Encontro dos Arquivistas e Apresentação Musical

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Na última sexta-feira, dia 23 de novembro, tivemos o Encontro dos Arquivistas, com relatos sobre o VIII Congresso Nacional de Arquivologia de 2018, pelo arquivista Jonas Ferrigolo, e sobre as ações para criação do Conselho Profissional de Arquivologia, pela arquivista Clara Kurtz. Como encerramento das atividades da 1ª Semana do Arquivista e do Servidor Público – 1ª SAS, desfrutamos de uma apresentação musical do quarteto Camila Paes, Daniela Amaral, Carlos Dinarte e Mauro Amaral, evento aberto à participação dos profissionais da área.

 

1ª Semana do Arquivista e do Servidor Público – 1ª SAS

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    O Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul – APERS, no intuito de valorização e reconhecimento de seu quadro funcional na realização de pequenas ou grandes tarefas, que juntas se consolidam no funcionamento da Instituição, como no atendimento à comunidade em geral e no cumprimento das obrigações de arquivista e de servidor público, para o alcance do sucesso dos objetivos institucionais, abre as comemorações, em homenagem aos dias do Arquivista (20/10) e do Servidor Público (28/10), com a 1ª Semana do Arquivista e do Servidor Público – 1ª SAS.

   A 1ª edição da SAS foi planejada com diversas atividades, como oficinas e palestras, que envolvem seus colaboradores como participantes ou ministrantes dos eventos. A programação teve abertura dia 25 de outubro com fala da Diretora Aerta Grazzioli Moscon, seguido de um café da manhã preparado com muito esmero e carinho pela colega Nilza Teresinha de Mello Escalante, acompanhado de atração musical ao violino, e brincadeiras de confraternização entre os servidores, estagiários e terceirizados do APERS.

    No dia 26 de outubro pela manhã, teve o workshop Redação de E-mail Institucional ministrado pela colega Denise Nauderer Hogetop e, à tarde, foi realizada a Oficina de Fuxico, ensinada com muita maestria pela colega Renata Pacheco de Vasconcellos, ambos muito apreciados pelos participantes.

    Em 30 de outubro foi realizado o workshop Momento Beleza, com ensinamentos sobre limpeza de pele e maquiagem, ministrado pela instrutora Sandra Denis Kotowski Doring, da empresa Mary Kay, com o objetivo de fazer nossas meninas ficarem ainda mais bonitas. Imaginam como ficaram? Lindíssimas!

    Já no dia 09 de novembro, foi realizada a palestra Psicologia no Arquivo: Comunicação assertiva e relacionamento interpessoal no trabalho, com os formandos em Psicologia Márcia Vanessa Assis dos Reis e José Lucas Duarte.

    Hoje, dia 14 de novembro, acontece a Feira do Desapego, com exposição para doação, troca ou venda de objetos, roupas, acessórios e calçados que os servidores, estagiários e terceirizados queiram desapegar.

E para finalizar as comemorações da 1ª SAS, no dia 23 de novembro, teremos o Encontro dos Arquivistas, com relatos sobre o VIII Congresso Nacional de Arquivologia de 2018, pelo arquivista Jonas Ferrigolo, e sobre as ações para criação do Conselho Profissional de Arquivologia, pela arquivista Clara Kurtz, além de apresentação musical dos arquivistas Carlos Dinarte e Mauro Amaral, evento aberto à participação dos profissionais da área.

 

Abaixo, confira algumas fotos dos eventos.

20 de outubro: Dia do Arquivista!

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2014.10.20 dia arquivista

APERS Entrevista: Clara Marli Scherer Kurtz

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2013.10.30 APERS entrevista - Clara Marli Scherer KurtzClara Marli Scherer Kurtz, 62 anos, é graduada em Letras e em Arquivologia (UFSM), especialista em Aperfeiçoamento Técnico e Didático em Arquivologia (UFF) e mestre em Comunicação (UFRJ). Atualmente é aposentada e trabalha voluntariamente na área de arquivos, participando da Associação dos Amigos do APERS, da Associação dos Amigos do Arquivo Histórico de Santa Maria e do Comitê Setorial de Arquivos do Conselho Nacional de Políticas Culturais. Confira a entrevista que realizamos com Clara em homenagem ao Dia do Arquivista!

