APERS Entrevista: Sara Dalpiaz Carlos

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Sara Dalpiaz Carlos é licenciada e bacharelanda em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e foi estagiária do APERS entre maio de 2016 e maio de 2018 participando dos projetos de conservação de documentos, Organização e Disponibilização do acervo da Comissão Estadual da Verdade do RS e Arranjo, Descrição e Difusão dos Acervos das Secretarias da Justiça (1891 – 1991). Em janeiro deste ano apresentou seu trabalho de conclusão de curso intitulado Os “zeladores” da democracia: ação democrática renovadora – um alicerce da ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul tendo como fonte de pesquisa o acervo do APERS, confira nossa entrevista com Sara:

Blog do APERS: Sara, como e por que você decidiu cursar História?

Sara: Desde criança fui incentivada pelos meus pais a ler. Este privilégio através da leitura foi importante para que eu tivesse mais afinidade na escola com a disciplina de História. Além disso, as aulas do professor de História no ensino médio foram um grande incentivo para esta escolha. Naquela época ainda não tinha certeza se gostava da docência, porém a História, assim como as relações políticas e sociais ali estabelecidas, me encantavam.

Blog do APERS: Você poderia comentar um pouco sobre como teve interesse despertado para a temática da ditadura civil-militar?

Sara: Como comentei na primeira pergunta, as aulas deste professor de história e a sensibilidade com que ele tocava em temas como, por exemplo, ditadura civil-militar, possibilitaram que eu construísse uma opinião bem assertiva sobre o tema. Além disso, gostava muito de assistir filmes, ler textos ou livros que trouxessem relatos sobre este período, principalmente sobre questões de resistência. Quando finalmente iniciei a jornada universitária, a temática sobre ditadura civil-militar estava em voga, visto que houve muitos eventos em alusão aos 50 anos do golpe no país. Por inúmeros motivos, me afastei da temática, apesar de nitidamente estar inclinada a estudar história do Brasil, principalmente a partir da década de 1950. No entanto, ao iniciar o estágio no APERS, participei da organização do acervo da Comissão Estadual da Verdade, atividade que trouxe muitos aprendizados e acrescentou muito à minha vivência como estudante de História e como indivíduo. Com o encerramento da organização do acervo, durante as atividades de restauro, por acaso encontrei um processo administrativo de utilidade pública do fundo da Secretaria da Justiça que tratava de uma entidade anticomunista chamada Ação Democrática Renovadora (ADR), fundada durante a ditadura civil-militar em Porto Alegre. Assim, minha relação com a ditadura civil-militar tornou-se mais sólida, pois a partir deste “achado” comecei a pesquisar sobre o tema.

Blog do APERS: Qual a importância do acervo do APERS para tua atuação enquanto pesquisadora?

Sara: Julgo o acervo documental do APERS muito importante para todas(os) nós que estudamos e escrevemos História. No meu caso, por meio do acervo pude analisar processos administrativos que traziam informações muito importantes acerca deste grupo pró ditadura civil-militar que atuou após o golpe de 1964. Foi através do acervo do APERS que conheci a entidade e a partir dessas informações, encontrei outras fontes que me auxiliaram na construção do meu trabalho de conclusão de curso.

Blog do APERS: Como avalias a importância da experiência de estágio no APERS para tua formação e atuação profissional?

Sara: Durante a graduação há poucas cadeiras ou atividades que exploram atividades práticas do historiador com suas fontes. Portanto, estagiar no APERS facilitou o contato com diferentes tipos de fontes, pois permitiu que eu conhecesse inúmeros fundos, bem como o processo de preservação dos documentos. Particularmente, o contato com a documentação no estágio foi essencial para a criação do meu trabalho de conclusão de curso, portanto acredito que estar em contato com diferentes acervos documentais é um estímulo para formular problemas de pesquisa essenciais para a preservação da memória e que são relevantes para trabalhos acadêmicos exigidos pela graduação em História.

Blog do APERS: Nas tuas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Sara: No meu tempo livre gosto muito de ler, ir ao cinema, estudar outros temas para além da História, viajar, conhecer novos lugares, culturas e pessoas, fugir para a minha cidade natal, Barra do Ribeiro e passar bons momentos com as pessoas que gosto.

Abaixo disponibilizamos o link para o trabalho de conclusão de curso de Sara e de nossos outros estagiários que também apresentaram seus TCCs em janeiro, porém sem utilizar fontes do APERS:

Os “zeladores” da democracia : ação democrática renovadora : um alicerce da ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul de Sara Dalpiaz Carlos

“Nem Videla, nem Figueiredo!” : a batalha da Praça Argentina e a resistência estudantil na UFRGS através dos documentos do SNI de Letícia Wickert Fernandes

“Às urnas, cidadãos! Dia 6 vote não!” : o referendo de 1963 nas páginas do Diário de Notícias de Paulo Eduardo Fasolo Klein

Para saber mais sobre os acervos com que Sara trabalhou, acesse:

Acervo disponível para pesquisa: Comissão Estadual da Verdade (CEV/RS)

Acervo disponível para pesquisa: Secretaria da Justiça 

Catálogo Secretaria da Justiça: processos administrativos de utilidade pública

Catálogo Acervo da Comissão Estadual da Verdade

Acervo disponível para pesquisa virtual: Comissão Estadual da Verdade (CEV/RS)

Pesquisando no Arquivo: Secretaria da Justiça 

Disponível descrição das tipologias do Poder Judiciário

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capaO Arquivo Público do RS custodia entre seus acervos, fundos oriundos do Poder Judiciário do RS. Para facilitar a pesquisa de nossos usuários que fazem uso de processos judiciais disponibilizamos a descrição das tipologias classificadas nesta espécie documental. Em Descrição das tipologias da espécie documental “Processo Judicial” do acervo do Poder Judiciário, custodiado pelo Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul constam a descrição das tipologias cadastradas no sistema Administração de Acervos Públicos – AAP e disponíveis para pesquisa. Clique aqui para acessar.

