APERS no mês da Consciência Negra #NovembroNegro

Deixe um comentário

2019.11.06 APERS Consciência Negra

Embora partilhemos da compreensão de que é importante que as instituições arquivísticas organizem seus acervos globalmente, permitindo à comunidade acessar informações diversas, independente do tema de pesquisa ou do direito que se pretende acessar, acreditamos, também, na centralidade de tais instituições assumirem uma postura ativa frente aos temas sensíveis que marcam nossa sociedade, postulando espaços de defesa dos direitos humanos, de enfrentamento ao racismo, ao machismo, à lgbtfobia. Afinal, a gestão de documentos, o acesso à informação, assim como a diversidade que marca o patrimônio documental estão no cerne da construção de uma sociedade plural e democrática.

Nessa perspectiva, ao longo das últimas décadas do APERS vem desenvolvendo projetos, realizando eventos e promovendo a difusão de seus acervos com especial atenção às relações étnico-raciais e à história negra do Rio Grande do Sul. Agora, adentrando o mês de novembro, que marca o Dia da Consciência Negra nacionalmente, propomos uma programação especial para nossas mídias, que resgata ações já empreendidas e fortalece a divulgação projetos nessa área.

Aqui no blog, a começar pela presente postagem, traremos conteúdos semanais que marquem a percepção do APERS como um lugar de memórias e de histórias negras. Falaremos de documentos e de seu tratamento, de eventos e exposições, de ações educativas e, em especial, do projeto Documentos da Escravidão. Ele originou dez volumes de catálogos seletivos que lançam luz sobre a presença de negras e negros em nosso acervo, e foi desenvolvido pela instituição ao longo de mais de uma década, de modo que seus impactos sobre as pesquisas em ciências humanas ainda estão por ser estudados.

Recentemente, em uma banca de um trabalho de pós-graduação, uma importante pesquisadora do centro do país perguntou ao candidato: “você pesquisou diretamente nos documentos ou utilizou os catálogos seletivos ‘Documentos da Escravidão’, publicados pelo Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul?” Diante da confirmação de que, de fato, estes foram consultados, ela afirmou: “ah, bom! Porque aqui vocês têm algo que não existe em nenhum outro lugar no país”. Essa pequena anedota demonstra a relevância historiográfica assumida pelo monumental trabalho de pesquisa e descrição documental realizada em nossa instituição nos primeiros anos do século XXI.

Ainda em relação ao blog, o 20 de novembro cairá em uma quarta-feira, dia tradicional de postagens por aqui, e será marcado pelo “Especial Consciência Negra no APERS”.

Nosso Facebook, como de costume, repercutirá tudo o que for veiculado em nosso blog, assim como colocará na vitrine a exposição do mês – organizada dentro do projeto “Descobrindo o Acervo do Arquivo Público” – e o evento que estamos organizando para os dias 25 e 26/11 – em breve mais informações. Nosso perfil será “consciência negra” a cada caractere!

Nosso Instagram trará para o mundo virtual a exposição física que ocupará, no APERS, a Sala Joel Abilio Pinto dos Santos, e também apresentará à comunidade os documentos sobre o contexto da escravização que são explorados com as turmas escolares que nos visitam para vivenciar a oficina “Tesouros da Família Arquivo”.

Já em nosso Twitter todos as postagens do mês serão relacionadas à temática. Desse modo, traremos a nossas seguidoras e seguidores a referência de trabalhos acadêmicos, de livros, de produções audiovisuais, entre outras reflexões relacionadas à área de arquivos que se conectem com a consciência negra.

Acompanhe nossas mídias e participes das atividades!

Projeto AfricaNoArquivo participa de Evento da ATEMPA

Deixe um comentário

Nos dias 16 e 17 de outubro ocorreu o IV Encontro de Educadores da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (ATEMPA) no Auditório do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA). Para esse encontro foi escolhido como tema de debate a Diversidade nas Escolas e o Arquivo Público, por meio do Projeto AfricaNoArquivo – Fontes de Pesquisa e Debates para a Igualdade Étnico-racial, esteve presente.

