Relatórios APERS 2016 – DIPAD: Exposições e eventos

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Cumprindo seu papel social enquanto instituição pública de caráter cultural, em 2016 o APERS promoveu, sediou e participou de cursos, eventos e exposições, além dos já referidos no âmbito das ações educativas.

Selo APERS 110 anos final2016 foi o ano em que o Arquivo Público do Estado do RS celebrou seus 110 anos, com uma trajetória de desafios, conquistas e afirmação no meio arquivístico e perante a sociedade. Para comemorar a data foi realizada uma programação especial, com atividades em todas as terças-feiras do mês de março.

No dia 08 de março tivemos o lançamento da publicação PEP em Revista: O Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, com a Orquestra Villa-Lobos e mesa de debates com a professora Claudira do Socorro Cardoso, pós-doutoranda na área de Patrimônio pela UFSM, pelos olhos da historiadora Clarissa Alves, que atua no APERS desde 2009, e pelas reflexões de Carla Simone Rodeghero, professora da graduação e do PPG em História da UFRGS, atual coordenadora do PEP UFRGS-APERS enquanto programa de extensão universitária, que vem se dedicando, junto à equipe do APERS e aos professores Igor Salomão Teixeira (História/UFRGS) e Vanderlei Machado (Colégio de Aplicação UFRGS) não apenas à captação e execução de recursos através de editais do Ministério da Educação que incentivam ações de extensão, mas também à organização de formações para graduandos e professores, à qualificação das oficinas voltadas à educação básica e seus materiais pedagógicos, etc.

Na manhã do dia 15 de março, as servidoras e os servidores do APERS tiveram um momento de confraternização em comemoração ao aniversário do APERS: café coletivo seguido pela pré-estreia do vídeo institucional. Foi um momento de descontração e reconhecimento pelo trabalho de cada um para que a instituição se mantenha viva e atuante. Logo após, no turno da tarde, foi a vez de lançar o vídeo para o público, via canal do APERS no YouTube.

Na noite do dia 22 de março, o Arquivo Público promoveu o lançamento da exposição Porto Alegre Imaginada: conexões entre o APERS e a Cidade. A mostra apresentou alguns documentos do acervo do APERS que dialogam com o imaginário da cidade, registros que podem nos remeter a locais e pessoas, contendo, assim, informações que fazem parte do jogo infinito de significações resultantes de nossa vida social. A exposição foi inspirada no conteúdo do livro “Porto Alegre Imaginada” (dos autores Nilda Jacks, Valdir Morigi e Lizete Dias de Oliveira), o qual faz parte do Projeto Culturas Urbanas na América Latina e na Espanha a Partir de seus Imaginários Sociais. Logo após a abertura da exposição, ocorreu uma mesa de debates com a presença dos autores do livro e coordenadores do projeto Profª. Drª. Nilda Aparecida Jacks e Prof. Dr. Valdir José Morigi, que apresentaram “A Porto Alegre dos porto-alegrenses” e com a participação de Luis Fernando Herbert Massoni – Mestrando no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação/UFRGS, que apresentou “A Cidade e suas Memórias nas Redes Sociais”.

No ida 29 de março foi a vez do Lançamento virtual do Catálogo História das Mulheres & Relações Familiares em nosso web site, blog, página do Facebook e perfil Twitter, para acessar clique aqui.

capa-anais-mostraEntre os meses de janeiro e dezembro trabalhamos para que a XIII Mostra de Pesquisa do APERS acontecesse. O evento ocorreu entre os dias 12 e 14 de setembro, nos turnos da tarde e da noite, foi realizada a XIII Mostra de Pesquisa do APERS. A Mostra contou com a apresentação de 24 trabalhos entre apresentação de artigos e de pôsteres. Os assuntos abordados passaram pelas temáticas da Escravidão e das relações Étnico-raciais; pelo Patrimônio Documental e Cultural; pelos Golpes de Estado e Ditaduras; pelas discussões ligadas à história das cidades e do estado do Rio Grande do Sul; pela história das profissões e da profissionalização, a partir de aspectos sociais; pelas representações do século XVII e XVIII; e pela análise de biografias. O evento contou com a apresentação de seis pôsteres e dezoito artigos, que foram socializados e problematizados nas mesas do encontro e disponibilizados em formato .pdf, por meio da publicação dos Anais da XIII Mostra de Pesquisa APERS, no web site e blog institucionais, em dezembro (clique aqui para acessar).

No dia 05 de agosto foi realizado, pelo Arquivo Público RS, o Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais. Com o objetivo de conhecer, explorar e problematizar as políticas públicas destinadas à gestão, preservação e difusão dos acervos documentais públicos e de interesse social. O evento teve o apoio do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, do Programa de Pós-Graduação em História da UFSM, do Museu da História da Medicina do RS e da Associação de Amigos do APERS.

