Ação Educativa do APERS e o “Caso X” no III Encontro Discente de História da UFRGS

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Pensando na ampliação dos usos de seu acervo para além das pesquisas acadêmicas e técnicas já habituais ao Arquivo, o APERS tem investido na elaboração de ações educativas que visam utilizar o patrimônio documental nele salvaguardado de uma maneira mais lúdica e didática, mas sem deixar de lado todo o aspecto crítico e investigador inerente ao campo da História e da Arquivologia.

Já compartilhado no XIV Encontro Estadual de História da ANPUH-RS e no XIII Salão de Iniciação Científica e Extensão do IPA sobre o processo de elaboração da Jogoteca Educativa do APERS e a criação de seu primeiro jogo, “Caso X: investigando um crime da ditadura em Porto Alegre”. No dia 19 de novembro foi a vez de compartilhá-los no III Encontro Discente de História da UFRGS.

O trabalho intitulado “Fontes documentais e ensino de História: o uso do Caso X em sala de aula” foi apresentado no eixo temático “saberes, práticas e ensino de história” pelos estagiários e estudantes de História da UFRGS, Gustavo Ziel e Jéssica Gomes de Borba. Deu-se atenção à criação do jogo, mas o enfoque recaiu sobre a fase de testes através de quatro partidas realizadas em três escolas de Porto Alegre, debatendo-se a eficiência do projeto, relatando as discussões obtidas a partir dele e os conceitos que foram trabalhados. Nestes momentos os alunos trouxeram para as partidas e discussões um pouco de suas vivências, visões de mundo e temas trabalhados pelos seus professores em sala de aula.

As escolas visitas foram: Institudo de Educação Flores da Cunha, EEEF Imperatriz Leopoldina e EEEM Oscar Pereira. Agradecemos às professoras Laura Montemezzo, Isadora Librenza e Adriana Santos pela receptividade e parceria com toda equipe do PEP e parabenizamos pelo excelente trabalho com as suas turmas.

A experiência conectou a equipe de Ação Educativa do APERS e a disciplina Estágio de Docência em História III – Educação Patrimonial, ministrada pelas professoras Carmem Gil e Caroline Pacievitch. A medida em que dois de seus estudantes-estagiários puderam realizar suas 40h de observação e prática inseridos no projeto da Jogoteca, participando da finalização do jogo Caso X e realizando as práticas nas escolas. Que estes espaços de troca sigam florescendo!

Ação Educativa em Arquivos XI: experiências do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (II)

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2016-09-28-acao-educ-em-arquivos-apcbh   A postagem de hoje na categoria “Ação Educativa em Arquivos” traz a continuidade da reflexão levantada no texto anterior, a partir das experiências do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH). No final de julho apresentamos, de forma mais geral, as ações que vinham sendo desenvolvidas por este Arquivo desde a sua criação, na década de 1990. Hoje, vamos nos debruçar sobre os processos de reflexão que levaram à reformulação das visitas monitoradas à instituição e à formulação de novas compreensões que ajudaram a expandir os usos do Arquivo e de seus acervos nas ações educativas, para além da pesquisa e ensino sobre história local, como vinha sendo enfocado. Para acompanhar nossa análise, reveja o post anterior aqui.

   Alguns elementos levaram a equipe do APCBH a identificar a importância dessa reformulação: dificuldades percebidas em aplicar visitas que oportunizassem contato direto com os documentos, devido às limitações de infraestrutura do Arquivo (pouco espaço físico, sem área pedagógica ou para lanches e descontração, etc.); mudanças nas demandas das escolas a partir de transformações em seus currículos, que passaram a valorizar projetos transversais em detrimento às pesquisas sobre história local; percepção de que os documentos poderiam ser explorados para a construção de sentidos relacionados a identidades e memórias individuais e coletivas, gerando relações de pertencimento entre estudantes e arquivo, e não apenas para aprofundar conhecimentos sobre história local.

    Dois projetos foram fundamentais para que a equipe pudesse trabalhar nessa perspectiva: o projeto “Circuito de Museus”, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação, e o projeto “Arquivo 20 anos”, realizado para comemorar as duas décadas do APCBH.

    A partir do primeiro, foi possível receber retornos dos estudantes quanto à visita ao Arquivo, já que ao final das visitas do circuito eles registravam suas impressões em materiais que compuseram uma exposição. Tais retornos evidenciaram a dificuldade dos jovens em se reconhecer no espaço do Arquivo, demonstrando que a dinâmica relacionada à história da cidade a partir de documentos fotográficos ficava registrada para eles como mais uma aula de História, quase sem relação entre o acervo manuseado e a instituição que o salvaguardava. A visita ao Arquivo seria mais uma visita a um “museu”, porém sem os atrativos de um museu?!

    Já o segundo, oportunizou recursos para a contratação de uma consultoria na área, para a produção de sinalizações interpretativas plotadas em determinados espaços do Arquivo, trazendo reflexões apresentadas por uma “mascote” ao longo do percurso da visita, para a impressão de fac-símiles de documentos que seriam manuseados pelos grupos escolares, e para a montagem de kits pedagógicos com materiais para conservação preventiva de documentos (luvas e máscaras, lápis 2B, borracha, tecido, produtos caseiros para evitar infestação por pragas, etc.) dos próprios estudantes – viabilizando uma dinâmica de relação entre a preservação dos documentos do Arquivo e dos documentos pessoais dos visitantes. O próprio percurso da visita foi ampliado, passando agora por depósitos de acervos em diferentes estágios do tratamento documental, demonstrando a dinamicidade do trabalho cotidiano nos processos de gestão documental.

    Estas observações e conquistas oportunizaram a introdução da discussão sobre preservação e valoração dos documentos de arquivo, em paralelo aos documentos produzidos pelos próprios indivíduos ao longo de sua trajetória de vida. Assim, conceitos fundamentais à área de arquivos foram trazidos para dentro das visitas, debatendo a formação de acervos e fundos, valor informacional, formato e suporte dos documentos, etc.

    Algumas destas problematizações têm nos acompanhado ao longo do trabalho desenvolvido pelo APERS no campo da ação educativa, e o diálogo com o trabalho de outras instituições certamente é importante para que possamos nos atualizar, qualificar e ter estímulo para seguir. A experiência mineira evidencia dois pontos que, para nós, também são claros: a importância da avaliação constante do trabalho, expressa pelo salto de qualidade que foi possível dar a partir dos retornos e exposições produzidos pelas turmas, e a necessidade de recursos para o desenvolvimento do trabalho – no caso do APERS, a parceria com a UFRGS tem sido fundamental para que possamos investir na produção de reproduções de documentos, materiais pedagógicos em geral, contratação de bolsistas e de transporte para as escolas, compra de equipamentos, entre outros elementos.

    Certamente é possível realizar bons trabalhos com criatividade e empenho das equipes, mas nossa trajetória tem demonstrado a centralidade de lutar para que o poder público reconheça a importância da valorização das instituições de memória, e dos Arquivos, destinando condições materiais e humanas para aprofundar ações culturais, educativas e de gestão. Além disso, o diálogo com as experiências de Belo Horizonte nos fazem refletir sobre a importância de conectar oficinas de demais ações educativas com o papel técnico, político e social dos arquivos. Isso pode ser dado a partir de temáticas e reflexões históricas, mas elas precisam estar conectadas ao nosso tempo presente, e fazerem sentido para indivíduos e coletividades de agora. Por isso o investimento em temas que nos fazem pensar enquanto cidadãos e cidadãs de nosso tempo, como acesso à informação e ao patrimônio, relações étnico-raciais, relações de gênero, democracia e direitos humanos. Seguiremos!

