Exposição virtual “Caminhos dos Arquivos – Nossas Histórias, Nossas Heranças”: arquivos e futebol

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Aqui estamos, retomando as atividades em nosso blog e demais mídias sociais, após uma pausa que se estendeu desde o final de novembro de 2019. Hoje postaremos os conteúdos pendentes de novembro e as notícias previamente programadas para o dia. Na próxima quarta postaremos os conteúdos de dezembro e seguiremos com a programação normal. Que 2020 seja produtivo e permita nos mantermos conectados!

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O futebol é um romance. Assim como nos bons livros, o final é sempre inesperado”. Paulo Coelho

Chegamos à quinta edição da série de postagens mensais sobre o Programa Caminhos dos Arquivos, do qual faz parte o projeto de exposições, em módulo virtual, denominado “Caminhos dos Arquivos: Nossas Histórias, Nossas Heranças”. Hoje destacamos as instituições Arquivo do Sport Club Internacional, Biblioteca do Sport Club Internacional e Museu do Grêmio, compartilhando seus serviços e trajetórias:

2018.05.23 Foto Banner Inter

Arquivo Histórico Sport Club Internacional

O Arquivo Histórico do Sport Club Internacional foi criado em 2012. Neste mesmo ano foi cadastrado no Cadastro Nacional de Entidades Custodiadoras de Acervos Arquivísticos (CODEARQ). O acervo é composto por documentos em diversos suportes que registram a história do futebol, de esportes amadores e de toda e qualquer ação que preserve a história desportiva regional e/ou nacional. Possui a finalidade de preservar documentos e doações como registros de memória, assegurando às futuras gerações o acesso ao patrimônio cultural do Sport Club Internacional e a divulgação do acervo em ações de postagens em mídias sociais, compartilhando com a sociedade em geral a documentação do clube e as doações (participações) enviadas por torcedores.Serviços Prestados: Atendimento a pesquisadores com agendamento prévio.

Endereço: Av. Padre Cacique, 891, 2º andar do Gigantinho, bairro Menino Deus, Porto Alegre/RS

Contatos: (51) 3230-4671 | arquivohistorico@internacional.com.br | Site | Blog | Facebook

Biblioatual7

Biblioteca Zeferino Brazil- Fundação de Educação e Cultura do Sport Club Internacional

A Fundação de Educação e Cultura do Sport Club Internacional (FECI) surgiu pela iniciativa de torcedores, nos anos 20 e 30, que queriam um departamento que se integrasse na vida dos colorados. É a mais antiga das fundações ligadas a clubes de futebol no mundo e possui um acervo composto por mais de 80 mil obras das mais diversas áreas do conhecimento humano, com especialização na área futebolística. Sua criação é resultado da fusão de três departamentos do Inter: o da biblioteca, o departamento cultural e o assistencial, sendo a biblioteca nomeada de “Biblioteca Zeferino Brasil do Sport Club Internacional”. Seu homenageado, Zeferino Brasil, registrado como Zeferino Antônio de Souza Brazil, nasceu em 24 de abril de 1870, no distrito de Taquari. Mudou-se para Porto Alegre em 1879. Trabalhou no Tesouro do Estado e para vários jornais, como Jornal do Comércio, Correio do Povo, Gazeta do Comércio e Última Hora. Foi escritor e durante sua jornada, usando inúmeros pseudônimos, publicou obras como: Vovó Musa, Visão do ópio, Juca, O letrado e Alma Gaucha, relançadas pela Fundação de Educação e Cultura do Sport Club Internacional.A Biblioteca do Internacional foi oficialmente disposta no estatuto do clube em 1944, precisamente no dia 04/04, na gestão do presidente Abelard Jaques Noronha. A mesma foi idealizada pelo médico colorado Saul Totta e teve como paraninfo o historiador e escritor Olyntho San Martim. Em 1978 foi declarada de utilidade pública, sob o processo de nº4623/78, pela Secretaria de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, e integra os Sistemas Estadual e Nacional de Bibliotecas Públicas. Ressalta-se o ineditismo do Sport Club Internacional de manter uma Biblioteca num clube de futebol que presta serviços a comunidade como a disponibilização de empréstimo domiciliar e consulta local para estudo e pesquisa.

Endereço: Av. Padre Cacique, 891, 2º andar do Gigantinho, bairro Menino Deus, Porto Alegre/RS.

Contatos: (51)32304671 | biblioteca@internacional.com.br | Site | Blog 

Horário de Funcionamento: Segunda a Sexta-Feira das 8h-18h

1 - Fachada Museu do Grêmio

Museu do Grêmio – Museu Hermínio Bittencourt

Inaugurado no dia 12 de Dezembro de 1984 sob a forma de Sala de Troféus, o Museu do Grêmio surgiu a partir da organização de uma comissão constituída pelo ex-presidente Hermínio Bittencourt, Henrique Amábile Filho e Ema F. Coelho de Souza. O trabalho de organização do acervo de taças, documentos e objetos da memória do Clube foi iniciado em julho de 1983 e logo foi acrescido da colaboração de Raimundo Bordim e Helio Devinar. A reinauguração do espaço, já com sua estrutura e exposição completa de museu, foi em 19 de dezembro de 1988. O trabalho contínuo da equipe liderada por Ema Coelho de Souza motivou a renovação do Museu ainda na década de 1990. Fechado à visitação para uma grande reforma em 1999, manteve as atividades internas por cinco anos, atendendo torcedores e pesquisadores. Até que em 19 de setembro de 2004 foi inaugurado o Memorial Hermínio Bittencourt, com uma exposição redesenhada e renovada. O local logo se tornou ponto de encontro dos gremistas, e sempre será lembrado por quem viveu os últimos anos de utilização do Estádio Olímpico Monumental. Foi no final de 2011 que começou o projeto do novo museu para a Arena do Grêmio, a cargo da empresa Muse & Mather, especializada em museus e exposições. O planejamento foi dividido em duas grandes etapas, e em 19 de dezembro de 2012 foi realizada uma celebração de pré-inauguração para marcar a transferência . Foi aberto ao público, em sua primeira fase, no dia 19 de dezembro de 2015. A área compreende 785 m² de exposição, devendo alcançar um total de 1.500 m² na fase 2, mais que o dobro do espaço no Estádio Olímpico. O Museu introduziu uma concepção moderna de arquitetura e exposição, oferecendo uma nova forma de acesso à informação, aliada às novas tecnologias para que o visitante obtenha maior interação e autonomia em sua experiência. Na Galeria de Troféus o visitante encontra as principais taças conquistadas pelo Grêmio desde 1904, quando ganhou seu primeiro título. Além da exposição há os monitores interativos. Na Sala de Experiência Imersiva, com uma projeção de 360 graus dos principais momentos da história do Clube, o torcedor é levado ao clima dos grandes jogos. Ainda o Museu contempla uma área dedicada especialmente à Baixada, ao Olímpico e à Arena – e a relação dos estádios com a história de Porto Alegre. Há maquetes dos três estádios apresentando objetos e personagens, além da projeção de um curta-metragem que homenageia o Estádio Olímpico, casa do Tricolor por 58 anos e palco das maiores conquistas até então. A exposição também conta a história do Grêmio através de réplicas dos uniformes utilizados desde 1903, mostrando a evolução das cores e modelos até a atual camisa azul, preta e branca. Entre as camisas históricas expostas, estão as utilizadas por grandes ídolos nos principais momentos da trajetória do Clube.O espaço tem a finalidade de preservar o acervo documental, assim como a história e memória do clube, ressignificando, investigando e finalmente promovendo o acesso ao acervo (tridimensional e documental), bem como à pesquisa e capacitação científica e social referentes à história do Clube inserido no desenvolvimento de Porto Alegre.A equipe de organização técnica dedica-se constantemente à pesquisa de elementos de memória do passado e da preservação da história do Clube na atualidade, construída diariamente com os torcedores, os jogadores, a comunidade e o estádio. O Museu do Grêmio se abastece também da pesquisa de outros museus, periódicos e doações de torcedores. Outra fonte de resgate é o contato direto com personagens históricos, além do depoimento de familiares de gremistas que contribuíram para a trajetória tricolor. Acervo documental: estatutos, atas, recibos, cartas, súmulas de jogos, currículos, legislação desportiva, fotografias, filmes, publicações produzidas pelo próprio clube, etc; Acervo museológico: troféus, medalhas, moedas, bandejas comemorativas, joias, uniformes, bolas, faixas, flâmulas, bandeiras, etc; Coleções: livros, jornais e revistas nacionais e internacionais.

Endereço: Av. Padre Leopoldo Brentano, 110, Bairro Humaitá, Porto Alegre/RS

Contatos: (51) 3218-2018 | memorial@gremio.net | Site

Horário de Funcionamento: Segunda a Sexta das 9h às 18h

Exposição virtual “Caminhos dos Arquivos – Nossas História, Nossas Heranças”: arquivos de Porto Alegre, parte II

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Hoje trazemos a terceira edição da série de postagens mensais sobre o Programa Caminhos dos Arquivos, no qual consta o projeto de exposição, em módulo virtual, denominada “Caminhos dos Arquivos: Nossas Histórias, Nossas Heranças”. Destacaremos mais três instituições de Porto Alegre, compartilhando informações e um pouco sobre suas trajetórias.

Barros e Amélia afirmam que a memória registrada “delegou ao arquivo a função de mantê-la viva, de forma a desacelerar o desaparecimento de sinais do que se deseja manter, em face da necessidade do lembrar”.1 Nesse sentido, temos satisfação em seguir difundindo instituições arquivísticas que assumem cotidianamente o papel de preservar registros que se relacionam a tantas memórias:

AHRSArquivo Histórico do Rio Grande do Sul – o embrião de sua história inicia ainda em 1906, com a criação do Arquivo Público do Estado (APERS), à época organizado em três seções. Em 1925 a 2ª seção, denominada Arquivo Histórico e Geográfico, foi desmembrada e anexada ao Museu Júlio de Castilhos, mais tarde dando origem ao AHRS. Assim, seu surgimento como instituição independente ocorreu em 29 de janeiro de 1954, quando foi criada a Divisão de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura. A instituição tem como função primordial a guarda e a conservação da documentação histórica de origem pública e privada. Seu acervo remonta aos primeiros anos de ocupação efetiva do solo rio-grandense pela Coroa Portuguesa. Além da documentação proveniente das várias funções exercidas pelo Poder Público, o AHRS destaca-se pelos arquivos particulares recebidos através de doação ou compra, como por exemplo: Borges de Medeiros/Sinval Saldanha, João Neves da Fontoura, Francisco Brochado da Rocha, Alfredo Varela, entre outros. Além disso, existe farta documentação sobre a colonização do estado por imigrantes.

Endereço: Rua Sete de Setembro 1.020, Sala 17, Centro Histórico, Porto Alegre /RS

Horário de Funcionamento: 13h às 17h30, de terça a sexta-feira. Horário limite para acessar a sala de pesquisa: 17h.

Contatos: (51) 3227.0882 e (51) 3225.7880 – ahrs@sedactel.rs.gov.brSiteFacebook

MLRSMemorial do Legislativo do Rio Grande do Sul – foi inaugurado em 2010 e abriga a documentação histórica do Poder Legislativo, nos mais diferentes suportes de informação. Trabalha com pesquisa em prol da memória legislativa do Estado. Tem a custódia dos documentos históricos do Parlamento, dentre eles, o dossiê mais antigo que são as Atas do Conselho Geral da Província de 1828. Possui a coleção do Jornal A Federação, Anais do Parlamento desde 1862, Fundo Solar dos Câmara e a documentação de Comissões Permanentes, processos legislativos e documentos administrativos. Do acervo de multimeios tem a guarda do acervo da TVAL em BetaCam e DVCam, filmes rolo, slides e negativos de fotografias com mais de 1.500.000 imagens. Participa ativamente das atividades de gestão e preservação documental da Assembleia Legislativa, independente do suporte informacional. O prédio que sedia o Memorial do Legislativo do RS é a construção pública mais antiga da cidade de Porto Alegre, concluído em 1790, passando por diversas reformas, em 1860 ganhou o segundo pavimento com estilo neoclássico. Desde sua construção até 1828, o prédio abrigou órgãos como a Provedoria da Real Fazenda, a Casa da Junta, Câmara e Cadeia. De 1828 a 1935 sediou as atividades do Conselho Geral da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. E a partir de 1835, passou a ser cenário principal de atuação do Poder Legislativo gaúcho em suas diferentes fases políticas. Foi tombado pelo IPHAE em 17 de setembro de 1981.

Endereço: Rua Duque de Caxias, 1029, Centro Histórico, Porto Alegre/RS

Horário de Funcionamento: Segundas às Sextas: das 8h30min às 11h30min e das 13h30min às 18h30min.

Contatos: (51) 3210-1670; 3210-1675 – memorial@al.rs.gov.br – Site – AcervoFacebook

TRF4Arquivo do Tribunal Regional Federal – responsável pela guarda e gestão da documentação produzida e recebida no cumprimento de sua função jurisdicional, durante seus 30 anos de existência. O acervo é composto de documentos e processos administrativos e judiciais, em suporte físico e eletrônico. Em seu conteúdo, existem importantes processos que representaram marcos na história político-econômica do país. Recentemente, o acervo que já utilizou diversos e simultâneos endereços, foi todo reunido em seu prédio sede. O Arquivo tem a finalidade de preservar e manter sob guarda a documentação administrativa e judicial do TRF4, em suporte físico, promovendo seu acesso, interno e externo, através de consultas e fornecimento de íntegras de acórdãos. O acesso ao seu conteúdo pode ser realizado através de consultas locais aos processos judiciais, que se apresentam em suporte físico e meio eletrônico, e pelo Portal do TRF4 solicitado as íntegras de acórdãos.

Endereço: Rua Otávio Francisco Caruso da Rocha, nº 300, Praia de Belas, Porto Alegre/RS

Horário de Funcionamento: das 13:00 às 18:00

Contatos: (51) 3213.3430 – arquivo@trf4.jus.brSite


1BARROS, Dirlene Santos; AMÉLIA, Dulce. Arquivo e memória: uma relação indissociável. Transinformação, Campinas, v. 21, p.55-61, jan-abr. 2009. Quadrimestral, p. 57. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/tinf/v21n1/04.pdf&gt;. Acesso em: 06/092019.

Conhecendo Arquivos Públicos Estaduais pelo Brasil: região Nordeste, parte I.

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Retomando nossa série de postagens sobre os arquivos públicos estaduais do Brasil, iniciamos o compartilhamento de informações que contribuem para refletir sobre a realidade encontrada nos estados da região Nordeste, composta por nove unidades federativas, todas elas com arquivos legalmente criados porém em diferentes estágios de institucionalização ou com diferentes dinâmicas de funcionamento. Para evitar uma leitura extenuante, trazemos dados gerais e em seguida mais detalhes a respeito dos  arquivos nos estados, o que será feito em duas partes – com sequência do texto na próxima semana.

A tabela a seguir traz um panorama das nove instituições, com seu ano de fundação, vinculação administrativa, endereço e contatos:

Tabela Arquivos Nordeste

Clique na imagem para ampliar.

Observa-se que a região agrega instituições arquivísticas criadas em distintos contextos históricos, desde o Arquivo Público do Estado da Bahia (1890), segundo arquivo estadual criado no país, atrás apenas do Arquivo Público do Paraná (1855), passando por instituições criadas ao longo de todo o século XX até chegarmos ao Arquivo mais recente, criado em dezembro de 2018 no estado da Paraíba, que ainda está em fase de implementação.

Cinco dos nove arquivos estão vinculados à área da Cultura (BA, CE, MA, PI e SE), sendo o Arquivo baiano um departamento da Fundação Pedro Calmon, e não um equipamento cultural diretamente vinculado à estrutura do Poder Executivo. Três deles são vinculados à esfera de Governo/Casa Civil (AL, PB e PE), e um à Administração (RN). Se na área de arquivos costuma-se defender que a vinculação a esfera de Governo é a mais adequada por uma questão de hierarquia dentro da Administração Pública, a partir da observação que foi possível realizar à distância, por meio de sites, redes sociais, trocas de e-mails, reportagens, entre outros conteúdos na internet, é complexo afirmar que isso determine diretamente as condições estruturais, a visibilidade social ou a inserção estratégica de tais instituições junto ao Estado, especialmente quando se trata de tentar entender o enraizamento dos processos de gestão documental.

Com exceção do estado do Piauí, para o qual não foi possível obter informação a respeito, todos os Arquivos dos demais estados em questão são oficialmente reconhecidos como órgãos centrais dos respectivos Sistemas de Arquivo estaduais. No caso do estado de Pernambuco, o Arquivo Público é identificado como responsável pela “Política Estadual de Gestão Documental”. Porém, existe pouca e esparsa produção identificada via internet que nos permita dimensionar o impacto da atuação na área, transparecendo que em alguns casos há dificuldades para a consecução dos objetivos traçados a partir da legislação.

A pesquisa que embasou essa série de postagens – realizada pela servidora Clarissa Sommer para sua dissertação de mestrado – contou com a resposta a mapeamentos e questionários enviados para os Arquivos Estaduais de todo o país, retornos esses que não foram obtidos em todos os estados da região Nordeste, dificultando a construção de uma análise mais precisa. Entretanto, alguns apontamentos podem ser compartilhados, começando hoje pelos cinco primeiros estados da região em ordem alfabética:

Fotos arquivos Nordeste

Arquivo Público de Alagoas – mesmo contato com uma equipe pequena, nove pessoas entre servidores e bolsistas, o APA busca manter um perfil de instituição cultural atuante por meio das redes sociais e da realizando exposições e eventos periódicos, como os promovidos por meio do projeto “Chá de Memória”, que objetiva socializar o acervo do APA a partir de atividades mensais como palestras e mesas redondas sobre os mais variados temas. Possui um moderno laboratório de conservação e restauração de documentos considerado referência no Nordeste (para notícia a respeito, clique aqui), assim como salas climatizadas com controle de temperatura e umidade. Também promovem visitas técnicas e cursos com orientações quanto à gestão e preservação de documentos nos órgãos do estado. Clique aqui para saber mais.

Arquivo Público da Bahia – espaço tradicional de pesquisas, possui acervo riquíssimo que remete ao período inicial de colonização do Brasil, o que coloca o APEB entre as principais instituições arquivísticas do país. Ao que foi possível levantar, conta com equipe de cerca de 30 pessoas. Seu acervo começou a ser descrito por meio do ICAAtoM, que pode ser acessado aqui. Embora não tenha sido possível um contato mais próximo com servidores por meio da resposta aos questionários, percebe-se que sua equipe mantém-se atuante junto aos fóruns da área de arquivos, participando de eventos e publicações. A instituição lutou ao longo de anos pela reforça de sua sede, o Solar da Quinta do Tanque, conquistada que vem sendo alcançada por etapas desde 2012. Atualmente o espaço está em obras que visam sua requalificação – para a notícia a respeito, clique aqui.

Arquivo Público do Ceará – sua sede passou por restauração recente: pintura externa e interna, reforma de banheiros, recuperação e pintura de esquadrias em madeira e vidro, reforma da coberta, duplicação da estrutura do mezanino para acondicionamento dos documentos que compõem o acervo. Vem desenvolvendo projetos de digitalização de documentos (notícia aqui) para ampliar o acesso ao acervo, assim como atividades na área de gestão documental, como o Encontro de Arquivos Públicos e Privados do Ceará, realizado em outubro de 2018 (para saber mais, clique aqui) e uma série de audiências públicas no intuito de sensibilizar para a criação de arquivos municipais.

Arquivo Público do Maranhão – além da direção, a equipe de cerca de 30 pessoas, entre elas seis estagiários e três vigias, distribui-se entre os serviços de Apoio Técnico, Processamento e Informática, Gestão do Sistema de Arquivo, Apoio Administrativo, Biblioteca de Apoio, Laboratório de Conservação e Restauração de Papéis e Laboratório de Digitalização. Vem promovendo uma série de exposições para difusão do acervo (como esta aqui), oficinas na área de conservação preventiva e preservação de documentos (como esta aqui), além de reuniões com órgãos setoriais para promover a implantação de uma política de arquivos.

Arquivo Público da Paraíba – como já referido, a instituição está em fase de implementação, mas ao que tudo indica nasceu de um processo de mobilização e diálogo entre instituições culturais, universidades e poder público. Até o momento, não havia um Sistema de Arquivos e a documentação produzida na esfera estadual estava segmentada em três arquivos desarticulados e não institucionalizados: Arquivo Histórico Waldemar Duarte (Secretaria de Cultura do Estado), Gerência Operacional de Arquivo e Documentação (Secretaria de Administração do Estado), e Arquivo dos Governadores (Diretora do Departamento de Documentação e Arquivo da Fundação Casa de José Américo – FCJA, também subordinada à Cultura). A Lei 11.263/2018 cria o Arquivo Público, o Sistema Estadual de Arquivos e define as diretrizes da política estadual de arquivos. Talvez por ter sido promulgada tão contemporaneamente, e em um contexto de debate com múltiplos agentes da área de arquivos, apresenta-se como uma legislação bastante atual e completa. A última informação a que tivemos acesso (aqui) refere a nomeação do quadro diretivo do APEPB.

Até a próxima quarta-feira!

DIVULGA APERS – Alteração de equipe!

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Em 2011 criamos o núcleo de difusão virtual do Arquivo Público do RS, o DIVULGA APERS, responsável por administrar o blogue, Twitter e Facebook da instituição.

A opção por criar um blogue para registrar e publicizar as ações do Arquivo Público do RS veio por conta de nosso site institucional ser antigo, engessado e por não termos perspectivas de atualização, apesar da demanda. O Twitter e o Facebook, por sua vez, se mostraram boas ferramentas para nos aproximar dos usuários e da sociedade em geral, direcionando-os para nosso blogue e abrindo mais um canal de comunicação.

Silvia, Juliano, Clarissa e Viviane

Assim, em 2011 as arquivistas Viviane Portella de Portella, Silvia de Freitas Soares e a historiadora Clarissa de Lourdes Sommer Alves, a época chefiadas pela arquivista Maria Cristina Kneipp Fernandes, planejaram as ações de criação do núcleo, com o lançamento das mídias no dia 1º de agosto.

Estruturamos o uso das mídias de forma a fidelizar o público, com publicações semanais (todas as quarta-feiras) no blogue, atualizações semanais no Facebook com as notícias que remetem a tais publicações e postagens diárias no Twitter com dicas e chamadas para os artigos do blogue. Foi um processo de “formiguinha” tanto para instigar os colegas a escreverem notícias e artigos de maneira a formarmos uma “linha do tempo virtual”, como também para fazer com que o público nos conhecesse e acompanhasse.

O tempo passou, o Divulga APERS ao longo destes quase 8 anos se consolidou, nossa equipe foi mudando… Maria Cristina deixou de fazer parte, Clarissa, com suas muitas demandas, se afastou, mas sempre que foi preciso “estava por perto” para ajudar Silvia e Viviane… Em abril desse ano Silvia foi relotada… e a necessidade de mudanças veio! Com isso, a partir de junho Viviane também deixa a equipe, passando o Divulga APERS ser de responsabilidade de Clarissa e do arquivista Juliano Silva Balbon. Sucesso crescente ao Divulga e a equipe do APERS!

Notícias relacionadas:

Atividades APERS: DIVULGA APERS

Conhecendo Arquivos Públicos Estaduais pelo Brasil: região Centro-Oeste

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Hoje damos sequência a nossa série de postagens a respeito dos arquivos públicos estaduais do Brasil apresentando alguns dados que ajudam a pensar sobre a realidade encontrada nos estados da região Centro-Oeste, que acolhe quatro unidades federativas, todas elas com arquivos institucionalizados em funcionamento.

Antes de partirmos diretamente ao tema, porém, gostaríamos de compartilhar uma atualização que recebemos a partir das interações com a postagem de abertura da série. Havíamos divulgado por meio de um gráfico que o estado da Paraíba estava entre aqueles que não possuem arquivo institucionalizado, mas tivemos acesso à informação de que no dia 28 de dezembro de 2018 foi publicada a Lei 11.263 que “dispõe sobre a criação do Arquivo Público do Estado da Paraíba, do Sistema Estadual de Arquivos e define as diretrizes da política estadual de arquivos públicos e arquivos privados de interesse público e social”. Sabíamos que havia uma comissão trabalhando nesse sentido e ficamos felizes pelo trabalho estar dando bons frutos. Nesse momento a nova instituição está em processo de estruturação, com a definição da sede prevista ainda para o mês de abril. Desejamos que o processo siga e que o Arquivo da Paraíba tenha uma bela trajetória!

Agora voltando nossa atenção à região que intitula nosso texto, partimos da tabela a seguir, que traz um panorama com o nome das instituições, ano de fundação, vinculação administrativa atual, endereço e contatos:

Clique na imagem para ampliar.

Um dado simples, como o ano de fundação dos órgãos, permite uma série de reflexões e a percepção da estreita relação da história das instituições arquivísticas com a história política e administrativa do país no desenvolvimento de sua ocupação territorial e transformações econômicas. Mato Grosso (MT), por exemplo, possui arquivo desde 1896, o 5º mais antigo do Brasil, enquanto Mato Grosso do Sul (MS) foi o penúltimo a ser criado, em 1987. Depois dele, apenas o novo Arquivo da Paraíba. Para entender, podemos observar que o território atual de MT é um dos mais antigos habitados no interior do país, tendo sido disputado por espanhóis e portugueses especialmente no contexto da chamada “corrida do ouro”, no início do século XVIII. Em 1719 foi fundado o Arraial de Cuiabá, elevado à condição de Vila em 1726 e de Capitania em 1748. Já o estado de MS é fruto de um desmembramento do primeiro, ocorrido somente em 1977. Logo, a estruturação administrativa, a produção documental e consequente necessidade de arquivamento podem ser percebidas como parte dessas transformações.