Mulheres no APERS, gênero e história X: resgatando trajetórias

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Estamos no mês das mulheres! No último domingo, 08 de março, celebramos o Dia Internacional das Mulheres, um dia de homenagens, mas especialmente de reflexão sobre direitos conquistados e direitos ainda almejados, e de luta para garantir equidade, respeito e autonomia. No mesmo dia o Arquivo Público comemorou seus 109 anos de existência, celebrando vida longa numa instituição centenária que se atualiza e dinamiza a cada ano, atenta às transformações da sociedade.

Nesta data tão especial, duplamente marcante, nada melhor do que reafirmar o compromisso institucional com a preservação do patrimônio documental por nós custodiado e com a garantia do acesso a ele, sempre buscando difundi-lo ampliando os “pontos de acesso” e os mecanismos de aproximação entre usuários e documentos. Neste sentido, conectando a celebração do aniversário do Arquivo à celebração do Dia das Mulheres, melhor ainda reafirmar este compromisso relembrando nosso empenho em construir instrumentos de pesquisa que lancem luz especial sobre as mulheres: até o final do mês de março pretendemos lançar o tão mencionado catálogo sobre História das mulheres e das relações familiares, que descreve os documentos da Vara de Família e Sucessão do Porto Alegre.

São documentos que estamos apresentando no blog mensalmente “em pílulas”, desde o começo do ano passado. Leitoras e leitores já devem ter percebido seu grande potencial para a pesquisa nas áreas de história das mulheres, das relações familiares e de gênero. Obviamente sabemos que o recorte do acervo descrito no catálogo não registra apenas partes de histórias de mulheres, mas de mulheres e homens em relação, entretanto, o projeto “Afinal, onde estão as mulheres no APERS? Gênero, memória e história”, através do qual o Catálogo História das Mulheres & Relações Familiares vem sendo lentamente construído desde 2011, apresenta uma intencionalidade política, de afirmar a história das mulheres. De apontar acervos que têm potencial para ajudar a resgatar e problematizar trajetórias, traçar perfis, questionar comportamentos, refletir sobre sofrimentos, resistências e conquistas.

Hoje, neste post celebrativo, apresentamos mais uma “pílula” torcendo para que ela instigue o desejo de pesquisar mais, de tornar-se uma usuária ou usuário do Arquivo Público, de desvendar muito mais sobre tantas mulheres que viveram em nosso estado, cujas histórias de vida são registradas aos fragmentos entre as caixas e milhares de folhas de nosso acervo. Apresentamos Ottilia em sua relação com Affonso, chamando a atenção para alguns aspectos que podemos analisar a partir dos documentos.

Ottilia era órfão de mãe e pai quando se casou, em dezembro de 1920, aos 16 anos. Seu marido, comerciante de Porto Alegre, era 18 anos mais velho, com 34. Menos de quatro anos após o matrimônio, em junho de 1924, dão entrada nos papéis de desquite amigável, documento salvaguardado pelo Arquivo e descrito no referido catálogo. Além de problematizar a grande diferença de idade entre o casal e o pouco tempo que durou a relação, outros elementos contribuem para aproximar-nos da história de Ottilia: através da pesquisa realizada para construção do instrumento, verificamos que há em nosso acervo um processo de tutela de agosto de 1920 em que Affonso aparece como tutor de Ottilia e de seu irmão, logo após o falecimento da mãe dos adolescentes. Pouco tempo depois, em novembro de 1920, ele passa o papel de tutor para o irmão mais velho dos jovens, que alcançou a maioridade.

Assim como ocorre em diversos outros casos, a tutela não foi descrita no catálogo por ser da 3ª Vara de Família, que está fora do recorte para esta ação, mas será referenciada em um campo do verbete de desquite, facilitando o trabalho de pesquisa ao relacionar os documentos da Vara de Família e Sucessão de determinado casal a outros documentos deles produzidos em outras varas/comarcas do Poder Judiciário. Mesmo que o processo de desquite amigável de Ottilia e Affonso seja relativamente simples, relacionando apenas a petição inicial, a certidão de casamento, despachos e pedidos de certidões, sem registrar a voz de testemunhas ou qualquer disputa entre os cônjuges, cruzá-lo com outros processos, como o de tutela, oportuniza ao(à) pesquisador(a) diversos elementos para construir análises e narrativas: qual seria a relação entre Affonso e a família de Ottilia, que lhe permitiu chegar a tutor? Como interpretar um casamento entre tutor e tutelada tão pouco tempo depois de sua morte da mãe, e sendo a noiva apenas uma menina? Era comum naquele período que tutores de meninas se casassem com elas? Quais as relações de poder se estabelecem em um casamento como este?

Aqui levantamos brevemente alguns apontamentos a partir de dois processos relacionados. Uma pesquisa que relacione uma quantidade maior de documentos a partir de questionamentos pertinentes, que busque localizar habilitações de casamento, processos criminais, ações de alimentos ou separação de corpos de um mesmo casal, ou de vários casais em determinado período, certamente poderá produzir reflexões expressivas e resgatar diversas trajetórias de vida!

