Projeto AfricaNoArquivo é divulgado pelo Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra (PRDCN)

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     No final do mês de setembro o Projeto AfricaNoArquivo recebeu uma divulgação especial: um vídeo feito pela professora Carla Lopes, atuante na área de História, Arquivologia e Gestão da Informação, professora de História e coordenadora pedagógica da rede pública estadual de ensino no Rio de Janeiro, criadora e coordenadora do Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra (PRDCN). O PRDCN é uma experiência metodológica de implementação da Lei 10.639/03 e um observatório de práticas pedagógicas em Educação para as Relações Étnico-raciais.

     O vídeo foi produzido a partir de uma viagem a Porto Alegre, na qual a prof.ª Carla pode conhecer o Arquivo Histórico e o Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Assim, ela comenta sobre a publicação “RS Negro: cartografias sobre a produção do conhecimento”, organizada em parceria entre o AHRS e a PUC-RS, e sobre uma série de projetos com os quais tomou contato no APERS, desenvolvidos no âmbito da difusão de acervos e da Educação Patrimonial, relacionados à história da escravização e da luta por liberdade no Rio Grande do Sul, numa perspectiva antirracista.

     Carla fala da caixa pedagógica AfricaNoArquivo, conectando-a com as demais ações desenvolvidas pelo Arquivo Público, que destacam as contribuições de negras e negros na formação história e social do RS, como os Catálogos de Documentos da Escravidão e a oficina Os Tesouros da Família Arquivo. A professora referencia a qualidade do material e evidencia o importante papel que as instituições arquivísticas têm, como lugares de memórias, no acesso à informação, na produção e difusão de conhecimentos, e na efetivação da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas públicas do Brasil. Assista ao vídeo abaixo, ou neste link:

     Agradecemos a visita, o reconhecimento, e mais essa oportunidade de divulgar um trabalho que vem sendo feito com muita convicção e carinho pela equipe do APERS.

O APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato V

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Nesta semana, disponibilizamos o último relato de Nôva Brando sobre o curso realizado no Arquivo Público de São Paulo. Nas últimas quartas-feiras, foram apresentadas reflexões a respeito das Unidades I e II do curso, Arquivos Públicos e Patrimônio Documental, da Unidade III, Ensino de História e Sequências Didáticas, da Unidade IV, Documentos Iconográficos e Cartográficos como recurso pedagógico e da Unidade V, Documentos Textuais como recurso pedagógico. Nessa quarta feira, no relato da Unidade VI, vamos saber um pouco mais sobre Periódicos como Recurso Pedagógico.

Jornal- Recurso Pedagógico

Segundo Nôva:

Quem nunca utilizou uma matéria/reportagem/conteúdo de jornal como recurso pedagógico, atire a primeira pedra?! Começo esse relato com essa pergunta-afirmação como forma de explicitar a dimensão da importância que teve essa unidade do curso. De fato, todos aqueles que já trabalharam ou trabalho com educação escolar, utilizaram-se, em algum momento, de produtos construídos pela imprensa escrita para construírem dinâmicas de trabalho em sala de aula. E para discutirmos, mais profundamente, o uso desse complexo instrumento de comunicação, transformado em fonte de pesquisa para historiadores, professores e alunos, foi-nos proposto a leitura do texto Na oficina do historiador: conversas sobre história e imprensa de Heloisa de Faria Cruz e Ensino de História com o uso de jornais: construindo olhares investigativos de Raquel França dos Santos Ferreira, e a construção de uma sequência didática a partir da seleção de uma temática de reportagens de periódicos.