O caso de Goiás é interessante, provavelmente merecedor de uma pesquisa mais profunda a cerca da relação entre arquivos, memória e história: a região também participou do processo da corrida do ouro, efetivou-se enquanto capitania em 1749, teve seu território desmembrado dando origem ao estado de Tocantins em 1988, mas seu arquivo estadual é bastante recente. Ainda que a partir de um olhar breve, podemos aventar possibilidades: Goiás é um estado marcado pela história da mineração e de sua decadência, com período de estagnação econômica e populacional. Já na década de 1930 um projeto modernizador passou a ser empreendido, do qual fazia parte a chegada de uma estrada de ferro e a mudança da capital. Assim, Goiânia foi planejada e fundada em 1937, sob o signo do novo. Como podemos observar pela página do Arquivo Histórico Estadual, a partir da década de 1920 havia o Arquivo Público do Estado, que foi mantido com a criação da nova capital e vinculado à Secretaria de Justiça. Em 1961 foi renomeado para Arquivo Geral, vinculada à Administração, e na década de 1970 seu acervo considerado permanente, que data desde os tempos da capitania, deu origem ao Arquivo Histórico, ficando o Arquivo Geral identificado como arquivo intermediário, ou setorial, da Administração. Talvez o esforço de coligir acervos históricos e refundar a instituição arquivística estadual em novos moldes tenha feito parte de um anseio modernizador e identitário mais global.

Quanto ao Arquivo Público do Distrito Federal, fundado em um contexto de abertura democrática, de maior amadurecimento da arquivística no país, e em que se debatia a necessidade da gestão documental e de uma política nacional de arquivos, nasceu com uma roupagem moderna. Sua fundação recente relativiza-se quando lembramos que Brasília foi inaugurada em 1960 e a atual organização administrativa do DF foi dada apenas pela Constituição de 1988.

Também podemos observar, quanto à vinculação administrativa, que dois dos arquivos em questão estão vinculados à área da cultura (GO e MS), e dois à área da administração/gestão (DF e MT). Embora seja um tanto arriscado afirmar terminantemente – uma vez que não desenvolvemos pesquisas aprofundadas a respeito da atuação de cada arquivo em particular – parece-nos que nessa região aqueles vinculados à esfera da gestão realmente conseguem maior visibilidade no estado e apresentam-se como instituições mais fortes, sendo identificadas como centrais para implantação de políticas de gestão de documentos, enquanto os demais mantêm um perfil voltado à preservação e promoção do acesso aos documentos para pesquisa histórica.

Essa perspectiva de análise é reforçada quando pensamos a composição das equipes e as condições estruturais de trabalho. Excetuando-se o número de estagiários, que não foi possível contabilizarmos embora saibamos da importância do trabalho dos mesmos para manter ativos diversos serviços no estado, DF e MT possuem, respectivamente, 35 e 31 servidores, em sua maioria concursados, enquanto GO e MS possuem 5 e 7 servidores, em sua maioria cedidos de outros órgãos ou comissionados. Em relação à estrutura, a partir dos questionários que foi possível aplicar com historiadores lotados nesses locais, verificamos que os profissionais do DF e de MT referem boas condições gerais de trabalho (salas amplas, equipamentos, etc.), embora os prédios necessitem de intervenções físicas para tornarem-se adequados à preservação de acervos. Em Mato Grosso foi destacada a debilidade infraestrutural do prédio, construído na década de 1940 e localizado em via muito movimentada, problema que vem sendo tratado com boa gestão e esforço das equipes. Em MS a infraestrutura foi elogiada pelos entrevistados, já que recentemente o Arquivo conquistou espaço próprio em um prédio bem localizado e equipado, ainda que seja possível perceber pelos relatos que se trata de uma estrutura diminuta em termos de tamanho. Já em GO as condições de trabalho foram criticadas, já que o prédio não é adequado para ser arquivo, falta material e espaço físico.

São realidades díspares, em nenhum local a situação é ideal, mas em todos os casos encontramos profissionais atuantes, prontos a contribuir e convencidos da importância do trabalho que fazem. Evidencia-se que muito mais poderá ser feito quando o investimento na área de arquivos for compreendido pelo Estado como estratégico para a administração pública, e especialmente como um direito de toda a sociedade. Seguimos essa conversa no mês de junho. Até lá!

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Conhecendo Arquivos Públicos Estaduais pelo Brasil: abertura

Divulga APERS – Novidades

Conhecendo Arquivos Públicos Estaduais pelo Brasil: abertura

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    Este é o blog de um arquivo público estadual. Escrevemos desde o lugar de uma instituição responsável pela gestão e preservação da documentação permanente produzida no âmbito do Poder Executivo de todo o Estado, ou seja, é a maior instituição arquivística do Rio Grande do Sul. Saber que somos o órgão gestor do Sistema de Arquivos do Estado (SIARQ-RS) e referência enquanto local de pesquisa nos traz uma grande responsabilidade, que muitas vezes se choca com os limites impostos pela realidade. Certamente a visibilidade social e política dos arquivos no Brasil ainda é pequena, e temos muito a conquistar. Entretanto, quando trazemos uma afirmação como essa – correta, porém genérica – de que realidade estamos falando? Quais são as reais condições de atuação dos arquivos públicos pelo país? Em que ano foram fundados, quais suas vinculações institucionais, como são compostas suas equipes?

    Hoje iniciamos uma série de postagens bimensais que tem por objetivo compartilhar informações e reflexões a respeito de como está o quadro atual das instituições arquivísticas estaduais brasileiras, lançando luz sobre essas e outras questões. A base para produção dos escritos é a pesquisa de mestrado da servidora Clarissa Sommer, que desenvolve dissertação junto ao PPG em História da UFRGS a ser defendida em maio desse ano. Além do texto de hoje, que funciona como abertura para a série, serão postados mais cinco, a cada dois meses, tendo como eixos as regiões do país: em abril, Centro-Oeste; em junho, Nordeste; em agosto, Norte; em outubro, Sudeste; e em dezembro, Sul, acompanhado de um balanço e da divulgação da dissertação completa. Exceto este texto de abertura, os demais estarão no blog sempre na segunda quarta-feira do mês.

    Para preparar o caminho e deixar todas e todos com vontade de saber mais, hoje compartilhamos dois gráficos oriundos dos levantamentos, que contribuem para a construção de um panorama sobre o tema:

     Pela imagem acima, que apresenta graficamente o ano de fundação dos arquivos estaduais, observa-se em um breve olhar que cinco estados ainda não possuem seus arquivos: Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins na região Norte, e Paraíba no Nordeste. A percepção em relação à situação dos documentos arquivísticos em cada um deles será melhor abordada nos textos correspondentes às regiões, mas salta aos olhos a dificuldade da região Norte se considerarmos que, embora possa haver debilidades em qualquer instituição, sua existência é uma primeira sinalização de que o estado reconhece a necessidade de gerir e preservar seus documentos. Observa-se também que boa parte deles foi criado ainda na 1ª República, respondendo a um amplo processo de reorganização administrativa e social vivido no país após o fim do Império. Note-se que tratamos de 28 arquivos considerando 26 estados e o Distrito Federal, cada um com uma instituição identificada (ou inexistente), e o Rio Grande do Sul como o único estado que possui dois arquivos públicos institucionalizados, o APERS e o Arquivo Histórico (AHRS).

     Para fins de visualização do gráfico acima, que demonstra a quais Secretarias de Estado os Arquivos estão vinculados em cada unidade federativa, as vinculações foram agrupadas em três blocos, por afinidade das funções desempenhadas pelas Secretarias, já que há grande diversidade de nomenclaturas entre elas. Os blocos são:

  • Administração/Gestão: e/ou Modernização, Planejamento, Previdência, Recursos Humanos (07 Arquivos);
  • Casa Civil: e/ou Secretaria de Governo, Gabinete Civil, Desenvolvimento Econômico (05 Arquivos);
  • Cultura: e/ou Educação, Esportes, Lazer, Turismo (11 Arquivos).

     Percebe-se rapidamente que, embora haja na área a defesa de que os arquivos – nacional, estaduais e municipais – sejam posicionados em nível estratégico da Administração Pública, inclusive conforme resolução da I Conferência Nacional de Arquivos realizada em 2011 (clique aqui para acessar), há diversidade de tratamentos ao tema, em um arranjo que parece representar a dicotomia muitas vezes enfrentada no mundo dos arquivos: eles são instituições culturais, voltadas à história e à pesquisa? Ou são instituições de apoio à administração e gestão do Estado? Essa aparente separação pode ser superada se pensarmos os arquivos enquanto instituições híbridas, que devem atentar para todo o fluxo percorrido ao longo do ciclo de vida dos documentos, assim como para seu acesso e difusão, garantindo direitos às cidadãs e cidadãos e contribuindo para a produção de conhecimento de maneira ampla em nossa sociedade. Havendo essa compreensão, da qual decorre o reconhecimento de que se deve dotar tais instituições de estrutura e recursos compatíveis com seu papel estratégico, talvez nem sempre o debate da vinculação formal seja o mais importante. Ao final de nossa série talvez seja possível aos leitores traçarem seu próprio entendimento a esse respeito a partir das experiências dos estados.

    Desejamos que as informações por ora trazidas sirvam com um convite para que você siga nos acompanhando!

Notícia relacionada:

Divulga APERS – Novidades

“História, Arquitetura & Arquivo”: comemoração dos 113 anos do APERS

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     Sob a temática do conjunto arquitetônico, construído no início do século passado para ser um arquivo, a tarde do último dia 12 de março foi de comemoração no Arquivo Público do Estado. Os 113 anos da Instituição foram comemorados em evento, no qual a Diretora Aerta Grazzioli fez a abertura e o lançamento do segundo módulo da Galeria de Diretores do APERS, que contempla os gestores dos anos de 1959 até 1987 (clique no link para acessar).

    Na sequência teve a Mesa Redonda “APERS: Conjunto Arquitetônico no tempo e a Utilização de seus Espaços”, onde a arquivista Carmen M. Merlo e a arquiteta Samantha Sonza Diefenbach palestraram sobre suas dissertações “O Palácio de Papel: cem anos do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (1906-2006)” e “Affonso Hebert: ecletismo republicano no Rio Grande do Sul”, respectivamente; e o professor Günter Weimer proferiu sobre “A Arquitetura do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul”, para uma plateia que praticamente lotou o auditório.

    Logo após, houve a apresentação do “Coro Jovem da OSPA”, que interpretou clássicos e finalizou sua apresentação com o “Parabéns a você”, seguida de confraternização, com direito a bolo e espumante.

    Por fim, foi lançada a exposição “APERS: Conjunto Arquitetônico no tempo e a Utilização de seus Espaços” que reúne fotos e documentos que ilustram nossa história. Lembrando que a exposição pode ser conferida até o dia 29 de março aqui no APERS (Rua Riachuelo, 1031, Centro Histórico de Porto Alegre), no espaço Joél Abilio Pinto dos Santos, de segunda a sexta, das 8:30 às 17 horas.

    Estiveram presentes no evento: servidores e ex-servidores do APERS, os subsecretários Marcelo Alves (Gestão) e Barão Mello da Silva (Planejamento e Orçamento), e diretores de departamentos da Secretaria do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG); o presidente da Associação dos Amigos do Arquivo Público (AAAP), Anderson Portella, e integrantes da diretoria, e o público geral que justifica a perpetuidade de nossa instituição.

Confira fotos do evento neste álbum em nossa página do Facebook (clique para acessar)!

Mesa-redonda “Apers 113 anos: Arquitetura e Patrimônio”

Posted by Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul on Wednesday, March 20, 2019

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113 anos Arquivo Público RS: História, Arquitetura e Arquivo

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Arquivistas do APERS atuam na preservação do acervo do Castelo de Pedras Altas

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    Logo na entrada do Castelo, gravada nas lajes, lê-se:

Bem-vindo à mansão que encerra
Dura lida e doce calma:
O arado que educa a terra;
O livro que amanha a alma.

    Com esta ideologia: “trabalho e cultura, transpiração e conhecimento”, o Castelo de Pedras Altas, localizado no município de Pedras Altas/RS, foi construído entre 1909 e 1913, em granito rosa, ao estilo medieval, com 44 cômodos, 300 hectares, para o diplomata (foi embaixador em Portugal, Estados Unidos, México e Argentina; político (foi deputado provincial, participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1899, ministro da Agricultura e governador do Estado entre 1891 e 1892), advogado e escritor Joaquim Francisco de Assis Brasil, como um presente a sua esposa Lídia de São Mamede, filha de um conde europeu e que residia em um local semelhante na Europa. A granja foi transformada em uma propriedade de campo com papel importante no agronegócio gaúcho, como a introdução no local (e no Brasil) dos gados Jersey e Devon, a ovelha Karakul e o cavalo árabe.

    O Castelo não é apenas um curioso exemplar arquitetônico, ele tem história. Ali, deu-se a assinatura do acordo de paz que encerrou a revolução gaúcha de 1923, que durou 23 anos e 11 meses.  Em sua biblioteca foi assinada a Paz de Pedras Altas entre as forças políticas que apoiavam Borges de Medeiros e suas enjoativas reeleições — foi presidente do estado entre 1898 e 1927 — e aquelas que se insurgiam contra o fato. Portanto, além do valor arquitetônico, há elevada relevância histórica e cultural no local, onde ocorreram dezenas de encontros de grande relevância histórica e no acervo produzido por Assis Brasil.