Nos dias 1º e 2 de dezembro, no Memorial do Rio Grande do Sul, aconteceu o Seminário Políticas Públicas e Gestão do Estado: preservação de bens e acervos culturais em instituições de memória, evento interinstitucional realizado pelo APERS, Programa de Educação Patrimonial PEP UFRGS|APERS, GT Acervos da Anpuh, Museu da História da Medicina do RS, Programa de Pós-Graduação em História da UFSM, pelo Fórum Permanente em Defesa das Instituições Públicas de Memória do RS e pelo Conselho Regional de Museologia da 3ª Região. O evento abordou (a) a produção e a gestão de políticas públicas culturais realizadas pelos agentes do Estado e voltadas às instituições de memória ou responsáveis pela guarda de acervos no Brasil e especialmente no Rio Grande do Sul; (b) as relações entre os agentes que atuam no campo do patrimônio (arquivistas, historiadores, museólogos), levando em consideração as mudanças ocorridas na formação desses profissionais nas últimas décadas; (c) e políticas de financiamento e gestão dos bens culturais resguardados nas instituições culturais.

No ano que passou o Arquivo Público do RS também participou e apoiou diversos eventos, cedendo seus espaços culturais e contribuindo na divulgação dos mesmos:

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Mulheres no APERS, gênero e história (XIII): verdade e reflexões históricas.

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Você já parou para refletir a respeito do que são fontes de pesquisa histórica? O que pode ser utilizado como referência para a produção de conhecimento sobre o passado? Ou ainda, o passado, enquanto tal, pode ser realmente acessado no presente, como aconteceu? Estas e outras perguntas relacionadas aos estatutos e bases deste conhecimento são cotidianas para aquelas e aqueles que têm a História como profissão, enquanto pesquisadores e educadores.

Se voltarmos o olhar para a História enquanto área do conhecimento, que também pode ser analisada no tempo, em suas transformações, tendências e usos, logo perceberemos que houve uma época, não tão distante, em que a busca por um estatuto científico fez com que se estabelecessem métodos e procedimentos muitas vezes rígidos para sua escrita. Estes métodos deveriam incluir o acesso e a exploração de documentos, que deveriam passar por uma crítica arguta, no intuito de apreender sua veracidade, sua fidelidade aos fatos transcorridos. Em geral, passou-se a priorizar as fontes de arquivos, produzidas a partir de funções institucionais do Estado, ou geradas e acumuladas por homens “notáveis”, que poderiam ser inquiridas a partir de análises diplomáticas, do cruzamento com informações de outras fontes, de reflexões e ponderações que levavam em conta o caráter oficial destes documentos como um primeiro importante passo para garantia de se chegar à verdade. Entre estes documentos, certamente poderíamos relacionar os processos judiciais, como os que foram descritos para a elaboração do Catálogo História das Mulheres & Relações Familiares: Vara de Família e Sucessão de Porto Alegre.

O tempo passou… E a ciência da história certamente mudou. Mas não por completo: não se abandonou a noção de “fonte”, ainda que ela tenha sido bastante ampliada; não se deixou de buscar referências ao passado que, como rastros ou marcas, permitam acercarmo-nos dele, entretanto, as noções ingênuas de que determinadas fontes falavam por si e eram registros fiéis dos fatos, de que por vezes ao historiador quase bastaria compilar informações e dispô-las em forma de texto, ou de que o conhecimento produzido a partir destas análises e narrativas chegaria a uma versão completa e inequívoca da História, foram amplamente questionadas.

2016.06.22 Mulheres no APERS XIIIMas tais questionamentos também fazem sentido quando pensamos na produção de conhecimento histórico relacionado a mulheres e relações familiares? Indo às fontes, para não dizer “indo aos fatos”, seria possível visualizar um exemplo? Vamos lá!

Amador, funcionário público de 35 anos, move ação de desquite litigioso contra a esposa, alegando que a mesma passou a “cometer barbarismos” no matrimônio, chegando a ameaçar de morte a ele e aos filhos, motivo pelo qual teria saído de casa, levando consigo as duas filhas mais velhas, de 10 e 5 anos. Afirma ainda que, estando livre de sua presença, Maria teria passado a exercer “vida irregular, de orgia e libidinagem”.

