Novo site do APERS: nosso blog de casa nova!

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Nosso blog de casa nova

Em meio as comemorações dos 114 anos do Arquivo Público, no dia 10 de março a instituição celebrou o lançamento de seu novo site, desenvolvido pela PROCERGS em parceria com servidores da instituição.

Respeitando parâmetros de acessibilidade e buscando ampliar a transparência em relação aos trabalhos desenvolvidos pelo APERS, o site nasce com um layout moderno e intuitivo que convida seus usuários a conhecer tanto os serviços ofertados à comunidade quanto as atividades desenvolvidas no interior do Arquivo, desde a construção de uma política de gestão documental para o estado do RS até os inúmeros processos aplicados ao tratamento, preservação e difusão de seus acervos.

A partir de um menu principal estão sistematizadas informações sobre a instituição, gestão documental, serviços prestados, acervos, comunicação e publicações. A página inicial traz em destaque, além dos principais serviços, os ícones de acesso aos núcleos de trabalho nos quais o Arquivo organiza-se e o frame “Blog do APERS”, hospedado na aba “Comunicação”, que incorporará a tarefa até então exercida aqui, na plataforma WordPress: compartilhar semanalmente conteúdos relacionados ao nosso trabalho, assim como textos produzidos para difusão do acervo e de temáticas pertinentes à área de arquivos. Visualize a nova estrutura pela imagem a seguir:

Blog do APERS

Assim, informamos que nosso querido Blog institucional será mantido no ar como um repositório para consulta a notícias anteriores a março de 2020. Essa será a última postagem aqui. A partir de agora, para manter-se conectado conosco, navegue no site www.apers.rs.gov.br. Vem conosco! Mudamos de casa para melhor recebê-los!

Participe das atividade de celebração dos 114 anos do APERS

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No dia 08 de março de 2020 o Arquivo Público do RS comemora 114 anos de história. Para marcar a data e celebrar entre servidores, usuários e a comunidade em geral teremos uma série de atividades. Participe! Elas são gratuitas e não exigem inscrição prévia. Acompanhe a programação abaixo.

Mais informações: (51) 3288-9109 | divulga-apers@planejamento.rs.gov.br.

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XV Mostra de Pesquisa APERS – Regulamento

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Está chegando a XV da Mostra de Pesquisa do APERS e para a edição comemorativa de 2020, o Arquivo está planejando um evento repleto de novidades.

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Realizada em parceria com a Associação dos Arquivistas do RS, a Associação Nacional de História – Seção RS, e a Associação de Amigos do APERS, a Mostra tem como objetivos: (a) oportunizar espaço para a divulgação e discussão da recente produção intelectual das ciências sociais, humanas e da informação, promovendo a interação entre a comunidade pesquisadora e os órgãos de guarda de acervos; (b) incentivar a utilização de fontes primárias documentais em trabalhos de pesquisa; (c)Incentivar a realização de estudos a respeito de instituições de memória, suas funções e ações; e (d) divulgar locais de pesquisas e seus respectivos acervos documentais.

A instituição segue atenta aos processos de difusão documental e ao necessário diálogo entre as instituições arquivísticas e de memória, as universidades, os centros de pesquisa e a sociedade. Dessa forma, lança hoje o Regulamento da XV Mostra de Pesquisa do APERS – para acessar clique aqui. Chamamos atenção para o período de 09 de março a 18 de maio, no qual devem ser submetidos os trabalhos para apresentação no evento da XV Mostra, que ocorrerá no mês de setembro. O evento é gratuito, tanto para apresentação de trabalhos quanto para ouvintes.

As informações necessárias para os interessados em participar do evento constam no regulamento. Também ficamos à disposição para quaisquer dúvidas pelo e-mail mostradepesquisa@planejamento.rs.gov.br e pelo telefone (51) 3288 9126.

Segue abaixo o cronograma do evento. Participe!

cronograma

Entrevista com Melina Kleinert Perussatto – Parte I

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logo apers entrevista

Melina Kleinert Perussatto é licenciada em História pela UNISC (2007), mestra em História pela UNISINOS (2010; dissertação disponível aqui) e doutora em história pela UFRGS (2018; tese disponível aqui). Foi professora substituta na Universidade Federal da Fronteira Sul, é docente de história na Secretaria Municipal de Educação de São Leopoldo e realiza estágio pós-doutoral na UNISINOS.

Melina, por favor, você pode falar um pouco sobre a sua trajetória acadêmica?

Eu sou graduada em História pela UNISC, Santa Cruz do Sul, me graduei em 2007. Mestre em História pela UNISINOS, concluí a dissertação em 2010, sob a orientação do Paulo Moreira. Fiz o meu doutorado na UFRGS, sob orientação do Fábio Kuhn, com sanduíche na UNICAMP, sob supervisão da Lucilene Reginaldo. Defendi em 2018. E agora eu curso o pós-doutorado, de novo com o Paulo Moreira na UNISINOS, voltando à casa. É isso em termos de formação acadêmica.

Qual é o papel das fontes do Arquivo Público nessa formação?

São fundamentais em minha trajetória de pesquisa, ao lado das fontes do Arquivo Histórico Municipal de Rio Pardo, onde fui bolsista de iniciação científica, entre 2006 e 2007. Acabou que uma colega, a Fábia Beling, encontrou uma documentação da junta de emancipação de escravos, de Rio Pardo, que eu passei a pesquisar. O professor José Remedi, que era o coordenador do projeto e que se tornou meu orientador, me deu a liberdade de começar uma pesquisa autônoma, da qual derivou o meu TCC. E as fontes do Arquivo Público foram fundamentais para complementar essa documentação e ampliar minha pesquisa. Chegaram até mim por meio do guia de fontes “Documentos da Escravidão”. Como eu morava e estudava do interior, em Santa Cruz do Sul, e era bolsista em Rio Pardo, o acesso foi facilitado por essa disponibilidade online, ressaltando a importância da produção desses materiais. E foi por meio desse guia, o guia das alforrias, que eu iniciei meu contato com o Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Mais para frente, em 2007, já no final da graduação, consegui vir algumas vezes para cá para pesquisar, não só os documentos originais, mas também levantar outras fontes para elaborar o meu projeto de mestrado. Todo o meu mestrado eu passei aqui, foram dois anos de imersão profunda no Arquivo Público em que eu trabalhei não só então com as alforrias, mas também com os inventários, testamentos, processos crime. Depois eu trabalhei também com fontes da Cúria e do Arquivo Histórico, também fundamentais. Na tese eu retorno, depois de um bom tempo afastada daqui, porque acabei mudando de tema, abordagem e período, mas voltei para cá para olhar de forma mais qualitativa uma tipologia documental muito utilizada durante o mestrado e ressignificar também a fonte, no caso, os inventários post-mortem.

Eu creio que entre a sua dissertação e sua tese, a gente percebe uma nítida transição que não é do seu trabalho somente, mas é mais geral da historiografia, em que uma ênfase em aspectos estruturais cede lugar à atuação subjetiva dos sujeitos históricos. Isso não quer dizer que antes você desprezasse a atuação dos atores sociais, mas você mesma me disse uma vez que é muito diferente deduzir ela com os processos-crime, depoimentos, ou você ver diretamente as palavras das pessoas nos jornais, nas fontes dos jornais. Você concorda? Como você vê essa questão?

Então, eu concordo sim. É um processo, embora exista uma nítida ruptura, uma mudança bastante significativa, eu entendo como processo que acompanha a historiografia. Na dissertação eu fiz um trabalho bastante quantitativo, porque me inseri dentro de um debate historiográfico, de uma produção historiográfica, voltada a mostrar empiricamente, quantitativamente, o quão estrutural foi a presença de pessoas escravizadas no Rio Grande do Sul e como as lutas por liberdade estiveram sempre presentes. Trabalhei nessa dialética entre escravidão e liberdade a partir dessas fontes diversas, com um método quantitativo. O cruzamento nominal foi fundamental para eu chegar em algumas trajetórias e humanizar o processo, evidenciando experiências e agências. No doutorado, passei a trabalhar com imprensa negra e buscar a trajetória dos fundadores e apoiadores [do jornal O Exemplo], levando a uma mudança da perspectiva de análise. Se antes eu chegava às histórias por meio da quantificação, digamos assim, por meio da serialização de fontes localizava alguns casos, algumas histórias que se destacavam, e ia buscando fontes e cruzando para compor essas trajetórias, na tese foi um processo contrário. Eu tinha alguns nomes, nomes completos, inclusive, porque na dissertação acabei, por contas dos homônimos e da ausência de sobrenomes, realizar a busca nominal a partir nome do proprietário de pessoas. Na tese, ao me dedicar a compreender a formação do grupo que fundou o jornal O Exemplo em 1892, eu pude buscar pelo nome próprio das pessoas nas fontes. Enfim, se na dissertação as trajetórias foram emergindo da serialização das fontes, na tese elas foram o ponto de partida e marcaram meu retorno ao APERS. Por meio dos nomes dos fundadores de O Exemplo e seus familiares pude encontrar inventários, testamentos e outras fontes para recompor suas trajetórias. Também fontes de outros arquivos, como a Cúria e o Arquivo Histórico, se somaram a isso. Então sim, houve uma mudança e eu diria que muita influenciada pelos trabalhos do campo do pós-Abolição, com destaque à tese da Ana Flávia Magalhães Pinto, que lança o desafio de a gente rever a lente de análise, o foco, as perguntas, nos estudos sobre experiências negras no Brasil oitocentista. Ou seja, ao invés de partir da escravidão, partir da liberdade. Mediada por novas leituras e propostas de trabalho, voltei para o século XIX, para o período que trabalhei na dissertação, mas olhando para as fontes pelo viés da liberdade. Todos os fundadores do jornal O Exemplo nasceram livres em tempos de escravidão. Até o momento identifiquei que somente o pai de dois dos fundadores, Calisto Felizardo de Araújo, passou pela experiência da escravidão. Ainda assim, o foco recaiu sobre a forma como ele foi construindo sua liberdade desde os tempos de escravidão no espaço urbano de Porto Alegre, entre meados do XIX até as primeiras décadas do XX. Isso para ficar em apenas um exemplo.

2020.03.04 - Melina

Uma questão que tenho para você é a seguinte: boa parte do impulso de uma história quantitativa e serial no Rio Grande do Sul tem a ver com as fontes do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul como inventários, alforrias… Então essas fontes são tidas como preferenciais na análise serial quantitativa. Como é que você vê o papel dessas fontes na reconstituição de trajetórias?

Bom, eu acho que já marquei um pouco disso na questão anterior. A análise quantitativa, serial, permitiu que eu demonstrasse em minha dissertação, por uma visão macro, estrutural, o peso da escravidão até sua derrocada final, mas também da liberdade negra desde o século XVIII na sociedade sul-rio-grandense. Basta ver os trabalhos do [Luís Augusto Ebling] Farinatti, da Helen [Osório], do Paulo [Roberto Staudt Moreira], do Thiago [Leitão Araujo], da Sherol [dos Santos], do Jônatas [Marques Caratti], do Jovani [Scherer], do Gabriel [Santos Berute], do Marcelo [Santos Matheus], da Natalia [Garcia Pinto], do Leandro [Goya Fontella], do Luciano [Costa Gomes], da Bruna [Emerim Krob], do Matheus [Batalha Bom], dentre tantos outros. Todo esse conjunto de trabalhos apresenta trajetórias e/ou experiências de pessoas negras, em parte, reconstruídas a partir de informações contidas em inventários, mas também alforrias, documentos de compra e venda etc. Se os resultados de análises quantitativas vindos deste trabalhos nos ajudam a pensar na presença negra mais em termos estruturais, não só na escravidão, mas também na liberdade, percebo que os trabalhos de hoje tem avançado em termos de problemas e abordagens. Não há mais a necessidade de provar empiricamente, serializar a documentação para provar que houve escravidão e que a liberdade sempre esteve presente, ou mostrar quantitativamente o predomínio e o protagonismo de mulheres negras buscando a liberdade, de que elas estavam majoritariamente no mundo do trabalho doméstico, por exemplo. Hoje a gente já parte desse dado, como um dado comprovado, que demanda que se refine e sofistique as questões e abordagens. Como exemplo os trabalhos que têm sofisticado a análise a partir das intersecções de gênero, raça e classe, do aporte teórico-metodológico de feministas negras, do pensamento de mulheres negras. Ainda que em diálogo com as produções anteriores, acordada sobretudo em E. P. Thompson, estes novos trabalhos certamente marcam uma nova inflexão historiográfica e informam formas outras de ler uma fonte, de perceber elementos em uma fonte, e produzir análises e resultados bastante diferentes, ainda que em diálogo. Então, respondendo à pergunta, as diversas peças que compõem um inventários viabilizam que acessemos informações qualitativas valiosas para o estudo de trajetórias, seja na escravidão ou na liberdade, e hoje presenciamos uma importante inflexão teórico-metodológica.

