Estágio Curricular em História, edição 2019: pesquisa histórica e difusão de acervos III

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Nessa semana, damos sequência a nossa série de publicações que divulgam os textos dos alunos que participaram do Estágio Curricular em Hisória do APERS. E para hoje, temos o texto História Pública e Arquivo – o caso da tutela de Maria Jose da Silva, de autoria de Rodrigo Garcia Garay, aluno do curso de Bacharelado em História da UFRGS.

Rodrigo não conseguiu circunscrever sua escrita ao limite de tamanho que costumamos atribuir aos textos publicados no Blog do APERS. O graduando uniu os conhecimentos compartilhados no estágio e as discussões realizadas na disciplina de História Pública cursada durante esse semestre para problematizar informações contidas no processo de tutela por ele selecionado aqui no APERS. Adiantamos que, dessa vez, desculpamos o autor pela extensão do texto, só porque a reflexão valeu as seis páginas do arquivo que disponibilizamos na íntegra logo após a introdução do texto que segue:

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Fragmento da Capa do Processo nº. 600 da 3ª Vara de Orphaos de Porto Alegre.

A História Pública surgiu oficialmente nos anos 70, nos Estados Unidos, com o trabalho pioneiro do historiador Robert Kelley. Naquela época e contexto social, a História Pública diferia-se da História acadêmica em que os historiadores públicos buscavam empregos em instituições (públicas ou privadas) fora das universidades (MALERBA, 2018:124). Desde então, o conceito e a prática da História Pública têm se consolidado ao redor do mundo e, igualmente, nas universidades brasileiras. Inicialmente, a História Pública, no Brasil, pareceu estar mais relacionada à história das instituições, à investigação realizada nos arquivos públicos (SANTHIAGO, 2016:23). Hoje em dia, não obstante, a definição de História Pública (e consequentemente, o seu campo de prática) ganhou maior amplitude: trata-se de uma forma de apresentar o passado para diferentes audiências, as quais incluem museus, filmes, ficções históricas, jornalismo histórico, blogues, sites da WWW (LIDDINGTON, 2002:84), além dos já mencionados arquivos, custodes do patrimônio e da memória social institucionalizada. As questões precípuas da memória e gestão do patrimônio, do treinamento especializado e da ética na prática histórica, bem como o problema do espaço de emprego do historiador (a dicotomia academia-espaços/instituições públicas), parecem, contudo, permear esta “nova maneira” de fazermos história. Neste texto, discutiremos brevemente a importância do historiador público no espaço de memória institucional por excelência: o arquivo público.

Consideramos, a partir dos elementos fundamentais mencionados acima, que o historiador cuja atividade profissional se dá no espaço do arquivo é um historiador público tanto por trabalhar em uma instituição governamental (donde o adjetivo público), quanto por prover um serviço de acesso à informação aberto ao grande público, isto é, o povo (seja este composto de especialistas ou amadores). Consideramos, finalmente, que a “grande” História é uma forma narrativa escrita, apoiada na memória e em evidências; é por intermédio desta narrativa que nos apropriamos, organizamos e fazemos sentido dos fatos do passado. Para responder a questão da História Pública e arquivo, norteadora do presente texto, começaremos então, por contar uma pequena história da antiga Porto Alegre. Para acessá-la, bem como o texto na íntegra, clique aqui.

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Estágio Curricular em História, edição 2019: pesquisa histórica e difusão de acervos II

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Hoje continuamos com a divulgação dos textos de difusão de acervos produzidos pelos estudantes do curso de História que realizaram, no mês de maio, o estágio curricular no APERS. Nesse post, vamos compartilhar o texto da Maria Clara Maduro Hagen. Segue abaixo:

Maria Clara_foto

Processos Judiciais de Tutela

Sendo uma das últimas nações no mundo a abolir a escravidão, o Brasil contou com um longo processo de luta e negociação pela liberdade dos escravizados. Nas décadas anteriores à Lei Áurea, outras duas foram redigidas com fins de uma libertação limitada, conhecidas como a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários.

A primeira, decretada em 1872, estipulou a emancipação condicional dos filhos de mães escravizadas, os ingênuos. O projeto de lei contou inicialmente com diversos opositores, que acreditavam que isto violava o “direito de propriedade” dos senhores. [1] Assim, a lei foi modificada para que se desse uma indenização a estes, que poderiam escolher entregar as crianças libertas ao Estado com oito anos de idade, recebendo pagamento em dinheiro, ou mantê-las sob sua tutela como trabalhadoras até a maioridade da época (vinte e um anos). A segunda lei mencionada igualmente suscitou o descontentamento das classes proprietárias, que desejavam ser recompensadas por libertar escravizados com mais de sessenta anos.

Esta lei, e a instituição da tutela para estes filhos de mulheres escravizadas, gerou uma grande quantidade de processos legais, com uma parte do acervo disponível no APERS sendo organizados no catálogo seletivo “Escravidão, Liberdade e Tutela”. A partir desta coletânea, é possível ter acesso a múltiplos documentos da comarca de Porto Alegre de 1871 a 1898 relativos ao assunto. Estes processos permitem uma visão rica e individual sobre o que ocorria com estas crianças tanto antes quanto depois da abolição.

Atualmente, a historiografia busca dar mais atenção à utilização dos meios legais pelos escravizados na busca de seus direitos, demonstrando as múltiplas formas de resistência e autonomia exercida por estes indivíduos. [2] O acervo do APERS nos dá exemplos de como escravizados e libertos buscavam manter a integridade de suas famílias, em vista às leis que frequentemente separavam mães e pais de seus filhos.

Um exemplo é o processo de nº 2703, da I Vara da Família e Sucessão da Comarca de Porto Alegre, aberto em 1882. Nele, um homem chamado Manoel Ferreira Porto de Carvalho pede a tutela de Fernando, filho de mãe liberta, que teria sido criado por ele desde os seis anos de idade, e aos doze, fugido para a companhia de sua mãe Bárbara. No ano seguinte, Manoel pediria a anulação desta tutoria, trazendo reclamações da suposta malcriação de Fernando, pedido que é negado. Apesar de não se saber a conclusão deste processo, pode-se ver que há tentativas concretas de Fernando de se reunir com sua mãe, assim como uma imediata reprovação e tentativa de impedi-lo.

Já no processo nº 2723, da mesma vara, aberto em agosto de 1884, é a mãe que busca os dispositivos legais para tentar obter uma melhor vida para seu filho. Nele, o relojoeiro José Pedro Goeres solicita a tutoria de um menino chamado Joaquim, filho de Narcisa, a quem ele alega prover com uma boa educação na sua profissão. Sua mãe, porém, no mês seguinte pede a nomeação de um novo tutor para seu filho, alegando, essencialmente, que José Pedro não tinha intenções de realmente criá-lo de forma adequada, mas sim de obter um funcionário “de graça”. Este se defendeu, afirmando que a mãe queria levá-lo ao desprezo público. No final, ela acabou por conseguir a nova nomeação, e ela e seu filho aparecem novamente nas documentações no processo 2745, de 1886, junto com os outros filhos de Narcisa: João, Luciana e Manoela. Neste processo, Pedro Luiz Barth é nomeado tutor dos quatro irmãos, afirmando que já cuidava de João há bastante tempo.

Como exemplo final pode ser dado o processo de nº 3000, da mesma vara, aberto em 1897, onde Antonio Ferreira Tinoco pede a exoneração do cargo de tutor de Eugenia, uma menina de dez anos, que teria sido levada por sua mãe, Maria Thereza, uma mulher de “má conduta”. Este aspecto é enfatizado na documentação – os dois processos relativos aos filhos de Narcisa mencionam sua passagem pela cadeia civil.

Estas são apenas algumas poucas demonstrações de que, apesar de agradável à parte da sociedade, a instituição da tutoria representou uma violência para as famílias sujeitas a esta, e que, mesmo sem contar com as suas vozes, podemos evidenciar pelos processos salvaguardados pelo APERS que as mães das crianças em situação de tutela tentavam, por todos os meios disponíveis, legais ou ilegais, garantir os direitos de seus filhos e filhas.

Referências:

[1] MENDONÇA, Joseli. Cenas da abolição. Escravos e senhores no Parlamento e na Justiça. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2001.

[2] XAVIER, Regina Celia Lima. A Conquista da liberdade. Libertos em Campinas na segunda metade do século XIX. Campinas: Ed. CMU/UNICAMP, 1996.

Estágio Curricular em História, edição 2019: pesquisa histórica e difusão de acervos

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Conforme divulgamos no post sobre o Estágio Curricular da semana passada, a partir dessa quarta-feira, durante três semanas seguidas, vamos divulgar os textos escritos pelos alunos que participaram do Estágio Curricular em História do APERS. As escritas, que foram construídas a partir de processos judiciais de tutela da Comarca de Porto Alegre, datados do final do século XIX, carregam consigo não somente um exercício do fazer dos historiados e da divulgação de um acervo específico, mas também um dos resultados pretendidos com a gestão documental: o acesso aos documentos produzidos pelo poder público.

Para hoje, temos o texto, Liberdade &Tutela, escrito por Érico Teixeira de Loyola, alunos dos semestres finais do curso de Bacharelado em História da UFRGS.

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O processo de tutela de Maria, cuja liberdade fora adquirida por Ernestina.

Liberdade & Tutela

No APERS – Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, no contexto do Fundo do Poder Judiciário, Comarca de Porto Alegre, podemos encontrar nada mais, nada menos, do que 1.476,95 metros lineares de documentos textuais, manuscritos e datilografados. Isto é, quase 1,5km de vidas que, enfileiradas, de alguma forma passaram, pelos mais diversos motivos, pelo escrutínio de juízes, serventuários, advogados etc.

Essa considerável extensão de documentos, mensurável em quilômetros, entretanto, é pequena se comparada com sua profundidade. Afinal de contas, estamos falando de vidas, e tudo o que, consequentemente, envolve o existir. O escrivão expõe os fatos, o juiz julga, o advogado defende, mas só quem figura em processo judicial, seja como autor ou réu, é que efetivamente pode ter a real noção do que isso significa. Às vezes, o que está em jogo é uma questão de amor; em outras, defende-se a honra, ou a memória de alguém; e, por vezes, de maneira muito especial, debate-se a própria liberdade.

É nesse contexto que o APERS, disponibiliza, desde o ano de 2017, o Catálogo Seletivo Escravidão, Liberdade e Tutela. Esse trabalho enumera e detalha os Processos de Tutela que passaram pelas 1ª, 2ª e 3ª Varas de Família e Sucessão de Porto Alegre, entre os anos de 1871 e 1898.

Os processos de tutela, nesse período, eram demandas destinadas a assegurar a crianças desvalidas, pelas mais diversas razões, um lar substituto, sob a tutela de alguém. Ainda, no contexto da escravidão, e principalmente após a edição da Lei do Ventre Livre (1871), “a tutela dos filhos das escravas foi uma das estratégias empregadas por muitos adultos para continuarem a usufruir dos serviços dos menores de idade” (CARDOZO, 2012, p. 93). Aliás, essa situação teria se verificado, inclusive, depois de 1888, quando promulgada a Lei Áurea, tendo muitos senhores de escravos buscado “manter sob sua guarda e tutela os filhos ingênuos de suas escravas recém-libertas” (PAPALI, 2002, p. 11).