Distribuição de Caixas Pedagógicas e Catálogos Seletivos

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Relembramos que estamos em fase de distribuição das caixas pedagógicas do projeto AfricaNoArquivo e do catálogo seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Saiba mais:

CaixaPedagogicaCaixas pedagógicas AfricaNoArquivo: distribuídas às escolas públicas de Canoas, Gravataí, Porto Alegre, Viamão e para as 30 primeiras escolas de qualquer município, instituições de memória, associações e entidades da área (cultura negra) que declararem e justificarem o interesse em receber o material. Neste caso, a escola/ instituição/ entidade deverá enviar uma mensagem para nossa equipe através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registrando o interesse e referenciando a atuação na área. Essas 30 caixas serão destinadas conforme a ordem de recebimento dos e-mails. Mais informações na Aba “Projetos Patrocinados”.

2015.01.21 Catalogo ResistenciaCatálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil: distribuição do catálogo para instituições voltadas para o ensino e a pesquisa sobre a história da ditadura no Brasil, como escolas de ensino médio da rede pública, universidades, arquivos, bibliotecas e organizações ligadas a essa temática. Acesse aqui a listagem de instituições contempladas. Para ler outras notícias sobre este catálogo, clique aqui.

Ambos os materiais, de distribuição gratuita, podem ser retirados na sede do Arquivo Público do RS (Rua Riachuelo, nº 1031 – Centro Histórico | Porto Alegre) por um representante da instituição devidamente identificado e mediante a assinatura de termo de compromisso, sendo doada uma caixa ou um catálogo por instituição.

Catálogo Seletivo “Resistência em Arquivo”: distribuição dos exemplares inicia na próxima semana!

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2015.01.21 Catalogo ResistenciaO projeto Catálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil prevê a doação do catálogo para instituições voltadas para o ensino e a pesquisa sobre a história da ditadura no Brasil, como escolas de ensino médio da rede pública, universidades, arquivos, bibliotecas e organizações ligadas a essa temática. A distribuição do catálogo para as instituições mencionadas anteriormente, iniciará no dia 03 de fevereiro de 2015 na sede do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, nº 1031 – Centro Histórico | Porto Alegre). A entrega do exemplar se dará mediante assinatura do “Termo de Compromisso da Entidade” onde a instituição se compromete a deixar o material acessível para o uso comum. Acesse aqui a listagem de instituições contempladas. Para ler outras notícias sobre este catálogo, clique aqui.

Catálogo Seletivo “Resistência em Arquivo” disponível!

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2015.01.21 Catalogo ResistenciaApós a abertura política e a volta da democracia ao país, a temática da ditadura civil-militar brasileira passou a ocupar os principais espaços de debate público. Com a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação e dos trabalhos desenvolvidos pela Comissão Nacional da Verdade e Comissões Estaduais da Verdade, as discussões acerca da identificação, da preservação e do acesso a documentos cujos conteúdos remetem a violações dos direitos humanos, ganharam importância e transformaram-se em um dos campos historiográficos que mais avanços apresentaram na última década.

Diante deste cenário, o Arquivo Público do RS, como instituição detentora de importantes fontes históricas para o Estado, optou pela publicação de um catálogo tendo como base os processos administrativos oriundos da Comissão Especial de Indenização, instituída pela Lei Estadual nº 11.042, de 18 de novembro de 1997, de forma a contribuir para o desenvolvimento e a produção de pesquisas sobre este tema. Através desta lei, o Estado do Rio Grande do Sul reconheceu sua responsabilidade por danos físicos e psicológicos causados às pessoas detidas por motivos políticos, no período de 02 de agosto de 1961 a 15 de agosto de 1979 e estabeleceu normas para que fossem indenizadas.

O trabalho de construção deste instrumento de pesquisa foi desenvolvido por uma equipe técnica interdisciplinar formada por historiadores, arquivistas e estagiários que se dedicaram a analisar os processos administrativos de indenização na busca de informações relevantes para a composição do verbete.

A publicação do Catálogo Seletivo “Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil” foi realizada com recursos do Fundo de Apoio a Cultura (PRÓ-Cultura RS FAC) – Lei nº 13.490/10, em parceria da Associação dos Amigos do Arquivo Público do RS (AAAP/RS) e do Sistema Pró-Cultura do Estado. O financiamento viabilizou além da impressão, a publicação deste instrumento em formato braile para possibilitar o acesso de pessoas portadoras de deficiência visual, a estas informações tão importantes para nossa história recente.

Hoje disponibilizamos o catálogo em formato .pdf aqui no blog e em nosso site institucional, nos próximos meses disponibilizaremos a versão impressa e a versão em braile! Para acessar o catálogo, clique aqui.

Relatórios 2014 – DIPEP: Descrição de acervos

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O ano de 2014 foi bastante produtivo quanto as nossas atividades de descrição de acervos, visando ampliar o acesso às informações salvaguardadas no Arquivo Público do RS. Foi dada continuidade a organização, indexação e disponibilização dos acervos do Poder Judiciário via portal institucional e a outros projetos em desenvolvimento.

No que se refere aos acervos do Poder Judiciário foram indexados no sistema AAP os fundos – Comarcas de: Bagé, Jaguari, São Martinho, Júlio de Castilhos, Porto Alegre, Santa Maria, Santana do Livramento, São Francisco de Assis, São Gabriel e Tupanciretã, totalizando 23.169 itens documentais. As Comarcas de São Gabriel, Bagé, Santana do Livramento, Júlio de Castilhos, Santa Maria, São Francisco de Assis, Jaguari, São Martinho, Tupanciretã e Porto Alegre foram disponibilizadas para consulta via portal institucional.

