APERS Entrevista: Sara Dalpiaz Carlos

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Sara Dalpiaz Carlos é licenciada e bacharelanda em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e foi estagiária do APERS entre maio de 2016 e maio de 2018 participando dos projetos de conservação de documentos, Organização e Disponibilização do acervo da Comissão Estadual da Verdade do RS e Arranjo, Descrição e Difusão dos Acervos das Secretarias da Justiça (1891 – 1991). Em janeiro deste ano apresentou seu trabalho de conclusão de curso intitulado Os “zeladores” da democracia: ação democrática renovadora – um alicerce da ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul tendo como fonte de pesquisa o acervo do APERS, confira nossa entrevista com Sara:

Blog do APERS: Sara, como e por que você decidiu cursar História?

Sara: Desde criança fui incentivada pelos meus pais a ler. Este privilégio através da leitura foi importante para que eu tivesse mais afinidade na escola com a disciplina de História. Além disso, as aulas do professor de História no ensino médio foram um grande incentivo para esta escolha. Naquela época ainda não tinha certeza se gostava da docência, porém a História, assim como as relações políticas e sociais ali estabelecidas, me encantavam.

Blog do APERS: Você poderia comentar um pouco sobre como teve interesse despertado para a temática da ditadura civil-militar?

Sara: Como comentei na primeira pergunta, as aulas deste professor de história e a sensibilidade com que ele tocava em temas como, por exemplo, ditadura civil-militar, possibilitaram que eu construísse uma opinião bem assertiva sobre o tema. Além disso, gostava muito de assistir filmes, ler textos ou livros que trouxessem relatos sobre este período, principalmente sobre questões de resistência. Quando finalmente iniciei a jornada universitária, a temática sobre ditadura civil-militar estava em voga, visto que houve muitos eventos em alusão aos 50 anos do golpe no país. Por inúmeros motivos, me afastei da temática, apesar de nitidamente estar inclinada a estudar história do Brasil, principalmente a partir da década de 1950. No entanto, ao iniciar o estágio no APERS, participei da organização do acervo da Comissão Estadual da Verdade, atividade que trouxe muitos aprendizados e acrescentou muito à minha vivência como estudante de História e como indivíduo. Com o encerramento da organização do acervo, durante as atividades de restauro, por acaso encontrei um processo administrativo de utilidade pública do fundo da Secretaria da Justiça que tratava de uma entidade anticomunista chamada Ação Democrática Renovadora (ADR), fundada durante a ditadura civil-militar em Porto Alegre. Assim, minha relação com a ditadura civil-militar tornou-se mais sólida, pois a partir deste “achado” comecei a pesquisar sobre o tema.

Blog do APERS: Qual a importância do acervo do APERS para tua atuação enquanto pesquisadora?

Sara: Julgo o acervo documental do APERS muito importante para todas(os) nós que estudamos e escrevemos História. No meu caso, por meio do acervo pude analisar processos administrativos que traziam informações muito importantes acerca deste grupo pró ditadura civil-militar que atuou após o golpe de 1964. Foi através do acervo do APERS que conheci a entidade e a partir dessas informações, encontrei outras fontes que me auxiliaram na construção do meu trabalho de conclusão de curso.

Blog do APERS: Como avalias a importância da experiência de estágio no APERS para tua formação e atuação profissional?

Sara: Durante a graduação há poucas cadeiras ou atividades que exploram atividades práticas do historiador com suas fontes. Portanto, estagiar no APERS facilitou o contato com diferentes tipos de fontes, pois permitiu que eu conhecesse inúmeros fundos, bem como o processo de preservação dos documentos. Particularmente, o contato com a documentação no estágio foi essencial para a criação do meu trabalho de conclusão de curso, portanto acredito que estar em contato com diferentes acervos documentais é um estímulo para formular problemas de pesquisa essenciais para a preservação da memória e que são relevantes para trabalhos acadêmicos exigidos pela graduação em História.