É nesse ambiente delicado que encontramos, por exemplo, o Processo nº 2717, da 1ª Vara, indicado no Catálogo Seletivo. Ajuizado no ano de 1883 pela preta Ernestina, que, depois de muito trabalhar, amealhou a considerável quantia de 500$000 para obter a liberdade de sua afilhada Maria, de quem cuidava desde os seis anos de idade (de acordo com Marcondes e Motta, 2001, para se ter uma ideia, o preço médio de uma escrava parteira, em 1874, na Cidade de Lorena/SP, era de 700$000). No entanto, não podendo prover educação adequada, decidiu ingressar com este processo a fim de que fosse indicado um tutor para Maria, o que de fato ocorreu em 15/11/1893, quando da designação de Francisco Antônio Vieira Caldas para o cargo. No entanto, ainda em 19/11/1893 – isto é, apenas quatro dias depois de juramentado – o próprio tutor peticionou nos autos, informado que Maria teria sido levada pelo Tenente Carlos Augusto Pinto Pacca e por sua família, sem prévia autorização, para a cidade fronteiriça de Jaguarão, não se tendo mais, a partir desse ponto, notícias de seu paradeiro.

Que fim teria levado Maria? Teria ela decidido acompanhar a família do Tenente Pacca, ou será que, enredada em outras questões, teria sido levada contra sua vontade para Jaguarão, longe de seu tutor? E será que ela teria conseguido uma boa educação, como desejava sua madrinha, e melhores condições de vida? E Ernestina, que teria pensado de tudo isso, depois de ter lutado tanto para que, de algum modo, sua afilhada tivesse uma vida, aparentemente, em liberdade?

Estas são só algumas das diversas questões que um pesquisador poderia se perguntar ao examinar o processo de Maria, que diz muito sobre a luta da população negra por sua liberdade e sobre as vicissitudes que encontrava nesse caminho. A partir de um só documento, todo um quebra-cabeça se descortina, no qual as peças, se juntadas, poderão eventualmente auxiliar na melhor compreensão de um período decisivo na História do Brasil e do Estado do Rio Grande do Sul.

Referências Bibliográficas:

CARDOZO, José Carlos da Silva. A tutela dos filhos de escrava em Porto Alegre. Revista Latino-Americana de História. vol 1, n.3, março de 2012 (Edição Especial – Lugares da História do Trabalho). Disponível em: http://projeto.unisinos.br/rla/index.php/rla/article/viewFile/71/49. Último acesso: 02 jun 2019.

PAPALI, Maria Aparecida C. R. A legislação de 1871, o Judiciário e a tutela de ingênuos na cidade de Taubaté. Revista Justiça e História. vol 2, n.3, 2002. Disponível em: https://www.tjrs.jus.br/export/poder_judiciario/historia/memorial_do_poder_judiciario/memorial_judiciario_gaucho/revista_justica_e_historia/issn_1676-5834/v2n 3/doc/09-Papali.pdf. Último acesso: 02 jun 2019.

MARCONDES, Renato Leite e MOTTA, José Flávio. Duas fontes documentais para o estudo dos preços dos escravos no Vale do Paraíba Paulista. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 21, nº 42, p. 495-514.

 

Post atualizado em: 18/06/2019

Estágio Curricular em História – Edição 2019

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Entre os dias 06 e 24 de maio, com atividade à distância até o dia 31 do mesmo mês, aconteceu no Arquivo Público a edição de 2019 do Estágio Curricular em História APERS. Três alunos do Curso de Bacharelado em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul foram atendidos de acordo com um programa no qual foram planejadas 40 horas de atividades, em que os estudantes puderam vivenciar o trabalho de historiadores dentro de uma instituição arquivística.

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No primeiro dia ocorreu a apresentação da Instituição por meio de uma conversa e de uma visita orientada. Nos próximos encontros de Gestão Documental e Documentação de Guarda Permanente, ocorreram discussões de textos e atividades referentes a contribuição de historiadores no processo de elaboração e atualização de instrumentos de classificação e avaliação. Além de abordagens conceituais, apresentação do Plano de Classificação de Documentos e da Tabela de Temporalidade de Documentos dos Sistema de Arquivos do Estado do RS, os estagiários forjaram algumas etapas da elaboração de PCD e TTD a partir de documentos particulares e construíram um quadro de arranjo adequado às características dos registros por eles trazidos.

Dois encontros foram reservados para discutirem Ações Educativas em Arquivos. Depois de conhecer as principais ações desenvolvidas pelo APERS, os estudantes interagiram com jogos pedagógicos desenvolvidos pelo Núcleo de Ação Educativa do APERS e construíram propostas pedagógicas a partir da leitura de alguns processos de indenização de ex-presos políticos e dos documentos que compõe a caixa AfricaNoArquivo.

E um encontro foi reservado para que conhecessem o funcionamento da Sala de Pesquisa e as necessidades, a partir de leituras e demandas fictícias, que devem responder aqueles que trabalham com o Atendimento ao Pesquisador.

Por fim, trabalharam com questões relacionadas à Difusão de Acervos e Pesquisa Histórica. Realizaram leituras e discussões sobre as diferentes formas de divulgação de conjuntos documentais (artigos acadêmicos, instrumentos de pesquisa, conteúdo para sites e blogs, apresentações em eventos). A partir do Catálogo Seletivo Escravidão Liberdade e Tutela, instrumento de descrição arquívistica que auxilia na difusão de acervos, produziram conteúdo com o objetivo de divulgar os Processos de Tutela da Vara de Família e Sucessão da Comarca de Porto Alegre, nos quais estavam presentes as figuras do negro, do pardo, do escravo, do ex-escravo, do liberto. Esses textos foram a proposta de produto final do estágio, já foram entregues e serão divulgados aqui no blog a partir da próxima quarta-feira, em três semanas seguidas.

No dia 12 de junho, no texto escrito pelo estagiário Érico de Loyola, conheceremos um pouco sobre o processo ajuizado pela preta Ernestina que envolvia a sua afilhada Maria. No dia 19 de junho, a estagiária Maria Clara nos apresentará a algumas das relações possíveis registradas em juízo pela liberta Bárbara, mãe do menor Fernando; pelos fatos que envolveram a tutela de Joaquim e Eugênia, filhos, respectivamente, de Narcisa e Maria Thereza. E, por fim, no dia 26 de junho, o texto de do estagiário Rodrigo Garay, que se utilizou dos processos de tutela para tratar da importância do historiador público no espaço de memória institucional. Os textos estão ótimos, já adiantamos!

Esperamos que a oferta do Estágio Curricular em História tenha cumprido seu papel quanto ao auxílio na formação de futuros profissionais da área de patrimônio, desde o compartilhamento com os estudantes do Curso de Bacharelado em História das responsabilidades pertinentes ao APERS e aos historiadores que na instituição atuam.

Até a próxima edição, em 2020.

Acervo do Judiciário: liberação e indisponibilidade de Comarcas para consulta IV

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Informamos que está disponível no Sistema AAP, no portal do Arquivo Público do RS, a pesquisa dos dados dos documentos do Poder Judiciário referentes à Comarca de Santa Maria – PJ 069 e à Comarca de São Pedro do Sul – PJ 084.

Após 05 meses de trabalho, foram revisados e indexados os dados de 6.141 processos que estão distribuídos em 229 caixas da Comarca de Santa Maria – PJ 069 e 05 documentos que estão em 01 caixa da Comarca de São Pedro do Sul – PJ 084.

Abaixo disponibilizamos a descrição dos fundos e os índices contendo os dados básicos dos documentos indexados no sistema AAP (para acessar, clique em cima dos links):

Com o término do trabalho destas Comarcas, a equipe de indexação do APERS deu início à organização e revisão dos processos da Comarca de Cachoeira do Sul – PJ 011, acervo do Poder Judiciário, o que acarreta na indisponibilidade do acervo para consulta na Sala de Pesquisa do APERS. Somaram-se 280 caixas, em levantamento prévio, que estão sendo analisadas e posteriormente os dados dos documentos serão digitados no sistema AAP.

Lembramos que é possível pesquisar processos já indexados do acervo do judiciário, por parte ou período aqui. Se você tiver interesse em consultar estes documentos em nossa Sala de Pesquisa, envie um e-mail para saladepesquisa@planejamento.rs.gov.br e solicite seu atendimento!

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Acervo do Judiciário: liberação e indisponibilidade de Comarcas para consulta
Comarcas de Bagé e Canguçu/Piratini disponíveis para consulta online

Estágio Curricular em História APERS

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    O Estágio Curricular em História é um dos serviços educativos oferecidos pelo Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Caracteriza-se por uma série de atividades destinadas ao cumprimento de estágio curricular obrigatório ou para horas complementares exigidas para integralização dos Cursos de Bacharelado e de Licenciatura em História. Tem como objetivo oportunizar, aos graduandos, vivências relacionadas aos fazeres dos historiadores na área de patrimônio documental em instituições arquivísticas.

    Para esta edição, serão oferecidas quatro vagas, destinadas aos alunos do Curso de Bacharelado em História, preferencialmente. Para saber mais detalhes, acesse aqui o Regulamento do Estágio Curricular em História APERS.

    As inscrições serão realizadas pelo e-mail projetos-apers@planejamento.rs.gov.br, a partir de 11 de março até 17 de março. Os interessados devem encaminhar nome completo, telefone para contato e anexar à mensagem o comprovante de matrícula no qual conste a disciplina de bacharelado ou carta de apresentação da instituição, para os alunos de licenciatura, conforme instruções contidas no regulamento. Outras informações podem ser solicitadas pelo e-mail indicado ou pelo telefone 51 3288 9115.

Acervo do Judiciário: liberação e indisponibilidade de Comarcas para consulta IV

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    Informamos que está disponível no Sistema AAP, no portal do Arquivo Público do RS, a pesquisa dos dados dos documentos do Poder Judiciário referente à Comarca de Caçapava do Sul PJ 016 (1850 – 1872), PJ 017 (1878 – 1892) e PJ 018 (1895 – 1956).

   Após 07 meses de trabalho, foram revisados e indexados os dados de 4999 processos que estão distribuídos em 120 caixas da Comarca de Caçapava do Sul (PJ 016 – 1850-1872), 40 caixas da Comarca de Caçapava do Sul (PJ 017 – 1878-1892) e 81 caixas da Comarca de Caçapava do Sul (PJ 018 – 1895 – 1956). Ressalta-se que a Comarca de Caçapava do Sul já havia sido trabalhada e ocorreram atualizações.