Quanto ao acervo do Registro Civil – Habilitações de Casamentos, em 2014, continuamos com a revisão dos dados dos itens já indexados no sistema AAP e iniciamos o processo de preparação das imagens dos documentos para indexação. A meta é indexar as imagens de 134. 806 mil processos de habilitação de casamento.

Quanto aos projetos destacamos:

  • Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil”: este projeto visa a elaboração de um catálogo seletivo sobre o acervo da Comissão Especial de Indenização, a partir da qual o Estado do RS reconheceu a responsabilidade por maus-tratos que acarretaram danos físicos e psicológicos às pessoas presas por agentes ou em órgãos públicos estaduais por motivos políticos entre os anos de 1961 a 1979. Sobre este projeto trataremos em um artigo específico.
  • Memória Institucional do APERS”: em desenvolvimento desde 2011, tem por objetivo a organização e difusão do acervo institucional do Arquivo Público do RS, está em fase de conclusão de sua etapa de indexação no sistema AAP. Sobre este projeto trataremos em um artigo específico.
  • Afinal, onde estão as mulheres no APERS? Gênero, memória e história”: em desenvolvimento desde 2011, este projeto visa, inicialmente, destacar no acervo da Vara de Família e Sucessão processos que possam ser úteis à pesquisa histórica na área de história das mulheres e de gênero, a partir da elaboração de um catálogo seletivo sobre os processos que compõe tal acervo. Devido a outras ações com as quais a equipe se envolveu, em 2014 foi necessário fazer uma pausa no desenvolvimento do projeto. Entretanto, retomamos em dezembro e atualmente estamos em fase de revisão do instrumento de descrição, com previsão de publicação para março deste ano.

As atividades de descrição são morosas e requerem muito empenho de nossa equipe, muitas vezes reduzida e deslocada para outras atividades, porém acreditamos que os projetos, ora foco de atenção, são de representativa importância para que nossos usuários tenham acesso às informações aqui custodiadas.

Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias es Histórias da Ditadura no Brasil

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     Na última semana, durante os dias 22, 23 e 24 de abril, o Arquivo Público do RS (APERS) lançou o Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Este instrumento de pesquisa é composto por verbetes elaborados a partir dos 1704 processos administrativos resultantes do trabalho da Comissão Especial de Indenização.

     A mesa de abertura do evento foi composta pela Diretora Isabel Almeida, que contou o contexto de nascimento do projeto e porque a equipe do APERS optou pela descrição destes documentos. Em seguida, a historiadora Vanessa Menezes expôs a trajetória da equipe no processo de elaboração do catálogo, demonstrando, por exemplo, como os campos dos verbetes foram definidos. Finalizando a noite, a historiadora Nôva Brando apontou de que forma este acervo pode ser utilizado na construção de pesquisa histórica, bem como propostas de trabalhos pedagógicos a partir desta documentação.

     Na segunda noite estiveram presentes Marta Maria Sica da Rocha, César Augusto Tejera de Ré e Rita Maurício, familiares de pessoas que solicitaram o benefício junto ao Estado do Rio Grande do Sul. Os convidados relataram as prisões e maus-tratos sofridos por membros de suas famílias e de que forma esta detenção afetou suas vidas.

     Já no dia 24 foi exibido o documentário Os 15 filhos, de Maria de Oliveira e Marta Nehring. Após o filme foi aberto um espaço para os comentários de Bárbara Conte da Clínica do Testemunho/SIG RS, Tânia Kolker e Vera Vital Brasil da Clínica do Testemunho/RJ.

    O Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil será disponibilizado para estudantes, pesquisadores, sociedade em geral, no site do APERS no prazo de um mês. Será publicada também uma versão em braile que viabilizará o acesso para portadores de deficiência visual que terão, através deste instrumento, a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre este período.

     O projeto será realizado com recursos do Fundo de Apoio a Cultura (PRÓ-Cultura RS FAC), através da parceria com a Associação dos Amigos do Arquivo Público (AAAP). Este financiamento viabilizará a publicação e distribuição do catálogo em instituições públicas como arquivos, bibliotecas, universidades, escolas de ensino médio do Rio Grande do Sul e núcleos de estudo voltados para este tema.

     Acredita-se que a publicação deste instrumento de pesquisa, que relata uma parte importantíssima da história do Brasil, possibilitará que a sociedade estude os acontecimentos da época sobre diferentes perspectivas: política, direitos humanos e democracia, de forma a construir uma sociedade mais justa e igualitária.

     Confira abaixo a entrevista concedida pela Diretora Isabel e historiadora Vanessa ao programa Estação Cultura da TVE RS, e fotos do evento.

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Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil

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     Desde 2012, uma equipe, formada por historiadoras, arquivistas e estagiários do curso de história, dedicou-se a elaboração do Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil descrevendo, em forma de verbetes, os 1704 processos administrativos oriundos dos trabalhos da Comissão Especial de Indenização instituída pela Lei 11.042/97 .

     É com muita satisfação que convidamos a todos para o evento de lançamento do Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. A atividade acontecerá nos dias 22, 23 e 24 de abril, sempre às 19 horas, no Arquivo Público do RS. A inscrição é gratuita e forneceremos certificado. Participe!!!

Lancamento Catalogo Resistencia em Arquivo

AAAP e APERS têm Projeto de Catálogo Seletivo financiado pelo Pró-Cultura RS

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2014.04.02 Projeto Incentivado_Pro-Cultura

     Em dezembro de 2013 o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), por meio da Associação dos Amigos do Arquivo Público (AAAP), elaborou o Projeto Catálogo Seletivo Resistência em Arquivo: memórias e histórias da ditadura no Brasil, o qual foi inscrito no Edital da SEDAC nº 11/2013 – Concurso “Desenvolvimento da Economia da Cultura Pró-Cultura RS FAC, categoria Apoio à Produção e Inovação Cultural, sendo contemplado para receber um financiamento no valor de R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais).

