Ação Educativa e Consciência Negra no APERS #NovembroNegro

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Damos sequência às nossas postagens que ficaram pendentes em relação ao ano de 2019, iniciando pelo último texto da série em celebração ao #NovembroNegro.

Desde 2009 o Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS oferece, entre outras, a oficina Os Tesouros da Família Arquivo, construída a partir de diferentes tipos documentais produzidos no contexto da escravidão no Brasil e salvaguardados por nossa instituição. A oficina busca nomear e reconhecer a ação de mulheres e homens a quem o cativeiro foi imposto, mas que resistiram de formas diversas e lutaram por liberdade. A partir de um testamento e um processo-crime, alguns inventários, registros de compra e venda e cartas de liberdade, entramos em contato a história de Maria, senhora de “mais ou menos 90 anos” que foi capturada na região do Congo no final do século XVIII; com o Pancho, menino uruguaio de 12 anos que nasceu livre mas foi sequestrado na banda oriental e vendido ilegalmente como escravo em uma colônia de imigrantes; com a Jacinta e o Vicente, pais do Fortunato, uma família sendo tratada como bens. Falamos de possibilidades de trabalho e sociabilidade em grandes plantéis rurais ou em pequenas manufaturas urbanas, da formação de famílias, de formas diversas de resistência.

A seguir compartilhamos pequenos vídeos gravados por estudantes da EMEF Nossa Senhora de Fátima (bairro Bom Jesus/Porto Alegre) comentando sua participação na referida oficina. Eles estiveram conosco no dia 12 de novembro, trazidos pelo professor Bruno Xavier Silveira:

 

 

 

Essa ação, pensada em 2008 com inspiração no trabalho de descrição arquivística que deu origem aos Catálogos de Documentos da Escravidão, transformou-se em uma importante atividade de difusão do acervo e de ação educativa que, por sua vez, inspirou o desenvolvimento do projeto “AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil”. A partir desse último, com recursos captados em edital do IBRAM, distribuímos caixas pedagógicas como doação para escolas levando um pouco de nosso acervo para dentro das salas de aula, promovendo discussões a respeito das conexões entre África e Brasil a partir da diáspora e sobre as marcas da escravização em nossa sociedade. Aqui, compartilhamos alguns registros de estudantes utilizando a caixa AfricaNoArquivo na EMEF Osório Ramos Correa, de Gravataí, sob orientação da professora Jane Rocha de Mattos, e na EEEF Imperatriz Leopoldina, de Porto Alegre, com a professora Isadora Librenza:

Oficina e caixa pedagógica, entre outras diversas atividades como cursos e eventos promovidos pelo Arquivo Público com essa temática, são afirmações de nosso potencial enquanto lugar de memória negra, enquanto lugar que se presta à produção de conhecimento engajado no combate às desigualdades e ao racismo.

Para informações sobre as ações educativas desenvolvidas pelo APERS, entrar em contato pelo e-mail acaoeducativa@planejamento.rs.gov.br.

Oficinas de Educação Patrimonial – Outubro 2019

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Ao longo do mês de outubro realizamos 17 oficinas a partir do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS. Confira as turmas que estiveram conosco:

  • 02/10: Iniciamos o mês de outubro com a realização da oficina “Tesouros da Família Arquivo” durante o evento “Questões para a História Negra do RS”, recebendo um público diverso, entre estudantes de graduação e pós-graduação, professores e ativistas sociais. Para ver as fotos do evento, clique aqui.
  • 04/10: Acompanhados pela professora Daniela Scheffers, as e os estudantes da turma 203, 2° ano do Colégio Estadual Inácio Montanha, estiveram no Arquivo Público em uma manhã de sexta-feira para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”. Para ver fotos, clique aqui.
  • 08/10: Em uma manhã de terça-feira, as e os alunos do 2º ano do Colégio Estadual Inácio Montanha, vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pela professora Denise Marques. Para ver fotos, clique aqui.
  • 09/10: Durante uma manhã de quarta-feira, os estudantes de 9° ano da EEEM Oscar Pereira estiveram no APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pela professora Adriana Costa. Para ver fotos, clique aqui.
  • 10/10: Acompanhados pelo professor Rodrigo Souza dos Santos, estudantes do 8° ano da EMEF Pepita Leão foram recebidos no Arquivo Público em uma manhã de quinta-feira para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”. Para ver fotos, clique aqui.
  • 10/10: Durante uma tarde de quinta-feira, os alunos da EEEM Ceará vieram ao APERS para participar da oficina “Desvendando o Arquivo Público: Relações de Gênero na História”, acompanhados pela professora Adriana Costa. Para ver fotos, clique aqui.
  • 11/10: Em uma tarde de sexta-feira as e os estudantes do 6° ano da EEEM Oscar Pereira estiveram no Arquivo Público para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Jaqueline Fraga. Para ver fotos, clique aqui.
  • 15/10: Em uma manhã chuvosa de terça-feira, as alunas e alunos do 6° ano do Colégio Romano Senhor Bom Jesus vieram ao APERS para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Maria Eduarda Carvalho. Para ver fotos, clique aqui.
  • 16/10: Durante a manhã de quarta-feira, os estudantes do 3° ano do Ensino Médio da Fundação Bradesco de Gravataí, vieram visitar o Arquivo Público para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Diego Scherer. Para ver fotos, clique aqui.
  • 17/10: Nem o temporal daquela sexta-feira de manhã foi suficiente para impedir que as e os alunos do 2° ano do Colégio Estadual Inácio Montanha viessem ao APERS. Acompanhados pela professora Raquel Braun, elas e eles vieram participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”. Para ver fotos, clique aqui.
  • 22/10: Na manhã de 22/10 a equipe do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS deslocou-se até a Unisinos para ofertar a oficina “Desvendando o Arquivo Público: relações de gênero na história” dentro da programação do VII Ofícios de Clio, evento promovido pelo GT Acervos, da ANPUH-RS. Para ver fotos, clique aqui.
  • 23/10: Durante a manhã de quarta-feira, estudantes do 3° ano do Ensino Médio da Fundação Bradesco de Gravataí, vieram ao APERS para participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, acompanhados pelo professor Diego Scherer. Para ver fotos, clique aqui.
  • 24/10: Na tarde de quinta-feira, o APERS recebeu a visita de mais uma turma do 3° ano do Ensino Médio da Fundação Bradesco de Gravataí que, acompanhados pelo professor Diego Scherer, vieram participar da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”. Para ver fotos, clique aqui.
  • 25/10: Pela manhã de sexta-feira, as e os estudantes do 6° ano do Colégio Romano São Mateus, vieram ao Arquivo Público para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Karen Cerutti. Para ver fotos, clique aqui.
  • 29/10: Durante a manhã de terça-feira as e os estudantes de 6° ano do Colégio Romano Santa Maria vieram ao APERS para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pelo professor Alessandro Maldonado. Para ver fotos, clique aqui.
  • 31/10: Na manhã de quinta-feira, estudantes da turma 163 do 6° ano do Colégio Romano Senhor Bom Jesus vieram ao Arquivo Público para participar da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo”, acompanhados pela professora Eduarda Carvalho. Para ver fotos, clique aqui.
  • 31/10: Na noite de 31/10, quinta-feira, estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da EEEF Cândido Portinari estiveram no APERS para vivenciar a oficina Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos, acompanhados pela professora Adriana Quadros. Para ver fotos, clique aqui.

Para saber mais a respeito das oficinas e demais ações desenvolvidas no âmbito do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, clique aqui. Contate-nos pelo e-mail acaoeducativa@planejamento.rs.gov.br.

Ação Educativa em Arquivos IX: serviço educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo

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Torre do TomboRetomando nossa série de postagens sobre ação educativa em arquivos, hoje abordamos as atividades desenvolvidas pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, localizado na cidade portuguesa de Lisboa, instituição importantíssima para pesquisadores do mundo inteiro, que abriga acervo milenar e, em muitos aspectos, intimamente relacionado à história do Brasil e dos demais países que foram colônias portuguesas.

