APERS conta histórias: Seção de Acidentes – Investigações Policiais – Danos Pessoais

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   Esta edição do APERS Conta Histórias tratará do acervo da Seção de Acidentes que era vinculada à Repartição Central de Polícia do Rio Grande do Sul. Cabia à esta Seção realizar investigações policiais relacionadas à danos pessoais de naturezas diversas, em sua maioria acidentes de trânsito e atropelamentos envolvendo carroças, carros, caminhões e bondes.

   É possível acompanhar as investigações através do registro feito na delegacia e pelas declarações das testemunhas. Nos termos de declaração, além dos depoimentos da vítima e do indiciado, estão relatadas as características físicas e endereço das duas partes e, como se deu o acidente de acordo com a versão narrada por cada.

 

APERS conta historias - Termo de abertura   Nestes documentos também constam a localidade, bem como os pontos de referência do local do acidente. Mesmo que alguns destes locais não mais existam, é possível ter uma ideia, por exemplo, do tipo de comércio predominante em determinadas áreas da cidade. Se por ventura o acidente tivesse vítimas, estão descritos nos documentos o tipo de escoriação e “machucados” sofridos e em alguns casos temos a cópia do Auto de Exame de Lesões Corporais.

   Quando o ocorrido originasse danos materiais, estes eram registrados por um perito que descrevia em detalhes o veículo, modelo, ano e quem era seu proprietário. Nesta avaliação, chamada de peritagem, eram relatadas todas as avarias sofridas pelo veículo, o que permanecia em perfeito estado e por fim, era definido o valor aproximado dos danos.

  Os documentos deste acervo estão acondicionados em livros e são compostos por registros de ocorrências, correspondências entre as delegacias e/ou departamentos, memorandos, peritagens, ofícios e telegramas. Este acervo foi gerado entre o final da década de 1930 e início da década de 1940 na cidade de Porto Alegre.

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APERS conta histórias: Delegacia Especial de Segurança Pessoal e Vigilância

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     Esta edição do APERS Conta Histórias trata dos livros que contém fichas de registro de morte súbita, de morte sem assistência médica e de natimortos produzidas pela Delegacia Especial de Segurança Pessoal e Vigilância do final da década de 1940 e início dos anos de 1950. Neste período, esta delegacia estava vinculada à Secretaria de Estado dos Negócios do Interior.

     Nestas fichas encontramos as seguintes informações: natureza (da morte), data e hora, lugar da ocorrência, se a vítima deixou espólio a arrecadar, se este foi arrecadado ou a quem foi confiado, se foi atestado o óbito, se o cadáver ficou no lugar da ocorrência ou foi recolhido para o necrotério e qual a causa mortis. Também estão descritos os dados pessoais da vítima, como nome, idade, cor, sexo, estado civil, residência, nacionalidade e qual sua condição de saúde. Em alguns casos consta o nome das testemunhas que presenciaram o fato ou que entraram em contato com a delegacia relatando o acontecido.

     Neste primeiro contato com a documentação, é possível identificar que a maioria das vítimas de morte súbita faleciam de doenças do coração ou falência do mesmo. Há um número expressivo de registros de morte súbita de moradores de rua que faleciam em vias públicas e, em alguns casos, sua identificação só era possível através de depoimentos.

     Em referência às vítimas de morte sem assistência, nota-se que em grande parte são bebês, falecidos por doenças pulmonares, como bronquite e broncopneumonia, e doenças relacionadas ao sistema digestivo, como má digestão ou desnutrição. De acordo com as fichas, os adultos faleciam com idades bem variadas e a causa mortis mais decorrente era a tuberculose

     Com relação aos natimortos, observa-se que em algumas ocorrências o óbito dava-se por asfixia, devido ao trabalho de parto prolongado, má formação congênita e, em determinadas circunstâncias, os bebês faleciam em função de uma doença chamada Lues, costumeiramente conhecida como Sífilis, transmitida pela mãe no momento do parto.

     Alguns registros são bem documentados e contém, por exemplo, declarações de parentes ou pessoas envolvidas, autos de autópsia e exames toxicológicos. Esta documentação além de auxiliar na compreensão das doenças mais decorrentes naquele período, possibilita, com o auxílio e outras fontes e bibliografia, constituir um paralelo que permita verificar se as doenças que levavam os indivíduos a morte naquele período são as mesmas que causam falecimento nos dias de hoje.

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