     O projeto tem por objetivo a publicação do catálogo e sua distribuição gratuita para diversas instituições públicas, como: Arquivos, Bibliotecas, Universidades, Escolas de Ensino Médio do Rio Grande do Sul e Núcleos de Estudo voltados para o estudo da temática de Ditadura e Direitos Humanos, além de sua disponibilização na sala de pesquisa do APERS e em formato eletrônico no site da Instituição. Este projeto possui como inovação a publicação do catálogo também em braille, que será distribuído para entidades voltadas às pessoas portadoras de deficiência visual, contribuindo assim para a inclusão social destas.

     Acreditamos que a publicação deste instrumento de pesquisa é de suma importância para a difusão e a democratização das informações constantes neste acervo de grande relevância histórica para a sociedade brasileira, por retratar o período da ditadura Civil Militar no Brasil, e em especial no Rio Grande do Sul. Este instrumento possibilitará que a sociedade estude os acontecimentos da época sobre diferentes perspectivas: política, direitos humanos e democracia, de forma a construirmos uma sociedade mais justa e igualitária.

     Para acessar a lista de projetos contemplados clique aqui.

Gerenciamento de Acervos – Relatório 2013

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   A equipe de Gerenciamento de Acervos tem atuado no encaixamento e no reacondicionamento dos documentos que estão em maços, do acervo do Poder Judiciário, de acordo com o art. 5° da Instrução Normativa SARH 004/2009. Procede com a elaboração e revisão de tabelas de equivalência, definição da localização dos acervos, visando otimizar o espaço físico, e atualização dos instrumentos de pesquisa.

    Durante o ano de 2013, do acervo do Poder Judiciário, foram encaixados e revisados os seguintes Fundos: Comarca de Bagé (PJ010), Comarca de Dom Pedrito (PJ042-PJ043), Comarca de Rosário (PJ024), Comarca de Santana do Livramento (PJ071) e Comarca de Porto Alegre PJ(004- 1º Feitos da Fazenda). Sendo que a próxima etapa a ser concluída é a organização do Sub-Fundo 1º e 2º Feitos da Fazenda Pública.

     O Gerenciamento de Acervos desenvolve atividades que requerem muita pesquisa e conhecimento sobre os acervos custodiados pelo APERS, pois consiste em manter o arranjo do acervo de forma que a disposição física corresponda à estrutura dos órgãos de origem e com a localização indicada nos instrumentos de descrição.

Acervo Poder Judiciário -  Predio II do APERS

Acervo do Poder Judiciário (Prédio II): documentos encaixados e maços a serem reorganizados.

 

Descrição de acervos: relatório 2013

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O ano de 2013 foi bastante produtivo quanto as nossas atividades de descrição de acervo, visando ampliar o acesso às informações salvaguardadas no Arquivo Público do RS. Foi dada continuidade a organização, indexação e disponibilização dos acervos do Poder Judiciário via portal institucional e a outros projetos em desenvolvimento.

No que se refere aos acervos do Poder Judiciário foram indexados no sistema AAP cinco novas Comarcas: Alegrete, Cruz Alta, Júlio de Castilhos, Palmeira das Missões e Uruguaiana, totalizando 17.370 documentos, sendo as Comarcas de Alegrete e Cruz Alta também disponibilizadas para consulta via portal institucional.

Além disso, foi dado um significativo passo no que se refere a organização e disponibilização dos acervos do Poder Executivo aos nossos usuários. Internamente começamos a estruturação no sistema AAP para indexação destes acervos via portal, bem como realizamos importantes avanços nos seguintes projetos:

– “Preservação das cartas de liberdade: resgate da conjuntura histórica do escravo no RS”: conclusão da digitalização e indexação de 30 mil cartas de liberdade pertencentes ao nosso acervo referentes ao período da escravidão no RS. Em dezembro o material foi disponibilizado, permitindo o acesso às imagens, no portal institucional do APERS. Para saber mais clique aqui.

– “Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil”: este projeto visa a elaboração de um catálogo seletivo sobre o acervo da Comissão Especial de Indenização, a partir da qual o Estado do RS reconheceu a responsabilidade por maus-tratos que acarretaram danos físicos e psicológicos às pessoas presas por agentes ou em órgãos públicos estaduais por motivos políticos entre os anos de 1961 a 1979. A publicação deste catálogo está prevista para março de 2014. Para acessar a descrição deste fundo com a aplicação da Nobrade clique aqui. Ainda sobre este projeto ressaltamos que o mesmo está inscrito junto ao Pró-Cultura, no qual pleiteamos recursos para sua impressão em português e em braile, para distribuição a escolas de ensino médio, Arquivos Públicos, Bibliotecas Públicas e Universidades; o resultado do edital será publicado em março de 2014. Também deste projeto resultou a criação do blog temático “Resistência em Arquivo”, para acessá-lo clique aqui.

– “Memória Institucional do APERS”: em desenvolvimento desde 2011, tem por objetivo a organização e difusão do acervo institucional do Arquivo Público do RS, está em fase de conclusão de sua etapa de mapeamento, a qual precede a sua indexação no sistema AAP, com previsão de implementação para março de 2014. Para acessar a Descrição do Acervo com aplicação da Nobrade clique aqui.