Blog do APERS: Clara, você poderia comentar um pouco sobre como decidiu cursar Arquivologia?

Clara: Em 1974, antes de concluir o curso de Letras, trabalhei como Secretária de Escola, no Manuel Ribas e tive contato com os arquivos. Em 1977, fiz o primeiro vestibular para o curso de Arquivologia da UFSM, buscando novas perspectivas de trabalho e, também, motivada pelo gosto pela organização e preservação dos documentos.

Blog do APERS: És arquivista desde 1979 e participou, acompanhou as mudanças dos perfis de atuação dos arquivistas e suas áreas de atuação. Como pensa que deve ser o perfil do arquivista hoje?

Clara: As mudanças no perfil do arquivista aparecem, cada dia, mais evidentes. No início do curso, trabalhávamos essencialmente com documento convencional, ou seja, em suporte papel. Os registros das informações eram feitos em fichários por assunto, data, nomes, etc, cujas fichas eram cruzadas para identificar o documento. Hoje, a tecnologia permite que o arquivista, a partir de sistemas informatizados de gestão de documentos, localize os documentos e informações de maneira rápida e eficiente. O arquivista precisa, além dos conhecimentos técnicos da área, estar aberto às inovações e ter consciência de que é um gestor de informações arquivísticas.

Blog do APERS: Enquanto professora universitária e mesmo agora aposentada você nunca deixou de desempenhar diversas atividades ligadas aos arquivistas, como a participação em entidade de classe, associações, colegiados… Como acredita que esta atuação interfere na constituição de uma Arquivística mais consistente e ativa, e na preservação do patrimônio documental?

Clara: Sempre falamos que a participação em entidades de classe é essencial para o fortalecimento da profissão. Estivemos presente nas discussões de criação de entidades – como, por exemplo, a AGBA, em 1980, entidade criada para agregar os bacharéis em arquivologia formados em Santa Maria e que teve vida curta, pois não tínhamos número suficiente de profissionais para mantê-la em funcionamento. Fomos partícipes da criação do Núcleo da AAB, no Rio Grande do Sul que, em 1999, se transformou em Associação dos Arquivistas do Rio Grande do Sul, que tem por objetivo promover a defesa dos interesses dos profissionais que atuam na área da arquivologia; incrementar estudos para melhorar o nível técnico e cultural dos profissionais de arquivo e colaborar com entidades arquivísticas para o desenvolvimento de políticas de arquivo e que, ao longo dos anos, vem representando seus associados. A união e a participação do grupo favorece ações equilibradas e representativas.

Blog do APERS: Enquanto arquivista, podes comentar alguma situação inusitada ou maior desafio vivenciado?

Clara: O maior desafio é realizar seu trabalho com eficiência e consciência do dever cumprido. O trabalho do arquivista é a melhor forma de divulgação e publicidade da profissão.

Blog do APERS: Nas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Clara: Quando não estamos envolvidas com uma atividade voluntária, na área dos arquivos, uma boa leitura, uma conversa com amigos ou o cuidado dos animais são nosso passatempo preferido.

Blog do APERS: Em alusão ao Dia do Arquivista, 20 de outubro, você gostaria de deixar alguma mensagem à classe?

Clara: O profissional que deseja sucesso, precisa trabalhar a si mesmo com disciplina e persistência. Nunca se acomodar. A aprendizagem não deve acabar nunca. O que você é acaba sendo mais importante do que você tem. E isso ninguém tira de você.

20 de outubro: Dia do Arquivista!