Assim como a proposta das atividades promovidas pela ATEMPA, também o Programa de Educação Patrimonial UFRGS|APERS tem promovido ações de debates em torno das relações e de políticas que promovam a igualdade étnico-racial. Umas delas foram a produção das Caixas Pedagógicas pelo Projeto AfricaNoArquivo. A participação do APERS deu-se por meio da distribuição, durante os dois dias, das Caixas Pedagógicas aos professores das escolas que ainda não tinham recebido o material e que estavam participando do evento. Com isso, tivemos como resultado a distribuição, para algumas dezenas de escolas do município de Porto Alegre, de um material pedagógico que, com certeza, contribuirá para o prosseguimento do debate em torno da diversidade nas escolas.

Projeto AfricaNoArquivo é divulgado pelo Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra (PRDCN)

1 Comentário

     No final do mês de setembro o Projeto AfricaNoArquivo recebeu uma divulgação especial: um vídeo feito pela professora Carla Lopes, atuante na área de História, Arquivologia e Gestão da Informação, professora de História e coordenadora pedagógica da rede pública estadual de ensino no Rio de Janeiro, criadora e coordenadora do Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra (PRDCN). O PRDCN é uma experiência metodológica de implementação da Lei 10.639/03 e um observatório de práticas pedagógicas em Educação para as Relações Étnico-raciais.

     O vídeo foi produzido a partir de uma viagem a Porto Alegre, na qual a prof.ª Carla pode conhecer o Arquivo Histórico e o Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Assim, ela comenta sobre a publicação “RS Negro: cartografias sobre a produção do conhecimento”, organizada em parceria entre o AHRS e a PUC-RS, e sobre uma série de projetos com os quais tomou contato no APERS, desenvolvidos no âmbito da difusão de acervos e da Educação Patrimonial, relacionados à história da escravização e da luta por liberdade no Rio Grande do Sul, numa perspectiva antirracista.

     Carla fala da caixa pedagógica AfricaNoArquivo, conectando-a com as demais ações desenvolvidas pelo Arquivo Público, que destacam as contribuições de negras e negros na formação história e social do RS, como os Catálogos de Documentos da Escravidão e a oficina Os Tesouros da Família Arquivo. A professora referencia a qualidade do material e evidencia o importante papel que as instituições arquivísticas têm, como lugares de memórias, no acesso à informação, na produção e difusão de conhecimentos, e na efetivação da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas públicas do Brasil. Assista ao vídeo abaixo, ou neste link:

     Agradecemos a visita, o reconhecimento, e mais essa oportunidade de divulgar um trabalho que vem sendo feito com muita convicção e carinho pela equipe do APERS.

AfricaNoArquivo: desdobramentos do trabalho (I)

Deixe um comentário

2015.06.24 AfricaNoArquivo

    Até o mês passado disponibilizamos nessa categoria todos os materiais que compõem a caixa pedagógica AfricaNoArquivo, de forma que educadores e demais interessados possam ter acesso e montá-la para trabalhar com o tema da escravidão e da luta por liberdade a partir das fontes arquivísticas salvaguardadas no APERS. Hoje começamos a compartilhar atividades relacionadas, ou desdobramentos construídos a partir desse material, mostrando suas potencialidades.

    Além da distribuição e da difusão do projeto AfricaNoArquivo, uma das ações centrais com a qual a equipe de Ação Educativa do APERS está envolvida nesse primeiro semestre de 2015 é a reformulação da oficina de educação patrimonial Os Tesouros da Família Arquivo, realizada no âmbito do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS desde 2009. Esta oficina é oferecida às turmas de 6º e 7º anos do Ensino Fundamental e também debate a resistência à escravidão a partir de inventários, processos criminais, testamentos, registro de compra e venda e cartas de liberdade.

    Uma das medidas para sua qualificação foi a construção de uma atividade preparatória a ser realizada pelas turmas antes da vinda ao Arquivo, tendo como principal objetivo contribuir para que os/as estudantes reconheçam diferentes tipologias documentais do acervo do APERS que podem ser usados na pesquisa histórica, e com os quais terão contato na oficina. Compreendemos que a participação das crianças e adolescente na oficina oportunizada nas dependências do Arquivo é potencializada com uma preparação anterior, que aproxime-os do tema e do universo do Arquivo. Tendo como eixo os conceitos de fonte histórica e diversidade, a proposta foi produzida pela professora Carla Rodeghero (História/UFRGS) a partir dos debates realizados pela equipe, é composta com um pequeno vídeo, que está disponível no YouTube, e duas questões simples que buscam, primeiro, levantar os conhecimentos prévios trazidos pelos estudantes sobre as tipologias documentais, e em seguida, a partir do manuseio e análise dos fac-similes disponíveis na caixa pedagógica AfricaNoArquivo – que já estão na escola! – produzir uma ficha de investigação que evidencia as funções daqueles documentos e que tipos de informações podem ser extraídas a partir deles.