Blog do APERS: Nas tuas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Sara: No meu tempo livre gosto muito de ler, ir ao cinema, estudar outros temas para além da História, viajar, conhecer novos lugares, culturas e pessoas, fugir para a minha cidade natal, Barra do Ribeiro e passar bons momentos com as pessoas que gosto.

Abaixo disponibilizamos o link para o trabalho de conclusão de curso de Sara e de nossos outros estagiários que também apresentaram seus TCCs em janeiro, porém sem utilizar fontes do APERS:

Os “zeladores” da democracia : ação democrática renovadora : um alicerce da ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul de Sara Dalpiaz Carlos

“Nem Videla, nem Figueiredo!” : a batalha da Praça Argentina e a resistência estudantil na UFRGS através dos documentos do SNI de Letícia Wickert Fernandes

“Às urnas, cidadãos! Dia 6 vote não!” : o referendo de 1963 nas páginas do Diário de Notícias de Paulo Eduardo Fasolo Klein

Para saber mais sobre os acervos com que Sara trabalhou, acesse:

Acervo disponível para pesquisa: Comissão Estadual da Verdade (CEV/RS)

Acervo disponível para pesquisa: Secretaria da Justiça 

Catálogo Secretaria da Justiça: processos administrativos de utilidade pública

Catálogo Acervo da Comissão Estadual da Verdade

Acervo disponível para pesquisa virtual: Comissão Estadual da Verdade (CEV/RS)

Pesquisando no Arquivo: Secretaria da Justiça 

Disponível descrição das tipologias do Poder Judiciário

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capaO Arquivo Público do RS custodia entre seus acervos, fundos oriundos do Poder Judiciário do RS. Para facilitar a pesquisa de nossos usuários que fazem uso de processos judiciais disponibilizamos a descrição das tipologias classificadas nesta espécie documental. Em Descrição das tipologias da espécie documental “Processo Judicial” do acervo do Poder Judiciário, custodiado pelo Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul constam a descrição das tipologias cadastradas no sistema Administração de Acervos Públicos – AAP e disponíveis para pesquisa. Clique aqui para acessar.

Mulheres no APERS, gênero e história X: resgatando trajetórias

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Estamos no mês das mulheres! No último domingo, 08 de março, celebramos o Dia Internacional das Mulheres, um dia de homenagens, mas especialmente de reflexão sobre direitos conquistados e direitos ainda almejados, e de luta para garantir equidade, respeito e autonomia. No mesmo dia o Arquivo Público comemorou seus 109 anos de existência, celebrando vida longa numa instituição centenária que se atualiza e dinamiza a cada ano, atenta às transformações da sociedade.

Nesta data tão especial, duplamente marcante, nada melhor do que reafirmar o compromisso institucional com a preservação do patrimônio documental por nós custodiado e com a garantia do acesso a ele, sempre buscando difundi-lo ampliando os “pontos de acesso” e os mecanismos de aproximação entre usuários e documentos. Neste sentido, conectando a celebração do aniversário do Arquivo à celebração do Dia das Mulheres, melhor ainda reafirmar este compromisso relembrando nosso empenho em construir instrumentos de pesquisa que lancem luz especial sobre as mulheres: até o final do mês de março pretendemos lançar o tão mencionado catálogo sobre História das mulheres e das relações familiares, que descreve os documentos da Vara de Família e Sucessão do Porto Alegre.

São documentos que estamos apresentando no blog mensalmente “em pílulas”, desde o começo do ano passado. Leitoras e leitores já devem ter percebido seu grande potencial para a pesquisa nas áreas de história das mulheres, das relações familiares e de gênero. Obviamente sabemos que o recorte do acervo descrito no catálogo não registra apenas partes de histórias de mulheres, mas de mulheres e homens em relação, entretanto, o projeto “Afinal, onde estão as mulheres no APERS? Gênero, memória e história”, através do qual o Catálogo História das Mulheres & Relações Familiares vem sendo lentamente construído desde 2011, apresenta uma intencionalidade política, de afirmar a história das mulheres. De apontar acervos que têm potencial para ajudar a resgatar e problematizar trajetórias, traçar perfis, questionar comportamentos, refletir sobre sofrimentos, resistências e conquistas.