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2013.10.23 DIA DO ARQUIVISTA

   No último domingo, dia 20, foi o Dia do Arquivista, em homenagem aos profissionais que se dedicam em viabilizar o acesso à informação e a preservação do patrimônio documental. Assim, o APERS saúda a todos os arquivistas, em especial aos vinculados aos órgãos do Estado do RS!

   Para celebrar a data publicaremos na próxima semana no “APERS Entrevista” entrevista com uma arquivista singular, que fez e faz parte da história da arquivística nacional. Convidamos a tod@s a “palpitar” nos comentários quem é esta arquivista! E ai, quem você pensa que é?

Mês do Arquivista: Daniele Rodrigues Xarão

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Daniele Rodrigues Xarão, 31 anos, natural de São Gabriel/RS, é formada no Curso de Arquivologia da UFRGS em 2009, integra o quadro de arquivistas do Estado desde 2010 e está lotada na Divisão de Protocolo, Arquivo e Informações da SARH desde 2011. Confira o relato de Daniele sobre sua experiência profissional!

     Meu primeiro vestibular foi para Química de Alimentos, ainda bem que não passei! Com 21 anos fiz o técnico em contabilidade, gostei e comecei a trabalhar na área. Preferia mais a parte burocrática de organizar a documentação do que dos números, trabalhava com o registro de empresas na Junta Comercial, era uma série de documentos e eu percebia que as pessoas tinham dificuldade em organizá-la… Sempre gostei de organizar, ter tudo arrumado e então busquei informações sobre o curso de Arquivologia e me entusiasmei a cursá-lo.

     Sabia que a UFSM oferecia o curso e embora Santa Maria sendo mais próxima de minha cidade, optei pelo curso na UFRGS, em Porto Alegre, onde parte de minha família estava morando. Em 2006 fui aprovada no vestibular! Ao mesmo tempo em que ingressava na Universidade, fui nomeada em um concurso público e comecei a trabalhar no cargo de auxiliar administrativo em uma entidade autárquica de fiscalização.

   Nos primeiros semestres do Curso havia disciplinas de diferentes áreas, e me identificava com as que eram de Arquivologia. Na entidade onde trabalhava primeiro fui vinculada ao setor de correspondências e depois ao setor de pessoal, mas sempre que tinha que fazer algum trabalho acadêmico recorria ao arquivo. No quinto semestre precisava fazer o primeiro estágio aplicado, então pedi para ser transferida para o arquivo… Com certa persistência, consegui! Como gostaram do meu trabalho, por contribuir com novas ideias e nos projetos, acabei ficando por dois anos no arquivo! Participei do processo de digitalização de parte do acervo e elaborei um manual voltado às atividades do arquivo.

    Essa experiência foi boa, tive o trabalho reconhecido tanto na entidade onde trabalhava quanto no Curso de Arquivologia. Nesse momento pude aplicar a teoria, o conhecimento adquirido e desenvolver a parte prática… Depois ocorreu a terceirização do arquivo, apesar dos argumentos de que seria mais rentável investir na sua reforma e adaptação. Trabalhei no arquivo daquela instituição de 2008 a 2010, me formei em 2009 e no ano seguinte comecei a fazer concursos na área de arquivo, sempre passava, mas não nas vagas!

    Em 2010 surgiu o concurso do Estado, quase não fiz… Meu pai insistiu então me inscrevi! Em outubro do mesmo ano uma amiga avisou que tinham sido nomeados 32 arquivistas e que eu seria a próxima, pois duas pessoas não assumiriam, eu quase não acreditei, não esperava ser chamada no concurso… Fiquei na expectativa! Depois de alguns dias meu pai me ligou: “Parabéns, tu és a nova concursada nomeada!”. Eu não esperava!