Quais fontes mais especificamente você usou nessa análise qualitativa? Você mencionou os inventários… E o que mais?

Então, aqui no Arquivo eu acabei buscando nominalmente – também é outro recurso bem importante que o Arquivo disponibiliza que é a busca nominal no site. Com auxílio deste recurso encontrei os inventários de apoiadores e fundadores do jornal, os testamentos que estão anexos aos inventários, também documentação de despejo, no pós-Abolição, inclusive você me ajudou a localizar esses documentos, que envolvem a irmã de dois dos fundadores de O Exemplo. Também encontrei outra ação de despejo, realizada pelo patriarca desta família, citado anteriormente, na década de 1880. Por meio desses despejos temos também os arranjos de moradia e as dificuldades de materiais de existência que a população negra enfrentou, mas também a formação de patrimônio e as possiblidades de renda e sobrevivência. Eu acho que foram essas fontes, que eu me lembro agora.

Queria pedir para falar um pouco sobre o “Exemplo”, porque quem vai ler a entrevista não está conhecendo o seu trabalho. Então queria lhe pedir para falar um pouco desse jornal.

Então, o jornal O Exemplo surgiu em Porto Alegre em 1892, bem no finalzinho do ano, sob iniciativa de oito jovens homens negros ou “homens de cor”, que era forma como eles se autonomeavam, se autoidentificavam, na barbaria do Calisto Felizardo de Araújo que, por sua vez, é um desses caras que consegui reconstituir e que venho reconstituindo a trajetória no pós-doutorado. Dois filhos dele, que também eram barbeiros, participaram da fundação, que é o Esperidião e o Florêncio Calisto. Também se fizeram presentes o Aurélio Júnior e o Sérgio de Bittencourt, dois filhos do Aurélio Viríssimo de Bittencourt, que o professor Paulo Moreira tem biografado,1 e outros quatro jovens “homens de cor” (Marcílio Freitas, Alfredo Souza, Arthur de Andrade e Arthur Gama). O projeto, o programa do jornal, era “defesa de nossa classe e o aperfeiçoamento de nossos medíocres conhecimentos”, que se desdobrou basicamente na luta contra o preconceito de cor e a luta por instrução. Esta última pode ser compreendida como a luta pela massificação do ensino, porque eles entendiam que a instrução seria a via de melhorar a condição da população negra no pós-Abolição, viabilizando o acesso a direitos ou a conquistas de direitos, como a cidadania política, mas também de lutar contra todos os males do preconceito de cor e erradicá-lo. Porque no entendimento deles, aí pensando na maneira como manejavam a ideia de raça, a raça não era algo que conferia uma diferença inata, a raça era uma construção social. Então na medida em que os “homens de cor”, para além deles, também se instruíssem, porque todo mundo era capaz de alcançar os saberes, bastando pra isso a oportunidade, todo o preconceito de cor cairia por terra Por meio de O Exemplo pretendiam mostrar que um homem negro também era capaz de aprender, bastando para isso oportunidade e condições de permanência. Associando instrução e cidadania eles construíam, manejavam, politizavam ideias de raça, e aqui localizo todo debate em torno da racialização. Nesse sentido, a luta registrada em O Exemplo era uma luta por direitos, por cidadania, por humanidade. Era, enfim, um projeto civilizatório, de humanidade, que eles tinham em vista, que eles encabeçaram por meio de O Exemplo. O jornal durou até 1930, teve várias pessoas que participaram, vários grupos que foram constituindo esse projeto e alguns desses nomes que fundaram seguiram por um bom tempo, ainda que com renovações no quadro. Um deles é o Esperidião Calisto, que é filho do já referido Calisto Felizardo de Araújo, proprietário do estabelecimento onde se deu a fundação do jornal. Então, se num primeiro momento a gente tem esse grupo mais reunido em torno desse coletivo formado pelos filhos do Calisto, pelos filhos do Aurélio, um funcionário dos Correios e um funcionário da Alfândega, um funcionário do Tesouro, um da Santa Casa, depois tem a entrada de militantes do movimento operário, mostrando também a aproximação das lutas promovidas por grupos negros instruídos e que viam no funcionalismo público um espaço de inserção profissional, com as lutas promovidas por homens negros operários e professores, inseridos no movimento operário. O Tácito Pires, por exemplo, aparece na historiografia do trabalho, mas não como homem negro e no O Exemplo a questão racial é por ele marcada o tempo todo. Tácito Pires era socialista e por meio dele é possível perceber como o socialismo informou e atualizou o projeto de O Exemplo, marcando o lugar do negro como um trabalhador do pós-Abolição e as especificidades que a raça conferia a essa condição. Este último ponto viabiliza ainda tensionar a prevalência da classe sobre a raça nos estudos sobre história do trabalho. A trajetória de Tácito Pires ajuda a problematizar a intersecção de classe e raça. A gente tem a entrada dos anarquistas também. Com o passar do tempo, outros grupos, outros vieses ideológicos informam o projeto. Então, em resumo, O Exemplo é um projeto múltiplo, plural, composto por pessoas com diferentes trajetórias, diferentes projetos, mas que se unem em torno de uma causa que é a luta contra o preconceito de cor e por instrução, por direitos e humanidade, fora outras bandeiras que acabam se somando.

Confira na semana que vem a segunda parte da entrevista com a historiadora Melina Kleinert Perussatto!

1 MOREIRA, Paulo R. Staudt; BITTENCOURT, Aurélio Viríssimo de. Burocracia, política e devoção. In: GOMES, Flávio; DOMINGUES, Petrônio (org.) Experiências da emancipação: biografias, instituições e movimentos sociais no pós-Abolição (1890-1980). São Paulo: Selo Negro, 2011. p. 83-107. MOREIRA, Paulo R. Staudt. O Aurélio era preto: trabalho, associativismo e capital relacional na trajetória de um homem pardo no Brasil Imperial e Republicano. Estudos Ibero-Americanos, v. 40, n. 1, p. 85-127, jan-jun. 2014.

Visitas Guiadas ao APERS – Fevereiro 2020

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Visitas Guiadas APERS

No mês de Fevereiro foram realizadas duas visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 12: a família de nosso servidor Alvaro Antonio Klafre: filho André e a esposa Isabel, com a finalidade de conhecer o acervo e o conjunto arquitetônico do APERS.

Dia 19: 29 estudantes acompanhados pelo professor Marcelo da Silva, do Programa Jovem Aprendiz do Instituto Leonardo Murialdo.

Guia: Iara Gomide

Lembramos que semanalmente oferecemos visitas com duração de 1h30min em horários fixos: nas segundas-feiras às 14h30min e nas sextas-feiras às 10h. Para agendamento de grupos em outros horários, contate-nos pelo e-mail visitas@planejamento.rs.gov.br ou ligue para (51) 3288 9134.

APERS em Números – Fevereiro 2020

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Confira alguns dados relativos aos serviços prestados pelo APERS durante o mês de fevereiro:

– Assessoria SIARQ/RS: 01

– Usuários atendidos: 187

Em busca de certidões: 101

Servidores do APERS: 05

Pesquisadores: 81

Novos pesquisadores: 24

– Atendimentos aos usuários (em número de solicitações): 687

Certidões: 126

Servidores do APERS: 45

Pesquisadores: 516

– Indexação Sistema AAP (número de documentos incluídos/descritos): 660

– Indexação Sistema AAP (número de imagens de documentos indexadas): 24.643

– Visitas guiadas: 02

– Visualizações blog institucional: 7.732

Clique aqui e saiba mais sobre os serviços que o APERS presta a comunidade.

*Atualizado em 08/04/2020 – Assessorias SIARQ/RS

Atividades SIARQ/RS – Dezembro 2019

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O Arquivo Público do RS, enquanto Órgão Gestor do Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul – SIARQ/RS, atua para efetivar a gestão documental nos órgãos do Poder Executivo. Durante o mês de dezembro os servidores participaram de reuniões de assessoria técnica, reuniões de comitês e grupos de trabalho, que listamos abaixo:

Dia 03: Na Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas (CORAG), o arquivista do APERS Cléo Belicio participou de assessoria técnica, para orientações e verificação das atividades de gestão documental para transferência e recolhimento de documentos.

Dia 03: Na Fundação de Ciência e Tecnologia (CIENTEC), os arquivistas do APERS Juliano Balbon e Maria Cristina Fernandes realizaram visita de assessoria técnica, para orientações e verificação das atividades de gestão documental para transferência e recolhimento de documentos.

Em dezembro, o Arquivo Público analisou nove (09) Listagens de Eliminação de Documentos visando a aprovação, recebidos por processos administrativos, conforme estabelecido pelo Decreto 52.808/2015, em seu Art. 6º, parágrafo V.

E, neste mês, foram recebidos na caixa do e-mail assuntos-proa@planejamento.rs.gov.br, quatorze (14) e-mails de diversos órgãos, referentes a solicitações, esclarecimentos de dúvidas com relação à atribuição de assuntos no Sistema PROA. Além desses, na caixa de correio do SIARQ/RS foram recebidos doze (12) e-mails com questões sobre gestão documental.

Para solicitar assessoria ao SIARQ/RS, visando implementar as normativas e os instrumentos de gestão documental, pode entrar em contato pelo e-mail siarq-apers@planejamento.rs.gov.br ou telefone (51) 3288-9114.

Entrevista com Arlene Guimarães Foletto – parte I de III

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Arlene Guimarães Foletto é graduada em história pelo centro Universitário Franciscano (1999), mestre (2003) e doutora (2012) em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É professora no Colégio de Aplicação da UFRGS e pós-doutoranda em História na mesma Universidade.

Arlene, você poderia falar um pouco sobre a temática de sua dissertação?

Primeiro gostaria de agradecer a lembrança, a oportunidade de estar aqui falando com vocês… Me senti lisonjeada com o convite, não consigo pensar em outra palavra para definir… Bom, posso começar como eu cheguei na dissertação?

Claro.