Hoje, neste post celebrativo, apresentamos mais uma “pílula” torcendo para que ela instigue o desejo de pesquisar mais, de tornar-se uma usuária ou usuário do Arquivo Público, de desvendar muito mais sobre tantas mulheres que viveram em nosso estado, cujas histórias de vida são registradas aos fragmentos entre as caixas e milhares de folhas de nosso acervo. Apresentamos Ottilia em sua relação com Affonso, chamando a atenção para alguns aspectos que podemos analisar a partir dos documentos.

Ottilia era órfão de mãe e pai quando se casou, em dezembro de 1920, aos 16 anos. Seu marido, comerciante de Porto Alegre, era 18 anos mais velho, com 34. Menos de quatro anos após o matrimônio, em junho de 1924, dão entrada nos papéis de desquite amigável, documento salvaguardado pelo Arquivo e descrito no referido catálogo. Além de problematizar a grande diferença de idade entre o casal e o pouco tempo que durou a relação, outros elementos contribuem para aproximar-nos da história de Ottilia: através da pesquisa realizada para construção do instrumento, verificamos que há em nosso acervo um processo de tutela de agosto de 1920 em que Affonso aparece como tutor de Ottilia e de seu irmão, logo após o falecimento da mãe dos adolescentes. Pouco tempo depois, em novembro de 1920, ele passa o papel de tutor para o irmão mais velho dos jovens, que alcançou a maioridade.

Assim como ocorre em diversos outros casos, a tutela não foi descrita no catálogo por ser da 3ª Vara de Família, que está fora do recorte para esta ação, mas será referenciada em um campo do verbete de desquite, facilitando o trabalho de pesquisa ao relacionar os documentos da Vara de Família e Sucessão de determinado casal a outros documentos deles produzidos em outras varas/comarcas do Poder Judiciário. Mesmo que o processo de desquite amigável de Ottilia e Affonso seja relativamente simples, relacionando apenas a petição inicial, a certidão de casamento, despachos e pedidos de certidões, sem registrar a voz de testemunhas ou qualquer disputa entre os cônjuges, cruzá-lo com outros processos, como o de tutela, oportuniza ao(à) pesquisador(a) diversos elementos para construir análises e narrativas: qual seria a relação entre Affonso e a família de Ottilia, que lhe permitiu chegar a tutor? Como interpretar um casamento entre tutor e tutelada tão pouco tempo depois de sua morte da mãe, e sendo a noiva apenas uma menina? Era comum naquele período que tutores de meninas se casassem com elas? Quais as relações de poder se estabelecem em um casamento como este?

Aqui levantamos brevemente alguns apontamentos a partir de dois processos relacionados. Uma pesquisa que relacione uma quantidade maior de documentos a partir de questionamentos pertinentes, que busque localizar habilitações de casamento, processos criminais, ações de alimentos ou separação de corpos de um mesmo casal, ou de vários casais em determinado período, certamente poderá produzir reflexões expressivas e resgatar diversas trajetórias de vida!

Distribuição de Caixas Pedagógicas e Catálogos Seletivos

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Relembramos que estamos em fase de distribuição das caixas pedagógicas do projeto AfricaNoArquivo e do catálogo seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Saiba mais:

CaixaPedagogicaCaixas pedagógicas AfricaNoArquivo: distribuídas às escolas públicas de Canoas, Gravataí, Porto Alegre, Viamão e para as 30 primeiras escolas de qualquer município, instituições de memória, associações e entidades da área (cultura negra) que declararem e justificarem o interesse em receber o material. Neste caso, a escola/ instituição/ entidade deverá enviar uma mensagem para nossa equipe através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registrando o interesse e referenciando a atuação na área. Essas 30 caixas serão destinadas conforme a ordem de recebimento dos e-mails. Mais informações na Aba “Projetos Patrocinados”.