   Abaixo disponibilizamos a descrição dos fundos e os índices contendo os dados básicos dos documentos indexados no sistema AAP (para acessar, clique em cima dos links):

    Com o término do trabalho destas Comarcas, a equipe de indexação do APERS deu início à organização e revisão dos processos da Comarca de Santa Maria (PJ 069), acervo do Poder Judiciário, o que acarreta na indisponibilidade do acervo para consulta na Sala de Pesquisa do APERS. Somaram-se 120 caixas, em levantamento prévio, que estão sendo analisadas e posteriormente os dados dos documentos serão digitados no sistema AAP.

    Lembramos que é possível pesquisar processos já indexados do acervo do judiciário, por parte ou período aqui. Se você tiver interesse em consultar estes documentos em nossa Sala de Pesquisa, envie um e-mail para saladepesquisa@smarh.rs.gov.br e solicite seu atendimento!

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   Informamos que está disponível no Sistema AAP, no portal do Arquivo Público do RS, a pesquisa dos dados dos documentos do Poder Judiciário referentes às Comarcas de: Vacaria (PJ 096 e 097), Passo Fundo (PJ 063) e Lagoa Vermelha (PJ 019).

   Após 1 ano e meio de trabalho, foram revisados e indexados os dados de 18.376 processos que estão distribuídos em 47 caixas da Comarca de Vacaria (PJ 096 – 1878-1892), 200 caixas da Comarca de Vacaria (PJ 097 – 1898-1954), 217 caixas da Comarca de Passo Fundo (PJ 063) e 250 caixas da Comarca de Lagoa Vermelha (PJ 019). Ressalta-se que as Comarcas de Vacaria e de Lagoa Vermelha já haviam sido trabalhadas e tiveram atualizações.

   Abaixo disponibilizamos a descrição dos fundos e os índices contendo os dados básicos dos documentos indexados no sistema AAP (para acessar, clique em cima dos links):

    Com o término do trabalho destas Comarcas, a equipe de indexação do APERS deu início a organização e revisão dos processos da Comarca de Caçapava do Sul (PJ 016, 017 e 018), acervo do Poder Judiciário, o que acarreta na indisponibilidade do acervo para consulta na Sala de Pesquisa do APERS. Somaram-se 145 caixas, em levantamento prévio, que estão sendo analisadas e posteriormente os dados dos documentos serão digitados no sistema AAP.

   Lembramos que é possível pesquisar processos já indexados do acervo do judiciário, por parte ou período aqui. Se você tiver interesse em consultar estes documentos em nossa Sala de Pesquisa, envie um e-mail para saladepesquisa@smarh.rs.gov.br e solicite seu atendimento!

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Nova edição de Estágio Curricular em História APERS

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            O Estágio Curricular em História é um dos serviços educativos oferecidos pelo Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Caracteriza-se por uma série de atividades destinadas ao cumprimento de estágio curricular obrigatório ou para horas complementares exigidas para integralização dos Cursos de Licenciatura e de Bacharelado em História. Tem como objetivo oportunizar, aos graduandos, vivências relacionadas aos fazeres dos historiadores na área de patrimônio documental em instituições arquivísticas.

            

            Para esta edição, serão oferecidas quatro vagas, destinadas aos alunos do Curso de Bacharelado em História. Para saber mais detalhes, acesse aqui o Programa do Estágio Curricular em História APERS.

            As inscrições serão realizadas pelo e-mail projetos-apers@smarh.rs.gov.br, entre os dias 12 e 16 de março. Os interessados devem encaminhar nome completo, telefone para contato e anexar à mensagem o comprovante de matrícula no qual conste a disciplina de estágio no bacharelado ou carta de apresentação da instituição com a informação acima citada.

            Outras informações podem ser solicitadas pelo e-mail indicado ou pelo telefone 51 3288 9115.

Estágio Curricular em História

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O Estágio Curricular em História é um dos serviços educativos oferecidos pelo Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Caracteriza-se por uma série de atividades destinadas ao cumprimento de estágio curricular obrigatório ou para horas complementares exigidas para integralização dos Cursos de Licenciatura e de Bacharelado em História. Tem como objetivo, oportunizar, aos graduandos, vivências relacionadas aos fazeres dos historiadores na área de patrimônio documental em instituições arquivísticas.

Para esta edição, serão oferecidas seis vagas, destinadas aos alunos de Graduação em História, independente da ênfase do curso. Para saber mais detalhes, acesse aqui o Programa do Estágio Curricular em História APERS.

As inscrições serão realizadas pelo e-mail projetos-apers@smarh.rs.gov.br. Os interessados devem encaminhar nome completo, telefone para contato e anexar à mensagem o comprovante de matrícula do semestre em andamento.

Outras informações podem ser solicitadas pelo e-mail indicado acima ou pelo telefone 51 3288 9115.

Estágio Curricular em História APERS – Iª Edição|2017

1 Comentário

    Entre os dias 8 e 31 de maio, aconteceu no Arquivo Público a primeira edição do ano de 2017 do Estágio Curricular em História APERS. Foram atendidos três alunos dos cursos de bacharelado e licenciatura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Com carga horária de 40 horas, distribuídas em 9 encontros, os estudantes puderam vivenciar diferentes atividades pelas quais historiadores são responsáveis ou contribuem em uma instituição arquivística.

    No primeiro dia, foram recebidos pelas três historiadoras responsáveis pelo Estágio Curricular (Caroline Baseggio, Luciane Mondin e Nôva Brando), que apresentaram a Instituição e os trabalhos desenvolvidos no APERS, sobretudo as atividades nas quais participam historiadores. No segundo e no terceiro encontro, Gestão Documental e Documentação de Guarda Permanente, ocorreram discussões de textos e atividades referentes a contribuição de historiadores no processo de elaboração e atualização de instrumentos de classificação e avaliação. Além de abordagens conceituais, apresentação do Plano de Classificação de Documentos e da Tabela de Temporalidade de Documentos do Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul, os estagiários puderam forjar algumas etapas da elaboração de PCD e TTD, avaliar e classificar, a partir de documentos particulares, e ainda construir um Quadro de Arranjo próprio que respondesse às características específicas dos registros trazidos por eles.

    No quarto e no quinto encontro, foram trabalhadas questões relacionadas à Difusão de acervos e pesquisa histórica. Leituras e discussões sobre o tema foram realizadas e os estagiários, como produto final dos dois encontros, tiveram de escrever um texto de divulgação do Acervo da Vara de Família e Sucessão do Poder Judiciário, a partir de alguns processos pré-selecionados. No sexto dia, a assunto foi Atendimento ao Pesquisador. Eles puderam conhecer a dinâmica de trabalho na Sala de Pesquisa e as tarefas executadas para atendimento satisfatório ao pesquisador. Tiveram de responder a e-mails e a pesquisadores fictícios, a partir de questionamentos comuns que chegam aos balcões do APERS.

    Nos três dias finais, trabalharam com assuntos e atividades relacionadas às Ações Educativas. Foram apresentadas as principais ações desenvolvidas pelo APERS (Programa de Educação Patrimonial, AfricaNoArquivo, APERS? Presente, professor!) e atividades desenvolvidas por outras instituições nacionais e internacionais. Vivenciaram uma das atividades do Projeto APERS? Presente, professor! sobre a Ditadura Civil-militar e elaboram uma proposta de atividade a partir dos Processos da Comissão Especial de Indenização.

   Como última atividade, fizeram um relatório que exigiu a problematização de cada uma das etapas propostas, momento importante para os estagiários, pois a escrita lhes permitiu a articulação das abordagens de cada encontro; e oportunidade ímpar para a equipe responsável pelo Estágio, para avaliar os erros e os acertos observados nessa edição do Estágio.

   Com a oferta de mais essa atividade, temos a clareza de que o APERS, além de responsabilizar-se pela guarda de documentos permanentes, pela elaboração de políticas arquivísticas estaduais, pela difusão de seus acervos, pelo acesso à documentação, pela vivência, junto ao público escolar, de ações educativas, também auxilia na formação de futuros profissionais da área do patrimônio, nesse caso, historiadores.

    Até a próxima edição, no segundo semestre!

Estágio Curricular em História APERS

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O Estágio Curricular em História é um dos serviços educativos oferecido pelo Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Caracteriza-se por uma série de atividades destinadas ao cumprimento de estágio curricular obrigatório ou para horas complementares exigidas para integralização dos Cursos de Licenciatura e Bacharelado em História. Tem como objetivo oportunizar, aos graduandos, vivências relacionadas aos fazeres dos historiadores na área de patrimônio documental em instituições arquivísticas.

Para essa edição, são oferecidas quatro vagas, destinadas, prioritariamente, aos alunos dos Cursos de Graduação em História que comprovarem a necessidade de horas de atividades em instituições de memória para conclusão de disciplina de estágio curricular obrigatório. Para saber mais detalhes, acesse aqui o Programa do Estágio Curricular em História APERS.

As inscrições serão realizadas pelo e-mail projetos-apers@smarh.rs.gov.br. Os interessados devem encaminhar nome completo, telefone para contato e anexar à mensagem, a Carta de Apresentação da instituição na qual estuda (neste documento deve constar a informação de obrigatoriedade de cumprimento de carga horária em instituição de memória para conclusão de disciplina de estágio curricular).

Outras informações podem ser solicitadas pelo e-mail indicado acima ou pelo telefone 51 3288 9115.

Relatórios APERS 2016 – DIPAD: Ações educativas e culturais

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O Arquivo Público do Rio Grande do Sul possui uma série de atividades na área de Ação Educativa, sobretudo as vinculadas ao Programa de Educação Patrimonial, consolidadas e reconhecidas pelas mais diversas instituições ligadas à educação. De modo geral, as atividades são desenvolvidas dentro da própria instituição.

APERS? Presente, professor!Na intenção de darmos continuidade e estendermos essa aproximação, elaboramos em 2014 o projeto APERS? Presente, Professor? Propostas Pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas que pretendeu levar um pouco do Arquivo Público até a escola, a partir da construção de propostas pedagógicas que tiveram como ponto de partida os documentos custodiados pela instituição. O objetivo caracterizou-se pela disponibilização virtual de atividades que pudessem ser desenvolvidas pelos professores nas salas de aula da educação básica. Em 2016 se deu a publicação e disponibilização da Coletânea da IIª Edição do Projeto APERS? Presente, professor!. As propostas que compõe esta coletânea foram disponibilizadas, no formato PDF, no Blog Institucional do APERS ao longo de 2015 e foram construídas com fontes arquivísticas, a partir do eixo temático História e Direitos Humanos.

Outra atividade que demandou tempo das equipes da Divisão de Preservação, Acesso e Difusão foi a elaboração do projeto Estágio Curricular para o Curso de História. O estágio foi desenvolvido entre os dias 29 de setembro e 26 de outubro, e foi oferecido para alunos dos cursos de graduação em História, tanto bacharelado quanto licenciatura.