Maria, a ré, costureira de 31 anos, defende-se em ação de desquite movida pelo marido, contestando suas alegações. Afirma que jamais o ameaçou de morte ou cometeu barbaridades, que vivia em companhia do irmão e não de forma irregular ou libidinosa, e que o motivo para que ele tenha saído de casa era bem outro: há anos vivia amasiado com uma mulher, de nome Alice. Para comprovar sua versão, apresenta extensa lista de testemunhas, e um documento registrado na Delegacia, assinado poucos meses antes do abandono do lar, em que o marido comprometia-se a não mais procurar por Alice, e voltando a ser o mesmo marido dedicado de antes!

Resultado: Amador não compareceu à última audiência, e Maria foi absolvida em juízo, recebendo como indicação que o casal entrasse em acordo para um desquite amigável.

A partir do documento anexado ao processo* pela esposa, da própria ausência de Amador na audiência, e da conclusão determinada pela Justiça, denota-se que a versão verdadeira para os fatos fora a apresentada por Maria. Se a Justiça teria como papel estabelecer a verdade, e a partir dela encaminhar resolução correta, ou justa, à História não cabe necessariamente estabelecer a verdade nesta perspectiva. Muitas vezes historiadoras e historiadores são chamados a público para dizer “o que realmente aconteceu”, mas quando se analisa este ou outros casos a partir de um olhar histórico é possível questionar múltiplos elementos, buscar outras fontes que ampliem sua compreensão, sem necessariamente ter como pretensão “resgatar o passado”.

O adultério de Amador é inegável, e injusto seria condenar Maria por ele ter abandonado o lar. Mas será que em algum momento este comportamento do marido não pode ter levado a esposa a cometer atitudes que ele poderia ter considerado “barbarismos”, quando vindos de uma mulher? Tendo conhecimentos sobre os valores e padrões morais vigentes na década de 1950, é possível inferir que a relação entre os dois impunha opressões à esposa, e que provavelmente Amador aproveitou-se dessa moral para incutir culpa a ela, buscando arrancar um desquite que Maria não parecia disposta a conceder. Mas aquilo que foi registrado pela ré e seu advogado no processo foi pensado para afastar a culpa e garantir que seu comportamento seria percebido como correto – mulher honrada, ilibada, que na ausência do esposo colocou-se sob a proteção (e o disciplinamento?) dos irmãos. Obviamente não faria sentido confessar qualquer atitude que pudesse lembrar “libidinagem” de sua parte. Em muitos casos, saber utilizar-se destes códigos para vencer uma ação na Justiça pode ser encarado como forma de resistência.

Ou seja: não necessariamente por terem sido registradas perante a Justiça as declarações de Amador e Maria foram totalmente fiéis à realidade das relações estabeleciam entre o casal, e é importante considerar isto ao analisar processos judiciais enquanto “matérias-primas” da pesquisa histórica. Ao mesmo tempo, poder levantar estas reflexões não desqualifica o potencial destes documentos para a História, ao contrário! Por estas e outras é possível reafirmar a riqueza de tais fontes, que podem ser lidas a partir de múltiplos problemas de pesquisa e perspectivas teóricas. Ao Arquivo, cabe difundi-las. Aos pesquisadores e pesquisadoras, caberá questionar, inovar, criar.

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* Processo de desquite n.º 1547, de 1951. Verbete: p. 319 do referido Catálogo.

APERS? Presente, professor! – História das Mulheres e das Relações Familiares

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2014.06.25 História das Mulheres_Blog

Hoje estamos disponibilizando a quarta proposta pedagógica do Projeto APERS? Presente, professor! Ela está inserida dentro do eixo temático A Transversalidade nas Fontes – diversas fontes arquivísticas para diferentes trabalhos pedagógicos e recebeu o nome de História das Mulheres e das Relações Familiares. Tem como proposta a problematização, a partir de processos de desquite, das relações nas quais estiveram envolvidas mulheres que viveram em contextos históricos diferentes dos nossos. Com ela, pretendemos contribuir para processo-ensino-aprendizagem de desnaturalização e de historicização das relações nas quais estiveram e ainda estão envolvidas as mulheres. Acreditamos que essa proposta, aliada a um referencial antissexista e afirmativo naquilo que diz respeito ao debate em torno da discriminação ainda sofrida pelas mulheres, consiga auxiliar o professor no encaminhamento do trabalho complexo que é discutir as relações de gênero e problematizar os papéis sociais atribuídos às mulheres, bem como a invenção de múltiplas formas de resistência e de luta por esses sujeitos desenvolvidas. Acesse aqui o arquivo da proposta.
Caso o professor tenha interesse em acessar a cópia na íntegra das fontes utilizadas na construção da proposta, clique aqui: processos 1 e 2; processos 3, 4 e 5; e processo 6. Para acessar as propostas anteriores, clique aqui.
Bom trabalho, professora e professor!

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