Hoje tem APERS no Programa Nação da TVE, assista!

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Hoje, às 22h30min, vai ao ar a segunda parte do programa Nação da TVE RS apresentado pela jornalista Fernanda Carvalho, gravado no Arquivo Público do RS, com a participação de nossas servidoras Aerta Moscon, arquivista, e Caroline Baseggio, técnica em assuntos culturais – historiadora.

De acordo com a emissora, o Programa Nação desta semana continua a busca pelas raízes africanas, mostrando registros e certidões do século XIX que permitem a localização de antepassados através do projeto Cartas de Liberdade do Arquivo Público do RS. E também como a genética, através de testes de DNA, pode ajudar a reconstituir a história dos afrodescendentes.

Além de nossas servidoras participam do programa os professores de história Walter Lippold e Adriano Viaro e a bióloga Rosa Maria Tavares Andrade.

O programa Nação vai ao ar hoje, às 22h30min, e sábado, às 19h30min, na TVE RS e também ao vivo pela internet (clique aqui e acesse o link) e quinta-feira, a meia noite, e domingo, às 6h, na TV Brasil.

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Resultados do Projeto Documentos da Escravidão – Preservação das Cartas de Liberdade

Servidoras do APERS participaram do Programa Nação da TVE

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     Dia 6 de abril, no Programa Nação da TVE, foi ao ar “Origens África Episódio 2”, sobre a busca pelas raízes africanas na formação brasileira, que teve a participação das servidoras do Arquivo Público do RS, Aerta Grazzioli Moscon e Caroline Baseggio.

     As servidoras foram entrevistadas e explicaram como se deu o trabalho de elaboração dos Catálogos Seletivos sobre Documentos da Escravidão, desenvolvido, desde 2006, a partir do acervo da instituição.

     O episódio buscou mostrar que a identidade negra pode ser resgatada de diversas formas, seja por meio de fontes documentais, seja pelo avanço da ciência e novas tecnologias. Veja o programa abaixo:

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Projeto AfricaNoArquivo é divulgado pelo Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra (PRDCN)

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     No final do mês de setembro o Projeto AfricaNoArquivo recebeu uma divulgação especial: um vídeo feito pela professora Carla Lopes, atuante na área de História, Arquivologia e Gestão da Informação, professora de História e coordenadora pedagógica da rede pública estadual de ensino no Rio de Janeiro, criadora e coordenadora do Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra (PRDCN). O PRDCN é uma experiência metodológica de implementação da Lei 10.639/03 e um observatório de práticas pedagógicas em Educação para as Relações Étnico-raciais.

     O vídeo foi produzido a partir de uma viagem a Porto Alegre, na qual a prof.ª Carla pode conhecer o Arquivo Histórico e o Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Assim, ela comenta sobre a publicação “RS Negro: cartografias sobre a produção do conhecimento”, organizada em parceria entre o AHRS e a PUC-RS, e sobre uma série de projetos com os quais tomou contato no APERS, desenvolvidos no âmbito da difusão de acervos e da Educação Patrimonial, relacionados à história da escravização e da luta por liberdade no Rio Grande do Sul, numa perspectiva antirracista.

     Carla fala da caixa pedagógica AfricaNoArquivo, conectando-a com as demais ações desenvolvidas pelo Arquivo Público, que destacam as contribuições de negras e negros na formação história e social do RS, como os Catálogos de Documentos da Escravidão e a oficina Os Tesouros da Família Arquivo. A professora referencia a qualidade do material e evidencia o importante papel que as instituições arquivísticas têm, como lugares de memórias, no acesso à informação, na produção e difusão de conhecimentos, e na efetivação da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas públicas do Brasil. Assista ao vídeo abaixo, ou neste link:

     Agradecemos a visita, o reconhecimento, e mais essa oportunidade de divulgar um trabalho que vem sendo feito com muita convicção e carinho pela equipe do APERS.

Arquivos & Diversidade Étnica: fontes e materiais didáticos para a História Indígena

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Após uma série de postagens sobre documentos relacionados à escravidão que serão difundidos nas escolas através do projeto AfricaNoArquivo, hoje retornamos às dicas e reflexões sobre História Indígena, apresentando o site América Indígena: repositório digital de fontes históricas e materiais didáticos.

Site América Indígena

Elaborado a partir do Projeto de Pesquisa “América indígena: Cultura Histórica e Ensino de História”, desenvolvido no Laboratório de Ensino de História (LABEH) da Universidade de Brasília (UnB), o portal tem como principal objetivo difundir fontes históricas e propostas pedagógicas para o ensino de história da América indígena pré-colombiana e colonial. Apresenta fichas temáticas com propostas de abordagem em sala de aula a partir de excertos de cartas, crônicas, relatos de viagens e tratados, assim como disponibiliza uma série de mapas, imagens e vídeos.

Na ficha temática intitulada “Casamento e poligamia entre os tupinambás”, por exemplo, escolheu-se um trecho do relato de 1557 de Hans Staden, marinheiro alemão que foi aprisionado por indígenas tupinambás e com eles conviveu por nove meses. No capítulo 18 de sua obra Hans afirma: A maior parte dos homens tem apenas uma mulher; mas alguns têm mais. Certos chefes chegam a quatorze mulheres. O chefe, Abati-poçanga, a quem fui dado por fim, e de quem os franceses compraram minha Liberdade, tinha muitas mulheres. Sua primeira mulher era a de maior prestígio entre elas. Cada uma possuía seu espaço reservado na cabana, sua fogueira própria e sua plantação de mandioca. Ele permanecia no espaço reservado daquela com quem estava no momento e que lhe dava comida. Assim, o chefe ia percorrendo o circulo de suas mulheres. Os filhos que já eram capazes caçavam e traziam todas as presas capturadas para suas mães, que cozinhavam e dividiam com as outras. Elas se relacionavam bastante bem entre si. Também é comum que um homem dê sua mulher de presente para outro, quando está farto dela. Do mesmo modo, costumam dar suas filhas ou irmãs de presente.

Gravura de Theodore de Bry para o livro de Hans Stade (1557) - Viagem à terra do Brasil.

Gravura de Theodore de Bry para o livro de Hans Stade (1557) – Viagem à terra do Brasil.

Mesmo que estejamos em pleno século XXI, o relato apresentado no trecho entra em choque com nossa cultura ocidental cristã baseada na monogamia. A partir dele a proposta didática levantada pela equipe do projeto sugere que os estudantes discutam o ponto de vista dos europeus cristãos a respeito dos casamentos e da poligamia observada entre os índios na época colonial; que mudanças os europeus colonizadores introduziram nas formas de casamento e nos papéis desempenhados por homens e mulheres no Brasil; por que estas mudanças foram introduzida; e de que forma os relatos do autor puderam interferir nas relações dos portugueses com os índios na época da colonização. Sugerem ainda a utilização de imagens e multimídias nessa aula.

Percebemos que a partir de um pequeno texto, que pode ser facilmente acessado através da internet, é possível realizar uma série de questionamentos, e aproximar os estudantes de uma realidade que lhes é muito distante, afinal, o ensino de história indígena vem sendo negligenciado, ou tratado com parte da história colonial portuguesa, sem dar a visibilidade necessária aos ameríndios como agentes históricos. A utilização de fontes históricas, sejam elas arquivísticas ou não, pode ser uma excelente forma de qualificar o processo de ensino e aprendizagem nesse sentido. Em seu artigo sobre documentos e instrumentos de pesquisa para a história indígena a historiadora Juciene Apolinário aponta que “não é tarefa fácil identificar, documentar e interpretar os eventos, processos e percepções que envolveram as populações indígenas, haja vista que a documentação trata, na sua maioria, das visões dos colonizadores. ‘Até mesmo algumas posturas historiográficas desqualificam os índios enquanto atores sociais legítimos’ (MONTEIRO, 1999). No entanto, até mesmo a negação e silenciamento, como já se asseverou, explícita na documentação colonial, tornam-se vestígios e sinais para se repensar as ações políticas dos povos indígenas, reavaliando as relações sociais que os diferentes atores nativos criaram a partir do pós-contato”.

Desejamos que o acesso a informações e propostas pedagógicas desse tipo seja um estímulo ao trabalho com história indígena nas escolas!

APERS no “Viva o Centro a Pé na COPA”

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2014.06.18 Viva o centro a pe

     Tendo em vista a Copa do Mundo de 2014, o “Viva o Centro a Pé” programou roteiros especiais para que os turistas conheçam o Centro Histórico de Porto Alegre.

      No dia 26 de junho, quinta-feira, ocorre uma das edições da caminhada orientada em que o Arquivo Público do RS integrará o roteiro.

     A visitação ocorrerá no “Centro Alto” e a descrição dos roteiros será feita na língua inglesa; as saídas serão do Centro de Informações Turísticas (CIT) do Centro Histórico no Mercado Público, às 10 horas, com duração de 1h:30min. Os interessados devem chegar ao local 20 minutos antes para solicitar inscrição.

     A Caminhada é uma realização da Secretaria Municipal de Cultura, Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo e Programa Viva o Centro, com apoio da EPTC.

     Confira a programação:

  • Dia 17/06, terça-feira – arquiteto Lucas Volpatto. Roteiro: Paço Municipal (visitação interna), Mercado Público, Chalé da Praça 15, Praça Otávio Rocha, Igreja São José (visitação interna).
  • Dia 19/06, quinta-feira – arquiteto Lucas Volpatto. Roteiro: Av. Borges de Medeiros, Viaduto Otávio Rocha, Catedral Metropolitana (visitação interna) e Pinacoteca Ruben Berta (visitação interna).
  • Dia 23/06, segunda-feira – arquiteto Lucas Volpatto. Roteiro: Praça Montevidéu, Praça da Alfândega, MARGS, Santander Cultural, Memorial do RS, Av. Sepúlveda.
  • Dia 24/06, terça-feira – arquiteto Cláudio Calovi. Roteiro: Praça Montevidéu, Av. Borges de Medeiros, Viaduto Otávio Rocha, Theatro São Pedro (visitação interna) e Praça da Matriz.
  • Dia 26/06, quinta-feira – arquiteto Cláudio Calovi. Roteiro: Paço Municipal (visitação interna), Viaduto Otávio Rocha, Arquivo Público do Estado do RS (visitação interna).
  • Dia 30/06, segunda-feira – arquiteto Cláudio Calovi. Roteiro: Praça Montevidéu, Praça da Alfândega, MARGS, Santander Cultural, Memorial do RS, Av. Sepúlveda.
  • Dia 1º/07, terça-feira – arquiteto Lucas Volpatto. Roteiro: Praça Montevidéu, Mercado Público, Praça da Alfândega, Igreja das Dores.

Participação do APERS no “Viva o Centro a Pé”

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2014-03-26-apers-no-viva-o-centro-a-pe     No último sábado, dia 22, cerca de 35 pessoas participaram da Caminhada Orientada “Viva o Centro a Pé”, na qual o Arquivo Público do RS fez parte do roteiro. O evento foi realizado com audiodescrição, o que permitiu às pessoas com deficiência visual conhecerem, por intermédio de descrições detalhadas, a forma, a disposição e as características arquitetônicas dos prédios que integram o conjunto arquitetônico do APERS, bem como a sua relação com o contexto histórico refletido nessas construções.

     A recepção aos visitantes, no APERS, foi feita pelas servidoras Maria Lúcia Ricardo Souto e Iara Gomide Machado, as quais discorreram acerca das atividades desenvolvidas pelo APERS, dentre elas Preservação Documental e Sistema de Arquivos do Estado do RS (SIARQ/RS). Além disso, os visitantes tiveram a oportunidade de prestigiar a Exposição fotográfica “Olhares”, que se encontra na Sala Joel Abílio Pinto dos Santos.

     Por fim, é sempre muito gratificante ao APERS poder participar deste evento, pois é uma oportunidade de interagir com a comunidade, difundir a instituição e o respectivo acervo, promovendo o acesso à informação e à cultura.

     Confira abaixo a reprodução de algumas fotos do evento.

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Concurso Cultural “Mundo dos Arquivos”: resultado!

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2014.02.26 Resultado Concurso Cultural

   Nosso Concurso Cultural “Mundo dos Arquivos” foi um sucesso! Tivemos a participação de oito concorrentes, de Estados variados: Bahia, Rio de Janeiro, Paraíba e aqui do Rio Grande do Sul. Ficamos muito felizes, pois demonstra que um de nossos objetivos, o de extrapolar as barreiras geográficas e divulgar o APERS além Porto Alegre, está sendo alcançado!

   Mas vamos ao resultado! Com 77 votos, 44% do total dos 176 votos, o vencedor é FRANÇOIS BRAGA DE AZEVEDO FILHO, com a frase “Mundo dos Arquivos, um mundo a descobrir.”. Parabéns François!

   Agradecemos a participação de todos e em especial a Ricardo Sodré Andrade, autor de “A Ordem dos Arquivistas: Centésimo”, e Juliana Kirchhof, autora de “A Pequena Arquivista e o curioso caso do menino que nunca nasceu”, os quais doaram um exemplar de seus livros para premiação do vencedor.