No artigo de Heloisa, deparamo-nos com a problematização do uso que os historiadores fazem da imprensa como fonte de pesquisa e da discussão de procedimentos teórico-metodológicos para o tratamento dessa tipologia documental. Para ela, habilidades em lidar criticamente com ela, vem ganhando terreno nos espaços de formação dos professores-pesquisadores. Nessa leitura, também encontramos a sugestão de um roteiro e de procedimentos capazes de auxiliar na articulação da análise de qualquer jornal com o campo das lutas sociais no interior das relações no qual foi constituído. Conforme ela, um roteiro para análise da Imprensa Periódica deveria conter quatro itens: (1) Identificação do Periódico (título, subtítulo, datas-limites da publicação, periodicidade); (2) Projeto Gráfico (organização e distribuição dos conteúdos); (3) Produção e Distribuição; e (4) Projeto Editorial (movimentação e posicionamento político). Adverte por fim que “também na área da História, no ensino e na investigação sobre os mais variados temas e problemáticas, a utilização de materiais da imprensa hoje está cada vez mais generalizada. E sem dúvida, tais usos nos distanciam de um tempo em que a imprensa era considerada como fonte suspeita, a ser usada com cautela, pois apresentava problemas de credibilidade. Nestas últimas décadas perdemos definitivamente a inocência e incorporamos a perspectiva de que todo documento, e não só a imprensa, é também monumento, remetendo ao campo de subjetividade e da intencionalidade com a qual devemos lidar”.

Ferreira, por outro lado, a partir da seleção de atividade pedagógicas com jornais, realiza uma reflexão sobre a forma com tem percebido certa “marginalização” da utilização desse recurso, o qual ela entende como ferramenta potencializadora de aprendizagens. Nele, a autora apresenta algumas dinâmicas realizadas no Colégio Estadual Nilo Peçanha, na cidade de São Gonçalo. Detalhadamente, entramos em contato com a organização e o desenvolvimento do trabalho, dividido por ela em contextualização, contraste/comparação e retorno. Todos os trabalhos, conforme Raquel, visavam “aliar a leitura de jornais a sua utilização em aulas de História do Ensino Médio como forma potencializadora da aprendizagem da disciplina, em especial, com referência a temas do Brasil na História do Tempo Presente”. Ainda nesse texto, avalia a experiência de forma muito positiva em vários aspectos, dentre eles: “a possibilidade da integração entre disciplinas […] e a compreensão de os acontecimentos são sucessivos e simultâneos a outros, ajudando a consolidar entre os alunos a noção de tempo histórico”.

Essa foi nossa última unidade, depois disso passamos a trabalhar na construção do trabalho de conclusão do curso – a elaboração de uma sequência didática na qual fossem utilizados diversos tipos de fontes no curso trabalhados.

A sequência pedagógica elaborada pela historiadora do APERS será compartilhada aqui no Blog assim que for publicada no site do Arquivo Público de São Paulo. O registro das bibliografias completas utilizadas na unidade VI do curso pode ser acessado aqui.

O APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato IV

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Nesta semana, disponibilizamos o quarto relato de Nôva Brando sobre o curso realizado no Arquivo Público de São Paulo. Nas últimas quartas-feiras, foi apresentado aos leitores do Blog do Arquivo, reflexões a respeito das Unidades I e II do curso, que trataram sobre Arquivos Públicos e Patrimônio Documental, da Unidade III onde foi abordada a temática Ensino de História e Sequências Didáticas e da Unidade IV na qual esteve presente considerações sobre a utilização de Documentos Iconográficos e Cartográficos como recurso pedagógico. Nessa quarta-feira, no relato da Unidade V, teremos algumas considerações acerca do tema Documentos Textuais como Recursos Pedagógicos.

Seguimos com as impressões da historiadora Nôva:

     Acredito que essa tenha sido uma das unidades mais importantes do curso realizado no APESP. Ainda que as aulas de história tenham englobado em seus materiais didáticos pedagógicos diversificadas tipologias documentais nas últimas décadas, não temos como negar que o documento escrito e o texto ainda são matérias-primas essenciais e, na maior parte do tempo, ainda protagonistas no trabalho cotidiano de sala de aula. Isso quer dizer, por um lado, que a leitura e a escrita permanecem sendo condição e resultado de aprendizagens significativas no âmbito da história e quer dizer, por outro, que as abordagens em torno da leitura e da escrita também sofreram modificações no percurso histórico pelo qual passou o currículo e a disciplina de história. Para discutirmos a unidade assistimos o vídeo As palavras e a sala de aula e lemos dois textos, A escrita como condição para o ensino e a aprendizagem de história de Helenice Rocha e Estratégias de leitura e competência leitora: contribuições para a prática de ensino em História de Vânia Silva.