– “Afinal, onde estão as mulheres no APERS? Gênero, memória e história”: em desenvolvimento desde 2011, este projeto visa, inicialmente, destacar no acervo da Vara de Família e Sucessão processos que possam ser úteis à pesquisa histórica na área de história das mulheres e de gênero, a partir da elaboração de um catálogo seletivo sobre os processos que compõe tal acervo. Atualmente estamos em fase de revisão do instrumento de descrição, com previsão de publicação para este ano.

Equipe envolvida com essas atividades: Aerta Moscon, Aline de Oliveira, Arianne Chiogna, Barbara Trindade, Carlos Pereira, Clarice Hausen, Clarissa Alves, Claudia Braga, Fabiano Morales, Fábio Zimmer, Geverson de Jesus, Guilherme Krucinski, Jessyca de Oliveira, Jessyca Moser, Lucas Azevedo, Luciane Flores, Luciane Flores, Luciano Paiva, Luiz Felipe Lied, Luiza Valdez, Marcelo Bahlis, Marcelo Barboza, Matheus da Silva, Micheli Durão, Moises Sayao, Nôva Brando, Patrícia Nunes, Paula Blume, Priscila da Silva, Renata de Vasconcellos, Rosemeri Iensen, Vanessa Cardoso, Vanessa Menezes, Viviane Portella.

As atividades de descrição são morosas e requerem muito empenho de nossa equipe, muitas vezes reduzida e deslocada para outras atividades, porém acreditamos que os projetos ora foco de atenção são de representativa importância para que nossos usuários tenham acesso às informações aqui custodiadas.

APERS no I Seminário Internacional Documentar a Ditadura: Apresentação da arquivista Renata Vasconcellos e historiadora Vanessa Menezes

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  Dando continuidade as notícias referentes à participação das servidoras do APERS no I Seminário Internacional Documentar a Ditadura: Arquivos da Repressão e da Resistência realizado no Arquivo Nacional, na cidade do Rio de Janeiro em junho de 2013, veremos a seguir um panorama da comunicação intitulada: A importância da elaboração de instrumentos de pesquisa para o resgate da memória: a experiência do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul na confecção de um catálogo seletivo da documentação da Comissão Especial de Indenização, apresentada pela arquivista Renata Vasconcellos e a historiadora Vanessa Menezes.

 O APERS desenvolve ações, projetos e programas de incentivo à pesquisa, divulgação do acervo, e elabora instrumentos de pesquisa que facilitam o trabalho dos pesquisadores. Nesta perspectiva, a equipe do APERS trabalha na construção de verbetes individualizados que originarão um catálogo seletivo dos processos administrativos produzidos pela Comissão Especial de Indenização, instituída pela Lei Estadual nº 11.042/97, que guardam inúmeras informações sobre o período da ditadura civil-militar no Brasil e especialmente no Rio Grande do Sul.

  A Comissão Especial de Indenização formou-se com o intuito de avaliar as solicitações de indenização feitas por ex-presos políticos e, nos casos de falecimento, por seus descendentes ou cônjuges. Os processos administrativos são compostos de recortes de jornais, fotografias, certidões expedidas por órgãos públicos federais e estaduais, cópias de inquéritos policiais e militares, pareceres psiquiátricos e outros. Juntamente a este rol de documentos, temos declarações feitas pelas partes envolvidas que, detalhadamente, relatam sua atuação política, bem como sua prisão, os maus tratos dos quais foram vítimas e as consequências deles decorridas.

  Durante a apresentação destacamos a importância destes processos de indenização para a recuperação de fatos históricos relacionados às graves violações de direitos humanos que foram cometidas no Estado do Rio Grande do Sul. Desta forma, a construção do catálogo relacionado à temática da ditadura civil-militar no Brasil, auxiliará no resgate à memória daqueles envolvidos na resistência contra este regime. Consideramos este instrumento de pesquisa um suporte para novas interpretações, na medida que, contribuirá para esclarecimentos acerca da nossa história recente.

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Participação do APERS na X Semana Acadêmica do Curso de Arquivologia/UFSM

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     Na semana de 15 a 19 de outubro de 2012 foi realizada a X Semana Acadêmica do Curso de Arquivologia/UFSM, no auditório do CCSH, com a temática “Acesso à informação e democracia: para quem?”.

    O Arquivo Público do RS foi convidado para participar e, no dia 16 de outubro, a arquivista Renata Pacheco de Vasconcellos apresentou o trabalho “Aplicação da Norma ISDIAH no APERS”.

      Em maio de 2012 foi publicada a ISDIAH APERS, baseada na análise da norma, uma vez que ao realizarmos o mapeamento não encontramos a aplicação da mesma por outras instituições. A apresentação deste estudo aos acadêmicos buscou estimulá-los à pesquisa a partir de um caso prático de aplicação da norma, o qual servirá de exemplo para instrumentos descritivos futuros.

     Acesse a apresentação clicando aqui.

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Mês do Arquivista: Maria Cristina Kneipp Fernandes

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Maria Cristina Kneipp Fernandes, ou a “Kithy”, 44 anos, natural de Uruguaiana/RS, é formada no Curso de Arquivologia da UFSM em 1988 e integra o quadro de arquivistas do APERS desde 1992. Agora Maria Cristina, contará um pouco de sua experiência, confira!

     Na época que estava no 2° grau tinha vontade de cursar história, mas em 1984 teve a greve dos professores estaduais, como filha e irmã de professores me diziam: “quem sabe vê outro Curso…”. Então ao analisar o ementário dos Cursos da UFSM gostei de Arquivologia e me inscrevi no vestibular! A primeira aula foi com a professora Eneida (Eneida Isabel Schirmer Richter), de início eu não gostei porque ela ficava falando as características do profissional e eu não me enquadrava… Tinha que ser organizado, metódico, cuidadoso… Bah, quase levantei e fui embora, mas já estava lá… Fiquei!