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Com uma carga horária de 50 horas, distribuídas em 12 encontros, os estagiários puderam discutir e vivenciar, saberes e fazeres de um historiador dentro de uma instituição arquivística. No primeiro encontro, foram apresentados ao APERS por meio de uma Visita Guiada e de conversa sobre as atividades, em geral, desenvolvidas pelo arquivo. Nos segundo e terceiro encontros, foram abordados assuntos relacionados à Classificação, Avaliação e Descrição Documental. Além de leituras, foram propostas duas atividades com documentos do Poder Executivo, para as quais o contato com o Plano de Classificação e a Tabela de Temporalidade (IN02/2014 SIARQ/RS) e as normas de descrição da NOBRADE se faziam necessárias para realização dos exercícios. No quarto encontro, foram trabalhados aspectos da indexação de documentos, umas das etapas da descrição documental, na qual foram utilizados documentos do Poder Judiciário. Nesse encontro, de forma prática, os alunos puderam conhecer o banco de dados do Arquivo AAP (Administração de Acervos Públicos) e realizar atividades práticas de alimentação do site.

Nos quinto e sexto encontros, os estagiários entraram em contato com as áreas de Preservação e de Conservação. Realizaram leitura e debates sobre o tema e observaram as condições do arquivo e dos acervos a partir desse prisma. Também puderam realizar algumas atividades práticas de conservação como higienização, desmetalização, feitura de capas e costuras. Os próximos dois encontros, o sétimo e oitavo, foram destinados ao Atendimento ao Pesquisador. Além de leituras sobre o papel do historiador que atua em arquivos no suporte à pesquisa, conheceram os diferentes instrumentos de pesquisa disponíveis para acesso aos documentos dos poderes legislativo, judiciário e executivo. Depois disso, realizaram atividades de pedidos e de busca de documentação.

Para os últimos quatro encontros, ficaram reservadas as temáticas da Difusão e das Ações Educativas. Para a primeira, além da proposta de leitura e discussão de texto sobre o assunto e apresentação das atividades de difusão desenvolvidas pelo APERS, os alunos, tiveram que escrever um texto, divulgando um conjunto documental, Acervo da Vara de Família e Sucessão, custodiado pelo Arquivo. Por fim, foram apresentados às ações educativas desenvolvidas pelo APERS e conheceram um pouco mais sobre os serviços pedagógicos de outros arquivos, nacionais e internacionais. E como exercício, construíram uma atividade pedagógica a partir de documentos da Comissão Especial de Indenização.

Dessa forma, os estagiários puderam conhecer, problematizar e realizar algumas tarefas que compõem cada uma dessas atividades desenvolvidas pelos servidores dos APERS. Acreditamos que a proposta inicial, de oportunizar o contato de estudantes dos Cursos de História com os trabalhos desenvolvidos em instituições arquivísticas foi cumprido e que, para eles, além das instituições de educação básica e de ensino superior, os arquivos se transformaram em campo de atuação profissional. Segue a descrição das atividades:

  • Planejamento;
  • Elaboração e submissão do Programa do Estágio à direção do APERS;
  • Elaboração de material de divulgação;
  • Reunião com a Equipe do Estágio Curricular;
  • Alteração do Programa original (alteração de datas);
  • Recebimentos de indicação, organização e inclusão de Bibliografia no Programa do Estágio Curricular;
  • Contatos Universidades (UFRGS, PUC, Unisinos e FAPA) – prospecção de demanda pelo estágio Curricular;
  • Finalização do material de divulgação após alterações de datas;
  • Divulgação do Estágio Curricular (Blog);
  • Divulgação Estágio Curricular Universidades;
  • Início das Inscrições pelo e-mail apers@;
  • Contato Maria Lúcia Ricardo Souto para autorização de utilização de texto sobre conservação e reparos;
  • Reserva do Auditório e da Sala de Reuniões para atividades do Estágio;
  • Agenda Expresso – convite|registro atividades dos integrantes da equipe;
  • Lista de Informações sobre o Estágio para disponibilizar na Recepção do APERS;
  • Elaboração de Apresentação/slides para o primeiro encontro;
  • Elaboração de Ficha de Avaliação;
  • Acompanhamento do e-mail APERS;
  • Planejamento e execução das atividades realizadas no encontro de Apresentação da Instituição (Nôva e Caroline);
  • Planejamento e execução das atividades realizadas nos encontros de Classificação, Avaliação e Descrição (Viviane);
  • Planejamento e execução das atividades realizadas nos encontros de Indexação (Roberta);
  • Planejamento e execução das atividades realizadas nos encontros (dois) de Conservação e Preservação (Nôva);
  • Planejamento e execução das atividades realizadas nos encontros (dois) de Atendimento ao Pesquisador (Caroline)
  • Planejamento, elaboração de materiais e execução das atividades realizadas nos encontros (dois) de Pesquisa Histórica e Difusão de Acervos (Nôva);
  • Planejamento, elaboração de materiais e execução das atividades realizadas nos encontros (dois) de Ação Educativa (Nôva e Caroline);
  • Elaboração e entrega, por e-mail, de certificado de conclusão do Estágio;
  • Organização Pasta Servidor e materiais físicos;
  • Elaboração de Notícia para o Blog sobre a Iª Edição do Estágio.

Trabalharam na organização do Estágio: Caroline Acco Baseggio, Nôva Marques Brando, Roberta Capelão Valença Scholz, e Viviane Portella de Portella. Nôva Marques Brando foi responsável também pelo projeto APERS? Presente, professor!

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Balanço 2016 do APERS

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Relatórios APERS 2016 – DIPAD: Programa de Educação Patrimonial UFRGS|APERS

Estágio Curricular em História APERS – Iª Edição| 2016

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            Entre os dias 29 de setembro e 26 de outubro, aconteceu no Arquivo Público a primeira edição do Estágio Curricular em História APERS, oferecido para alunos dos cursos de graduação em História, tanto bacharelado quanto licenciatura.

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            Com uma carga horária de 50 horas, distribuídas em 12 encontros, os estagiários puderam discutir e vivenciar, saberes e fazeres de um historiador dentro de uma instituição arquivística. No primeiro encontro, foram apresentados ao APERS por meio de uma Visita Guiada e de conversa sobre as atividades, em geral, desenvolvidas pelo arquivo. Nos segundo e terceiro encontros, foram abordados assuntos relacionados à Classificação, Avaliação e Descrição Documental. Além de leituras, foram propostas duas atividades, com documentos do Poder Executivo, para as quais o contato com o Plano de Classificação e a Tabela de Temporalidade (IN02/2014 SIARQ/RS) e as normas de descrição da NOBRADE se faziam necessárias para realização dos exercícios. No quarto encontro, foram trabalhados aspectos da indexação de documentos, umas das etapas da descrição documental, na qual foram utilizados documentos do Poder Judiciário. Nesse encontro, de forma prática, os alunos puderam conhecer o banco de dados do Arquivo AAP (Administração de Acervos Públicos) e realizar atividades práticas de alimentação do site.

            Nos quinto e sexto encontros, os estagiários entraram em contato com as áreas de Preservação e de Conservação. Realizaram leitura e debates sobre o tema e observaram as condições do arquivo e dos acervos a partir desse prisma. Também puderam realizar algumas atividades práticas de conservação como higienização, desmetalização, feitura de capas e costuras. Os próximos dois encontros, o sétimo e oitavo, foram destinados ao Atendimento ao Pesquisador. Além de leituras sobre o papel do historiador que atua em arquivos no suporte à pesquisa, conheceram os diferentes instrumentos de pesquisa disponíveis para acesso aos documentos dos poderes legislativo, judiciário e executivo. Depois disso, realizaram atividades de pedidos e de busca de documentação.

            Para os últimos quatro encontros, ficaram reservadas as temáticas da Difusão e das Ações Educativas. Para a primeira, além da proposta de leitura e discussão de texto sobre o assunto e apresentação das atividades de difusão desenvolvidas pelo APERS, os alunos, tiveram que escrever um texto, divulgando um conjunto documental, Acervo da Vara de Família e Sucessão, custodiado pelo Arquivo. Por fim, foram apresentados a ações educativas desenvolvidas pelo APERS e conheceram um pouco mais sobre os serviços pedagógicos de outros arquivos, nacionais e internacionais. E como exercício, construíram uma atividade pedagógica a partir de documentos da Comissão Especial de Indenização.

            Dessa forma, os estagiários puderam conhecer, problematizar e realizar algumas tarefas que compõem cada uma dessas atividades desenvolvidas pelos servidores dos APERS. Acreditamos que a proposta inicial, de oportunizar o contato de estudantes dos Cursos de História com os trabalhos desenvolvidos em instituições arquivísticas foi cumprido e que, para eles, além das instituições de educação básica e de ensino superior, os arquivos se transformaram em campo de atuação profissional.

APERS Entrevista: Nôva Marques Brando

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Nôva Brando - APERSNôva Marques Brando, 32 anos, é historiadora do Arquivo Público do RS, possui graduação em História e especialização em Ensino de Geografia e de História, ambas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já atuou profissionalmente como Professora de História nas séries finais do Ensino Fundamental e coordenou o Projeto APERS? Presente, professor! – Propostas pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas. Atualmente é membro suplente do Comitê Gestor do Sistema de Arquivos do Estado (SIARQ-RS) e da Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI). Trabalha com pesquisas, descrição documental, difusão cultural e educativa e atividades de conservação e restauro documental. Confira a entrevista com Nôva em alusão ao Dia do Historiador:

Blog do APERS: Nôva, você poderia comentar um pouco sobre como decidiu cursar História?

Nôva: Tenho a impressão que os motivos são muito semelhantes para todos que decidiram por graduar-se em História. Lembro da primeira semana na Faculdade, quando em uma aula de Sociologia o professor nos questionou sobre os motivos que nos levaram até alí. Boa parte das respostas continham, em suas justificativas, um desejo de contribuir para construção de um mundo mais justo e solidário e a certeza de que o historiador, o professor de história estaria a serviço disso. Para mim não foi diferente, decidi cursar história porque queria ser uma professora que trabalhasse para mudar o mundo. E não há muito de altruísta nessa posição, percebi tempos depois. A verdade é que o interesse pelo conhecimento histórico vinha antes e ficou fácil uni-lo, no momento de decidir minha profissão, à vontade de lutar por transformações nas relações sociais. Fora isso, também tive, assim como muitos colegas de profissão, aquele professor referência, que, através do modo como enxergava a história, provocava brilhos nos olhos durante suas aulas. E acho mesmo que a decisão final passou por isso também, por acreditar que meus dias de trabalho na sala de aula seriam vividos com paixão. O que aconteceu depois foi um pouquinho diferente (risos), mas isso é resposta para outra pergunta.

Blog do APERS: No Arquivo Público do RS, entre outras atividades que já desempenhas, estás te qualificando para assumir a área de preservação e conservação de documentos. No teu entendimento, qual o papel dos historiadores que atuam em arquivos?