Documentos Textuais 2

     No texto de Helenice, entramos em contato com um dos problemas que afetam boa parte das salas de aula da Educação Básica, sobretudo as públicas – o insuficiente domínio da leitura e da escrita. Segundo a autora, isso refletiria diretamente no ensino-aprendizagem da disciplina de história, pautada na leitura e na escrita, cujo programa de aula é construído pelo professor a partir das expectativas acerca desse domínio pelos alunos. Dessa avaliação, alguns professores recorreriam as famosas cópias ao perceberem as fragilidades na formação da turma, que conforme Rocha não ensinam nem a ler nem a escrever. Por outro lado, existiriam professores que apostariam na produção do texto como objeto de reflexão daqueles que possuiriam condições de continuar aprendendo a ler e escrever. Ainda daquilo que considerei bem importante nesse texto, foi o apontamento de que a leitura e a escrita da história, assim como de qualquer área, requerem um tipo específico de letramento relacionado com elementos próprios do campo de conhecimento e que o papel do professor seria auxiliar “o aluno em sua formação histórica, a partir de uma racionalidade mais ou menos letrada, oral ou escrita”.

     Vânia defendeu que o trabalho com a linguagem, oral e escrita, não deve ficar reduzido às aulas de português. Segundo ela, ler é construir significados e cada campo do conhecimento os elabora de formas diferentes. Para Silva, é importante que o professor esteja atento a necessidade de sempre encontrar um bom objetivo para a leitura de um material e ao mesmo tempo propiciar a compreensão, por parte dos alunos, da importância daquela atividade. Nesse caso: “orientar a leitura dos alunos de modo sistemático pode representar uma valiosa contribuição para melhorar o seu desempenho”.

     Além dos textos, assistimos um vídeo produzido pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Professores de São Paulo, As palavras e a sala de aula (acessar preferencialmente pelo navegador Internet Explorer).

http://media.rededosaber.sp.gov.br/Portal_efap/2011/PEB_INGRESSANTES_II/HISTORIA/HISTORIA_MOD_04_FICCAO_PALAVRAS_E_SALA_DE_AULA.wmv

     A partir de um diálogo estabelecido em uma sala de professores, entre professores, a respeito de futebol, o vídeo nos aproximou de um elemento importante que compõem aquilo que chamamos de capacidade leitora, seja de um documento escrito ou seja de um discurso compartilhado oralmente: o contexto impresso nas palavras. Tomando como ponto inicial um relato sobre futebol e sobre a possibilidade do time de um dos professores sair da Primeira Divisão ou da Série A e ir para a Segunda Divisão, foi mencionado uma palavra repleta de contexto: a Segundona. Percebemos que trata-se de uma palavra conhecida para aqueles que acompanham campeonatos de futebol, o que não era o caso do outro professor envolvido na conversa. Para ele, tal palavra era vazia de significado, embora soubesse escreve-la ou lê-la, caso fosse solicitado. Desse simples diálogo, percebemos o quanto é necessário desnaturalizar a compreensão das palavras, dos textos escritos e falados e investir na compreensão de que os significados dos diferentes conteúdos precisam ser construídos. Para o conhecimento histórico, em específico, o documento escrito pode contribuir muito!

    E como forma de encerrar essa unidade, foi proposta uma atividade na qual deveríamos propor uma breve sequência didática a partir de um documento disponibilizado pelo APESP. Escolhi um texto sobre transporte ferroviário e propus a seguinte atividade (clique para acessar o PDF): Das ferrovias para as rodovias – o desenvolvimento do transporte em nosso país.

O registro das bibliografias completas utilizadas no quarto módulo do curso pode ser acessado aqui. Indicamos também a visita a Exposição Virtual do APESP – Ferrovias Paulistas (clique para acessar). Na próxima semana, vamos saber o aconteceu na Unidade VI – Periódicos como Recurso Pedagógico.

O APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato III

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Nesta semana, publicamos o terceiro relato de Nôva Brando sobre o curso realizado no Arquivo Público de São Paulo. Nas últimas quartas-feiras, foi apresentado aos leitores do Blog do Arquivo, reflexões a respeito das Unidades I e II do curso, que trataram sobre Arquivos Públicos e Patrimônio Documental, e da Unidade III na qual foi abordado a temática Ensino de História e Sequências Didáticas. Hoje, no relato da Unidade IV, encontraremos impressões acerca do tema Documentos Iconográficos e Cartográficos como Recurso Pedagógico.