2014.02.26 Resultado Concurso Cultural

Resultado Concurso Cultural “Mundo dos Arquivos” APERS

Concurso Cultural “Mundo dos Arquivos”: vote na melhor frase!

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Proposta Clarissa 3     Após a divulgação e período de envio de frases ao Concurso Cultural “Mundo dos Arquivos”, é com entusiasmo que iniciamos hoje a fase de votação na melhor frase.

      Lembrando que os prêmios para a mais votada serão: um exemplar do livro “A Ordem dos Arquivistas: Centésimo”, de autoria de Ricardo Sodré Andrade, e outro de “A Pequena Arquivista e o curioso caso do menino que nunca nasceu” de Juliana Kirchhof.

     O prazo para votação irá até o dia 25/02, escolha a melhor frase que utilizou a expressão “Mundo dos Arquivos” e vote!

     Boa sorte a todos!

Concurso Cultural “Mundo dos Arquivos”

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Proposta Clarissa 3

Desde 2012, nos meses de janeiro e fevereiro, veiculamos no Blog do APERS artigos com dicas de livros, filmes e episódios de seriados que tenham no seu contexto arquivos, bibliotecas e museus, ou seja, o “Mundos dos Arquivos”.

Neste ano, como forma de valorizar os autores que escrevem obras tendo no enredo o “Mundo dos Arquivos”, para incentivar a leitura de livros com tal temática e estimular sua participação e interação, lançamos hoje nosso Concurso Cultural “Mundo dos arquivos”!

O Concurso Cultural “Mundo dos arquivos” será realizado de forma simples e democrática e terá como prêmios um exemplar do livro “A Ordem dos Arquivistas: Centésimo”, de autoria de Ricardo Sodré Andrade, e outro de “A Pequena Arquivista e o curioso caso do menino que nunca nasceu” de Juliana Kirchhof.

Os interessados em concorrer aos prêmios deverão escrever uma frase com até 300 caracteres que contenha a expressão “Mundo dos Arquivos”, todas as frases que recebermos irão para votação popular em nosso blog de acordo com as seguintes regras:

– Lançamento concurso: 08.01.14

– Período para envio de frases: 08.01 a 11.02

– Período votação: 12.02 a 25.02

– Publicação resultado: 26.02

– Número de caracteres total com espaço: 300

– Palavra-chave: Mundo dos Arquivos

– Quem pode participar: tod@s, exceto a comissão organizadora.

– Endereço para envio: divulga-apers@sarh.rs.gov.br

– Uso do português padrão.

– Uma frase por pessoa.

– A comissão organizadora vetará frases ofensivas ou descontextualizadas.

– O candidato deverá informar o nome completo, idade e cidade no momento de envio da frase.

– A frase que receber maior número de votos será a premiada.

Participe!

APERS participa de oficina promovida pelo IPERGS

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2013.11.27 Palestra IPERGS

   No dia 22 de novembro de 2013 a Diretora Isabel Almeida e o servidor Endrigo Vanzella do Arquivo Público do RS participaram da oficina Cultura e Comportamento Organizacional nas Instituições Públicas com o palestrante Dr. Sandro Trescastro Berguer, Diretor da Escola de Gestão Pública do TCE/RS, realizado no Salão Nobre do IPERGS.

  O seminário abordou, como tema central, o momento de reconstrução da administração pública que vivemos atualmente no Brasil, tempo de quebrar paradigmas e trocar o antigo modo de avaliação de desempenho, pela atual gestão do desempenho. Realizando avaliações baseadas em um prévio planejamento do trabalho, seguido de uma plena execução dos meios para que o servidor possa, de fato, realizar com êxito aquilo que lhe foi proposto. Para que no fim, munido de toda a informação necessária, o gestor possa fazer uma avaliação justa e precisa dos servidores. Tendo como resultado, uma maior dedicação e satisfação de todos no ambiente de trabalho.

   O encerramento do evento contou ainda, com a divulgação do livro: Gestão Estratégica de Pessoas no Setor Público, Ed. Atlas, 2013. Resultado da longa experiência do palestrante Dr. Sandro Trescastro Berguer na área de gestão pública.

I Simpósio Internacional sobre História e Cultura Negra: o APERS participou!

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   Visando difundir as atividades realizadas pelo Arquivo Público do RS, a instituição participou na última semana do I Simpósio Internacional sobre História e Cultura Negra, ocorrido entre os dias 18 e 22 de novembro de 2013 na FAPA (Faculdade Porto-Alegrense), realizando duas apresentações. A primeira delas, Os Tesouros da Família Arquivo: Resgatando Sujeitos e Identidades de Escravizados no RS, aconteceu no dia 20 de novembro, sendo apresentada pelos estagiários Andréia Suris e Eduardo Hass da Silva. A apresentação consistiu em mostrar as atividades de resgate histórico da identidade de sujeitos escravizados no estado, realizadas em uma das oficinas do Programa de Educação Patrimonial, Os Tesouros da Família Arquivo.

   A segunda apresentação, Patrimônio, Cultura, História da África e Afro-brasileira no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul: reflexões sobre a aplicabilidade da Lei 10.639, aconteceu no dia 22 de novembro, sendo feita pelo estagiário Alexandre Ávila e pela historiadora do Arquivo Vanessa Menezes. A comunicação consistiu em mostrar os resultados do curso para professores Aplicando a Lei 10.639: Patrimônio, Cultura, História da África e Afro-brasileira, sendo apresentado o cronograma do evento, fotos das atividades realizadas no curso e os temas e assuntos trabalhados em todas as mesas. Ao final, apresentou-se os resultados: número de participantes e o retorno dos mesmos, abrindo a possibilidade de realização de uma segunda edição.

   Foi com muita satisfação que o Arquivo Público do RS participou do evento, e espera poder estar presente nas próximas edições.

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Aplicando a Lei 10.639: ensino de história afro e o uso de documentos de arquivo!

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 Mensalmente nosso blog tem apresentado artigos que contribuem para instrumentalizar e refletir sobre o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas do país, estipulado pela Lei 10.639. No mês anterior propusemos a ampliação dessa reflexão, incluindo o debate a cerca da Lei 11.645, que se refere ao ensino de história e cultura dos povos indígenas. Já trouxemos dicas de como trabalhar a partir de histórias em quadrinhos, filmes, artigos… Hoje gostaríamos de instigar o trabalho a partir de documentos de arquivo, afinal, nesta seara temos muito a contribuir!