     Assumi no Protocolo de uma Secretaria e no primeiro dia levaram-me para conhecer os depósitos onde ficavam os arquivos… No depósito localizado no térreo, encontrei algumas caixas com documentos recentes que estavam praticamente “enterradas” no lado de fora da sala, no gramado… Fiquei muito entusiasmada pelo desafio que tinha, era muito trabalho para fazer! Mas ao mesmo tempo havia muita demanda de trabalho e pouco recursos humanos no Protocolo o que dificultava conciliar com as atividades no arquivo.

     Então os meses foram passando e a cada dia o trabalho com a gestão documental ficava mais distante e eu mais triste. Foi então que conversando com colegas da área sobre a minha grande vontade de trabalhar em arquivo, alguns meses depois fui convidada por uma colega arquivista e pela Chefe da Divisão a fazer parte do Arquivo da SARH. Fiquei muito feliz com o convite, pois conhecia a estrutura do arquivo e do trabalho que os arquivistas vinham desenvolvendo no local. Em outubro de 2011 iniciei minhas atividades no arquivo da SARH, foi um dos dias mais felizes da minha vida! A chefia foi muito receptiva!

   Já havia um trabalho em desenvolvimento, então dei continuidade. O plano de classificação e a tabela de temporalidade de documentos já eram aplicados, havia um espaço estruturado para o arquivo… Prossegui com a implementação do SIARQ/RS, centralizamos o arquivo de processos administrativos da SARH… O interessante é o respaldo da chefia, ela está sempre pronta a colaborar e a dirimir dúvidas… Trabalho com dois estagiários, fazemos as buscas, a higienização dos documentos, classificamos e avaliamos os processos administrativos no SPI (Sistema de Protocolo Integrado). Temos a assessoria da equipe do SIARQ/RS do APERS… O trabalho é reconhecido!

    Sinto-me realizada enquanto arquivista! Formei-me há pouco tempo e estou trabalhando na área, aqui está sendo minha primeira experiência de trabalhar com instrumentos de gestão. Sei que tenho ainda um longo caminho a percorrer, tenho várias ideias e projetos para colocar em prática e tenho o principal para fazer isso tudo acontecer: o apoio da minha chefia e da equipe do APERS, isso é muito importante em nossa área… Estou feliz! Pretendo retomar meus estudos agora que estou mais tranquila no trabalho… No meu tempo livre gosto de ficar com os amigos, viajar para amenizar a saudade da família, ir a shows, passear na Redenção, andar de bicicleta no Gasômetro e tocar minha harmônica (gaita de boca).

Mês do Arquivista: Maria Cristina Kneipp Fernandes

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Maria Cristina Kneipp Fernandes, ou a “Kithy”, 44 anos, natural de Uruguaiana/RS, é formada no Curso de Arquivologia da UFSM em 1988 e integra o quadro de arquivistas do APERS desde 1992. Agora Maria Cristina, contará um pouco de sua experiência, confira!

     Na época que estava no 2° grau tinha vontade de cursar história, mas em 1984 teve a greve dos professores estaduais, como filha e irmã de professores me diziam: “quem sabe vê outro Curso…”. Então ao analisar o ementário dos Cursos da UFSM gostei de Arquivologia e me inscrevi no vestibular! A primeira aula foi com a professora Eneida (Eneida Isabel Schirmer Richter), de início eu não gostei porque ela ficava falando as características do profissional e eu não me enquadrava… Tinha que ser organizado, metódico, cuidadoso… Bah, quase levantei e fui embora, mas já estava lá… Fiquei!

     No primeiro semestre de 1988 teve o Congresso Brasileiro de Arquivologia, então o pessoal do Curso organizou um ônibus e fomos à Brasília. Lá uma das professoras nos apresentou para uma conceituada consultora de arquivos daquela cidade. No segundo semestre, na época do estágio de final de Curso, essa consultora estava iniciando um projeto de arquivo em uma fábrica de um grupo empresarial e nos convidou, eu e uma colega para fazer o estágio neste projeto. Moramos por três meses em Brasília! No retorno, essa colega considerou que tínhamos que fazer um curso de dicção e oratória antes da defesa do relatório de estágio! Procuramos um curso e ficamos uns quinze dias em Porto Alegre. Os promotores do curso eram a dona Sônia e seu João Brunet, hoje membros da diretoria da AAAP!

     Depois da defesa do relatório, uma consultoria de São Paulo abriu seleção, pois tinha fechado um contrato com uma empresa em Guaíba. Veio um ônibus da UFSM com os candidatos! Eu e outros colegas fomos selecionados, fiquei nesse trabalho por um ano e três meses, após fui trabalhar em outra consultoria em Porto Alegre! Fiquei por um ano e meio trabalhando em uma organização social voltada à indústria, fazia levantamento da produção documental na sede e nas unidades da região metropolitana.

     Neste período prestei o concurso para o Arquivo Público. Contei que havia passado e claro, fui demitida! Lembro que cheguei em casa e choraaaava! Passei os próximos seis meses trabalhando com um colega arquivista em sua consultoria em arquivos. Em janeiro de 1992, a arquivista Lenir Fernandes, então diretora do Arquivo, convidou-me e comecei a trabalhar aqui em Cargo em Comissão! Trabalhava de manhã na consultoria e a tarde atendia na sala de pesquisa do Arquivo. No início de abril fui nomeada! Nós não sabíamos muito bem quantos iam ser chamados, iam nomeando… Nada muito planejado.

    Entrei em exercício, o SIARQ/RS tinha sido criado… Então os arquivistas que já trabalhavam aqui criaram um formulário para fazer um diagnóstico da situação dos arquivos nas Secretarias para saber o volume, áreas destinadas, documentos… Era bem descritivo, para desenvolver a atividade fomos divididos em duplas. Isso foi bom porque conhecemos a estrutura do Estado. Algumas pessoas nos recebiam bem, outras não… Em cada lugar tínhamos que explicar o que era arquivista, o que íamos fazer… Apesar de ter sido encaminhado ofício antes, informando sobre o diagnóstico, nem todos tiveram conhecimento.

     Nessa época nem mesa de trabalho tínhamos, utilizávamos uma sala de reunião para debater com os colegas o andamento do trabalho… Ao concluirmos o levantamento, voltamos para o Arquivo e aí, o que fazer? Não havia muito planejamento… Houve relotações e alguns arquivistas foram para o interior… Pensou-se em elaborar uma tabela de temporalidade única, mas o levantamento não tinha informações suficientes, depois de um tempo abortamos essa ideia. De qualquer forma ele teve resultado porque os órgãos passaram a ter conhecimento de que no Arquivo Público havia arquivistas e nós conhecemos a estrutura do Estado.

    Observamos que a organização do acervo tinha falhas e concluímos que talvez fosse necessário “trabalhar” o Arquivo, precisávamos organizar a casa antes de vender trabalho externo. Fomos divididos em equipes de acordo com o perfil, como precisávamos de local de trabalho, passamos a ter salas dentro do acervo! Fazíamos o levantamento dos acervos para qualificar os instrumentos de pesquisa e atendíamos as Secretarias de acordo com a demanda, com a elaboração de planos de classificação e tabelas de temporalidade individuais. Percebemos que não era porque tinha um Decreto instituindo o SIARQ/RS que ele iria ser implementado.

    Elaboramos um estudo administrativo da história das Secretarias que resultou em uma publicação interna nomeada “Os sete governos”, a qual originou o livro “Fontes para a história administrativa do Rio Grande do Sul” publicado em 2006. Foi um trabalho de bastante pesquisa, a ideia era que contribuísse para a elaboração de instrumentos futuros.

     O período da reforma dos prédios do Arquivo e a saída da Junta Comercial agitou um pouco o dia a dia… Tomamos posse do prédio III. Bah, isso foi uma qualidade para nosso trabalho! Porque era um problema de identidade, trabalhávamos no Arquivo Público, endereço Riachuelo “2° portão”, em referência ao portão da garagem!

    Outro fato foi delimitar o espaço entre o Arquivo e os usuários. Eles iam ao acervo, faziam buscas, pegavam o que queriam, atendiam aos usuários no lugar dos atendentes, tínhamos que pedir licença… Era tudo muito amador. Tinha-se o entendimento de que o Arquivo era um arquivo intermediário, um cartório em decorrência do fornecimento de certidões. Essa mudança de imagem é fruto do nosso trabalho enquanto arquivistas. Por isso o receio de retrocesso quando notamos algumas atitudes.

    Considero que a criação do Sistema AAP, em termos de conhecimento da teoria arquivística, foi um dos projetos que mais me exigiu. Esse projeto consistiu em uma tratativa da direção do Arquivo com a PROCERGS. Tínhamos reuniões quase semanais, precisávamos delimitar o que queríamos e eles entenderem isso. O sistema foi planejado, tem falhas, mas atende as nossas necessidades e permite melhorias. Senti muita satisfação em ver o resultado!

     Também criamos a tabela de temporalidade única. Um divisor de águas! Elaboramos um levantamento através das competências dos órgãos direcionado para as funções, constituindo-se em um trabalho bem consistente com a Comissão de Avaliação. Ao concluirmos, queríamos publicar por Decreto, mas a proposta não foi bem aceita e ficou um ano parado até ser publicado por Instrução Normativa pela SARH em 2008.

    Desde 2004 estou na chefia da DIPEP, aceitei o cargo porque julgo que tinha legitimidade e sou dedicada. Não tive preparação para ser gestora, minha formação acadêmica foi bastante tecnicista e enquanto servidora participei de algumas capacitações isoladas. Considero-me boa servidora pública, não boa gestora. Conheço o Arquivo, tenho minimamente uma noção do que é ser servidor público, do que é bom ou não para o Arquivo… Sou responsável, sei que tenho de cumprir as tarefas e trabalhar.

     Até 2004 a DIPEP era dividida por funções, tínhamos equipe de descrição, avaliação, preservação e quem trabalhava com avaliação também acompanhava o SIARQ/RS. Depois disto houve a divisão por atividades e todos atendiam as demandas do SIARQ/RS. Hoje não há tanta definição, por isso eu digo que não sou uma boa gestora… Tem momentos que todos nos concentramos nas mesmas atividades, estagnando outras… Não tem muito planejamento… Nesse sentido podemos dizer que as atividades de rotina do Arquivo muitas vezes não recebem incentivo, mas projetos eventuais sim, e de certa forma o Arquivo ganha!

     Por um tempo criou-se o mito que eu tinha de falar em público, mas isso é porque nunca me neguei, sou participativa, quando tem que ir a reuniões sempre vou… Isso fez com que ficasse mais conhecida, quando trabalhávamos nos grupos setoriais do SIARQ/RS o pessoal me via e já falava “Tu de novo!”, mas era numa boa! E quando dizem que tenho boa memória é porque participo, contextualizo as situações, retendo as informações…

     Sou satisfeita enquanto arquivista. Tenho mais satisfação de fazer, por isso digo que sou boa servidora pública… Não é a função que me leva a ser o que eu sou. Dos meus 20 anos de Casa destaco a elaboração e implantação do sistema AAP como momento marcante. Foi quando me senti mais arquivista, fui exigida teoricamente… Os mínimos avanços do SIARQ/RS também são uma satisfação.

     Paralelo ao Arquivo, desde a segunda diretoria da AARS sempre ocupei algum cargo. Nunca quis ser presidente nem vice, mas já passei por todos os outros! No meu tempo livre gosto de sair, me divertir! Vou ao cinema, teatro, shows… Beber com os amigos… Gosto de caminhar… Sou colorada, gosto de ir ao Beira Rio!

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