Iconografia e Cartografia

Seguimos com o relato:

Esse foi um momento bastante interessante do curso. Se na unidade anterior pensamos na organização das práticas de ensino-aprendizagens cotidianos por meio da elaboração de sequências didáticas, nessa unidade pensamos na utilização daquilo que considero como documentos de potencial riquíssimo para o trabalho em sala de aula: mapas e fotografias. Para discutirmos as possibilidades pedagógicas a partir da transformação desses documentos em fontes históricas, lemos dois textos, assistimos um vídeo e realizamos tarefas a partir da análise de dois mapas do estado de São Paulo disponíveis na Exposição Oeste Paulista do APESP.

Na tese de doutorado de Daniela Marzola Fialho, Cidades visíveis: para uma história da cartografia como documento de identidade urbana, defendida no ano de 2010 no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entramos em contato com discussões sobre cartografia. Em seu trabalho, a autora abordou questões como a história da cartografia, a história dos significados e das diferentes interpretações cartográficas, a cartografia como representação relacionada ao imaginário, à identidade, à memória e ao esquecimento e o lugar que ela ocupa na produção das identidades e das subjetivações de determinados espaços. Essas problematizações foram propostas a partir do prisma dos mapas da cidade de Porto Alegre. Conforme Castro, autor mencionado pela autora: “através da história, mapas foram produzidos em diversas sociedades. Egípcios, chineses, astecas e nativos da Polinésia fizeram mapas que variavam em simbolismo, escala e materiais, com diferentes propósitos. Cada uma dessas tradições cartográficas representava a cultura da sociedade onde se originou. Nem sempre os mapas foram um produto do empirismo geográfico, tal como nosso senso comum os imagina.” Dessa forma, Daniela parte do pressuposto de que um mapa é uma construção social do mundo expressa pela cartografia, imagens que devem ser analisadas na sua especificidade, texto que permite ser lido, discurso que deve ser interpretado, produtor de identidade que pretendeu re-tratarum determinado espaço. Em suas palavras, “como representação do mundo, é uma construção imaginária (da realidade), mas que tem o poder não só de orientar o olhar e a percepção (do real) como também de criar a paisagem urbana que representa”.

Depois das discussões em torno da utilização de mapas em sala de aula, que ganharam um contorno para muito além de um instrumento de localização ou mera figura ilustrativa de determinados conteúdos, passamos a debater questões que dizem respeito à iconografia, mais especificamente a um tipo específico de imagem, a fotografia. Para realizá-las, assistimos o vídeo A arte de retratar a história – Caçadores de Alma, veiculado pela TV Brasil.

Por meio dele, entramos em contato com fragmentos da história da fotografia a partir de depoimentos e fotografias de Alberto Dinis, Américo Vermelho, Bob Wolfenson, Boris Kossoy, Cássio Vasconcellos, Evandro Teixeira, German Lorca, Jorge Araújo, José de Souza Martins, Kitty Paranaguá, Luiz Achutti, Maria Helena Machado, Maurício Vicente Ferreira Jr., Orlandro Brito, Vânia Toledo e Vladimir. Desde as imagens e as falas, o vídeo despertou-nos questionamentos sobre o valor da fotografia enquanto documento e a sua intencionalidade em deixar documentado para o futuro determinada situação, fato, pessoa, paisagem através de um olhar. Uma espécie de resistência da memória que registra um mundo que no instante seguinte não mais existirá para ser fotografado novamente.

Além do vídeo, lemos o texto de Ana Maria Mauad, Através da imagem: fotografia e história interfaces, no qual abordou o uso da fotografia no processo de construção do conhecimento histórico. Para isso, salientou a importância da compreensão histórica da fotografia “como uma mensagem que se elabora através do tempo, tanto como imagem/monumento quanto como imagem/documento”.

De certa forma, assim como nos debates sobre a utilização de mapas como instrumentos pedagógicos, nas discussões sobre a utilização de fotografias também foram levantados as mesmas preocupações quanto à subestimação de suas potencialidades. Para que isso não ocorra, entretanto, esses elementos apontados, mostraram-se pertinentes para serem desenvolvido também nas salas de aula. Em outras palavras, as dimensões históricas tanto dos mapas quanto das fotografias são elementos de abordagem indispensáveis junto aos alunos, da mesma forma que para eles seja fundamental a compreensão de que tanto um quanto o outro são formas de representação e de significação do mundo. São bem mais complexos que meras ilustrações despropositadas, mas para isso precisam ser questionados em sua historicidade.