Sua data de criação é incerta, e remonta ao século XIV. A mais antiga certidão expedida é de 1378. Desde então até o ano de 1755 funcionou como Arquivo do rei e dos seus vassalos, da administração do reino e das possessões ultramarinas, servindo à administração régia, emitindo certidões e franqueando a consulta a poucos pesquisadores. Apenas no século XIX as atribuições do Arquivo alargaram-se à formação de funcionários e ao ensino da Diplomática, em um processo que pouco a pouco trouxe a compreensão contemporânea do Arquivo como instituição voltada à sociedade.

Hoje, como um dos arquivos de âmbito nacional da rede portuguesa de arquivos, é subordinado à Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, serviço central da administração direta do Estado português, que por sua vez é integrado à Secretaria de Estado da Cultura. Tem investido em sua difusão por meio do Serviço Educativo, compreendido como uma necessidade para fazer valer os dispositivos legais que reconhecem o papel sócio cultural dos arquivos e do patrimônio por eles salvaguardados, conforme podemos acompanhar através do artigo “Conhecer e visitar: o Serviço Educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo”, de Maria de Lurdes Henriques.

Em um cenário marcado pela visão de que os arquivos seriam instituições eminentemente voltadas a apoiar a administração pública e atender a demanda de pesquisadores, nos quais pouco ou nenhum espaço sobraria para a educação. Maria de Lurdes enfatiza o esforço que fora empreendido nos últimos 10 anos, até mesmo entre os profissionais da área, para convencer sobre a necessidade de ir além das visitas tradicionalmente oferecidas ao público interessado em conhecer o Arquivo, passando a assumir uma postura pró ativa no campo da educação para a cidadania, buscando atrair novos públicos e atuando de forma articulada às escolas, afinal, somente é possível valorizar e divulgar aquilo que se conhece.

No caso português, o ainda jovem Serviço Educativo passou a oferecer “visitas temáticas apoiadas em textos didáctico-pedagógicos, complementados por documentos seleccionados, que poderão ser visualizados em diferentes suportes, do original ao digital”. São abordados temas como as origens e evolução da Língua Portuguesa; literatura e censura literária; formação e evolução do Estado Português; minorias étnicas e religiosas, entre muitos outros.

Guardar-memorias_abrir-caminhosO primeiro produto editado e publicado pelo Serviço como material de apoio voltado a um público amplo, especialmente de professores e estudantes, foi o “Guia jovem: Guardar memórias… Abrir caminhos…”, distribuído gratuitamente em todas as bibliotecas escolares. Igualmente, passou-se a criar e produzir exposições e mostras documentais, como polo dinamizador para as visitas e a interação com o público, já que estas permitem abordagens diversificadas, com a construção de diálogos que dependem muito dos saberes e interesses trazidos pelos visitantes.

No mesmo sentido, o Arquivo assinou protocolo de colaboração entre a Direcção Geral de Arquivos e a Direcção Geral do Desenvolvimento e Inovação Curricular, por meio do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, que coordena mais de 2 mil bibliotecas escolares, tendo como objetivo a sensibilização dos professores responsáveis pelas bibliotecas para as potencialidades pedagógicas e para a relevância dos recursos de informação disponíveis nos arquivos. Se as experiências cotidianas demonstravam que os professores muitas vezes não consideravam os arquivos como locais a visitar, tal como seriam bibliotecas, museus, monumentos ou sítios arqueológicos, o importante seria cativar e demonstrar o contrário. Esta proximidade com os professores tem sido valorizada em cada ação, especialmente no planejamento, construção e realização das visitas, pensadas de acordo com o perfil e os interesses dos grupos, em diálogo desde o agendamento, passando pela troca de materiais preparatórios, até a visita em si.

Maria de Lurdes também registra que a dedicação da instituição à digitalização de documentos contribuiu para a efetivação do Serviço Educativo, ao viabilizar a ampliação do acesso sem prejudicar a conservação dos originais.

Conhecer um pouco mais sobre as experiências portuguesas, em um país ibérico onde a arquivística é bastante desenvolvida, nos dá mais fôlego para seguir a diante na consolidação de nosso próprio serviço educativo, demonstrando que estamos na direção correta!

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Referência:

HENRIQUES, Maria de Lurdes. Conhecer e visitar: o Serviço Educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. ALA, n.27, 2012: 7° SIAT. Disponível em http://docplayer.com.br/4894782-Conhecer-e-visitar-o-servico-educativo-do-arquivo-nacional-da-torre-do-tombo.html, acesso em 24 mai 2016.

Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS 2016: escolas contempladas

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2016.01.20 para Regulamento PEP 2016

Hoje compartilhamos a lista das escolas contempladas para participação no Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS em 2016, conforme o regulamento anteriormente divulgado. Confira a lista das escolas a seguir:

1 – Escola Estadual Fernando Gomes (Porto Alegre)
2 – Colégio Estadual Augusto Meyer (Guaíba)
3 – Escola Municipal de Ensino Fundamental Aramy Silva (Porto Alegre)
4 – Escola Estadual de Ensino Fundamental Érico Veríssimo (Porto Alegre)
5 – Escola Estadual de Ensino Fundamental Planalto Canoense (Canoas)
6 – Colégio Estadual Paraná (Porto Alegre)
7 – Colégio Romano Senhor Bom Jesus (Porto Alegre)
8 – Colégio Romano São Mateus (Porto Alegre)
9 – Colégio Romano Santa Marta (Porto Alegre
10 – Escola Municipal de Ensino Fundamental Wenceslau Fontoura (Porto Alegre)
11 – Escola Municipal de Educação Básica Alberto Santos Dumont (Sapucaia do Sul)
12 – Escola Municipal de Ensino Fundamental Justino Camboim (EJA) (Sapucaia do Sul)
13 – Escola Municipal de Ensino Fundamental Justino Camboim (Sapucaia do Sul)
14 – Escola Municipal de Educação Básica João de Barro (Sapucaia do Sul)
15 – Colégio de Aplicação da UFRGS (Porto Alegre)
16* – Escola Municipal de Ensino Fundamental Anisio Teixeira (Porto Alegre)
17* – Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Ferreira de Abreu (Porto Alegre)
18* – Escola Estadual de Ensino Médio Rafaela Remião (Porto Alegre)
19* – Escola Estadual de Ensino Médio Baltazar de Oliveira Garcia (Porto Alegre)
20* – Escola Municipal de Ensino Fundamental Pedro Vicente (Viamão)
21* – Escola Estadual de Ensino Fundamental Vila Cruzeiro do Sul (Porto Alegre)
22* – Escola Técnica Estadual Frederico G. Schmidt (São Leopoldo)
23* – Escola Municipal de Ensino Fundamental São Pedro (Porto Alegre)
24* – Escola Municipal de Ensino Fundamental Jerônimo Porto (Viamão)
25* – Escola Estadual Padre Nunes (Gravataí)
26* – Escola Estadual de Ensino Municipal Polisinos (São Leopoldo)
27* – Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Oswaldo Aranha (Porto Alegre)
28* – Escola Municipal de Ensino Fundamental Herbert José de Souza (Alvorada)

 * Inicialmente prevíamos inscrever até 15 escolas, mas devido à grande procura e interesse, estamos adaptando nossa agenda para acolher o maior número de escolas e turmas possíveis! Entretanto, a partir da 16ª (décima sexta) escola inscrita, de acordo com a ordem de recebimento da documentação, não está garantido o agendamento para todas as oficinas solicitadas. A quantidade e datas por escola serão definidas através de contato telefônico nos próximos dias.

Dúvidas podem ser elucidadas pelo e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br.