     A Granja de Pedras Altas foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado – IPHAE, em 1999; e os bens móveis do Castelo, em 2009, mesmo ano em que o Castelo foi declarado com bem de relevante interesse histórico e cultural do Estado, pela Assembleia Legislativa. O acervo consistem em uma extensa lista de mobiliário, adornos, esculturas, lustres, louças, pratarias, quadros, tapetes, livros e documentos, entre outros objetos que pertenceram à Assis Brasil. Mesmo assim, em 2009, a Federação da Agricultura do Estado (FARSUL) decidiu arrecadar recursos para a restauração da edificação, devido à degradação do prédio, que ameaça o acervo, pela instabilidade das condições, como alta umidade, sujidade, das infiltrações do local e do acondicionamento inadequado do material.

    O acervo de Assis Brasil é composto por peças históricas e uma valiosa biblioteca, na qual há coleção de correspondências entre o diplomata e figuras importantes da história do Estado e do país, e 22 volumes da Enciclopédia Francesa de Diderot e D’Alambert, publicada em 1751. Em 2014, os 20 herdeiros, após algumas tentativas mal sucedidas de captação de recursos para a restauração, colocaram a granja à venda, com porteiras fechadas. Em 2008, um projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura, pela Lei Rouanet; mas, não apareceram interessados na execução.

   A degradação do castelo deveu-se a Assis Brasil não ter previsto que a fazenda poderia até sobreviver de sua produção, mas jamais sustentar um oneroso Castelo. Já quando morreu, em 1938, Assis Brasil deixou dívidas que fizeram com que a família se desfizesse de 130 hectares. Pensado como saída, o turismo cultural não decolou. Lídia Costa Pereira de Assis Brasil, neta de Assis Brasil, recebia os visitantes cobrando-lhes um ingresso. Desta forma, o Ministério Público ao perceber a dificuldade dos herdeiros em manter a conservação do local de 180 hectares, resolveu intervir: junto com IPHAN e IPHAE entraram contato com todos os herdeiros do patrimônio, com quem, inclusive, formataram um termo de ajustamento de conduta, mas não tiveram êxito em recolher as assinaturas dos familiares para que a iniciativa fosse realizada. Então, ajuizaram ação, para conquistar a posse temporária desses documentos, a fim de realizarem trabalhos para sua preservação.

    Como forma de preservar este importante patrimônio o Estado, técnicos, historiadores, arquivistas e uma cientista social, iniciaram a execução de um “Plano de Salvamento da Documentação”, composto por quatro etapas de atividades. No dia 21 de janeiro deste ano, foi realizada viagem até Pedras Altas, para executar o levantamento do acervo mobiliário e documental, e acondicioná-lo para o transporte e guarda provisória, no Memorial do Ministério Público, em Porto Alegre, onde receberá análise e tratamento técnico e acondicionamento adequados e, posteriormente, a digitalização, para fins de difusão, e realocação no Castelo, após o imóvel ter as condições ideais para a guarda e conservação. Durante a elaboração do projeto de restauração arquitetônica e requalificação do acervo, será previsto um ou mais locais com condições ideais de guarda do material documental.

     Entre os dias 28 de janeiro e 01 de fevereiro, estiveram em Pedras Altas a arquivista do Arquivo Público do RS Iara Machado Gomide, acompanhada da historiadora Evelise Neves, do MPRS; da professora e arquivista Valéria Bertotti, da UFRGS, e da arquiteta Estela Galmarino, do IPHAE. Também participa da equipe, representando o APERS, o arquivista Jonas Ferrigolo Melo. As instituições que compõem o Plano de Salvamento, por meio de acordo de cooperação, firmado em novembro de 2018, são: o Ministério Público, quem coordena, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado – IPHAE, Instituto do Patrimônio e Artístico Nacional – IPHAN e o Departamento de Ciências da Informação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS – DCI/FABICO. O Arquivo Público do Estado não firmou o acordo à época por razões administrativas, porém já está participando do trabalho e está sendo providenciado aditivo para que ingresse no mesmo. O trabalho não tem data definida para conclusão, porque depende das necessidades e especificidades dos documentos.

Confira fotos do Castelo de Pedras Altas no álbum do Facebook do APERS, clique aqui para acessar.

Preservação do acervo do Castelo de Pedras Altas28 de janeiro a 01 de fevereiro/2019

Posted by Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul on Wednesday, February 6, 2019

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Fontes e notícias relacionadas:
GOVERNO DO ESTADO DO RS. Castelo de Pedras Altas é tombado pelo Estado. 2009.
MINISTÉRIO PÚBLICO DO RS. MP quer garantir preservação do acervo documental do Castelo de Pedras Altas. 2014.
GAÚCHA ZH. Palco da Revolução de 23, castelo de Pedras Altas é posto à venda. 2014.
G1. Herdeiros tentam vender castelo centenário de Assis Brasil no RS. 2014.
FOLHA DO SUL. Castelo de Pedras Altas – O recanto de Assis Brasil. 2016.
FOLHA DO SUL. Instituições firmam acordo para salvaguarda de acervo documental do castelo de Pedras Altas. 2018.
MINISTÉRIO PÚBLICO DO RS. Acordo entre instituições prevê salvaguarda de acervo documental de Pedras Altas. 2018.
GOVERNO DO ESTADO DO RS. Começa a preservação de documentos de Assis Brasil no castelo de Pedras Altas. 2019.
MINISTÉRIO PÚBLICO DO RS. Técnicos iniciam trabalhos de salvaguarda do acervo de Pedras Altas. 2019.
SECRETARIA DA CULTURA. Estado inicia trabalho de preservação de documentos no Castelo de Pedras Altas. 2019.

Divulga APERS – Novidades

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    Hoje divulgamos a agenda de artigos periódicos que pretendemos publicar aqui no blog ao longo deste ano. Confira!

   Este ano voltamos a ter o APERS Entrevista mensal. A partir da próxima semana, toda terceira quarta-feira do mês publicaremos entrevistas com pesquisadores de nossa Sala de Pesquisa sob responsabilidade do historiógrafo Rodrigo de Azevedo Weimer.

   Já na segunda semana do mês, entre fevereiro e dezembro, bimensalmente, a técnica em assuntos culturais Clarissa de Lourdes Sommer Alves escreverá sobre a realidade dos Arquivos Públicos Estaduais Brasileiros, apresentando a situação dos arquivos em cada região do país.

         Na página no Facebook publicaremos chamadas para artigos publicados em anos anteriores em nosso blog institucional, nas terças e sextas-feiras, e claro, às quartas-feiras continuaremos a fazer as chamadas das publicações semanais! Assim, nas terças-feiras faremos chamadas para artigos publicados nas categorias Ação Educativa em ArquivosAPERS Entrevista, Mulheres no APERS, gênero e históriaPesquisando no Arquivo, e para as publicações técnicas e de anais de eventos. Nas sextas-feiras publicaremos chamadas para as dicas da categoria Mundos dos Arquivos.

    Desejamos que você continue a nos acompanhar pelas mídias, mas claro, também queremos sua presença em nossa Sala de Pesquisa, eventos e demais atividades que realizamos visando sua participação e interação!

Divulga APERS – Novidade!

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A partir da próxima semana retomaremos as publicações periódicas de artigos na categoria Pesquisando no Arquivo! Serão seis artigos publicados de março a agosto, toda terceira quarta-feira do mês.

As publicações darão sequência a série sobre o acervo da Secretaria da Justiça (1975-1991) publicadas no ano passado. Este ano nossas estagiárias Sara Dalpiaz Carlos e Letícia Wickert Fernandes, orientadas pelas arquivista Viviane Portella de Portella, se revezarão nas publicações dos textos que visam difundir o acervo, em especial os processos de solicitação e de revisão de pensões concedidas pelo Estado.

Desejamos que você continue a nos acompanhar pelas mídias, mas claro, também queremos sua presença em nossa Sala de Pesquisa, eventos e demais atividades que realizamos visando sua participação e interação!

APERS 112 ANOS: Eventos em comemoração ao aniversário do Arquivo Público do RS

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Com o objetivo de comemorar o aniversário de 112 anos do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul – APERS, no dia 08 de março, data de sua fundação, sua equipe organizou a Exposição ‘’ARQUIVO EM REVISTA” com abertura em 07 de março e encerramento em 31 de março de 2018. A exibição será realizada no espaço Joel Abílio Pinto dos Santos, localizado no andar térreo da Instituição e poderá ser visitada das 8h30min às 17h.

O Arquivo Público é um Departamento da Secretaria da Modernização Administrativa e dos Recursos Humanos – SMARH/RS – constituído pela Divisão de Preservação, Acesso e Difusão, pela Divisão de Gestão Documental e pela Seção de Apoio Administrativo. A partir desta estrutura, o APERS desenvolve atividades técnicas relacionadas à gestão documental do seu acervo – preservação e acesso à informação – e projetos culturais e educacionais, tais como oficinas para turmas escolares, cursos de formação para professores, capacitações para estudantes de graduação, seminários, palestras e exposições, aproveitando seus espaços culturais no intuito de difundir e gerar conhecimento. Dentre as atividades relacionadas ao acesso à informação, destacamos a disponibilização do acervo oriundo dos três Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e os atos registrados nos tabelionatos e cartórios de Registro Civil, por meio de solicitação prévia para consulta pública na sala de pesquisa da Instituição. Além disso, o conjunto arquitetônico em estilo neoclássico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do RS pode ser visitado, mediante solicitação prévia. Vale destacar que, além das atividades descritas, o APERS atua como Órgão gestor do Sistema de Arquivos do Estado do RS – SIARQ/RS, sendo responsável pela assessoria relacionada à gestão documental para os órgãos da Administração Direta e Indireta do Estado.

Em paralelo à exposição estão previstos dois outros eventos: a Roda de Memória, retrospectiva em formato de mesa-redonda composta por ex-diretores que dirigiram a Instituição a partir de 1987 e o lançamento da Galeria  de Diretores, uma publicação digital histórico-biográfica dos diretores do APERS, disponibilizada em formato pdf.

A Roda de Memória tem como objetivo apresentar a contribuição dos gestores no desenvolvimento de técnicas e metodologias que resultaram na qualificação da preservação dos documentos sob a guarda do APERS, na promoção no campo da difusão do acervo e na melhoria do conjunto arquitetônico do APERS.

A Galeria de Diretores tem por objetivo disponibilizar a biografia dos trinta e cinco diretores que ocuparam o cargo desde a fundação do APERS, em 1906, até a gestão atual. Para o evento, o arquivo digital, disponível em nosso site, contemplará a biografia dos sete diretores a partir do ano de 1987. A medida que a pesquisa biográfica for sendo realizada, as demais gestões serão disponibilizadas para consulta.

Em nosso cotidiano geralmente não percebemos o papel da memória na formação da vida em sociedade. Assim, a realização de eventos dessa natureza permite atingir o propósito de preservação da memória, documentando a trajetória da Instituição e o envolvimento dos sujeitos que contribuíram com seu trabalho e ações, motivados por demandas do seu tempo e pela situação social, política e econômica da época. Acompanhar a trajetória dos ex-diretores do APERS é, em certa medida, seguir o curso funcional e administrativo da Instituição, com as transformações decorrentes desse processo, bem como registrar o legado e a história dos seus gestores, prestando uma homenagem pela contribuição dada para a existência centenária do APERS.

Exposição: ARQUIVO EM REVISTA – 7 de março de 2018 – às 18h30min (aberta diariamente das 9h até as 17h, até 30/03/2018)

Roda de memória: 8 de março de 2018 – das 14h até as 17h

Galeria Virtual de Diretores – 8 de março – às 17 h

Local:

Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul – APERS

Auditório Marcos Tramontini e Espaço Joel Abílio Pinto dos Santos

Rua Riachuelo, 1031 – Centro Histórico – Porto Alegre – RS

APERS é tema de reportagem no Jornal Sul21

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   No dia 12 de janeiro, as jornalistas do Jornal Sul 21 Fernanda Canofre e Joana Berwanger foram recebidas no Arquivo Público do RS pelas servidoras Aerta Moscon, Clarissa Alves, Maristela Heck e Silvia Soares. O objetivo foi conhecer a instituição e seus serviços e atividades para elaboração de uma reportagem.

   Como resultado, dia 14 foi publicada a matéria “Arquivo Público guarda 21 milhões de documentos no centro de Porto Alegre”. Clique aqui para ler.

APERS sediará lançamento do livro “O Arquivo e o Lugar: custódia arquivística e responsabilidade pela proteção aos arquivos”

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    O Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, em parceria com a Associação dos Arquivistas do Estado do Rio Grande do Sul, realizará o lançamento do livro “O Arquivo e o Lugar: custódia arquivística e responsabilidade pela proteção aos arquivos”, de Margareth da Silva, no dia 29 de novembro, às 18:30 horas.

    Haverá palestra da autora seguida de sessão de autógrafos no Auditório do Arquivo Público (Rua Riachuelo, 1031, Porto Alegre).

    Interessados em adquirir o livro podem realizar a compra acessando os seguintes links, conforme sua preferência:

  • Para retirada no dia do evento,  clique aqui – valor R$ 50,00
  • Para receber o livro pelos Correios, clique aqui – valor R$ 50,00 + frete

Curso de Gestão Documental: inscrições abertas

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    O Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), em parceria com a Escola de Governo e a Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH), comunica que estão abertas as inscrições para mais uma edição do Curso de Gestão Documental.

    As inscrições podem ser feitas até 18 de setembro, na página da Escola de Governo, e o candidato deve seguir as orientações do Edital 21/2017, clique para acessar. O curso é destinado a servidores públicos estaduais do Poder Executivo do Rio Grande do Sul e estão disponíveis 40 vagas.

    As aulas são ministradas por servidores do APERS e ocorrem de 25 a 29 de setembro de 2017, sendo que a primeira aula será no auditório do APERS (Rua Riachuelo, 1031), as demais aulas na sede da Escola de Governo / FDRH (Av. Praia de Belas, 1595).

    Entre os objetivos, o curso visa divulgar o Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul (SIARQ/RS), a aplicabilidade dos instrumentos arquivísticos vigentes e a importância em realizar a gestão documental para preservar a história e a memória do Estado e de nossa sociedade.

Realizado Curso de Gestão Documental aos Servidores do APERS

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     Na última semana, de 03 a 07 de julho, foi realizada mais uma edição do Curso de Gestão Documental, desta vez, destinado aos servidores, estagiários e terceirizados do Arquivo Público do RS, teve como objetivo disseminar o conhecimento sobre as atividades de gestão documental desempenhadas pelo APERS, enquanto Órgão Gestor do Sistema de Arquivo do Estado do Rio Grande do Sul (SIARQ/RS).

    Durante todas as manhãs, as aulas foram realizadas no Auditório Marcos Justos Tramontini. No primeiro encontro teve a fala da historiadora Clarissa Sommer Alves, onde puderam compreender a importância de patrimônio histórico, memória.

    Nos dias seguintes, o arquivista Jonas Ferrigolo Melo ministrou as aulas que abrangeram gestão documental, conceitos arquivísticos, normativas estaduais e os instrumentos de gestão do SIARQ/RS, aliando sempre exemplos do dia a dia do serviço público e algumas dinâmicas para a interação dos participantes. Além disso, teve destaque a fala sobre a reorganização dos arquivos digitais do APERS salvos na rede, que será executada por todos que os utilizam.

     Para finalizar o curso, no último encontro os servidores realizaram atividades práticas conduzidos pelas arquivistas Maria Cristina Fernandes e Silvia de Freitas Soares; participaram de um exercício onde tiveram que analisar documentos para classificá-los e avaliá-los, de acordo com o Plano de Classificação de Documentos (PCD) e a Tabela de Temporalidade de Documentos (TTD) e preencher os registros para eliminação de documentos.

    A realização do curso, para o Arquivo Público, além de propiciar conhecimento e capacitar para a realização das atividades de gestão documental, foi uma oportunidade de integrar os servidores, estagiários e terceirizados.

Aconteceu no APERS o Seminário Internacional Luiza Bairros

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    Nos dias 18 e 19 de maio aconteceu o Seminário Internacional Escravidão, Memória e Verdade no Brasil e nos EUA em homenagem a Luiza Bairros (In memoriam), no auditório do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul – APERS.

    Organizado pela Subcomissão da Verdade da Escravidão Negra – SCVEN-OAB-RS, Defensoria Pública da União – DPU, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e APERS, o evento recebeu 89 participantes nas duas tardes em que foi realizado.

   Foram abordados temas como justiça de transição e direitos humanos como reparação, escravização e reparação, escravização nos EUA e no Brasil em perspectiva comparada, desigualdades étnico-raciais, racismo como produto do Estado e a luta antirracista, apresentados e discutidos por professores e pesquisadores da UNISINOS, PUCRS, UFRGS, FEE, IACOREQ, SCVEN-OAB-RS e Howard University – EUA.

Confira algumas fotos do evento no álbum no Facebook do APERS.

Exposição “ENTRE LER E VER: Escravização e Resistência”

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    Será aberta no dia 18 de maio, no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), a exposição “ENTRE LER E VER: Escravização e Resistência”, no mês da Abolição da Escravidão no Brasil. A mostra é composta por dois momentos: “APERS: um olhar nas fontes documentais da escravidão”, e “Visões além da retina: Memórias, Esquecimentos e Representações”.

    É um convite para pensar o protagonismo do povo negro em suas lutas cotidianas escravagistas do passado, indo além da visão de passividade que o escravo tinha na sociedade escravista brasileira. Além disso, provocar um pensar na realidade e na atualidade, como a representatividade de hoje em suas lutas e conquistas.

“APERS: um olhar nas fontes documentais da escravidão”
Documentos originais de cartas de liberdade, testamentos, compra e venda de escravos, inventários e processos crimes estarão expostos. Esta temática, “Escravidão”, deu origem a dez catálogos que servem de instrumento de pesquisa, os “Catálogos Seletivos Documentos da Escravidão”.

“Visões além da retina: Memórias, Esquecimentos e Representações”
Exposição fotográfica composta por três eixos temáticos: o primeiro apresenta memórias institucionais, o segundo locais de identificação e o terceiro representações contemporâneas do negro em Porto alegre. O acervo foi cedido pela Unidade Documentação e Memória/Cia Carris Porto-alegrense.

    A exposição permanecerá aberta para visitação até 31 de maio de 2017, das 8h30min às 17h, no Espaço Joel Abílio Pinto dos Santos do APERS, Rua Riachuelo, 1031, Centro Histórico de Porto Alegre.

Seminário Internacional Luiza Bairros

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   Ocorrerá, nos dias 18 e 19 de maio, o Seminário Internacional Escravidão, Memória e Verdade no Brasil e nos EUA em homenagem a Luiza Bairros (In memoriam), no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul – APERS.

     O evento realizado pela Subcomissão da Verdade da Escravidão Negra – OAB/RS, Defensoria Pública da União – DPU, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e APERS, tem por objetivo promover um espaço de discussão e intercâmbio de conhecimento entre Brasil e EUA, para subsidiar o Relatório da Subcomissão da Verdade da Escravidão Negra no Rio Grande do Sul. É direcionado para pesquisadores, comunidade acadêmica, integrantes da OAB e de movimentos sociais, e demais interessados.

  As informações sobre o seminário estão disponíveis no site: www.seminarioluizabairros2017.com.br .

Aniversário do APERS e abertura da exposição “Trabalhadoras Mulheres no APERS”

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    No dia 08 de março, além do Dia Internacional da Mulher, o Arquivo Público do Rio Grande do Sul (APERS) celebrou seus 111 anos com a abertura da exposição “Trabalhadoras Mulheres no APERS”, no Espaço Joel Abílio Pinto dos Santos, coordenada pelas arquivistas Iara Gomide e Marta Araújo e pela técnica em assuntos culturais Caroline Baseggio.

   A abertura foi realizada pela Diretora do Arquivo Público, Aerta Moscon e pelo Secretário de Estado da Modernização Administrativa e dos Recursos Humanos (SMARH), Raffaele Di Cameli, que ressaltaram a qualificação profissional e das atividades realizadas e o legado para a sociedade deixado pelas servidoras do APERS.

    A solenidade também contou com a presença de servidoras, funcionárias terceirizadas e estagiárias que compõem o quadro atual da instituição e muitas outras que já não trabalham mais no Arquivo. Em clima de reencontro e confraternização todas e todos puderam reencontrar ex-colegas e conferir a mostra de fotografias, documentos, móveis, e equipamentos e instrumentos de trabalho, a fim que prestar uma homenagem aos 111 anos do APERS e às mulheres que trabalham e já trabalharam no Arquivo Público. Confira algumas imagens do evento clicando aqui.

    Ao longo da semana, a exposição teve repercussão em meios de comunicação, sendo divulgada na página de notícias do Governo do Estado, na página do ClicRBS e na coluna Almanaque Gaúcho edição de final de semana, 11 e 12 de março de 2017, do Jornal Zero Hora.

    A exposição permanece aberta para visitação até 31 de março de 2017, das 8h30min às 17h, no APERS, Rua Riachuelo, 1031, Centro Histórico de Porto Alegre. Informação pelo fone (51) 3288-9100.

APERS 111 anos: Exposição Trabalhadoras Mulheres no APERS

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2017-03-02-exposicao-trabalhadoras-mulheres-apers

     Para comemorar o aniversário de 111 anos do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), criado no mesmo dia em que celebramos o Dia Internacional da Mulher – 08 de março, organizamos a Exposição Trabalhadoras Mulheres no APERS!

    O papel da mulher na sociedade ao longo do século XX sofreu grandes modificações. A saída do espaço privado e a gradativa inserção no espaço público proporcionou às mulheres a conquista de uma maior visibilidade na sociedade e, se hoje ainda não estamos em pé de igualdade com os homens, com certeza estamos muito mais próximas desta realidade.

    Nos primeiros anos de funcionamento do Arquivo Público, a presença feminina acompanhava a tendência social, ou seja, são poucos os registros de mulheres presentes na instituição. Porém, atualmente a lógica se inverteu: a grande maioria de funcionários é do sexo feminino, e contamos nos últimos anos com um número significativo de mulheres ocupando cargos de chefia e diretoria da Instituição.

    Acompanhar a trajetória das mulheres dentro do APERS é, em certa medida, acompanhar a trajetória feminina na sociedade ao longo do século XX e início do XXI: da saída do lar ao mercado de trabalho e todas as transformações decorrentes deste processo, no que diz respeito à sua vida pública e privada.

    Convidamos a todas e a todos a conhecer um pouco sobre as mulheres de ontem e de hoje que contribuíram e contribuem para construir a história de nossa instituição! A exposição terá abertura no dia 08 de março, às 16 horas, no espaço Joel Abílio Pinto dos Santos, no APERS (Rua Riachuelo, 1031, Centro) e estará disponível para visitação até 31 de março de 2017.

Divulga APERS – Novidades

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DIVULGA logo vertHoje divulgamos a agenda de artigos periódicos que pretendemos publicar aqui no blog ao longo deste ano. Confira!

Este ano vamos publicar artigos temáticos na categoria Pesquisando no Arquivo. A partir de março a técnica em assuntos culturais Gigliori Rodrigues e a agente administrativa Salete Maristela Heck publicarão na segunda semana de cada mês, artigos abordando as possibilidades de pesquisa nas áreas das ciências sociais e história nos diversos acervos custodiados pelo APERS.

Já na terceira semana de cada mês, entre março e outubro, nossos estagiários do curso de história Camila Barbosa e Guilherme Cardoso, orientados pela arquivista Viviane Portella de Portella, se revezarão na publicação de textos visando difundir os acervos da Secretaria da Justiça e da Secretaria da Coordenação e Planejamento.

Desejamos que você continue a nos acompanhar pelas mídias, mas claro, também queremos sua presença em nossa Sala de Pesquisa, eventos e demais atividades que realizamos visando sua participação e interação!

APERS no I Seminário Nacional História e Patrimônio Cultural

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2016-10-05-apers-no-seminario-nac-historia-e-patrimonio-b    Na tarde de segunda-feira, 03 de outubro, a historiadora do APERS, Clarissa Sommer, participou do I Seminário Nacional História e Patrimônio Cultural apresentando trabalho em parceria com a prof.ª Carla Rodeghero (Dep. e PPG em História / UFRGS). A comunicação teve como foco as oficinas de educação patrimonial oferecidas pelo PEP UFRGS-APERS, sendo debatida no simpósio temático “Ensino de História, Patrimônio Cultural e Memória Social”.

    As apresentadoras refletiram sobre as relações entre história, memória e patrimônio, problematizando como os patrimônios salvaguardados pelo APERS – pensados enquanto vestígios do passado e enquanto possíveis suportes para diferentes memórias – podem contribuir para processos de ensino-aprendizagem que suscitem valorização e apropriação crítica de nosso patrimônio cultural, relacionando-se a identidades individuais e coletivas das e dos estudantes.

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   Neste sentido, as oficinas foram apresentadas em seus constantes processos de avaliação e reformulação, que respondem às demandas de estudantes, professores e da equipe do Programa, buscando atualizações que dialoguem com as novidades na produção historiográfica e com os desafios colocados pelo tempo presente.

    As principais ações do PEP também foram apresentadas de maneira geral, de forma que o público presente tivesse conhecimento sobre o oferecimento de oficinas, capacitações de oficineiros, cursos de formação para professores e participação da equipe em eventos e publicações. Assim que o texto completo for lançado através dos anais do evento, divulgaremos aqui!

Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS V – História da Ditadura Civil-Militar

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    Chegamos à quinta publicação de Revisitando as Mostras de Pesquisa, na qual divulgaremos alguns artigos publicados nos anais das Mostras sobre a temática da Ditadura Civil-militar. Diferentemente das anteriores, nesta postagem vamos explorar um artigo, em especial, e apresentar outros títulos.