Eu me formei lá em Santa Maria, onde cursei a licenciatura em história, a pesquisa estava dando seus primeiros passos, digamos assim. Há pouco tempo tinha começado um trabalho de resgate da Quarta Colônia, através da metodologia de história oral, esse laboratório começou a ganhar corpo, mas era uma questão que eu não me envolvia tanto. Participei de dois projetos de pesquisa ao longo da graduação, com minha primeira orientadora, Elizabeth Weber Medeiros, que trabalhava com América. Quando terminei a graduação, fiz um projeto de especialização para a UFSM com a temática do integralismo e acabou que… eu cheguei um dia depois para fazer a seleção na especialização, perdi a prova e acabei não fazendo. De certa forma isto foi positivo, pois a temática não me envolvia a ponto de me manter nela, hoje tenho certeza disto! Aí, nos anos 2000, passei por um grande período de dúvida com o que eu iria trabalhar. Um certo dia estava em num evento, escutei dois professores palestrando: que era a Susana [Bleil de Souza] da UFRGS, uma sobre fronteira e o Farinatti [Luís Augusto Eibling] sobre sua pesquisa em História Agrária. Nesse momento, eu pensei: “ah, história agrária em Itaqui seria legal!”. Fui conversar com o Farinatti, que tinha sido meu professor na graduação, depois da palestra, ele me indicou o trabalho do professor Paulo Afonso Zarth para dar uma olhada. Zarth já tinha mapeado alguns espaços do Rio Grande do Sul, mas não tinha entrado em Itaqui. Naquela ocasião tive a certeza: “é isso que vou fazer”. Comecei a me apropriar sobre o assunto, vim aqui no Arquivo, inclusive foi a primeira vez que estive no Arquivo Público, conferir se tinha material para efetuar tal pesquisa para o espaço que pretendia. Montei o projeto de mestrado, fiz seleção na PUC e na UFRGS, passei nos dois e acabei ficando na UFRGS para trabalhar com a professora Helen Osório, que era quem trabalhava com a temática. Foi neste período que começou a minha relação com o Arquivo, que dura até hoje. Parando para pensar, eu me fiz pesquisadora aqui no Arquivo Público. Eu consultei outros acervos, estive em Itaqui, pesquisei no Arquivo Histórico [do Rio Grande do Sul] também, mas a maior parte dos dados que trabalhei ao longo desses anos saiu daqui… Não tenho dúvida que o que me fez pesquisadora foi o Arquivo Público, foram as fontes daqui que possibilitaram pensar e repensar meus recortes, minhas opções… Então, eu tenho um carinho muito grande pelo acervo, pelo Arquivo e pelas pessoas que aqui trabalham. Na época da dissertação eu tive contato com os Registros Paroquiais de Terra para a Paróquia de São Patrício de Itaqui. Itaqui não era o que eu pensava, as fontes também ressignificaram o espaço para mim! A localidade que compreendia a Paróquia de Itaqui era muito maior do que o município que eu conheci. Através de tais registros, que são um pouco diferentes dos demais, bem completos, o recorte espacial ganhou outra dimensão. Os declarantes, o próprio pároco, enfim, da forma que eles produziram a fonte, os registros que para nós hoje são fonte, permitiram com que eu conseguisse explorar tal fonte, a ponto de ser uma das bases quantitativas que até hoje utilizo para diversas análises. Como eu já disse, o espaço da paróquia se transformou, não era o que eu imaginava… Itaqui chegava quase ao centro do estado, encostado na Serra Geral, na região que hoje seria Jaguari, mais ou menos. Então perpassava Itaqui, Santiago, São Francisco, pegando um pedacinho de São Vicente e Jaguari. E foi este espaço que eu concentro meus estudos desde a época do mestrado. Num primeiro momento, a partir da metodologia de História Agrária, foi possível perceber uma diferença de paisagem agrária bem significativa, que ia tanto da presença de terras de campo, quanto de terras de mato. E as diferentes formas e os ritmos de apropriação desse espaço, como os indivíduos foram ocupando e transformando a paisagem geográfica em uma paisagem agrária. Tais estratégias estavam ligadas tanto aos seus interesses quanto a sua capacidade em transformar o meio, ligado também a própria diferença morfológica do espaço que compôs a paróquia.

2020.01.08 - Arlene

Você pode falar, também, um pouco sobre a temática da tese?

Entre a dissertação e a tese tive intervalo de tempo considerável, isso de certa forma contribuiu para refletir como gostaria de continuar os estudos. Durante a própria dissertação, além dos registros paroquiais, também trabalhei com os inventários post-mortem, apesar de ter feito o levantamento por amostragem de cinco em cinco anos, acabei por olhar todos os outros que não entraram na amostra. Isto permitiu ter uma noção melhor tanto da estrutura quanto dos indivíduos que viveram naquele espaço, na segunda metade do XIX, período onde sempre concentrei o meu trabalho. O que eu percebi, digamos assim, durante a dissertação, foi que a diferença da paisagem, os ritmos de apropriação, a própria configuração produtiva era muito mais complexa do que se havia descrito para o Rio Grande do Sul. Não só o meu trabalho, mas tantos outros estudos em História Agrária ajudaram neste processo, transformando a visão dual que imperava na historiografia. Hoje, sabemos um pouco mais sobre a antiga Província de São Pedro. Nela não haviam apenas grandes unidades produtivas nas mãos de poucos estancieiros com seus trabalhadores livres. Acabamos por demostrar uma diversidade social e produtiva muito maior, mais complexa: composta de médios, pequenos produtores, um grupo de trabalhadores livres, às vezes pequenos possuidores de terras, outras vezes agregados, outros sendo arrendatários, em alguns momentos eram trabalhadores sazonais, eram livres e na base desta hierarquia constatou-se a presença significativa dos trabalhadores cativos, inclusive na própria pecuária. E no que tange aos estudos da escravidão, para além do campo da História Agrária, temos uma gama ainda maior de excelentes trabalhos, que, sabemos, tiveram seu suporte nas fontes aqui do Arquivo. Em contrapartida, também não se pode negar que esses trabalhos, não só o meu, mas os dos colegas também, demonstram que existe uma concentração de terra e de rebanho significativa. E que esta concentração acompanha todo o processo de apropriação pelos luso-brasileiros no caso específico da terra. Tal fenômeno se intensifica na segunda metade do XIX, ligada tanto ao processo de cercamento dos campos, que transforma a terra em principal mercadoria quanto a própria mercantilização que emerge do processo sucessório, por exemplo. Então era uma realidade muito mais complexa do que se pensava, como mencionei anteriormente, que já vem sendo estudada, mas que ainda tem um potencial enorme que comporta diversos recortes: temáticos, metodológicos… Nesse sentido o potencial das fontes do Arquivo Público não tem limites! Podemos cruzar diversas fontes. Um exemplo: os Registros Paroquiais de Terras já tinham me mostrado um pouco da questão. Ao acessar os Registros Notariais, acabaram por confirmar a hipótese, nós tínhamos um processo de mercantilização da terra, que ao longo do XIX e na medida em que nessa segunda metade do XIX a terra foi tomando um valor ainda maior. Essa mercantilização foi crescendo e é possível perceber que, inclusive, aqueles que possuíam um rebanho significativo foram diminuindo o número de cabeças e passaram a investir em ampliar suas terras. Então o processo de concentração de terras se mantinha ao longo do tempo, ao longo das gerações. Para perceber tal processo, vários corpus do Arquivo podem serem usados: registro paroquial de terras, inventários, processos de medição, registros notariais (de compra e venda, hipotecas e arrendamentos). Isto tudo está aqui, preservado para vários espaços, e estão esperando para serem explorados! A partir do conhecimento de tal estrutura, optei por continuar meus estudos trabalhando com os indivíduos que concentravam terras e rebanhos. Contudo, entre o mestrado e doutorado eu dei um tempo significativo, foram quatro anos, para então fazer seleção do doutorado. Neste ínterim eu tive contato com pesquisas do grupo do Antigo Regime, a partir deles percebi que para eu entender melhor tal processo teria que passar a levar em consideração a perspectiva da família, a questão sucessória, os ciclos de vida, tanto o ciclo de vida do indivíduo, quanto o ciclo de vida familiar. Assim, quando eu montei o projeto do doutorado, a ideia inicial era fazer um trabalho prosopográfico em cima das famílias que concentravam terras e gado e também patentes militares na região. Porque não podemos negar que o Rio Grande do Sul também foi marcado por uma distribuição da terra a partir da ocupação militar. Lógico, cabe ressaltar mais uma vez que não foi só esta forma de acesso a terra. Outras formas de apropriação contribuíram para a construção de uma paisagem agrária diversificada, mas a relação patente militar/terra esteve presente neste processo. Então o critério que utilizei para recortar eram indivíduos e as famílias que concentravam terras, gado e patente militar. Quando eu fiz a seleção na UFRGS e UFRJ, passei nas duas, mas não tive bolsa mais uma vez. Assim como no mestrado, fiz o doutorado trabalhando, e permaneci aqui no sul. Então fazer um estudo prosopográfico trabalhando se tornou algo inviável. Eu teria, mais ou menos, umas dez famílias para pesquisar, na época, então, optei por trabalhar com três delas. E mais uma vez as fontes do Arquivo Público estiveram presente em minhas escolhas. Como selecionei elas? Por sua representatividade nas mais diferentes fontes. Este foi o critério para escolher essas famílias que trabalhei no doutorado.

Leia na próxima semana a continuidade da entrevista com a historiadora Arlene Guimarães Foletto.

APERS em Números – Novembro e Dezembro 2019

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Confira alguns dados referentes aos serviços realizados no APERS durante os meses de novembro e dezembro:

– Assessorias SIARQ/RS: 10

Novembro: 08  |  Dezembro: 02

– Usuários atendidos: 379

Cidadãos

Novembro: 142  |  Dezembro: 84

Usuários internos

Novembro: 07  |  Dezembro: 04

Pesquisadores

Novembro: 85  |  Dezembro: 57

Novos pesquisadores

Novembro: 24  |  Dezembro: 18

– Atendimentos aos usuários: 1322

Cidadãos

Novembro: 372  |  Dezembro: 288

Usuários internos

Novembro: 35  |  Dezembro: 12

Pesquisadores

Novembro: 389  |  Dezembro: 226

– Indexação Sistema AAP: 2917

Novembro: 1288  |  Dezembro: 1629

– Visitas guiadas: 19

Novembro: 14  |  Dezembro: 05

– Oficinas de Educação Patrimonial: 10 (novembro)

– Visualizações blog institucional: 13.376

Novembro: 9.381  |  Dezembro: 3.995

Veja abaixo gráfico com os quantitativos diários de atendimento aos usuários referente ao mês de Novembro e Dezembro de 2019:

2020.01.08 gráfico apers em numeros Novembro 2019

Gráfico Novembro

2020.01.08 gráfico apers em numeros Dezembro 2019

Gráfico Dezembro

Clique aqui e saiba mais sobre os serviços que o APERS presta a comunidade.

Reparos no Processo-crime que nos leva à luta da preta Serafina para se tornar livre #NovembroNegro

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Ao Laboratório de Conservação do APERS chegam documentos que registram infinitas relações travadas no estado do Rio Grande do Sul em diferentes contextos. Uma parte considerável dessas relações diz respeito ao período de três séculos da história do Brasil no qual foi possível a escravização de mulheres e homens negros. São todos documentos que possuem mais de cem anos e que guardam vestígios de trajetórias de vidas como a da preta Serafina.

Encontrado pelo historiador Rodrigo Weimer, enquanto realizava um levantamento do formato legal de processos-criminais, trabalho que resultará em um guia de leitura de documentos judiciários, o processo-crime de Serafina foi encaminhado para que a equipe do Laboratório fizesse nele alguns pequenos reparos.

Processo Serafina

Como vocês podem reparar nas imagens, o processo encontrava-se metalizado, com rasgos na capa e com marcas de presença de agentes biológicos em algumas páginas. Após avaliação, foi realizada a desmetalização e limpeza folha a folha da peça, recomposição da parte do suporte atacada por insetos e reforço nas lombadas das primeiras e das últimas páginas com papel japonês. Também foi produzida uma capa em papel Color Plus na qual foi colada a capa original do processo, cujo material era da mesma gramatura das folhas internas, intervenção realizada para que o documento como um todo ganhasse mais estabilidade. Por fim, no lugar dos metais que prendiam as partes do processo, foi feita uma costura com linha urso.