Ação Educativa em Arquivos X: experiências do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (I)

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Após algumas viagens mais distantes, que nos levaram a arquivos estrangeiros, na postagem deste mês e do próximo a respeito de ações educativas em arquivos voltaremos nossa atenção ao trabalho desenvolvido pelo Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte. Este arquivo municipal foi fundado em 1991, mesmo ano de publicação da Lei de Arquivos no Brasil, nascendo voltado à modernização de tais instituições, engajado na construção de procedimentos de gestão documental amparados pela então nova legislação, em meio aos avanços democráticos vivenciados por nossa sociedade com o fim da ditadura e no contexto de promulgação da Constituição de 1988.

Nosso texto de hoje será referenciado especialmente no artigo “Educação Patrimonial e o Ensino de História em Instituições Arquivísticas: Ações educativas no Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte”, de Raphael Rajão Ribeiro, historiador e então chefe do Departamento de Tratamento, Pesquisa e Acesso do APCBH, e Michelle Cobra Torre, graduada em História e Comunicação Social, publicado pela Revista Acervo em volume de 2012. Neste trabalho os autores historicizam a trajetória das ações educativas desenvolvidas pela instituição, chamando a atenção para uma situação especial em meio à realidade arquivística que nos cerca majoritariamente: trazem à luz as experiências de um arquivo que vem se preocupando e atuando fortemente na área educativa desde sua fundação, compreendida como parte importante de suas ações de difusão. Por este motivo, decidimos dividir a reflexão em duas partes, apresentando de forma mais geral neste post os trabalhos desenvolvidos pelo APCBH até o ano de 2010, e no mês seguinte os processos de reflexão que levaram à reformulação de suas visitas monitoradas e à formulação de novas compreensões que ajudariam a expandir os usos do Arquivo e de seus acervos nas ações educativas para além da pesquisa e ensino sobre história local.

Raphael e Michelle refletem a respeito de tais ações buscando compreender os pressupostos teóricos e metodológicos que as embasaram ao longo dos anos, apontando para a escassez de produções específicas que fundamentem a educação em arquivos, assim como para a ausência de divulgação sistemática das ações levadas a cabo no país, o que teria contribuído para uma aproximação de referenciais do ensino de história e da educação patrimonial. Destacam que a presença de historiadores na equipe e o contato com referenciais franceses corroboraram para “maior ênfase na abordagem da instituição e de seu acervo pelo seu valor de evidência para o estudo do passado”. Nesse sentido, também teriam contribuído as novas diretrizes para a educação nacional constituídas no processo de redemocratização dos anos de 1980 e 1990, que colocavam a necessidade de se trabalhar com procedimentos de pesquisa histórica nas práticas de ensino-aprendizagem da Educação Básica.

Nesse percurso de análise, vão se debruçando sobre as atividades e projetos desenvolvidos desde a década de 1990, demonstrando como os serviços educativos demandados, especialmente pelas escolas, sempre estiveram presentes na vida do APCBH, contribuindo para seu reconhecimento social e fortalecimento de seus laços com a comunidade.

Para eles, a condição de arquivo municipal propiciou grande contato com as escolas da região, que apresentaram demandas por reproduções de documentos que pudessem ser usadas em sala de aula, assim como por visitações. Nos anos iniciais, em que a instituição Foto Visita APCBHestava instalada em um espaço diminuto, em salas da então Secretaria Municipal de Cultura, o Arquivo reproduziu uma amostra de seu acervo, que era levada às escolas. A partir da mudança para um espaço próprio, ocorrida em 1996, o APCBH passou a receber visitas do público escolar, que seguem sendo oferecidas até hoje. Daquele ano até 2010 as visitas monitoradas foram organizadas como espaço para apresentação tanto da instituição quanto da trajetória histórica do município, a partir de um trabalho didático com fotografias. Para qualificar a interação entre Arquivo e professores, estes eram convidados para realização prévia de visitas técnicas.

Em 1997, ano marcado pelas comemorações dos cem anos da capital mineira, foi lançado o Projeto Momentos de uma capital centenária, que teve como produto a reprodução 31 documentos fotográficos, em pranchas e em slides, que foram distribuídos para todas as escolas da cidade, retratando paisagens marcantes da história local. Apesar do mérito nas intenções do projeto, de sua qualidade ou abrangência no alcance, a ausência de acompanhamento mais sistemático do que era feito com o material nas escolas fez com que em muitos casos os kits não chegassem aos verdadeiros interessados, sendo tomados por indivíduos como um “presente” do Arquivo, e não como um material didático que deveria ser compartilhado por professoras e professores, socializado na biblioteca escolar.

A partir de 1999 iniciou-se o Projeto Histórias de Bairros de Belo Horizonte, em muito resultante da constante procura do Arquivo por estudantes das séries iniciais da Educação Básica, que desejavam pesquisar sobre a história local. O APCBH iniciou o “levantamento de fontes em seus acervos e nos de outras instituições de memória da cidade, sistematizado a partir da divisão espacial dos bairros”, e pensando produtos a partir do material coletado. Já em 2007 foi constituída uma equipe para “produzir uma coleção de cadernos paradidáticos APCBH 1voltados para o público de 9 a 12 anos”. Os primeiros exemplares da Coleção História de Bairros de BH foram lançados em 2008, contando hoje com nove cadernos, mais o volume dedicado ao professor. Todos podem ser baixados pela internet, acesse aqui um dos exemplares! Estes produtos colocaram o Arquivo em uma nova posição: deixaria de envolver-se apenas com o processo de seleção de fontes que seriam trabalhadas pelos professores em sala de aula, colocando-se como agente ativo, produtor de reflexões e propositor de metodologias no campo do ensino de história, evidenciando a pertinência da atuação de outros atores na confecção de materiais didáticos, para além dos profissionais diretamente envolvidos com as escolas e do grande mercado editorial brasileiro do livro didático.

Em 2003 foi lançado o material Vídeo Documento, com 11 minutos de duração, conduzido pela narrativa de uma criança chamada Davi, estudante que entra em contato com o Arquivo a partir de uma proposta de atividade feita pela professora. Já buscando ampliar a percepção dos acervos como documentos que informam sobre o passado, o foco do vídeo é discutir “o sentido daquele arquivo público municipal como patrimônio da cidade. Para tanto, parte-se das referências da criança: seu arquivo pessoal e a variedade de documentos que o compõem; suas vivências na cidade, como o uso do transporte coletivo; os locais que reconhece na documentação histórica, como o parque central da cidade; a importância de se preservar os documentos e os critérios utilizados para isso”. O material foi reconhecido pelo IPHAN com o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade na categoria de melhor ação de Educação Patrimonial do ano, e passou a ser utilizado nas visitas monitoradas.

APCBH 2Em 2007, para qualificar a preparação das e dos professores, e consequentemente das(os) estudantes, às visitas, foi publicada a cartilha “Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte: informação e memória”, que pode ser acessada aqui. Nela são apresentados conceitos importantes para a compreensão das funções de uma instituição arquivísiticas, suas atividades nos processos de gestão documental, salvaguarda, difusão e acesso ao patrimônio cultural documental , além de apresentar o APCBH, sua história e acervos, trazer orientações para melhor organização e aproveitamento da visita, e sugestões de atividades para a sala de aula.

As produções aqui evocadas evidenciam a centralidade dada pelo APCBH às ações educativas enquanto elemento constitutivo de sua identidade enquanto instituição pública de arquivo. O sucesso e reconhecimento do trabalho, agraciado com parcerias, recursos captados externamente e premiação em nível nacional, certamente está relacionado à dedicação de uma equipe constituída e consolidada para esta área, e à compreensão, por parte da instituição como um todo, do potencial e do papel social dos Arquivos enquanto espaços de memória, cultura e educação. Seguiremos com essa reflexão!

Oficina de Educação Patrimonial do PEP UFRGS-APERS é realizada na UNIVATES

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Na última sexta-feira, 18 de setembro, o Arquivo Público do RS marcou presença na UNIVATES, universidade localizada na cidade de Lajeado. A convite da professora Márcia Volkmer, que atua no curso de História especialmente nas áreas de Ensino de História, imigração, patrimônio cultural e acervos, parte de nossa equipe do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS esteve na instituição aplicando a oficina “Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos”, oferecida no Arquivo Público desde o segundo semestre de 2013.

As servidoras Clarissa Sommer e Nôva Brando, a estagiária Deise Freitas e a bolsista da UFRGS Andressa Malhão foram recebidas pelas professoras Márcia e Maribel Girelli, coordenadora do curso de História, e desenvolveram a atividade ao longo da tarde com professores e estudantes dos cursos de História, Direito e Letras.

A oficina compôs a programação da Semana Acadêmica do Centro de Ciências Humanas e Sociais, integrada ao IV Simpósio Internacional Diálogos na Contemporaneidade. Na oportunidade foi possível debater, a partir dos processos administrativos de indenização a ex-presos políticos que são pesquisados durante a oficina, sobre a importância do acesso aos arquivos relacionados ao contexto da ditadura no Brasil, e sobre as potencialidades desse acervo salvaguardado pelo APERS, tanto para a pesquisa histórica e a garantia de direitos aos cidadãos quanto para usos educativos.

O estudo a partir das trajetórias de vida de militantes, registradas nas páginas dos processos, possibilita conhecer mais a respeito do contexto, entender formas de repressão e de resistência, assim como tomar consciência das violações de Direitos Humanos perpetradas pelo Estado ditatorial, para que não se esqueça e para que nunca mais aconteça! Agradecemos a oportunidade de trocar experiências e de seguir difundindo o acervo e o trabalho do Arquivo Público. Estamos sempre dispostos a participar de momentos como estes. Confira as fotos.

Distribuição de Caixas Pedagógicas e Catálogos Seletivos

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Relembramos que estamos em fase de distribuição das caixas pedagógicas do projeto AfricaNoArquivo e do catálogo seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Saiba mais:

CaixaPedagogicaCaixas pedagógicas AfricaNoArquivo: distribuídas às escolas públicas de Canoas, Gravataí, Porto Alegre, Viamão e para as 30 primeiras escolas de qualquer município, instituições de memória, associações e entidades da área (cultura negra) que declararem e justificarem o interesse em receber o material. Neste caso, a escola/ instituição/ entidade deverá enviar uma mensagem para nossa equipe através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registrando o interesse e referenciando a atuação na área. Essas 30 caixas serão destinadas conforme a ordem de recebimento dos e-mails. Mais informações na Aba “Projetos Patrocinados”.

2015.01.21 Catalogo ResistenciaCatálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil: distribuição do catálogo para instituições voltadas para o ensino e a pesquisa sobre a história da ditadura no Brasil, como escolas de ensino médio da rede pública, universidades, arquivos, bibliotecas e organizações ligadas a essa temática. Acesse aqui a listagem de instituições contempladas. Para ler outras notícias sobre este catálogo, clique aqui.

Ambos os materiais, de distribuição gratuita, podem ser retirados na sede do Arquivo Público do RS (Rua Riachuelo, nº 1031 – Centro Histórico | Porto Alegre) por um representante da instituição devidamente identificado e mediante a assinatura de termo de compromisso, sendo doada uma caixa ou um catálogo por instituição.

Relatórios 2014 – DIPEP: Projeto AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil

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Arte Adesivo Caixas corrigido logo SARH

Projeto realizado com recursos do Prêmio Pontos de Memória 2012, do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), captados através da Associação dos Amigos do APERS, e com apoio da UFRGS através do Programa de Educação Patrimonial para confecção das reproduções de documentos.

A execução do plano de trabalho e a concretização das ações do Projeto se deu de forma satisfatória. Foi possível cumprir as metas estipuladas e avançar em relação a elas, ampliando o alcance das caixas pedagógicas para mais escolas do que o previsto inicialmente, efetivando a reedição dos Catálogos de Documentos da Escravidão no RS em formato CD e adquirindo diversos equipamentos para o APERS que poderão ser utilizados a longo prazo para divulgar essas ações, para qualificar as demais atividades que a instituição já vinha realizando na área da história e cultura afro-brasileira – como a oficina Os Tesouros da Família Arquivo, oferecida no espaço do Arquivo para turmas das séries finais do Ensino Fundamental – e ainda para seguir propondo desdobramentos ao projeto.

Tudo isto oportunizou um grande avanço no campo da difusão, tanto do acervo quanto da instituição, levando os documentos relacionado ao período da escravidão e os debates sobre história e cultura negras no Rio Grande do Sul para dentro de 700 escolas das redes públicas de ensino dos quatro municípios mais populosos da região metropolitana (Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Viamão), restando ainda algumas caixas para distribuir a escolas de outros municípios, instituições de memória e associações ligadas ao tema que manifestaram interesse no material, conforme quadro a seguir:

quadro

Sobre as metas gerais do projeto, podemos apresentar os resultados sinteticamente da seguinte forma:

  • Ação 1 – Aquisição de Equipamentos
    Previsto: 01 notebook e 01 projetor.
    Executado: 01 notebook, 01 projetor, um HD externo, um suporte para projetor, uma caixa de som portátil, uma máquina fotográfica.
  • Ação 2 – Reedição dos Catálogos de Documentos da Escravidão no RS em CD
    Previsto: 500 cópias
    Executado: 500 cópias
  • Ação 3 – Confecção e distribuição de caixas pedagógicas para escolas públicas dos municípios mais populosos da região metropolitana de Porto Alegre
    Previsto: 650 caixas
    Executado: produção de 700 caixas, distribuição de 100 caixas até o momento, dando sequência à distribuição ao longo do primeiro semestre de 2015.