   Para iniciar, sugerimos a leitura do artigo de Sheila de Castro Faria, Sinhás Pretas, publicado na edição n.º 78 da Revista de História da Biblioteca Nacional ( para acessar clique aqui). Essa edição traz o Dossiê África Brasil, que apresenta muitos conteúdos interessantes para quem deseja conhecer mais a respeito da contribuição dos africanos à formação do país. E o artigo mencionado aborda a atuação de mulheres africanas que foram capazes de se adaptar à vida no Brasil colonial e escravista, criando redes de sociabilidade entre africanas, aproveitando os conhecimentos e experiências trazidos da África, que lhes possibilitaram comprar alforrias, negociar e acumular muitas riquezas.

   Mas porque salientar esse artigo justamente em uma postagem que pretende abordar o potencial dos documentos de arquivo para o ensino da temática em questão? Justamente porque as fontes de pesquisa utilizadas por Sheila para tal reflexão são inventários e testamentos, tipologias documentais também encontradas no Arquivo Público e bastante utilizadas por historiadores e outros estudiosos em nossa Sala de Pesquisa. Obviamente o testamento mencionado pela autora neste artigo tem um caráter excepcional, não sendo proporcionalmente tão comuns os casos de escravos forros que conseguiram acumular tantos bens significativos como a escrava em questão, assim como não são tão abundantes as informações sobre “a vida material e as escolhas dos escravos em seu cotidiano”, como Sheila bem salienta. Entretanto, o estudo a partir dessas fontes possibilita tanto visualizar casos excepcionais – que lançam luz sobre as brechas e tensões de um sistema escravista que perdurou por quase 400 anos no Brasil – quanto nos ajuda a visualizar certos padrões nas relações sociais estabelecidas entre escravos e senhores, suas formas de negociação cotidiana, as formas de resistência dos sujeitos escravizados, etc.

   Assim, acreditamos que a utilização de fontes primárias de arquivo em atividades educativas pode contribuir efetivamente para aproximar os estudantes do passado, para tornar o processo de ensino e aprendizagem mais palpável e concreto, e também para desmistificar uma visão ainda bastante arraigada de uma Escravidão maniqueísta, de senhores todo-poderosos e sanguinários, contra escravos submissos e “coitados”. A realidade da qual podemos nos aproximar a partir dos indícios do passado que chegam a nós através dos documentos evidencia que a Escravidão sobreviveu em nosso país por tanto tempo por interesses econômicos, mas também pela capacidade de adaptação do próprio sistema às demandas dos africanos e seus descendentes nascidos aqui, que se expressaram através de muita luta e negociação.

   Como exemplo de uma atividade possível, apresentamos um dos documentos utilizados na oficina Os Tesouros da Família Arquivo, oferecida pelo APERS aos estudantes dos 6º e 7º anos do Ensino Fundamental. Em outros espaços o documento digitalizado pode ser impresso e distribuído aos estudantes em grupos, ou projetado para leitura conjunta. Trata-se do testamento de Mariana Coutinho de Jesus Pansa, lavrado em Porto Alegre no ano de 1864 (imagens abaixo). Estando enferma e sendo muito religiosa, Mariana decide fazer seu testamento, incumbindo o testamenteiro Bernardo Grasselli de executar sua vontade, o que incluía mandar rezar muitas “missas”. Na sequência elenca os bens de que dispunha, e em meio às “moradas de casas” e “mobília”, menciona seus escravos: Luiza e Maria, ambas escravas “de nação” (nascidas na África), Rosalina e Izabel, duas jovens escravas “crioulas” (nascidas no Brasil), e Antonio, um menino de 11 para 12 anos, também nascido aqui. A senhora aponta no documento o destino deles, libertando imediatamente após sua morte Luiza e Maria – afirmando inclusive que a última já possuía carta de alforria há anos, porém em seu poder, sem nunca ter sido entregue – e registrando a liberdade condicionada dos três crioulos, que deveriam servir a seus filhos adotivos até os 21 anos, sendo postos em liberdade em seguida. Mariana chega a deixar 20 mil réis para Luiza e a mesma quantia a Maria, para auxiliá-las a “tratar de suas vidas”.

   Talvez o conteúdo do testamento mencionado por Sheila em seu artigo soe como mais surpreendente, especialmente para aqueles que ainda têm em mente uma imagem da Escravidão em que os escravos estão em situação total de penúria e submissão. Mas que tipo de informações e conclusões podemos tirar a partir da análise do testamento de Mariana Coutinho, quando relacionado aos conhecimentos de que dispomos sobre o período? Que tipo de discussões podem ser suscitadas em sala de aula ou outros espaços educativos a partir da leitura de um documento como esse? Que contribuições a introdução desse documento na escola poderia trazer?

   Certamente as respostas são múltiplas, e cada educador poderá conduzir a reflexão de sua forma, a partir de seus referenciais teóricos e metodológicos, mas cabem alguns apontamos para incentivar o trabalho! Primeiramente, a própria forma do documento pode ser trabalhada: o papel e a tinta utilizados para escrita, a grafia da época, as mudanças ortográficas… Os conceitos empregados no texto também podem ser debatidos, como escravos “de nação” ou “crioulos”, por exemplo, assim como a estreita relação com a religião, que se expressa tanto na abertura do documento, que inicia com “Em Nome de Deos, Amem”, quanto no enfático desejo da inventariada de que fossem rezadas missas em seu nome. Em seguida, pode ser problematizado o fato de Mariana deixar a liberdade para todos os seus cinco escravos, e deixar recursos para duas delas. Por que ela faria isso? Que sociedade é esta, afinal, pauta por um regime perverso de exploração da mão de obra escrava, mas que ao mesmo tempo abria espaço para que uma senhora de escravos optasse por agraciá-los em seu testamento?

   A problematização de questões como essas a partir da pesquisa e do uso de fontes primárias nos aproxima do passado, e nos leva a um raciocínio crítico e investigativo, possibilitando a percepção dos escravos como sujeitos, como seres humanos capazes de buscar um lugar na sociedade em que viviam, ora através de luta aberta e frontal, em revoltas, aquilombamentos, fugas, ora através de resistências cotidianas a partir do estabelecimento de relações com seus senhores, com os demais escravos, com as pessoas com quem conviviam no trabalho, no comércio, nas lavouras. Esta perspectiva é importante ao evidenciar que a Escravidão vigorou enquanto instituição social, que atendia a certo modelo de desenvolvimento econômico, e que influenciou a todos os membros daquela sociedade, o que ajuda a entender por exemplo, o que levava ex-escravos como Ana – apresentada por Sheila Faria – a tornar-se também uma proprietária de escravos: possuir escravos era sinal de poder e status.