Agradecemos a participação de todas e todos!

Regulamento PEP 2016: divulgação do resultado final sairá apenas na próxima semana

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2016.01.20 para Regulamento PEP 2016

    Conforme divulgamos amplamente através do Regulamento PEP 2016, acabou nesta segunda-feira, dia 21 de março, o prazo para envio da documentação necessária à seleção das escolas que serão atendidas este ano nas oficinas realizadas pelo Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS (PEP).

    O regulamento previa que hoje, 23 de março, seria divulgada a lista das escolas contempladas, e que entre os dias 24 e 30 de março entraríamos em contato por telefone com cada uma delas para agendar as datas de oficinas. Entretanto, devido a grande procura que tivemos, informamos que o prazo para divulgação da lista final será estendido até o dia 30/03. Esperávamos ser procurados por cerca de 15 escolas, mas recebemos inscrição de 27, o que torna necessário mais tempo para organizar os documentos recebidos e tentar contemplar o maior número de escolas, professores e estudantes na agenda anual.

   Neste sentido, informamos também que não haverá prorrogação das inscrições. Contamos com a compreensão de todas e todos. Estejam atentos às notícias do blog, já que ao longo do ano divulgaremos outras ações oferecidas pelo PEP, como o curso de formação para professores.

Participe das ações do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS em 2016!

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2016.01.20 para Regulamento PEP 2016

Nosso Programa de Educação Patrimonial está entrando em seu oitavo ano de atividades. A cada novo período buscamos inovar e qualificar os serviços prestados. Nesse sentido, e no intuito de estreitar os laços entre escolas, Universidade e Arquivo, aprofundando os processos de ensino-aprendizagem a partir do patrimônio cultural vinculado ao ensino de História e à arquivística, no ano de 2016 a participação das turmas nas oficinas de Educação Patrimonial oferecidas nas dependências do APERS será compreendida como parte de um projeto, orientado pelo PEP em contato com professores e coordenações pedagógicas das escolas, desenvolvido ao longo do ano letivo de 2016, e norteado pelo Regulamento PEP 2016. Clique aqui para acessá-lo.

Pedimos ampla divulgação do regulamento, pois todos os agendamentos de oficinas para o ano serão feitos a partir dele.

Professora e professor, leia atentamente, divulgue entre sua rede de contatos, converse com colegas na Escola, e já insiram a participação no Programa em seu plano de ensino para o ano, prevendo as etapas desenhadas pelo regulamento: preparação das turmas antes da vinda à oficina, vivência das oficinas no APERS (com transporte oferecido pelo PEP), e aprofundamento da discussão sobre educação a partir do patrimônio em sala de aula, que resultará em um produto a ser exposto na Mostra PEP de Final de Ano, na primeira semana de dezembro de 2016.

Os “produtos” poderão ser textos, poesias, fotografias, maquetes, peças teatrais, fanzines, ou tudo aquilo que as(os) estudantes possam criar a partir do contato com o patrimônio salvaguardado pelo Arquivo Público, com o conhecimento construído a partir da participação no Programa, e pela reflexão a respeito dos bens culturais de nossa sociedade, do bairro, da comunidade escolar. Todas as atividades são gratuitas e poderão ser orientadas pela equipe do PEP, composta por servidores, professores, estagiários e bolsistas da UFRGS e do APERS.

Conforme regulamento, as inscrições das escolas interessadas em participar serão recebidas até o dia 21 de março de 2016, através do e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br. Dúvidas poderão ser elucidadas pelo mesmo endereço, ou do telefone (51) 3288-9117. Estamos empolgados com as possibilidades que se abrem em 2016, e desejamos contar também com a empolgação de professores(as), coordenações pedagógicas, direções, pais e estudantes! Participem!

Relatórios 2015 – DIDOC: Ações educativas e culturais

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O Arquivo Público do Rio Grande do Sul possui uma série de atividades na Área de Ação Educativa, sobretudo as vinculadas ao Programa de Educação Patrimonial, consolidadas e reconhecidas pelas mais diversas instituições ligadas à educação. De modo geral, quase todas as atividades são desenvolvidas dentro da própria instituição. Na intenção de darmos continuidade e estendermos essa aproximação, elaboramos o projeto APERS? Presente, Professor? Propostas Pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas que pretendeu levar um pouco do Arquivo Público até a escola, a partir da construção de propostas pedagógicas que tiveram como ponto de partida os documentos custodiados pela instituição. O objetivo caracterizou-se pela disponibilização virtual de atividades que pudessem ser desenvolvidas pelos professores nas salas de aula da educação básica.

Logo Laranja

Para a segunda edição do projeto APERS? Presente, Professor? Propostas Pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas, foram construídas propostas de trabalho para a sala de aula com fontes arquivísticas, a partir do eixo temático História e Direitos Humanos. Essas propostas foram disponibilizadas, no formato PDF, no Blog do Arquivo, com os seguintes objetivos:

  • Contribuir, a partir de mais uma ação dentro da perspectiva da Difusão Cultural e das Ações Educativas, para a divulgação dos acervos do Arquivo e das suas potencialidades;
  • Contribuir para o uso de fontes arquivísticas no trabalho pedagógico desenvolvidas nas escolas de Educação Básica;
  • Fomentar discussões, no âmbito dos processos de ensino-aprendizagem, em torno dos Direitos Humanos a partir de uma perspectiva histórica.
  • Divulgar e incentivar a utilização, tanto para pesquisa quanto para o ensino, de documentos tais como os processos administrativos de indenização, inventários e processos-crime do período da escravidão, de processos de desquites e divórcios, de processos administrativos da Secretaria da Justiça, dentre outros que trabalhados.

Até o dia 28 de novembro, foram produzidas 6 propostas pedagógicas, com em média, 36 páginas cada uma. Desde o início da segunda edição até a metade do mês de dezembro as propostas pedagógicas tiveram cerca de 108 visualizações no Blog Institucional.

Com o encerramento dessa segunda edição do projeto, ocorrerá a publicação de uma coletânea em volume único, contendo as seis propostas. Praticamente finalizada, o arquivo aguarda apenas ficha catalográfica e ajustes finais de formatação. Para o ano de 2016 está prevista a publicação da coletânea no mês de fevereiro e a interrupção da produção de novas propostas pedagógicas. Nesse caso, não haverá uma IIIª edição para o próximo ano, uma vez que a historiadora responsável pelo projeto se dedicará a outras atividades na instituição. De qualquer forma, permanece no horizonte da Divisão de Documentação a possibilidade de publicação das propostas elaboradas nas duas edições. Para isso, a equipe da Divisão estará atenta aos editais e possibilidades de captação de recursos para esse fim.

Outra atividade que demandou atenção das equipes da Divisão de Documentação foi a elaboração do projeto piloto Estágio Curricular para o Curso de História. O Estágio Curricular em História é um dos serviços educativos oferecido pelo APERS. Caracteriza-se por uma série de atividades destinadas ao cumprimento de estágio curricular obrigatório ou para horas complementares exigidas para integralização dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em História. Objetiva oportunizar aos graduandos dos cursos de história vivências relacionados aos fazeres dos historiadores em instituições arquivísticas. No projeto-piloto foram previstas a apresentação da instituição e dos processos de trabalho realizados por sua equipe, em especial a equipe de historiadoras do APERS; observação participativa de atividades realizadas por historiadores; prática monitorada de atividades previamente selecionadas pela equipe responsável pela supervisão do estágio.

O Estágio Curricular objetivou oportunizar aos graduandos dos cursos de História vivências relacionadas aos fazeres dos historiadores em instituições arquivísticas. Seis alunos do Curso de História da FAPA concluíram o estágio que contou com uma carga horária de 30 horas. Para o ano de 2016 foram planejadas as seguintes atividades: seminário sobre instituições de guarda de acervos e seus profissionais, e estágio curricular.