2015.01.21 Catalogo ResistenciaCatálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil: distribuição do catálogo para instituições voltadas para o ensino e a pesquisa sobre a história da ditadura no Brasil, como escolas de ensino médio da rede pública, universidades, arquivos, bibliotecas e organizações ligadas a essa temática. Acesse aqui a listagem de instituições contempladas. Para ler outras notícias sobre este catálogo, clique aqui.

Ambos os materiais, de distribuição gratuita, podem ser retirados na sede do Arquivo Público do RS (Rua Riachuelo, nº 1031 – Centro Histórico | Porto Alegre) por um representante da instituição devidamente identificado e mediante a assinatura de termo de compromisso, sendo doada uma caixa ou um catálogo por instituição.

Catálogo Seletivo “Resistência em Arquivo”: distribuição dos exemplares inicia na próxima semana!

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2015.01.21 Catalogo ResistenciaO projeto Catálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil prevê a doação do catálogo para instituições voltadas para o ensino e a pesquisa sobre a história da ditadura no Brasil, como escolas de ensino médio da rede pública, universidades, arquivos, bibliotecas e organizações ligadas a essa temática. A distribuição do catálogo para as instituições mencionadas anteriormente, iniciará no dia 03 de fevereiro de 2015 na sede do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, nº 1031 – Centro Histórico | Porto Alegre). A entrega do exemplar se dará mediante assinatura do “Termo de Compromisso da Entidade” onde a instituição se compromete a deixar o material acessível para o uso comum. Acesse aqui a listagem de instituições contempladas. Para ler outras notícias sobre este catálogo, clique aqui.

Catálogo Seletivo “Resistência em Arquivo” disponível!

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2015.01.21 Catalogo ResistenciaApós a abertura política e a volta da democracia ao país, a temática da ditadura civil-militar brasileira passou a ocupar os principais espaços de debate público. Com a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação e dos trabalhos desenvolvidos pela Comissão Nacional da Verdade e Comissões Estaduais da Verdade, as discussões acerca da identificação, da preservação e do acesso a documentos cujos conteúdos remetem a violações dos direitos humanos, ganharam importância e transformaram-se em um dos campos historiográficos que mais avanços apresentaram na última década.

Diante deste cenário, o Arquivo Público do RS, como instituição detentora de importantes fontes históricas para o Estado, optou pela publicação de um catálogo tendo como base os processos administrativos oriundos da Comissão Especial de Indenização, instituída pela Lei Estadual nº 11.042, de 18 de novembro de 1997, de forma a contribuir para o desenvolvimento e a produção de pesquisas sobre este tema. Através desta lei, o Estado do Rio Grande do Sul reconheceu sua responsabilidade por danos físicos e psicológicos causados às pessoas detidas por motivos políticos, no período de 02 de agosto de 1961 a 15 de agosto de 1979 e estabeleceu normas para que fossem indenizadas.

O trabalho de construção deste instrumento de pesquisa foi desenvolvido por uma equipe técnica interdisciplinar formada por historiadores, arquivistas e estagiários que se dedicaram a analisar os processos administrativos de indenização na busca de informações relevantes para a composição do verbete.

A publicação do Catálogo Seletivo “Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil” foi realizada com recursos do Fundo de Apoio a Cultura (PRÓ-Cultura RS FAC) – Lei nº 13.490/10, em parceria da Associação dos Amigos do Arquivo Público do RS (AAAP/RS) e do Sistema Pró-Cultura do Estado. O financiamento viabilizou além da impressão, a publicação deste instrumento em formato braile para possibilitar o acesso de pessoas portadoras de deficiência visual, a estas informações tão importantes para nossa história recente.

Hoje disponibilizamos o catálogo em formato .pdf aqui no blog e em nosso site institucional, nos próximos meses disponibilizaremos a versão impressa e a versão em braile! Para acessar o catálogo, clique aqui.

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