2016.07.20 Imagens

    Muitas foram as apresentações na V Mostra que versaram sobre a história da Ditadura Civil Militar, tanto no Brasil quanto em outros países do Cone sul. Dentre elas, selecionamos o artigo de Caroline Silveira Bauer, hoje professora da UFRGS, O “crime das mãos amarradas”: sequestro, tortura, desaparição e morte do ex-sargento Manoel Raimundo Soares durante a ditadura civil-militar brasileira (1966), no qual foram exploradas várias práticas, a partir de um caso emblemático, que caracterizaram a ditadura no Brasil.

    Nesse artigo é analisado o sequestro, a tortura, o desaparecimento e a morte do ex-sargento do Exército Manoel Raimundo Soares, que ocorreu no ano de 1966. A autora toma o caso como exemplo das práticas de terrorismo de Estado aplicadas no Brasil. Conforme a Bauer, uma primeira versão deste trabalho havia sido apresentada como parte de sua dissertação de mestrado, intitulada Avenida João Pessoa, 2050 – 3° andar: terrorismo de Estado e ação de polícia política do Departamento de Ordem Política e Social do Rio Grande do Sul (1964-1982), defendida em abril de 2006 junto ao PPG em História da UFRGS. Entretanto, como parte do resultado daquela investigação, o assassinato de Manoel Raimundo Soares, de acordo com Caroline, não recebeu atenção particular naquela análise, uma vez que inserido em uma lista maior de exemplos de arbitrariedades cometidas pelo DOPS/RS.

    O assassinato de Raimundo Soares ficou conhecido como o “crime das mãos amarradas”, porque seu corpo foi encontrado nas águas do Rio Jacuí com as mãos amarradas às costas. As práticas empregadas pelos órgãos da repressão e o impacto na sociedade que, segundo a autora, pela primeira vez, de forma explícita, tomava conhecimento das ações repressivas da ditadura, levaram a historiadora escrever tal artigo, com atenção voltada para esse crime.

    A principal fonte utilizada por ela foi o processo de indenização movido pela viúva de Manoel Raimundo Soares, Elizabeth Challupp Soares, que faz parte do Acervo da Luta contra a Ditadura, localizado no Memorial do Rio Grande do Sul. Também foram consultadas outras fontes, tais como a documentação produzida pela Comissão Parlamentar de Inquérito e jornais.

    Manoel era segundo sargento do exército e desertou em 23 de abril de 1964, quando passou a viver na clandestinidade. Foi sequestrado em 13 de março de 1966, em frente ao Auditório Araújo Viana em Porto Alegre, numa cilada levada a cabo por Edu Rodrigues Pereira. Foi levado para o quartel e dois dias depois para o DOPS, lugares onde sofreu inúmeras torturas. Permaneceu ali até o dia 18 de março, quando foi levado para a Ilha do Presídio. De acordo com informações oficiais, teria sido solto no dia 12 de agosto, embora ainda haja registro de sua presença no DOPS no dia 13 do mesmo mês. Três habeas corpus, foram impetrados nos meses de junho, julho e agosto por Elizabeth, no qual era solicitado notícias sobre a localização de Manoel. Em resposta a um telegrama recebido do Supremo Tribunal Militar, no dia 20 de agosto, o DOPS informou que Manoel não se encontrava naquele órgão, conforme sequência de informações trazidas por Bauer.

    A autora afirma ainda que no dia 24 de agosto de 1966, por volta das 17 horas, foi encontrado por agricultores um corpo boiando no Rio Jacuí, próximo a Ilha das Flores. Enquanto isso, Elizabeth veio a Porto Alegre para impetrar um quarto pedido de habeas corpus, para saber onde e sob a responsabilidade de qual autoridade estava o ex-sargento. No dia seguinte, Dilmar Machado, jornalista da Zero Hora, recebeu um telegrama anônimo, informando que aquele cadáver, com as mãos amarradas às costas, seria de Manoel Raimundo Soares. Elizabeth procurou o repórter e foram juntos ao Instituto Médico Legal, onde reconheceu o corpo do seu esposo, cuja causa mortis foi por afogamento anterior ao dia 21 de agosto, conforme o auto de necrópsia.

    De acordo com Caroline Bauer, as razões do interesse do DOPS/RS em Manoel deviam-se a dois motivos principais: a de que ele respondia processo criminal por atos de subversão; e a de que poderia “fornecer informações valiosas sobre a organização e outros companheiros foragidos e uma confissão sobre a subversão, para depois, castigá-lo e puni-lo exemplarmente”. A autora ainda lembrou da declaração absurda do delegado Teobaldo Neumann, ao Jornal Zero Hora, na qual disse que “os soldados incumbidos de dar um caldo no sargento Manoel Raimundo Soares perderam o controle do corpo e disto resultou a morte por afogamento”. Ressalta, já no final do texto, que além da execução arbitrária do inquérito, o DOPS/RS mentiu diante da Justiça Militar, negando sua presença nas dependências do órgão.

    Conclui o texto, com a informação de que o enterro de Manoel Raimundo Soares, cujo corpo foi “desaparecido” no Rio Guaíba, ocorreu em 2 de setembro de 1966 e foi acompanhado por uma multidão, que, ao reconhecer agentes do DOPS/RS infiltrados os chamou de “assassinos”.

    O artigo foi escolhido, por nele encontramos inúmeros elementos que caracterizam o terrorismo de estado presente na ditadura civil-militar brasileira e que extrapolavam as disposições “legais” do regime de exceção: prisões arbitrárias, sequestros, tortura, incomunicabilidade dos presos com seus familiares, assassinato e desaparecimento – e isso é bastante explorado pela historiadora. Abaixo, em outros artigos, eles seguiram presente, bem como outras formas de condução das relações políticas, econômicas e sociais que conformaram a ditadura civil-militar iniciada no ano de 1964 no Brasil. A lista com a presença da temática nas Mostras é extensa:

  • A ocupação da Faculdade de Filosofia da UFRGS (junho de 1968), de Jaime Valim Mansan (V Mostra de Pesquisa, p.311)
  • As relações de Leonel Brizola com os setores subalternos das Forças Armadas entre 1959-1964, de César Daniel de Assis Rolim (V Mostra de Pesquisa, p.301)
  • Os arquivos virtuais sobre os regimes repressivos (V Mostra de Pesquisa, p.379)
  • A política educacional da Ditadura Militar e a UFRGS (1964-1970), de Janaína Dias da Cunha (V Mostra de Pesquisa, p. 327)
  • As conexões repressivas entre a ditadura civil-militar brasileira e o Uruguai: o caso do sequestro do cônsul brasileiro pelos tupamaros como denúncia, de Ananda Simões Fernandes (V Mostra de Pesquisa, p. 349)
  • Auditoria Militar de Santa Maria: um novo enfoque sobre a repressão e a oposição ao Regime Militar, de Taiara Souto Alves (V Mostra de Pesquisa, p. 339)
  • A resistência dos exilados brasileiros no Uruguai e o controle pelos órgão de repressão e espionagem, de Ananda Simões Fernandes (VI Mostra de Pesquisa, p.373)
  • A atuação repressiva da ditadura civil-militar brasileira durante a construção da Anistia, de Julio Mangini Fernandes (VIII Mostra de Pesquisa, p.73)
  • Episódios de uma trajetória: o apelo das Mulheres pela Anistia em meio ao trágico retorno do presidente deposto pelo golpe civil-militar, Marluci Cardoso de Vargas (X Mostra de Pesquisa, p.297)
  • O Pensamento Militar e a Política de Segurança Nacional: a elaboração do conceito estratégico nacional, 1968-1969, de Diego Oliveira de Souza (X Mostra de Pesquisa, p. 317)
  • A colaboração do Estado frente ao uso excessivo da violência policial: início e fim da questão Fleury (1968-1979), de Diego Oliveira de Souza (XII Mostra de Pesquisa, p.163)
  • Os arquivos sobre a repressão: o sequestro dos uruguaios no acervo particular Omar Ferri, de Paola Laux e Renata dos Santos Mattos (XII Mostra de Pesquisa, p.369)
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Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS IV

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    Na quarta publicação do Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS, vamos recordar de alguns artigos que problematizaram a saúde e a doença numa perspectiva histórica.

2016.06.15 Mostra

     Na V Mostra, Paulo Roberto Staudt Moreira e Fabiano Fischer de Queiróz, apresentaram o trabalho E o cadáver é escravo: comentários sobre a doença e morte entre a população cativa de Porto Alegre no século XIX (1830/1834). Nela os autores expuseram dados preliminares de uma pesquisa desenvolvida a partir da análise de livros de óbitos de escravos das paróquias de Porto Alegre. Conforme os autores, houve um crescimento das pesquisas que enfocam a temática da saúde e da doença, entretanto, poucas voltadas para a população escravizada. Por conta disso, o objetivo dos autores foi estabelecer como variáveis as causas das mortes de negros escravizados, cruzando-as com as faixas etárias, origem e gênero. Eles iniciam o texto descrevendo episódios que envolveram o enterro de Laurenço Cabinda – a narrativa passou pelo assassinato, enterro clandestino, exumação e provável sepultamento africano Cabinda. Os autores também fizeram advertências sobre os subregistros dos óbitos, “não só por extravio ou esquecimento, mas simplesmente porque era muito fácil enterrar cadáveres de cativos ilegalmente”. Outro dado mencionado por eles, foi a heterogeneidade das anotações encontradas, que seguiam critérios dos párocos. Além disso, para muitas causas de morte eram descritos os sintomas dos quais os médicos não tinham condições de diagnosticar ou eram definidas genericamente. A despeito dos limites descritos, Moreira e Queiróz apontaram algumas considerações, dentre elas, as de que (1) os homens eram a maioria em todas as faixas etárias entre os africanos; (2) entre os crioulos havia um equilíbrio entre os sexos; (3) a porcentagem considerável de africanos jovens falecidos comprovaria os dados levantados, em outra pesquisa, pelo historiador Gabriel Berute; (4) tais registros poderiam trazer informações sobre o tráfico inter-provincial. Por fim, Moreira e Queiróz, desde esses breves comentários de um projeto que estava em andamento, sublinharam a contribuição que tal problemática poderia trazer para o conhecimento da história regional “em função do crescimento das demandas de pesquisa ligadas ao estudo da população negra no sul do Brasil”.

     Nos Anais da VII Mostra, foi publicado o artigo Mortalidade escrava na cidade de Rio Grande (1860-1870), de Natália Garcia Pinto. O trabalho também abordou a questão da mortalidade escrava, agora na cidade de Rio Grande no período de 1860-1870, a partir de registros de óbitos de cativos e libertos. A autora focou nas causas da mortalidade de escravos através das doenças registradas nos óbitos. Cruzou esses dados com informações a respeito da idade, da origem e do sexo, na tentativa de estabelecer um estudo das “condições de vida destes agentes históricos”. Com um total de 1121 óbitos coletados de obituários e de registros paroquiais custodiadas pela Biblioteca RioGrandense e pela Cúria Metropolitana da cidade de Rio Grande, a autora constatou altos índices de mortalidade infantil, principalmente na faixa etária de 0 a 1 ano de idade, que poderia estar ligado a uma dieta alimentar deficitária, às más condições do parto e ao desmame do recém-nascido. Os escravos, cujo enterro foi feito na Santa Casa de Misericórdia da cidade, tiveram como causa de morte doenças infecto-parasitas, como a tuberculose. Observou uma distinção entre os padrões de mortalidade dos africanos e dos crioulos, uma vez que aqueles apresentavam maior índices em relação aos cativos brasileiros. Da mesma forma, uma grande diferença entre os números de mortes entre homens, que eram maiores, e mulheres.

    Na V Mostra, Gabriele Werenicz Alvez, apresentou o trabalho Os braços da salvação: a mobilização de auxílio aos infectados pela Gripe Espanhola (Porto Alegre, 1918). O artigo abordou a trajetória da “Gripe Espanhola”, epidemia que assolou o mundo nos anos de 1918 e 1919, na cidade de Porto Alegre, os problemas sociais provocados ou agravados por ela e a mobilização para auxiliar os doentes e necessitados no período epidêmico. Segundo a autora, tanto os governos do Estado e Município quanto a própria população porto-alegrense criaram estratégias de combate à epidemia e de auxílio aos doentes. O problema, cuja resposta foi perseguida pela autora, foi saber como a sociedade porto-alegrense se mobilizou para ajudar os doentes e necessitados? Quais foram as ações surgidas desta mobilização? Quais foram os grupos que maior destaque tiverem nesse auxílio? Que papéis tinham? A pesquisa se deteve à cidade de Porto Alegre nos meses de outubro a dezembro de 1918, meses em que a doença foi considerada epidêmica na cidade. O conceito chave para este estudo é o conceito de epidemia, entendida a partir da esfera social. A principal fonte utilizada nesta pesquisa foi a fonte jornalística. Foram consultados os jornais Correio do Povo, A Federação, O Independente e Gazeta do Povo, dos meses de outubro a dezembro de 1918. Como considerações, a criação de redes de solidariedade e auxílios isolados foram apontados por Gabriele. Três grupos que se mobilizaram para combater a epidemia e auxiliar os enfermos foram destaque: a Escola Médico-Cirúrgica, a Maçonaria e a Federação Operária, de acordo com autora, que, por fim, adverte que se “essa mobilização não tivesse ocorrido, talvez a situação das camadas pobres da sociedade tivesse piorado, talvez tivesse havido um número ainda maior de mortes.