Nôva: Sim. Depois de atuar em projetos de descrição e difusão documental, na organização de eventos, de participar do PEP UFRGS|APERS, de desenvolver materiais pedagógicos a partir dos acervos do Arquivo, hoje estou me qualificando para trabalhar nas atividades de conservação e restauração de documentos, área bastante importante dentro de um arquivo. Desde 2015 estou realizando cursos para poder responder a essa demanda. O trabalho é bastante complexo, sobretudo quando nos deparamos com documentos bastante castigados por fatores externos e internos. Uma responsabilidade e tanto. Esse, por exemplo, pode ser um dos papéis desempenhado por historiadores em um Arquivo e descobri isso bem recentemente (risos). De um modo geral, penso que os historiadores devem estar envolvidos em todas as principais atividades desenvolvidas em uma instituição arquivística – gestão documental, preservação, acesso e difusão. Entendo que a capacidade que temos de historicizar as relações sociais, inclusive a produção dos documentos, e os vestígios que sobre elas restaram, nos permitem contribuir de forma determinante para o cumprimento daqueles que eu considero como objetivos centrais de um arquivo, a preservação e a garantia de acesso ao maior número possível de documentos para um público que seja cada vez maior e mais diverso.

Blog do APERS: Tens contribuído para a organização de acervos, como o produzido pela Comissão Estadual da Verdade, que em breve será difundido aos nossos usuários. Quais foram as etapas do trabalho, e como você percebe esta experiência?

Nôva: Quando comecei a trabalhar no APERS, em fevereiro de 2013, fui acolhida pela equipe que estava elaborando o Catálogo Resistência em Arquivo, instrumento de pesquisa que tem auxiliado na divulgação do Acervo da Comissão Especial de Indenização. Esse foi o primeiro contato que tive com um conjunto documental custodiado pelo Arquivo. Tal acervo já estava organizado, avaliado, classificado, descrito e indexado no Sistema de Administração de Acervos Públicos (AAP), e passava, naquele momento, por um processo de descrição mais minuciosa que atendesse e qualificasse o atendimento ao pesquisador e que divulgasse a documentação. No final de 2014, foi recolhido ao APERS, o Acervo da Comissão Estadual da Verdade cujos documentos, na perspectiva do conteúdo, são semelhantes aqueles que havia trabalhado em 2013. Acho que esse foi o motivo principal pelo qual fui demandada para compor a equipe de organização desse acervo. E percebi, já no início da organização, que o conhecimento sobre o contexto e sobre o processo de elaboração da documentação, bem como sobre o conteúdo registrado nela, foram de importância ímpar para a qualidade do trabalho que sobre ela realizamos. Acho que esse conhecimento foi minha maior contribuição e acredito que ele tenha auxiliado nas fases que foram desde o mapeamento, passando pela classificação e avaliação, pela decisão dos critérios para organização da documentação (dossiês e documentos individuais), até a fase de descrição. Também elaboramos um Catálogo para auxiliar na pesquisa ao acervo. Hoje estamos indexando a documentos no AAP e em breve tanto ele quanto o Catálogo estarão disponíveis para consulta pública. Diferentemente da primeira experiência com o Acervo da Comissão Especial de Indenização, o trabalho desenvolvido com o Acervo da Comissão Estadual da Verdade me permitiu entrar em contato com todas as fases da organização de um acervo, uma atividade repleta de novos aprendizados e do desenvolvimento de competências que não possuía antes desse trabalho.

Blog do APERS: A partir de tua experiência no Arquivo Público do RS, qual perfil acreditas que o historiador que atua na área de arquivos deve ter?

Nôva: Mais que um perfil definido, penso que um historiador que atua em arquivos tem de ter é disponibilidade para aprender e para “navegar em águas misteriosas”. Aponto isso, porque exceto aquela “capacidade de historicizar”, que mencionei acima, pouco estamos preparados para o trabalho em um arquivo ao sair dos cursos de graduação (quantos de nós sabemos o que é um Plano de Classificação ou uma Tabela de Temporalidade de Documentos?). Acho que os currículos apontam para mudanças, mas ainda estão centrados na formação de professores e de pesquisadores que produzem um tipo específico de conhecimento, o conhecimento acadêmico. Embora nossas atividades encontrem pontos de intersecção com o ensino e com a pesquisa acadêmica, não são elas que caracterizam nossas principais atribuições. As atividades pedagógicas e de pesquisa que realizamos nos arquivos são qualitativamente diferentes daquelas desenvolvidas por professores nas salas de aula ou por pesquisadores na academia. Os tempos de produção de conhecimento e de execução de tarefas também são outros. Temos que dialogar com uma série de conhecimentos que vão desde os arquivísticos até os da Filosofia do Direito. Dessa forma, pelas lacunas existentes na formação inicial (que nunca contemplará tudo), acredito que a característica necessária seja a disponibilidade para aprender e para dialogar, numa perspectiva interdisciplinar, com os outros profissionais e com as experiências desenvolvidas nas mais diferentes instituições de memória.

Blog do APERS: Enquanto historiadora, podes comentar alguma situação inusitada ou maior desafio vivenciado?

Nôva: O desemprego. Sem dúvida alguma esse foi o maior desafio que enfrentei. Terminar um curso de graduação sem perspectivas de trabalho, foi um momento bastante difícil, superado, ainda bem! O segundo foi (está sendo) me ressignificar profissionalmente neste outro espaço de atuação (APERS) que era improvável para a acadêmica que mirava na sala de aula seu futuro local de trabalho.

Blog do APERS: Para que conheçamos um pouquinho mais sobre você, nas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Nôva: Gosto de estar na companhia da família, dos amigos, da Capitú, da Negrinha e do Baixinho (meus cachorros). Assisto filmes e séries com meus sobrinhos e novela com a minha mãe. Com os cachorros, gosto mesmo é de ficar de frescura – correr no pátio, deitar no chão, ficar de barriga pra cima. Os amigos são aquela companhia indispensável para os Happy hours tão necessários à saúde psíquica da gente. Costumo também frequentar lugares com música ao vivo – como viver sem música. E quando sozinha, literatura.

Blog do APERS: Em alusão ao Dia do Historiador, 19 de agosto, deixe uma mensagem à classe!

Nôva: Porque desnaturalizamos as relações e porque questionamos o que parecia óbvio, nas mais diferentes esferas de atuação, nós somos parte daqueles que incomodam e que desacomodam. Que incomodam e desacomodam nas ruas, nas escolas, nas universidades, nos arquivos e nos churrascos de domingo. Que assim seja e que a gente possa ser feliz com isso!!!

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APERS Entrevista: Clarissa de Lourdes Sommer Alves

APERS Entrevista: Clarissa de Lourdes Sommer Alves

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Clarissa Alves - APERSClarissa de Lourdes Sommer Alves, 29 anos, possui Licenciatura e Bacharelado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e atua desde 2010 como historiadora no Arquivo Público do RS. Dedica-se a atividades de descrição e difusão do Arquivo e de seu acervo, em especial a ações educativas de educação patrimonial, organização de cursos, eventos e publicações. É membro titular do Sistema de Arquivos do Estado (SIARQ-RS) na condição de historiadora do APERS. Confira a entrevista que realizamos com Clarissa em homenagem ao Dia do Historiador!

Blog do APERS: Clarissa, você poderia comentar um pouco sobre como decidiu cursar História?

Clarissa: Chega a ser engraçado pensar nisso agora, mas a verdade é que foi um tanto “por acaso”. Conclui o Ensino Médio cedo, 17 anos recém feitos, e queria tentar o vestibular na universidade pública, até porque, na privada não teria condições. Sempre me interessei por muitas coisas, em geral gostava de aprender em todas as disciplinas escolares (com predileção pelas Humanas), mas não tinha um “grande sonho” com alguma profissão específica. Neste sentido, pensei que poderia ser feliz estudando História, tendo como horizonte a atuação como professora, pois poderia unir vários interesses: o estudo para compreender e intervir melhor na sociedade em que vivemos, o gosto pela leitura e pesquisa, o contato com pessoas e a contribuição para a formação delas… A decisão final se deu no momento mesmo de preencher o formulário de inscrição no vestibular, tanto que como segunda opção, sem ter alternativas em mente, acabei colocando o curso de Administração! Algo que hoje não me imaginaria fazendo, de forma alguma. Passei naquele primeiro vestibular, e felizmente deu certo: fui me identificando com a área desde o primeiro semestre do curso, e hoje, quase sete anos depois de formada, não me arrependo.

Blog do APERS: No Arquivo Público do RS, entre outras atividades, estás a frente do Programa de Educação Patrimonial. No teu entendimento, qual o papel dos historiadores que atuam em arquivos?

Clarissa: Atuo junto ao Programa de Educação Patrimonial desde que cheguei ao APERS, ainda como estagiária, em 2009. Tive a alegria de ve-lo nascer e acompanhar sua consolidação na parceria fundamental com a UFRGS. Mesmo com outras atribuições, envolvendo-me com diferentes ações e projetos ao longo destes anos, posso afirmar que foi especialmente a partir deste trabalho que me constitui enquanto profissional de arquivos, percebendo as limitações e oportunidades legadas por mim formação acadêmica para atuação neste espaço, enxergando o quanto são densas as conexões possíveis entre pesquisa e ensino quando estamos trabalhando aqui, entendendo afinal quais são as atribuições de um arquivo e quais são as demandas sociais que podem ser estimuladas, refletindo no dia a dia sobre o acesso e a difusão de acervos, e aprendendo a produzir conhecimentos a partir deles de uma forma diferente daquela para a qual somos “treinadas” na pesquisa histórica acadêmica. As oficinas de Educação Patrimonial têm sido um laboratório riquíssimo, e um quase “paraíso” quando deseja-se conectar ensino-aprendizagem com pesquisa em fontes históricas. Hoje ainda tenho dúvidas, e porque não dizer algumas “crises”, sempre que me pego pensando sobre o nosso papel dentro das instituições arquivísticas da atualidade – que certamente pouco têm a ver com os arquivos do passado, que eram em sua maioria organizados por historiadores e voltados para uma elite intelectual e política. Tanto que resolvi dedicar-me a esta questão no mestrado, que iniciei este ano. Mas, já posso afirmar, com certeza, que uma historiadora ou historiador que atua dentro de um arquivo tem como papel central contribuir com um olhar crítico em perspectiva histórica para todas as atividades em que for demandada(o): contribuir para reflexões que levem à preservação da maior gama possível de documentos que registrem vestígios do passado para o futuro; organizar eventos e publicações de caráter histórico que valorizem a instituição e seu acervo; produzir textos, exposições, oficinas, enfim, uma ampla gama de “produtos” que ajudem a desfazer percepções de senso comum sobre a história e a ampliar a noção de que as instituições de memória são públicas, acessíveis a cada cidadã e cidadão, estimulando a autonomia na busca por informações e direitos.

Blog do APERS: És membro titular do Comitê Gestor do Sistema de Arquivos do RS como historiadora represente do APERS. Como você percebe a importância da efetivação da gestão documental para a preservação e para o acesso ao patrimônio documental?