Uma bom exemplo das potencialidades do trabalho pedagógico a partir de lentes cartográficas e iconográficas pode ser encontrado na exposição virtual, Oeste Paulista (para visualizar, clique aqui) produzida núcleo de difusão do Arquivo Público de São Paulo.

O registro das bibliografias completas utilizadas no quarto módulo do curso pode ser acessado aqui. Na próxima semana, vamos saber o aconteceu na Unidade V – Documentos Textuais como recurso pedagógico.

O APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato II

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Na semana passada, iniciamos uma série de relatos sobre curso realizado no Arquivo Público de São Paulo pela historiadora do APERS, Nôva Brando. Depois do Relato I, no qual foi apresentado aos leitores do Blog do Arquivo, algumas impressões sobre a Unidade I e II Arquivos Públicos e Patrimônio Documental, hoje publicamos o Relato II que tratará da Unidade III do Curso, Ensino de História e Sequências Didáticas.

Sequências Didáticas

Segundo Nôva:

Depois de entrarmos em contato com alguns conhecimentos arquivísticos como, por exemplo, a importância da gestão documental e as funções de um arquivo público, e com discussões em torno da relação dos arquivos com aquilo que hoje compreendemos como patrimônio documental, iniciamos nossa caminhada rumo à sala de aula da Educação Básica, conforme a proposta do curso.

Para a terceira unidade do programa, Ensino de História e Sequência Didática, os professores do curso nos solicitaram três leituras. A primeira delas foi um artigo publicado pela Revista Brasileira de História chamado A Guerra das narrativas, escrito por Christian Laville. A partir dele, discutimos aquilo que se esperou historicamente do ensino de história tomando como ponto inicial experiências nas quais ele foi utilizado ou para manter a ordem estabelecida, ou para reconstituir Estados, ou para lutar contra o Estado ou mesmo para definir uma identidade supranacional. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, segundo o autor, a função de educação para a cidadania democrática se pretendeu vencedora acerca das guerras de narrativas provocadas pelo ensino de história, deslocando uma pedagogia da história centrada no ensino para uma pedagogia da história centrada nas aprendizagens dos alunos. Entretanto, ainda que teoricamente o ensino de história deixasse de responder pela função de uma instrução nacional, permaneceu sendo acusado de não cumprir exigências de conteúdos que remetiam para tal pressuposto. E isto estaria ligado àquilo que o autor chamou de uma ilusão que remetia a possibilidade de que a narrativa histórica vivenciadas nas salas de aulas carregasse consigo grandes poderes. E por conta desse paradoxo, a importância da afirmação de que a tarefa do ensino de história é “formar indivíduos autônomos e críticos e levá-los a desenvolver as capacidades intelectuais e afetivas adequadas, fazendo com que trabalhem com conteúdos históricos abertos e variados e não com conteúdos fechados e determinados, como ainda são com frequência as narrativas que provocam disputas. Senão, essas guerras de narrativas desencadeadas em todo o mundo vão acabar gerando somente perdedores, tanto no que diz respeito a identidade nacional quanto em relação à vida democrática”.

Os debates continuaram com a leitura de um texto de Helenice Rocha, Problematizando a organização do ensino de História. Nele a aula torna-se objeto central, como “uma forma de organização do ensino na escola, envolvendo um planejamento como também a própria realização e consequente avaliação”. Como uma forma possível de organização, a autora defende a proposta de uma Sequência Didática Problematizadora na qual o professor e o aluno realizam atividades interdependentes que se constituem como passos da aula ou de um conjunto de aulas. Lembrou-nos que um dos apontamentos feito pelos professores, que questionam a viabilidade de uma Sequência Didática em meio a uma carga horária reduzida de disciplina de história. Em resposta a isso, advertiu-nos da tendência equivocada de montar uma sequência incluindo todo o conteúdo de um determinado período histórico levada a cabo por muitos professores que descaracterizam a ideia inicial. Conforme a autora residiria nesse ponto a agência do professor e do aluno enquanto sujeitos ativos da construção histórica inclusive da disciplina de história e que para tanto, seria necessário tomar para si a responsabilidade da seleção e dos recortes necessários de uma tradição existente no ensino, construindo com isso novas possibilidades de aprendizagem e uma nova tradição, por que não.

