Arquivos & Genealogia: Habilitações de Casamento

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Enquanto pensava em como iria apresentar as Habilitações de Casamento para vocês lembrei de uma sopa que comi num restaurante tailandês, as palavras que encontrei para descrever foram: – É uma explosão de sabores! Ao pesquisar um processo de Habilitação de Casamento é mais ou menos isto que pode acontecer: – Uma explosão de emoções!!

Comecemos então por uma definição do que é a Habilitação de Casamento. Gostei do que está na Wikipédia: “Habilitação de casamento, habilitação para o casamento ou processo de casamento é o conjunto de documentos apresentados pelos noivos ao cartório do Registro Civil para que possam contrair matrimônio. Os documentos necessários são dispostos pelo Código Civil vigente à data do pedido de habilitação.”(Clique aqui para acessar o link).

Em geral podemos encontrar num destes processos:

  • Certidão de batismo ou certidão de nascimento dos noivos;
  • Passaporte, se for estrangeiro;
  • Declaração de testemunhas quando não há documentação;
  • Autorização dos pais para o casamento;
  • Data do casamento;
  • Assinaturas.

Disponibilizamos alguns exemplos de habilitações de casamentos de um mesmo município, em condições e épocas diferentes. Vejam que interessante, em um deles há um documento militar (Processo 1), em que há uma descrição das características do noivo. Em outro há um passaporte da România (Processo 2), que necessitou de tradução oficial! Analisem as páginas dos processos e vejam o quão interessante pode ser pesquisar nestes documentos.

Duas vantagens em relação aos Processos de Habilitação de Documentos: você pode procurar pelo sobrenome do noivo no índice do site do APERS, e pode encontrar as imagens digitalizadas no site do FamilySearch! Muitos voluntários, genealogistas ou não, estão fazendo índices das imagens para facilitar as buscas! Junte-se a eles e doe algumas horas de seu tempo livre para confeccionar o índice do município de seu interesse.

Que sua busca seja um explosão de emoções!!!!

Processo 1

Processo 1

Processo 2

Processo 2

Processo 3

Processo 3

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Arquivos & Genealogia: Certidão de Óbito

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     Aqui estamos mais uma vez para aprender como usar os documentos do Arquivo Público do RS, digitalizados pelo FamilySearch e que se encontram disponíveis online. Lembremos que este é um processo em andamento que está em constante atualização, o documento que não encontramos hoje pode estar lá na semana que vem.

Exemplo certidão completa

Exemplo certidão completa

     Veremos hoje a Certidão de Óbito, terminando assim a trilogia do que chamamos os Registros Vitais de uma pessoa.

     As certidões de óbito disponíveis no APERS compreendem o período de 1929-1975, como os outros registros civis apresentados anteriormente, da maioria dos municípios gaúchos e seus distritos.

     Numa Certidão de Óbito vamos encontrar várias informações: o nome do falecido; a data, hora e local do óbito; a idade; o estado civil; a naturalidade; o nome dos pais, se já falecidos ou não; a naturalidade dos pais; a causa mortis, quem declarou; o dia, hora e local do sepultamento; a pessoa que declarou o óbito, o local e a data do registro.

     Algumas observações a respeito da certidão de óbito: a qualidade e fidelidade dos dados encontrados sobre o falecido nem sempre serão 100% acurados, tudo dependerá de alguns fatores, como por exemplo: quem declarou os dados, o escrivão ser meticuloso ou não.

Exemplo certidão incompleta

Exemplo certidão incompleta

     Muitas vezes o declarante do óbito não é o familiar mais chegado, pode ser um vizinho, um amigo, ou mesmo um estranho, portanto não será a pessoa que mais sabe sobre o falecido, e ao fornecer as informações ao escrivão podem acontecer coisas do tipo: pais desconhecidos ou ignorados. Isto não quer dizer exatamente que os pais do falecido eram desconhecidos ou ignorados, apenas pode ser que fossem desconhecidos ou ignorados pelo declarante.

     Já, se o declarante for um familiar ou alguém bem próximo e o escrivão for bem meticuloso, teremos a idade na data do óbito bem determinada, por exemplo: 63 anos, 2 meses e 4 dias. Também, com um pouco de sorte, podemos encontrar o nome do cônjuge, dos filhos, suas idades, se tinha bens a inventariar ou testamento.

     Espero que tenham bom proveito em suas pesquisas e na próxima oportunidade falaremos sobre as Habilitações de Casamento, um verdadeiro tesouro de informações para sua História da Família, ou genealogia, como queiram chamar!

Arquivos & Genealogia: Certidão de Casamento

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Exemplo certidão completa

Exemplo certidão completa

     Hoje vamos conhecer e analisar as Certidões de Casamento. Se você conseguiu as informações em casa mesmo, maravilha (!), é como fruta na estação colhida no pé! Mas, e se tiver que procurar, onde irá?

    Já sabemos que os Registros Civis começam oficialmente por volta de 1889, o ano da Proclamação da República, pois a partir daí se tornou lei! Somente em algumas cidades grandes podemos encontrar Registros Civis anteriores a esta data.

    Também sabemos que, aqui no APERS, podemos encontrar cópias dos Registros Civis do período de 1929 a 1975, pois este é o período determinado em lei, para que cópias dos registros fossem enviadas aos Arquivos Públicos.

   Você sabia que: O nosso APERS é referência nacional neste ponto? E que nem todos os Arquivos Públicos Estaduais no Brasil possuem ou disponibilizam a pesquisa destes registros?

Exemplo certidão incompleta

Exemplo certidão incompleta

     Bem, vamos ao que interessa então? No registro de uma Certidão de Casamento podemos encontrar: o nome dos noivos, data de nascimento ou idade, local de nascimento, estado civil e profissão; o nome dos pais, data de nascimento ou idade, local de nascimento. E por fim a data do casamento, o regime da união e o nome que a noiva usará depois de casada. Consta também o nome das testemunhas, que geralmente são parentes. Se o escrivão local era bem organizado e detalhista você terá todas estas informações!

    Mas e se o casamento que você procura se deu antes desta data? Ainda temos possibilidade de encontrá-lo no APERS! Sabe aquela papelada toda que os noivos têm que apresentar nos cartórios antes de se casarem? Isto forma um Processo Civil e chama-se Habilitação de Casamento!

    Será o assunto de nosso próximo encontro e você irá adorar, é como provar um bolo industrializado e depois provar um feito pela vovó!

    Parte do acervo de Registro Civil do APERS está disponível online no FamilySearch , como: Rio Grande do Sul – Registros Diversos (para acessar clique aqui), escolha o município, e Matrimônios. Não fique triste se não encontrar da primeira vez, os operadores de câmera do FamilySearch trabalham incansáveis adicionando diariamente mais de 1000 registros cada um, pode ser que o que você busca esteja lá na semana que vem!

 

Arquivos & Genealogia: dados de uma Certidão de Nascimento

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     Chegamos então na etapa de reconhecer os ingredientes de nossa receita e saber aproveitá-los da melhor maneira possível. Hoje vamos analisar quais dados uma Certidão de Nascimento pode fornecer para nossas pesquisas.

     Supondo que você já tenha pelo menos até o nome de seus avós ou mesmo bisavós, tios e primos, você colheu dados em casa, lembra? Se você tem informações orais e ainda não conseguiu os documentos poderá procurá-los no Arquivo Público do RS. Saiba o nome da cidade e/ou distrito e a época em que a pessoa que você quer pesquisar nasceu.

     Os Registros Civis iniciaram oficialmente no Brasil com a Proclamação da República em 1889, mas já vinham sendo mantidos em cartórios nos maiores centros desde aproximadamente 1870. Os principais, que são chamados Registros Vitais, são: Certidão de Nascimento, Casamento e Óbito. Os que estão arquivados no APERS cobrem o período de 1929 – 1975, e é o material que temos para nossa pesquisa.

     Considere que você pode fazer muita coisa, mesmo que este período seja restrito. Por exemplo: alguém que casou em 1929 pode ter nascido por volta de 1900, ou ainda alguém que morreu em 1929, pode ter nascido por volta de 1839. Você se surpreenderá com o que conseguirá fazer…

     Nem todos os municípios já tem os documentos digitalizados pelo FamilySearch, é um processo que está em andamento, e você pode acompanhar no próprio site quando são acrescentados novos lotes de imagens. Dois cameraman produzem cerca de 2000 imagens diariamente no APERS.

Certidao Nascimento Dietwald Weber     Portanto vamos analisar em primeiro lugar uma Certidão de Nascimento. Neste tipo de documento, normalmente encontramos o nome da criança, o local onde nasceu, a data, hora, o nome dos pais, e dos avó paternos e maternos. Veja o exemplo da certidão de nascimento do meu pai, Dietwald Weber (documento pesquisado no Acervo do APERS, ainda não disponível no FamilySearch).

     Advertência: Há um grande risco de você se apaixonar pela busca, se tornará um doce vício!!!!

     O próximo passo será encontrar a Certidão de Casamento dos pais dele.

     Para ler os artigos anteriores clique aqui.

Arquivos & Genealogia: organizando as informações

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     Agora que já temos os ingredientes e já definimos a receita, vamos começar a organizar os dados: sempre comece por você mesmo, aí então vá para seus pais, seus avós, bisavós, e assim por diante…

     Se você pretende levar sua pesquisa bem longe, talvez se tornar expert na “cozinha”, aconselho a escolher um programa para organizar os dados que for encontrando, este será o seu Livro de Receitas.

     Há vários programas disponíveis na internet, entre eles:

2014.03.19 Arquivos e Genealogia MH

My Heritage – página inicial

   Cada programa tem suas particularidades e talvez deva verificar vários antes de escolher aquele que melhor atende às suas expectativas. À medida que for registrando os dados nunca esqueça de citar a fonte, esta informação dará legitimidade à sua pesquisa e o ajudará a encontrar novamente a informação depois de algum tempo. Se você optar pelo uso da Árvore Familiar poderá baixar o link direto!

     A ordem sugerida de tipologias documentais para iniciar sua pesquisa é: Registros Civis, Habilitações para Casamento, Inventários e Testamentos e por fim, outros tipo de registros. Através da Consulta OnLine de Documentos, no site do APERS, é possível pesquisar por nomes, sobrenomes e datas, gerando um índice de documentos.

2014.03.19 Arquivos e Genealogia HC

Habilitação de Casamento

2014.03.19 Arquivos e Genealogia RC

Registro Civil

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    No próximo mês vamos começar a analisar como tirar proveito de cada um destes documentos para sua pesquisa genealógica!

     Para ler os artigos anteriores clique aqui.

Arquivos & Genealogia: como pesquisar no site FamilySearch

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     Esta é nossa primeira receita para começar a pesquisa genealógica a partir de imagens do Arquivo Público do RS digitalizadas e disponibilizadas pelo FamilySearch.

    Uma vez reunidos os ingredientes, digo, documentos, que você tenha, será preciso determinar o que quer saber, portanto, você vai partir do que sabe para o que não sabe…

     O seu supermercado será o site do FamilySearch onde poderá encontrar muitas variedades de documentos que o ajudarão na formação de sua Árvore Familiar.

     Para visualizar os documentos digitalizados:

– Acesse a página www.familysearch.org.

– Clique em “Pesquisar” (Imagem 1), role a barra para baixo até encontrar o mapa mundi, então clique em “Caribe, América Central e do Sul” (Imagem 2).

– Escolha na lista da esquerda o país “Brasil” (Imagem 3) role a barra para baixo mais uma vez até encontrar “Brasil, Rio Grande do Sul, Registros Diversos,1748-1998” (Imagem 4).

– Clique em “Navegue por 2.357.910 imagens”, número variável devido ao acréscimo de novas imagens, este é um processo em andamento (Imagem 5).

 Você encontrará a lista de municípios (Imagem 6) que já tem documentação digitalizada. Escolha a cidade e poderá encontrar diversos tipos de documentos (Imagem 7), tais como: Certidões de Nascimento, Casamento e Óbitos, Habilitações de Casamento, Registros Diversos, Registros Ordinários, Transmissões de Notas (Imagem 8).

  Para verificar dicas, vá na página inicial do FamilySearch, no lado superior direito clique “Obter Ajuda” (Imagem 9), selecione e clique em Cursos em Vídeo do Centro de Aprendizagem, selecione o local Brazil e após localize e clique em Série Brasil Começando a Pesquisar Lição 1: Começando.

    Boa experiência!!

Veja as imagens de como pesquisar abaixo:

Notícia relacionada:

Arquivos & Genealogia: Receitas culinárias! 

 

Arquivos & Genealogia: Receitas culinárias!

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Neste ano nosso blog terá a colaboração da genealogista Adriana Weber, nossa pesquisadora desde 1997 e voluntária do Family Search. Esta proposta surgiu a partir do trabalho de Adriana enquanto consultora do Family Search, com o qual temos um convênio visando implementar o projeto de criação de arquivos eletrônicos de imagens digitais, denominado Digitalização de Imagens, de documentos custodiados pelo APERS, com o fornecimento de cópia destas imagens digitalizadas. Assim, Adriana será responsável pela nossa nova categoria “Arquivos & Genealogia”.

Confira o primeiro post:

2014.01.22 Arquivos e genealogia

Em minha família, como na maioria, cozinhar é quase uma tradição. A cada nova receita a descoberta e o desejo de compartilhar logo toma conta e já se começa a passar adiante. No meu caderno de receitas, que herdei de minha mãe, costumo colocar as novas receitas pelo nome de quem me passou, por exemplo: Bolo de laranja da Ivone, Nega Maluca da Cecília, Panetone da Marlene…

Bom, esta introdução toda é para dizer como vamos usar as informações do Arquivo que foram digitalizados pelo Family Search e disponibilizados no seu portal, www.familysearch.org, para construir nossa genealogia, ou melhor, dizendo, história familiar.

Em primeiro lugar, como numa receita, precisamos reunir os ingredientes. Veja tudo o que você tem, reúna documentos, informações orais e comece a organizar os dados. Você pode fazer isto criando uma conta no portal do Family Search e começando a preencher a sua Árvore Familiar.

Nos próximos meses buscaremos informações nos documentos do Arquivo Público do RS que estão disponíveis em imagens no site do Family Search. Aprenderemos a usar os diferentes tipos de documentos disponíveis para montar na Árvore Familiar. Até!

APERS Entrevista: Cesar Roberto Viero

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2013.05.29 APERS entrevista - Cesar Roberto Viero

Cesar Roberto Viero, 59 anos, é bacharel em Ciências Contábeis pela UFRGS e embora esteja aposentado há seis anos, depois de trinta e nove anos de labor, sendo os últimos vinte no Banrisul, continua trabalhando. Claro, agora de forma liberal. Assim, consegue dedicar-se à pesquisa genealógica que tanto o fascina. Confira nossa entrevista com Cesar Roberto!

Blog do APERS: Cesar Roberto, você poderia comentar um pouco sobre o trabalho que vens desenvolvendo atualmente?

Cesar Roberto: Como descendente de italianos, após minha “descoberta” das origens, aos poucos fui me apaixonando pela pesquisa de tal modo que, quando percebi, não conseguia mais largar esse “vício”! Faço três tipos de pesquisa atualmente: a minha própria, que não acaba nunca; para pessoas conhecidas e muitas que só conheço por e-mail às quais ajudo a encontrar seus antepassados, principalmente se precisam localizá-los na Itália e, por último, além de voluntário indexador para o Familysearch contribuo com minhas pesquisas para uma organização na Itália em que um dos sócios fundadores é meu amigo particular.Recentemente fiz uma pesquisa para um amigo meu e uma prima que precisei consultar registros nos arquivos online da França, na República Checa, Eslováquia e Croácia. Imagina que tive de aprender muitos termos em francês, latim, eslovaco, tcheco, além de alemão e húngaro. Uma loucura! Felizmente há o Google para ajudar.

Blog do APERS: Como se deu a tua aproximação com este tema?

Cesar Roberto: Bem, perdi meu pai muito jovem ainda e tive pouca informação da nossa origem. Sabia vagamente que meus avós paternos eram italianos, só isso. Depois de muitos anos quando já residia aqui em Porto Alegre, um primo havia solicitado o reconhecimento da cidadania italiana e quando ficou pronto me contou e perguntou-me se queria fazer a minha. Assim, num encontro em sua casa, meu tio contou-me uma porção de coisas sobre nossa família, mostrou-me passaporte original e outros documentos que eles trouxeram da Itália. E me passou uma relação com todos os irmãos de meu avô dos quais jamais soube nada. Aí se iniciou a minha saga. Hoje tenho minha genealogia “quase” acabada no lado paterno que remonta até 1700 na Itália e pelo lado materno vai até 1650 nos Açores. Sim, tenho esse lado açoriano no sangue com muito orgulho.

Blog do APERS: Qual a importância do acervo do APERS para tua atuação enquanto pesquisador?

Cesar Roberto: Ah, para mim, o APERS é como um oásis no deserto ou uma ilha no meio do oceano! Conheço muito pouco do acervo e esse pouco tem sido de muito valor para mim. Há uma riqueza imensa a ser descoberta. As vezes que venho aqui e fico olhando aquelas mesinhas repletas de processos, livros, habilitações, enfim, penso: Ah, quando vou poder olhar tudo isso? Não posso deixar de mencionar os servidores do APERS, sua dedicação e disponibilidade sempre que precisamos.

Blog do APERS: Qual a tua dica para os pesquisadores que estão começando agora a lidar com fontes primárias?

Cesar Roberto: Em se tratando de genealogia, começar a partir de seus próprios dados. Procurar conhecer seus pais de uma forma mais profunda, conhecer a história deles e ouvir suas estórias com prazer. Se tiver a felicidade de ter os avós e até bisavós vivos, então não deixe de procurar conhecê-los bem. Eles adoram contar suas experiências. Isso é base para a genealogia. Manter um registro de fatos relacionados com a família. Se esse tempo já passou e sabe pouco de sua história familiar, vá agregando informações sobre seus ascendentes, não apenas os seus, na linha reta, mas obtenha os dados dos tios, primos, irmãos dos avós, enfim. Tenho visto muita gente “patinando” em sua pesquisa só porque não abre o leque. Quando a gente não acha o que procura num registro, temos que ver os outros, mesmo que sejam secundários. Às vezes, o que nos faltava está ali.

Blog do APERS: Nas tuas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Cesar Roberto: Gosto muito de ler. Há muitos programas interessantes na televisão, principalmente no Discovery, que assisto frequentemente. A internet também é uma grande aliada, pois me leva para lugares distantes. Temos uma gigantesca fonte de informações à disposição. Basta procurar. Aliás, já foi dito: “Quem procura, acha”… Muito Obrigado.

APERS Entrevista: Elisabeth Berté da Cruz

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2013.03.27 APERS entrevista Pesquisadora Elisabeth Berte Cruz

Elisabeth Berté da Cruz, 56 anos, é formada em Belas Artes (UFRGS) e trabalha como comerciante. Em suas horas livres costuma realizar pesquisas genealógicas sobre seus familiares ou de seus amigos, leia nossa entrevista com Elisabeth!

Blog do APERS: Elisabeth, como surgiu seu interesse por pesquisas genealógicas?

Elisabeth: Comecei a pesquisar lá por 1988 e acho que é uma coisa de família italiana. Entre as conversas familiares sempre dizem “fulano filho de beltrano, que mora em tal lugar, casou com cicrana…”, e começamos a nos interessar por saber quem eram nossos antepassados, de onde vieram, com quem casaram, se tinham irmãos, filhos… e a pesquisa se desencadeia! Comecei a pesquisar as pessoas da minha família, como são de origem italiana e aqui no Brasil é muito recente, a partir de 1878, não tem tanta documentação no arquivo como das famílias portuguesas, embora cada família tenha uma porção de filhos.  Detive-me, no princípio, até 1900.

Blog do APERS: Você poderia comentar um pouco sobre o trabalho que está desenvolvendo?

Elisabeth: Continuo fazendo pesquisas de genealogia, ou seja, árvores de costados. Depois de dar andamento aos meus ancestrais comecei a pesquisar para meus sogros, cunhados e amigos que também se interessaram. Tem os ramos de descendentes de portugueses, principalmente, que possuem uma documentação bem mais rica aqui e assim comecei a viver dentro do Arquivo! É infindável o que encontramos aqui, acho que nunca vou conseguir ver tudo! Pesquisar é melhor que ler um livro! Tu vês a vida das pessoas, como as coisas se desenvolveram em cada família… Se os documentos me levam a uma determinada região que não conheço muito, vou ler sobre aquela cidade, como se desenvolveu…

Blog do APERS: Na sua percepção qual a contribuição das pesquisas genealógicas para a sociedade?

Elisabeth: Penso que ajudam as pessoas a entenderem que não são sozinhas no mundo, que vieram de algum lugar e que as coisas se repetem. É uma forma de aprendermos com a pesquisa, por isso digo que é melhor que ler um livro, ajuda a pessoa a “acordar para o mundo”. Tem pessoas que não gostam do assunto, dizem que é bobagem… Às vezes descobrimos que a história oral é completamente diferente do que aconteceu de fato. Tem pessoas que dizem que o imigrante veio sozinho para o Brasil… e no decorrer da pesquisa descobrimos que veio com outros parentes.

Blog do APERS: Durante suas pesquisas já encontrou algum fato curioso que possa dividir com nossos leitores?

Elisabeth: Teve um caso de um imigrante que veio com um familiar, mas esse faleceu e o imigrante ficou com a herança porque a outra pessoa não tinha descendentes, e junto com o inventário toda uma rica documentação… E tem coisas até de espiritismo mesmo, parece que é a pessoa querendo ser encontrada… Isso já aconteceu comigo mais de uma vez! Teve uma situação em que estava pesquisando em um outro local um livro de óbitos, tinha terminado de olhar e não encontrei nada, estava olhando de curiosa… procurava um registro de nascimento muito antigo e quando olho entre os registros de óbitos estava justamente o registro de batismo que estava procurando… Para mim aquilo não tem explicação! Era para encontrar, pois o registro de batismo esta perdido entre os registros de óbitos que até eram de épocas diferentes. Outra vez, quando estava pesquisando sobre meus avós e todos os parentes diziam que não tinha mais nada, fui para um cemitério com meus pais e o primeiro túmulo que minha mãe parou para ver era do meu avô! São coisas assim que te remetem a acreditar em uma coisa a mais, que as pessoas não querem ser esquecidas. Acho que ao fazer a pesquisa tu reencontras as pessoas!

Blog do APERS: Qual a importância do acervo do APERS para sua atuação enquanto pesquisadora?

Elisabeth: Imensa. Por isso que digo que é infindável o que tem aqui. Dificilmente conseguirei olhar tudo porque é muita coisa. E, também, porque no meio do acervo deve ter muita coisa que não está catalogada, que pode ter sido arquivado em local equivocado… Tem muito documento que não é muito mexido, às vezes pego maços em que, mesmo depois de higienizados, é possível ver pelo papel que não é manuseado há tempos. O que tem aqui é de uma riqueza, de preservação prioritária!

Blog do APERS: Qual a sua dica para os pesquisadores que estão começando a realizar pesquisas genealógicas e a trabalhar com fontes primárias?

Elisabeth: Primeiro a pessoa tem de partir de si e depois seus ancestrais, passo a passo, fazer a coleta de dados escalonada. Às vezes tu acreditas que o nome era tal, mas a pessoa tinha outro nome nos documentos, só não utilizava. A entrevista com a família não é tão necessária, mais a busca pelos documentos… certidão de nascimento, casamento, óbito. A entrevista com a família pode ajudar para localizar onde a pessoa morava, onde provavelmente casou, morreu… Mas não é essencial, mais os documentos em si. Eu entrevistei apenas os meus pais, por exemplo.

Blog do APERS: Nas suas horas vagas, quando não está pesquisando, quais são suas atividades preferidas de lazer?

Elisabeth: O que mais gosto é a pesquisa, é um vício! Gosto muito de viajar… sair… passear junto a natureza, fazer um off road! Gosto muito de ir ao interior, sinto falta de uma estrada de chão!

Seminário Genealogia: História e Identidade movimenta o APERS

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     No último sábado, dia 15/09, o Arquivo Público do RS foi movimentado pelo Seminário Genealogia: História e Identidade, realizado pela Associação dos Amigos do APERS. O evento contou com ampla adesão de pesquisadores da área da história, genealogistas profissionais e cidadãos que buscam recompor a história de suas famílias. Todas as 80 vagas disponibilizadas foram preenchidas, tornando o Auditório Marcos Justo Tramontini pequeno diante de tanto interesse pela temática.

     A mesa do turno da manhã contou com a participação dos pesquisadores Daniel Leite e Adriana Weber, e do professor Fábio Kuhn, debatendo as fontes, ferramentas e tecnologias para a pesquisa genealógica e sua interface com a História. Já a mesa da tarde foi composta por Liriana Stefanello, Anita Brumer e Estácio Nievinski, que levantaram inúmeras questões a respeito da genealogia de famílias em diferentes etnias que contribuíram para a construção do Estado do RS.

     O sucesso deste evento demonstrou o quão amplo é o espaço que tem a Genealogia entre os usuários de arquivos, instigando o APERS e sua Associação dos Amigos a organizar novas atividades nesta área. Fique atento! Em 2013 teremos novidades! Confira abaixo fotos das atividades:

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