Em relação aos produtos e resultados obtidos, sistematizamos assim:

  • Seleção e transcrição de documentos através de pesquisa histórica no acervo do APERS;
  • Produção de um jogo pedagógico temático, autoral e inédito;
  • Produção de 04 entrevistas registradas em vídeo com: Professor José Rivais Macedo (História/UFRGS), Thiago Leitão de Araújo (pesquisador do APERS e doutorando em História Social da Cultura pelo Cecult/Unicamp), Iara Deodoro (professora e coreógrafa do Instituto Social Afro-Sul Odomodê), e Ana Centeno (griô). O material de vídeo produzido nas entrevistas foi analisado, selecionado e editado para fazer parte do vídeo formativo.
  • Produção de um vídeo formativo com 20 minutos, também inédito, relacionando o APERS, seus acervos, os processos de ensino e aprendizagem e a história negra no RS;
  • Confecção de 700 caixas pedagógicas;
  • Organização e realização de um evento com entrada franca para o lançamento público das caixas pedagógicas, com palestra e atividade cultural;
  • Ampliação do alcance ao acervo do APERS tanto através da distribuição das caixas pedagógicas quanto dos Catálogos em CD;
  • Produção de postagens para o blog institucional do APERS divulgando o projeto e sugerindo atividades pedagógicas a partir do acervo selecionado para as caixas. Também incluímos o projeto na aba “Projetos Patrocinados” do blog, dando destaque à parceria com o IBRAM em nossa principal mídia social;
  • Alcançados todos os objetivos/resultados relacionados no plano de trabalho: consolidou-se o APERS como um Ponto de Memória identificado com a história, a memória e a cultura afro-brasileira; qualificou-se sua infraestrutura através da aquisição de equipamentos para estas ações e para projetos vindouros; ampliou-se a difusão dos acervos da instituição através dos quais se podem reconstituir a história da escravidão e da luta por liberdade no Rio Grande do Sul e no Brasil em relação direta com o continente africano, possibilitando a problematização das marcas deixadas por este processo histórico em nossa realidade social atual; difundiu-se as ações já desenvolvidas pelo APERS em parceria com a AAAP-RS na área educativa e cultural, como seu Programa de Educação Patrimonial e a oficina Os Tesouros da Família Arquivo, que já utilizava documentos referentes ao período da escravidão; contribui-se para a aplicação da Lei 10.639/2003 a partir da distribuição de caixas pedagógicas que dão suporte aos professores para que possam refletir e debater sobre a temática de maneira sólida e embasada; incentivou-se a democratização do acesso aos arquivos públicos como espaços de memória e produção do conhecimento a partir da difusão do APERS e seu acervo.

Ainda temos como pendência para 2015 a finalização da distribuição das caixas, que se demonstrou mais lenta do que o previsto, especialmente porque ainda não conseguimos efetivar parceria nesse sentido com as Secretarias de Educação (estadual e municipais) e pela distribuição ter iniciado no final de novembro, próximo ao início das férias escolares. Certamente a procura aumentará agora, com início das aulas, e nossa equipe seguirá envolvida com essa tarefa, assim como com a proposição de novas atividades para difundir e qualificar o alcance do Projeto. Novidades sempre serão amplamente divulgadas pelo blog. Acompanhe!

Novidades AfricaNoArquivo! Ampliação do alcance do Projeto

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Arte Adesivo Caixas corrigido logo SARH

A partir de uma readequação dos recursos captados pelo Prêmio Pontos de Memória/IBRAM e do apoio da UFRGS através do Programa de Educação Patrimonial UFRGS/APERS será possível ampliar o alcance das caixas pedagógicas AfricaNoArquivo.

Inicialmente elas seriam distribuídas às escolas públicas de Porto Alegre, Canoas e Gravataí. Agora, serão distribuídas também para as escolas de Viamão, alcançando os quatro municípios mais populosos da região metropolitana, e para as 30 primeiras escolas de qualquer município, instituições de memória, associações e entidades da área (cultura negra) que declararem e justificarem o interesse em receber o material. Neste caso, a escola/instituição/entidade deverá enviar uma mensagem para nossa equipe através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registrando o interesse e referenciando a atuação na área. Essas 30 caixas serão destinadas conforme a ordem de recebimento dos e-mails.

Lembramos a todas e todos que o material pode ser retirado no Arquivo Público por um responsável pela escola devidamente identificado, que preencherá um termo de compromisso, sendo doada uma caixa por instituição. Mais informações na Aba “Projetos Patrocinados”.

Outra novidade é que a partir de fevereiro teremos em nosso blog a categoria “AfricaNoArquivo”. Através dela divulgaremos notícias sobre desdobramentos do Projeto, reflexões e dicas para qualificar e potencializar os usos do material distribuído. Acompanhe!

Arquivos & Diversidade Étnica: muitas Áfricas no Brasil

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Ao escrever artigo para a Ciência Hoje Online sobre as raízes africanas da população brasileira a partir de estudos genéticos, Sergio Pena, geneticista e professor da USP, recorda os estudos artísticos feitos entre 1821 a 1825 pelo pintor alemão Johann Moritz Rugendas, que viajou por nosso país registrando e catalogando através de seus pincéis nossa fauna, flora e população. Rugendas “se encantou particularmente com a ampla variedade de povos africanos no Rio de Janeiro, que captou em sua arte (ver figura). Como relatado por ele, ‘em um só golpe de vista o artista pode conseguir resultados que, na África, só atingiria através de longas e perigosas viagens a todas as regiões dessa parte do mundo’”.

Etnias Africanas

No artigo em questão Sergio foca sua análise na unidade encontrada entre as amostras genéticas de brasileiros brancos de diversas partes do país, demonstrando a presença de marcadores genômicos que comprovam a ancestralidade africana da população pesquisada, e aponta para a África Central, de matriz bantu, como sendo a principal origem de tal ancestralidade. Assim como Rugendas já teria observado ao perceber o quanto os africanos escravizados passavam a comunicar-se com facilidade, mesmo sendo oriundos de diferentes partes da África e falando diferentes línguas – o que para ele era sinal de que sua fala possuía algo em comum – os estudos referenciados pelo geneticista comprovam a unidade da matriz étnico cultural bantu e sua preponderância entre a ascendência dos brasileiros, presente em 69% do total de amostras estudadas, contra 31% de marcadores que representariam outras origens africanas. Além da diversidade de etnias de origem bantu, predominantes nos atuais Congo e Angola, tanto os estudos artísticos de Rugendas, quanto os estudos genéticos, históricos e antropológicos que vêm sendo realizados nos últimos anos evidenciam a ampla gama de povos e culturas que foram trazidas ao Brasil, a partir de africanos monjolo, fon, cassange, benguela, cabinda, rebolo, mina, moçambique…

Mas o quê tudo isso tem a ver com documentos de arquivo? Bem, a verdade é que um olhar mais atento às fontes arquivísticas pode nos ajudar a ter uma experiência concreta de imersão na história, e de contato com essa diversidade! Como exemplo, hoje apresentamos um testamento de 1832, da localidade de Piratini, aparentemente mais um testamento entre tantos que foram legados a nós pelas gerações anteriores. E por um lado, realmente é apenas mais um documento, afinal, entre as prateleiras de nosso acervo há tantos outros capazes de contribuir nessa reflexão. Mas quando sabemos olhar para suas linhas, escritas com uma grafia de outro tempo, com tinta, pena e papeis de outro tempo, com abreviaturas e expressões que hoje estão datados, percebemos que dependendo de nossas interrogações não são apenas mais algumas folhas: são o registro da existência e de parte da história da testamentada Dona Maria Caetana da Conceição – ou seja, a pessoa que está deixando seu testamento – assim como de Esméria, Maria, Joaquim, José e Joanna, como você poderá acompanhar a partir da digitalização do documento, aqui abaixo.

