutorado, sim, como eu estava focando mais nas famílias mais ricas de charqueadores, eu pesquisei muito aqui os inventários post-mortem em Pelotas para fazer uma estrutura de posse dos cativos, os níveis de riqueza, o perfil dos investimentos dessa elite e analisar o patrimônio da população pelotense no período, mais na segunda metade do XIX. Os processos crimes também; crimes envolvendo escravizados nas charqueadas eu pesquisei muito aqui também. E os registros notariais de compra e venda, muita coisa, nossa… Essa documentação foi importante pra mostrar que as charqueadas de Pelotas não perderam escravizados para os cafezais do sudeste como se defendia. E aí ajudou a traçar então esse perfil socioeconômico da população pelotense, esses movimentos desses padrões no tempo e tal. Então, foi fundamental, eu tive aqui a minha tese e ela não teria surgido se não fosse a documentação aqui do Arquivo.

– Eu queria te pedir para falar um pouco sobre as metodologias que tu utilizaste…

Então, tanto no mestrado, como doutorado, eu fui fortemente influenciado pela micro-história italiana, principalmente pelos textos do Giovanni Levi, sobre estratégias familiares, mercado de terras, mediação política. Mas, eu destacaria assim, mais o método da prosopografia que, para quem não sabe é a análise de diversas biografias de um grupo em comum buscando tentar traçar um perfil coletivo deste grupo a partir de um questionário, uma origem social, trajetória, carreira, padrão de recrutamento, casamento, relações familiares e a partir do mestrado eu comparei então a elite do Partido Conservador com o Partido Liberal; se tinha uma ideia na historiografia que o Partido Liberal representava os interesses dos estancieiros da região da campanha e a partir do método prosopográfico eu mostro que isso não acontecia, o Partido Conservador estava muito presente na campanha e se tem um partido que representava os interesses dos estancieiros foi mais o Conservador. E no doutorado, esse método, eu utilizo também para ver o que diferenciava as famílias mais ricas de charqueadores das menos ricas, no caso. Qual seria, talvez, brincando, né, o segredo dessa… por que um grupo de famílias estava no topo dessa hierarquia social e conseguia de uma geração para outra reproduzir essas estruturas patrimoniais e comportamentais, e enfim…? E também um método que eu gosto bastante é a análise de redes sociais que eu uso muito. Na política é muito importante as relações que os parlamentares tinham com outras famílias de outras províncias do interior, como eles manejavam isso para ganhar as eleições e aí as correspondências é uma fonte muito importante para essa metodologia, eu acabei explorando ela mais lá no Arquivo Histórico. Acho que é importante o historiador cruzar vários métodos, né. Dependendo do objeto de pesquisa, das fontes e tal.

Confira a continuação da entrevista com Jonas na próxima semana!

APERS lança perfil no Instagram e abre espaço para pesquisadores

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No dia 1º de agosto, comemorando os 8 anos do Divulga APERS, seu serviço de difusão virtual, o Arquivo Público do RS lançou sua conta no Instagram, rede social online de compartilhamento de fotos e vídeos entre seus usuários.

2019.08.07 Lançamento Instagram

Desde 1º de agosto de 2011 o APERS mantém o Divulga APERS, criado a partir da compreensão de que seria importante acolher as novas ferramentas de comunicação para ampliar a visibilidade da instituição e divulgar suas ações; estimular a pesquisa em seus acervos e fidelizar seus usuários; aproximar a sociedade e incentivar a sua participação nos eventos promovidos. À época, após estudo das mídias em meio eletrônico utilizadas por instituições públicas afins, em 2011 optou-se por criar o blogue livre (plataforma WordPress), e o microblogue Twitter. Em março de 2012 criou-se também a fanpage do APERS junto ao Facebook.

Passados alguns anos dessa rica experiência, após 1.445 postagens, mais de 900 mil visitantes e uma média diária de 330 visualização no blog, 1.794 seguidores no Twitter e 6.258 curtidas no Facebook, acreditamos que é tempo de renovar. Acompanhando os desdobramentos dos usos das mídias sociais e percebendo o crescimento do Instagram enquanto ferramenta de conexão entre pessoas, propusemos que o APERS passasse a fazer parte dessa rede com o objetivo de ampliar a interação com a sociedade por meio de uma rede social visual e dinâmica, assim como de celebrar mais um aniversário do Divulga.

Serão quatro categorias de postagem: Conjunto Arquitetônico, enaltecendo seus prédios com fotos antigas e atuais os prédios, tanto externas quanto internas, de suas estantes/prateleiras, escadarias, iluminação, janelas, portas, jardim, ou seja, toda estrutura patrimonial do APERS; Acervo Documental, divulgando acervos e documentos do Arquivo, aqueles mais acessados, mais pesquisados, ou até mesmo aqueles fundos que ainda não são conhecidos pelo grande público/pesquisadores, também documentos relativos a datas importantes do estado, ou aqueles que remetem a temas e acontecimentos presentes no imaginário e nas memórias afetivas dos gaúchos; e por fim, Conservação e Preservação, categoria em que apresentamos processos de conservação preventiva e restauro, materiais e maquinários utilizados nessas atividades. As postagens acontecerão todas as segundas e quintas-feiras.

A última das categorias é um convite à interação: chama-se Imagem do Pesquisador, e foi pensada para aumentar nosso diálogo com as e os usuários do APERS, abrindo a possibilidade destes fazerem parte da nossa história também nas redes sociais! Você que conhece o APERS e realizou algum registro fotográfico atual dos prédios, acervos ou documentos de sua pesquisa, ou possui registros antigos da instituição (com gravura, recorte de jornal, folheto, etc), convidamos a nos enviá-lo para que, se selecionado, seja compartilhado na rede social.

Para participar, você pode escolher uma imagem autoral dos prédios, acervos ou documentos e mandar para o e-mail divulga-apers@planejamento.rs.gov.br com o título “Imagem do Pesquisador”. A fotografia deve vir com uma breve descrição, por exemplo, se for de um documento, breve conteúdo do mesmo, seu número, de qual acervo faz parte, temática de pesquisa, etc, assim podemos contextualizá-lo na postagem, e claro, o nome completo do autor da fotografia.

Todo último dia de postagem do mês, o APERS escolherá uma “imagem do pesquisador” para compartilhar no perfil, e dar os créditos especiais ao usuário participante. Neste mês de Agosto, essa postagem especial acontecerá dia 29.

Se você ainda não nos segue, poderá acessar nosso perfil no Instagram pesquisando por @arquivopublicors ou acessando o link. Nos vemos lá 😉

Entrevista com Paulo Roberto Staudt Moreira – parte 4 de 4

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Hoje compartilhamos a última parte da entrevista com o professor Paulo Roberto Staudt Moreira. Na semana anterior, parte 3, o entrevistado observava o vigor e a riqueza da pesquisa empírica no Rio Grande do Sul.

Rodrigo:

– Mas ao mesmo tempo a gente percebe, não tem nenhum estudo mais consistente sobre isso, mas a gente percebe, a intuição que se tem muito claramente e tem a mesma intuição de outros arquivos, é a diminuição, talvez, do número de frequentadores nas salas de pesquisa, diminuição dos frequentadores dos arquivos. A gente tem alguns movimentos contrários, a gente tem essa renovação e esse enriquecimento da historiografia, mas a gente tem uma diminuição, um recuo ao período anterior do número de historiadores que tem essa pesquisa empírica. Então, a gente queria perguntar se tu acha que tem um risco de um empobrecimento da produção historiográfica com esse recuo por procura aos arquivos, ao mesmo tempo em que existem profissionais da História que meio que exortam a abrir mão da pesquisa empírica, secundarizar, como se não fosse tão importante assim…?

2019.08.07 PauloPaulo:

– Eu acho que a gente teve um crescimento, assim, geracional da questão empírica. Quer dizer, a minha geração sentiu direto isso, era uma empolgação de ir para arquivo e pesquisar documentação de arquivo de uma forma intensa, muito quantitativa e tal, a gente foi muito para arquivo e foram gerações nesse sentido. Eu não consigo ainda avaliar direito, não sei se a gente pode nesse momento avaliar se a diminuição do público de arquivo ela está diretamente ligada a uma diminuição da utilização de fontes primárias na pesquisa histórica ou se é um pouco do impacto da tecnologia. Porque hoje em dia a gente tem várias fontes primárias que estão disponíveis na internet, por exemplo, quem já caiu na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional sabe disso, a gente enlouquece lá. Então tu tem muitos jornais a disposição, tu tem muitos acervos que estão ligados a essa questão. Acho que também as pessoas que vem para o Arquivo, muitas vezes, é uma frequência rápida, a máquina digital possibilita isso, então, as pessoas vão para os arquivos e fotografam e levam para casa pesquisar. Os tempos de mestrado e doutorado são muito exíguos, um mestrado de dois anos, cara, é muito pouco tempo. Então as pessoas têm que otimizar muito isso. Eu ainda não estou vendo essa questão muito de um recuo da empiria, assim, eu acho que a gente ainda está numa certa onda mais empírica que eu espero que se mantenha, só que eu acho que os próprios prazos estão prejudicando que o pessoal faça pesquisas mais exaustivas. É por isso que normalmente o cara que vai fazer uma boa pesquisa no mestrado, ele já vem com essa pesquisa como bolsista de iniciação científica, ele já está inserido num projeto, então, eu acho que nesse sentido a gente vai verificar isso. O que eu sinto como historiador é que a gente perdeu um pouco dessa sociabilidade arquivística, assim, sabe? A gente tem frequentado muito pouco arquivo. Às vezes eu acho que certas iniciativas dos arquivos, como eu tenho visto aqui, me parece muito positiva, por exemplo, a Mostra do Arquivo Público eu acho muito legal, não tenho vindo nas últimas, mas as primeiras que a gente teve era muito bom. Era a gente vir para arquivo para discutir pesquisas entre pessoas que frequentavam o Arquivo, então, isso era um ambiente que saía um pouco das disputas institucionais e tal, e o Arquivo aparecia como tipo um oásis, assim, “Venham aqui discutir as suas pesquisas”. Então eu não sei, eu ainda não consigo avaliar direito que a gente está tendo um recuo do empírico, eu acho que a gente ainda tem que pensar um pouco a respeito disso, um pouco esse impacto tecnológico, as fontes sendo disponibilizadas pela internet e tal, não sei ainda como é que isso vai impactar. O que eu vejo é que há um certo desânimo com as ciências humanas em geral, eu acho que tenho visto muita gente deprimida na pós-graduação, doente mesmo pelo clima político que se instalou no país nos últimos tempos, de agressividade a determinados temas, temas mais reivindicatórios que dialogam com a contemporaneidade, questão de gênero e também, assim, tenho visto pessoas que sentem muito o impacto da própria profissão de professor, porque tu termina um mestrado, tu vai ser professor, doutorado, tu vai ser professor, então, o impacto disso, assim, negativamente dentro do nosso ethos profissional, a gente tem sido muito achincalhado. Eu vejo muito isso, as pessoas se sentindo muito tocadas por essa questão. Mas eu continuo achando que a investigação empírica é muito importante para nós. Acho que é um pouco da coisa do campo, que é de você sair da Academia e ir para campo, seja tu fazer história oral, seja tu frequentar arquivo, isso mexe com a tua sensibilidade. Produzir uma investigação que tenha esse contato com fontes, seja elas de que origem for, eu acho que acaba modificando a tua sensibilidade ou aprimorando a tua sensibilidade com relação aos projetos de pesquisa e também os objetos de pesquisa.

Rodrigo:

Mas tu não achas que de parte [da academia], de dentro, não vem, por alguns setores, um questionamento à pesquisa empírica?

Paulo:

Pode ser, e eu acho também que, uma coisa que eu vejo e percebo em alguns colegas, a gente hoje em dia está numa onda que não sei como vai sair, porque somos corresponsáveis disso: nós estamos numa superprodutividade, a gente é obrigado a produzir muito em termos de artigo, não só de produção técnica, de dar parecer, mas de produção bibliográfica, escrever artigo, capítulo de livro e tal. E a pesquisa empírica, ela não é algo rápido de fazer, então, se você pensa um projeto de pesquisa e tem como lastro a pesquisa empírica, tu pensa em algo que tem um tempo de maturação mais longo e que, muitas vezes, tu não consegue durante esse tempo produzir coisas, mesmo que sejam resultados parciais. Hoje em dia a gente tem produzido muitos resultados parciais, a gente não está dando tempo de a pesquisa terminar. Então, eu vejo em alguns colegas de que se você faz um projeto de pesquisa cujo lastro é a documentação empírica, a fonte primária, é a frequência em instituições que custodiam, quer dizer, a frequência a lugares de memória propriamente dito, isso demanda que o tempo que tu tem de produção bibliográfica e de produção intelectual é um tempo maior. Então, nesse sentido, talvez sim. Talvez o que eu tenho percebido, as vezes, é um acréscimo ou um desvio para projetos de discussão mais historiográfica. Mas eu acho que isso está muito ligado a essa armadilha que a gente se colocou que é da superprodução, de que a gente tem que produzir. Hoje em dia o mundo acadêmico não permite que tu termine teu projeto para produzir alguma coisa, tu é demandado a, durante o projeto, ir produzindo produtos ocasionais, subprodutos daquilo. Então, trabalhar com documentação empírica tem isso, tu está alicerçando o teu projeto numa potencial produção de no mínimo médio prazo, é no mínimo médio prazo, ninguém vai se jogar numa pesquisa empírica e produzir a curto prazo. Isso pode gerar uma certa timidez dos historiadores de pensar uma pesquisa que – os colegas não empiristas não vão gostar – mas de uma pesquisa mais cômoda, talvez, uma pesquisa que tu realize de forma historiográfica e tal. Acho que a gente perde o prazer da pesquisa, acho que quem faz isso não sabe o que está perdendo. Porque nada como sentar a bunda num arquivo e saborear um processo-crime… (risos) é genial isso, é muito bom.

Rodrigo:

– Bom, uma última questão. Em um mundo de pós-verdades, de narrativas autovalidadoras, como tu percebe a importância dos arquivos para a historiografia?

Paulo:

– Eu acho que o Arquivo, quando eu digo que o arquivo ele tem sentido para mim, que é sentido político, para mim dialoga diretamente com essa questão mais profissional, mais historiográfica. Eu acho que o documento, a fonte primária, a frequência em arquivo, para mim, ela representa um pouco, não vou dizer a garantia porque isso me parece muito empirista e positivista, mas eu acho que é um certo investimento quanto historiador numa história que não desiste de ser explicativa, de uma história que não desiste de ser interpretativa, de montar um discurso historiográfico. Às vezes, eu sinto um certo receio das pessoas de construírem essa verdade histórica com medo de virar vitrine, com medo de receber pedrada e fazerem críticas. Mas eu acho que o acesso a esses documentos de experiência humana no passado nos ajudam a pensar essa ideia de que a história pode construir, pode elaborar um discurso explicativo e sempre um discurso que dialoga entre passado e presente. É um discurso que, as vezes, é muito cheio de ansiedade, né? Quando o presente nos oprime e nos enche de ansiedade, mas é também um discurso que nos enche de esperança, porque a gente sabe que vai passar. Então, eu acho que a possibilidade de construção de um discurso histórico explicativo, para mim, eu sei que tem historiadores que não estão nessa perspectiva, mas eu acho que eles ajudam a gente pensar numa história que construa algo, um discurso do entendimento do passado, assim como um diálogo com o presente. Para mim é um pouco essa questão.

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A partir do mês de setembro, voltamos com o “APERS Entrevista” sempre na primeira e na segunda quarta-feira de cada mês. Nos acompanhe. Até lá!

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