Clarissa: Esta é uma questão que, me parece, deve ser central para as historiadoras e historiadores de nosso tempo. Ao longo do século XX assistimos a uma grande e positiva expansão na compreensão do que pode ser fonte para a pesquisa histórica – que deixou de ser realizada apenas sobre os documentos ditos “oficiais” ou relativos a grandes acontecimentos e personagens notórios, passando a ser possível a partir de, enfim… todo e qualquer registro das sociedades humanas! Claro que isso é positivo quando pensamos a escrita da história das classes populares, das minorias não apenas numéricas mas políticas, como mulheres, negros e negras, indígenas, homossexuais, entre inúmeras outras possibilidades. Entretanto, colocou-se para nós, enquanto categoria profissional, um grande dilema: se tudo pode ser fonte, e não temos “bola de cristal” para antecipar quais serão as preocupações dos pesquisadores do futuro, como ajudar a definir que documentos devem ser preservados? Para complicar ainda mais, esta nova compreensão na historiografia efetivou-se ao passo em que o Estado e diversas organizações sociais ampliaram em muito a produção de documentos, pelo crescimento populacional, ampliação das lutas, demandas e acesso aos mais diversos direitos, etc. Neste cenário, afirmo sem pestanejar: os processos de gestão documental – que vão desde a produção da documentação, em meio físico ou digital, até sua destinação final, passando por classificação, avaliação, descrição, eliminação ou recolhimento a arquivos públicos – são de fundamental importância para que seja possível preservar a acessar qualquer informação hoje, e no futuro. Precisamos nos envolver no esforço conjunto com arquivistas, administradores e outros profissionais de pensar e registrar, de forma transparente, critérios globais para esta preservação, que resultem em instrumentos qualificados de gestão, representativos das funções do Estado ao longo da história. Se em meio a massas documentais acumuladas já há grande dificuldade de garantir o acesso qualificado a qualquer documentação, imaginem na era (que já está às portas) do documento digital? Essa possibilidade vai se perder se não houver política e ação.

Blog do APERS: A partir de tua experiência no Arquivo Público do RS, qual perfil acreditas que o historiador que atua na área de arquivos deve ter?

Clarissa: Além dos elementos que já pontuei nas questões anteriores, penso que deve saber trabalhar em equipe e dialogar com colegas de diferentes áreas, ter aptidão para a pesquisa e para a produção textual voltada a um público mais amplo do que o acadêmico, assim como sensibilidade e criatividade para atuar com este público no cotidiano, que poderá ser de estudantes da Educação Básica, de genealogistas, de pesquisadores das ciências humanas, sociais, jurídicas, etc.

Blog do APERS: Para que conheçamos um pouquinho mais sobre você, nas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Clarissa: Gosto muito de viajar, ouvir música e ler, ainda que (confesso) não tenha tido muito tempo nos últimos anos para me dedicar a estas “tarefas”. Além das muitas horas no APERS, quando estou fora tenho me envolvido sempre com alguma atividade acadêmica ou de militância política, e poucas horas restam para puro lazer… Quando estou despreocupada em casa, as vezes o cansaço vence e o lazer transforma-se em sinônimo de “dormir”. Acho que 2016 é a maior prova de que não sei viver sem mil compromissos: além de “inventar” uma desejada aprovação no mestrado, fiquei sabendo que estou grávida no mês em que fiz a matrícula! Logo, estou tendo que aprender a ter como hobbies as leituras sobre maternidade e parto natural (algo que eu defendo), os preparativos na casa, o planejamento das coisas para os chás de bebê e para o quartinho, e lá se foi o tempinho que poderia reservar agora para a lista de livros de literatura que há muito me acompanha (risos).

Blog do APERS: Em alusão ao Dia do Historiador, 19 de agosto, deixe uma mensagem à classe!

Clarissa: Acreditem em nossa profissão e saboreiem cada uma das surpresas que ela nos traz, lembrando sempre que, se quisermos ser profissionais qualificados, não é possível dissociar o “historiador-pesquisador” do “historiador-professor” – seja na escola, na universidade ou no arquivo. Além disso, tenham em mente que nossa profissão está diretamente ligada às demandas e lutas do tempo presente, e que precisamos nos atualizar, para dialogar com a sociedade e produzir conhecimento que realmente cative e transforme!

Nas próximas semanas teremos mais entrevistas com nossas historiadoras, aguarde!

Estágio Curricular em História

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            A Capacitação de Oficineiros, ação do Programa de Educação Patrimonial UFRGS|APERS, desde 2009, é um reconhecido campo de estágio na área de educação patrimonial para os acadêmicos dos cursos de Licenciatura em História. Com o objetivo de habilitar futuros profissionais para práticas de ações educativas a partir de patrimônios documentais, tal iniciativa já contribuiu para a formação de dezenas de estudantes.

            O APERS, no entanto, não quis parar por aí. E para contemplar uma série de outras atividades sobre as quais se debruçam historiadores em arquivos e também para responder uma demanda já antiga, a instituição oferecerá, a partir do segundo semestre desse ano, Estágio Curricular em História, caracterizado por uma série de atividades destinadas ao cumprimento de estágio curricular obrigatório ou para horas complementares exigidas para integralização dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em História.

Estágio Curricular em História

            Nele, os alunos serão convidados a vivenciar diferentes atividades nas quais historiadores estão envolvidos em um arquivo, problematizar as possibilidades de atuação dos historiadores em espaços e instituições de memória e qualificar-se para o desenvolvimento de atividades vinculadas ao patrimônio documental.

            Clique aqui para ver, em detalhes, o Programa do Estágio Curricular em História do APERS e corra para realizar sua inscrição, pois as vagas são limitadíssimas e serão priorizados para aqueles que necessitem de carga horária para cumprimento de estágio curricular obrigatório.

            Para realizar sua inscrição, escreva para o e-mail apers@smarh.rs.gov.br, encaminhando nome completo do interessado, da Universidade na qual estuda e da disciplina que exige horas de estágio em instituições de memória. Informe também um telefone para contato.

            Ficamos à disposição para quaisquer esclarecimentos também por esse e-mail e pelo telefone 3288 9112.

Atualizado em 22.08.2016

Distribuição de Caixas Pedagógicas e Catálogos Seletivos

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Relembramos que estamos em fase de distribuição das caixas pedagógicas do projeto AfricaNoArquivo e do catálogo seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Saiba mais:

CaixaPedagogicaCaixas pedagógicas AfricaNoArquivo: distribuídas às escolas públicas de Canoas, Gravataí, Porto Alegre, Viamão e para as 30 primeiras escolas de qualquer município, instituições de memória, associações e entidades da área (cultura negra) que declararem e justificarem o interesse em receber o material. Neste caso, a escola/ instituição/ entidade deverá enviar uma mensagem para nossa equipe através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registrando o interesse e referenciando a atuação na área. Essas 30 caixas serão destinadas conforme a ordem de recebimento dos e-mails. Mais informações na Aba “Projetos Patrocinados”.

2015.01.21 Catalogo ResistenciaCatálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil: distribuição do catálogo para instituições voltadas para o ensino e a pesquisa sobre a história da ditadura no Brasil, como escolas de ensino médio da rede pública, universidades, arquivos, bibliotecas e organizações ligadas a essa temática. Acesse aqui a listagem de instituições contempladas. Para ler outras notícias sobre este catálogo, clique aqui.

Ambos os materiais, de distribuição gratuita, podem ser retirados na sede do Arquivo Público do RS (Rua Riachuelo, nº 1031 – Centro Histórico | Porto Alegre) por um representante da instituição devidamente identificado e mediante a assinatura de termo de compromisso, sendo doada uma caixa ou um catálogo por instituição.

Mulheres no APERS, gênero e história IX: onde estão as Alaydes?

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Almiro e Alaide Capa

Após um longo percurso de trabalho com os processos judiciais da Vara de Família e Sucessão da Comarca de Porto Alegre, em 2015 finalmente conseguiremos finalizar o Catálogo História das Mulheres & Relações Familiares. Diante de um acervo vultoso, como é o acervo do Poder Judiciário salvaguardado pelo APERS, esse Catálogo certamente lançará luz sobre uma pequena parcela da referida documentação ao descrever os processos de apenas uma Vara, em uma Comarca. Porém, quando pensamos que cada história destacada através dos verbetes desse instrumento de pesquisa nos faz conectar com tão múltiplas possibilidades de análise e reflexão, temos certeza de que este foi um trabalho grande e importante.

A cada dia nos deparamos com histórias que, quando olhadas com atenção, nos soam tão singulares, tão impactantes. Ao mesmo tempo, sabemos que são representativas de uma época, de um contexto sociocultural, de uma mentalidade marcada no tempo e que lentamente se transformou – ou ainda está se transformando – desde a primeira metade do século XX. Nos últimos dias, ao buscarmos elementos para construir esta postagem, nos deparamos com a história de Alayde e Almiro, casados em 1924, tendo gerado uma filha dessa união. Em 1948, mais de 20 anos depois do enlace, Almiro procura a Justiça para oficializar através de um desquite litigioso a separação que já havia se dado de fato há muitos anos.

Exceto por ser uma separação realizada num período em que comumente imaginamos os casamentos como “eternos”, até aqui, nada de especial, correto? Afinal, tantos casais se separam! Mas o documento não acabara por ai: Almiro moveu a ação litigiosa contra sua esposa pois ela encontrava-se em “local incerto e não sabido”, logo, o processo correu à sua revelia e não temos acesso à sua versão para os fatos. Ele declara que se casou por intervenção policial, pois Alayde acusou-o de tê-la deflorado e, segundo o autor, optou pela “lei do menor esforço: casar”, já que naqueles anos “imperava o borgismo, regime policial de verdadeiro terror”. De fato a certidão de casamento apresentada no processo registra que o juiz dispensou os editais e prazos da lei devido a urgência do casório, comprovada com o auto de corpo de delito a que fora submetida a noiva, em função do defloramento. Almiro afirma ainda que conheceu a esposa trabalhando em uma pensão na Rua do Rosário onde sua irmã era meretriz (local que era “ambiente destinado a abrigar o baixo meretrício”), que viveram juntos por apenas dois meses após o casamento, indo em seguida a ré para a “orgia”, vivendo desde então da “profissão de meretriz” em locais como a “rua Nova e da Ponte”. O autor e suas testemunhas citam “bordéis” em que ela teria trabalhado.

Todas as expressões apresentadas no parágrafo acima podem ser identificadas em quatro páginas do processo. Duas vidas quase devassadas em poucas páginas, uma série de valores registrados, uma infinidade de questionamentos possíveis: para os que se dedicam ao estudo da Primeira República, interessantíssimo notar a forma como o autor do processo adjetiva o governo de Borges de Medeiros no Rio Grande do Sul: “regime policial de verdadeiro horror”; para quem estuda representações de gênero, um prato cheio para analisar a representação das mulheres nas páginas da Justiça; para quem dedica-se à história de Porto Alegre certamente ver as descrições das ruas da cidade em que funcionava o “meretrício” e ler o nome de antigas “casas de tolerância” ajuda a pintar um cenário e voltar no tempo; para quem reflete sobre sexualidade e direitos das mulheres as poucas linhas aqui apresentadas fazem pensar no exercício da prostituição enquanto profissão – um debate até hoje muito polêmico – e no quanto os homens buscavam atrelar as mulheres a ela como um elemento explícito de corrupção e de vida indigna. São tantos elementos, e exploramos neste post apenas uma parte do documento. Mais informações e reflexões poderiam ser promovidas a partir do depoimento das testemunhas arroladas pelo autor, por exemplo.