Enquanto eram realizados os procedimentos descritos acima, assim como fez Rodrigo, que no momento do contato com o documento estava mais preocupado com as facetas formais do processo com vistas a elaboração do guia, também a equipe do Laboratório não se furtou em dar uma espiadinha no conteúdo – parte dele está descrito no Livro processos-crime dos Documentos da Escravidão. Por meio dele, conhecemos uma escravizada solteira, preta, de 21 anos, cozinheira, que pertencia a Crispiniana Gonçalves da Cunha. Serafina foi acusada de matar, em março de 1881, em Arroio Grande, uma mulher branca de nome Julia, filha de sua senhora. De acordo com os autos, Serafina deu uma pancada na cabeça de Julia que, já inconsciente, teria sido afogada na sequência. Na formação da culpa, a ré argumentou que o ato praticado ocorreu porque a senhora era má com ela e com seus filhos. Já no júri, informou que fez auxiliada por seu parceiro Mathias e “a mandado de seu senhor moço Miguel” e que teria acobertado o patrão por conta de uma promessa de carta de liberdade e Mathias, por estar doente.

E nesse #NovembroNegro podemos afirmar a importância de preservar pelo maior tempo possível registros como esse, fonte de um recorte da vida de Serafina, filtrado por instituições judiciárias, é verdade, que nos informa das táticas encontradas por negras e negros na luta pela liberdade. Serafina cometeu um homicídio para ser livre, acobertou e entregou mandante e cúmplice. Foi condenada a 180 açoites e ao uso de um ferro no pescoço por três meses. Não sabemos o que veio depois, mas acreditamos que a luta por liberdade de Serafina reside em toda luta travada por negras e negros nesse país ainda racista – luta por sobrevivência, por melhores condições materiais e simbólicas de vida, por cenários que lhes permitam a felicidade; e cremos que a liberdade daquela mulher encontrou existência em cada conquista celebrada por Rosas, Marlenes, Joanas, as Serafinas de hoje.

Para acessar e saber mais sobre os Catálogos compostos por verbetes dos processos-crime do Projeto Documentos da Escravidão, clique aqui.

Dia 25/11 é dia de debater “Moradia popular: a cidade em disputa no pós-Abolição”

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Nesse Novembro Negro, o Arquivo Público promove, em parceria com o GT Emancipações e pós-Abolição da ANPUH-RS e com o Coletivo Quilombonja, o seminário “Moradia popular: a cidade em disputa no pós-Abolição“, que ocorrerá em nosso auditório no dia 25 de novembro, entre 09h e 18h.

2019.11.20 evento quilombonja2

Você já reparou na impactante arte do material? Ela foi produzida pelos estudantes José da Silva Martins e Taylor Felipe dos Santos, respectivamente do 7º e do 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora de Fátima, localizada no bairro Bom Jesus, em Porto Alegre/RS. Nessa Escola nasceu o Coletivo Quilombonja, coordenado pelo professor Bruno Xavier Silveira, da Geografia.

Provocados a pensar sobre o tema do evento, Taylor e José colocam no papel os processos de segregação e luta por moradia vividos em nossa cidade. Perguntamos o que eles quiseram representar com o desenho. Nas palavras de Taylor,

[A imagem] significa uma… como é que eu posso te dizer, uma disputa de poder. Uma territorialidade. Uma disputa entre nós, que somos pobres, e os ricos – os brancos que são os ricos. Como nós moramos mais em comunidade, nós somos mais da favela, nós somos pobres. E os ricos são os que moram em apartamentos, chiques, essas coisas, têm piscina, têm casa boa. Tudo isso. Muitos deles não trabalham, nós temos que trabalhar para ter nossas coisas, e temos que lutar para conquistar nossas coisas. Então isso quer dizer que todo mundo tem que ter os direitos iguais, porque que nem muitos de nós aqui, negros que trabalhamos quase um mês inteiro pra ganhar metade de um salário no final do mês. Isso não é justo. E isso não faz a gente diferente dos brancos, porque nós temos que ganhar a mesma quantidade que eles ganham, porque nós trabalhamos da mesma forma que eles trabalham. Às vezes a gente até trabalha mais que eles, e eles ganham mais do que nós. E muitos deles ganham sentados. Eu quero dizer que é uma territorialidade, e é uma disputa de poder. Então, o personagem ali do meio, ele está cortando porque isto é injusto, todo mundo tem que ter direitos iguais.

José explica que “o desenho é uma representação da desigualdade social e esses negócios, tipo, a favela de um lado, e a cidade de gente rica do outro lado, dai o homem branco divide ali, com uma tesoura”. Argumenta que a segregação das populações se dá muitas vezes pelo argumento de que na favela tem muita violência, como os tiroteios, e que meninos pretos, moradores de favela como ele, não poderiam pisar nas “zonas de rico”. Mas finaliza apostando nos “bons estudos” como um caminho para ter oportunidades e romper com esse ciclo.

Vamos debater sobre o tema? O evento é gratuito e não necessita inscrição prévia. Participe!

Especial Projeto Documentos da Escravidão – Alforrias e Registros de Compra e Venda #NovembroNegro

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2019.11.20 cartas e compra e venda imagem 2 Foto Joana Berwanger Sul21

Detalhe do acervo de Tabelionatos. Prédio 1 do APERS. Foto: Joana Berwanger / Sul21

Damos sequência ao nosso especial de divulgação do Projeto Documentos da Escravidão, hoje direcionando o olhar às alforrias e registros de compra e venda. Ambos são tipos documentais que fazem parte do acervo de Cartórios e Tabelionatos do Arquivo Público do RS e que foram descritos, item a item, em verbetes que compõem catálogos publicados no âmbito desse projeto.

Como forma de descobrir as tensões entre estruturas sociais e ações subjetivas, os estudos históricos têm explorado cada vez mais as trajetórias individuais e coletivas. As escrituras de compra e venda de cativos, assim como as cartas de liberdade registradas nos cartórios de Porto Alegre e do interior do Rio Grande do Sul permitem acompanhar as pessoas escravizadas, percebendo seu trânsito entre diversos senhores ou a aquisição da alforria por meio de diversos dispositivos de negociação e resistência cotidiana que explicitam sua agência como sujeitos. Isso pode ser muito significativo, porque, como frequentemente se assumia o sobrenome senhorial na vida em liberdade, identificar de quem se havia sido escravizado pode ser de importância fundamental para descobrir os rumos tomados na vida em liberdade, por meio do acompanhamento do nome e sobrenome adquiridos.

Por outro lado, ainda há a possibilidade de estudar, a partir desses documentos, as flutuações do mercado de escravizados, especialmente em função da legislação antiescravista, trabalho que está por ser realizado, e de obter, por meio de metodologia serial e quantitativa, um panorama das modalidades de libertações ao longo das décadas, como, por exemplo, procede o historiador Paulo Staudt Moreira em seus trabalhos , discutindo a presença de alforrias gratuitas, compradas ou condicionadas à prestação de serviços, essas últimas em número crescente durante os últimos anos da escravidão.

Importante também é destacar a dimensão afirmativa de reconhecimento da humanidade, para além e nas entrelinhas da dureza documental que os reduzia a “mercadorias”, e das lutas dessas mulheres e homens por meio do acesso aos registros sobre suas vidas. Isso tem nos motivado a incentivar os usos desses documentos em processos de ensino-aprendizagem e de sensibilização que vão além da pesquisa acadêmica nas ciências humanas de modo geral. Emociona-nos, por exemplo, ver estudantes da Educação Básica manuseando-os em oficina, assim como líderes de quilombos urbanos e de pontos de cultura negra frequentando nossa Sala de Pesquisa para acessá-los em busca de vestígios sobre suas origens.

Acesse os catálogos que descrevem os tipos documentais em questão:

Importante: As alforrias de Porto Alegre encontram-se resumidas em MOREIRA, Paulo Roberto Staudt & TASSONI, Tatiani. Que com seu trabalho nos sustenta: as cartas de alforria de Porto Alegre (1748 – 1888). Porto Alegre: EST Edições, 2007.

Especial Projeto Documentos da Escravidão – Inventários e Testamentos #NovembroNegro

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Na semana anterior informamos que o novembro negro no APERS traria o Projeto Documentos da Escravidão em destaque às nossas mídias. Iniciamos por dois tipos documentais bastante visitados pelos pesquisadores e pesquisadoras em nossa sala de consulta!

Os inventários consistem em relações dos bens de um falecido, inclusive os trabalhadores escravizados, com fins da sua repartição entre os herdeiros. Os testamentos são as disposições finais do moribundo, dando destinação a parte de sua fortuna e recomendando procedimentos fúnebres.

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Evento de lançamento dos Catálogos de Documentos da Escravidão, 2010.

Enquanto os testamentos permitem uma aproximação ao universo de crenças e religiosidade, sobretudo às atitudes perante a morte, os inventários vêm sendo utilizados como via de acesso à história econômica, já que trazem um instantâneo das atividades produtivas em dado momento.

A historiografia tem se beneficiado dos catálogos de inventários produzidos a partir do Projeto Documentos da Escravidão, uma vez que eles trazem a relação de cativos nos inventários, assim como evidenciam a presença negra com herança, permitindo perceber, em dada localidade ou comarca, a concentração da propriedade escrava e outros indicadores relacionados ao processo de escravização, como a difusão de famílias legalmente constituídas, sua pirâmide etária, os locais de nascimento ou grupos de procedência, as profissões desempenhadas, a presença de moléstias, o valor monetário médio de estimativa (atribuído pelo avaliador à pessoa escravizada), etc.

Seja como um guia para manuseio dos documentos em si, seja por possibilitar uma visão panorâmica de um conjunto documental maior, os catálogos nos permitem ter uma ideia mais rica da história dos negros e negras escravizados(as) no Rio Grande do Sul nos séculos XVIII e XIX. Acesse tais instrumentos de pesquisa clicando nos links a seguir:

Gestão Documental é tema do 4º Fórum de Diretores Administrativos do Estado 

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O quarto encontro do Fórum de Diretores Administrativos do governo do Estado foi realizado na manhã do dia 06/11, quando foram discutidos os temas mobilidade, compras e gestão documental. Em uma iniciativa da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), reuniram-se cerca de 70 participantes no auditório do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), sob a coordenação do secretário-adjunto de Gestão, Marcelo Alves, com o objetivo de fortalecer os mecanismos de colaboração entre os diretores administrativos e também ampliar o conhecimento dos servidores sobre o trabalho em cada órgão do Estado.

O arquivista Jonas Ferrigolo Melo, do Arquivo Público, em sua apresentação, valorizou a necessidade de uma gestão documental eficiente no Estado a partir dos instrumentos norteadores elaborados pelo Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul, a fim de que os servidores desempenhem suas funções observando as normas arquivísticas, possibilitando a melhoria da gestão de documentos em meio convencional e digital. Também foi apresentado o projeto de ampliação dos instrumentos atualmente em vigor – Plano de Classificação e Tabela de Temporalidade de Documentos – assim como os resultados alcançados pelo SIARQ-RS nos últimos anos, através das assessorias técnicas realizadas.

APERS no mês da Consciência Negra #NovembroNegro

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2019.11.06 APERS Consciência Negra

Embora partilhemos da compreensão de que é importante que as instituições arquivísticas organizem seus acervos globalmente, permitindo à comunidade acessar informações diversas, independente do tema de pesquisa ou do direito que se pretende acessar, acreditamos, também, na centralidade de tais instituições assumirem uma postura ativa frente aos temas sensíveis que marcam nossa sociedade, postulando espaços de defesa dos direitos humanos, de enfrentamento ao racismo, ao machismo, à lgbtfobia. Afinal, a gestão de documentos, o acesso à informação, assim como a diversidade que marca o patrimônio documental estão no cerne da construção de uma sociedade plural e democrática.

Nessa perspectiva, ao longo das últimas décadas do APERS vem desenvolvendo projetos, realizando eventos e promovendo a difusão de seus acervos com especial atenção às relações étnico-raciais e à história negra do Rio Grande do Sul. Agora, adentrando o mês de novembro, que marca o Dia da Consciência Negra nacionalmente, propomos uma programação especial para nossas mídias, que resgata ações já empreendidas e fortalece a divulgação projetos nessa área.

Aqui no blog, a começar pela presente postagem, traremos conteúdos semanais que marquem a percepção do APERS como um lugar de memórias e de histórias negras. Falaremos de documentos e de seu tratamento, de eventos e exposições, de ações educativas e, em especial, do projeto Documentos da Escravidão. Ele originou dez volumes de catálogos seletivos que lançam luz sobre a presença de negras e negros em nosso acervo, e foi desenvolvido pela instituição ao longo de mais de uma década, de modo que seus impactos sobre as pesquisas em ciências humanas ainda estão por ser estudados.

Recentemente, em uma banca de um trabalho de pós-graduação, uma importante pesquisadora do centro do país perguntou ao candidato: “você pesquisou diretamente nos documentos ou utilizou os catálogos seletivos ‘Documentos da Escravidão’, publicados pelo Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul?” Diante da confirmação de que, de fato, estes foram consultados, ela afirmou: “ah, bom! Porque aqui vocês têm algo que não existe em nenhum outro lugar no país”. Essa pequena anedota demonstra a relevância historiográfica assumida pelo monumental trabalho de pesquisa e descrição documental realizada em nossa instituição nos primeiros anos do século XXI.

Ainda em relação ao blog, o 20 de novembro cairá em uma quarta-feira, dia tradicional de postagens por aqui, e será marcado pelo “Especial Consciência Negra no APERS”.

Nosso Facebook, como de costume, repercutirá tudo o que for veiculado em nosso blog, assim como colocará na vitrine a exposição do mês – organizada dentro do projeto “Descobrindo o Acervo do Arquivo Público” – e o evento que estamos organizando para os dias 25 e 26/11 – em breve mais informações. Nosso perfil será “consciência negra” a cada caractere!

Nosso Instagram trará para o mundo virtual a exposição física que ocupará, no APERS, a Sala Joel Abilio Pinto dos Santos, e também apresentará à comunidade os documentos sobre o contexto da escravização que são explorados com as turmas escolares que nos visitam para vivenciar a oficina “Tesouros da Família Arquivo”.

Já em nosso Twitter todos as postagens do mês serão relacionadas à temática. Desse modo, traremos a nossas seguidoras e seguidores a referência de trabalhos acadêmicos, de livros, de produções audiovisuais, entre outras reflexões relacionadas à área de arquivos que se conectem com a consciência negra.

Acompanhe nossas mídias e participes das atividades!

Oficinas de Educação Patrimonial – Outubro 2019

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Imagem para post Oficinas

Ao longo do mês de outubro realizamos 17 oficinas a partir do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS. Confira as turmas que estiveram conosco:

  • 02/10: Iniciamos o mês de outubro com a realização da oficina “Tesouros da Família Arquivo” durante o evento “Questões para a História Negra do RS”, recebendo um público diverso, entre estudantes de graduação e pós-graduação, professores e ativistas sociais. Para ver as fotos do evento, clique aqui.
  • 04/10: Acompanhados pela professora Daniela Scheffers, as e os estudantes da turma 203, 2° ano do Colégio Estadual Inácio Montanha, estiveram no Arquivo Público em uma manhã de sexta-feira para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”. Para ver fotos, clique aqui.
  • 08/10: Em uma manhã de terça-feira, as e os alunos do 2º ano do Colégio Estadual Inácio Montanha, vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pela professora Denise Marques. Para ver fotos, clique aqui.
  • 09/10: Durante uma manhã de quarta-feira, os estudantes de 9° ano da EEEM Oscar Pereira estiveram no APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pela professora Adriana Costa. Para ver fotos, clique aqui.
  • 10/10: Acompanhados pelo professor Rodrigo Souza dos Santos, estudantes do 8° ano da EMEF Pepita Leão foram recebidos no Arquivo Público em uma manhã de quinta-feira para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”. Para ver fotos, clique aqui.
  • 10/10: Durante uma tarde de quinta-feira, os alunos da EEEM Ceará vieram ao APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pela professora Adriana Costa. Para ver fotos, clique aqui.
  • 11/10: Em uma tarde de sexta-feira as e os estudantes do 6° ano da EEEM Oscar Pereira estiveram no Arquivo Público para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Jaqueline Fraga. Para ver fotos, clique aqui.
  • 15/10: Em uma manhã chuvosa de terça-feira, as alunas e alunos do 6° ano do Colégio Romano Senhor Bom Jesus vieram ao APERS para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Maria Eduarda Carvalho. Para ver fotos, clique aqui.
  • 16/10: Durante a manhã de quarta-feira, os estudantes do 3° ano do Ensino Médio da Fundação Bradesco de Gravataí, vieram visitar o Arquivo Público para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Diego Scherer. Para ver fotos, clique aqui.
  • 17/10: Nem o temporal daquela sexta-feira de manhã foi suficiente para impedir que as e os alunos do 2° ano do Colégio Estadual Inácio Montanha viessem ao APERS. Acompanhados pela professora Raquel Braun, elas e eles vieram participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”. Para ver fotos, clique aqui.
  • 22/10: Na manhã de 22/10 a equipe do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS deslocou-se até a Unisinos para ofertar a oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de gênero na história” dentro da programação do VII Ofícios de Clio, evento promovido pelo GT Acervos, da ANPUH-RS. Para ver fotos, clique aqui.
  • 23/10: Durante a manhã de quarta-feira, estudantes do 3° ano do Ensino Médio da Fundação Bradesco de Gravataí, vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Diego Scherer. Para ver fotos, clique aqui.
  • 24/10: Na tarde de quinta-feira, o APERS recebeu a visita de mais uma turma do 3° ano do Ensino Médio da Fundação Bradesco de Gravataí que, acompanhados pelo professor Diego Scherer, vieram participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”. Para ver fotos, clique aqui.
  • 25/10: Pela manhã de sexta-feira, as e os estudantes do 6° ano do Colégio Romano São Mateus, vieram ao Arquivo Público para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Karen Cerutti. Para ver fotos, clique aqui.
  • 29/10: Durante a manhã de terça-feira as e os estudantes de 6° ano do Colégio Romano Santa Maria vieram ao APERS para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pelo professor Alessandro Maldonado. Para ver fotos, clique aqui.
  • 31/10: Na manhã de quinta-feira, estudantes da turma 163 do 6° ano do Colégio Romano Senhor Bom Jesus vieram ao Arquivo Público para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Eduarda Carvalho. Para ver fotos, clique aqui.
  • 31/10: Na noite de 31/10, quinta-feira, estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da EEEF Cândido Portinari estiveram no APERS para vivenciar a oficina Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos, acompanhados pela professora Adriana Quadros. Para ver fotos, clique aqui.

Para saber mais a respeito das oficinas e demais ações desenvolvidas no âmbito do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, clique aqui. Contate-nos pelo e-mail acaoeducativa@planejamento.rs.gov.br.

Visitas guiadas ao APERS – Outubro 2019

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Visitas Guiadas APERS

No mês de outubro foram realizadas oito visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Saiba quem foram nossos(as) visitantes:

Dia 03: visitaram o Arquivo naquela quinta-feira a Professora Manuela Catafesta e sete alunos do Curso de Arquitetura de Extensão da Faculdade Ritter. Também acompanharam a visita Diego Gomide e Lucas Damasceno.

Dia 14: na tarde de segunda-feira recebemos a família Nunes: senhor Artur, senhora Magda e o filho André. Também acompanharam a visita o estagiário do APERS Luiz Otávio Martins, do curso História da PUCRS, e o servidor Álvaro Klafke.

Dia 14: visita na noite de segunda-feira, com foco nas ações educativas do APERS. Recebemos 23 estudantes da disciplina de Introdução à Prática e Estágio, do curso de Licenciatura em História da UFRGS, acompanhados pela professora Carla Meinerz.

Dia 16: nesta quarta-feira, recebemos 11 alunos da E.E.E.F. Professora Thereza Noronha Carvalho, acompanhados pelos professores Alexander Silva, Gustavo Monteiro, Milton M. Braga, Andreia Fraga de Bem e Fatima Silveira. Também acompanhou a visita a estagiária do APERS Elisa Costa, do curso de História da PUCRS.

Dia 19: na tarde de sábado, recebemos 22 escoteiros da Tropa Caetés (Tropa 1) do Grupo Escoteiro Georg Black, acompanhados pelos chefes Carlos Eduardo Klein, Thiago Yuki Kajiwara e Tatiane G. M. Voelcker.

Dia 22: na noite de terça-feira recebemos nove estudantes do Seminário de História Pública, ministrado pelo professor Benito Bisso Schmidt a estudantes do curso de Bacharelado em História da UFRGS. A visita teve como principal objetivo debater o trabalho desenvolvido por historiadores dentro de instituições arquivísticas. Foto de Renata Coutinho.

Dia 25: sexta-feira pela manhã recebemos a visita do Professor Fábio Ramos Barbosa Filho, da UFRGS.

Dia 30: na tarde de quarta-feira recebemos 17 jovens acompanhados pelo professor Marcelo Silva, do Programa Jovem Aprendiz – Instituto Leonardo Murialdo.

Guias: Clarissa Alves e Iara Gomide.

Lembre-se: semanalmente oferecemos, nas segundas-feiras às 14h30min e nas sextas-feiras às 10h, visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do APERS com duração de 1h30min. Para visita de grupos em horários específicos, agende pelo e-mail visitas@planejamento.rs.gov.br ou ligue para (51) 3288-9134.

APERS em números – Outubro 2019

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Confira alguns dados referentes aos serviços realizados no APERS durante o mês de outubro:

– Assessorias SIARQ/RS: 09

– Usuários atendidos: 341

– Cidadão: 223

– Usuários internos: 06

– Pesquisadores: 112

– Novos pesquisadores: 39

– Atendimentos aos usuários: 1.038

– Cidadão: 402

– Usuários internos: 22

– Pesquisadores: 614

– Indexação Sistema AAP: 925

– Visitas guiadas: 08

– Oficinas de Educação Patrimonial: 17

– Visualizações blog institucional: 11.739

Veja abaixo gráfico com os quantitativos diários de atendimento aos usuários referente ao mês de setembro:

2019.11.06 gráfico APERS em números

Clique aqui e saiba mais sobre os serviços que o APERS presta a comunidade.

Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS no VII Ofícios de Clio

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2019.10.23 APERS no Ofícios de Clio

Ontem pela manhã, 22 de outubro, parte de nossa equipe do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS esteve na Unisinos participando do evento VII Ofícios de Clio – Patrimônio e Memória em Risco: Desafios do Século XXI, promovido pelo GT Acervos, Memória e Patrimônio da ANPUH/RS e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Unisinos. Nossa contribuição se deu por meio da oferta da oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de gênero na história” como parte da programação do evento.

Foi uma excelente oportunidade para difundir o Arquivo Público, seus acervos e serviços, além de reafirmar o compromisso da instituição com o acesso à informação e a valorização de seu potencial educativo e cultural. Agradecemos a todas e todos os participantes, que se engajaram na oficina e participaram ativamente das reflexões e debates propostos, assim como à organização do evento, pela oportunidade e reconhecimento ao nosso trabalho. Desejamos vida longa ao “Ofícios de Clio”!

 

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Aconteceu no APERS: “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade”

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No dia 19 de outubro, último sábado, o Arquivo Público recebeu o curso “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade”, organizado pelo APERS junto a diversas entidades da sociedade civil, particularmente o grupo Close e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O “close certo” do dia foram profícuos debates sobre respeito à diversidade sexual e de gênero no ambiente escolar. Um dos momentos mais emocionantes foram os relatos de professorxs LGBTQI+ e suas experiências como educadorxs.

As portas do Arquivo sempre estão abertas no sentido de promover reflexões tendendo a uma sociedade mais inclusiva e que combata os preconceitos. Confira a baixo alguns registros do evento feitos por Muriel Freitas, e até a próxima!

15 de outubro, Dia do Professor: nossa singela homenagem em forma de documento.

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2019.10.16 Homenagem Dia dos Professores

Ontem, dia 15 de outubro, celebramos o Dia do Professor. Não é uma data qualquer. É o dia daquelas e daquelas profissionais que dedicam suas vidas à educação, que compartilham conhecimentos, suscitam curiosidade, doam suas energias. Pessoas que tantas e tantas vezes ensinam muito mais do que qualquer conteúdo curricular: ensinam a construir laços de afeto e solidariedade.

Hoje, nossa singela homenagem a tais profissionais pelo seu dia vem em forma de destaque a um documento: trazemos o processo administrativo de solicitação de pensão da professora Emma Laura Regina Barcala, nascida em 1900 na cidade de Bagé, que se diplomou como professora de música em 1919, exercendo a profissão por toda a vida desde aquele ano. Iniciou a carreira lecionando e dirigindo a Escola Municipal de Itaqui. Em 1925 fundou o Instituto Beethoven, em Porto Alegre. Mais tarde, lecionou também no Ginásio Concórdia.

Já em 1963, Laura, com mais de 60 anos, viúva e sem condições de sustentar-se, solicita concessão de pensão ao estado dirigindo-se diretamente ao governado Ildo Meneghetti, apelando ao “espírito de justiça” com que acreditava que o mesmo costumava agir. A concessão e a revisão de pensões vitalícias previstas na Lei 2.717, de 18 de outubro de 1955, estava a cargo, à época, da Secretaria do Interior e Justiça. A Comissão de Pensões Vitalícias tinha como responsabilidade analisar as solicitações e conceder ou não a pensão, para o que exigia que a parte solicitante fornecesse uma série de informações ao pleitear o benefício. Além de seu pedido inicial, a requerente anexou ao processo diversos documentos como cópia de seu diploma, certidão de nascimento e casamento, declarações comprovando sua atuação profissional em diversas instituições e como professora particular, atestado de pobreza, certidão do Tesouro do Estado comprovando não receber nenhum valor pelos cofres públicos, materiais relacionados à audições e outros eventos promovidos por ela e seus alunos, entre outros.

Passear os dedos por entre as folhas que compõem esse processo e olhá-lo atentamente pode fazer-nos imergir em muitas reflexões sobre a constituição do acervo da Secretaria do Interior e Justiça – SIJ (1947-1975), do qual ele faz parte e que atualmente encontra-se em tratamento técnico. São muitos setores, carimbos, assinaturas e rubricas que dão conta de um longo percurso por dentro da “máquia pública” durante sua tramitação, que se estendeu entre agosto de 1963, quando foi aberto por Laura junto à SIJ, e fevereiro de 1973, quando finalmente é registrada decisão favorável do Tribunal de Contas, amparada em concessão do então governador, Euclides Triches, subscrita pelo secretário Octávio Germano. Emma Laura, já com 73 anos, passaria a receber pensão de Cr$149,76. Para acessar a digitalização de parte desse processo, clique aqui.

Além de afirmar a diversidade dos potenciais de pesquisa de nosso acervo, trazer esse documento hoje, em alusão ao Dia do Professor, é nossa forma de dizer que a trajetória de cada professora e professor importa, que suas histórias são prenhes de significados e que os saudamos com um parabéns bastante caloroso!

Aproveitamos para divulgar que os processos de pensão oriundos do Fundo Secretaria de Justiça (1975-1991) já podem ser pesquisados a partir do “Catálogo Secretaria da Justiça: processos administrativos de pensões”.

Sábado no APERS será dia de “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade”

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Quando iniciamos a divulgação em nosso blog, em 18 de setembro, do curso “Close na Sala de Aula: Educar para a Diversidade” já acreditávamos que essa é uma iniciativa fundamental, porém, não imaginávamos que seria acolhida tão rapidamente. Em poucos dias o número de solicitações de inscrição superou o número de vagas, e não voltamos a publicar sobre o tema por aqui.

Entretanto, o dia do evento aproxima-se, e embora não tenhamos mais vagas a disponibilizar, consideramos muito importante reforçar o chamado aos já inscritos, e divulgar os nomes das e dos palestrantes que farão desse encontro um momento especial de aprendizado, sensibilização e afirmação para a diversidade. Clique nas imagens para ampliar:

 

A quem se inscreveu, um até breve! Nos vemos no dia 18/10! Para todas e todos nós, que possamos seguir promovendo e apoiando debates em prol do respeito e da diversidade.

Entrevista com Maria do Carmo Aguilar – parte II

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No trecho da entrevista publicado na semana anterior, a historiadora Maria do Carmo Aguilar explicava a forma como relaciona fontes escritas e orais em sua pesquisa.

E outra questão, assim, te provocando um pouco. Tu não acha que existe o risco para nós, e eu me coloco também como historiador do pós abolição em áreas rurais, de a gente se centrar nas fontes orais no pós-abolição ao contrário de fazer um cruzamento com as fontes escritas como a gente faz para o século XIX?

Na dissertação eu fiquei centrada nas fontes orais, mas se a gente pegar a minha dissertação e a minha tese e unir as duas aí a gente vai ver o cruzamento. Porque a minha dissertação começa em 1930/40 e a tese ela vai de 1870 a 1900. E aí na tese eu voltei para o final do XIX justamente para poder analisar esse contexto dessas relações de trabalho que eles, os entrevistados, estavam falando. Então eu fiz essa partição, na dissertação eu usei história oral e na tese eu fiquei nas fontes escritas, mas na tese eu também puxo, eu vou puxando as entrevistas; tem as entrevistas na tese também, eu vou trazendo argumentos da minha dissertação para a tese, então, eu uso ali na tese também história oral e as fontes escritas, faço meio que esse cruzamento. Mas num capítulo, num capítulo que eu estou discutindo o trabalho análogo ao escravizado e tal, aí eu vou puxando essas entrevistas. Mas se juntar, porque eu vejo a minha dissertação e a minha tese como um grande conjunto. Porque o que me levou a pesquisar o meu problema na tese foram as provocações que os quilombolas fizeram na dissertação, então, eu vou pegando na mesma região; se eu for pegar os dois em conjunto é de 1870 a 1960, então eu tenho esse recorte temporal e ali tem fontes primárias, fontes orais, fontes escritas, tem uma gama de fontes. Mas é difícil fazer isso.

É um desafio?

É um desafio, é difícil. Tem a questão do tempo, o nosso tempo de pesquisa. No mestrado são dois anos, é pouco tempo para você aprofundar, para você fazer esses cruzamentos de fontes. É difícil, né? É difícil você conseguir fazer isso.

2019.10.09 Maria do Carmo Aguilar

E continuando na questão das fontes, dá para ver nos teus trabalhos que você é uma historiadora com fundamentação empírica muito grande. Então, queria te pedir para falar um pouco sobre o papel das fontes do Arquivo Público no teu trabalho.

Foram fundamentais, foram as fontes que jogaram luz nesse imediato pós abolição. Então eu pesquisei. O meu objetivo na tese era analisar as relações de trabalho estabelecidos entre libertos e empregadores nesse pós abolição, de ver algumas questões, a questão de inclusão e exclusão desse mercado de trabalho, como é que se deu esse processo, quais eras as expectativas de ex senhores, dos libertos em relação a esse mercado de trabalho, que mercado de trabalho era esse e o que é esse trabalho livre para ex senhores e para libertos. Então havia a possibilidade de trabalho autônomo na região que eu pesquisei, que foi Cruz Alta, eles ficaram nas propriedades. Qual era o grau de autonomia ficando ali na propriedade, onde conheceram o cativeiro? Como é que eles negociaram com esses ex-senhores os termos dessa nova relação? Então tinha uma série de perguntas e para eu responder eu fui paras fontes fazer esse cruzamento. Então, eu analisei uma série de fontes documentais, analisei os processos crimes, eu acho que para Cruz Alta tinha uns seiscentos e poucos processos, desses seiscentos e pouco eu achei uns cerca de cinquenta e poucos que mencionava negro, preto ou pardo, e desses cinquenta e poucos quase trinta mencionava a condição; era preto forro ou ex escravo de fulano de tal, era o preto liberto ex escravo de fulano de tal e aí era em torno de uns trinta, assim. Aí, nos processos crimes eu consegui ver ali a experiência, a trajetória desses sujeitos ali envolvidos naquela contenda. E nos processos crimes você vê as redes de sociabilidade, no que trabalhavam, a partir dos processos eu consegui. Eu tinha acesso à planta de Cruz Alta de 1880 e poucos, aí eu consegui mapear as residências deles ali, então eles estavam, alguns, próximo, perto uns dos outros, aí tem processos crimes sobre festas, bailes de fandangos na casa de libertos, porque tem vários libertos juntos e são moradores das proximidades ali. Então, a gente consegue pesquisar, fazer esse mapeamento essa trajetória e experiência que o processo crime me deu. Fui para os inventários para ver a questão da produção, a estrutura fundiária da região. Os inventários em Cruz Alta eu acho que era quatrocentos e poucos, aí já tem mais de mil documentos que eu pesquisei. E aí ali também tinha… eu consegui localizar alguns libertos trabalhando nessas propriedades, também pesquisei os livros de transmissão em notas que aí eu fui olhar os contratos de locação de serviços, os contratos estabelecidos entre os libertos e empregadores e também dei uma olhada nas cartas de alforria com clausulas de prestação se serviços. Então, eu acho que os processos, os documentos custodiados pelo Arquivo são fundamentais, sem eles… com eles eu consegui responder aos meus problemas de pesquisa e através deles, igual aos processos crimes, eu consegui problematizar os dados do censo. Você pega as profissões que aparem no censo, as profissões em Cruz Alta tem um alto número de assalariados, números que eu jamais encontrei nos processos crimes, então, eu consegui problematizar os dados do censo. A gente sabe que tem todo um problema na questão dos censos e que os censos eles vem a fixar no tempo, ali, aquele sujeito e nos processos crimes você vê o movimento e te permite fazer uma análise mais qualitativa. Então, no processo crime tem o liberto que vai dizer que a sua ocupação é lavrador, mas ele está construindo um muro. Então como é que ele aparece no censo, ele é um lavrador ou ele é um jornaleiro? Como é que isso aparece? Até a questão dos libertandos, não tem no censo os libertandos. Eles não são assalariados, estão trabalhando num trabalho compulsório para cumprir as cláusulas da carta de alforria. Então como é ele aparece ali? Onde é que ele está? Não está, né? Os libertos trabalhando por casa e comida, também não são assalariados, né? Os libertos trabalhando para pagar dívida não estão ali. Então, isso os processos crimes e os contratos, eles me permitiram fazer essas problematizações dos dados do censo. Então, para mim foi fundamental para a minha tese, né? Foi um trabalho gigante, porque eu esgotei toda a documentação que tinha para Cruz Alta, deu trabalho, a gente fica no Arquivo, vem toda semana, já conhece todo mundo. Eu colocava o Jorge como um doido correndo atrás de processos para mim, ia atrás da Neide… Mas, tem que fazer isso, né? Lá pelas tantas a gente começa a sonhar, eu sonhava, assim, com… você sonha! (risos). Porque você está ali. Quando eu fui fazer a estrutura de pós, então gente, era um tal de contar boi. Você tem que fazer isso, né? Olhar ali as propriedades, nossa! Aquilo para mim, sabe? (risos) Eu sou historiadora qualitativa e quando você vai para fazer essa questão mais quantitativa, para a estrutura de pós, isso para mim foi meio um desafio. Entrava num desespero para fazer aquelas quantificações ali, mas fiz…

Tu encontraste testamento e inventário de libertos, de pessoas negras?

Pouquíssimos. Acho que inventários eu achei uns dois e testamento um. Muito, muito poucos… e parcos recursos. Você vê ali a pobreza, o processo de exclusão ali, quando você vai ler esses documentos. Mas foram muito poucos ali, uns dois ou três, assim…

Eu queria te pedir para falar um pouco sobre os livros notariais. O que tu encontra nesses livros, que tipo de informação?

Os contratos, contratos de prestação de serviços. Eu achei alguns. Eu achei libertos pegando empréstimos com terceiros, escravizados pegando empréstimos com terceiros para pagar a carta de alforria e aí voltando ao cartório para poder assinar o contrato de locação de serviços com esse terceiro, para poder pagar a dívida de liberdade. Então eu acho esses contratos de locação de serviços e também contratos firmados entre libertos e empregadores que, não está ali especificado que emprestou algum dinheiro para pagar a dívida de liberdade. E são contratos também que não tem muitas especificações, né? Então, o liberto vai trabalhar no horário de trabalho que é comum na região. Mas aí que horário de trabalho que é comum? É o horário de trabalho de quem? Porque você tem vários, na realidade, tipos de trabalho em disputa ali, você tem o trabalho compulsório, trabalho escravizado, trabalho assalariado, você tem vários arranjos de trabalho. Então, o horário de trabalho vai ser referente a que tipo desses arranjos? Então, os contratos são poucos, achei muito poucos, acho que não chegou a dez e assim, não tem nenhuma especificação, não são muito específicos. É de acordo com a região. O valor também, o valor do salário também nesses para pagar a dívida de liberdade. Aí eu tive que fazer as contas, né? Aí a gente percebe que a mão de obra é cotada muito abaixo do valor, que daí eu pego o trabalho dos libertos e comparo com esses libertos que estão assinando contrato de trabalho para pagar dívida de liberdade, a mão de obra deles é cotada muito abaixo do valor e aí eles tem que trabalhar um tempo maior. Isso é uma forma de você esticar o máximo essa dominação, esse instrumento de dominação.

Então, para finalizar, uma pergunta mais descontraída. O que a Maria do Carmo faz quando não está pesquisando?

A gente precisa namorar com meu companheiro (risos). Sair para dançar, eu sou dançadeira, gosto de dançar, gosto de ler e ouvir música. Enfim, acho que todo mundo gosta, né? Namorar, dançar, ouvir música, ler um livro… Ler, porque depois que você termina o doutorado, você senta, relaxa e vai ler sem aquela preocupação de ter que fichar, você lê de forma mais descontraída, relaxada. Acho que é isso…

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Entrevista com Maria do Carmo Aguilar – parte I

Oficinas de Educação Patrimonial – Setembro 2019

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Devido ao forte envolvimento de nossa equipe do Núcleo de Ação Educativa com a realização, na semana anterior, do evento “Questões para História Negra do RS”, não foi possível postarmos no dia do “APERS em Números” a notícia referente às oficinas realizadas em setembro. Porém, elas não apenas aconteceram, como foram muito significativas. Então, confira hoje as escolas que estiveram conosco no mês passado:

  • 04/09: no turno da manhã as e os estudantes de 8° e 9° ano da EMEF Heitor Villa Lobos, da Zona Leste da capital, vieram ao APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pelo seu professor Raul Vital. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 05/09: na tarde de quinta-feira, alunas e alunos do 9° ano da EEEF Cândido Portinari estiveram no Arquivo para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pela professora Adriana Quadros. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 06/09: na manhã de sexta-feira estudantes do 6°, 7° e 8° anos do Colégio Santa Marta – Rede Romano participaram da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela sua professora Adriana Quadros. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 10/09: na manhã de terça-feira, os alunos do 6° ano do Colégio Bom Jesus – Rede Romano vieram ao APERS para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pelo professor Jairo Brum Júnior. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 11/09: na tarde de quarta-feira, as e os estudantes do 9 ° ano da EEEF Frederica Schutz Pacheco vieram ao Arquivo para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Jefferson Garrido. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 13/09: na manhã de sexta-feira, a turma do 7° ano da Escola São José estive no APERS participando da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Nikita Medeiros. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 17/09: em uma tarde chuvosa da terça-feira, estudantes do 6º, 7º, 8°e 9° ano da EMEF Pepita de Leão vieram ao APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de Gênero na História”, acompanhados pelo professor Rodrigo Souza Santos. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 19/09: antes do feriado do dia 20 de setembro, os estudantes de 8° e 9° ano da EEEF Araguaia vieram ao APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de Gênero na História”, acompanhados por seu professor Milton. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 24/09: na manhã de terça-feira, os estudantes do 9° ano da Escola São José vieram ao Arquivo Público para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados por sua professora Nikita Medeiros. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 24/09: na tarde de terça-feira, alunas e alunos do curso de Museologia da UFRGS, disciplina de Educação em Museus, participaram da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados por sua professora Zita Possamai. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 25/09: na manhã de quarta-feira, estudantes do 2° ano do Ensino Médio da EEEM Francisco Canquerini, município de Viamão, vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados por sua professora Neima Fonseca. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 26/09: na manhã de quinta, alunos e alunas do 2° ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Inácio Montanha estiveram no Arquivo Público para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pela professora Raquel Braun. Para ver as fotos, clique aqui.

  • 27/09: na manhã de sexta-feira, estudantes de 2°ano do Ensino Médio, turma 202 do Colégio Estadual Inácio Montanha vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Marcelo Mello. Para ver as fotos, clique aqui.

Para saber mais a respeito das oficinas e demais ações desenvolvidas no âmbito do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, clique aqui.

APERS em números – Setembro 2019

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Confira alguns dados referentes aos serviços realizados no APERS durante o mês de setembro:

– Assessorias SIARQ/RS: 15

– Usuários atendidos: 290

Cidadão: 172

Usuários internos: 7

Pesquisadores: 111

Novos pesquisadores: 29

– Atendimentos aos usuários: 1.065

Cidadão: 226

Usuários internos: 34

Pesquisadores: 805

– Indexação Sistema AAP: 750

– Visitas guiadas: 08

– Oficinas de Educação Patrimonial: 13

– Visualizações blog institucional: 12.730

Veja abaixo gráfico com os quantitativos diários de atendimento aos usuários referente ao mês de setembro:

2019.10.02 Apers em números

Clique aqui e saiba mais sobre os serviços que o APERS presta a comunidade.

APERS na II Semana Acadêmica do Curso de História da PUC – Aconteceu!

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Semana Acadêmica

Na última quinta-feira, a historiadora do APERS, Nôva Brando, participou da II Semana Acadêmica do Curso de História da PUCRS a convite dos estudantes que compuseram a Comissão Organizadora do Evento. Durante o turno da manhã, ofereceu a oficina “Historiadores em Arquivos: porquê?“, na qual problematizou a presença desses profissionais em arquivos públicos a partir da sua experiência no APERS.

Nôva apresentou a Instituição, suas principais funções e trabalhos, a partir do Acervo da Comissão Especial de Indenização a Ex-presos Políticos, no qual esteve pessoalmente envolvida durante os anos de 2013 a 2015. A ideia foi propor reflexões acerca do papel do historiador em um arquivo à luz das problematizações da história pública, tendo como ponto de partida um conjunto documental específico e num determinado contexto, aquele no qual o Estado brasileiro instaurou a Comissão Nacional da Verdade.

Também teve espaço para a participação daqueles que acompanharam a oficina. Foram reproduzidos processos dos ex-presos políticos Carlos Alberto Telles Franck, Dario Viana dos Reis, Elson Bidigaray, José Wilson da Silva e Pedro de Arbues Martins Alvarez. Com a característica de serem processos de ex-militares que se opuseram ao Golpe de 64 e que por isso sofreram perseguições e torturas, os documentos se transformaram em fonte para proposições de atividades de difusão de acervo na perspectiva de diálogo com questões do tempo presente, da história pública e da função social do historiador.

O Arquivo agradece pelo convite e pela participação dos estudantes e reconhece, mais uma vez, a importância desses encontros entre academia, experiências docentes e instituições de memória. Foi ótimo!

E se quiser dar uma espiadinha em parte do que foi apresentado, clica aqui!

Servidores do APERS participaram do Curso Gestão e Preservação de Documentos Digitais

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Palestrante Cláudia Lacombe / Arquivo Nacional

Entre os dias 10 e 12 de setembro, as servidoras e servidores do Arquivo Público Aerta Moscon, Ana Karina Uberti, Cléo Lopes, Juliano Balbon, Maria Cristina Fernandes e Renata Vasconcellos participaram do curso “Gestão e Preservação de Documentos Arquivísticos Digitais”, que foi realizado no auditório da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, em uma parceria do Arquivo Nacional (AN) com o Conselho Nacional de Arquivos (Conarq).

As aulas foram ministradas por técnicos da área de gestão de documentos, da Coordenação-Geral de Gestão de Documentos (COGED) do AN e da Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos do Conarq, voltadas para servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O curso teve como objetivo a identificação dos documentos arquivísticos digitais produzidos na sua instituição, bem como apresentar noções básicas de como realizar a gestão arquivística e a preservação destes documentos.

Entrevista com Jonas Moreira Vargas – parte II

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Na semana anterior, Jonas Vargas encontrava-se explicando as metodologias empregadas nos seus trabalhos.

Bom, uma questão que eu acho importante é que tu utilizas bastante fontes menos visitadas pelos historiadores, como os processos de liquidação, as ordinárias e com isso tu encontras cobrança de salários de trabalhadores livres, rendimento da empresa charqueadora, aquisição de escravos, cartas, dinâmicas e conexões do comércio. Então eu queria te pedir para falar um pouco sobre o potencial inexplorado do Arquivo Público.

É verdade. Foi uma documentação que, no início, eu estava muito receoso de mexer porque eu vi nos catálogos que era muita coisa e ninguém, praticamente, utilizava, e esses processos da vara cível e comércio, nossa, é uma mina de ouro! Muita coisa… Eu lembro quando eu terminei a tese eu pensei “depois eu vou voltar nisso porque tem muita coisa bacana”, é fazendeiro cobrando charqueador por gado que não foi pago, trabalhadores cobrando salários que não foram pagos e coisas do tipo. Os processos de falência ajudam a visualizar como as famílias administravam internamente os negócios das charqueadas. Eu acho impressionante como tem documentos desses fundos e que eu acho que precisam ser melhor explorados; as contas de tutela também, as gavetinhas que tem ali, que passaram muito tempo procurando, tem tipos de processos que eu nem sei para quê que serve. As vezes, eu pedia para dar uma olhada e encontrava informações preciosas e acabava usando. Mas, esses documentos que tu falaste, eu não cheguei a usar eles de forma sistemática, eu lembro que eu ia abrindo e abrindo, porque no final da tese a gente já está correndo né, e eu focava só naqueles que tinham charqueadores com o meu interesse, mas tem muita, muita coisa; comerciante inglês cobrando liquidação de firmas comercias daqui, o Mauá aparece muito na documentação, acho que não tem como alguém escrever sobre o Mauá e não dar uma olhada nesses processos que tem aqui. Ele estava envolvido com firmas exportadoras de couro e charque e importadoras de sal. Foi um cara importante naquele sistema mercantil. Mas, eu ainda tenho a esperança de voltar e tentar dar conta disso (risos).

Outra coisa que me chama a atenção no teu trabalho foi que tu verificas que alguns dos charqueadores mais ricos de Pelotas tem fortunas que estão par a par com os caras mais ricos do Império. E a impressão que tenho, que ia te pedir para falar um pouco sobre isso, é que essa é uma descoberta muito importante que não adquiriu a repercussão necessária, não sei se tu concordas comigo em relação a isso.