   Consideramos interessante que educadores utilizem fontes de pesquisa em suas aulas não apenas pela importância de incentivar os estudantes a que sejam críticos, que saibam formular problemas e buscar respostas através de investigação, mas também para que os próprios educadores possam se apropriar dos mecanismos que viabilizam a pesquisa histórica. Acreditamos que todo o professor é também um pesquisador, e nessa lógica consegue qualificar sua atuação. Assim, desejamos que os materiais aqui apresentados sejam apenas uma “fagulha” de incentivo para que busquem o APERS e outras instituições de memória, explorando seus acervos para o aprofundamento de seu conhecimento e qualificação de sua tarefa docente!

APERS entrevista: Thiago Leitão de Araújo

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2013.09.25 APERS entrevista - Thiago Leitao de Araujo

Thiago Leitão de Araújo, 35 anos, graduado em História pela UFRGS, onde desenvolveu sua dissertação de mestrado (2008). Desde 2010 desenvolve sua tese de doutorado no Centro de Pesquisa em História Social da Cultura (Cecult/Unicamp), sob orientação do professor Robert Slenes. Utiliza as fontes primárias do APERS desde 2004, confira nossa entrevista com Thiago:

Blog do APERS: Thiago, você poderia comentar um pouco sobre como teve teu interesse despertado para a temática da história social da escravidão?

Thiago: Dois temas ou questões históricas na minha visão sempre serão fundamentais, imprescindíveis para se conhecer e deslindar a história do que hoje chamamos Brasil, tanto no passado quanto no continuum presente futuro: a história indígena e a história dos africanos e seus descendentes; estes últimos trazidos forçosamente para o lado de cá do atlântico como trabalhadores escravizados, mas que construíram significativamente a sociedade brasileira, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista sócio-cultural. O interesse pela temática, portanto, já existia, e veio a se consolidar no primeiro semestre de 2003 quando a professora Regina Xavier ofereceu uma disciplina sobre escravidão no Rio Grande do Sul, que se estendeu por alguns semestres (tais disciplinas à época foram cursadas por muitos dos atuais doutores e mestres em história da escravidão no Rio Grande do Sul). Neste sentido, sempre costumo dizer que se a disciplina oferecida fosse sobre história indígena certamente eu teria desenvolvido meus estudos nessa temática (que na verdade faz parte de minhas áreas de interesse, hoje já um tanto expandidas). Ademais, vale lembrar que em 2003 ocorrera a primeira edição do Encontro Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, em Castro, no Paraná. Realizado bi-anualmente, tornou-se aos poucos referência para os estudos e debates sobre a escravidão no Brasil, e hoje muitos dos mais renomados pesquisadores da área consideram os Encontros como um dos mais importantes fóruns de discussão sobre o período escravista e o pós-abolição. Das seis edições pude participar de cinco, desde o realizado em Porto Alegre em 2005. Minha trajetória enquanto pesquisador, portanto, também está ligada a tais Encontros, nos quais a professora Regina Xavier teve um papel fundamental ao trazê-los para Porto Alegre, e principalmente ao criar um campo de estudos sobre escravidão até então praticamente inexistente (Para mais informações sobre os Encontros, clique aqui.). Em relação à história social, minhas pesquisas se inspiram fortemente nos estudos que, a partir da década de 1980, passaram a rever os pressupostos que pautavam as relações escravistas no Brasil. Longe de negar o caráter coercitivo das relações de escravidão, os historiadores dessa geração passaram a analisar o cotidiano dos escravos em seus embates e negociações com os senhores, a fim de decifrar os significados que eles podiam conferir às suas experiências de cativeiro e liberdade. Tais estudos passaram a rediscutir os significados dos castigos físicos na política de domínio senhorial, a participação dos escravos nas transações de compra e venda e a importância de suas lutas em torno da alforria, o papel da identidade étnica, por exemplo, no levante dos escravos malês e sua complexa relação com a identidade religiosa e de classe, a importância tanto da família e linhagens escravas na conformação dos conflitos entre senhores e escravos quanto a da herança africana para a interpretação que os escravos faziam de sua experiência, entre tantas outras e variadas temáticas (refiro-me aos estudos de João José Reis, Sidney Chalhoub, Silvia Lara e Robert Slenes). Enfatizaram, enfim, a capacidade dos escravos de agir a partir de lógicas próprias, dentro, é claro, dos limites e condicionamentos que pautavam suas relações com os senhores. A década de 1980, portanto, marca um momento de inflexão nos estudos sobre a escravidão no Brasil, pois além de outros pressupostos os historiadores mergulharam a fundo nos arquivos em busca de documentos que pudessem revelar aspectos das relações escravistas até então pouco estudados, ou mesmo negligenciados, anteriormente.

Blog do APERS: Qual a importância do acervo do APERS para tua atuação enquanto pesquisador?

Thiago: A pesquisa em arquivos, em fontes primárias, é parte fundamental nessa renovação dos estudos sobre a escravidão no Brasil que acabei de mencionar. No início da década de 1980, Robert Slenes chamava a atenção dos pesquisadores para tudo aquilo que Rui Barbosa não havia mandado queimar (e o que mandou incinerar tinha a ver com a “queima” das possibilidades dos ex-senhores virem a pedir ressarcimento pela perda de suas propriedades depois da abolição em 1888). Naquela época os historiadores ainda não haviam explorado os inventários, as listas de matrícula constantes nos mesmos a partir de 1872, os documentos cartorários (cartas de liberdade, de compra e venda de escravos, contratos de locação de serviços etc.), os processos-crime, testamentos e uma gama bem mais ampla de fontes. A questão, no entanto, não era meramente do uso de fontes até então não utilizadas, mas também de método. A partir do cruzamento entre documentos diversos por meio do método de ligação nominativa, ou seja, de um nome de determinado senhor, seria possível reconstituir variados aspectos da organização produtiva de determinada propriedade, a demografia dos trabalhadores escravizados, suas relações familiares, as tecidas com seus senhores etc. Na pesquisa que resultou na dissertação Escravidão, fronteira e liberdade vali-me densamente da documentação conservada no APERS, onde estão os fundos mais importantes a permitirem tanto uma análise serial quanto uma análise qualitativa da documentação, possibilitando ao mesmo tempo a utilização do método de ligação nominativa referido acima. Utilizando o método de análise serial quantifiquei massivamente os inventários post-mortem, as compras e vendas de escravos e as cartas de alforria para a vila da Cruz Alta Oitocentista. Ao mesmo tempo utilizei essa documentação de forma qualitativa juntamente com os processos-crime e os testamentos, e quando foi possível cruzei estas variadas fontes a fim de acessar de forma mais densa as relações sociais de escravidão em determinadas unidades produtivas. Isto é, a documentação sediada no APERS foi e continua sendo essencial não só para minhas pesquisas como para a renovação dos estudos sobre a escravidão no Estado. A esse respeito é necessário enfatizar a enorme contribuição do Arquivo Público ao trabalho dos historiadores a partir dos projetos Documentos da Escravidão, em que foram produzidos instrumentos de pesquisa, na forma de verbetes, sobre as cartas de liberdade do interior do Estado (2006). No ano de 2010 foram publicados, também em forma de verbetes, os inventários, testamentos e processos-crime que arrolavam escravos entre os bens senhoriais ou traziam os cativos como réus ou vítimas no caso dos processos criminais. Atualmente o APERS vem desenvolvendo o projeto de digitalização das quase 30.000 cartas de liberdade registradas em cartório, desde o século XVIII até o fim do período escravista. Estas iniciativas são importantíssimas para um melhor acesso e mesmo um conhecimento mais amplo da documentação existente no Arquivo Público. Embora na época em que realizei a pesquisa para Escravidão, fronteira e liberdade estes materiais ainda não estivessem disponíveis, atualmente os tenho utilizado como um meio de busca que, ao contrário, demandaria muitos meses de pesquisa para a localização de determinada documentação.

Blog do APERS: Pesquisar em fontes primárias requer certos cuidados, qual a tua dica para os pesquisadores que estão começando agora a lidar com estas fontes?

Thiago: Neste ponto as dicas já foram dadas por grandes historiadores. De acordo com Marc Bloch, toda investigação histórica supõe desde os seus primeiros passos que a pesquisa tenha um fio condutor, uma direção; muito embora o pesquisador saiba que o itinerário previamente estabelecido no começo não será seguido ponto a ponto. No entanto, não ter um ponto de partida implicaria o risco de errar eternamente ao acaso. Ou seja, não devemos imaginar que indo ao arquivo e pesquisando centenas de documentos as questões irão de repente aparecer. Por isso desenvolvemos hipóteses de trabalho, que nos servem de guia à pesquisa, mesmo que durante o percurso elas geralmente se transformem (e é bom que isso aconteça). No entanto, o mais importante são as maneiras como interrogamos as fontes, as perguntas que a elas fazemos são fundamentais. Segundo o historiador Edward Thompson, o discurso disciplinado da prova consiste num diálogo constante entre conceito e evidência, um diálogo conduzido por hipóteses sucessivas, de um lado, e a pesquisa empírica, de outro. Se as evidências não estão de acordo com o conceito que determinado pesquisador utiliza, então não podemos sacrificar a história para manter a teoria em pé. Isso é uma questão básica para os bons historiadores. Quanto à documentação relativa ao período escravista que está conservada no APERS e os importantes instrumentos de pesquisa produzidos pela instituição, minha dica seria no sentido de sempre pesquisar as fontes originais, sempre. Os instrumentos de pesquisa não passam disto, instrumentos de localização e de mapeamento mais amplo da documentação. Cito um exemplo. Os instrumentos de pesquisa com seus pequenos verbetes sobre os processos-crime são de uma riqueza ímpar nesse sentido que falei: como um meio de busca. No entanto, listam apenas os escravos que constam nos autos como vítimas ou réus. Há poucos dias, por exemplo, fazia a triagem de processos-crime em suas respectivas caixas, independente de terem ou não escravos como partes principais dos autos. Deparei-me com um processo em que um menino havia sido assassinado num dia de domingo, na vila de Bagé. Embora nenhum escravo tivesse sido indiciado no caso, três ou quatro cativos serviram de testemunhas no processo. Em grande parte das regiões escravistas nas Américas era costume permitir que os escravos trabalhassem para si um dia da semana (ou realizassem outras atividades), geralmente no domingo. Esses depoimentos dos escravos são interessantíssimos, pois permitem acessar o seu cotidiano em tal contexto. Sendo inquiridos onde estavam naquele dia, no horário em que o crime ocorreu, seus movimentos e as pessoas que podiam confirmar tal versão, podemos descobrir se trabalharam para si ou para seus senhores, quais os percursos que realizaram, se comercializaram seus produtos nas vendas locais ou não, o horário em que costumavam acordar, almoçar, repousar e se recolher, por exemplo. Por isso minha dica seria no sentido de sempre pesquisar os documentos originais, por um lado, e vasculhar, no caso dos processos-crime, outros autos que possam revelar aspectos importantes do cotidiano escravista em plagas sulinas. Evidentemente, no caso da digitalização das cartas de liberdade o caso é diferente, já que se trata da conservação da documentação e da disponibilização a um público mais amplo, e no momento em que tal trabalho estiver concluído não haverá mais necessidade de utilizar-se dos originais.

Blog do APERS: Atualmente temos em vigor no Brasil leis como a 10.639/03, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira no ensino fundamental e médio, e a 12.288/10, que institui o Estatuto da Igualdade Racial. Como tu percebes a relevância de pesquisas como a tua para a efetivação de tais leis?