Ao longo do trabalho para elaboração dos verbetes que vão compor o Catálogo nos deparamos com muitos processos em que as esposas estavam ausentes e eram acusadas de terem se tornado meretrizes. Muitas mulheres simplesmente abandonaram o lar, estando em tal “local incerto e não sabido”. Em alguns casos as rés foram localizadas e contestaram a versão dos autores. Em diversos deles podemos identificar que eram chamadas de meretrizes apenas por terem construído relações com outro homem. Em muitos outros, não houve contestação, não houve forma de registrar suas vozes…

Nos indagamos a respeito de que motivos poderiam ter levado Alayde à prostituição, se é que isso era verdade. Também nos indagamos sobre que tipo de relação ela estabelecia com Almiro quando se conheceram; sobre o paradeiro e a vida da filha do casal; sobre os motivos que levaram a ré a não se pronunciar no processo – estaria mesmo distante, ou optou por não responder? Qual a trajetória de vida e qual o paradeiro de Alayde? Seria possível, através de mais pesquisas e de outros documentos, aproximar-nos mais de sua história real, assim como da história de tantas outras mulheres anônimas que fizeram história por ai? Onde estão essas mulheres no acervo do APERS?

A leitura de apenas um processo já nos instiga a pesquisar e desvendar mais a partir desse acervo. Este é um documento ora destacado, mas certamente a análise de mais processos do mesmo período, talvez cruzados com outras fontes diversas, ajudaria a traçar retratos daquele contexto sócio-histórico, nos fazendo questionar o ontem e o hoje. E certamente instigar a pesquisa nos documentos do APERS é nosso principal objetivo, com esta postagem e com a publicação, em breve, do Catálogo História das Mulheres & Relações Familiares!

Catálogo Seletivo “Resistência em Arquivo”: distribuição dos exemplares inicia na próxima semana!

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2015.01.21 Catalogo ResistenciaO projeto Catálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil prevê a doação do catálogo para instituições voltadas para o ensino e a pesquisa sobre a história da ditadura no Brasil, como escolas de ensino médio da rede pública, universidades, arquivos, bibliotecas e organizações ligadas a essa temática. A distribuição do catálogo para as instituições mencionadas anteriormente, iniciará no dia 03 de fevereiro de 2015 na sede do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, nº 1031 – Centro Histórico | Porto Alegre). A entrega do exemplar se dará mediante assinatura do “Termo de Compromisso da Entidade” onde a instituição se compromete a deixar o material acessível para o uso comum. Acesse aqui a listagem de instituições contempladas. Para ler outras notícias sobre este catálogo, clique aqui.

Catálogo Seletivo “Resistência em Arquivo” disponível!

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2015.01.21 Catalogo ResistenciaApós a abertura política e a volta da democracia ao país, a temática da ditadura civil-militar brasileira passou a ocupar os principais espaços de debate público. Com a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação e dos trabalhos desenvolvidos pela Comissão Nacional da Verdade e Comissões Estaduais da Verdade, as discussões acerca da identificação, da preservação e do acesso a documentos cujos conteúdos remetem a violações dos direitos humanos, ganharam importância e transformaram-se em um dos campos historiográficos que mais avanços apresentaram na última década.

Diante deste cenário, o Arquivo Público do RS, como instituição detentora de importantes fontes históricas para o Estado, optou pela publicação de um catálogo tendo como base os processos administrativos oriundos da Comissão Especial de Indenização, instituída pela Lei Estadual nº 11.042, de 18 de novembro de 1997, de forma a contribuir para o desenvolvimento e a produção de pesquisas sobre este tema. Através desta lei, o Estado do Rio Grande do Sul reconheceu sua responsabilidade por danos físicos e psicológicos causados às pessoas detidas por motivos políticos, no período de 02 de agosto de 1961 a 15 de agosto de 1979 e estabeleceu normas para que fossem indenizadas.

O trabalho de construção deste instrumento de pesquisa foi desenvolvido por uma equipe técnica interdisciplinar formada por historiadores, arquivistas e estagiários que se dedicaram a analisar os processos administrativos de indenização na busca de informações relevantes para a composição do verbete.

A publicação do Catálogo Seletivo “Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil” foi realizada com recursos do Fundo de Apoio a Cultura (PRÓ-Cultura RS FAC) – Lei nº 13.490/10, em parceria da Associação dos Amigos do Arquivo Público do RS (AAAP/RS) e do Sistema Pró-Cultura do Estado. O financiamento viabilizou além da impressão, a publicação deste instrumento em formato braile para possibilitar o acesso de pessoas portadoras de deficiência visual, a estas informações tão importantes para nossa história recente.

Hoje disponibilizamos o catálogo em formato .pdf aqui no blog e em nosso site institucional, nos próximos meses disponibilizaremos a versão impressa e a versão em braile! Para acessar o catálogo, clique aqui.

Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias es Histórias da Ditadura no Brasil

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     Na última semana, durante os dias 22, 23 e 24 de abril, o Arquivo Público do RS (APERS) lançou o Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Este instrumento de pesquisa é composto por verbetes elaborados a partir dos 1704 processos administrativos resultantes do trabalho da Comissão Especial de Indenização.

     A mesa de abertura do evento foi composta pela Diretora Isabel Almeida, que contou o contexto de nascimento do projeto e porque a equipe do APERS optou pela descrição destes documentos. Em seguida, a historiadora Vanessa Menezes expôs a trajetória da equipe no processo de elaboração do catálogo, demonstrando, por exemplo, como os campos dos verbetes foram definidos. Finalizando a noite, a historiadora Nôva Brando apontou de que forma este acervo pode ser utilizado na construção de pesquisa histórica, bem como propostas de trabalhos pedagógicos a partir desta documentação.

     Na segunda noite estiveram presentes Marta Maria Sica da Rocha, César Augusto Tejera de Ré e Rita Maurício, familiares de pessoas que solicitaram o benefício junto ao Estado do Rio Grande do Sul. Os convidados relataram as prisões e maus-tratos sofridos por membros de suas famílias e de que forma esta detenção afetou suas vidas.

     Já no dia 24 foi exibido o documentário Os 15 filhos, de Maria de Oliveira e Marta Nehring. Após o filme foi aberto um espaço para os comentários de Bárbara Conte da Clínica do Testemunho/SIG RS, Tânia Kolker e Vera Vital Brasil da Clínica do Testemunho/RJ.

    O Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil será disponibilizado para estudantes, pesquisadores, sociedade em geral, no site do APERS no prazo de um mês. Será publicada também uma versão em braile que viabilizará o acesso para portadores de deficiência visual que terão, através deste instrumento, a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre este período.

     O projeto será realizado com recursos do Fundo de Apoio a Cultura (PRÓ-Cultura RS FAC), através da parceria com a Associação dos Amigos do Arquivo Público (AAAP). Este financiamento viabilizará a publicação e distribuição do catálogo em instituições públicas como arquivos, bibliotecas, universidades, escolas de ensino médio do Rio Grande do Sul e núcleos de estudo voltados para este tema.

     Acredita-se que a publicação deste instrumento de pesquisa, que relata uma parte importantíssima da história do Brasil, possibilitará que a sociedade estude os acontecimentos da época sobre diferentes perspectivas: política, direitos humanos e democracia, de forma a construir uma sociedade mais justa e igualitária.

     Confira abaixo a entrevista concedida pela Diretora Isabel e historiadora Vanessa ao programa Estação Cultura da TVE RS, e fotos do evento.

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Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil

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     Desde 2012, uma equipe, formada por historiadoras, arquivistas e estagiários do curso de história, dedicou-se a elaboração do Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil descrevendo, em forma de verbetes, os 1704 processos administrativos oriundos dos trabalhos da Comissão Especial de Indenização instituída pela Lei 11.042/97 .

     É com muita satisfação que convidamos a todos para o evento de lançamento do Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. A atividade acontecerá nos dias 22, 23 e 24 de abril, sempre às 19 horas, no Arquivo Público do RS. A inscrição é gratuita e forneceremos certificado. Participe!!!

Lancamento Catalogo Resistencia em Arquivo

AAAP e APERS têm Projeto de Catálogo Seletivo financiado pelo Pró-Cultura RS

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2014.04.02 Projeto Incentivado_Pro-Cultura

     Em dezembro de 2013 o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), por meio da Associação dos Amigos do Arquivo Público (AAAP), elaborou o Projeto Catálogo Seletivo Resistência em Arquivo: memórias e histórias da ditadura no Brasil, o qual foi inscrito no Edital da SEDAC nº 11/2013 – Concurso “Desenvolvimento da Economia da Cultura Pró-Cultura RS FAC, categoria Apoio à Produção e Inovação Cultural, sendo contemplado para receber um financiamento no valor de R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais).

     O projeto tem por objetivo a publicação do catálogo e sua distribuição gratuita para diversas instituições públicas, como: Arquivos, Bibliotecas, Universidades, Escolas de Ensino Médio do Rio Grande do Sul e Núcleos de Estudo voltados para o estudo da temática de Ditadura e Direitos Humanos, além de sua disponibilização na sala de pesquisa do APERS e em formato eletrônico no site da Instituição. Este projeto possui como inovação a publicação do catálogo também em braille, que será distribuído para entidades voltadas às pessoas portadoras de deficiência visual, contribuindo assim para a inclusão social destas.

     Acreditamos que a publicação deste instrumento de pesquisa é de suma importância para a difusão e a democratização das informações constantes neste acervo de grande relevância histórica para a sociedade brasileira, por retratar o período da ditadura Civil Militar no Brasil, e em especial no Rio Grande do Sul. Este instrumento possibilitará que a sociedade estude os acontecimentos da época sobre diferentes perspectivas: política, direitos humanos e democracia, de forma a construirmos uma sociedade mais justa e igualitária.

     Para acessar a lista de projetos contemplados clique aqui.

Arquivos & Diversidade Étnica: novas histórias entre acervos e catálogos

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Na semana passada nós discutimos alternativas para atividades pedagógicas que podem ser suscitadas a partir do trabalho com os catálogos seletivos de Documentos da Escravidão, construídos e publicados pelo APERS. Vimos que o acesso aos catálogos e aos verbetes neles contidos viabilizam diversas atividades possíveis em sala de aula, assim como facilitam a pesquisa do professor, caso este opte por consultar os documentos na íntegra, em nossa sala de pesquisa.

capa_indiosHoje gostaríamos de difundir outra iniciativa semelhante, desse vez empreendida pelo Arquivo Público do Estado do Paraná, focada na temática indígena. Como parte da Coleção Pontos de Acesso, são os Catálogos Seletivos de Documentos Referentes aos Indígenas no Paraná Provincial, que estão em dois volumes: 1853-1870 (volume 03 da Coleção), e 1871-1892 (volume 04).

capa_indiosbConforme nos diz a introdução do volume 03, os verbetes desses catálogos “procedem de documentos do Fundo Administração Provincial, selecionados dos volumes encadernados sob o título Correspondências do Governo e de encadernados avulsos denominados Códices. Os primeiros consistem em correspondências que informam o presidente da província do Paraná sobre o desenvolvimento dos aldeamentos, os conflitos regionais entre etnias indígenas diferentes, dificuldades econômicas e outras que impediam o cumprimento de ações para a civilização e catequese; os últimos, cópias das correspondências com os ministérios, tratam de nomeações e demais atos do poder central relativos à civilização e catequese dos indígenas. Os temas extraídos dessas fontes primárias oferecem um rico panorama da construção das complexas relações entre os indígenas e os representantes dos poderes provincial e imperial, permeadas por conflitos e alianças, avanços e recuos” Ambos volumes totalizam 2.970 verbetes, que descrevem cada unidade buscando extrair informações de maneira padronizada, conforme normas arquivísticas.

Assim como já havíamos referenciado em relação aos catálogos produzidos pelo APERS, ressaltamos que a análise desses verbetes feita em conjunto entre educadores e educandos pode contribuir para aproximar os estudantes de uma temática muitas vezes negligenciada nas escolas brasileiras. Além disso, a quantidade de documentos ali representada demonstra que não são poucos os sujeitos históricos que viveram no período em questão. Há um grande número de indígenas retratados nas páginas desses acervos, pessoas que lutaram contra a morte e a escravização, e resistiram das mais diversas formas para manter sua cultura, suas formas de vida, sua integridade. Os verbetes a seguir são exemplos disso:

Verbete 05

Verbete 1162

Verbete 1165

Obviamente, para os professores do Rio Grande do Sul o acesso presencial aos documentos sobre indígenas no Arquivo do Paraná não será tão fácil quanto no APERS. Ao mesmo tempo, além de demonstrarmos que os próprios catálogos podem ser fontes inspiradoras para aulas e projetos pedagógicos riquíssimos, é importante lembrar que as novas tecnologias, que cada vez mais são aplicadas ao mundo dos arquivos, vêm encurtando distâncias, e a possibilidade do acesso a documentos por meios digitais vem se tornando cada vez mais disseminada. A própria navegação por páginas de diferentes arquivos e instituições de memória de diferentes locais do país, e até mesmo do mundo por ser uma boa pedida na hora de incrementar as aulas e expandir o horizonte de aprendizado e conhecimento. Explore esses recursos e acompanhe nossa série de postagens! No próximo mês trabalharemos a partir de sugestões de atividades pensadas a partir de documentos específicos do acervo do APERS.

APERS no Seminário de Bacharelado do Curso de História da UFRGS

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 Nos dias 10 e 11 de outubro, as historiadoras do Arquivo, Clarissa Sommer e Nôva Brando participaram das aulas do Seminário de Bacharelado do Curso de História da UFRGS. Essa disciplina, localizada nas etapas finais do curso de Bacharelado, tem como um dos seus objetivos instrumentalizar os alunos para o exercício de múltiplas atividades de responsabilidade dos historiadores. Nessa perspectiva, o APERS foi convidado para apresentar as possibilidades de contribuição do profissional da história nos trabalhos desenvolvidos em instituições arquivísticas.

Cópia de Historiadoras APERS no Curso de Historia

Clarissa e Nôva – Historiadoras APERS

   Com a apresentação A atuação dos historiadores em arquivos: reflexões a partir de experiências no Arquivo Público do Estado do RS, Clarissa e Nôva divulgaram as atividades desenvolvidas na instituição, discutindo especificamente a contribuição do trabalho do historiador nos espaços arquivísticos.

 A apresentação iniciou com um breve histórico do APERS e sua modernização nas últimas décadas, bastante influenciada pelo desenvolvimento dos conhecimentos arquivísticos de gestão e guarda da documentação. Na sequência, explicaram um pouco das atividades desenvolvidas pela instituição, dentre elas a classificação e avaliação documental, o gerenciamento de acervos, as atividades de conservação preventiva, o papel do APERS enquanto órgão gestor do Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul (SIARQ/RS), o trabalho de descrição documental e o de difusão cultural.

  Em meio a diversas problematizações em relação à participação do historiador no desenvolvimento dessas atividades, o debate se centrou nas atividades nos quais a presença dos profissionais da história é reconhecida e necessária – a difusão cultural. Nela, a área da descrição documental e da educação patrimonial foram apresentadas como campo privilegiado de intervenção do historiador.

   No APERS, a descrição documental tem, dentre outras frentes, desenvolvido-se no formato de elaboração de catálogos seletivos. A primeira experiência comentada foi desenvolvida a partir dos documentos da escravidão, resultando em dez volumes de catálogo com descrição de documentos tais como cartas de liberdade, compra e venda, processos crime, inventários, testamentos – essa coleção recebeu o nome de Documentos da Escravidão no Rio Grande do Sul. A segunda experiência, ainda em andamento, é a construção de um catálogo a partir da documentação do acervo da Vara de Família e Sucessão que objetiva difundir o acervo – composto por processos de desquite, divórcio, anulação de casamento, guarda, pensão alimentícia, entre outros – e auxiliar nas pesquisas relacionadas à história das mulheres e gênero. Por fim, um catálogo sobre o acervo da Comissão Especial de Indenização, parte do projeto Resistência em Arquivo, previsto para ser lançado em março de 2014, que visa difundir informações sobre os processos de indenização de ex-presos políticos durante o período da Ditadura Militar.

Clarissa Sommer, Nôva Brando

Clarissa  e Nôva – Historiadoras APERS

   Na área da Difusão Cultural, o Arquivo vem desenvolvendo, em parceria com o Departamento de História da UFRGS, o Programa de Educação patrimonial. Compõem tal programa a Realização de três oficinas de Educação Patrimonial – Os tesouros da família arquivo, Desvendando o Arquivo Público: Historiador por um dia e Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos; além de cursos de formação para professores em Educação Patrimonial; capacitação semestral de oficineiros, voltada para graduandos; e divulgação do Programa em eventos.

  Ao final, as historiadoras salientaram a importância de uma construção permanente de conexões entre as diferentes atividades arquivísticas e a importância do trabalho multidisciplinar nos arquivos, ressaltando que a Difusão Cultural tem se tornado campo privilegiado de atuação do historiador e que as instituições arquivísticas possuem um importante papel no que tange à preservação da história de nossa sociedade e à efetivação de direitos essenciais ao exercício da cidadania, como o acesso à informação.

APERS no I Seminário Internacional Documentar a Ditadura: Apresentação da arquivista Renata Vasconcellos e historiadora Vanessa Menezes

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  Dando continuidade as notícias referentes à participação das servidoras do APERS no I Seminário Internacional Documentar a Ditadura: Arquivos da Repressão e da Resistência realizado no Arquivo Nacional, na cidade do Rio de Janeiro em junho de 2013, veremos a seguir um panorama da comunicação intitulada: A importância da elaboração de instrumentos de pesquisa para o resgate da memória: a experiência do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul na confecção de um catálogo seletivo da documentação da Comissão Especial de Indenização, apresentada pela arquivista Renata Vasconcellos e a historiadora Vanessa Menezes.

 O APERS desenvolve ações, projetos e programas de incentivo à pesquisa, divulgação do acervo, e elabora instrumentos de pesquisa que facilitam o trabalho dos pesquisadores. Nesta perspectiva, a equipe do APERS trabalha na construção de verbetes individualizados que originarão um catálogo seletivo dos processos administrativos produzidos pela Comissão Especial de Indenização, instituída pela Lei Estadual nº 11.042/97, que guardam inúmeras informações sobre o período da ditadura civil-militar no Brasil e especialmente no Rio Grande do Sul.

  A Comissão Especial de Indenização formou-se com o intuito de avaliar as solicitações de indenização feitas por ex-presos políticos e, nos casos de falecimento, por seus descendentes ou cônjuges. Os processos administrativos são compostos de recortes de jornais, fotografias, certidões expedidas por órgãos públicos federais e estaduais, cópias de inquéritos policiais e militares, pareceres psiquiátricos e outros. Juntamente a este rol de documentos, temos declarações feitas pelas partes envolvidas que, detalhadamente, relatam sua atuação política, bem como sua prisão, os maus tratos dos quais foram vítimas e as consequências deles decorridas.

  Durante a apresentação destacamos a importância destes processos de indenização para a recuperação de fatos históricos relacionados às graves violações de direitos humanos que foram cometidas no Estado do Rio Grande do Sul. Desta forma, a construção do catálogo relacionado à temática da ditadura civil-militar no Brasil, auxiliará no resgate à memória daqueles envolvidos na resistência contra este regime. Consideramos este instrumento de pesquisa um suporte para novas interpretações, na medida que, contribuirá para esclarecimentos acerca da nossa história recente.

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APERS no I Seminário Internacional Documentar a Ditadura: Apresentação de Trabalho das Historiadoras Clarissa Sommer e Nôva Brando

APERS representado no XVII Congresso Brasileiro de Arquivologia

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      A arquivista Aline Maciel e a historiadora Clarissa Sommer participaram do XVII Congresso Brasileiro de Arquivologia, que ocorreu no Rio de Janeiro entre os dias 18 e 22 de junho e que teve como tema central Preservação, Acesso, Difusão: desafios para as instituições arquivísticas no século XXI.

     Ambas apresentaram o trabalho intitulado “Promoção do acesso aos arquivos públicos através de programas e projetos de descrição e difusão: experiências do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul”, na sessão de Comunicações Livres, que debatia as novas perspectivas para o acesso ao patrimônio arquivístico no século XXI.

     O trabalho apresenta a atuação do APERS na formulação de instrumentos que visam difundir o potencial sócio-cultural de seus acervos, bem como duas linhas de ação da instituição que auxiliam na ampliação do acesso ao acervo e ao espaço do Arquivo: o projeto de descrição documental “Afinal, onde estão as mulheres no Arquivo Público? Gênero, memória e história” e o programa de Educação Patrimonial e Cidadania. Demonstra também como essas linhas de ações são viabilizadas através do trabalho arquivístico realizado na instituição.

     Além das Comunicações Livres, o evento contou com plenárias que debateram temas importantes para os arquivos na atualidade tais como uso de ferramentas tecnológicas para divulgação do acervo, preservação e uso de documentos eletrônicos, políticas nacionais de arquivos, formação dos profissionais que atuam em arquivos, entre outros. Decidiu-se que a realização do próximo Congresso Brasileiro ocorrerá em 2015, na cidade de Belo Horizonte / MG.

     A participação no evento colaborou para troca de experiências entre profissionais da área e divulgação das atividades realizadas pelo APERS.

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