Foi da leitura desses dois textos que entramos no universo da sala de aula, ainda que, sem os usos de documentos de arquivo. De uma certa forma, assim penso, foram importantes para discutirmos organização e intencionalidade curriculares e para percebermos que são históricas e que portanto, cabe ao professor a sua desnaturalização e (re)construção sempre que isso for necessário à qualificação do ensino e das aulas de história, especificamente. Na próxima unidade iremos ao encontro dos documentos de arquivo.

O registro das bibliografias completas utilizadas no terceiro módulo do curso pode ser acessado aqui. Na próxima semana, Nôva nos contará um pouco mais sobre a Unidade IV – Documentos Iconográficos e cartográficos como recurso pedagógico.

APERS na Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula do APESP: Relato I

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A partir de hoje até o dia 24 de dezembro, o Blog do APERS contará com uma série de cinco relatos da historiadora Nôva Brando acerca do curso realizado no Arquivo Público de São Paulo. O curso, conforme o relato geral da semana anterior, foi dividido em seis unidades. Hoje, serão relatados os aprendizados e experiências vividos a partir da temática Arquivos Públicos e Patrimônio Histórico Documental.

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Seguimos, então, com o relato de Nôva:

     Na unidade I, Arquivos Públicos: Histórico e Funções Atuais, trabalhamos com noções básicas de Arquivologia a partir da Lei 8.159 de 1991, que dispôs sobre a Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados. Para isso, assistimos o video Arquivologia: Conceituação e Finalidades do Arquivo. Sobre seu conteúdos, foram abordadas questões sobre conceito de arquivo e sobre suas finalidades, tais como guarda, preservação e acesso à documentação. Também assistimos os vídeos produzidos pelo APESP, Gestão Documental e Acesso à Informação e Lei de Acesso à Informação. A partir deles, discutimos o papel que o Arquivo de São Paulo passou a desempenhar, a partir da regulamentação da Lei de Acesso no Estado de São Paulo. Nesse caso, uma das suas principais atribuições, assim como de vários outros arquivos do país, passou a ser de tornar acessível toda e qualquer documentação sob sua custódia que não esteja classificada como sigilosa.

     Como atividade de encerramento dessa unidade, foi-nos solicitado a leitura de dois textos e a realização de um questionário sobre o seus conteúdos. O primeiro deles, escrito pela arquivista Heloísa Bellotto, Da administração à história: ciclo vital dos documentos e função arquivística, fundamentou noções importantes da arquivologia, levantou questões conceituais ligadas as três idades dos documentos, compreendidas dentro da lógica de um ciclo vital. Conhecemos um pouco das características dos documentos que passam por uma ou pelas três idades, a dos arquivos correntes, dos intermediários e dos permanentes e como nelas atuam (ou não) as tabelas de temporalidade. Já no texto das historiadoras do APESP, Andresa Barbosa e Haike da Silva, Difusão em Arquivos: Definição, políticas e implementação de projetos no Arquivo Público do Estado de São Paulo, foram abordadas questões a partir daquilo que foi identificado pelas autoras como atividades ligadas, conceitual e estruturalmente, à difusão em arquivos. Seguno elas, a ação editorial e a ação educativa, meios pelos quais a sociedade conhece o patrimônio documental, “devem ser colocadas em primeiro plano nas políticas institucionais dos arquivos, como parte de uma relação de interdependência entre recolhimento, custodia, preservação e gestão documental”.

     Na unidade II, Patrimônio Histórico-Documental, três foram as leituras que guiaram os fóruns e atividades de avaliação propostos aos alunos. O texto de Ferrarezi e Romão, Arquivo, documento e memória na concepção discursiva, levantou a possibilidade de uma leitura à luz da teoria do discurso para visitar a noção de arquivo. Segundo as autoras, para além do lugar científico já consolidado, seria possível um diálogo com a concepção da análise do discurso que considere os sujeitos, os discursos, as memórias e a ideologia como elementos fundantes desses espaços. No final do artigo, elas seguem com considerações que julgamos muito pertinentes de serem discutidas pelos profissionais de arquivo: “a primeira delas e a de que os arquivos são vistos não como um recorte da realidade, mas como resusltado de injunções ideológicas que direcionariam a construção de uma ordem formada por certos documentos e não por outros, o que implica considerar que essa ordem foi produzida sócio-historicamente. Essa assertiva combina com a nossa segunda consideração, tão cara à teoria do discurso: a que de, ao dizer, o sujeito sempre cala algo, assim, um arquivo ordenado de uma maneira, crivado por uma sequência de documentos, mobilizador de certas fontes, fixador de um modo de dizer sobre um tema, sempre silencia outra ordenação, outros modos possíveis de dizer e outras fontes .[…] a terceira consideração: a necessidade de interpretar os processos de produção, constituição e circulação dos sentidos […]”.

     Já na leitura de Eloisa Caimi, Fontes históricas na sala de aula: uma possibilidade de produção de conhecimento histórico escolar, assim como na leitura de Andresa e Haike, pudemos seguir na aproximação com a escola. A autora trabalhou com a incorporação e a utilização de fontes históricas nas aulas de história e suas repercussões nos debates acadêmicos, enquanto possibilidades de instrumentalizarem a produção de conhecimentos históricos na Educação Básica. Essa problematização ocorreu por meio da análise de manuais escolares antigos e livros didáticos atuais, bem como nas políticas públicas como PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) e PNLD (Plano Nacional do Livro Didático). Ainda nessa unidade, trabalhamos com o clássico texto Documento/Monumento de Le Goff, no qual o autor problematiza o documento a partir de uma analogia entre ele e o monumento. Dentre as considerações importantes, Le Goff adverte que o documento tal como o monumento possui uma história e que todos que com ele trabalham devem conhecê-la; lembra também, que assim como um monumento, sua produção foi intencional e que cabe àqueles que hoje a analisam descobrirem quais foram os objetivos que a caracterizaram. E, ainda, apontamos que assim como sobre o monumento, sobre o documento é necessário lançarmos olhares questionadores mais que olhares contemplativos.

     Como tudo, um pequeno recorte daquilo que tive oportunidade de aprender nesses dois primeiros módulos do curso.

O registro das bibliografias completas utilizadas nos dois primeiros módulos do curso pode ser acessado aqui. Na próxima semana, Nôva nos contará um pouco mais sobre a Unidade III – Ensino de História e Sequências Didáticas.

O APERS marcou presença na Oficina “O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula” do APESP

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Ação Educativa APESPA segunda edição do ano de 2014 da Oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula promovido pelo Núcleo de Ação Educativa do Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) aconteceu entre os dias 26 de agosto e 10 de novembro na modalidade EAD. E Nôva Brando, historiadora do APERS, acompanhada de professores e profissionais ligados a instituições de guarda e preservação da memória de diversos estados do Brasil, participou de todas as etapas e atividades propostas no programa do curso. Ao todo foram 60 horas de curso, das quais 48 horas na modalidade de ensino a distância e 12 horas na modalidade presencial. Seguem alguns relatos de Nôva:

“O curso foi dividido em sete unidades, trabalhadas na modalidade à distância, e dois encontros presenciais. O primeiro deles aconteceu no início de setembro. Nele tivemos a oportunidade de conhecer as diversas atividades realizadas pelo APESP, desde os Centros que fazem parte do Departamento de Gestão do Sistema de Arquivos do Estado de São Paulo até os Centros que formam o Departamento de Preservação e Difusão de Acervo. Compõem o segundo, o Centro de Acervo Permanente, de Acervo Iconográfico e Cartográfico, de Preservação e de Difusão e Apoio à Pesquisa, ao qual está subordinado o Núcleo de Ação Educativa. Durante essa visita monitorada, conversamos com diversos profissionais ligadas a cada um desses centros.”

“Seguiram-se a isso, dois meses de trabalho via Moodle, plataforma de ensino utilizada como ferramenta para a efetivação das atividades de muitos cursos a distância. Em média, cada uma das sete unidades foram trabalhadas em um período de uma semana. Na primeira unidade, Arquivos Públicos: histórico e funções atuais, trabalhamos com noções básicas de arquivologia: conceitos, finalidade de um arquivo, gestão documental, difusão documental e acesso à informação. Na unidade dois, Patrimônio histórico-documental, discutimos muito o conceito e compreensão do que seja um documento, sua relação com a memória e com o ensino de História. Depois disso, na terceira unidade, Ensino de História e Sequências Didáticas, problematizamos a organização do ensino de história e seu potencial em meio a uma guerra de narrativas. Na quarta unidade, Documentos Iconográficos e cartográfico como recurso pedagógico, foram trabalhadas as possibilidades de trabalho a partir da fotografia e da cartografia e suas contribuições para discussões sobre identidade, por exemplo. Na sequência, na quinta unidade, Documentos Textuais como Recurso Pedagógico, importantes questões foram abordadas, tais como o entendimento da escrita e da competência leitora como condição para o ensino e a aprendizagem da história. Na sexta unidade, Periódicos como Recurso Pedagógico, nos debruçamos sobre o trabalho com a imprensa escrita e a sua contribuição na formação de olhares investigativos tão necessários ao processo de ensino-aprendizagem.” Nas próximas semanas, a servidora elaborará textos individuais sobre os trabalhos desenvolvidos em cada uma das unidades mencionadas.

Por fim, como proposta de fechamento da Oficina, os cursistas passaram a trabalhar com a Elaboração de uma Sequência Didática, que funcionou como um trabalho de conclusão, no qual puderam abordar uma série de conhecimentos construídos no decorrer dos dois meses de leituras e de realização de atividades. Assim, no segundo encontro presencial em novembro, foram apresentadas as Sequências Didáticas.

Nessa oportunidade, os cursistas apresentaram propostas de trabalho didático com documentos de arquivo, em formato de sequência didática. Dentre as temáticas abordadas, foram compartilhadas propostas sobre a Anistia, a Imigração, o Oeste Paulista e as Ferrovias, Propaganda, Revolução Constitucionalista de 1932, a Segunda Guerra Mundial e sobre o Rio Tietê. A historiadora do Arquivo, considerando a trajetória do APERS de fomento a atividades internas e externas relativas ao período da Ditadura, elaborou uma sequência didática a partir de documentos custodiados pelo APESP sobre a Anistia de 1979, que será divulgada aqui no Blog, assim que for publicada pelo Arquivo Público de São Paulo.

Parte da Equipe do Centro de Difusão e NôvaFoi também durante os dois encontros que Nôva Brando pode conhecer um pouco mais das Ações Educativas desenvolvidas pelo APESP ao ser convidada a participar de uma reunião com os servidores do Centro de Difusão e Apoio à Pesquisa da Instituição. A coordenadora do Núcleo de Ação Educativa, Andresa Barbosa, elaborou uma apresentação na qual foi mencionada cada uma das ações desenvolvidas: A sala de aula no Arquivo, Ateliê Infantil, Visita Monitorada, Conhecendo o DEOPS/SP, Oficina Pedagógica, O Professor no Arquivo, atividades que atendem desde crianças da educação infantil até o professor da Educação Básica.

Nôva também apresentou, em outra oportunidade, as Ações Educativas desenvolvidas pelo APERS. Nesse momento estiveram presentes vários servidores do Centro de Difusão e Apoio à Pesquisa do APESP, além de funcionários do Arquivo Histórico de São Paulo, do Arquivo Nacional, de arquivos de outras cidades do interior de SP, para citar alguns.

Foram mencionados os eventos e os cursos diversos promovidos ou apoiados pelo APERS e, sobretudo, apresentados o Programa de Educação Patrimonial UFRGS&APERS, o Projeto ÁfricaNoArquivo e o Projeto APERS? Presente, professor!. Segundo relata a historiadora Nôva, “a percepção foi de que as atividades desenvolvidas tanto pelo APERS quanto pelo APESP em muito se assemelham na medida em que ocupam papel indispensável de aproximação e apropriação da comunidade em relação a instituição”.

Além das aprendizagens mais pontuais, relativas à participação da historiadora na oficina O(s) Uso(s) de Documentos de Arquivo na Sala de Aula, o Arquivo Público do RS vislumbra muitas possibilidades de qualificação das atividades que desenvolve a partir de momentos de troca como caracterizaram as aulas acompanhadas e os encontros vividos no Arquivo Público de São Paulo.

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