Thiago: A resposta não é simples, por isso começo com um primeiro exemplo. Muito embora os pesquisadores da década de 1960 tenham desconstruído em seus trabalhos o mito da democracia racial no Brasil, esta é ainda uma ideia que perpassa o senso comum de boa parte da sociedade brasileira e as instituições de ensino, e que até mesmo tem tido repercussões na forma como a Lei 10.639/03 tem sido por vezes percebida. Em abril deste ano, numa mesa-redonda em que se fazia o balanço e as perspectivas dos dez anos da lei, a professora Petronilha Gonçalves colocou a seguinte questão: se no fundo os encaminhamentos dados a partir da aprovação da lei estavam desconstruindo o mito da democracia racial ou se estavam lhe dando apenas novas tonalidades? (mesa também composta pela professora Nilma Lino Gomes; para visualizar o vídeo com o debate, clique aqui). A questão colocada nos obriga a refletir. No meu ponto de vista, acredito que nossos trabalhos têm sim uma relevância social. E porque não, podem até vir a ter para a efetivação das leis referidas na pergunta. Mas isso não é algo óbvio, nem ao menos provável, embora possível. Vamos então para um segundo exemplo. Até a bem poucos anos a ideia que se tinha da escravidão no Rio Grande do Sul é que ela só teria tido uma relevância nas áreas de colonização antigas, principalmente nas charqueadas e na escravidão urbana das principais cidades. Nas outras regiões o trabalho dos escravizados teria tido um papel secundário e não estruturante das relações de trabalho, principalmente no que diz respeito à pecuária. Estudos de história agrária na província, como os de Paulo Zarth, Helen Osório e Luís Farinatti, desconstruíram tal visão, mostrando a grande participação de cativos nos trabalhos pecuários, muito embora a ênfase de ambos os estudos não fosse centrado nas relações escravistas. Escravidão, fronteira e liberdade em certo sentido foi um estudo pioneiro na análise das relações escravistas na pecuária sob a perspectiva dos estudos sobre escravidão a partir da análise dos conflitos e negociações entre senhores e escravos (juntamente com o estudo de Luana Teixeira). Análise demográfica e econômica da vila da Cruz Alta, a perda ou não de cativos para o tráfico interno, negociações e conflitos entre senhores e escravos no interior das estâncias, a economia interna dos escravos e a luta em torno da liberdade foram temas abordados numa perspectiva crítica com os trabalhos clássicos sobre o tema que minimizavam a importância de tais trabalhadores na pecuária sulina. Juntamente com os autores acima citados, hoje em dia temos uma visão muito mais complexa da escravidão em tal contexto. Mas essa visão foi enriquecida no meio acadêmico, pois no senso comum ainda se ignora a participação fundamental dos escravos nas lides pecuárias, sendo que sua importância foi bastante significativa em todas as atividades produtivas da província de São Pedro, pelo menos desde o final do século XVIII até pelo menos 1884. Enfim, para concluir. Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2004) se lê: “para que as instituições de ensino desempenhem a contento o papel de educar, é necessário que se constituam em espaço democrático de produção e divulgação de conhecimentos e de posturas que visam a uma sociedade mais justa” (p.14-15). Neste sentido se fazem necessárias mudanças radicais na divulgação do conhecimento que vem sendo há muito produzido, visando à formação de professores e a incorporação crítica deste conhecimento no ensino básico (e sua socialização com um público mais amplo), a fim de que a história dos africanos e seus descendentes ganhem espaço nos currículos escolares, e aos poucos criem condições para mudanças efetivas nas relações étnico-raciais no Brasil. Esse processo, evidentemente, cabe a todos e a cada um.

Blog do APERS: Nas tuas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Thiago: Coisas comuns, amigos por perto, um bom papo, uma boa música, ou um bom livro para ler.

Para acessar a dissertação “Escravidão, fronteira e liberdade: políticas de domínio, trabalho e luta em um contexto produtivo agropecuário (Vila da Cruz Alta, Província do Rio Grande de São Pedro, 1834-1884)” de autoria de Thiago, clique aqui.

Aplicando a Lei 10.639: ampliando o debate e incluindo os povos indígenas!

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2013.09.11 Aplicando a lei

   Desde novembro de 2012 e da realização do curso “Aplicando a Lei 10.639: Patrimônio, Cultura e História da África e Afro-Brasileira” nosso blog tem apresentado notícias e reflexões relacionadas a aplicação da Lei 10.639, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira na rede de ensino de nosso país. Sabemos que esta Lei foi uma conquista de militantes de diversos seguimentos, em especial dos movimentos negros e da educação, que tiveram sua luta reconhecida por esse marco legal.

  Em função do reconhecendo à centralidade desta temática e das demandas dos usuários de nossas mídias sociais, estamos começando a nos organizar para realizar nova edição do referido curso, ainda em 2013 (ajude a construi-lo respondendo uma pesquisa com suas sugestões clicando aqui). Mas, também em função de alguns comentários e contribuições recebidos ao longo desse período, desejamos iniciar a ampliação do debate suscitado quando pensamos na luta por incluir nos currículos escolares temas que dizem respeito a grupos étnicos em condição de minoria – compreendendo-se o conceito de minoria não apenas em sua relação numérica, mas também política, quando se observa determinados grupos sociais em condições socioeconômicas desfavoráveis. E nessa perspectiva, indagamos a respeito da Lei 11.645, de 2008, que novamente altera artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para incluir não apenas a história e cultura afro-brasileira, mas também a dos povos indígenas.

   Com certeza é um exercício complexo buscar entender os movimentos que levaram à aprovação da Lei 10.639 em 2003 com um texto focado na história afro, ainda que seja evidente a condição subalterna e muitas vezes de invisibilidade em que se encontram os indígenas de nosso país. A constatação de tal condição concreta, assim como as distorções, simplificações e estereótipos na forma como a questão indígena é tratada muitas vezes no sistema educacional parece suficiente para evidenciar a necessária garantia do ensino relacionado à história e às culturas indígenas brasileiras. Porém, estão envolvidos os agentes que se organizaram para lutar pela inclusão de dispositivos na Lei, assim como a própria condição dos diferentes grupos étnicos para que pudessem se mobilizar, sendo importante considerar ainda suas diversas concepções e formas de articulação.

   Ao fim e ao cabo, cinco anos após a aprovação da Lei 10.639, os povos indígenas e os segmentos a eles vinculados também obtiveram uma vitória, garantida pelo texto da Lei 11.645, que amplia o espectro das alterações na LDB ao garantir que seu artigo 26-A passa a vigorar com o seguinte redação: “Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena”. E seu § 1o coloca que “O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.”

  Desejosos de ampliar a discussão nesse sentido, indicamos a leitura de um primeiro artigo que aborda a Lei 1.645 e o Ensino Indígena (para acessá-lo clique aqui), escrito por Leandro Vilar e Thiago Dantas e publicado no blog Seguindo os passos da História. Esperamos que a reedição do evento esse ano seja feliz ao tentar contemplar também, ainda que se forma inicial, a questão do ensino a respeito dos povos indígenas.

Documentos do acervo do APERS no Programa Nação da TVE!

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Programa Nação TVENa sexta-feira, dia 10, a emissora pública TVE esteve no Arquivo Público do RS para gravar matéria focada no tema “a influência do negro na história e na cultura gaúcha” para o programa Nação. Nesse sentido, o Arquivo Público do RS selecionou alguns documentos relacionados à escravidão como, por exemplo, uma Carta de Liberdade do ano de 1877, que ilustrarão o programa.

O programa Nação vai ao ar todas as segundas-feiras às 20h30min, quartas-feiras às 7h30min e aos sábados às 20h. A exibição do programa gravado no Arquivo Público está prevista para a próxima segunda-feira, dia 27!