     No primeiro semestre de 1988 teve o Congresso Brasileiro de Arquivologia, então o pessoal do Curso organizou um ônibus e fomos à Brasília. Lá uma das professoras nos apresentou para uma conceituada consultora de arquivos daquela cidade. No segundo semestre, na época do estágio de final de Curso, essa consultora estava iniciando um projeto de arquivo em uma fábrica de um grupo empresarial e nos convidou, eu e uma colega para fazer o estágio neste projeto. Moramos por três meses em Brasília! No retorno, essa colega considerou que tínhamos que fazer um curso de dicção e oratória antes da defesa do relatório de estágio! Procuramos um curso e ficamos uns quinze dias em Porto Alegre. Os promotores do curso eram a dona Sônia e seu João Brunet, hoje membros da diretoria da AAAP!

     Depois da defesa do relatório, uma consultoria de São Paulo abriu seleção, pois tinha fechado um contrato com uma empresa em Guaíba. Veio um ônibus da UFSM com os candidatos! Eu e outros colegas fomos selecionados, fiquei nesse trabalho por um ano e três meses, após fui trabalhar em outra consultoria em Porto Alegre! Fiquei por um ano e meio trabalhando em uma organização social voltada à indústria, fazia levantamento da produção documental na sede e nas unidades da região metropolitana.

     Neste período prestei o concurso para o Arquivo Público. Contei que havia passado e claro, fui demitida! Lembro que cheguei em casa e choraaaava! Passei os próximos seis meses trabalhando com um colega arquivista em sua consultoria em arquivos. Em janeiro de 1992, a arquivista Lenir Fernandes, então diretora do Arquivo, convidou-me e comecei a trabalhar aqui em Cargo em Comissão! Trabalhava de manhã na consultoria e a tarde atendia na sala de pesquisa do Arquivo. No início de abril fui nomeada! Nós não sabíamos muito bem quantos iam ser chamados, iam nomeando… Nada muito planejado.

    Entrei em exercício, o SIARQ/RS tinha sido criado… Então os arquivistas que já trabalhavam aqui criaram um formulário para fazer um diagnóstico da situação dos arquivos nas Secretarias para saber o volume, áreas destinadas, documentos… Era bem descritivo, para desenvolver a atividade fomos divididos em duplas. Isso foi bom porque conhecemos a estrutura do Estado. Algumas pessoas nos recebiam bem, outras não… Em cada lugar tínhamos que explicar o que era arquivista, o que íamos fazer… Apesar de ter sido encaminhado ofício antes, informando sobre o diagnóstico, nem todos tiveram conhecimento.

     Nessa época nem mesa de trabalho tínhamos, utilizávamos uma sala de reunião para debater com os colegas o andamento do trabalho… Ao concluirmos o levantamento, voltamos para o Arquivo e aí, o que fazer? Não havia muito planejamento… Houve relotações e alguns arquivistas foram para o interior… Pensou-se em elaborar uma tabela de temporalidade única, mas o levantamento não tinha informações suficientes, depois de um tempo abortamos essa ideia. De qualquer forma ele teve resultado porque os órgãos passaram a ter conhecimento de que no Arquivo Público havia arquivistas e nós conhecemos a estrutura do Estado.

    Observamos que a organização do acervo tinha falhas e concluímos que talvez fosse necessário “trabalhar” o Arquivo, precisávamos organizar a casa antes de vender trabalho externo. Fomos divididos em equipes de acordo com o perfil, como precisávamos de local de trabalho, passamos a ter salas dentro do acervo! Fazíamos o levantamento dos acervos para qualificar os instrumentos de pesquisa e atendíamos as Secretarias de acordo com a demanda, com a elaboração de planos de classificação e tabelas de temporalidade individuais. Percebemos que não era porque tinha um Decreto instituindo o SIARQ/RS que ele iria ser implementado.

    Elaboramos um estudo administrativo da história das Secretarias que resultou em uma publicação interna nomeada “Os sete governos”, a qual originou o livro “Fontes para a história administrativa do Rio Grande do Sul” publicado em 2006. Foi um trabalho de bastante pesquisa, a ideia era que contribuísse para a elaboração de instrumentos futuros.

     O período da reforma dos prédios do Arquivo e a saída da Junta Comercial agitou um pouco o dia a dia… Tomamos posse do prédio III. Bah, isso foi uma qualidade para nosso trabalho! Porque era um problema de identidade, trabalhávamos no Arquivo Público, endereço Riachuelo “2° portão”, em referência ao portão da garagem!

    Outro fato foi delimitar o espaço entre o Arquivo e os usuários. Eles iam ao acervo, faziam buscas, pegavam o que queriam, atendiam aos usuários no lugar dos atendentes, tínhamos que pedir licença… Era tudo muito amador. Tinha-se o entendimento de que o Arquivo era um arquivo intermediário, um cartório em decorrência do fornecimento de certidões. Essa mudança de imagem é fruto do nosso trabalho enquanto arquivistas. Por isso o receio de retrocesso quando notamos algumas atitudes.

    Considero que a criação do Sistema AAP, em termos de conhecimento da teoria arquivística, foi um dos projetos que mais me exigiu. Esse projeto consistiu em uma tratativa da direção do Arquivo com a PROCERGS. Tínhamos reuniões quase semanais, precisávamos delimitar o que queríamos e eles entenderem isso. O sistema foi planejado, tem falhas, mas atende as nossas necessidades e permite melhorias. Senti muita satisfação em ver o resultado!

