Cinema no Arquivo: Koyaanisqatsi / Curta no Almoço

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KOYAANISQATSI

    O Cinema no Arquivo projetou, no dia 28 de maio, no auditório Marcos Justo Tramontini, o filme Koyaanisqatsi, de Godfrey Reggio. Após a exibição do filme, o Professor da UFRGS, Doutor em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos, Paulo Brack, conversou com o público sobre a conservação e o uso sustentável da flora do Rio Grande do Sul e nas políticas públicas em biodiversidade. Confira algumas imagens do evento abaixo!

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CURTA NO ALMOÇO

     Na próxima quarta-feira, dia 10 de junho, a partir das 12 horas, teremos o Curta no Almoço com projeção da coletânea de curtas produzidos entre 1896 e 1906, por Alice Guy. A entrada é franca, venha prestigiar!

2015.06.03 Cartaz Alice Guy

     Esta mulher, nascida na França em 01 de julho de 1873 e falecida em 24 de março de 1968, é considerada pioneira e visionária do cinema por ser a primeira mulher a dirigir e escrever filmes experimentais, documentários e ficção narrativa.

     Nos dez primeiros anos da história do cinema ainda não havia estrutura narrativa ou estilística para a realização dos filmes, muitos gêneros surgiram e desapareceram, e os exibidores contavam com auxílio do comentador para garantir a compreensão por parte da plateia. Este período ficou conhecido como cinema de atrações. Neste contexto, Alice Guy-Blaché iniciou sua carreira cinematográfica trabalhando para Léon Gaumont, para quem produziu, roteirizou e dirigiu filmes curtos e phonoscènes, entre 1896 e 1907.

     Entre 1896 e 1920, Alice Guy dirigiu mais de quatrocentos filmes, produzindo outros mais, que incluíam efeitos sonoros sincronizados e uma infinidade de outros recursos. Também foi a primeira, até agora única, mulher a dirigir o próprio estúdio, o Estúdio Solax (Fort Lee, Nova Jersey), entre 1910 a 1914.

    Alice Guy Blache começou como secretária de Leon Gaumont, que trabalhava para um fabricante de máquinas fotográficas. Quando a empresa que trabalhavam ameaçou falir, Gaumont comprou, junto com outros, o inventário e formou em 1895 a Gaumont Film Company, uma das mais importantes empresas de cinema do mundo. Como responsável pela produção, Alice mostrou um trabalho inovador na utilização de cor, som e efeitos especiais que veio a criar o que é considerado o primeiro filme narrativo da história do cinema: “La Fée Aux Choux”, de 1896.

     Ao longo de mais de 20 anos de carreira, Alice inseriu em seus filmes situações e histórias particulares do universo feminino para questionar as obrigações sociais das mulheres, lançando mão de roteiros polêmicos que continham homossexualismo, travestismo e a liberdade da mulher em conduzir seu próprio destino.

Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias es Histórias da Ditadura no Brasil

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     Na última semana, durante os dias 22, 23 e 24 de abril, o Arquivo Público do RS (APERS) lançou o Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Este instrumento de pesquisa é composto por verbetes elaborados a partir dos 1704 processos administrativos resultantes do trabalho da Comissão Especial de Indenização.

     A mesa de abertura do evento foi composta pela Diretora Isabel Almeida, que contou o contexto de nascimento do projeto e porque a equipe do APERS optou pela descrição destes documentos. Em seguida, a historiadora Vanessa Menezes expôs a trajetória da equipe no processo de elaboração do catálogo, demonstrando, por exemplo, como os campos dos verbetes foram definidos. Finalizando a noite, a historiadora Nôva Brando apontou de que forma este acervo pode ser utilizado na construção de pesquisa histórica, bem como propostas de trabalhos pedagógicos a partir desta documentação.

     Na segunda noite estiveram presentes Marta Maria Sica da Rocha, César Augusto Tejera de Ré e Rita Maurício, familiares de pessoas que solicitaram o benefício junto ao Estado do Rio Grande do Sul. Os convidados relataram as prisões e maus-tratos sofridos por membros de suas famílias e de que forma esta detenção afetou suas vidas.

     Já no dia 24 foi exibido o documentário Os 15 filhos, de Maria de Oliveira e Marta Nehring. Após o filme foi aberto um espaço para os comentários de Bárbara Conte da Clínica do Testemunho/SIG RS, Tânia Kolker e Vera Vital Brasil da Clínica do Testemunho/RJ.

    O Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil será disponibilizado para estudantes, pesquisadores, sociedade em geral, no site do APERS no prazo de um mês. Será publicada também uma versão em braile que viabilizará o acesso para portadores de deficiência visual que terão, através deste instrumento, a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre este período.

     O projeto será realizado com recursos do Fundo de Apoio a Cultura (PRÓ-Cultura RS FAC), através da parceria com a Associação dos Amigos do Arquivo Público (AAAP). Este financiamento viabilizará a publicação e distribuição do catálogo em instituições públicas como arquivos, bibliotecas, universidades, escolas de ensino médio do Rio Grande do Sul e núcleos de estudo voltados para este tema.

     Acredita-se que a publicação deste instrumento de pesquisa, que relata uma parte importantíssima da história do Brasil, possibilitará que a sociedade estude os acontecimentos da época sobre diferentes perspectivas: política, direitos humanos e democracia, de forma a construir uma sociedade mais justa e igualitária.

     Confira abaixo a entrevista concedida pela Diretora Isabel e historiadora Vanessa ao programa Estação Cultura da TVE RS, e fotos do evento.

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Conversas Públicas no evento de Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo

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2014.04.23 Conversas Publicas no evento Lancamento Catalogo

Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil

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     Desde 2012, uma equipe, formada por historiadoras, arquivistas e estagiários do curso de história, dedicou-se a elaboração do Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil descrevendo, em forma de verbetes, os 1704 processos administrativos oriundos dos trabalhos da Comissão Especial de Indenização instituída pela Lei 11.042/97 .

     É com muita satisfação que convidamos a todos para o evento de lançamento do Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. A atividade acontecerá nos dias 22, 23 e 24 de abril, sempre às 19 horas, no Arquivo Público do RS. A inscrição é gratuita e forneceremos certificado. Participe!!!

Lancamento Catalogo Resistencia em Arquivo

CineDebate APERS – Que bom te ver viva

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  Hoje chegamos ao final das postagens sobre o CineDebate APERS – Memória e Direitos Humanos falando do documentário “Que bom te ver viva”. Este foi um dos primeiros filmes realizados no Brasil pós-abertura política que aborda a luta armada, a tortura e os assassinatos que houve durante a ditadura civil militar no Brasil. É uma película feita em 1989 por Lúcia Murat, realizada através de depoimentos reais de oito ex-presas políticas que participaram nas ações das organizações clandestinas de 1960/70 e que participaram da luta armada.

  É um filme que trata a tortura a partir da perspectiva feminina, mostrando que elas sofreram violências sexuais, partos em detenção, partos depois de torturas e violências sexuais, e abortos por tortura e violências sexuais. A diretora mostrou que a tortura é uma experiência complexa e constrangedora que fica entranhada na mente e no corpo por toda a vida, impossível de esquecer. Enfim, é um filme que buscou compreender a conexão entre o passado e o presente, compreender como vivenciaram a tortura, como conseguiram sobreviver, e como conseguiram reorganizar suas vidas, reinserindo-se na sociedade brasileira

  No CineDebate este filme foi escolhido e debatido por Nilce Azevedo Cardoso, ex-presa política oriunda do partido Ação Popular (AP), atualmente psicopedagoga, professora e militante na área de Educação e Direitos Humanos. A escolha deste documentário foi interessante por dois motivos, pelo menos: um pelo fato dele concluir um ciclo de debates iniciado pelo filme Em teu Nome, cujo tema central foi o exílio, passando pelo documentário O dia que durou 21 anos, que retratou centralmente o apoio norte-americano no golpe militar de 64, e pelo documentário Jango, que traz o protagonismo do povo brasileiro no período efervescente que antecedeu o golpe e segue conduzido a partir da atuação emblemática de João Goulart. Ou seja, nestes filmes a prática da tortura, que imperou durante o regime civil militar, foi abordada de forma superficial, não tendo a centralidade que teve no filme Que bom te ver Viva. Já o outro motivo pelo qual considerei interessante a escolha feita por Nilce foi que o protagonismo era das mulheres, como ela. Bela síntese!

  Nilce finalizou sua abordagem buscando que o público refletisse. Fez então a “pergunta”: é possível esquecer a experiência da tortura? Ela cicatriza?

  Acreditamos que ainda temos muito a pensar e debater a respeito desse período. E nesse intuito, contem com o APERS!

CineDebate APERS – Jango

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     O documentário Jango, dirigido por Silvio Tendler, com narração de José Wilker, texto de Mauricio Dias e trilha sonora original de Milton Nascimento, exibe a trajetória pessoal de João Goulart, desde sua infância em São Borja, bem como sua vida política que se encerrou com sua deposição durante o Golpe de 1964. O filme conta também com depoimentos de pessoas ligadas a Jango como, Denize Goulart, filha do Ex-Presidente e Leonel Brizola, Ex-Governador do Rio Grande do Sul.

     Formado em Direito, Jango foi eleito Deputado Estadual em 1947, em 1950 Deputado Federal e, em seguida, Presidente Nacional do PTB. Com objetivo de injetar “sangue novo” na política brasileira, em 1953 Getúlio Vargas escolheu Jango para ser Ministro do Trabalho. Quando Juscelino Kubitschek foi o vencedor nas eleições de 1955, Jango trouxe consigo os votos dos trabalhistas e tornou-se vice-presidente. Em 1960 com a vitória de Jânio Quadros, Jango foi novamente eleito vice-presidente. Foi neste período que iniciou uma campanha de não alinhamento, estreitando os laços com países que o Brasil não mantinha contato, como por exemplo, a China. E foi durante uma viagem a este país que, em 25 de agosto de 1961, Jango recebeu a notícia da renúncia de Jânio.

     Em seu depoimento, Leonel Brizola conta que quando soube da renuncia de Jânio, procurou medidas que garantissem a posse de Jango na Presidência da República. Leonel Brizola deu início à campanha da Legalidade mobilizando toda a população gaúcha. Através dos meios de comunicação informava a opinião pública do estado e do país, no sentido de legitimar a posse de Jango, que assumiu a presidência em 08 de setembro de 1961.

     O documentário destaca o comício de 13 de março de 1964, na Central do Brasil no Rio de Janeiro, onde Jango defendeu a reforma da Constituição e a implantação de reformas de base, que abrangiam as reformas tributária, educacional e agrária, o direito do voto pelo analfabeto e a desapropriação de terras em torno de rodovias e ferrovias. Estas reformas, que não agradaram os opositores de Jango e o acusavam de ser desrespeitoso com as leis do país, acabaram por determinar a derrubada de João Goulart obrigando-o a exilar-se no Uruguai e mais tarde, na Argentina.

     Solon Viola, ex-preso político e atualmente professor da UNISINOS, iniciou o debate descrevendo o contexto histórico que o Brasil atravessava, mais especificamente, sobre as articulações que antecederam o Golpe de 64. O Professor relatou que nos dias que precederam a queda de Jango, seu pai, que distribuía panfletos para ferroviários, percebendo o clima de tensão, o proibiu de ir à escola.

     Questionamentos acerca do que teria acontecido se Jango tivesse resistido foram os mais frequentes durante o debate. Jango permaneceria na presidência? Ocorreria um derramamento de sangue?  Um oficial da marinha brasileira, conta no documentário, que o Brasil poderia resistir por pouco tempo, mas que os navios americanos aportados na costa brasileira “entrariam em ação” desencadeando uma guerra civil. Viola fez um paralelo com o processo de implantação do regime ditatorial no Chile, quando os militares apoiadores de Allende foram massacrados, e ressaltou que no Brasil o processo foi “mais ameno”.

     Segundo Solon, o interesse econômico das empresas, que almejavam se associar ao capital internacional, beneficiando-se de tecnologia estrangeira, foi um impulso para o Golpe. Porém, esta aliança deveria ser avaliada com mais cautela, já que aquelas empresas que não se adequassem ao novo sistema corriam o risco de serem eliminadas.

     O público presente na terceira noite do CineDebate, além de assistir um filme sobre a trajetória política de João Goulart entrelaçada com sua vida pessoal, presenciou um debate enriquecedor que certamente contribuiu para o resgate da memória relacionada ao período da ditadura civil-militar brasileira.

 

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