Resultados do Curso de Extensão Aplicando a Lei 10.639

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    Desde 2004, a partir da criação e implementação do projeto Documentos da Escravidão no RS, o Arquivo Público do RS vem expressando-se como instituição preocupada em fomentar a pesquisa, debates e reflexões sobre escravidão e liberdade, história e cultura africana e afro-brasileira. Neste sentido, mais um desdobramento deste eixo de atuação foi a realização do Curso de Extensão Aplicando a Lei 10.639: Patrimônio, Cultura e História da África e Afro-Brasileira, entre os dias 05 e 09 de novembro.

     A partir da consolidação de nosso Programa de Educação Patrimonial, que é realizado em parceria com a UFRGS e tem como um de seus focos a formação de professores, e a partir do reconhecimento da necessidade de qualificação para professores e futuros educadores que terão a tarefa de aplicar tal Lei, mas em sua maioria têm pouco conhecimento a respeito da história africana, dos afro-descendentes e deste legado no Brasil, apostamos na realização de um curso de extensão de 40 horas onde fosse possível abordar desde o ensino de História da África, passando por debates atuais que envolvem ações afirmativas e combate ao racismo, até fontes e metodologias de ensino e aprendizagem.

      Foram recebidas 80 inscrições prévias, além de uma lista de suplentes com mais de 30 nomes, o que indica o grande interesse de educadores e estudantes de licenciatura no tema, assim como a carência de espaços de debate nesta área. Ao longo de toda a semana contamos com público frequentador médio de 60 pessoas, que acompanharam palestras, oficinas e debates muito ricos. Assim, para difundir e compartilhar ainda mais as discussões e conhecimentos acumulados ao longo do Curso, a partir da próxima semana publicaremos a cada quarta-feira um post a respeito de cada dia do evento, comentando de maneira mais minuciosa suas atividades e reflexões. Serão cinco publicações entre 21/11 e 19/12. Acompanhe!

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Programação Cultural de encerramento do Curso de Extensão: Aplicando a Lei 10.639

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Curso de Extensão: Aplicando a Lei 10.639 – Programação Completa

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Curso de Extensão: Aplicando a Lei 10.639

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    O Programa de Educação Patrimonial do APERS em parceria com a UFRGS está organizando o Curso de Extensão Aplicando a Lei 10.639: Patrimônio, Cultura e História da África e Afro-brasileira, que tem como principal objetivo contribuir com a formação de educadores e estudantes de licenciatura para que consigam colocar em prática a Lei que obriga o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira.

    O Curso ocorrerá no Arquivo entre os dias 05 e 09/11, nos turnos da tarde e da noite. As inscrições são gratuitas, priorizando o público alvo acima mencionado. Participe!

Exposição: “Porto Alegre: cidade maldita”

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     De 11 a 30 de setembro o APERS recebe no Espaço Joel Abílio Pinto dos Santos a exposição itinerante “Porto Alegre: cidade maldita”. A mostra fotográfica, composta por 11 banners, foi organizada em homenagem a cidade de Porto Alegre e, também, à historiadora Sandra Jatahy Pesavento.

     Pesavento foi professora da UFRGS, figura conceituada na vida intelectual do Estado e importante referência nos campos da história da Cultura e de Porto Alegre. Inspirada na sua obra “Uma outra Cidade: o mundo dos excluídos no final do século XIX” e com texto de Jorge Barcellos, a mostra traz um apanhado histórico da “Porto Alegre dos excluídos” do século 19, uma época marcada pela estigmatização da sociedade.

     O APERS teve a iniciativa de buscar esta exposição junto à Seção de Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre visando estimular a reflexão a respeito dos ciclos de exclusão nos quais estamos inseridos. Venha prestigiar!

Diálogos Culturais Porto Alegre: construindo o Plano Estadual de Cultura

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   O Arquivo Público do RS, representando o segmento de arquivos e centros de documentação, faz parte do Colegiado Setorial de Memória e Patrimônio, um dos tantos colegiados que está trabalhando para construir o Plano Estadual de Cultura e suas metas para os próximos anos.

     Após uma série de reuniões no ano de 2011, em que foram debatidos temas relativos à preservação, valorização e difusão dos patrimônios e memórias que fazem parte da cultura sul-riograndense, no dia de hoje, 11 de julho, os membros de todos os colegiados reúnem-se novamente para apresentar propostas e conhecer o texto-base do Plano Estadual de Cultura, que será apresentado pela Secretaria de Estado da Cultura e o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

    A participação do APERS neste processo foi garantida com a reivindicação de assento no referido Colegiado, feita por várias instituições do segmento. Esta atuação parte da compreensão de que é fundamental a consideração dos arquivos como espaços de memória e cultura, e tem como objetivo central a busca por reconhecimento e inclusão dos mesmos entre as instituições que devem fazer parte das políticas públicas nesta área, com destinação de recursos, incentivo a implementação de ações, projetos e programas de documentação, salvaguarda, conservação e difusão de acervos documentais. Outras notícias.

Concurso Cultural Dia Nacional da Consciência Negra

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     A valorização da cultura negra em espaços que permitam a reflexão crítica sobre os seus valores culturais, morais e sociais devem ser estimulados. Neste sentido, a Assembleia Geral das Nações Unidas em sua 64ª sessão declarou 2011 como o Ano Internacional dos Afrodescendentes.

    De acordo com o relatório da Assembleia, a intenção é “fortalecer as medidas nacionais e a cooperação regional e internacional em benefício dos afrodescendentes em relação ao gozo pleno de seus direitos econômicos, culturais, sociais, civis e políticos, sua participação e integração em todos os aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais da sociedade, e a promoção de um maior conhecimento e respeito à diversidade de sua herança e sua cultura”.

    No Brasil, o dia 20 de novembro é considerado o Dia Nacional da Consciência Negra. Para celebrar esta data, o APERS promove um concurso cultural para valorizar a cultura afrodescendente.

     Para participar basta enviar ao APERS uma frase de até 300 caracteres sobre o que representa o Dia Nacional da Consciência Negra para você e para o Brasil.

     As três melhores frases selecionadas farão parte de um painel que será exposto no Espaço Joel Abílio Pinto dos Santos (sala de exposições do APERS) e irão à votação no blog. O autor ou autora da frase mais votada ganhará as publicações das últimas Mostras de Pesquisa do APERS e outros brindes!

 

Regras:

Frase: deve ser redigida em português padrão com até 300 caracteres

Quem pode participar: tod@s, exceto a comissão organizadora.

Endereço para envio: email divulga-apers@sarh.rs.gov.br

Período de envio: de 20.10 a 10.11

Período de votação da melhor frase:11.11 a18.11

Divulgação resultado: 19.11

 

Saiba mais sobre a temática em:

Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Fundação Cultural Palmares.

 

Participe!

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