     Também criamos a tabela de temporalidade única. Um divisor de águas! Elaboramos um levantamento através das competências dos órgãos direcionado para as funções, constituindo-se em um trabalho bem consistente com a Comissão de Avaliação. Ao concluirmos, queríamos publicar por Decreto, mas a proposta não foi bem aceita e ficou um ano parado até ser publicado por Instrução Normativa pela SARH em 2008.

    Desde 2004 estou na chefia da DIPEP, aceitei o cargo porque julgo que tinha legitimidade e sou dedicada. Não tive preparação para ser gestora, minha formação acadêmica foi bastante tecnicista e enquanto servidora participei de algumas capacitações isoladas. Considero-me boa servidora pública, não boa gestora. Conheço o Arquivo, tenho minimamente uma noção do que é ser servidor público, do que é bom ou não para o Arquivo… Sou responsável, sei que tenho de cumprir as tarefas e trabalhar.

     Até 2004 a DIPEP era dividida por funções, tínhamos equipe de descrição, avaliação, preservação e quem trabalhava com avaliação também acompanhava o SIARQ/RS. Depois disto houve a divisão por atividades e todos atendiam as demandas do SIARQ/RS. Hoje não há tanta definição, por isso eu digo que não sou uma boa gestora… Tem momentos que todos nos concentramos nas mesmas atividades, estagnando outras… Não tem muito planejamento… Nesse sentido podemos dizer que as atividades de rotina do Arquivo muitas vezes não recebem incentivo, mas projetos eventuais sim, e de certa forma o Arquivo ganha!

     Por um tempo criou-se o mito que eu tinha de falar em público, mas isso é porque nunca me neguei, sou participativa, quando tem que ir a reuniões sempre vou… Isso fez com que ficasse mais conhecida, quando trabalhávamos nos grupos setoriais do SIARQ/RS o pessoal me via e já falava “Tu de novo!”, mas era numa boa! E quando dizem que tenho boa memória é porque participo, contextualizo as situações, retendo as informações…

     Sou satisfeita enquanto arquivista. Tenho mais satisfação de fazer, por isso digo que sou boa servidora pública… Não é a função que me leva a ser o que eu sou. Dos meus 20 anos de Casa destaco a elaboração e implantação do sistema AAP como momento marcante. Foi quando me senti mais arquivista, fui exigida teoricamente… Os mínimos avanços do SIARQ/RS também são uma satisfação.

     Paralelo ao Arquivo, desde a segunda diretoria da AARS sempre ocupei algum cargo. Nunca quis ser presidente nem vice, mas já passei por todos os outros! No meu tempo livre gosto de sair, me divertir! Vou ao cinema, teatro, shows… Beber com os amigos… Gosto de caminhar… Sou colorada, gosto de ir ao Beira Rio!

Descrição do APERS – ISDIAH

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   A aplicação da Norma Internacional para Descrição de Instituições com Acervo Arquivístico – ISDIAH para descrever o Arquivo Público do RS foi desenvolvida com os objetivos de facilitar o contato do público com a instituição e o acesso aos seus acervos e serviços que oferece à população. O trabalho realizado faz parte do Projeto de Descrição de Acervos, vinculado a Divisão de Projetos e Pesquisas – DIPEP, caracterizando-se como uma atividade permanente da instituição.

   A Norma ISDIAH tem como principal objetivo “facilitar a descrição de instituições arquivísticas cuja função primordial seja guardar acervos e torná-los disponíveis para o público em geral”. Essa norma determina o tipo de informação que pode ser trabalhada em descrições de instituições que mantém acervos arquivísticos e instrumentaliza sua utilização prática, e pode ser usada como base para o desenvolvimento de comunicação ou de intercâmbio de dados entre instituições…

  Os elementos de descrição da norma estão divididos em seis áreas de informação, sendo definidos como elementos obrigatórios de descrição “Identificador” e “Forma autorizada do nome”, ambos da Área de identificação, e “Endereço”, da Área de contato. Os conteúdos, as regras e as convenções usadas na descrição são aquelas seguidas pela instituição e a codificação utilizada em nosso país.

   A norma foi produzida pelo Comitê de Boas Práticas e Normas do Conselho Internacional de Arquivos – CIA (International Council on Archives – ICA) em 2008, sendo traduzida e publicada no Brasil através do Arquivo Nacional em 2009. Para conhecer e fazer download do texto integral da Norma acesse o site do ICA (inglês) e do CONARQ (português).

   Para acessar o arquivo com o conteúdo de descrição do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul com a aplicação da Norma ISDIAH clique aqui.

Post atualizado em 09 de outubro de 2012.

Núcleo de Descrição e o sistema AAP

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     Uma das atividades desenvolvidas pelo núcleo de Descrição do APERS é o gerenciamento do AAP – Administração de Acervos Públicos. Este sistema é resultado de um trabalho conjunto entre a equipe técnica do APERS e da PROCERGS – Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul, para atender as necessidades e peculiaridades do arquivo. Consiste em um banco de dados de referência onde desde 2005 já foram cadastrados mais de 495 mil documentos.

     Atualmente esta em desenvolvimento a indexação do acervo do Poder Judiciário o qual conta com uma equipe e digitação/cadastramento formada por cinco funcionários. Já foram indexados alguns acervos da Secretaria da Saúde e da Secretaria de Segurança Pública do Poder Executivo e as Habilitações para casamento do Registro Civil.

     O AAP é um banco de dados trabalhado e acessado via internet de forma simples e sem necessidade de instalação de programas especiais. As informações indexadas podem ser acessadas através da Consulta on line no portal do APERS.

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