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Maria Caetana era uma senhora da elite rio-grandense, que em 03 de junho de 1829 mandou chamar em sua casa o “escrivão do lar” da localidade para registrar seu testamento, por temer a morte devido a “seus costumados achaques” e “avançada idade”. Conforme nos permite descobrir o documento, era viúva do primeiro casamento, do qual teve cinco filhos, todos falecidos. Seu segundo marido, Manoel José da Silva Santos Velleda, com o qual teve dois filhos que declara seus herdeiros, foi vereador de Piratini na primeira composição de sua câmara, logo que a localidade foi elevada a vila. Seu nome figura entre os que assinaram importantes decretos durante a Guerra dos Farrapos, no período em que o Rio Grande proclamou-se uma república independente do Império do Brasil. Já Esméria era uma menina mulata, de sete anos, provavelmente nascida na província, filha da mulata Maria. Joaquim, já em idade avançada, declarado cego, era de nação mina. José, de cinquenta e seis anos, era casado com Joanna, de cinquenta. Ele era de nação congo, e ela, benguela. Todos eram escravos de Maria Caetana, que à vésperas da morte os libertou, com diferentes observações que podem ser abordadas a partir da leitura do testamento.

Essa descrição nos suscita diversas questões que se conectam a discussão inicial: em um pequeno plantel arrolado no testamento dessa senhora conseguimos identificar pessoas escravizadas de diferentes origens – mina, benguela, congo e criola, esta última relacionada aos escravizados nascido aqui. A mesma descrição nos permite inferir que dentro do plantel de Dona Maria, mesmo com as prováveis diferenças étnico culturais carregadas por Joaquim, José e Joanna, estabeleceram-se laços de afeto e família, expressos entre mãe e filha, marido e mulher, compadres e comadres. Que língua falaria o velho Joaquim ao chegar ao Brasil? Como passou a relacionar-se com José e Joanna, adultos de origem diferente da sua? Que histórias estes deviam contar à pequena Esméria, filha de Maria? O documento não afirma isso, mas quais seriam as chances de que José ou Joaquim fosse seu pai? Ou teria seu pai morrido, ou sido afastado dela ao ser vendido para outro senhor? Que palavras, comidas, ritmos, formas de cultivar a terra, tecer e trabalhar teriam trazido da África cada uma dessas pessoas? E como tais conhecimentos teriam se relacionado, amalgamado, traduzido em uma nova cultura, agora brasileira, da qual Esméria é grande expressão?

Uma pesquisa de maior fôlego certamente poderia nos ajudar a responder algumas dessas questões, analisando outros documentos produzidos ao longo da vida por Dona Maria Caetana, como registros de batismo e casamento de seus escravos, inventários e testamentos de outros membros de sua família, assim como relatos de afro descentes daquela região do estado, estudos sobre a cultura legada por escravizados mina, benguela ou congo à região sul do país, etc. Claro que esse é um exercício que gostaríamos de instigá-lo a realizar! Observando rapidamente a partir do Catálogo Seletivo de Documentos da Escravidão relativo aos testamentos já pudemos identificar a existência em nosso acervo do testamento de seu marido, Manoel Santos Velleda. Que outros bens o “chefe” daquela família traria arrolados em um documento de mesma tipologia produzido vinte anos depois? Conforme é possível observar no verbete, também são elencados diversos escravos:

Verbete Inventário Manoel Velleda

Nosso objetivo com este breve mergulho entre o mundo dos arquivos é justamente mostrar mais um indício das múltiplas “Áfricas” trazidas ao Brasil, das quais todos nós somos parte, somos fruto, enfim, somos filhos. Áfricas já observadas por Rugendas, por Sergio Pena, e por tantos outros… Para nós, servidores do APERS, este é um mundo muito presente e fascinante, com o qual convivemos a cada caixa de documentos que abrimos em nosso cotidiano. Descubra-o você também, e multiplique esse conhecimento entre seus alunos, seus colegas, amigos, familiares!

APERS recebe aula pública de encerramento do Seminário de Ensino de História/UFRGS

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 No dia 14/12, próximo sábado, o Arquivo Público sediará a aula pública Ensino de História e Ditadura, atividade de encerramento do Seminário de Ensino de História: Teoria e Prática, organizada também para debater e celebrar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro. A ação foi organizada pelo professor titular da disciplina, Enrique Serra Padrós, e contará com palestras e depoimentos.

 Além dos alunos da disciplina, servidores do APERS e comunidade em geral interessada na temática poderão participar. A entrada é franca. Informações: (51)3288-9117

  Programação:

2013.12.11 Aula Pública História e Ditadura

APERS sediará Seminário Ditadura, Gênero e Ensino de História

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   Entre os dias 18 e 20 de novembro o Arquivo Público do RS sediará o Seminário Ditadura, Gênero e Ensino de História, promovido pela Revista Aedos, Revista do corpo discente do Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, com apoio do APERS e da UFRGS. Informações pelo e-mail revista.aedos@gmail.com.

Cartaz Cone Sul_1

APERS entrevista: Thiago Leitão de Araújo

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2013.09.25 APERS entrevista - Thiago Leitao de Araujo

Thiago Leitão de Araújo, 35 anos, graduado em História pela UFRGS, onde desenvolveu sua dissertação de mestrado (2008). Desde 2010 desenvolve sua tese de doutorado no Centro de Pesquisa em História Social da Cultura (Cecult/Unicamp), sob orientação do professor Robert Slenes. Utiliza as fontes primárias do APERS desde 2004, confira nossa entrevista com Thiago:

Blog do APERS: Thiago, você poderia comentar um pouco sobre como teve teu interesse despertado para a temática da história social da escravidão?

Thiago: Dois temas ou questões históricas na minha visão sempre serão fundamentais, imprescindíveis para se conhecer e deslindar a história do que hoje chamamos Brasil, tanto no passado quanto no continuum presente futuro: a história indígena e a história dos africanos e seus descendentes; estes últimos trazidos forçosamente para o lado de cá do atlântico como trabalhadores escravizados, mas que construíram significativamente a sociedade brasileira, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista sócio-cultural. O interesse pela temática, portanto, já existia, e veio a se consolidar no primeiro semestre de 2003 quando a professora Regina Xavier ofereceu uma disciplina sobre escravidão no Rio Grande do Sul, que se estendeu por alguns semestres (tais disciplinas à época foram cursadas por muitos dos atuais doutores e mestres em história da escravidão no Rio Grande do Sul). Neste sentido, sempre costumo dizer que se a disciplina oferecida fosse sobre história indígena certamente eu teria desenvolvido meus estudos nessa temática (que na verdade faz parte de minhas áreas de interesse, hoje já um tanto expandidas). Ademais, vale lembrar que em 2003 ocorrera a primeira edição do Encontro Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, em Castro, no Paraná. Realizado bi-anualmente, tornou-se aos poucos referência para os estudos e debates sobre a escravidão no Brasil, e hoje muitos dos mais renomados pesquisadores da área consideram os Encontros como um dos mais importantes fóruns de discussão sobre o período escravista e o pós-abolição. Das seis edições pude participar de cinco, desde o realizado em Porto Alegre em 2005. Minha trajetória enquanto pesquisador, portanto, também está ligada a tais Encontros, nos quais a professora Regina Xavier teve um papel fundamental ao trazê-los para Porto Alegre, e principalmente ao criar um campo de estudos sobre escravidão até então praticamente inexistente (Para mais informações sobre os Encontros, clique aqui.). Em relação à história social, minhas pesquisas se inspiram fortemente nos estudos que, a partir da década de 1980, passaram a rever os pressupostos que pautavam as relações escravistas no Brasil. Longe de negar o caráter coercitivo das relações de escravidão, os historiadores dessa geração passaram a analisar o cotidiano dos escravos em seus embates e negociações com os senhores, a fim de decifrar os significados que eles podiam conferir às suas experiências de cativeiro e liberdade. Tais estudos passaram a rediscutir os significados dos castigos físicos na política de domínio senhorial, a participação dos escravos nas transações de compra e venda e a importância de suas lutas em torno da alforria, o papel da identidade étnica, por exemplo, no levante dos escravos malês e sua complexa relação com a identidade religiosa e de classe, a importância tanto da família e linhagens escravas na conformação dos conflitos entre senhores e escravos quanto a da herança africana para a interpretação que os escravos faziam de sua experiência, entre tantas outras e variadas temáticas (refiro-me aos estudos de João José Reis, Sidney Chalhoub, Silvia Lara e Robert Slenes). Enfatizaram, enfim, a capacidade dos escravos de agir a partir de lógicas próprias, dentro, é claro, dos limites e condicionamentos que pautavam suas relações com os senhores. A década de 1980, portanto, marca um momento de inflexão nos estudos sobre a escravidão no Brasil, pois além de outros pressupostos os historiadores mergulharam a fundo nos arquivos em busca de documentos que pudessem revelar aspectos das relações escravistas até então pouco estudados, ou mesmo negligenciados, anteriormente.

Blog do APERS: Qual a importância do acervo do APERS para tua atuação enquanto pesquisador?

Thiago: A pesquisa em arquivos, em fontes primárias, é parte fundamental nessa renovação dos estudos sobre a escravidão no Brasil que acabei de mencionar. No início da década de 1980, Robert Slenes chamava a atenção dos pesquisadores para tudo aquilo que Rui Barbosa não havia mandado queimar (e o que mandou incinerar tinha a ver com a “queima” das possibilidades dos ex-senhores virem a pedir ressarcimento pela perda de suas propriedades depois da abolição em 1888). Naquela época os historiadores ainda não haviam explorado os inventários, as listas de matrícula constantes nos mesmos a partir de 1872, os documentos cartorários (cartas de liberdade, de compra e venda de escravos, contratos de locação de serviços etc.), os processos-crime, testamentos e uma gama bem mais ampla de fontes. A questão, no entanto, não era meramente do uso de fontes até então não utilizadas, mas também de método. A partir do cruzamento entre documentos diversos por meio do método de ligação nominativa, ou seja, de um nome de determinado senhor, seria possível reconstituir variados aspectos da organização produtiva de determinada propriedade, a demografia dos trabalhadores escravizados, suas relações familiares, as tecidas com seus senhores etc. Na pesquisa que resultou na dissertação Escravidão, fronteira e liberdade vali-me densamente da documentação conservada no APERS, onde estão os fundos mais importantes a permitirem tanto uma análise serial quanto uma análise qualitativa da documentação, possibilitando ao mesmo tempo a utilização do método de ligação nominativa referido acima. Utilizando o método de análise serial quantifiquei massivamente os inventários post-mortem, as compras e vendas de escravos e as cartas de alforria para a vila da Cruz Alta Oitocentista. Ao mesmo tempo utilizei essa documentação de forma qualitativa juntamente com os processos-crime e os testamentos, e quando foi possível cruzei estas variadas fontes a fim de acessar de forma mais densa as relações sociais de escravidão em determinadas unidades produtivas. Isto é, a documentação sediada no APERS foi e continua sendo essencial não só para minhas pesquisas como para a renovação dos estudos sobre a escravidão no Estado. A esse respeito é necessário enfatizar a enorme contribuição do Arquivo Público ao trabalho dos historiadores a partir dos projetos Documentos da Escravidão, em que foram produzidos instrumentos de pesquisa, na forma de verbetes, sobre as cartas de liberdade do interior do Estado (2006). No ano de 2010 foram publicados, também em forma de verbetes, os inventários, testamentos e processos-crime que arrolavam escravos entre os bens senhoriais ou traziam os cativos como réus ou vítimas no caso dos processos criminais. Atualmente o APERS vem desenvolvendo o projeto de digitalização das quase 30.000 cartas de liberdade registradas em cartório, desde o século XVIII até o fim do período escravista. Estas iniciativas são importantíssimas para um melhor acesso e mesmo um conhecimento mais amplo da documentação existente no Arquivo Público. Embora na época em que realizei a pesquisa para Escravidão, fronteira e liberdade estes materiais ainda não estivessem disponíveis, atualmente os tenho utilizado como um meio de busca que, ao contrário, demandaria muitos meses de pesquisa para a localização de determinada documentação.

Blog do APERS: Pesquisar em fontes primárias requer certos cuidados, qual a tua dica para os pesquisadores que estão começando agora a lidar com estas fontes?

Thiago: Neste ponto as dicas já foram dadas por grandes historiadores. De acordo com Marc Bloch, toda investigação histórica supõe desde os seus primeiros passos que a pesquisa tenha um fio condutor, uma direção; muito embora o pesquisador saiba que o itinerário previamente estabelecido no começo não será seguido ponto a ponto. No entanto, não ter um ponto de partida implicaria o risco de errar eternamente ao acaso. Ou seja, não devemos imaginar que indo ao arquivo e pesquisando centenas de documentos as questões irão de repente aparecer. Por isso desenvolvemos hipóteses de trabalho, que nos servem de guia à pesquisa, mesmo que durante o percurso elas geralmente se transformem (e é bom que isso aconteça). No entanto, o mais importante são as maneiras como interrogamos as fontes, as perguntas que a elas fazemos são fundamentais. Segundo o historiador Edward Thompson, o discurso disciplinado da prova consiste num diálogo constante entre conceito e evidência, um diálogo conduzido por hipóteses sucessivas, de um lado, e a pesquisa empírica, de outro. Se as evidências não estão de acordo com o conceito que determinado pesquisador utiliza, então não podemos sacrificar a história para manter a teoria em pé. Isso é uma questão básica para os bons historiadores. Quanto à documentação relativa ao período escravista que está conservada no APERS e os importantes instrumentos de pesquisa produzidos pela instituição, minha dica seria no sentido de sempre pesquisar as fontes originais, sempre. Os instrumentos de pesquisa não passam disto, instrumentos de localização e de mapeamento mais amplo da documentação. Cito um exemplo. Os instrumentos de pesquisa com seus pequenos verbetes sobre os processos-crime são de uma riqueza ímpar nesse sentido que falei: como um meio de busca. No entanto, listam apenas os escravos que constam nos autos como vítimas ou réus. Há poucos dias, por exemplo, fazia a triagem de processos-crime em suas respectivas caixas, independente de terem ou não escravos como partes principais dos autos. Deparei-me com um processo em que um menino havia sido assassinado num dia de domingo, na vila de Bagé. Embora nenhum escravo tivesse sido indiciado no caso, três ou quatro cativos serviram de testemunhas no processo. Em grande parte das regiões escravistas nas Américas era costume permitir que os escravos trabalhassem para si um dia da semana (ou realizassem outras atividades), geralmente no domingo. Esses depoimentos dos escravos são interessantíssimos, pois permitem acessar o seu cotidiano em tal contexto. Sendo inquiridos onde estavam naquele dia, no horário em que o crime ocorreu, seus movimentos e as pessoas que podiam confirmar tal versão, podemos descobrir se trabalharam para si ou para seus senhores, quais os percursos que realizaram, se comercializaram seus produtos nas vendas locais ou não, o horário em que costumavam acordar, almoçar, repousar e se recolher, por exemplo. Por isso minha dica seria no sentido de sempre pesquisar os documentos originais, por um lado, e vasculhar, no caso dos processos-crime, outros autos que possam revelar aspectos importantes do cotidiano escravista em plagas sulinas. Evidentemente, no caso da digitalização das cartas de liberdade o caso é diferente, já que se trata da conservação da documentação e da disponibilização a um público mais amplo, e no momento em que tal trabalho estiver concluído não haverá mais necessidade de utilizar-se dos originais.

Blog do APERS: Atualmente temos em vigor no Brasil leis como a 10.639/03, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira no ensino fundamental e médio, e a 12.288/10, que institui o Estatuto da Igualdade Racial. Como tu percebes a relevância de pesquisas como a tua para a efetivação de tais leis?

Thiago: A resposta não é simples, por isso começo com um primeiro exemplo. Muito embora os pesquisadores da década de 1960 tenham desconstruído em seus trabalhos o mito da democracia racial no Brasil, esta é ainda uma ideia que perpassa o senso comum de boa parte da sociedade brasileira e as instituições de ensino, e que até mesmo tem tido repercussões na forma como a Lei 10.639/03 tem sido por vezes percebida. Em abril deste ano, numa mesa-redonda em que se fazia o balanço e as perspectivas dos dez anos da lei, a professora Petronilha Gonçalves colocou a seguinte questão: se no fundo os encaminhamentos dados a partir da aprovação da lei estavam desconstruindo o mito da democracia racial ou se estavam lhe dando apenas novas tonalidades? (mesa também composta pela professora Nilma Lino Gomes; para visualizar o vídeo com o debate, clique aqui). A questão colocada nos obriga a refletir. No meu ponto de vista, acredito que nossos trabalhos têm sim uma relevância social. E porque não, podem até vir a ter para a efetivação das leis referidas na pergunta. Mas isso não é algo óbvio, nem ao menos provável, embora possível. Vamos então para um segundo exemplo. Até a bem poucos anos a ideia que se tinha da escravidão no Rio Grande do Sul é que ela só teria tido uma relevância nas áreas de colonização antigas, principalmente nas charqueadas e na escravidão urbana das principais cidades. Nas outras regiões o trabalho dos escravizados teria tido um papel secundário e não estruturante das relações de trabalho, principalmente no que diz respeito à pecuária. Estudos de história agrária na província, como os de Paulo Zarth, Helen Osório e Luís Farinatti, desconstruíram tal visão, mostrando a grande participação de cativos nos trabalhos pecuários, muito embora a ênfase de ambos os estudos não fosse centrado nas relações escravistas. Escravidão, fronteira e liberdade em certo sentido foi um estudo pioneiro na análise das relações escravistas na pecuária sob a perspectiva dos estudos sobre escravidão a partir da análise dos conflitos e negociações entre senhores e escravos (juntamente com o estudo de Luana Teixeira). Análise demográfica e econômica da vila da Cruz Alta, a perda ou não de cativos para o tráfico interno, negociações e conflitos entre senhores e escravos no interior das estâncias, a economia interna dos escravos e a luta em torno da liberdade foram temas abordados numa perspectiva crítica com os trabalhos clássicos sobre o tema que minimizavam a importância de tais trabalhadores na pecuária sulina. Juntamente com os autores acima citados, hoje em dia temos uma visão muito mais complexa da escravidão em tal contexto. Mas essa visão foi enriquecida no meio acadêmico, pois no senso comum ainda se ignora a participação fundamental dos escravos nas lides pecuárias, sendo que sua importância foi bastante significativa em todas as atividades produtivas da província de São Pedro, pelo menos desde o final do século XVIII até pelo menos 1884. Enfim, para concluir. Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2004) se lê: “para que as instituições de ensino desempenhem a contento o papel de educar, é necessário que se constituam em espaço democrático de produção e divulgação de conhecimentos e de posturas que visam a uma sociedade mais justa” (p.14-15). Neste sentido se fazem necessárias mudanças radicais na divulgação do conhecimento que vem sendo há muito produzido, visando à formação de professores e a incorporação crítica deste conhecimento no ensino básico (e sua socialização com um público mais amplo), a fim de que a história dos africanos e seus descendentes ganhem espaço nos currículos escolares, e aos poucos criem condições para mudanças efetivas nas relações étnico-raciais no Brasil. Esse processo, evidentemente, cabe a todos e a cada um.

Blog do APERS: Nas tuas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Thiago: Coisas comuns, amigos por perto, um bom papo, uma boa música, ou um bom livro para ler.

Para acessar a dissertação “Escravidão, fronteira e liberdade: políticas de domínio, trabalho e luta em um contexto produtivo agropecuário (Vila da Cruz Alta, Província do Rio Grande de São Pedro, 1834-1884)” de autoria de Thiago, clique aqui.

Aplicando a Lei 10.639: história afro em Quadrinhos

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2013.08.14 Heró Brasileiro

Da Turma da Mônica à Mafalda. Dos super-heróis aos personagens realistas. Dos clássicos das HQs à moderníssimas histórias de ação e Mangás. Quem de nós nunca leu? Com certeza as Histórias em Quadrinhos têm um brilho especial e ultrapassam gerações, e certamente o fascínio que elas exercem pode ser utilizado a favor dos que buscam adquirir ou transmitir conhecimentos.

Nesta perspectiva, acreditamos que as HQs podem ser instrumentos potenciais para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas e outros espaços de educação, além, é claro, de serem dinâmicas fontes de informação para todos nós. Em uma breve pesquisa na internet pudemos perceber que há muitos profissionais, como educadores, pesquisadores das Ciências Humanas e artistas plásticos, que se dedicam a este tema e vêm tanto produzindo Quadrinhos com a temática, quando criando e aplicando atividades pedagógicas com eles em sala de aula.

2013.08.14 AfroHQNo blog AfroHQ o Prof. Amaro Braga compartilha notícias sobre Quadrinhos na área, divulga seus projetos em HQ – que ele chama de veículo-arte – e especialmente o álbum “AfroHQ: História e Cultura Afro-brasileira e Africana em Quadrinhos”, criado em parceria com Danielle Jaimes e Roberta Cirne, ambas das Artes Plásticas. Narrada pelos orixás, a história começa com o surgimento do homem na África, passa pela escravidão e aprofunda as contribuições materiais e imateriais do povo afro ao Brasil. Na elaboração do roteiro, Braga utilizou ampla bibliografia sobre a presença negra no país, desde o clássico “Casa Grande e Senzala” de Gilberto Freyre a vários manuais publicados pelo Ministério da Educação (MEC). Produzido com patrocínio do Funcultura, do Governo do Estado de Pernambuco, a obra foi distribuída às bibliotecas de escolas públicas daquele Estado, e hoje está a venda.

Já o blog Repensando a África divulga uma série de materiais, livros e vídeos que possam contribuir para a implementação da Lei 10.639. E entre os materiais ressaltados estão as HQs. Para o blog “apesar do uso efetivo dos quadrinhos como objeto de estudos acadêmicos e pedagógicos ainda serem pouco explorados, eles podem representar uma eficiente plataforma para novas abordagens, servindo como uma excitante ferramenta para o aprendizado de temáticas africanas”. Nesta postagem são divulgados vários álbuns com temática afro. Vale a pena conferir!

O site História e Quadrinhos  traz diversas postagens interessantes a respeito do uso de Quadrinhos em sala de aula, sobre múltiplas temáticas. Entre elas apresenta ao menos seis postagens que abordam especificamente a questão afro a partir dos HQs. Os posts relacionados em tema podem ser identificados a partir de marcadores como “Lei 10.639” ou “a questão do negro”. São compartilhadas propostas de atividades pedagógicas, em sua maioria realizadas pelo Prof. Caio Ferraro, divulgando as páginas dos Quadrinhos utilizados, um resumo da proposta e comentários gerais. São trazidas imagens excelentes e ideias inspiradoras!

2013.08.14 Xaxado A. Cedraz

Aplicando a Lei 10.639: relações étnico raciais e educação 10 anos após a promulgação da Lei

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2013.05.15 Aplicando a Lei

   Em 2013 celebramos os 10 anos da promulgação da Lei 10.639. Uma década pode ser encarada como espaço de tempo suficiente para muitos avanços na área educacional, e por conseguinte, na própria sociedade. Por outro lado, em um país cuja história foi forjada em relação direta com o preconceito e a discriminação racista a partir de quase 400 anos de escravidão, certamente é pouco tempo para mudar nosso sistema educacional de forma a impactar nossas relações sociais de maneira determinante.

  Uma série de ações tem sido levadas a cabo desde 2003, como cursos de formação para professores, incentivo a pesquisas e publicações, mudanças curriculares, etc. No Arquivo Público, sem relação direta com as determinações legais, catalogamos os acervos que retratam o período da escravidão e a luta por liberdade, elaboramos oficina para estudantes do 6º e 7º ano do Ensino Fundamental com base nesses documentos, realizamos eventos, seminários e cursos. Mas sabemos que ainda há muito por ser feito. E hoje ressaltamos como uma área de atuação e sensibilização fundamental na busca por igualdade racial, respeito e admiração às diferenças: a Educação Infantil.

  Ainda que o Arquivo não tenha ações específicas nessa área, compreendemos que instituições de memória também têm seu papel a cumprir nesta luta. Acreditamos que a apropriação e valorização desde a infância da cultura e patrimônios afro-brasileiros, seus saberes, fazeres, lugares e acervos, é importante para lançar as bases de uma educação em prol da equidade e liberdade, que passa também pela atenção e intervenção em situação racistas no processo educacional, pela formação de professores, ampliação das ofertas de atividades lúdico pedagógicas com o tema, etc.

  Em 1998, antes da Lei 10.639, a pesquisadora Eliane Cavalleiro detectou nas escolas uma realidade adversa neste sentido. Ela comentava em sua dissertação: “o modo como as professoras concebem o cotidiano escolar e as relações interpessoais nele estabelecidas dificulta a percepção dos conflitos étnicos e, inclusive, a realização de um trabalho sistemático que propicie a convivência multiétnica, já que para elas esses problemas inexistem. Para as professoras, as crianças nessa idade não ‘percebem’ as diferenças étnicas e, se as ‘percebem’, não se ‘importam com elas’. Soma-se a isso a ideia de que tratar desse tema é algo desnecessário e ‘cansativo’”. Por outro lado, ao ouvir as crianças, chegou a relatos que negavam a percepção das educadoras, como aquele em que uma menina afirma que as demais crianças brincavam com ela apenas: (…) quando eu trago brinquedo. Porque eu sou preta. A Catarina branca um dia falou: ‘Eu não vou ser tia dela (da própria criança que está narrando)’, a gente estava brincando de mamãe. A Camila que é branca não tem nojo de mim”, afirmando ainda que as outras crianças tinham.

  Relatos como este com certeza chocam. E muitos de nós poderíamos pensar: “bem, já se passaram 15 anos!”. Mas será que hoje a situação é outra? Imaginamos que em relação a formação e atuação dos educadores e educadoras devam ter ocorrido muitas mudanças, porém este é um processo longo, que visa transformar uma realidade de marcas muito profundas. E diversas experiências vivenciadas ao longo das oficinas de Educação Patrimonial no próprio APERS, de 2009 ao presente, evidenciaram muitas situações de racismo que nos servem de alerta para seguir atuando firmemente!

Para acessar a dissertação da pesquisadora Eliane Cavalleiro, clique aqui.

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Aplicando a Lei 10.639: dica de vídeos

Aplicando a Lei 10.639: conhecendo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais.

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   Dando sequências às postagens sobre a aplicação da Lei 10.639, pensadas a2013.04.10 Aplicando a Lei 10639 - imagem Google partir da realização do curso Aplicando a Lei 10.639: Patrimônio, Cultura e História da África e Afro-Brasileira no APERS em novembro de 2012, hoje gostaríamos de compartilhar e refletir a respeito das “Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana”.

   Estabelecidas a partir da Resolução 01 de 17 de junho de 2004, do Conselho Nacional de Educação, foram elaboradas nos marcos de uma política mais ampla que visa corrigir injustiças, eliminar discriminações e promover a inclusão social e a cidadania para todos no sistema educacional brasileiro, e estão em conformidade com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que assegura o direito à igualdade de condições de vida e de cidadania, assim como garantem igual direito às histórias e culturas que compõem a nação brasileira.

   As Diretrizes “constituem-se de orientações, princípios e fundamentos para o planejamento, execução e avaliação da Educação, e têm por meta, promover a educação de cidadãos atuantes e conscientes no seio da sociedade multicultural e pluriétnica do Brasil, buscando relações étnico-sociais positivas, rumo à construção de nação democrática” (Art. 2), estamdo embasadas nos princípios de valorização da consciência política e histórica da diversidade, fortalecimento de identidades e de direitos, e ações educativas de combate ao racismo e a discriminações, trazendo uma série de importantes considerações e aportes que contribuem para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana em nosso país.

   Ainda que seja necessário ponderar e criticar quais são as reais condições encontradas pelos educadores no sistema educacional para que possam realmente implementar a referida Lei, estudar e refletir a respeito de documentos e contribuições como esta são centrais para apontar caminhos e auxiliar na qualificação daqueles que atuam na área da educação. Boa leitura a tod@s!

   Para ler o artigo “Aplicando a Lei 10.639: dica de vídeos” clique aqui.

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