    Nesse sentido, a atividade preparatória à oficina Tesouros pode servir como uma introdução ao trabalho com a caixa pedagógica, assim como a caixa pedagógica qualifica e potencializa o trabalho realizado presencialmente no Arquivo.

    Se você é professor, ainda que não tenhas como agendar oficinas no Arquivo para suas turmas, cremos que podes introduzir o trabalho com a caixa pedagógica AfricaNoArquivo a partir das questões propostas na atividade preparatória. E, se tiveres registros das atividades realizadas em sala de aula a partir de todos esses materiais, assim como outras produções a partir deles, compartilhe conosco! Estamos em contato pelo e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br.

Ações Educativas do APERS são divulgadas na FAPA

Deixe um comentário

Na noite do dia 12 de junho, as historiadoras do Arquivo Público do RS, Clarissa Sommer e Nôva Brando apresentaram as Ações Educativas desenvolvidas pelo APERS na Faculdade Porto-Alegrense (FAPA).

A convite da Professora Claudira Cardoso, Clarissa e Nôva conversaram com estudantes das disciplinas de Prática e Educação Patrimonial, daquela Instituição, acerca das atividades educativas desenvolvidas pelo Arquivo. Dentre elas, as ações promovidas pelo Programa de Educação Patrimonial UFRGS|APERS como as Oficinas de Educação Patrimonial, as Capacitações de Oficineiros, os Cursos para Professores, o Projeto AfricaNoArquivo e pelo Projeto APERS? Presente, Professor!.

O foco das discussões centrou-se na construção dessas atividades, uma vez que os estudantes passam pelo processo de elaboração de propostas na área de educação patrimonial que serão apresentadas nesse semestre e aplicados no próximo.

Para o APERS foi uma experiência muito gratificante, na medida em que compreendemos a importância da difusão tanto das atividades desenvolvidas pela Instituição quanto dos acervos pelo Arquivo custodiados. Acreditamos que, dessa forma, cumprimos com aquilo que consideramos uma das funções de um arquivo público: o diálogo permanente com diferentes esferas de produção de conhecimento e com a sociedade no geral.

AfricaNoArquivo – Compartilhando a produção do projeto (III)

2 Comentários

Tabuleiro Jogo

Compartilhamos hoje o jogo de tabuleiro que acompanha a Caixa Pedagógica AfricaNoArquivo. Ele foi criado pela equipe do APERS a partir dos documentos selecionados, transcritos e disponibilizados no kit. Todas as perguntas são respondidas a partir do estudo e do debate prévio desses documentos. São questões que direcionam a atenção dos “estudantes-pesquisadores” para a condição social dos escravizados, tidos como mercadorias na sociedade escravista, mas, ao mesmo tempo, buscam evidenciar sua agência enquanto sujeitos, que formavam famílias, conquistavam alforrias para si e para outros companheiros de cativeiro, organizavam levantes…

Algumas perguntas são respondidas a partir da observação dos dados registrados nos documentos, exigindo atenção aos nomes dos escravizados e demais citados, às suas profissões e idades, aos locais e anos em que foram produzidos os registros, por exemplo: “1. Eu sou Faustino. Qual era minha idade quando conquistei minha Carta de Liberdade?”, “12. Hoje sou um homem livre. Durante a vida eu adquiri coisas e ajudei amigos a conquistar sua liberdade. Tudo ficou registrado em meu Testamento. Quem sou eu?”. Em outros casos se avança a “casa” interpretando informações gerais, ou analisando conceitos a partir do debate e do glossário disponibilizado com o material: “16. O que significa ser um escravo ‘de nação’?”, “28. Observando as atribuições dos escravos arrolados no Inventário, em que tipo de produção eles trabalhavam?”.