2019.09.11 JonasEntão, Rodrigo, eu migrei da história política para a história econômica um pouco porque eu não tinha muita interlocução na política, nos últimos anos está se estudando muito a política no século XIX e como eu fiz o doutorado lá no Rio tem muito dessas discussões da história econômica sendo realizadas. Analisando os inventários aqui do Arquivo eu pude perceber que tinha um grupo de charqueadores muito ricos e daí comparei com o de outras elites, cafeicultores, senhores de engenho, comerciantes, os de Pelotas tinham grandes fortunas mesmo. Então, o pessoal lá apresentava nos eventos e eles achavam algo bastante interessante, mas aqui no Rio Grande do Sul, como a história econômica está em queda já faz muito tempo, o pessoal não deu muita importância para essa descoberta que, de fato, tu tens razão, porque verificar que alguns setores estavam produzindo para o mercado interno com propriedades bem menores que as do centro do país, as fazendas de café e os engenhos e tal, conseguiram acumular fortunas muito próximas das elites desses grandes centros é algo muito importante, assim, na minha opinião, porque reverte um pouco daquelas explicações mais clássicas dentro da história econômica, a gente pode pegar Caio Prado Júnior, Celso Furtado, enfim; de que o grosso da riqueza no período era gerado pela agro exportação. Então, eu apresentava em alguns eventos no centro do país e o pessoal “poxa, fabricante de carne seca ganhava tanto dinheiro assim?”, mas mostra os inventários e tudo, não dava muito dinheiro, mas também tem que ser colocado que é um grupo de famílias que conseguiu acumular suas fortunas, bastante em detrimento de outras famílias charqueadoras que foram quebrando ao longo do período e também de que esse grupo que conseguiu acumular é um grupo que também atuava no comércio, no comércio marítimo. Então é uma riqueza que ela vem da produção sim do charque, mas ela também vem do comércio e também vem do preço do gado. Então, são famílias que eu chamo de empresas familiares, que diversificavam seus negócios e que deixaram uma grande fortuna para os seus herdeiros, enfim… A concentração de riqueza no município também era muito grande. Isso era no Brasil inteiro e acho que meu trabalho ajuda a mostrar a reprodução dessa desigualdade social ao longo do tempo. E essa riqueza também foi acumulada a partir da exploração dos trabalhadores escravizados, né. No final da década de 1870 Pelotas tinha uma das maiores concentrações de cativos do sul do Brasil. Quando acabou a escravidão, o número de charqueadas despencou de quase quarenta para menos de quinze estabelecimentos.

E quais documentos tu estás pesquisando agora no Arquivo Público?

Então, eu estou me dedicando mais a pesquisa nos processos criminais mesmo.

De Pelotas?

De Pelotas. Um projeto que eu estou quase finalizando e pretendo escrever um texto, é de localizar trabalhadores negros nas charqueadas do imediato pós-Abolição. Alguns certamente já eram trabalhadores nas charqueadas no período da escravidão. Claro que é bem difícil delimitar isso, mas eu achei que não ia encontrar muita coisa, eu analisei uns dez anos depois da abolição e encontrei e estou encontrando bastante coisa, acho que vai dar um artigo legal. E uma coisa que eu faço muito aqui, tu sabes que dou aula na UFPEL e os alunos gostam muito dessa fonte e eu estou ajudando eles, orientando TCC e aí eles dizem o tema que eles querem pesquisar, eu venho aqui, procuro, fotografo e levo para eles lá. Inclusive eu estava aqui fotografando, né? Tem uma aluna que está tentando estudar feminicídio em Pelotas no século XIX ou algo desse tipo e aí eu encontrei uns processos para ela e estou fotografando. Eu costumo fazer isso, porque não tem como ele vir para cá, gastar com hospedagem, alimentação e tal. Eu gosto de plantar essa sementinha da pesquisa neles, eu vejo que eles curtem e eles não têm como vir, então eu ajudo nesse sentido. Então, eu acabo pesquisando para mim e fotografo algumas coisas para eles também, na medida do possível.

Então tá, Jonas. Essas eram as questões, muito obrigado!

Eu que agradeço, muito obrigado!

Exposição Descobrindo o Acervo do Arquivo Público: Casa Krahe e Bohrer Irmãos

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2019.09.04 Exposição Descobrindo o Acervo do APERS

No dia 02/09 lançamos a exposição “Descobrindo o Acervo do Arquivo Público”, que no âmbito de um projeto mais amplo pretende revelar vestígios comprobatórios de ações, paixões e concepções deixadas pelos sujeitos históricos em documentos que, ao longo do tempo, foram selecionados e hoje povoam o acervo custodiado pela instituição.

A perspectiva é de que, a cada mês, algo novo seja destacado, lançando luz sobre diferentes tipos documentais e possibilidades analíticas. Nesse mês de setembro, iniciamos com documentos relacionados às empresas Casa Krahe e Bohrer Irmãos, que remetem ao contexto da Segunda Guerra Mundial e à perseguição aos alemães.

Interessados podem visitar o Arquivo de segunda a sexta-feira, das 08:30h às 17h, sem fechar ao meio dia. A entrada é franca e a exposição localiza-se na Sala Joél Abílio Pinto dos Santos, andar térreo do APERS.

Entrevista com Jonas Moreira Vargas – parte I

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Jonas Moreira Vargas é professor no departamento de História da Universidade Federal de Pelotas. Graduou-se em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2004 e defendeu seu mestrado na mesma instituição em 2007 (dissertação premiada no concurso de teses e dissertações da ANPUH – RS, em 2008). Defendeu sua tese de doutorado em 2013, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (menção honrosa do concurso de melhor tese de doutorado da Associação Nacional de História no biênio 2013-2014). De volta à UFRGS, realizou estágio pós-doutoral entre 2014 e 2015. Sua dissertação e sua tese foram publicadas: “Entre a Paróquia e a Corte – os mediadores e as estratégias familiares da elite política do Rio Grande do Sul (1850-1889)” (Editora UFSM / ANPUH, 2010) e “Os Barões do charque e suas fortunas. Um estudo sobre as elites regionais brasileiras a partir de uma análise dos charqueadores de Pelotas (Rio Grande do Sul, século XIX)” (Óikos, 2016).

– Jonas, queria te pedir para falar um pouco da tua trajetória profissional e das principais pesquisas que tu realizaste.

Então, eu considero que o meu primeiro grande trabalho com fontes e com arquivos, início da trajetória profissional, foi quando eu fui estagiário do Memorial do Judiciário aqui no Rio Grande do Sul. Eu lembro que escolhi estudar os juízes de direito no Rio Grande do Sul, os magistrados, fazer uma prosopografia dos juízes de direito que atuaram na província entre 1833 e 1889, ver a prática mesmo da Justiça no cotidiano. E aí eu tive contato com o meu primeiro acervo que foi o Arquivo Histórico, nessa ocasião eu conheci o Paulo Moreira e a gente sabe que o Paulo, se tu conversas com ele um pouco, ele te dá várias dicas, se empolga e tudo. E aí eu acabei vindo pesquisar aqui no Arquivo Público, que nesse primeiro momento eu não utilizei muito as fontes do Arquivo. Logo depois eu entrei para o mestrado na UFRGS e aí eu já tinha esse meu interesse de estudar as elites, né? Acho importante estudar elas porque as decisões que elas tomam afetam um grupo muito maior de pessoas, acabam afetando nossas vidas, com projetos muitas vezes contrários ao da maioria da população. E aí no mestrado eu trabalhei basicamente com as famílias da elite política daqui do Rio Grande do Sul, na segunda metade do século XIX, até o fim da Monarquia. E depois, no doutorado, continuei o meu interesse pelos estudos das elites, mas em vez de estudar, digamos, os mais poderosos relacionados a política, eu tentei investigar as famílias mais ricas, aí eu fiz um recorte sobre os charqueadores em Pelotas. Aí foi um trabalho, que aí sim, o Arquivo Público foi a minha segunda casa, porque eu pesquisei muito aqui e foi fundamental para a minha tese. Entre o mestrado e o doutorado, eu fui professor substituto em Santa Maria na federal, aprendi muito lá. E ainda depois do pós-doutorado na UFRGS, eu comecei a pesquisar um pouco o caudilhismo, o pós Revolução Farroupilha e logo depois eu fui para UFPEL, que é onde eu estou. Mas, basicamente, eu destacaria isso.

E qual é a importância das fontes do Arquivo Público nas suas pesquisas, principalmente no doutorado que tu mencionaste que tem uma base mais forte no Arquivo Público?

2019.09.04 Jonas

Eu gostaria de começar respondendo essa pergunta falando um pouco da minha pesquisa de mestrado, porque eu acho importante, né? Porque a princípio se tu examinares o rol de fontes que tem no Arquivo Público, tu achas que não dá para se trabalhar com história política. Mas, como no mestrado eu estava predisposto a fazer uma história social da política, porque muitos da historiografia tradicional trabalhavam só com o anais da Assembleia, com imprensa, com o programa dos partidos e eu achei que outros tipos de documentação poderiam ser possíveis de ser tratados, a partir do ponto de vista da história social da política. Então utilizei processos crimes, inventários de Deputados, crimes em que os escravizados deles estavam envolvidos, ações que eu encontrei aqui para o alistamento eleitoral, então, eu comecei a perceber a riqueza da documentação daqui. Os inventários e os processos crimes são os que eu mais gosto. E aí já com essa experiência no doutorado, sim, como eu estava focando mais nas famílias mais ricas de charqueadores, eu pesquisei muito aqui os inventários post-mortem em Pelotas para fazer uma estrutura de posse dos cativos, os níveis de riqueza, o perfil dos investimentos dessa elite e analisar o patrimônio da população pelotense no período, mais na segunda metade do XIX. Os processos crimes também; crimes envolvendo escravizados nas charqueadas eu pesquisei muito aqui também. E os registros notariais de compra e venda, muita coisa, nossa… Essa documentação foi importante pra mostrar que as charqueadas de Pelotas não perderam escravizados para os cafezais do sudeste como se defendia. E aí ajudou a traçar então esse perfil socioeconômico da população pelotense, esses movimentos desses padrões no tempo e tal. Então, foi fundamental, eu tive aqui a minha tese e ela não teria surgido se não fosse a documentação aqui do Arquivo.

– Eu queria te pedir para falar um pouco sobre as metodologias que tu utilizaste…

Então, tanto no mestrado, como doutorado, eu fui fortemente influenciado pela micro-história italiana, principalmente pelos textos do Giovanni Levi, sobre estratégias familiares, mercado de terras, mediação política. Mas, eu destacaria assim, mais o método da prosopografia que, para quem não sabe é a análise de diversas biografias de um grupo em comum buscando tentar traçar um perfil coletivo deste grupo a partir de um questionário, uma origem social, trajetória, carreira, padrão de recrutamento, casamento, relações familiares e a partir do mestrado eu comparei então a elite do Partido Conservador com o Partido Liberal; se tinha uma ideia na historiografia que o Partido Liberal representava os interesses dos estancieiros da região da campanha e a partir do método prosopográfico eu mostro que isso não acontecia, o Partido Conservador estava muito presente na campanha e se tem um partido que representava os interesses dos estancieiros foi mais o Conservador. E no doutorado, esse método, eu utilizo também para ver o que diferenciava as famílias mais ricas de charqueadores das menos ricas, no caso. Qual seria, talvez, brincando, né, o segredo dessa… por que um grupo de famílias estava no topo dessa hierarquia social e conseguia de uma geração para outra reproduzir essas estruturas patrimoniais e comportamentais, e enfim…? E também um método que eu gosto bastante é a análise de redes sociais que eu uso muito. Na política é muito importante as relações que os parlamentares tinham com outras famílias de outras províncias do interior, como eles manejavam isso para ganhar as eleições e aí as correspondências é uma fonte muito importante para essa metodologia, eu acabei explorando ela mais lá no Arquivo Histórico. Acho que é importante o historiador cruzar vários métodos, né. Dependendo do objeto de pesquisa, das fontes e tal.

Confira a continuação da entrevista com Jonas na próxima semana!

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