    Ainda na quinta edição do Evento, Alisson Droppa apresentou o trabalho A exclusão social a partir da rotulação de patologias: Ijuí, 1920 a 1940. O trabalho teve como objetivo a análise das práticas sociais de controle às populações, desenvolvidas no município de Ijuí. Foram utilizados como fontes, documentos relacionados à prefeitura municipal de Ijuí que se encontram no MAPD – Museu Antropológico Diretor Pestana, no Arquivo Ijuí – e documentos do Hospital Psiquiátrico São Pedro. A autora realizou uma revisão bibliográfica levantando diferentes aspectos do desenvolvimento da cidade de Ijuí até chegar ao seguinte questionamento: “Quem eram os indesejáveis de Ijuí?”. De acordo com ela, eram os considerados loucos que se confundiam com os pobres, os bêbados, os vadios, os vagabundos. Também eram aqueles que deixavam de “interferir somente no espaço privado, interferindo também no espaço público, causando distúrbios ao funcionamento ideal da sociedade”. Dos encaminhamentos ao Hospital Psiquiátrico São Pedro, notou que não eram somente os doentes mentais que respondiam pelas internações: a instituição “servia de depósito de indesejados”, como, por exemplo, homens pobres que faziam uso sistemático de bebidas alcoólicas e que, por conta disso, deixavam de trabalhar e ameaçavam a moral e os bons costumes. Verificou, portanto, que a proletarização e a urbanização da cidade, somadas às práticas segregacionista do discurso científico, acabaram por excluir os pobres que não contribuíram com o modelo burguês.

    Esses artigos que foram apresentados na quinta e na sétima edição do evento são uma amostra das problematizações sobre as quais a historiografia tem se debruçado nas últimas décadas. Esperamos que em outras edições da Mostra essa temática, extremamente relevante para o conhecimento das relações sociais nos diferentes períodos históricos, seja novamente compartilhada.

    As inscrições na modalidade ouvinte para a XIII Mostra de Pesquisa APERS, evento que acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de setembro no Arquivo Público estão abertas. Para se inscrever basta enviar um e-mail para mostradepesquisa@smarh.rs.gov.br com o nome completo e um e-mail para contato.

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     Chegamos à terceira publicação sobre os trabalhos apresentados nas doze edições da Mostra de Pesquisa APERS. Hoje vamos retomar algumas das apresentações que problematizaram a história dos povos indígenas.

2016.05.18 Imagens

    Na X Mostra de Pesquisa, tivemos uma presença expressiva da temática no evento. Por conta disso, decidimos explorar os trabalhos nela apresentados na postagem de hoje.

   Vamos começar pelos autores Ismael Silveira e Vinícius de Almeida que apresentaram, no formato pôster, o trabalho Indígenas no sul da América através dos relatos jesuítas. Foi elaborado a partir do estudo de cartas, diários, balanços administrativos, documentos manuscritos jesuítas do século XVIII custodiados pelo Archivo General de La Nación, na cidade de Buenos Aires, Argentina. Segundo os autores, trata-se de um recorte da pesquisa desenvolvida pela professora Maria Cristina Bohn Martins, no Programa de Pós-Graduação da Unisinos, que investiga os quatorze anos durante os quais indígenas do pampa buenaerense foram reduzidos em três missões – Nossa Senhora dos Pampas, Nossa Senhora do Pilar e Mãe dos Desamparados. Para o trabalho dos autores, foram privilegiadas as descrições dos padres missioneiros que registraram em diários as experiências vividas no século XVIII. Nelas foram identificados aspectos culturais e sociais das populações indígenas localizadas na região do Prata, tais como hábitos cotidianos, rituais festivos, aspectos organizacionais. Os autores utilizaram como metodologia a transcrição dos manuscritos, a leitura e a interpretação dos conteúdos. Como resultado, destacaram a identificação de uma “retórica jesuítica que avalia os indígenas a partir da perspectiva que ressalta a infidelidade – que por vezes resultaram em atos de hostilidade da parte nativa – e a sua necessária conversão”.

    Os autores Leandro Goya Fontella e Max Roberto Ribeiro apresentaram o trabalho O êxodo missioneiro: um estudo sobre os fluxos migratórios de Guaranis das Missões (fronteira do Rio Pardo, 1801-1845). Nele, os autores analisaram o processo de êxodo dos guaranis naturais das missões orientais e a reorganização diante da anexação à Coroa Portuguesa. Apresentaram características das migrações e algumas estratégias utilizadas nas relações com a empresa expansionista lusitana. Para isso, tomaram como foco da pesquisa, a Capela de Santa Maria, localizada na Fronteira do Rio Pardo. Segundo eles, a anexação dos povos da margem oriental do rio Uruguai pelos portugueses, em 1801, resultou em “mudanças dramáticas no modo de vida dos guaranis que lá viviam”. Ela também originou diversos fluxos migratórios que tinham como destino a Fronteira do Rio Pardo, ocasionando uma acentuada queda demográfica na região missioneira. Nas correspondências dos comandantes da fronteira, as motivações destas migrações e o rumo tomado por algumas destas famílias foram objetos de análise, da mesma forma que os registros de batismo, com base numa análise serial, dos quais pode-se perceber que a “decisão de migrar fazia parte de estratégias ordenadas” e organizadas coletivamente. De acordo com os autores, os guaranis “operavam dentro de uma lógica coletiva, visando traçar estratégias de sobrevivência em um mundo incerto onde a segurança significava algum grau de previsibilidade e, neste sentido, a busca por novos territórios possibilitava reduzir as ameaças que por ventura colocassem em risco a existência do grupo”.

    Camila de Almeida foi autora da apresentação Pedro Lozano e o trabalho missioneiro no Paraguai através da Carta Ânua de la Província Jesuítica del Paraguay (1735-1743). O artigo resultou de estudos realizados no grupo de pesquisa da Professora Maria Cristina Martins, “Jesuítas, missões e viagens nos ‘confins do império’ (século XVII)”. Como um recorte, trabalhou com a Carta Ânua enviada pelo Jesuíta Pedro Lozano ao seu Superior. Ela relatava os acontecimentos de interesse na Província do Paraguai. O objetivo do estudo, a partir de uma análise baseada no conceito de “lugares de produção” de Michel de Certeau, foi mostrar como o jesuíta descrevia seus irmãos de ordem, as dificuldades enfrentadas e os nativos que encontrava. Para eles, ao analisar o documento a luz desse conceito, existia uma retórica edificante com a qual construía sua narrativa. Dessa forma, para a autora, ficou evidente o cunho enaltecedor e a construção de uma imagem gloriosa dos membros da Ordem. Caracterizada por sua ampla descrição, a ânua de Lozano favoreceu a visualização de disputas travadas diariamente pelos missioneiros da mesma forma que se transformou em ferramenta de informação, não apenas dedicada a comunicar ao superior da companhia, mas também ao público letrado, os trabalhos realizados nas Américas.

    Juliana Aparecida da Silva apresentou Vivendo nas margens: respostas indígenas ao avanço colonial na pampa bonaerense (século XVIII), trabalho que problematizou as relações que se estabeleceram na fronteira entre o mundo hispano-crioulo e o mundo índio, bem como as respostas indígenas para o avanço das fonteiras coloniais no Novo Mundo. Avaliou como se constituíram as três missões Nuestra Señora de La Concepción de los Pampas (1740) Nuestra Señora Del Pillar (1746) e Madre de los Desamparados (1750), e quais foram às respostas dos índios “pampas e serranos” para tais feitos. Para tanto, utilizou como fontes principais os textos produzidos pelos próprios missionários e preocupou-se em desmistificar a passividade diante das ações dos colonizadores que é empregada aos indígenas por grande parte da historiografia tradicional. Alertou ainda que para os índios “pampas e serranos” existiu um preconceito ainda maior, por conta de seu nomadismo, o que, para alguns, explicaria o fracasso das missões austrais quando comparadas às missões guaranis. A autora pretendeu explorar a ativa participação indígenas no contato com o ocidente, bem como as diversas formas de resistência índia na fronteira colonial bonaerense.

     Por fim, Elisa Fauth da Motta apresentou o trabalho intitulado “Sulfría allí una pobre india de crueles dolores de parto”: um estudo sobre a saúde da mulher indígena e sua atuação como curandeira na província do Paraguai. Por meio dele foram socializados os resultados preliminares da pesquisa que a autora desenvolveu como bolsista junto ao projeto “Medicina e Missão na América meridional: epidemias, saberes e práticas de cura (séculos XVII e XVIII)”. Como recorte desse projeto e a partir da leitura e da análise das Cartas Ânuas da Província Jesuítica do Paraguai referentes à segunda metade do século XVII, a autora procurou identificar as enfermidades que atingiam os indígenas sul-americanos, por um lado, e as práticas curativas que eles adotavam, por outro. E para este artigo especificamente, tratou das informações referentes à saúde da mulher indígena e aos recursos terapêuticos empregados por mulheres xamãs. Conforme a autora, os relatos encontrados nas Cartas, acerca da saúde da mulher indígena, são frequentes, uma vez que esses documentos tinham a intenção de mostrar o “êxito do processo de conversão dos povos indígenas reduzidos pelos missionários, seja através dos processos de cura exercidos pelos padres, seja através da menção acerca do crescimento demográfico que atesta a aceitação da missão”. Por outro lado, a presença das xamãs na documentação, servia como evidência dos vícios que possuíam os índios e as dificuldades encontradas pelos jesuítas.

     Como você pode perceber, trabalhos repletos de problematizações acerca da história dos povos indígenas já foram apresentados na X Mostra, evento que tomamos como exemplo para abordagem da temática. E por se tratar de um assunto de imensa relevância, ficamos na torcida para que tantos outros possam ser compartilhados nas edições futuras.

    As inscrições na modalidade ouvinte para a XIII Mostra de Pesquisa APERS, evento que acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de setembro no Arquivo Público estão abertas. Para se inscrever basta enviar um e-mail para mostradepesquisa@smarh.rs.gov.br com o nome completo e um e-mail para contato.

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     Seguindo a proposta de revisitarmos as publicações que resultaram das doze Mostra de Pesquisa APERS organizadas até o momento, hoje vamos relembrar algumas apresentações sobre Arquivos e sobre o trabalho arquivístico.

2016.04.20 Revisitando II

     Na VI Mostra de Pesquisa, Ana Carla Sabino Fernandes tratou da atuação dos funcionários da província do Ceará, antes ainda da criação do Arquivo Público do Império daquela província (1865), e o significado que deram aos documentos que hoje compreendemos como históricos. Para tanto, partindo de Pierre Nora, Ana Carla abordou a questão da “memória arquivística”, que não necessariamente está representada, guardada, acumulada em Arquivo (lugar), mas que “é norteada por uma prática social de políticos eruditos e de funcionários públicos treinados, dignos da acumulação documentária, baseada no registro, no colecionismo […] anteriores ao Arquivo”. Na tentativa de compreender a história do Arquivo Público do Estado do Ceará, ela considerou o conceito amplo de documento como fonte e objeto de estudo e percebeu tanto a instituição quando o documento em diferentes processos de disputa da memória. Ao tentar responder a esse problema no artigo intitulado Entre papéis, pennas e livros: os archivistas na província do Ceará, a autora apresentou o Arquivo Público do Estado do Ceará (APEC), instituição subordinada à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE), que custódia um acervo com documentos datados entre o século XVIII e XX, formado por correspondências, processos criminais, relatórios, inventários, mapas e demais tipos documentais provenientes dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e de particulares. Sabendo desse recorte, já podemos imaginar tratar-se de um dos principais espaços para pesquisa em história no Brasil.

    Na IX Mostra, Carlos Dinarte de Oliveira Keppler, Isabel Cristina Arendt e Marli Pereira Marques trabalharam com informações a respeito do Memorial Jesuíta-Biblioteca da Unisinos, que faz parte do Centro de Documentação e Pesquisa (CEDOPE), e abordaram aspectos da organização deste fundo documental, da história da instituição que o gerou e da metodologia de trabalho utilizada na sua organização e difusão. As finalidades específicas do Memorial compreenderiam, de acordo com os autores, a guarda, conservação, preservação e disseminação de acervos bibliográficos, documentais, científicos e artísticos produzidos e reunidos, em sua maioria, pela Província do Brasil Meridional da Companhia de Jesus nos últimos 150 anos. Dentre os acervos custodiados por este Memorial, encontram-se mais de 200 mil livros e periódicos que compõem coleções provindas dos seminários e paróquias sob a responsabilidade de padres jesuítas, reunidos por eles desde o século XIX. Encontram-se também livros considerados raros, editados entre os séculos XV e XVIII, que somam em torno de 2.600 obras. Além disso, conforme as autoras, o Memorial guarda acervo arquivístico, de caráter histórico e, portanto, permanente, também relacionado com a atuação dos jesuítas no sul do Brasil. São fundos documentais referentes a temas como cooperativismo e imigração, compreendendo arquivos pessoais e institucionais, alguns produzidos por setores da própria Universidade, especialmente a atuação dos jesuítas. De acordo com os autores, a organização e disponibilização de fundos documentais demonstram o reconhecimento que o Memorial Jesuíta possui sobre sua o fato de que acervos restritos à responsabilidade de instituições privadas também podem ter uma função pública.

     Na V Mostra, Enrique Padrós apresentou o trabalho de nome Os arquivos virtuais sobre os regimes repressivos, especialmente, o National Security Archive (NSA), que disponibiliza, em suporte papel e em meio eletrônico, os documentos desclassificados pela administração estadunidense. A documentação contem uma diversidade de informação alimentada pelos órgãos de inteligência de cada uma das ditaduras e pelas organizações de oposição dos governos autoritários da América Latina, confirmando a conexão entre os EUA e aqueles regimes. Segundo o autor, os arquivos virtuais são aqueles que resultaram da digitalização de seus fundos. E esse é o caso do NSA, fundado em 1985 por jornalistas e acadêmicos que haviam obtido documentação governamental através da lei da Liberdade de Informação, cujo acervo o transformou no arquivo governamental de documentação desclassificada de maior relevância mundial. Por fim, Padrós ressaltou que emergência de arquivos virtuais resultam de condições tecnológicas, por um lado, “mas também podem ser mecanismos compensadores na agilização de processos, demandas reparatórias e de produção de conhecimento histórico após décadas de entraves e paralisia político-sociais”, por outro.

    Na X Mostra, Mauro Sérgio da Rosa Amaral apresentou o trabalho Os Arquivos Sonoros do Judiciário: breve relato sobre a migração de suporte de fitas magnéticas de áudio cassete no tribunal Regional da Quarta Regional (TRF4). A partir de um estudo de caso, que resultou no trabalho de conclusão de curso de Arquivologia da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, o autor escreveu sobre a migração de suporte e a estruturação de procedimentos padronizados para a implantação do programa de digitalização de fitas magnéticas de áudio daquele Arquivo. No mesmo evento, Carmem Schiavon e Sara Orcelli dos Santos apresentaram o trabalho intitulado Conservação e Difusão do acervo de história demográfica do CDH-FURG: preservação de um patrimônio documental Rio-grandino, que abordou relações entre a teoria e a prática arquivística, com vistas à organização e conservação que foram aplicadas no Acervo de História Demográfica, localizado no Centro de Documentação Histórica “Professor Hugo Alberto Pereira Neves” na Universidade Federal do Rio Grande. Ao mesmo tempo que socializaram reflexões, prestaram algumas informações a respeito do Acervo e do Centro, que se transformou em local de pesquisas e práticas pedagógicas dos Cursos de História, Arquivologia e Biblioteconomia da Universidade.

     Na XI Mostra, Angélica Bersch apresentou o trabalho de implementação de um arquivo fotográfico na empresa Renner Hermann S/A. No texto, a autora relata o processo de negociação com os proprietários, que possuíam a intenção de organizar e de preservar os documentos. Com o objetivo de demonstrar a importância desse tipo de trabalho, mesmo quando em um formato simplificado, a autora propôs um diálogo sobre as condições de implantação e de acesso aos arquivos históricos, sobretudo em instituições privadas. Ela defendeu que, nessas situações, o trabalho dos historiadores, arquivistas, museólogos “pode ser o início de um novelo que se desemaranha, tanto no campo da pesquisa e arquivologia, como no campo da educação histórica patrimonial”.

     Na XII Mostra, Francisco Cougo Jr. apresentou o trabalho Reflexões arquivísticas sobre o acervo do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF). Segundo o autor, ao escrever sobre a trajetória do Instituto, o IGTF pode ser considerado o maior repositório documental público sobre a “música gauchesca”. Neste artigo, ele abordou a formação do acervo, as condições de guarda, de arranjo, preservação, acesso e difusão dos registros custodiados pelo IGTF. Além de divulgar o arquivo, teve como objetivo refletir sobre a inexistência de métodos arquivísticos na organização do fundo e as divergências conceituais existentes na forma como a instituição vê o repositório de fontes primárias. Por fim, a partir de um exercício hipotético, esboçou um possível quadro de arranjos para organização da documentação e a necessidade de um diálogo entre os responsáveis pela administração do instituto e o poder público, uma vez que acredita na finalidade cultural que desempenha o IGTF.

     No mesmo evento, última Mostra ocorrida até o momento, Paola Laux e Renata dos Santos de Mattos apresentaram o trabalho Os arquivos sobre a repressão: o sequestro dos uruguaios no acervo particular Omar Ferri. Aborda a trajetória de Omar Ferri enquanto advogado dos uruguaios, Lilián Celiberti e Universindo Díaz, sequestrados em Porto Alegre, no ano de 1978 pelas polícias políticas gaúcha e uruguaia. Doado pelo próprio advogado ao Arquivo Histórico do RS nos anos 2000, o conjunto documental faz parte do Acervo da Luta contra a Ditadura e passou pelo processo de ordenação cronológica, higienização, desmetalização e descrição das dezesseis caixas. O acervo é composto por jornais, revistas, processos, correspondências. A partir das características do acervo documental, refletem sobre a importância dos arquivos da repressão “na reconstituição da história e memória coletiva, na consolidação da democracia e dos Direitos Humanos”.

     Como o leitor pode notar, muitos foram os trabalhos que, até o momento, abordaram a temática dos arquivos (isso que não mencionamos todos os artigos aqui!). Com certeza, trata-se de uma problemática muito mais que bem-vinda à Mostra. Esperamos por outras apresentações que tratem do assunto na XIII Mostra de Pesquisa!!!

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2016.03.16 Mostras de Pesquisa

     Neste ano de 2016, chegaremos a 13ª Edição da Mostra de Pesquisa APERS, evento que ocorrerá em setembro (acesse o regulamento aqui). Nas doze edições passadas, muito conhecimento foi construído, discutido, problematizado e publicado. Por isso, do mês de março até o mês do evento, vamos revisitar os eventos anteriores por meio da divulgação de alguns dos artigos que foram publicados nos Anais das Mostras, a partir da sua quinta edição. Selecionamos seis temas, desde os mais recorrentes até assuntos abordados recentemente pela historiografia.

     Vamos começar pelas apresentações que abordaram a temática da Escravidão e da Liberdade, assunto que marcou forte presença na V Mostra de Pesquisa, realizada no ano de 2007. As apresentações resultaram em sete artigos bastante qualificados.

     O primeiro, de Jônatas Caratti, investigou as apreensões de negros livres no Estado Oriental do Uruguai a partir da trajetória da crioula oriental Faustina, nascida livre no Uruguai em 1843. Ela foi trazida do Uruguai para a Província de São Pedro durante uma incursão militar e levada a Jaguarão onde foi vendida como escrava. Posteriormente foi para Pelotas onde foi vendida mais duas vezes. O objetivo do autor foi perceber as motivações que levaram a sequestros de negros livres uruguaios, a partir das experiências vividas por Faustina.

     Gabriel Aladrén apresentou algumas experiências de libertos no RS no início do século XIX, a partir de fragmentos da trajetória do preto forro Pedro Gonçalves, registrados em um processo criminal aberto após seu assassinato e em inventários post-mortem. As atividades econômicas, a constituição do patrimônio de Pedro, bem como as relações que travava com escravos e homens livres são ressaltadas no texto. Jovani Scherer aborda a formação da população escrava no sul do Rio Grande. Utiliza inventários produzidos entre os anos de 1825 e 1860 e um resumo da população escrava de 1842 e dedica atenção especial ao inventário do preto forro Joaquim de Antiqueira, que, na sua trajetória, conforme o autor, carrega consigo diferentes aspectos da experiência africana ao conquistar a liberdade e tornar-se senhor de escravos. Gabriel Berute, desde uma pesquisa quantitativa, analisou a concentração do tráfico rio-grandense entre os anos de 1790-1825. Utilizou guias de transportes de escravos e despachos e passaporte escravos. Apontou que, na localidade, o tráfico de cativos tinha como característica a presença de um elevado número de pequenos comerciantes não especializados, responsáveis pelo funcionamento desse mercado.

     Sherol dos Santos apresentou a pesquisa realizada para a elaboração do relatório sócio-histórico-antropológico de reconhecimento e delimitação da Comunidade Remanescente de Quilombo da Mormaça. Esse relatório, nos termos da Instrução Normativa nº 20 (IN20/2005), elaborado a partir do convênio entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Núcleo de Antropologia e Cidadania da UFRGS (NACi/UFRGS), garantiu o atendimento à demanda da comunidade. Arilson dos Santos Gomes levantou questões sobre a visibilidade negra, partindo de informações e imagens sobre o Primeiro Congresso Nacional do Negro (1958) presentes em três jornais de Porto Alegre. Por fim, Jonas Vargas, Paulo Moreira, Daniela de Carvalho e Sherol dos Santos problematizaram a trajetória de um homem negro, Aurélio Viríssimo de Bittencourt (1849-1919) que nas suas redes de relações sociais, políticas e intelectuais, que passava pelas Irmandades e Palácios, ascendeu socialmente em um mundo hegemonicamente branco.

     A temática da escravidão e da liberdade esteve, desde a V Mostra, presente em todas as edições do evento. Não fosse os limites dessa publicação, poderíamos mencionar todas as pesquisas (fica o convite ao leitor!). Entretanto, vamos divulgar alguns artigos de todos os Anais que sucederam.

     Na VI Mostra, realizada em 2008, Melina Perussato analisou as alforrias registradas nos livros de notas de Rio Pardo/RS, a partir da segunda metade do século XIX, em especial as condicionadas à prestação de serviços. A carta sob contrato de serviço, segundo a autora, poderia ser vista como um mascaramento de uma outra relação de trabalho que atrelava o ex-escravo ao ex-senhor por uma dívida prevista nos registros dos livros de notas. Já na VII Mostra, a mesma autora discutiu possibilidades de agência de escravos e libertos em busca de direitos nos espaços jurídicos-legais nos anos finais do cativeiro. A partir do caso da negra Rosa, ocorrido no município de Rio Pardo/RS, a autora defende que a justiça era um espaço possível para a conquista da liberdade bem como espaço privilegiado para a identificação de posicionamentos e atitudes de autoridades jurídicas e funcionários público no que tange à libertação de escravos.

     Em 2010 na VIII Mostra, Vinicius de Oliveira atentou para a presença escrava em Bagé no século XIX. Tal pesquisa foi um recorte de uma investigação maior realizada no ano de 2007 para a elaboração de relatório histórico-antropológico para identificação e delimitação do território remanescente de quilombo “Com unidade de Palmas”. Como resultado, evidenciou que a gênese desta comunidade remonta ao período final da escravidão e a um contexto de relações de trabalho e resistência frente a famílias pecuaristas, proprietárias de grandes quantidades de terra.

     Na IX Mostra de Pesquisa, no ano seguinte, Jaqueline Brizola, investigou o perfil dos escravos acometidos por moléstias diversas em Porto Alegre no contexto do fim do tráfico negreiro no Brasil a partir de pesquisa no arquivo da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. A autora percebeu haver nas enfermarias um número elevado de homens, jovens, nascidos provavelmente em algum ponto do continente africano, que portavam doenças infecto-contagiosas. Para que fossem atendidos, seus proprietários pagavam pela internação, conforme a autora, na tentativa de evitar que seus investimentos fossem perdidos.

     Na X Mostra de Pesquisa, Maximiliano Meyer, analisou um processo-crime no qual Nazário, um jovem escravo, menor de idade, assassinou sua senhora e após isso foi capturado e julgado e que mesmo tendo todos os atributos necessários à pena capital, teve seu castigo comutado em açoites. Conforme o autor, os autos processuais revelam ricas informações para análises de questões variadas relativas à escravidão, tais como valores das peças, quantidades de cativos nos planteis, por exemplo.

    Em 2013, Natália Garcia Pinto, apresentou na XI Mostra, um artigo que problematizou a dicotomia existente na visão sobre a dinâmica econômica da sociedade pelotense que separa de um lado senhores do charque e do outro, trabalhadores escravizados. Por fim, na XII Mostra, evento ocorrido no ano de 2014, Marina Haack analisou os registros de casamento dos escravos da freguesia Madre de Deus de Porto Alegre entre os anos de 1772 a 1822, sobre os quais afirmou que o casamento entre os livres eram numericamente superior aos dos cativos, que, no entanto, aumentou a cada década, indícios da importância do casamento entre a população cativa.

     E isso foi apenas uma amostra de todo o conhecimento compartilhado nesses doze anos de Mostra acerca dessa e de muitas outras temáticas. Que venham mais doze!!!

* Além de disponibilizadas no site e no Blog do Arquivo, as publicações da Mostra de Pesquisa podem ser adquiridas junto ao balcão de atendimento do APERS.

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