CaixaPedagogicaAinda entre as ações educativas, merece destaque o projeto AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil. Ele foi desenvolvido ao longo de 2014 a partir de recursos captados junto ao Prêmio Pontos de Memória 2012, do IBRAM (conforme registrado na aba “Projetos Patrocinados”). Em 2015 centramos o trabalho na finalização da montagem de 700 caixas pedagógicas, na distribuição das mesmas, e na divulgação dessa ação. Intencionávamos realizar parceria com a Secretaria Estadual de Educação para o processo de distribuição em todas as escolas de Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Viamão, conforme previsto originalmente no projeto aprovado pelo IBRAM. No entanto, como esta parceria não se efetivou, a entrega das caixas às escolas tornou-se mais morosa, exigindo que um responsável de cada instituição venha até o APERS retirar o material. Assim, após enviarmos e-mails para as Coordenadorias Regionais e Secretarias Municipais e divulgarmos em nossas mídias sociais, decidimos ampliar o público-alvo a partir do segundo semestre de 2015, passando a atender todas as escolas públicas que manifestem interesse em receber a caixa.

Ao longo deste percurso contamos com o auxílio da equipe do Departamento de Transporte da SMARH, que em diversos turnos cedeu um carro da Central de Veículos, com motorista, para visitar escolas de Canoas e Gravataí entregando as caixas. O motorista viajou sempre acompanhado por Davi dos Santos, estagiário que faz parte de nossa equipe de Ação Educativa. Registramos e agradecemos também o apoio da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (ATEMPA), que abriu espaço em seu IV Encontro de Educadores, realizado em outubro de 2015, para que pudéssemos entregar o material aos professores da rede municipal de Porto Alegre.

Até dezembro de 2015 foram distribuídas cerca de 400 unidades. Ainda temos um grande número de exemplares para fazer chegar aos estudantes e professores em 2016! Se você é professor(a), estudantes, ou membro de alguma comunidade escolar, comente sobre o projeto. Pergunte se a escola já recebeu o material, e caso haja interesse, entre em contato conosco através do e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br, ou do fone (51)3288-9117.

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O Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS (PEP), realizado nesta parceria institucional desde 2009, teve novidades, desafios e conquistas em 2015. Graças aos recursos captados através da UFRGS pelo Edital ProEXT, Programa de Extensão Universitária do MEC, ao empenho da equipe e a acolhida que o Arquivo dá ao público recebido em suas dependências, foi possível manter a realização das oficinas de Educação Patrimonial, do curso de formação para professores e da capacitação de oficineiros, entre outras atividades. Os recursos viabilizaram a contratação de transporte para o deslocamento das turmas até o Arquivo, e de bolsistas, que junto aos estagiários do APERS atuaram como oficineiros com ao público escolar, assim como a produção de um livro e de um folder do PEP.

Ao longo do ano foram ministradas 85 oficinas, atendendo um total de 1.769 estudantes. Foram 48 oficinas Os Tesouros da Família Arquivo (para 6º e 7º ano), 24 oficinas Resistência em Arquivo (para o Ensino Médio), e 13 oficinas Desvendando o Arquivo Público: historiador por um dia (para 8º e 9º ano). Se compararmos ao número de oficinas realizadas em 2014 entre abril e dezembro (128), aparentemente tivemos um desempenho menor, entretanto, 2015 foi palco de uma atividade bastante importante e enriquecedora: a reformulação da oficina Tesouros, a primeira criada pelo PEP, construída a partir de documentos relacionados ao contexto da escravidão no Rio Grande do Sul. Dedicamos boa parte do primeiro semestre a esta reformulação, em paralelo ao desenvolvimento da 5ª edição do curso de formação para professores. Nossa equipe participou dos encontros do curso – também voltado à temática da escravidão e da luta por liberdade –, desenvolveu pesquisa no acervo para selecionar documentos que abordassem os contextos e conceitos desejados, fez a digitalização, transcrição, reprodução e plastificação dos mesmos, criou materiais de apoio, pintou as novas caixas em MDF utilizadas na dinâmica… Tudo preparado com carinho entre março e junho, quando retomamos o recebimento das turmas, seguindo com oficinas entre junho e o começo de dezembro.

A nova  Tesouros está mais densa, focada na análise e problematização de documentos que ajudam a conhecer melhor a trajetória de mulheres e homens outrora escravizados, que resistiram no cotidiano por uma vida melhor. Os estudantes entram em contato com quatro diferentes tipos de carta de liberdade; com um testamento de um liberto que fazia parte da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário; com um processo criminal em que uma criança negra, livre, de 11 anos foi sequestrada no Uruguai e escravizada ilegalmente aqui; com três inventários que demonstram diferentes estruturas de posse de escravizados, suas idades, afazeres e contexto social no qual estavam inseridos; e com a história do casal Ana e Manoel, contada a partir de um registro de compra e venda, de uma carta de liberdade e de um registro de casamento. Esse destaque dado à oficina Tesouros em 2015 explica a quantidade bem maior de práticas dela frente as demais: para testar o novo modelo, entre os meses de junho e julho agendamos apenas esta oficina, retomando as outras duas em agosto.

Quanto ao já mencionado curso de formação para professores, intitulado Educação Patrimonial e Cidadania: história da escravidão e da liberdade no RS, foi realizado entre os meses de abril e junho, em 10 encontros nas manhãs de sábado. Foram capacitados 38 professores, que concluíram as horas necessárias para o recebimento do certificado, além de duas servidoras do IPHAE e 11 estagiários e bolsistas da equipe do PEP. Para mais informações, veja o relatório do curso.

Devido à programação diferenciada, a capacitação de oficineiros também ocorreu de forma distinta no 1º semestre. Foi possível receber três estudantes da disciplina de Estágio de Docência III – Educação Patrimonial, do curso de Licenciatura em História da UFRGS, que se incluíram no processo de reformulação da oficina, participando de alguns dos encontros do curso de formação, realizando visita ao conjunto arquitetônico do APERS, construindo materiais didáticos para a oficina Tesouros em parceria com a equipe do PEP, e finalmente realizando quatro práticas dessa oficina. No 2º semestre voltamos à capacitação em seu formato habitual, com 12 encontros, sendo quatro de aproximação com as oficinas e sua base teórica, dois de observação, e seis de práticas. Neste semestre foram capacitados 11 oficineiros.

Em 2015 também participamos de eventos promovendo a difusão do PEP:

  • No encontro Dos Ofícios de Clio V: Patrimônio e Diversidade Cultural, promovido pelo GT Acervos/ANPUH-RS, a historiadora Clarissa Sommer apresentou a comunicação intitulada “Oficina Os Tesouros da Família Arquivo e Caixa Pedagógica AfricaNoArquivo: ações educativas no Arquivo Público do Estado do RS e patrimônio negro”;
  • No XXVIII Simpósio Nacional de História da ANPUH-Brasil as professoras Carla Simone Rodeghero (UFRGS) e Claudira Cardoso (FAPA e IFRS) apresentaram a comunicação “O arquivo como espaço de ensino: experiências de educação patrimonial na parceria UFRGS-APERS”;
  • A oficina Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos foi apresentada na UNIVATES por Andressa Malhão, Clarissa Sommer, Deise Freitas e Nôva Brando, como parte da programação do IV Simpósio Internacional Diálogos na Contemporaneidade e Semana Acadêmica do Centro de Ciências Humanas e Sociais;
  • No XVI Salão de Extensão da UFRGS, Andressa Malhão e João Victor Câmara apresentaram a comunicação “Educação patrimonial e formação de professores: escravidão, liberdade e emancipação como demanda escolar”;
  • No XI Salão de Ensino da UFRGS foi a vez de Amanda Ciarlo e Guilherme Lauterbach apresentarem “De Patacho a Panxo: o uso de processos crime em oficinas de educação patrimonial sobre escravidão e liberdade”.

Como mencionado anteriormente, também produzimos o livro “PEP em revista: O Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS”, pensado em formato de revista, bastante ilustrado e dinâmico, que conta a história do PEP de 2009 até meados de 2015. O material está pronto, aguardando envio à Gráfica da UFRGS para impressão, e será lançado em seguida. Já o folder do PEP, produzido este ano, está impresso! Confira:

Fechamos o balanço de um ano tão produtivo agradecendo a participação de cada uma e cada um que colaborou de alguma forma para esta construção tão coletiva: estudantes de graduação e de cada escola, professores da Educação Básica, professores das Universidades, equipe PEP… Que 2016 seja ainda melhor!

Neste sentido, aproveitamos para informar que em 2016 o agendamento de oficinas será organizado a partir de um regulamento, que será publicado aqui no blog na próxima quarta. O principal objetivo é estreitar os laços com as escolas, fazendo com que as atividades de educação patrimonial extrapolem a vivência das oficinas no espaço do Arquivo, sendo aprofundadas na comunidade escolar. Informações pelo e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br. Até breve!

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Balanço 2015 do APERS

Relatórios 2015 – DIDOC: Divulga APERS

Ação Educativa em Arquivos VIII: serviço educativo no “The National Archives”, do Reino Unido

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Chegamos ao último texto do ano na série Ação Educativa em Arquivos, que abordará as experiências do The National Archives, ou Arquivos Nacionais do Reino Unido. Suas ações são bastante complexas, densas e bem estruturadas, certamente interessantes para motivar uma reflexão qualificada a respeito do potencial e do papel educativos dos arquivos públicos.

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Ele é responsável pela documentação do Reino Unido, composto pelos países da ilha da Grã-Bretanha – Inglaterra, Escócia e País de Gales – e a Irlanda do Norte. Interessante notar que é uma instituição jovem, fundada em 2003 a partir da fusão de quatro organizações: o Public Record Office, criado em 1838 para ocupar-se dos arquivos de governo produzidos pela Inglaterra, País de Gales e Reino Unido; a Royal Commission on Historical Munuscrip, comissão criada em 1869 pelo poder real para identificar a localização e conteúdos de registros privados de interesse à história do Reino; o Her Majesty’s Stationery Office, que desde 1786 era responsável pelos documentos e publicações oficiais de autoria da Coroa e do Parlamento; e o Office of Public Sector Information, criado em 2005 por diretiva da União Europeia, para tratar e utilizar as informações reproduzidas e recolhidas pelo setor público do âmbito da UE.

Esta diversidade e amplitude faz com que o The National Archives reivindique o posto de maior arquivo organizado do mundo, detentor de documentos que permitem a análise de mais de 1.000 anos de história, desde a ocupação daquele território insular até a atualidade, passando pelo “tombo feudal”, pelas obras de Shakespeare até chegar nos recentes documentos desclassificados e disponibilizados ao público pelos governos do Reino Unido. A fundação contemporânea da instituição se deu a partir de uma concepção moderna de arquivo, enquanto espaço vivo, acessível, responsável pela gestão de documentos públicos, mas especialmente amplamente conectado e voltado à comunidade. Uma breve navegação pelo site da instituição evidencia isso: um programa consolidado voltado ao atendimento de professores e estudantes, instrumentos de pesquisa descomplicados, serviço de atendimento especial e personalizado aos pesquisadores, de todas as áreas, faixas etárias e níveis de formação – desde estudantes das escolas até pós-graduandos.

Obviamente não é possível comparar diretamente a realidade dessa instituição com a do APERS, ou com outros arquivos públicos brasileiros. É um universo bastante diverso do nosso, não só por ser uma instituição de caráter nacional, enquanto nos colocamos em uma posição estadual, mas também por questões históricas, econômicas e políticas. No processo de desenvolvimento da Revolução Industrial o Reino Unido constituiu-se enquanto a maior potência mundial imperialista, cuja riqueza permitiu alto grau de desenvolvimento econômico e social – em grande parte às custas da exploração de outras regiões do planeta – e onde a educação e o acesso à cultura puderam efetivar-se em outro patamar. Entretanto, reconhecendo tais diferenças ou desigualdades, nada impede que nos inspiremos com o trabalho desenvolvido por lá, sempre buscando aprofundar as relações entre sociedade e arquivo!

Nesse sentido, é um prazer navegar pela sessão “Education”, em destaque no portal institucional. Seria inviável desenvolver qualquer análise mais aprofundada de cada proposta, pois são muitas, então nosso principal objetivo, mais uma vez, é incentivar que nossas leitoras e leitores sintam vontade de navegar por lá também! Podemos encontrar uma grande variedade de ações educativas:

  • Longa série de propostas pedagógicas para uso em sala de aula, disponíveis para baixar, tratando de temáticas diversas e sobre todos os períodos históricos contemplados no acervo da instituição. Em geral, em cada uma delas são disponibilizados textos introdutórios, documentos digitalizados com suas respectivas transcrições, e propostas de questões para análise. Também há conteúdos maiores, ou mais aprofundados, voltados aos professores, para que possam preparar suas aulas a partir de uma gama de documentos e conhecimentos – podemos comparar com as propostas pedagógicas de nosso projeto “APERS? Presente, professores!“;
  • Workshops, ou oficinas, que podem ser agendadas para turmas escolares nas dependências do Arquivo, oportunizando o trabalho a partir de documentos originais – também podem ser comparadas com as oficinas oferecidas a partir de nosso Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS (PEP);
TNA 6 Workshops

Página de acesso às oficinas oferecidas pelo Arquivo.

  • Videoconferências, que também podem ser agendadas para “levar” os arquivos até as escolas. Nessas atividades um profissional do setor educativo apresenta a instituição, seus serviços, espaços e acervos, em uma visita virtual interativa;
Conhecendo as opções de videoconferências.

Conhecendo as opções de videoconferências.

  • Virtual classrooms, ou aulas virtuais, em que um educador do Arquivo interage com as turmas apresentando, analisando e debatendo contextos históricos e documentos que são disponibilizados em alta resolução através de um ambiente virtual;
  • Professional development, ou programa de desenvolvimento profissional voltado para professores. Nesta área, são oferecidas atividades e formações que tem como foco oportunizar que eles tenham acesso aos fundos e coleções do Arquivo, e desenvolvam suas próprias pesquisas e planos de ensino a partir deles – neste tópico, também é justo destacar os cursos de formação para professores oferecidos anualmente através do PEP. O programa realiza encontros de treinamento para grupos de professores mediante agendamento; desenvolve propostas pedagógicas em parceria entre a equipe de educação do Arquivo e pesquisadores universitários; mantém um curso de formação online, Making History: Using archives in classroom, em que compartilham com professores sua experiência com a utilização de fontes arquivísticas nas salas de aulas; e realizam anualmente um curso de formação, sempre em parceria com universidades, sobre o qual cabe dizer algumas palavras a mais.

Chamou-nos a atenção a última proposta de formação de professores mencionada, por buscar desenvolver algo que nos parece central: a habilidade de manuseio, leitura, interpretação e produção de conhecimento em parceria entre professores da educação básica, educadores do arquivo e professores universitários. O curso desenvolve-se a partir de palestras, atividades práticas, encontros no Arquivo e na sede da Universidade parceria, e tem como principal resultado a produção de pesquisa voltada ao ensino de história a partir de documentos arquivísticos, com a apresentação de novas propostas pedagógicas criadas pelos professores, que são publicadas pelo The National Archives. Certamente é um avanço em um longo e necessário caminho que visa desconstruir abismos ou hierarquias entre professores acadêmicos, professores da educação básica, e profissionais das instituições de memória. Muitas vezes ainda percebemos o acadêmico como aquele que produz e detém conhecimento, os professores do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio como aqueles que vão “traduzir” para uma linguagem “simples” o conhecimento produzido pelos primeiros, e os historiadores, arquivistas de demais profissionais de arquivo como técnicos que devem simplesmente organizar e dar acesso às fontes para que outros “pensem-nas”. Nessa perspectiva, deixamos de lado a importante compreensão de que o processo de ensino-aprendizagem exige e envolve complexa produção de conhecimento, assim como ocorre nos processos de gestão documental, descrição, difusão e educação em arquivos.

Encerramos as postagens de 2015 sobre ação educativa em arquivos, felizes por difundir esse caminho de valorização, tanto da educação quanto dos arquivos, e de todos os profissionais que podem ser responsáveis pela construção de uma sociedade mais informada, preparada, ciente de seus direitos e de sua história, capaz de se apropriar do patrimônio cultural que a cerca, de questioná-lo e preservá-lo. Que em 2016, apesar das crises que vivenciamos e que lutaremos para superar, possamos seguir abrindo caminhos nessa perspectiva por aqui.

Ação Educativa em Arquivos V: “mirando un vecino argentino!”

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00Nesta edição da categoria “Ação Educativa em Arquivos” vamos “mirar” as ações levadas a cabo pelo Archivo Provincial de la Memoria (APM) da Província de Córdoba, Argentina. A análise do trabalhos desses “hermanos”, vizinhos do Cone Sul, ajuda a perceber as possibilidades de compreensão e usos dos arquivos enquanto espaços educativos, nos fazendo refletir de maneira crítica sobre as práticas educativas do próprio APERS.

Criado através da Lei Provincial de la Memoria, nº 9286, este arquivo se localiza no prédio onde funcionava o antigo “Departamento de Inteligencia de la Policía de la Provincia de Córdoba”, conhecido como “D-2”, símbolo máximo da prática do terrorismo de Estado na região durante a ditadura militar argentina.

Fruto de experiências próprias do contexto argentino com sua história recente e com as marcas da ditadura militar, a criação do APM objetiva contribuir para manter viva a história contemporânea da Província, suas lições e legados às gerações presentes e futuras; prover os instrumentos necessários para a busca da verdade histórica, da justiça e da reparação social ante as graves violações de direitos humanos e liberdades fundamentais; fomentar o estudo, a investigação e a difusão da luta contra a impunidade e pelo respeito pleno aos direitos humanos e suas implicações nos planos legal, ético, político e institucional; preservar informações, testemunhos e documentos necessários para estudar as condições e consequências da repressão ilegal e do terrorismo de Estado; desenvolver métodos adequados para o recolhimento, gestão, acesso e difusão ao acervo do Arquivo, assim como criar instrumentos pedagógicos que contribuam para a manutenção das instituições democráticas e para tornar realidade o imperativo do “Nunca Mas”. Além disso, tem como prerrogativa preservar as instalações do edifício, que funcionou como centro clandestino de detenção e tortura, ressignificando o espaço e seus usos em uma perspectiva testemunhal, pedagógica e educativa.

A instituição insere-se nas normativas gerais do Conselho Internacional de Arquivos para documentos provenientes de sistemas repressivos. Nesse sentido, organizada a partir de “Áreas de Trabajo”, tem como funções obter, compilar, classificar, organizar e custodiar toda a documentação relacionada às violações de direitos humanos e à prática do terrorismo de Estado ocorridas na província de Córdoba; garantir o acesso a essa documentação a partir de solicitação simples de qualquer pessoa legitimamente interessada; e manter, a partir dos acervos obtidos, um museu e espaço de memória.

Frente a seus objetivos e funções junto à sociedade argentina, evidencia-se o papel pedagógico e educativo assumido pelo APM. Tomado enquanto espaço de memória, o arquivo é percebido como um território conquistado para o exercício coletivo de reflexão sobre o passado recente e sobre as tramas do presente que se vinculam à memória coletiva, à identidade e aos processos políticos de construção cotidiana da democracia. A partir da “Área Pedagogía de la Memoria” são oferecidos cursos de formação para estudantes e educadores, visitas, oficinas, materiais pedagógicos e atividades culturais diversas, que debatem o autoritarismo e as violações de direitos humanos a partir dos acervos, do edifício e das vivências trazidas por cada visitante.

Nos chamados “Encontros de Memórias”, três vezes por semana são recebidos grupos de crianças, jovens e professores, com agendamento prévio. As visitas, pensadas como processos ativos e reflexivos, que envolvam e estimulem a participação de todos como “sujeitos criadores e problematizadores da realidade”, não possuem um formato linear. São construídas a partir do contato prévio com os docentes de cada turma, em formato de oficina para um “aprender-fazendo de forma coletiva”.

A Área Pedagogía de la Memoria também produz materiais pedagógicos, como publicações impressas e audiovisuais, que buscam dar aporte a professores e estudantes para pensar os sítios de memória como ferramentas metodológicas em aula, e desenvolve ainda: a “Ronda de la Memória”, concebida como uma feira anual em que estudantes e professores compartilham experiências e produções realizadas ao longo do ano a partir do contato entre arquivo e escola; a “Ronda de la Lectura”, evento anual para jovens, crianças, escritos, educadores, músicos, artistas e público em geral. Durante dois dias todos compartilham a palavra, como “ferramenta poderosa que gera laços em comum e nos alimenta”; e o projeto “La justicia em su lugar”, que oportuniza aulas públicas mensais sobre Justiça e Memória em frente aos Tribunais Federais, no horário em que ocorrem as audiências de julgamento por crimes de Lesa Humanidade, produzindo mostras de arte e política, e defendendo o direito dos jovens maiores de 16 anos de assistir às audiências.

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Ano após ano também é aberto espaço para que estudantes de graduação acompanhem as ações educativas do arquivo, desenvolvendo suas práticas profissionais supervisionadas, assim como para estudantes que entram em contato com a instituição para realizar práticas sócio-comunitárias.

O trabalho desenvolvido pelo APM evidencia preocupação tanto com a salvaguarda e gestão documental (a partir do trabalho de Áreas como “Documentación y Conservación”, e “Investigación”), quanto com o papel social e os usos pedagógicos e educativos da instituição, evidenciando que é a partir da apropriação e resignificação do espaço e de seus acervos que se efetiva o próprio sentido de existência do Archivo Provincial de la Memória.

Ainda que seja necessário compreender as diferenças entre as duas instituições, diversos aspectos metodológicos empregados lá são semelhantes aos empregados nas ações educativas desenvolvidas pelo APERS, como a concepção e realização de oficinas como momentos para a produção coletiva de conhecimentos e trocas de experiências, a dinâmica de parceria e formação de educadores e estudantes de graduação, ou a valorização do espaço físico em que a instituição está sediada como patrimônio e como elemento central nas atividades pedagógicas. O APERS não é um arquivo temático ou um lugar de memória que testemunhe experiências traumáticas ali vivenciadas, mas salvaguarda uma série de fundos ou conjuntos documentais relacionados a temas sensíveis intimamente vinculados a identidades e memórias da sociedade sul-riograndense e brasileira, como a escravidão e a luta por liberdade, a imigração, e a própria ditadura civil militar. Além disso, carrega as marcas do tempo, de concepções de história e de arquivo, de Estado, política e sociedade. Tudo isso pode e deve ser problematizado e apropriado através de processos educativos que relacionem memória, história e patrimônio.

A dinâmica de condução das ações educativas no APM, tão próxima aos usuários do arquivo, lançando um olhar todo especial para suas demandas, abrindo espaço para os conceitos e significados trazidos por cada grupo, e acompanhando a sequência do trabalho após a participação nas oficinas, certamente é inspiradora para desdobramentos e até mesmo aperfeiçoamentos em nossas ações. Certamente buscaremos contato com a equipe hermana, e seguiremos criando parcerias para qualificar nossa caminhada!

Ação Educativa em Arquivos III: Serviço Didático no Arquivo Nacional da Catalunha

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Ao propormos a publicação de artigos mensais a respeito de ações educativas em arquivos temos como principal objetivo difundir o que vem sendo feito e demonstrar as múltiplas potencialidades de tais instituições e seus acervos para os processos de ensino-aprendizagem. Inicialmente pretendíamos nos deter às ações desenvolvidas no Rio Grande do Sul e no Brasil. Entretanto, conhecendo minimamente a realidade dessa área em nosso país, temos consciência das debilidades ainda vivenciadas. Assim, apresentando atividades e programas levados a cabo também em outros países, pretendemos incentivar a exploração dessa importante “faceta” que contribui para a efetivação do papel social e cultural de nossas instituições congêneres.

Nesse sentido, foi com satisfação que tomamos conhecimento da realidade dos “serviços educativos” ou “serviços didáticos” desenvolvidos pelos arquivos espanhóis. Ainda que brevemente, em um contato através dos sites institucionais, pudemos notar que diversos deles possuem setores consolidados dedicados a pensar os usos educativos do patrimônio documental salvaguardado. Desde os arquivos das municipalidades, passando pelos arquivos das províncias e das comunidades autônomas, até o Archivo Histórico Nacional, a maioria oferece ações no campo da difusão voltadas a professores, estudantes e comunidade interessada, como visitas guiadas adaptadas aos interesses específicos de cada grupo, oficinas com manuseio e análise de documentos, disponibilização de materiais de apoio didático pela internet e exposições que destacam documentos de diversos fundos.

2015.05.20 Arxiu Nacional Catalunya

Hoje destacamos o Serviço Didático do “Arxiu Nacional de Catalunya”, ou Arquivo Nacional da Catalunha, que tem por missão “administrar, salvaguardar e preservar os arquivos e registros do Governo e da Administração pública Catalã, assim como os de indivíduos, organizações e entidades catalãs para que as pessoas descubram, usem e aprendam com esse patrimônio documental; favorecer a consolidação de una sociedade livre, aberta e democrática assegurando o acesso aos documentos, instrumentos essenciais que garantir o exercício dos direitos dos cidadãos e o controle das atuações dos poderes públicos; facilitar a compreensão histórica de nossa identidade nacional e apoiar a vida cultural e intelectual dos catalães”.

Para cumprir com tal missão, o Arquivo é composto por uma equipe multidisciplinar e organiza-se em oito áreas, sendo uma delas a de “Servicio didáctico”, especialmente voltada para “animar entre o professorado e o alunado do secundário a utilização didática da história com fundos de arquivo. O que é feito mediante a utilização dos fundos documentais do arquivo como fonte 2015.05.20 Arxiu Nacional Catalunya 2para o estudo e a investigação, e elaborando recursos documentais e didáticos específicos”. Este núcleo oferece visitas guiadas (com duração de 45 min.); oficinas (com duração de 2h); atendimento individualizado de assessoramento a professores e estudantes, para apresentar a instituição, dar suporte à produção de materiais pedagógicos próprios para os educadores, e de pesquisas escolares para os estudantes; e ainda disponibiliza via internet seleções didáticas de documentos por dossiê temático ou por conteúdo curricular, e propostas de atividades pedagógicas e materiais de apoio produzidos pela equipe do Arquivo.

Fizemos apenas uma apreciação prévia a partir dos conteúdos disponibilizados através do portal institucional, que já demonstram o grande potencial do acervo para fins educativos, a diálogo existente entre os servidores do Arquivo e os educadores, e a evidente compreensão de que dar suporte à educação e estimular a valorização do patrimônio são sim um importante papel dos Arquivos. Obviamente uma visita presencial, ou mesmo uma pesquisa através de questionários, seriam o ideal para conhecer melhor as ações e utilizá-las como referencial. Não descartamos essa possibilidade em um futuro breve. Entretanto, as informações publicizadas pelo site estão bem organizadas e transparentes – o que parece demonstrar o avanço e o reconhecimento das instituições arquivísticas na sociedade espanhola – e possibilitam destacar que as ações educativas não são executadas de forma isolada das demais ações arquivísticas, e não são pensadas como projetos com um “prazo de validade”. São desenvolvidas como serviços prestados à comunidade, equivalentes ao serviço de consulta ao acervo, ou de gestão documental, por exemplo.

Certamente a realidade do Arxiu Nacional de Catalunya, e dos arquivos espanhóis em geral, está diretamente vinculada à cultura daquela sociedade, que estabelece relações de pertencimento com o patrimônio e a história mais profundas do que as estabelecidas pela sociedade brasileira. Ainda estamos distantes de um contexto em que os documentos sejam reivindicados e acessados por todos os cidadãos cotidianamente. Muito de nós ainda não sabemos identificar e diferenciar museus, bibliotecas e arquivos, não sabemos onde estas instituições se localizam, ou quais serviços podem prestar, raramente tivemos acesso a essas informações durante a vida escolar e não fomos instigados a investigar de que forma se dá a produção do conhecimento através da pesquisa. Consequentemente, havendo menos demanda e valorização social, haverá menor atenção e investimentos por parte dos gestores públicos, que não serão cobrados.

Nesse contexto, acreditamos que o fortalecimento de serviços educativos em arquivos pode contribuir de forma eficiente para “quebrar” esse ciclo, por um lado ajudando a transformar a realidade das instituições arquivísticas através da educação, por outro favorecendo “a consolidação de una sociedade livre, aberta e democrática assegurando o acesso aos documentos, instrumentos essenciais que garantir o exercício dos direitos dos cidadãos e o controle das atuações dos poderes públicos”, como pretendem os catalães.

Programa de Educação Patrimonial – Planejamento 2015

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Desde 2009 o APERS vem desenvolvendo seu Programa de Educação Patrimonial em parceria com a UFRGS, em especial com o Departamento de História e o Colégio de Aplicação. Conforme já divulgamos ao final de 2014, através dessa parceria foi possível captar recursos para 2015 e 2016 que viabilizarão a manutenção das ações, sua qualificação e aprofundamento. Neste sentido, para 2015 temos um planejamento diferenciado, elaborado a partir da reflexão sobre o trabalho desenvolvido ao longo do ano passado, que nos apontou para a necessidade de formação da equipe, de produção de publicações a partir de nossa experiência, e de qualificação da oficina Os Tesouros da Família Arquivo, que foi a primeira a ser criada e oferecida às escolas, ainda em 2009, e tem como fonte primária documentos que retratam o contexto da escravidão no Rio Grande do Sul.

Assim como em 2013, ao identificarmos a urgência em criar uma oficina para o Ensino Médio que tratasse do tema ditaduras e direitos humanos, organizamos o planejamento daquele ano de forma que pudéssemos dedicar o primeiro semestre à criação da oficina, e o segundo à aplicação dela e das demais que já oferecíamos, este ano vamos dedicar o primeiro semestre à qualificação da oficina Os Tesouros da Família Arquivo e para outras produções:

  1. Produção de um fôlder de divulgação e de uma revista sobre as ações do Programa, entre fevereiro e março;
  2. Realização de curso de formação da equipe em parceria com o GT Emancipações e Pós-Abolição da ANPUH-RS, entre os meses de abril e maio, com calendário a ser definido. O curso será aberto para professores da rede pública de ensino e versará sobre escravidão, liberdade e pós-abolição a partir de documentos de arquivo;
  3. Reformulação, entre maio e a primeira quinzena de junho, da oficina Os Tesouros da Família Arquivo a partir do aprendizado construído no curso;
  4. Oferecimento às turmas escolares da referida oficina já qualificada, entre a segunda quinzena de junho e a primeira de julho, antes das férias escolares.

Em relação ao segundo semestre, aproveitaremos o período de férias escolares para fazer ajustes nas demais oficinas, “Desvendando o Arquivo Público: historiador por um dia” e “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, realizaremos em agosto a capacitação de novos oficineiros, voltada a estudantes de graduação em estágio curricular ou que desejem obter certificado de horas complementares, e em setembro retomaremos a agenda normal com as três oficinas, que se estenderá até a primeira semana de dezembro. No segundo semestre também pretendemos organizar e publicar um caderno de propostas pedagógicas para o momento “pós-oficina”, que contribuam para a continuidade do trabalho com Educação Patrimonial e documentos de arquivo após a vivência das turmas no APERS.

O contato para agendamento de oficinas poderá ser feito a partir de 01 de abril. As atividades são gratuitas e ofereceremos também o transporte para escolas. Desejando qualificar o agendamento, as marcações serão confirmadas mediante preenchimento de formulário que será enviado por nossa equipe aos professores e professoras. Outra novidade será um turno fixo quinzenal em que ofereceremos qualquer das três oficinas à noite. O objetivo é ampliar o trabalho com os cursos noturnos e com a EJA. Até o final de fevereiro divulgaremos em qual dia da semana isso ocorrerá. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br ou pelo fone (51)3288-9117.

Aproveitamos para reforçar a divulgação da distribuição das caixas pedagógicas AfricaNoArquivo, mais uma ação educativa de nossa instituição. As caixas estão disponíveis como doação para todas as escolas públicas de Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Viamão, e podem ser retiradas no Arquivo Público de segunda a sexta das 08:30h às 17h. Para conhecer melhor esse projeto clique aqui.

Que 2015 seja muito produtivo e nos possibilite ampliar o alcance do Programa de Educação Patrimonial UFRGS/APERS!

Relatórios 2014 – DIPEP: Programa de Educação Patrimonial

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logo-pep_curvas2014 foi um ano e tanto para nosso Programa de Educação Patrimonial, desenvolvido com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e compreendido no APERS como parte de nossas ações educativas. Como o nome já diz, o Programa abrange uma série de ações realizadas ao longo de todo o ano, envolvendo uma equipe de estagiários, bolsistas e servidores. Graças a importante parceria com a UFRGS pudemos receber recursos do Edital ProExt, Programa de Extensão Universitária do MEC, que viabilizou o pagamento de transporte para turmas escolares, de bolsas para seis estudantes de graduação em História que, junto aos estagiários do APERS, tiveram intensa atuação como oficineiros ao longo do ano, e também de publicações que já foram empenhadas e serão lançadas no primeiro semestre de 2015.

Ao total foram realizadas 128 oficinas, que atenderam 2.720 estudantes das séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Dentre essas oficinas é interessante destacar que quatro foram oferecidas como vivências para uma turma de graduação em História da FAPA, uma turma do curso técnico de Turismo do SENAC, um grupo de professores em formação do município de Santo Antônio da Patrulha e um grupo de profissionais de instituições de memória que participaram da atividade dentro da programação do Seminário da Rede de Educadores em Museus. Entre todas foram 55 oficinas “Os Tesouros da Família Arquivo”, para os 6º e 7º anos do Ensino Fundamental, 21 oficinas “Desvendando o Arquivo Público: historiador por um dia”, para os 8º e 9º anos, e 52 oficinas “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditaduras e Direitos Humanos”, para o Ensino Médio e EJA. No ano em que o Brasil rememorou os 50 anos do golpe militar de 1964 tivemos a oportunidade de debater o tema com mais de 1.000 estudantes, que vivenciaram esta última oficina criada no segundo semestre de 2013 a partir dos processos de indenização que compõem o acervo da Comissão Especial de Indenização salvaguardado pelo APERS.

Além das oficinas realizamos duas edições do Curso de Capacitação de Oficineiros, destinadas a estudantes de graduação em História e áreas ligadas ao Patrimônio Cultural. No primeiro semestre o processo de capacitação iniciou em 12 de março com 15 novos oficineiros. No segundo semestre foram mais 16 oficineiros que estiveram conosco a partir de 15 de agosto realizando seus estágios curriculares ou obtendo certificados de horas complementares. Esta ação se configura como um importante espaço de interação entre o APERS e as universidades, colocando o Arquivo como campo de estágio para graduandos, difundindo a educação patrimonial como metodologia de ensino e aprendizagem, e contribuindo para a formação de futuros educadores.

Também nos empenhamos no esforço anual de oferecer um espaço qualificado de formação continuada para professores, realizando a quarta edição do Curso Educação Patrimonial, Cidadania e Direitos Humanos, que contou com 35 inscritos e 18 professores que foram até o final da formação. Foi excelente debater diversos temas como escravidão e liberdade, gênero, ditadura e direitos humanos a partir do patrimônio e de documentos de arquivo, estimulando o acesso aos bens culturais assim como sua valorização, análise e crítica, oportunizando fruição, informação e ferramentas para a leitura do mundo e a produção de conhecimento.

Para difundir e compartilhar nossas experiências participamos de diversos eventos. Em agosto estivemos no XII Encontro Estadual de História, promovido pela ANPUH-RS, onde foram apresentados os pôsteres “História, memória e verdade: reflexão sobre desafios éticos a partir da aplicação da oficina Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos”, de autoria dos estagiários Gabriel Amorim e Guilherme Tortelli, e “Patrimônio, Escravidão e Ensino: abordagens e desafios éticos no ensino sobre escravidão no Rio Grande do Sul a partir da oficina Os Tesouros da Família Arquivo”, do estagiário Eduardo Hass e do bolsista Gustavo Malossi; e a comunicação “Construção da oficina Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos – memórias, história e ética”, de autoria da historiadora Clarissa Sommer Alves. Em setembro a historiadora Clarissa apresentou a mesma oficina no Seminário Arquivos, Ditadura e Democracia, promovido pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz – RJ) problematizando os papéis das instituições arquivísticas e as possibilidades de difusão e usos educativos de seus acervos. Em outubro participamos do 15º Salão de Extensão UFRGS, onde a estagiária Thaise Mazzei, sob orientação da professora Carla Rodeghero, apresentou a comunicação intitulada “Oficinas de Educação Patrimonial: graduandos e alunos da escola básica compartilhando um mesmo espaço de aprendizagem”, e em novembro da XX Jornada de Ensino de História e Educação, em que as historiadoras Clarissa Sommer, Nôva Brando e Vanessa Menezes ministraram para professores e estudantes de História uma versão adaptada da oficina Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos. No início de dezembro o Programa foi apresentado também no 1º Encontro Nacional de Extensão Universitária, que reuniu em Brasília professores e coordenadores de projetos e programas contemplados pelo edital ProExt, oportunidade em que fomos representado pelo professor Igor Teixeira, da UFRGS.

Outra ação realizada com apoio do Programa de Educação Patrimonial foi o projeto “AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil”, através do qual distribuiremos centenas de caixas pedagógicas para escolas públicas de diversos municípios da região metropolitana de Porto Alegre, e que será objeto de um relatório específico a ser publicado em breve.

Felizmente nossa atuação, que vem se desenvolvendo e consolidando desde 2009, foi novamente reconhecida através do Edital ProExt 2015, de forma que teremos recursos garantidos para os próximos dois anos. A parceria com a UFRGS, reafirmada institucionalmente através da renovação de nosso convênio no final de 2014, afirma-se como fundamental, demonstrando a partir dessa experiência conjunta muito bem-sucedida o quão frutífera pode ser a aproximação entre universidades, instituições de memória e sociedade. Conforme planejamento que também postamos hoje, temos uma série de novos objetivos e de novos planos para 2015, que passam pela qualificação das oficinas, de nossa equipe e do registro de nossas ações, assim como pela produção e publicação de reflexões. Que 2015 seja tão produtivo quanto 2014 foi!

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