O tabuleiro foi produzido em tamanho 80X30cm. Para as escolas que desejarem baixar e reproduzir o material, sugerimos que, se possível, imprimam-no como um banner, da forma como fizemos para o kit. Cada caixa contém dois tabuleiros iguais, e dois conjuntos de pecinhas para jogar (um dado e cinco peões), para que os professores possam dividir a turma e dinamizar a atividade, conforme sugestões de trabalho no material de apoio. Cada caixa contém também duas cartelas com as regras do jogo (frente) e as respostas para as questões do tabuleiro (verso). A sugestão é de que cada grupo em torno de um tabuleiro escolha uma juíza ou um juiz que ficará com esta cartela, lendo as regras e acompanhando as respostas dos colegas. Baixe a seguir os materiais:

– Jogo de Tabuleiro
– Cartela de regras e respostas
– Glossário

Desejamos que o material seja amplamente acessado e de grande proveito! Dúvidas poderão ser sanadas através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br. Reforçamos também o convite para que compartilhem conosco através desse endereço registros de suas experiências com o material, como reflexões, opiniões dos estudantes e fotos de atividades realizadas nas escolas. Tudo poderá contribuir para a difusão e a valorização desse trabalho, instigando desdobramentos.

AfricaNoArquivo – Compartilhando a produção do Projeto (II)

Deixe um comentário

2015.03.25 AfricaNoArquivo II imagem

Hoje damos sequência à disponibilização dos materiais que compõe a Caixa Pedagógica AfricaNoArquivo. O “Material de Apoio à Professora e ao Professor!”, a seleção de páginas do inventário de Felisbina da Silva Antunes, a carta de liberdade da Rita e o testamento do Antonio Gaia já estão aqui. Agora, você pode baixar também:

– Carta de Liberdade de Faustino (Jaguarão, 1866) Liberto aos 18 anos com a condição de servir em um dos corpos do Exército por 12 anos no lugar de seu senhor. Possível problematizar o contexto da Guerra do Paraguai e a realidade de uma região de fronteira.

– Processo-crime de insurreição escrava na Aldeia dos Anjos (Comarca de Porto Alegre,1863) Tratando-se de um processo com cerca de 260 páginas, fizemos um recorte optando por digitalizar e transcrever sua abertura, o depoimento, o julgamento e a sentença relacionados ao réu Bento, apresentando a história registrada no documento a partir de sua versão. Contribui para debater a agência e a resistência dos escravizados em uma região (Gravataí) muito próxima aos estudantes que estão em contato com a caixa pedagógica. Interessante notar que esta insurreição já foi objeto das pesquisas do historiador Wagner Pedroso, que utilizou esse processo e diversos outros documentos do acervo do APERS. Acesse sua dissertação de mestrado e um artigo.

– Escritura de compra e venda de Felizarda e seus três filhos (Vila de Porto Alegre/Continente de Rio Grande de São Pedro, 1798) Documento registra a venda de Felizarda e seus filhos “mulatinhos” Francisco, Antonio e Felisbino pela quantia de 305$600. Permite questionar a formação de famílias, a paternidade muitas vezes relacionada aos próprios senhores, as transações mercantis com vidas humanas…

Aos que já acompanharam a postagem do mês passado e leram o material de apoio fica claro que a proposta da Caixa Pedagógica parte da exploração dos documentos em todo o seu potencial, incentivando que cada estudante se debruce sobre eles como pesquisadores, investigando informações, contextos e conceitos. A partir daí estarão aptos à próxima etapa: utilizar o conhecimento adquirido para explorar o jogo de tabuleiro, que será disponibilizado no mês seguinte com a cartela de regras.

Ressaltamos que os documentos que compõe a Caixa são apenas exemplares selecionados dentro de um acervo riquíssimo. A utilização dos mesmos pode e deve motivar novas pesquisas e desdobramentos.

Nesse sentido, reforçamos o convite para que sigam acompanhando as postagens relacionadas ao Projeto AfricaNoArquivo, e para que compartilhem conosco através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registros de suas experiências com o material, como reflexões, opiniões dos estudantes e fotos de atividades realizadas nas escolas. Tudo poderá contribuir para a difusão e a valorização desse trabalho, instigando desdobramentos!

Older Entries

%d blogueiros gostam disto: