DIVULGA APERS – Alteração de equipe!

Deixe um comentário

Em 2011 criamos o núcleo de difusão virtual do Arquivo Público do RS, o DIVULGA APERS, responsável por administrar o blogue, Twitter e Facebook da instituição.

A opção por criar um blogue para registrar e publicizar as ações do Arquivo Público do RS veio por conta de nosso site institucional ser antigo, engessado e por não termos perspectivas de atualização, apesar da demanda. O Twitter e o Facebook, por sua vez, se mostraram boas ferramentas para nos aproximar dos usuários e da sociedade em geral, direcionando-os para nosso blogue e abrindo mais um canal de comunicação.

Silvia, Juliano, Clarissa e Viviane

Assim, em 2011 as arquivistas Viviane Portella de Portella, Silvia de Freitas Soares e a historiadora Clarissa de Lourdes Sommer Alves, a época chefiadas pela arquivista Maria Cristina Kneipp Fernandes, planejaram as ações de criação do núcleo, com o lançamento das mídias no dia 1º de agosto.

Estruturamos o uso das mídias de forma a fidelizar o público, com publicações semanais (todas as quarta-feiras) no blogue, atualizações semanais no Facebook com as notícias que remetem a tais publicações e postagens diárias no Twitter com dicas e chamadas para os artigos do blogue. Foi um processo de “formiguinha” tanto para instigar os colegas a escreverem notícias e artigos de maneira a formarmos uma “linha do tempo virtual”, como também para fazer com que o público nos conhecesse e acompanhasse.

O tempo passou, o Divulga APERS ao longo destes quase 8 anos se consolidou, nossa equipe foi mudando… Maria Cristina deixou de fazer parte, Clarissa, com suas muitas demandas, se afastou, mas sempre que foi preciso “estava por perto” para ajudar Silvia e Viviane… Em abril desse ano Silvia foi relotada… e a necessidade de mudanças veio! Com isso, a partir de junho Viviane também deixa a equipe, passando o Divulga APERS ser de responsabilidade de Clarissa e do arquivista Juliano Silva Balbon. Sucesso crescente ao Divulga e a equipe do APERS!

Notícias relacionadas:

Atividades APERS: DIVULGA APERS

Divulga APERS – Novidades

Deixe um comentário

    Hoje divulgamos a agenda de artigos periódicos que pretendemos publicar aqui no blog ao longo deste ano. Confira!

   Este ano voltamos a ter o APERS Entrevista mensal. A partir da próxima semana, toda terceira quarta-feira do mês publicaremos entrevistas com pesquisadores de nossa Sala de Pesquisa sob responsabilidade do historiógrafo Rodrigo de Azevedo Weimer.

   Já na segunda semana do mês, entre fevereiro e dezembro, bimensalmente, a técnica em assuntos culturais Clarissa de Lourdes Sommer Alves escreverá sobre a realidade dos Arquivos Públicos Estaduais Brasileiros, apresentando a situação dos arquivos em cada região do país.

         Na página no Facebook publicaremos chamadas para artigos publicados em anos anteriores em nosso blog institucional, nas terças e sextas-feiras, e claro, às quartas-feiras continuaremos a fazer as chamadas das publicações semanais! Assim, nas terças-feiras faremos chamadas para artigos publicados nas categorias Ação Educativa em ArquivosAPERS Entrevista, Mulheres no APERS, gênero e históriaPesquisando no Arquivo, e para as publicações técnicas e de anais de eventos. Nas sextas-feiras publicaremos chamadas para as dicas da categoria Mundos dos Arquivos.

    Desejamos que você continue a nos acompanhar pelas mídias, mas claro, também queremos sua presença em nossa Sala de Pesquisa, eventos e demais atividades que realizamos visando sua participação e interação!

Exposição “ENTRE LER E VER: Escravização e Resistência”

Deixe um comentário

    Será aberta no dia 18 de maio, no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), a exposição “ENTRE LER E VER: Escravização e Resistência”, no mês da Abolição da Escravidão no Brasil. A mostra é composta por dois momentos: “APERS: um olhar nas fontes documentais da escravidão”, e “Visões além da retina: Memórias, Esquecimentos e Representações”.

    É um convite para pensar o protagonismo do povo negro em suas lutas cotidianas escravagistas do passado, indo além da visão de passividade que o escravo tinha na sociedade escravista brasileira. Além disso, provocar um pensar na realidade e na atualidade, como a representatividade de hoje em suas lutas e conquistas.

“APERS: um olhar nas fontes documentais da escravidão”
Documentos originais de cartas de liberdade, testamentos, compra e venda de escravos, inventários e processos crimes estarão expostos. Esta temática, “Escravidão”, deu origem a dez catálogos que servem de instrumento de pesquisa, os “Catálogos Seletivos Documentos da Escravidão”.

“Visões além da retina: Memórias, Esquecimentos e Representações”
Exposição fotográfica composta por três eixos temáticos: o primeiro apresenta memórias institucionais, o segundo locais de identificação e o terceiro representações contemporâneas do negro em Porto alegre. O acervo foi cedido pela Unidade Documentação e Memória/Cia Carris Porto-alegrense.

    A exposição permanecerá aberta para visitação até 31 de maio de 2017, das 8h30min às 17h, no Espaço Joel Abílio Pinto dos Santos do APERS, Rua Riachuelo, 1031, Centro Histórico de Porto Alegre.

Disponível Orientações de como proceder com sinistros em acervos documentais

Deixe um comentário

     O Arquivo Público do RS disponibiliza a publicação Orientações de como proceder com sinistros em acervos documentais (clique aqui para acessar), com o objetivo de auxiliar na recuperação de informações e de acervos de órgãos estaduais, são procedimentos a serem seguidos se ocorrer algum tipo de sinistro.

   O sinistro é conceituado como um acidente, uma catástrofe que acarreta prejuízos ao acervo documental. São considerados sinistros todos os eventos que danifiquem de alguma maneira o acervo, tais como fogo, água, furto e vandalismo. Não deve ser confundido com má conservação ou preservação do acervo e local!

     A publicação apresenta um questionário para a identificação de problemas causados, procedimentos recomendados para o resgate de acervos danificados e relação de instituições que podem auxiliar no tratamento técnico a ser realizado.

APERS Entrevista: Nôva Marques Brando

Deixe um comentário

Nôva Brando - APERSNôva Marques Brando, 32 anos, é historiadora do Arquivo Público do RS, possui graduação em História e especialização em Ensino de Geografia e de História, ambas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já atuou profissionalmente como Professora de História nas séries finais do Ensino Fundamental e coordenou o Projeto APERS? Presente, professor! – Propostas pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas. Atualmente é membro suplente do Comitê Gestor do Sistema de Arquivos do Estado (SIARQ-RS) e da Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI). Trabalha com pesquisas, descrição documental, difusão cultural e educativa e atividades de conservação e restauro documental. Confira a entrevista com Nôva em alusão ao Dia do Historiador:

Blog do APERS: Nôva, você poderia comentar um pouco sobre como decidiu cursar História?

Nôva: Tenho a impressão que os motivos são muito semelhantes para todos que decidiram por graduar-se em História. Lembro da primeira semana na Faculdade, quando em uma aula de Sociologia o professor nos questionou sobre os motivos que nos levaram até alí. Boa parte das respostas continham, em suas justificativas, um desejo de contribuir para construção de um mundo mais justo e solidário e a certeza de que o historiador, o professor de história estaria a serviço disso. Para mim não foi diferente, decidi cursar história porque queria ser uma professora que trabalhasse para mudar o mundo. E não há muito de altruísta nessa posição, percebi tempos depois. A verdade é que o interesse pelo conhecimento histórico vinha antes e ficou fácil uni-lo, no momento de decidir minha profissão, à vontade de lutar por transformações nas relações sociais. Fora isso, também tive, assim como muitos colegas de profissão, aquele professor referência, que, através do modo como enxergava a história, provocava brilhos nos olhos durante suas aulas. E acho mesmo que a decisão final passou por isso também, por acreditar que meus dias de trabalho na sala de aula seriam vividos com paixão. O que aconteceu depois foi um pouquinho diferente (risos), mas isso é resposta para outra pergunta.

Blog do APERS: No Arquivo Público do RS, entre outras atividades que já desempenhas, estás te qualificando para assumir a área de preservação e conservação de documentos. No teu entendimento, qual o papel dos historiadores que atuam em arquivos?

Nôva: Sim. Depois de atuar em projetos de descrição e difusão documental, na organização de eventos, de participar do PEP UFRGS|APERS, de desenvolver materiais pedagógicos a partir dos acervos do Arquivo, hoje estou me qualificando para trabalhar nas atividades de conservação e restauração de documentos, área bastante importante dentro de um arquivo. Desde 2015 estou realizando cursos para poder responder a essa demanda. O trabalho é bastante complexo, sobretudo quando nos deparamos com documentos bastante castigados por fatores externos e internos. Uma responsabilidade e tanto. Esse, por exemplo, pode ser um dos papéis desempenhado por historiadores em um Arquivo e descobri isso bem recentemente (risos). De um modo geral, penso que os historiadores devem estar envolvidos em todas as principais atividades desenvolvidas em uma instituição arquivística – gestão documental, preservação, acesso e difusão. Entendo que a capacidade que temos de historicizar as relações sociais, inclusive a produção dos documentos, e os vestígios que sobre elas restaram, nos permitem contribuir de forma determinante para o cumprimento daqueles que eu considero como objetivos centrais de um arquivo, a preservação e a garantia de acesso ao maior número possível de documentos para um público que seja cada vez maior e mais diverso.

Blog do APERS: Tens contribuído para a organização de acervos, como o produzido pela Comissão Estadual da Verdade, que em breve será difundido aos nossos usuários. Quais foram as etapas do trabalho, e como você percebe esta experiência?

Nôva: Quando comecei a trabalhar no APERS, em fevereiro de 2013, fui acolhida pela equipe que estava elaborando o Catálogo Resistência em Arquivo, instrumento de pesquisa que tem auxiliado na divulgação do Acervo da Comissão Especial de Indenização. Esse foi o primeiro contato que tive com um conjunto documental custodiado pelo Arquivo. Tal acervo já estava organizado, avaliado, classificado, descrito e indexado no Sistema de Administração de Acervos Públicos (AAP), e passava, naquele momento, por um processo de descrição mais minuciosa que atendesse e qualificasse o atendimento ao pesquisador e que divulgasse a documentação. No final de 2014, foi recolhido ao APERS, o Acervo da Comissão Estadual da Verdade cujos documentos, na perspectiva do conteúdo, são semelhantes aqueles que havia trabalhado em 2013. Acho que esse foi o motivo principal pelo qual fui demandada para compor a equipe de organização desse acervo. E percebi, já no início da organização, que o conhecimento sobre o contexto e sobre o processo de elaboração da documentação, bem como sobre o conteúdo registrado nela, foram de importância ímpar para a qualidade do trabalho que sobre ela realizamos. Acho que esse conhecimento foi minha maior contribuição e acredito que ele tenha auxiliado nas fases que foram desde o mapeamento, passando pela classificação e avaliação, pela decisão dos critérios para organização da documentação (dossiês e documentos individuais), até a fase de descrição. Também elaboramos um Catálogo para auxiliar na pesquisa ao acervo. Hoje estamos indexando a documentos no AAP e em breve tanto ele quanto o Catálogo estarão disponíveis para consulta pública. Diferentemente da primeira experiência com o Acervo da Comissão Especial de Indenização, o trabalho desenvolvido com o Acervo da Comissão Estadual da Verdade me permitiu entrar em contato com todas as fases da organização de um acervo, uma atividade repleta de novos aprendizados e do desenvolvimento de competências que não possuía antes desse trabalho.

Blog do APERS: A partir de tua experiência no Arquivo Público do RS, qual perfil acreditas que o historiador que atua na área de arquivos deve ter?

Nôva: Mais que um perfil definido, penso que um historiador que atua em arquivos tem de ter é disponibilidade para aprender e para “navegar em águas misteriosas”. Aponto isso, porque exceto aquela “capacidade de historicizar”, que mencionei acima, pouco estamos preparados para o trabalho em um arquivo ao sair dos cursos de graduação (quantos de nós sabemos o que é um Plano de Classificação ou uma Tabela de Temporalidade de Documentos?). Acho que os currículos apontam para mudanças, mas ainda estão centrados na formação de professores e de pesquisadores que produzem um tipo específico de conhecimento, o conhecimento acadêmico. Embora nossas atividades encontrem pontos de intersecção com o ensino e com a pesquisa acadêmica, não são elas que caracterizam nossas principais atribuições. As atividades pedagógicas e de pesquisa que realizamos nos arquivos são qualitativamente diferentes daquelas desenvolvidas por professores nas salas de aula ou por pesquisadores na academia. Os tempos de produção de conhecimento e de execução de tarefas também são outros. Temos que dialogar com uma série de conhecimentos que vão desde os arquivísticos até os da Filosofia do Direito. Dessa forma, pelas lacunas existentes na formação inicial (que nunca contemplará tudo), acredito que a característica necessária seja a disponibilidade para aprender e para dialogar, numa perspectiva interdisciplinar, com os outros profissionais e com as experiências desenvolvidas nas mais diferentes instituições de memória.

Blog do APERS: Enquanto historiadora, podes comentar alguma situação inusitada ou maior desafio vivenciado?

Nôva: O desemprego. Sem dúvida alguma esse foi o maior desafio que enfrentei. Terminar um curso de graduação sem perspectivas de trabalho, foi um momento bastante difícil, superado, ainda bem! O segundo foi (está sendo) me ressignificar profissionalmente neste outro espaço de atuação (APERS) que era improvável para a acadêmica que mirava na sala de aula seu futuro local de trabalho.

Blog do APERS: Para que conheçamos um pouquinho mais sobre você, nas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Nôva: Gosto de estar na companhia da família, dos amigos, da Capitú, da Negrinha e do Baixinho (meus cachorros). Assisto filmes e séries com meus sobrinhos e novela com a minha mãe. Com os cachorros, gosto mesmo é de ficar de frescura – correr no pátio, deitar no chão, ficar de barriga pra cima. Os amigos são aquela companhia indispensável para os Happy hours tão necessários à saúde psíquica da gente. Costumo também frequentar lugares com música ao vivo – como viver sem música. E quando sozinha, literatura.

Blog do APERS: Em alusão ao Dia do Historiador, 19 de agosto, deixe uma mensagem à classe!

Nôva: Porque desnaturalizamos as relações e porque questionamos o que parecia óbvio, nas mais diferentes esferas de atuação, nós somos parte daqueles que incomodam e que desacomodam. Que incomodam e desacomodam nas ruas, nas escolas, nas universidades, nos arquivos e nos churrascos de domingo. Que assim seja e que a gente possa ser feliz com isso!!!

Notícias relacionadas:

APERS Entrevista: Clarissa de Lourdes Sommer Alves

APERS Entrevista: Clarissa de Lourdes Sommer Alves

1 Comentário

Clarissa Alves - APERSClarissa de Lourdes Sommer Alves, 29 anos, possui Licenciatura e Bacharelado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e atua desde 2010 como historiadora no Arquivo Público do RS. Dedica-se a atividades de descrição e difusão do Arquivo e de seu acervo, em especial a ações educativas de educação patrimonial, organização de cursos, eventos e publicações. É membro titular do Sistema de Arquivos do Estado (SIARQ-RS) na condição de historiadora do APERS. Confira a entrevista que realizamos com Clarissa em homenagem ao Dia do Historiador!

Blog do APERS: Clarissa, você poderia comentar um pouco sobre como decidiu cursar História?

Clarissa: Chega a ser engraçado pensar nisso agora, mas a verdade é que foi um tanto “por acaso”. Conclui o Ensino Médio cedo, 17 anos recém feitos, e queria tentar o vestibular na universidade pública, até porque, na privada não teria condições. Sempre me interessei por muitas coisas, em geral gostava de aprender em todas as disciplinas escolares (com predileção pelas Humanas), mas não tinha um “grande sonho” com alguma profissão específica. Neste sentido, pensei que poderia ser feliz estudando História, tendo como horizonte a atuação como professora, pois poderia unir vários interesses: o estudo para compreender e intervir melhor na sociedade em que vivemos, o gosto pela leitura e pesquisa, o contato com pessoas e a contribuição para a formação delas… A decisão final se deu no momento mesmo de preencher o formulário de inscrição no vestibular, tanto que como segunda opção, sem ter alternativas em mente, acabei colocando o curso de Administração! Algo que hoje não me imaginaria fazendo, de forma alguma. Passei naquele primeiro vestibular, e felizmente deu certo: fui me identificando com a área desde o primeiro semestre do curso, e hoje, quase sete anos depois de formada, não me arrependo.

Blog do APERS: No Arquivo Público do RS, entre outras atividades, estás a frente do Programa de Educação Patrimonial. No teu entendimento, qual o papel dos historiadores que atuam em arquivos?

Clarissa: Atuo junto ao Programa de Educação Patrimonial desde que cheguei ao APERS, ainda como estagiária, em 2009. Tive a alegria de ve-lo nascer e acompanhar sua consolidação na parceria fundamental com a UFRGS. Mesmo com outras atribuições, envolvendo-me com diferentes ações e projetos ao longo destes anos, posso afirmar que foi especialmente a partir deste trabalho que me constitui enquanto profissional de arquivos, percebendo as limitações e oportunidades legadas por mim formação acadêmica para atuação neste espaço, enxergando o quanto são densas as conexões possíveis entre pesquisa e ensino quando estamos trabalhando aqui, entendendo afinal quais são as atribuições de um arquivo e quais são as demandas sociais que podem ser estimuladas, refletindo no dia a dia sobre o acesso e a difusão de acervos, e aprendendo a produzir conhecimentos a partir deles de uma forma diferente daquela para a qual somos “treinadas” na pesquisa histórica acadêmica. As oficinas de Educação Patrimonial têm sido um laboratório riquíssimo, e um quase “paraíso” quando deseja-se conectar ensino-aprendizagem com pesquisa em fontes históricas. Hoje ainda tenho dúvidas, e porque não dizer algumas “crises”, sempre que me pego pensando sobre o nosso papel dentro das instituições arquivísticas da atualidade – que certamente pouco têm a ver com os arquivos do passado, que eram em sua maioria organizados por historiadores e voltados para uma elite intelectual e política. Tanto que resolvi dedicar-me a esta questão no mestrado, que iniciei este ano. Mas, já posso afirmar, com certeza, que uma historiadora ou historiador que atua dentro de um arquivo tem como papel central contribuir com um olhar crítico em perspectiva histórica para todas as atividades em que for demandada(o): contribuir para reflexões que levem à preservação da maior gama possível de documentos que registrem vestígios do passado para o futuro; organizar eventos e publicações de caráter histórico que valorizem a instituição e seu acervo; produzir textos, exposições, oficinas, enfim, uma ampla gama de “produtos” que ajudem a desfazer percepções de senso comum sobre a história e a ampliar a noção de que as instituições de memória são públicas, acessíveis a cada cidadã e cidadão, estimulando a autonomia na busca por informações e direitos.

Blog do APERS: És membro titular do Comitê Gestor do Sistema de Arquivos do RS como historiadora represente do APERS. Como você percebe a importância da efetivação da gestão documental para a preservação e para o acesso ao patrimônio documental?

Clarissa: Esta é uma questão que, me parece, deve ser central para as historiadoras e historiadores de nosso tempo. Ao longo do século XX assistimos a uma grande e positiva expansão na compreensão do que pode ser fonte para a pesquisa histórica – que deixou de ser realizada apenas sobre os documentos ditos “oficiais” ou relativos a grandes acontecimentos e personagens notórios, passando a ser possível a partir de, enfim… todo e qualquer registro das sociedades humanas! Claro que isso é positivo quando pensamos a escrita da história das classes populares, das minorias não apenas numéricas mas políticas, como mulheres, negros e negras, indígenas, homossexuais, entre inúmeras outras possibilidades. Entretanto, colocou-se para nós, enquanto categoria profissional, um grande dilema: se tudo pode ser fonte, e não temos “bola de cristal” para antecipar quais serão as preocupações dos pesquisadores do futuro, como ajudar a definir que documentos devem ser preservados? Para complicar ainda mais, esta nova compreensão na historiografia efetivou-se ao passo em que o Estado e diversas organizações sociais ampliaram em muito a produção de documentos, pelo crescimento populacional, ampliação das lutas, demandas e acesso aos mais diversos direitos, etc. Neste cenário, afirmo sem pestanejar: os processos de gestão documental – que vão desde a produção da documentação, em meio físico ou digital, até sua destinação final, passando por classificação, avaliação, descrição, eliminação ou recolhimento a arquivos públicos – são de fundamental importância para que seja possível preservar a acessar qualquer informação hoje, e no futuro. Precisamos nos envolver no esforço conjunto com arquivistas, administradores e outros profissionais de pensar e registrar, de forma transparente, critérios globais para esta preservação, que resultem em instrumentos qualificados de gestão, representativos das funções do Estado ao longo da história. Se em meio a massas documentais acumuladas já há grande dificuldade de garantir o acesso qualificado a qualquer documentação, imaginem na era (que já está às portas) do documento digital? Essa possibilidade vai se perder se não houver política e ação.

Blog do APERS: A partir de tua experiência no Arquivo Público do RS, qual perfil acreditas que o historiador que atua na área de arquivos deve ter?

Clarissa: Além dos elementos que já pontuei nas questões anteriores, penso que deve saber trabalhar em equipe e dialogar com colegas de diferentes áreas, ter aptidão para a pesquisa e para a produção textual voltada a um público mais amplo do que o acadêmico, assim como sensibilidade e criatividade para atuar com este público no cotidiano, que poderá ser de estudantes da Educação Básica, de genealogistas, de pesquisadores das ciências humanas, sociais, jurídicas, etc.

Blog do APERS: Para que conheçamos um pouquinho mais sobre você, nas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Clarissa: Gosto muito de viajar, ouvir música e ler, ainda que (confesso) não tenha tido muito tempo nos últimos anos para me dedicar a estas “tarefas”. Além das muitas horas no APERS, quando estou fora tenho me envolvido sempre com alguma atividade acadêmica ou de militância política, e poucas horas restam para puro lazer… Quando estou despreocupada em casa, as vezes o cansaço vence e o lazer transforma-se em sinônimo de “dormir”. Acho que 2016 é a maior prova de que não sei viver sem mil compromissos: além de “inventar” uma desejada aprovação no mestrado, fiquei sabendo que estou grávida no mês em que fiz a matrícula! Logo, estou tendo que aprender a ter como hobbies as leituras sobre maternidade e parto natural (algo que eu defendo), os preparativos na casa, o planejamento das coisas para os chás de bebê e para o quartinho, e lá se foi o tempinho que poderia reservar agora para a lista de livros de literatura que há muito me acompanha (risos).

Blog do APERS: Em alusão ao Dia do Historiador, 19 de agosto, deixe uma mensagem à classe!

Clarissa: Acreditem em nossa profissão e saboreiem cada uma das surpresas que ela nos traz, lembrando sempre que, se quisermos ser profissionais qualificados, não é possível dissociar o “historiador-pesquisador” do “historiador-professor” – seja na escola, na universidade ou no arquivo. Além disso, tenham em mente que nossa profissão está diretamente ligada às demandas e lutas do tempo presente, e que precisamos nos atualizar, para dialogar com a sociedade e produzir conhecimento que realmente cative e transforme!

Nas próximas semanas teremos mais entrevistas com nossas historiadoras, aguarde!

XIII Mostra de Pesquisa – Prorrogação dos prazos para envio de trabalhos

Deixe um comentário

Informamos que o prazo para envio de trabalhos para apresentação no Evento da XIII Mostra de Pesquisa foi prorrogado para o dia 04 de maio. O evento é gratuito para todos.

Todas as informações constam no regulamento e ficamos disponíveis para quaisquer dúvidas pelo e-mail mostradepesquisa@smarh.rs.gov.br e pelo telefone (51) 3288 9112.

Consulte aqui o regulamento.

Cartaz Prazos Prorrogados

XIII Mostra de Pesquisa – Regulamento

Deixe um comentário

A Mostra de Pesquisa do APERS chega na sua 13ª Edição, consolidando a compreensão do Arquivo Público do RS quanto aos processos de difusão documental e quanto ao necessário diálogo entre as instituições arquivísticas e de memória, as universidades e centros de pesquisa e a sociedade.
Cartaz chamada de Artigos
Desde 2014, transformou-se em um evento bianual, organizado pelo Arquivo, com o apoio da Associação de Amigos dos APERS, da Associação dos Arquivistas do RS e da Associação Nacional de História – Seção RS. Possuí como objetivos: (a) oportunizar espaço para a divulgação e discussão da recente produção intelectual das ciências sociais, humanas e da informação, promovendo a interação entre a comunidade pesquisadora e desta com os órgãos de guarda de acervos; (b) incentivar a utilização de fontes primárias documentais em trabalhos de pesquisa; (c)Incentivar a realização de estudos a respeito de instituições de memória, suas funções e ações; e (d) divulgar locais de pesquisas e seus respectivos acervos documentais.

Dessa forma, lançamos hoje o Regulamento da XIII Mostra de Pesquisa do APERS, para acessar clique aqui, e chamamos atenção para o período de 25 de fevereiro a 20 de abril, no qual devem ser submetidos os trabalhos para apresentação no Evento da XIII Mostra, que ocorrerá no mês de setembro. O evento é gratuito, tanto para apresentação de trabalhos quanto para ouvintes.

Todas as informações contam no regulamento e ficamos disponíveis para quaisquer dúvidas pelo e-mail mostradepesquisa@smarh.rs.gov.br e pelo telefone (51) 3288 9112.

Segue baixo, o cronograma do evento. Participe!

Cronograma Mostra

Anais da XII Mostra de Pesquisa do APERS

Deixe um comentário

2015.11.25 Anais XII Mostra de PesquisaBLOG   É com muita alegria que finalmente lançamos os anais da XII Mostra de Pesquisa do APERS, em formato de livro eletrônico! O evento, que foi realizado em setembro do ano passado, contou com a apresentação de dez pôsteres e vinte e seis artigos, que foram debatidos nas mesas do encontro e agora são difundidos ao público através do e-book que pode ser baixado aqui, e pode ser lido pelo Issuu aqui.

   Agradecemos a cada participante por ter compartilhado os resultados de seu trabalho com o Arquivo Público, com os demais pesquisadores e com a sociedade. Desejamos uma excelente leitura, e reafirmamos o compromisso de seguir promovendo a Mostra de forma bianual, como um espaço para troca de conhecimentos e de experiências em pesquisa com fontes arquivísticas. Estejam atentos ao nosso blog para em breve acessar o regulamento da XIII Mostra de Pesquisa, que ocorrerá em 2016!

APERS e UFRGS realizarão a III Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos

Deixe um comentário

2015.05.06 III Jornada2015 é ano de Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos no APERS! O evento bianual é promovido em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul através do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em História, e com a Associação dos Amigos do APERS. Tem como principais objetivos oportunizar espaço para a difusão da produção intelectual sobre Ditaduras de Segurança Nacional na América Latina e Direitos Humanos, e sobre ações no campo da gestão documental de acervos relacionados ao tema, promovendo a interação entre a comunidade pesquisadora e desta com a sociedade, divulgando locais de pesquisas e seus respectivos acervos, e estimulando a produção e compartilhamento de conhecimento.

Nessa edição as atividades da Jornada ocorrerão nos dias 29 e 30 de setembro, 01 e 02 de outubro de 2015, e incluirão palestras, debates, comunicações e atividades culturais, conforme programação a ser divulgada em agosto. Entretanto, é com satisfação que hoje lançamos o regulamento para participação no evento, que apresenta normas e prazos. Serão aceitas inscrições de comunicadores e de ouvintes, de acordo com o seguinte calendário geral:

  • 06 de maio de 2015: lançamento do regulamento;
  • 13 de julho de 2015: data limite para envio de trabalhos / inscrições como comunicador;
  • 19 de agosto de 2015: divulgação dos trabalhos aceitos e cronograma de apresentações;
  • 14 de setembro de 2015: data limite para inscrições como ouvinte;
  • 29 e 30 de setembro de 2015: dias de realização da III Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos.

Baixe o regulamento completo aqui. Anota na agenda, divulga e participa. Faça parte dessa Jornada conosco!

XII Mostra de Pesquisa

Deixe um comentário

     Nos dias 09, 10 e 11 de setembro ocorreu no Arquivo Público a 12ª edição da Mostra de Pesquisa do APERS, promovida pelo Arquivo com o apoio de sua Associação dos Amigos (AAAP), da Associação dos Arquivistas do RS (AARS) e da Associação Nacional de História – Seção RS (ANPUH-RS). O espaço é organizado para a divulgação de pesquisas produzidas a partir de fontes primárias arquivísticas ou a respeito de instituições arquivísticas, suas funções e ações, oportunizando a troca de experiências e conhecimentos entre pesquisadores dos diferentes níveis de graduação, estudantes e demais interessados.

     O evento foi aberto na noite do dia 09, com as saudações do Prof. do Departamento de História da UFRGS, Fábio Kühn, e a representante da Associação dos Amigos do APERS, Sônia Burnett. Em seguida deu-se início à palestra “O solo de liberdade”, realizada por Jônatas Marques Caratti, que abordou a jornada de sua pesquisa sobre as trajetórias da preta Faustina e do pardo Anacleto pela fronteira rio-grandense em tempos do processo abolicionista uruguaio (1842-1862). Na sequência, passou-se a comunicação de artigos, contando com trabalhos produzidos a partir de documentos relacionados à escravidão.

    As atividades seguiram na noite do dia 09, com a mesa temática intitulada: Patrimônio Documental e Cultural, apresentou reflexões sobre a importância da gestão documental para a viabilização da pesquisa histórica e a análise de políticas públicas de arquivo. Em seguida passou-se a apresentação do acervo do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, que abordou o tratamento arquivístico. Após, foi feita a explanação do projeto Arquivo de Memórias com a valorização da história a partir do resgate e organização de documentos em uma escola.

     No dia 10 de setembro, na parte da tarde, a Mostra seguiu com as apresentações de artigos que se utilizaram de revistas e periódicos como fonte de pesquisa. À noite, os artigos estavam relacionados à justiça criminal e os crimes cometidos e julgados no Rio Grande do Sul.

     No último dia do evento, dia 11 de setembro, a parte da tarde teve a temática das relações sociais e familiares nos séculos XVIII e XIX para as apresentações, dentre as quais citamos os casamentos açorianos e a vida celibatária. Na parte da noite, no encerramento do evento, as palestras versaram sobre a História do Brasil e seus distintos olhares, tanto da história recente (Regime de exceção 1964-1984) quanto da visita de Hans Staden em solo brasileiro (século XVI).

     Após o processo iniciado em abril deste ano com o recebimento e avaliação de trabalhos, mais uma vez encerramos a Mostra de Pesquisa com a certeza de ter cumprido um importante papel na difusão de acervos, locais e metodologias de pesquisa. Ao longo do segundo semestre trabalharemos na organização da publicação dos anais do evento, e assim que possível divulgaremos a data de seu lançamento. Agradecemos aos participantes, aos membros da Comissão de Seleção e Organização e servidores do Arquivo envolvidos para viabilizar mais esta edição.

     Veja abaixo algumas fotos:

Este slideshow necessita de JavaScript.

XII Mostra de Pesquisa do APERS: inscreva-se!

Deixe um comentário

      A XII Mostra de Pesquisa do APERS acontecerá durante os dias 09, 10 e 11 de setembro, nos turnos da tarde e noite!

     A participação é gratuita; para se inscrever como ouvinte envie email com o seu nome completo para mostradepesquisa@sarh.rs.gov.br. Para aqueles que atingirem 75% de presença será fornecido certificado de 30 horas.

     Participe! Venha prestigiar a apresentação de trabalhos de pesquisa elaborados a partir de fontes primárias! Confira a programação clicando aqui.

XII Mostra de Pesquisa APERS cartaz

XII Mostra de Pesquisa: Programação

Deixe um comentário

2014.07.23 Programacao XII Mostra     Divulgamos a programação preliminar da XII Mostra de Pesquisa do APERS, evento que ocorrerá no Arquivo Público do RS nos dias 09, 10 e 11 de setembro de 2014. Devido ao elevado número de trabalhos aceitos neste ano, acrescentamos um dia na programação para a apresentação dos mesmos. Clique na imagem para ler a programação.

     Participe como ouvinte! A inscrição é gratuita e com certificado. Faça sua inscrição através do email mostradepesquisa@sarh.rs.gov.br

XI Mostra de Pesquisa APERS: anais

Deixe um comentário

2014.07.16 Mostra de Pesquisa - AnaisEm 2013 realizamos a XI Mostra de Pesquisa do APERS, que gerou publicação organizada a partir dos trabalhos apresentados ao longo do evento. A solenidade de lançamento do livro ocorreu no APERS no dia 09 de junho.

Hoje lançamos a versão digital, que está disponível para download. Para baixá-lo, clique aqui.

XII Mostra de Pesquisa do APERS: prazo ampliado para envio de trabalhos!

Deixe um comentário

Como você já sabe, este ano o Arquivo Público realiza sua XII Mostra de Pesquisa. Para ampliar as possibilidades de participação no evento estendemos um pouquinho o prazo para envio de trabalhos. Agora você pode enviar seu artigo ou resumo de pôster até o dia 15/06/2014. Todo o restante do regulamento segue valendo. Consulte-o aqui e participe!

Chamada de Trabalhos XII Mostra

Lançamento do livro & Sessão de autógrafos – XI Mostra de Pesquisa do APERS

Deixe um comentário

É com satisfação que convidamos todos os autores, autoras e colaboradores da XI Mostra de Pesquisa do APERS, realizada em setembro de 2013, para evento de lançamento do livro e sessão de autógrafos. Será na próxima segunda-feira, 09/06, às 18:30h, na sede do Arquivo Público. Convide seus familiares e amigos e participe!

Após autógrafos faremos uma confraternização junina. Por favor, se possível, confirme presença.

Convite Lançamento Livro XI Mostra

XII Mostra de Pesquisa do APERS

Deixe um comentário

Mostra Pesquisa APERS

     A Mostra de Pesquisa do APERS, que a partir de 2014 será realizada a cada dois anos, é aberta a acadêmicos de graduação, pós-graduação e pesquisadores em geral que através deste espaço, divulgarão seus trabalhos a partir de fontes documentais primárias salvaguardadas em instituições arquivísticas e de memória. Nesta perspectiva, buscamos a divulgação e discussão da recente produção intelectual das ciências sociais, humanas e da informação, promovendo a interação entre a comunidade pesquisadora e desta com os órgãos de guarda de acervos.

      Hoje lançamos o Regulamento da XII Mostra de Pesquisa, sendo que o prazo para envio dos trabalhos se encerra no dia 12 de junho de 2014. Serão recebidos para avaliação artigos e pôsteres resultantes de estudos a respeito das instituições de memória, suas funções e ações ou de pesquisas realizadas com base em fontes primárias arquivísticas ou em documentação salvaguardada em demais instituições de memória. Os trabalhos selecionados serão apresentados e publicados.

   Mais informações através do e-mail mostradepesquisa@sarh.rs.gov.br e pelo telefone (51) 3288-9115.

    Confira as regras para participar neste link: Regulamento XII Mostra de Pesquisa. Abaixo segue o cronograma do evento. Participe!

Cronograma XII Mostra de Pesquisa APERS

Anais da II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos

Deixe um comentário

2013.12.24 Anais Jornada

  Na última sexta-feira, dia 20, publicamos em nosso site institucional os anais da II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos. O evento foi realizado em abril de 2013 pelo Arquivo Público, o Departamento e o PPG em História da UFRGS, e a Associação dos Amigos do APERS, contando com cerca de 50 comunicações, mesas de debate e atividade musical.

  Em um ano que marcou as quatro décadas dos golpes militares no Chile e no Uruguai, em um contexto de Ditaduras de Segurança Nacional no Cone Sul, os anais são lançados com o subtítulo “Há 40 anos dos golpes no Chile e no Uruguai” como uma forma de marcar esse momento e registrar as reflexões realizadas ao longo do evento. Percebemos essa publicação como mais uma importante contribuição ao debate e ao conhecimento de nossa história ditatorial recente, para que não se esqueça e nunca mais aconteça!

  Para acessar em formato .pdf clique aqui e para visualizar através da plataforma Issuu clique aqui.  Boa leitura a todos!

APERS entrevista: Thiago Leitão de Araújo

2 Comentários

2013.09.25 APERS entrevista - Thiago Leitao de Araujo

Thiago Leitão de Araújo, 35 anos, graduado em História pela UFRGS, onde desenvolveu sua dissertação de mestrado (2008). Desde 2010 desenvolve sua tese de doutorado no Centro de Pesquisa em História Social da Cultura (Cecult/Unicamp), sob orientação do professor Robert Slenes. Utiliza as fontes primárias do APERS desde 2004, confira nossa entrevista com Thiago:

Blog do APERS: Thiago, você poderia comentar um pouco sobre como teve teu interesse despertado para a temática da história social da escravidão?

Thiago: Dois temas ou questões históricas na minha visão sempre serão fundamentais, imprescindíveis para se conhecer e deslindar a história do que hoje chamamos Brasil, tanto no passado quanto no continuum presente futuro: a história indígena e a história dos africanos e seus descendentes; estes últimos trazidos forçosamente para o lado de cá do atlântico como trabalhadores escravizados, mas que construíram significativamente a sociedade brasileira, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista sócio-cultural. O interesse pela temática, portanto, já existia, e veio a se consolidar no primeiro semestre de 2003 quando a professora Regina Xavier ofereceu uma disciplina sobre escravidão no Rio Grande do Sul, que se estendeu por alguns semestres (tais disciplinas à época foram cursadas por muitos dos atuais doutores e mestres em história da escravidão no Rio Grande do Sul). Neste sentido, sempre costumo dizer que se a disciplina oferecida fosse sobre história indígena certamente eu teria desenvolvido meus estudos nessa temática (que na verdade faz parte de minhas áreas de interesse, hoje já um tanto expandidas). Ademais, vale lembrar que em 2003 ocorrera a primeira edição do Encontro Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, em Castro, no Paraná. Realizado bi-anualmente, tornou-se aos poucos referência para os estudos e debates sobre a escravidão no Brasil, e hoje muitos dos mais renomados pesquisadores da área consideram os Encontros como um dos mais importantes fóruns de discussão sobre o período escravista e o pós-abolição. Das seis edições pude participar de cinco, desde o realizado em Porto Alegre em 2005. Minha trajetória enquanto pesquisador, portanto, também está ligada a tais Encontros, nos quais a professora Regina Xavier teve um papel fundamental ao trazê-los para Porto Alegre, e principalmente ao criar um campo de estudos sobre escravidão até então praticamente inexistente (Para mais informações sobre os Encontros, clique aqui.). Em relação à história social, minhas pesquisas se inspiram fortemente nos estudos que, a partir da década de 1980, passaram a rever os pressupostos que pautavam as relações escravistas no Brasil. Longe de negar o caráter coercitivo das relações de escravidão, os historiadores dessa geração passaram a analisar o cotidiano dos escravos em seus embates e negociações com os senhores, a fim de decifrar os significados que eles podiam conferir às suas experiências de cativeiro e liberdade. Tais estudos passaram a rediscutir os significados dos castigos físicos na política de domínio senhorial, a participação dos escravos nas transações de compra e venda e a importância de suas lutas em torno da alforria, o papel da identidade étnica, por exemplo, no levante dos escravos malês e sua complexa relação com a identidade religiosa e de classe, a importância tanto da família e linhagens escravas na conformação dos conflitos entre senhores e escravos quanto a da herança africana para a interpretação que os escravos faziam de sua experiência, entre tantas outras e variadas temáticas (refiro-me aos estudos de João José Reis, Sidney Chalhoub, Silvia Lara e Robert Slenes). Enfatizaram, enfim, a capacidade dos escravos de agir a partir de lógicas próprias, dentro, é claro, dos limites e condicionamentos que pautavam suas relações com os senhores. A década de 1980, portanto, marca um momento de inflexão nos estudos sobre a escravidão no Brasil, pois além de outros pressupostos os historiadores mergulharam a fundo nos arquivos em busca de documentos que pudessem revelar aspectos das relações escravistas até então pouco estudados, ou mesmo negligenciados, anteriormente.

Blog do APERS: Qual a importância do acervo do APERS para tua atuação enquanto pesquisador?

Thiago: A pesquisa em arquivos, em fontes primárias, é parte fundamental nessa renovação dos estudos sobre a escravidão no Brasil que acabei de mencionar. No início da década de 1980, Robert Slenes chamava a atenção dos pesquisadores para tudo aquilo que Rui Barbosa não havia mandado queimar (e o que mandou incinerar tinha a ver com a “queima” das possibilidades dos ex-senhores virem a pedir ressarcimento pela perda de suas propriedades depois da abolição em 1888). Naquela época os historiadores ainda não haviam explorado os inventários, as listas de matrícula constantes nos mesmos a partir de 1872, os documentos cartorários (cartas de liberdade, de compra e venda de escravos, contratos de locação de serviços etc.), os processos-crime, testamentos e uma gama bem mais ampla de fontes. A questão, no entanto, não era meramente do uso de fontes até então não utilizadas, mas também de método. A partir do cruzamento entre documentos diversos por meio do método de ligação nominativa, ou seja, de um nome de determinado senhor, seria possível reconstituir variados aspectos da organização produtiva de determinada propriedade, a demografia dos trabalhadores escravizados, suas relações familiares, as tecidas com seus senhores etc. Na pesquisa que resultou na dissertação Escravidão, fronteira e liberdade vali-me densamente da documentação conservada no APERS, onde estão os fundos mais importantes a permitirem tanto uma análise serial quanto uma análise qualitativa da documentação, possibilitando ao mesmo tempo a utilização do método de ligação nominativa referido acima. Utilizando o método de análise serial quantifiquei massivamente os inventários post-mortem, as compras e vendas de escravos e as cartas de alforria para a vila da Cruz Alta Oitocentista. Ao mesmo tempo utilizei essa documentação de forma qualitativa juntamente com os processos-crime e os testamentos, e quando foi possível cruzei estas variadas fontes a fim de acessar de forma mais densa as relações sociais de escravidão em determinadas unidades produtivas. Isto é, a documentação sediada no APERS foi e continua sendo essencial não só para minhas pesquisas como para a renovação dos estudos sobre a escravidão no Estado. A esse respeito é necessário enfatizar a enorme contribuição do Arquivo Público ao trabalho dos historiadores a partir dos projetos Documentos da Escravidão, em que foram produzidos instrumentos de pesquisa, na forma de verbetes, sobre as cartas de liberdade do interior do Estado (2006). No ano de 2010 foram publicados, também em forma de verbetes, os inventários, testamentos e processos-crime que arrolavam escravos entre os bens senhoriais ou traziam os cativos como réus ou vítimas no caso dos processos criminais. Atualmente o APERS vem desenvolvendo o projeto de digitalização das quase 30.000 cartas de liberdade registradas em cartório, desde o século XVIII até o fim do período escravista. Estas iniciativas são importantíssimas para um melhor acesso e mesmo um conhecimento mais amplo da documentação existente no Arquivo Público. Embora na época em que realizei a pesquisa para Escravidão, fronteira e liberdade estes materiais ainda não estivessem disponíveis, atualmente os tenho utilizado como um meio de busca que, ao contrário, demandaria muitos meses de pesquisa para a localização de determinada documentação.

Blog do APERS: Pesquisar em fontes primárias requer certos cuidados, qual a tua dica para os pesquisadores que estão começando agora a lidar com estas fontes?

Thiago: Neste ponto as dicas já foram dadas por grandes historiadores. De acordo com Marc Bloch, toda investigação histórica supõe desde os seus primeiros passos que a pesquisa tenha um fio condutor, uma direção; muito embora o pesquisador saiba que o itinerário previamente estabelecido no começo não será seguido ponto a ponto. No entanto, não ter um ponto de partida implicaria o risco de errar eternamente ao acaso. Ou seja, não devemos imaginar que indo ao arquivo e pesquisando centenas de documentos as questões irão de repente aparecer. Por isso desenvolvemos hipóteses de trabalho, que nos servem de guia à pesquisa, mesmo que durante o percurso elas geralmente se transformem (e é bom que isso aconteça). No entanto, o mais importante são as maneiras como interrogamos as fontes, as perguntas que a elas fazemos são fundamentais. Segundo o historiador Edward Thompson, o discurso disciplinado da prova consiste num diálogo constante entre conceito e evidência, um diálogo conduzido por hipóteses sucessivas, de um lado, e a pesquisa empírica, de outro. Se as evidências não estão de acordo com o conceito que determinado pesquisador utiliza, então não podemos sacrificar a história para manter a teoria em pé. Isso é uma questão básica para os bons historiadores. Quanto à documentação relativa ao período escravista que está conservada no APERS e os importantes instrumentos de pesquisa produzidos pela instituição, minha dica seria no sentido de sempre pesquisar as fontes originais, sempre. Os instrumentos de pesquisa não passam disto, instrumentos de localização e de mapeamento mais amplo da documentação. Cito um exemplo. Os instrumentos de pesquisa com seus pequenos verbetes sobre os processos-crime são de uma riqueza ímpar nesse sentido que falei: como um meio de busca. No entanto, listam apenas os escravos que constam nos autos como vítimas ou réus. Há poucos dias, por exemplo, fazia a triagem de processos-crime em suas respectivas caixas, independente de terem ou não escravos como partes principais dos autos. Deparei-me com um processo em que um menino havia sido assassinado num dia de domingo, na vila de Bagé. Embora nenhum escravo tivesse sido indiciado no caso, três ou quatro cativos serviram de testemunhas no processo. Em grande parte das regiões escravistas nas Américas era costume permitir que os escravos trabalhassem para si um dia da semana (ou realizassem outras atividades), geralmente no domingo. Esses depoimentos dos escravos são interessantíssimos, pois permitem acessar o seu cotidiano em tal contexto. Sendo inquiridos onde estavam naquele dia, no horário em que o crime ocorreu, seus movimentos e as pessoas que podiam confirmar tal versão, podemos descobrir se trabalharam para si ou para seus senhores, quais os percursos que realizaram, se comercializaram seus produtos nas vendas locais ou não, o horário em que costumavam acordar, almoçar, repousar e se recolher, por exemplo. Por isso minha dica seria no sentido de sempre pesquisar os documentos originais, por um lado, e vasculhar, no caso dos processos-crime, outros autos que possam revelar aspectos importantes do cotidiano escravista em plagas sulinas. Evidentemente, no caso da digitalização das cartas de liberdade o caso é diferente, já que se trata da conservação da documentação e da disponibilização a um público mais amplo, e no momento em que tal trabalho estiver concluído não haverá mais necessidade de utilizar-se dos originais.

Blog do APERS: Atualmente temos em vigor no Brasil leis como a 10.639/03, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira no ensino fundamental e médio, e a 12.288/10, que institui o Estatuto da Igualdade Racial. Como tu percebes a relevância de pesquisas como a tua para a efetivação de tais leis?

Thiago: A resposta não é simples, por isso começo com um primeiro exemplo. Muito embora os pesquisadores da década de 1960 tenham desconstruído em seus trabalhos o mito da democracia racial no Brasil, esta é ainda uma ideia que perpassa o senso comum de boa parte da sociedade brasileira e as instituições de ensino, e que até mesmo tem tido repercussões na forma como a Lei 10.639/03 tem sido por vezes percebida. Em abril deste ano, numa mesa-redonda em que se fazia o balanço e as perspectivas dos dez anos da lei, a professora Petronilha Gonçalves colocou a seguinte questão: se no fundo os encaminhamentos dados a partir da aprovação da lei estavam desconstruindo o mito da democracia racial ou se estavam lhe dando apenas novas tonalidades? (mesa também composta pela professora Nilma Lino Gomes; para visualizar o vídeo com o debate, clique aqui). A questão colocada nos obriga a refletir. No meu ponto de vista, acredito que nossos trabalhos têm sim uma relevância social. E porque não, podem até vir a ter para a efetivação das leis referidas na pergunta. Mas isso não é algo óbvio, nem ao menos provável, embora possível. Vamos então para um segundo exemplo. Até a bem poucos anos a ideia que se tinha da escravidão no Rio Grande do Sul é que ela só teria tido uma relevância nas áreas de colonização antigas, principalmente nas charqueadas e na escravidão urbana das principais cidades. Nas outras regiões o trabalho dos escravizados teria tido um papel secundário e não estruturante das relações de trabalho, principalmente no que diz respeito à pecuária. Estudos de história agrária na província, como os de Paulo Zarth, Helen Osório e Luís Farinatti, desconstruíram tal visão, mostrando a grande participação de cativos nos trabalhos pecuários, muito embora a ênfase de ambos os estudos não fosse centrado nas relações escravistas. Escravidão, fronteira e liberdade em certo sentido foi um estudo pioneiro na análise das relações escravistas na pecuária sob a perspectiva dos estudos sobre escravidão a partir da análise dos conflitos e negociações entre senhores e escravos (juntamente com o estudo de Luana Teixeira). Análise demográfica e econômica da vila da Cruz Alta, a perda ou não de cativos para o tráfico interno, negociações e conflitos entre senhores e escravos no interior das estâncias, a economia interna dos escravos e a luta em torno da liberdade foram temas abordados numa perspectiva crítica com os trabalhos clássicos sobre o tema que minimizavam a importância de tais trabalhadores na pecuária sulina. Juntamente com os autores acima citados, hoje em dia temos uma visão muito mais complexa da escravidão em tal contexto. Mas essa visão foi enriquecida no meio acadêmico, pois no senso comum ainda se ignora a participação fundamental dos escravos nas lides pecuárias, sendo que sua importância foi bastante significativa em todas as atividades produtivas da província de São Pedro, pelo menos desde o final do século XVIII até pelo menos 1884. Enfim, para concluir. Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2004) se lê: “para que as instituições de ensino desempenhem a contento o papel de educar, é necessário que se constituam em espaço democrático de produção e divulgação de conhecimentos e de posturas que visam a uma sociedade mais justa” (p.14-15). Neste sentido se fazem necessárias mudanças radicais na divulgação do conhecimento que vem sendo há muito produzido, visando à formação de professores e a incorporação crítica deste conhecimento no ensino básico (e sua socialização com um público mais amplo), a fim de que a história dos africanos e seus descendentes ganhem espaço nos currículos escolares, e aos poucos criem condições para mudanças efetivas nas relações étnico-raciais no Brasil. Esse processo, evidentemente, cabe a todos e a cada um.

Blog do APERS: Nas tuas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Thiago: Coisas comuns, amigos por perto, um bom papo, uma boa música, ou um bom livro para ler.

Para acessar a dissertação “Escravidão, fronteira e liberdade: políticas de domínio, trabalho e luta em um contexto produtivo agropecuário (Vila da Cruz Alta, Província do Rio Grande de São Pedro, 1834-1884)” de autoria de Thiago, clique aqui.

Realização da XI Mostra de Pesquisa do APERS

Deixe um comentário

   Nos dias 09 e 10 de setembro ocorreu no Arquivo Público a 11ª edição da Mostra de Pesquisa do APERS, promovida pelo Arquivo com o apoio de sua Associação dos Amigos (AAAP), da Associação dos Arquivistas do RS (AARS) e da Associação Nacional de História – Seção RS (ANPUH-RS). O espaço é organizado para a divulgação de pesquisas produzidas a partir de fontes primárias arquivísticas ou a respeito de instituições arquivísticas, suas funções e ações, oportunizando a troca de experiências e conhecimentos entre pesquisadores dos diferentes níveis de graduação, estudantes e demais interessados.

   O evento foi aberto na noite do dia 09 com as saudações da diretora do APERS, Isabel Almeida, e da presidente da ANPUH-RS, Marluza Harres. Em seguida deu-se início à palestra “O Processo Crime para além dos Crimes”, realizada pela Prof.ª Cláudia Mauch, do Departamento de História/UFRGS, que abordou possibilidades de pesquisa e questões teórico-metodológicas pertinentes ao trabalho com fontes judiciais. Na sequência, após rodada de debate, passou-se a comunicação de artigos, contando com trabalhos produzidos a partir, especialmente, de processos judiciais, tratando de temas como escravidão e liberdade e imigração.

  As atividades foram retomadas na tarde do dia 10/09, iniciando às 14h com a palestra “O Trabalho nos Arquivos: a produção da fonte histórica a partir da documentação corrente”, proferida pela Prof.ª Rita de Cássia Portela, do curso de Arquivologia/UFRGS. Rita apresentou reflexões sobre a importância da gestão documental para a viabilização da pesquisa histórica, buscando abordar os conflitos inerentes a este processo e alternativas para sua construção realização. Em seguida passou-se a apresentação de artigos e pôsteres, que abordaram desde o tratamento arquivístico e a análise diplomática de acervos até a valorização da história a partir do resgate e organização de documentos em uma escola.

  Ao final do intervalo para coffee break e confraternização, o evento seguiu no turno da noite, recomeçando com a palestra “Inventários: as relações sociais por detrás dos Bens”, realizada pelo doutorando da UFRJ, Jonas Moreira Vargas, que dialogou com o público explorando as múltiplas facetas dos inventários enquanto fontes primárias de pesquisa histórica. Depois do debate, a Mostra seguiu com a apresentação de artigos que se utilizaram de inventários, entre outras fontes, em trabalhos que buscam reconstituir dinâmicas comerciais e redes de sociabilidade a partir de tais documentos.

   Após o processo iniciado em abril deste ano com o recebimento e avaliação de trabalhos, mais uma vez encerramos a Mostra de Pesquisa com a certeza de ter cumprido um importante papel na difusão de acervos, locais e metodologias de pesquisa. Ao longo do segundo semestre trabalharemos na organização da publicação dos anais do evento, e assim que possível divulgaremos a data de seu lançamento. Agradecemos aos participantes, aos membros da Comissão de Seleção e Organização e servidores do Arquivo envolvidos para viabilizar mais esta realização.

Este slideshow necessita de JavaScript.

XI Mostra de Pesquisa do APERS: inscreva-se e participe!

Deixe um comentário

    Na próxima semana tem: XI Mostra de Pesquisa do APERS!

  Envie seu nome completo e telefone para mostradepesquisa@sarh.rs.gov.br para realizar sua inscrição e venha prestigiar a apresentação de trabalhos de pesquisa realizados a partir de fontes primárias. Para ver a programação completa, clique aqui.

2013.09.04 Cartaz XI Mostra

Veja a programação da XI Mostra de Pesquisa do APERS, inscreva-se e participe!

Deixe um comentário

2013.08.28 XI Mostra Programação

Programação preliminar da XI Mostra de Pesquisa do APERS

Deixe um comentário

      Estamos divulgando a programação preliminar da XI Mostra de Pesquisa do APERS, que ocorrerá dias 09 e 10 de setembro de 2013, no Arquivo Público do RS. Em breve divulgaremos os nomes dos palestrantes que ainda estão sendo definidos.

     A inscrição é gratuita com certificado de 12h. Participe como ouvinte! Inscreva-se através do email mostradepesquisa@sarh.rs.gov.br .

Programação preliminar XI Mostra de Pesquisa APERS

     Para ler outras notícias relacionadas à Mostra de Pesquisa do APERS clique aqui.

Livro da X Mostra de Pesquisa disponível no site do APERS

Deixe um comentário

2013.05.29 Livro X Mostra no site       Em 2012 realizamos a X Mostra de Pesquisa do APERS, que gerou publicação organizada a partir dos trabalhos apresentados ao longo do evento. A solenidade de lançamento do livro ocorreu no APERS no dia 04 de abril.

     Hoje lançamos em nosso site a versão digital, que está disponível para download. Para baixá-lo, clique aqui.

Aconteceu no APERS: II Jornada – 2º Dia de evento!

Deixe um comentário

     Continuando nossas postagens sobre a II Jornada de Estudos sobre Ditadura e Direitos Humanos, hoje falaremos sobre o segundo dia de evento (25/04, quinta-feira), além de trazer o depoimento da participante Cláudia Maia, acadêmica do curso de história da Faculdade Porto-alegrense (FAPA).

    Na quinta iniciamos às comunicações, espaço de apresentação de trabalhos acadêmicos dos variados níveis de graduação oriundos de diversas cidades e estados. Elas aconteceram em dois locais dentro do APERS, como alternativa para viabilizar um número maior de trabalhos apresentados. Assim, além do Auditório, já utilizado normalmente para atividades como essa, adaptou-se o espaço da Sala de Pesquisas, que ficou fechada excepcionalmente para manuseio dos acervos, de maneira a receber sessões de comunicações e debate. Essa atividade começou às 09h da manhã, com intervalo para o almoço e retomada às 13:30h, e estendeu-se até as 15:30h.

     Às 16h teve inicio a mesa redonda A imprensa como trincheira: denúncia e resistência, que contou a participação do jornalista Elmar Bones (CooJornal e Jornal Já) e do cartunista Santiago, com coordenação do Prof. Gerson Fraga, da UFFS. Os palestrantes abordaram o papel da imprensa e a atuação dos profissionais da área durante a ditadura civil militar a partir de suas experiências, comentando também a importância da democratização do acesso à informação e ampliação dos incentivos para mídias alternativas hoje, quebrando monopólios de grandes mídias e buscando garantir espaço para múltiplas posições e opiniões nos meios de comunicação.

     O turno da noite começou com uma surpresa especial: contamos com a saudação especial de Adelaide de Alayde, integrante do movimento argentino Madres de Plaza de Mayo, que viera a Porto Alegre para outro evento da área e brindou-nos com sua presença, trazendo um pouco da experiência e persistência das mães do país vizinho, que seguem insistentemente procurando por seus filhos desaparecidos pela Ditadura. Em seguida teve início a segunda mesa redonda do dia, Brasil: mídias e ditadura, com Carla Luciana da Silva, Prof.ª de História da UNIOESTE, e Nilo Piana de Castro, Prof. do Colégio de Aplicação da UFRGS, sob coordenação da Prof.ª Alessandra Gasparotto, da UFPel. Luciana abordou a relação da Revista Veja com a Ditadura e seus posicionamentos político-ideológicos, explicitando o espaço dado pelo periódico aos militares e suas versões da história em relação aquele período mesmo após a abertura política e redemocratização, mostrando o quanto estavam comprometidos com a defesa desta posição e de um ideal neoliberal e reacionário. Já Nilo falou a respeito da Rede Globo, narrando a história da emissora e apresentando diversas evidências que a ligam ao regime militar, demonstrando o quanto cresceram e se beneficiaram neste período, defendendo. Foi uma mesa riquíssima, densa de informação e com amplo debate!

     Agora apresentamos parte da conversa que tivemos com a participante Cláudia Maia:

APERS: Como tu ficaste sabendo do evento? O que mais te chamou a atenção até agora?

Cláudia: Fiquei sabendo da atividade pelo site do APERS. O assunto é por si só interessante e indiferentemente de ser ou não estudante de história, o tema nos desperta curiosidade. As apresentações chamam muito atenção por sua diversidade temática, além disso temos a oportunidade de escolher entre diferentes apresentações que ocorrem paralelamente. Até o momento o que mais chamou minha atenção foram as apresentações relacionadas à memória local, que auxiliam a compreender o que estava ocorrendo no período da ditadura militar. Destaco a importância do depoimento da madre da Praça de Maio, cujo relato permitiu uma melhor compreensão dos fatos na Argentina.

APERS: De que modo os conhecimentos adquiridos na II Jornada serão uteis na tua vida acadêmica?

Cláudia: Desde o inicio da Jornada observei diferentes casos e relatos que tenham grande importância para meu desenvolvimento acadêmico. Sendo o assunto atual os exemplos são importantes para uma melhor compreensão do período e para a desconstrução das abordagens feitas pela mídia. A mídia assim como influencia hoje, influenciou muito no período ditatorial, o que nos permite traçar um paralelo entre o passado e o presente, observando mutações e permanências.

Artigos relacionados:

Aconteceu no APERS: II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e DH

Aconteceu no APERS: II Jornada – 1º Dia de evento!

Aconteceu no APERS: II Jornada – 1º Dia de evento!

Deixe um comentário

  Dando continuidade às notícias relativas a II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos, falaremos hoje sobre as atividades realizadas no primeiro dia do evento (24/04, quarta- feira), e apresentaremos a entrevista realizada com a participante Nôva Brando.

  A partir das 13:30h demos inicio ao credenciamento, onde tivemos a oportunidade de ter o primeiro contato com os participantes, vindos de diferentes cidades, estados e universidades. Após o credenciamento, os presentes tiveram a oportunidade conhecer as dependências e espaços de guarda do acervo do Arquivo Público através de uma visita guiada realizada pela servidora Maria Lúcia. As 16h foi exibido o documentário O dia que durou 21 anos, que retrata as relações entre Brasil e Estados Unidos no contexto do golpe civil militar de 1964, explicitando as conexões entre presidentes, embaixadores, agentes da CIA e do Exército, e abordando a chamada Operação Brother Sam, através da qual os EUA apoiariam belicamente o golpe no Brasil caso houvesse resistência. A exibição do documentário e posterior debate, conduzido pela historiadora do APERS Clarissa Sommer, contou com a participação de muitos inscritos e já demonstrou o quanto seriam frutíferas as reflexões ao longo do evento.

  As 19h teve início a solenidade de abertura da II Jornada, que contou com as presenças de Valter Amaral, Chefe de Gabinete da SARH, representando o Secretário Alessandro Barcellos; do Profº Dr. Luiz Alberto Grijó, representando o IFCH e o PPG em História da UFRGS; da Diretora do APERS, Isabel Oliveira Perna Almeida; do Profº Enrique Serra Padrós representando a coordenação do evento, e de Lilian Celiberti, ex-militante uruguaia do Partido da Vitória do Povo (PVP) sequestrada pela Operação Condor em Porto Alegre em 1978, que estando em Porto Alegre para outra atividade brindou aos presentes com sua saudação e apoio ao evento.

  Na sequencia ocorreu a conferência Regime Pinochet (1973-1990): ditadura e terrorismo de estado no Chile, com a professora Dra. Verónica Valdívia Ortiz de Zarate, da Universidad Diego Portalles, em Santiago/Chile, e comentários do Profº Dr. Cesar Augusto Barcellos Guazzelli, da UFRGS. Verónica traçou um panorama muito rico a respeito do período Pinochet no Chile, abordando o projeto político, econômico e social da ditadura chilena para enquadrar, aterrorizar e amortecer a sociedade daquele país, que vinha caminhando a passos largos para o aprofundamento da democracia com participação popular durante o governo do então presidente Salvador Allende, que sofreu um golpe de Estado que ficou marcado na memória latino-americana. Já Guazzelli explicitou as intensas relações entre Brasil e Chile naquele contexto de golpes e Ditaduras de Segurança Nacional no Cone Sul, especialmente em relação às redes de solidariedade entre cidadãos destes países. Com certeza foi uma noite de muita informação, memória e história, que deverá abrir espaços para novas pesquisas na área!

  E na busca por estreitar os laços com usuários do APERS e participantes da Jornada, apresentamos parte da entrevista com Nôva, graduada em História pela UFRGS, estudante de pedagogia na mesma universidade e recentemente também historiadora do APERS. Nôva apresentou o trabalho Memórias da ditadura militar — Índio Vargas e Jorge Fisher Nunes: os referenciais da resistência armada, durante o período da Ditadura Militar, vistas a partir das memórias de dois militantes de esquerda que atuaram no Rio Grande do Sul, e conversou conosco a respeito da experiência:

APERS: O que tu apresentaste na II Jornada de Ditaduras e Direitos Humanos?

Nôva: Meu trabalho refere-se à memória de dois militantes que atuaram no Rio Grande do Sul, na luta armada, ou melhor, aquilo a que chamamos luta armada, ações de expropriações bancarias e tentativas de sequestro. Os dois autores são Indio Vargas e Jorge Fisher Nunes. Através da memória deste dois militantes, procuro fazer referencia à esquerda armada e suas reivindicações para pegar em armas. Além disso a ideia de trabalhar com estes dois autores visa também dar voz às minorias não lembradas da ditadura militar. Esta apresentação resulta de um recorte do meu trabalho de conclusão de curso que fora realizado em 2007 e adaptado para a Jornada.

APERS: De que forma a participação no evento contribuiu para sua trajetória como pesquisadora?

Nôva: Estar no evento permitiu o dialogo com outros participantes, onde destaco a troca de informações com o “pessoal” do Paraná, que está pesquisando ditadura no interior do seu estado, procurando também dar voz às pessoas da vida cotidiana, para que estas possam falar de suas memórias a cerca do período ditatorial. Assim como os paranaenses, exite também no interior do Rio Grande do Sul pesquisadores que trabalham com a oralidade e memória, articulando-as com outros documentos, dando voz a resistência.

Artigo relacionado:

Aconteceu no APERS: II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e DH

XI Mostra de Pesquisa: prorrogado prazo de chamada de artigos!

Deixe um comentário

XI Mostra Pesquisa Vertical Prorrogado

Aconteceu no APERS: II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e DH

1 Comentário

   Entre os dias 24 e 27 de abril aconteceu no APERS a II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos, que reuniu pesquisadores de Porto Alegre, de diversas regiões do RS e também de fora do estado. Tendo como principal objetivo analisar e problematizar a conjuntura histórica que deu lugar à Ditaduras de Segurança Nacional no Cone Sul e oportunizar espaço para troca de conhecimentos e experiências na área, foram recebidos e apresentados artigos produzidos em diversos níveis de graduação, possibilitando o intercâmbio entre pesquisadores iniciantes e mais experientes, e foram realizadas riquíssimas mesas de debate com palestrantes que enfocaram variadas perspectivas dentro do tema geral.

   Ao longo da II Jornada buscamos coletar depoimentos de participantes que prestigiaram o evento, como forma de registrar e compartilhar com nossos usuários os resultados desta atividade. Assim, a partir de hoje divulgaremos a cada semana uma entrevista, sempre com mais detalhes referentes a um dos dias do evento.2013.05.02 Entrevista 1 - II jornada

Para iniciar, relatamos a conversa realizada com Rosângela de Medeiros, graduada em comunicação pela PUCRS, Mestre e Doutora em Literatura Comparada, pela UFRGS. A entrevistada apresentou o trabalho intitulado “Memórias da ditadura nos Cinemas Latino-Americanos Contemporâneos”.

APERS: Como chegaste a este tema de pesquisa?

Rosângela: Sempre trabalhei com cinema e em especial o cinema canadense. O cinema canadense me levou a estudar a questão da identidade nacional. Como sempre gostei do cinema latino-americano procurei trazer estas temáticas para meu projeto de pós- doutorado, que ainda não iniciei mas já está em andamento. Para este evento procurei trazer uma temática onde relacionei o cinema contemporâneo com as memórias das ditaduras, que poderá auxiliar acadêmicos que venham trabalhando com o tema.

APERS: Qual o objetivo de seu trabalho?

Rosângela: Com este trabalho visei possibilitar o olhar transdisciplinar, considerando diferentes teorias e ideias, relacionadas ao cinema e as ditaduras. Foi uma grata surpresa saber que muitos gostaram e ficaram falando sobre a temática, pois questões relacionadas ao cinema permitem as pessoas compartilharem diferente ideias e opiniões. Fui muito bem acolhida e quero participar de outros eventos e jornadas.

Muitas das comunicações e palestras compartilhadas nas II Jornada trouxeram reflexões sobre as Ditaduras a partir de charges, legislação, cinema, depoimentos de ex-presos políticos e seus familiares, documentos de arquivo, etc., trabalhos que exemplificam os diferentes meios e fontes possíveis para o estudo do período, possibilitando trabalhar de forma transdisciplinar, unindo historiadores, advogados, profissionais da comunicação, cientistas sociais, entre outros, procurando resgatar diferentes visões e interpretações a cerca desse período.

Participe da XI Mostra de Pesquisa do APERS!

Deixe um comentário

2013.04.24 XI Mostra Pesquisa

Para mais informações clique aqui.

Prorrogação Inscrições Ouvintes II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos!

Deixe um comentário

2013.04.10 Prorrogação Inscrições Ouvintes II Jornada

Para acessar a programação completa da II Jornada de Estudos sobre Ditaduras e DH clique aqui.

Older Entries

%d blogueiros gostam disto: