Atividades SIARQ/RS – Abril 2017

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    Enquanto Órgão Gestor do Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul – SIARQ/RS, o APERS atua para efetivar a gestão documental nos órgãos do Poder Executivo. Durante o mês de abril os servidores participaram de reuniões de assessoria técnica, reuniões de comitês e grupos de trabalho, que listamos abaixo:

Dias 03, 10 e 26: os arquivistas Cléo Lopes e Renata Vasconcellos estiveram orientando os estagiários Ederson Silva da Silva e Tiago Costa na organização do arquivo da Divisão de Pessoal (DIPES/SMARH), localizado na sede complementar do CAFF.

Dia 04: os arquivistas Cléo Belicio, Maria Cristina Fernandes e a Diretora do APERS Aerta Moscon participaram de reunião na Fundação de Desenvolvimento para os Recursos Humanos (FDRH), para alinharem medidas visando o recolhimento de acervos com guarda permanente para o Arquivo Público. Representando a FDRH participaram as servidoras Odete Maria Rama e Clarissa Garcia Correa Sehnem.

Dias 05, 19 e 26: os arquivistas Jonas Melo, Maria Cristina Fernandes e Renata Vasconcellos (APERS) estiveram na Secretaria da Educação (SEDUC), para discutirem o conteúdo da Instrução Normativa que definirá as rotinas do Arquivo Central da Secretaria e prestar orientações para classificação e avaliação de documentos.

Dias 06 e 20: os arquivistas Cléo Belicio e Jonas Ferrigo Melo participaram das reuniões do Comitê Gestor do PROA, realizadas na Sala de Gestão da SMARH, onde foram analisadas as demandas recebidas dos órgãos usuários e outros temas relacionados à implantação do Sistema.

Dia 07: teve reunião na Divisão de Controle Legal (DCL), Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE), sobre recolhimento de dossiês de presos e necessidade de aditamento do Termo de Recolhimento para correção de informações. Participantes: Juliana Kiefer Madrid, Sérgio Roberto Silva da Costa (DCL), Aerta Grazzioli Moscon e Silvia de Freitas Soares (APERS).

Dia 10: arquivistas do APERS estiveram no Arquivo da Seção de Protocolo, da Secretaria de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA) e participaram de reunião, com servidores de diferentes setores, sobre melhorias das atividades, recursos e condições de espaço físico. Participantes: Gladis de Mello Bento, Eva Vilma Soares de Lucca, Leonardo Baleeiro SantAnna, Diego Melo Pereira, Ana Léa Dornelles Mendes (SEMA), Maria Cristina Kneipp Fernandes e Silvia de Freitas Soares (APERS).

Dia 11: na Secretaria da Administração e dos Recursos Humanos (SMARH), as arquivistas do APERS, Renata Vasconcellos e Silvia Soares, participaram de reunião com Stephany Amarante Fagundes, do Apoio do Gabinete, para acompanhar as atividades realizadas e prosseguir com os procedimentos de eliminação de documentos, explicando o preenchimento dos formulários e abertura do processo administrativo no Sistema PROA.

Dia 18: servidoras da Escola de Saúde Pública (ESP) e de Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS), da Secretaria da Saúde (SES) estiveram no APERS e participaram de reunião com os arquivistas Jonas Melo e Silvia Soares, para definir os Assuntos para uso no Sistema PROA. Da SES estiveram presente: Cenyra Sanchotene Martini (8ª CRS – Cachoeira do Sul), Dileta do Carmo Santos Ferrari (10ª CRS – Alegrete), Mara Elis Ferreira Fredes (3ª CRS – Pelotas), Marília Pinto Bianchini (15ª CRS – Palmeira das Missões), Maristela Lima (18ª CRS – Osório), Nilce Maria Ferrari (ESP), Patricia Benites (1ª CRS – Porto Alegre), Rejane Roester Mocinho (6ª CRS – Passo Fundo), Silvana Matos Amaro (ESP).

Reunião com servidoras da SES

    Em abril, o Arquivo Público analisou dez (10) Listagens de Eliminação de Documentos visando a aprovação, recebidos por processos administrativos, conforme estabelecido pelo Decreto 52.808/2015, em seu Art. 6º, parágrafo V.

    E, neste mês, foram recebidos na caixa do e-mail assuntos-proa@smarh.rs.gov.br, doze (12) e-mails de diversos órgãos, referentes a solicitações, esclarecimentos de dúvidas com relação à atribuição de assuntos no Sistema PROA. Além desses, na caixa de correio do SIARQ/RS foram recebidos um (01) e-mails com questões sobre gestão documental.

    Para solicitar assessoria ao SIARQ/RS, visando implementar as normativas e os instrumentos de gestão documental, pode entrar em contato pelo e-mail siarq-apers@smarh.rs.gov.br ou telefone (51) 3288-9114.

Acervo da Justiça e Pesquisa Histórica IV

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Chegamos à última postagem sobre o acervo da Secretaria da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (1975-1991). Para ela, selecionamos um conjunto de documentos produzidos pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE), órgão subordinado aquela Secretaria. Elegemos seis processos administrativos, cuja produção tenha passado pela SUSEPE, em meio a um conjunto relativamente extenso de documentos de guarda permanente.

Imagem Documentos
O primeiro deles, produzido em 1980, diz respeito a dados sobre estabelecimentos prisionais. Nele, a Secretaria da Justiça solicita à Superintendência dos Serviços Penitenciários alguns dados para fins de organização de um fichário. Dentre eles, área física, tipo de presídio, área construída, população carcerária, atividades desenvolvidas, cursos ministrados aos apenados, localização dos presídios e melhorias realizadas na instituição. Como resposta a essa solicitação, encontramos em anexo uma tabela com as seguintes informações: denominação do estabelecimento, localização, capacidade, lotação atual, tipo de atividade, categoria, área, data do início do funcionamento como prisão. Ao total, encontramos dados sobre 92 estabelecimentos, dos quais 21 estavam com lotação maior que a capacidade. Também encontramos informações fornecidas pela Unidade de Atendimento Educacional e Social a respeito de cursos (para pintor, encadernador, barbeiro, atendente de enfermagem, tipógrafo, reparador de TV, marceneiro, calceiro, estofador, eletricista, olericultor, artesanato em couro, pedreiro, sapateiro e horticultor), que aconteciam em quatorze cidades, para qualificação de mão de obra, e sobre a quantidade de alunos atendidos. Além dos profissionalizantes, também são citados cursos de alfabetização (MOBRAL), de educação integrada e de supletivos para exames do 1º e 2º graus em 58 estabelecimentos.

Em outro processo, de setembro de 1982, com informações elaboradas pela Equipe de Pesquisa e Planejamento da Unidade de Serviços Especiais da SUSEPE, encontramos um quadro com dados de despesa média, custo por preso e gastos em alimentação. Em cruzeiros são apresentadas os valores da despesa total, da média mensal, do custo mensal e diário por preso e, em separado, as despesas com alimentação.

No terceiro, protocolado em 1980 na Secretaria de Justiça, temos a disposição informações sobre uma proposta para reestruturação da rede penitenciária do estado, elaborada por Grupos de Trabalho constituídos na SUSEPE que diagnosticaram a situação das instituições prisionais e apontaram alguns caminhos para a reorganização da rede penitenciária. Dentre as propostas, encontramos aquela que sugere a criação de Institutos Agro-Pastoris e Industriais (ITAs) e por conta dela, muitas informações são disponibilizadas sobre as instituições que seriam transformadas em ITAs (Colônia Penal Agrícola Gal. Daltro Filho, e Presídios de Sarandi, Pelotas, Erechim, Santa Rosa, Bagé, Caçapava do Sul e Caxias do Sul). São elas: área territorial, área construída, produção agropecuária atual (em sua maioria pra consumo interno), disponibilidade real de vagas, ocupação nominal por sexo (homens, mulheres e clientes estranhos), faixa etária, estado civil, escolaridade, ocupação habitual antes de ser recolhido, situação jurídica (primários ou reincidentes), artigos nos quais foram incursos. Depois disso seguem algumas tabelas com as produções dos municípios (avicultura, produção agrícola, produção extrativista vegetal, produção extrativista animal, pecuária) e uma pequena análise das potencialidades de produção agropecuária.

Anexo ao processo encontramos a minuta-anteprojeto para reestruturação da rede penitenciária estadual e o projeto de decreto que propõe os seguintes estabelecimentos para comporem a rede prisional da Superintendência dos Serviços Penitenciárias: Penitenciária da Região Metropolitana (estabelecimento penitenciário especial); Instituto de Avaliação Psiquiátrica e Instituto de Biotipologia Criminal (Estabelecimento de Classificação e Triagem); Penitenciária Estadual do Jacuí, Penitenciária Estadual de Pedras Brancas, Penitenciária Feminina Madre Pelletier, Instituto Agro-Pastoril de Mariante, Institutos de Trabalho Agro-Pastoril e Industrial, de Reeducação e Ensino Profissional (ITA), Institutos para Jovens-Adultos, Instituto para Idosos, Presídios Regionais, Presídios Municipais, Cadeias Municipais (estabelecimentos penitenciários); Instituto Médico Penal, Hospital Penitenciário, Instituto Psiquiátrico Forense “Maurício Cardoso” (estabelecimentos médicos-penais). Nele podemos notar que estavam previstos às instituições que separassem jovens, adultos, idosos, dependentes químicos e pessoas consideradas de alta peliculosidade. A justificativa para o projeto era a de concentração da política penitenciária na pessoa do preso, no caráter educativo da pena e na preparação para o retorno à liberdade.

Um curso para monitores é o assunto do quarto processo selecionado. Resultado de um convênio entre o Ministério da Justiça e o Estado do Rio Grande do Sul, o curso aconteceu em três etapas: (1) Ciclo Básico – humanas e comunicação, estudos sócio-jurídicos, ciências biológicas; (2) Ciclo Profissional – área de atividades técnicas; e (3) Estágio supervisionado – administração penitenciária, recreação e lazer e relações humanas. Com duração de quatro meses, na primeira edição o curso atendeu a cinquenta alunos e, na segunda, a 120 alunos. O Estado foi responsável pelas contratações, pagamentos e fiscalizações ao longo do curso e pela elaboração de um relatório final.

Encaminhado, da SUSEPE para SJ, exemplar do Jornal “Semanário”, editado no Município de Bento Gonçalves e que contém um editorial e uma reportagem sobre o Presídio daquele município. Esse é o material que consta no quinto processo administrativo, produzido no ano de 1982. Conforme o conteúdo do Jornal, o diretor do presídio solicita apoio para reformas interna e externa na instituição. Financiado pelas Prefeituras de Garibaldi, Carlos Barbosa e Bento Gonçalves, pareceu, pelas informações contidas na reportagem, que a comunidade contribuía com o funcionamento do presídio e que estava sendo convidada a ajudar no processo de reforma.

Por fim, temos um processo de 1981 que trata do adiamento da inauguração do Presídio de Santiago, devido à falta de verbas para compra de utensílios essenciais para o funcionamento da instituição. Nele encontramos muitas fotografias que ilustram uma estrutura completa, com celas, cozinha, oficina, enfermaria, dentre outros locais nos quais faltam somente mobiliários e equipamentos para a ocupação. Por isso, a solicitação de adiamento feita à Secretaria da Justiça, uma vez que a suplementação da verba solicitada para equipar o presídio ainda não havia sido liberada.

Composto por jornais, fotografias, mapas, plantas, memorandos, ofícios, minutas, esses processos fazem parte de um conjunto documental capaz de auxiliar no entendimento do período no qual a responsabilidade pelo funcionamento de instituições prisionais era compartilhada por municípios e estado. Tratam-se de fonte com grande potencial para pesquisas históricas e sociológicas a respeito das políticas de segurança pública, sobretudo de investigações cuja intenção seja a problematização do direito à segurança, a integridade física e psicológica e a possibilidade de reinserção social de pessoas condenadas a penas de reclusão por diferentes motivos.

Clique aqui para ler outros artigos relacionados.

*Acervo em tratamento técnico.

Visitas guiadas ao APERS – Dezembro

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No mês de dezembro foram realizadas 05 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 05: 03 alunas do 2° semestre do Curso Técnico de Secretariado do Instituto Federal do Rio Grande do Sul – IFRS.

Dia 09: Marcelo Mac Cord, aluno do 2° semestre do Curso de História da Universidade Federal Fluminense – UFF.

Dia 12: 3 estagiários da Superintendência dos Serviços Penitenciários –  SUSEPE, acompanhados pela Arquivista Carine Melo Cogo Bastos. A visita teve por objetivo apresentar o APERS aos estagiários, considerando que estes participarão da atividade de recolhimento, da documentação proveniente da SUSEPE ao APERS.

Dia 17: 14 jovens aprendizes do Curso de Aprendizagem em Serviços Administrativos, da Escola de Ensino Social Profissionalizante (ESPRO), acompanhados pela professora Taís Bueno Dorneles.

Dia 17: 19 jovens aprendizes do Curso de Aprendizagem em Serviços Administrativos, da ESPRO, acompanhados pela professora Taís Bueno Dorneles.

Guia: Maria Lúcia Ricardo Souto.

Visitas guiadas ao APERS – Maio

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No mês de maio foram realizadas 04 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 07: 50 alunos do 1° semestre do Curso de História da PUCRS, acompanhados pelo professor Luciano Abreu, que ministra a disciplina de Introdução aos estudos históricos.

Dia 18: 08 alunos do Curso Técnico em Biblioteconomia do IFRS, Campus Porto Alegre, acompanhados pela professora Gleide Penha de Oliveira.

Dia 21: 18 alunos do Curso Técnico em Guia de Turismo do Colégio Rui Barbosa, em Canoas, acompanhados pela professora Luciana de Oliveira.

Dia 27: 06 servidores da SUSEPE, acompanhados pela arquivista Carine Bastos, realizaram a visita guiada e participaram de uma apresentação sobre o SIARQ/RS.

Guias: Carlos Henrique Armani Nery, Maria Cristina Kneipp Fernandes e Marta Helena de Araújo.

Mês do Arquivista: Carine Melo Cogo Bastos

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Carine Melo Cogo Bastos, 32 anos, natural de Santiago/RS, é formada pelo Curso de Arquivologia (UFSM – 2001), especialista em Gestão Estratégica de Tecnologia da Informação (PUC/RS – 2008), especialista em Gestão em Arquivos (UAB/UFSM – 2011) e integra o quadro de arquivistas do Estado com lotação na SUSEPE desde 2010. Confira o relato sobre sua experiência enquanto arquivista!

    Durante o ensino médio participei do PEIES (Programa de Ingresso ao Ensino Superior) da UFSM, e no terceiro ano precisa optar por um Curso, fiz um teste vocacional e o resultado foi direcionado a área de administração, organização… Teve uma feira das profissões no Colégio e peguei alguns folders… Diziam que o mercado era amplo, que estava em expansão… Sempre fui “cricrizona” com questões de organização, então optei pelo Curso de Arquivologia. Fui aprovada!

     No início desanimei porque, no currículo da época, as disciplinas dos primeiros semestres eram o básico do básico… Nunca chegavam as disciplinas mais específicas… Dava uma insegurança. Mas quando começaram as práticas me maravilhei com a Arquivo. Mais para o final do Curso estagiei em uma Secretaria Municipal, elaborei plano de classificação e implantei, foi minha primeira experiência profissional sozinha!

     Depois fiz meu estágio curricular no Ministério Público em Porto Alegre, trabalhei com duas arquivistas do quadro. A experiência foi bem produtiva! Participei do trabalho inicial para a elaboração da tabela de temporalidade, fazíamos o levantamento documental e depois íamos aos setores para sugerir os prazos com base na legislação. Um ano depois que saí, publicaram a tabela e ligaram-me para entrar no site, pois tinha um agradecimento por ter iniciado o trabalho com elas. Isso foi muito gratificante!

     Então veio a formatura! E aí o mercado de trabalho é cruel! Voltei para Santiago, fiquei seis meses lá, sem perspectiva. O desespero chegou! Comecei a mandar currículo para tudo quanto é lugar… Fui chamada aqui em Porto Alegre para trabalhar em uma consultoria.

     Trabalhei nessa consultoria de 2001 a 2005, foi uma das maiores experiências da minha vida! Lá eu tive a oportunidade de trabalhar em empresas de pequeno, médio e grande porte, algumas multinacionais. Conheci várias realidades, pessoas de todos os níveis, culturas… Trabalhei com organização de arquivos eletrônicos, de engenharia, contábil. Os projetos eram muito bons, a parte da administração dessa consultoria não era boa, mas os projetos sim. Foi uma experiência engrandecedora, só não remunerava bem. E sempre procuramos ser valorizados financeiramente, então durante esse período procurei oportunidades melhores. E em 2005 a oportunidade surgiu!

     Participei do processo seletivo para uma Universidade em Porto Alegre e eles ficaram de informar o resultado dias depois. Informaram que fui selecionada, bem no dia do meu aniversário! Foi muito engraçado! Essa foi uma das melhores experiências profissionais que tive! Era chefe da divisão de arquivos, tinha equipe, respaldo total da minha chefia, infraestrutura… Havia parceria de minha chefia em relação ao desenvolvimento do trabalho, conheciam, acreditavam… Até oportunizaram-me a cursar uma especialização em “Estratégia de tecnologia da informação”, como parte do programa de capacitação de funcionários, investiram em mim!

     Em 2009, quando voltei da licença maternidade, parti para os concursos públicos em busca da estabilidade, sempre me classificava, mas nunca nas vagas. Vi o edital do concurso do Estado e uma amiga, também arquivista, me convidou para estudarmos juntas. Ela se classificou para as vagas e eu fiquei em vigésimo oitavo lugar. Pensei: “Nossa Senhora, nunca vão me chamar”, e continuei a inscrever-me para outros concursos na área. Foi muito engraçado! Em outubro de 2010, estava trabalhando e essa amiga ligou avisando que havíamos sido nomeadas! Tive uma crise de riso! Ela enviou a página do Diário Oficial por email, mas eu não acreditei. Chamaram 32 de uma só vez, isso é histórico! Quando fui pedir demissão meu chefe disse que cobria a proposta, porém como era para concurso público não teve como, em decorrência da estabilidade. Foi difícil sair de lá, gostava do trabalho. Antes de sair indiquei outro profissional.

    Quando comecei no serviço público foi um choque! Ao entrar em exercício me apresentaram ao diretor do departamento que chamou a chefia do setor o qual eu seria lotada. Ela se mostrou contente e me conduziu para o setor. Todos do setor emocionados, felizes, pensando: “Pronto, agora temos uma colega para colocar os processos dentro das caixas e arrumar o arquivo!”.

     Claro, primeiro bateu aquele desânimo! O início foi muito complicado. Com o tempo fui ensinando o que é a Arquivo, seus objetivos, conceitos, finalidades… Decidi elaborar um diagnóstico do arquivo da divisão na qual estava lotada. Pedi para me levarem ao arquivo, chegando lá a porta não abria de tão lotado que estava! Eu passei cinco dias medindo, calculando o volume, fotografando o espaço… No relatório coloquei o diagnóstico e a situação proposta, os materiais e recursos humanos necessários… Apresentei para o diretor do departamento, ele achou tudo muito bom, mas como era troca de gestão, ficou para a próxima chefia.

   Os colegas de outros setores me viam fotografando, medindo os arquivos e perguntavam o que estava fazendo… A história que a SUSEPE tinha uma arquivista foi se espalhando e comecei a elaborar relatórios para outros setores, isso foi bom! Deixei de ser vista como arquivista de um setor, para ser arquivista da SUSEPE! Comecei a apresentar os relatórios para todas as chefias, batia de porta em porta… Mas era época de troca de governo, e no serviço público tem isso… As chefias trocam de acordo com o governo.

     Eu vinha com a mentalidade da iniciativa privada, tinha projetos com cronogramas e prazos para ser cumpridos. Isso agora posso dizer que entendi. Não vou resolver alguns problemas mais difíceis e de espaço físico que já vem de muitos anos em somente dois anos! Foi difícil conseguir estagiários, após um ano e meio solicitando e justificando, eles foram contratados e segui trabalhando a mudança nas pessoas: “Olha, se tu aplicares a gestão documental vai melhorar o espaço físico, encontrarás a informação que precisas em menos tempo…”. Organização de arquivo é mudança cultural, não adianta!

     As pessoas, por desconhecimento, não tinham noção de que os documentos tem prazo de guarda, diziam: “Guarda os últimos cinco anos e o anterior pode colocar fora”. Atualmente vinte por cento dos setores estão organizando seus arquivos, aplicando os instrumentos de gestão com meu auxílio. Então foi uma conquista, porque no início fui rejeitada por ser uma profissional que eles desconheciam… Depois vendo os resultados, foram entendendo que o trabalho funciona, que é bom. Mas é muito trabalho e “euquipe” não dá conta sozinha!

     A chefia do protocolo foi alterada e o trabalho de gestão documental foi interrompido… Nesse período a SUSEPE começou um projeto com a PROCERGS para a reformulação do site e intranet. A chefia da DTI (Divisão de Tecnologia de Informação) soube que tenho especialização em gestão em tecnologia da informação e convidou-me a integrar a divisão. Esse projeto seria um trabalho com início, meio e fim e eu poderia dar continuidade ao meu trabalho de gestão documental. Peguei minhas coisas e fui bem feliz!

     Em três meses concluímos o site e em maio deste ano a intranet da instituição. Pude agregar o conhecimento que tinha dos setores, criamos formulários eletrônicos para facilitar o fluxo de informação… Esse projeto foi muito legal, já conhecia o pessoal e todos foram bem receptivos e participativos nas sugestões para a intranet. Hoje na DTI atuo com os colegas no desenvolvimento de POPs (Procedimentos Operacionais Padrão) e projetos na área.

    Quanto à gestão documental, quando a atual gestão compreendeu meu trabalho, passei a ter maior credibilidade. Já fiz consultorias, conforme demanda, nas delegacias e presídios do interior, não fico só no órgão central! Desenvolvi um “pacote padrão” com formulário requerendo informações sobre o estado da documentação entre outros dados, plano de classificação, tabela de temporalidade e uma apresentação básica sobre os procedimentos de gestão documental. Eles começam a aplicar os instrumentos e quando tem dúvidas entram em contato.

    Desde março deste ano, com os estagiários trabalhando no arquivo, estamos aplicando a tabela de temporalidade. Liberamos espaço, temos dois computadores, as lâmpadas queimadas foram trocadas e a sala é limpa regularmente. Os colegas dizem: “Nossa, tu conseguiu muito em pouco tempo!” e eu penso: “Poderia ter conseguido muito mais!”. A diferença entre o público e o privado é a cultura, porque quando as pessoas entendem, o trabalho funciona. No desenvolvimento do meu trabalho sempre registro tudo e dou ciência para meus superiores.

    Quanto ao apoio externo, sou muito satisfeita com a assessoria da equipe do SIARQ/RS do Arquivo Público. Isso é importante, pois trabalho sozinha e são 14 mil processos cadastrados anualmente só na SUSEPE. Algumas vezes deparo-me com situações que necessitam debate técnico para classificar a informação corretamente e a equipe do SIARQ/RS do Arquivo Público me assessora totalmente. Eu ligo, mando email e sempre me retornam, às vezes questionam… E isso é bom, mostra o interesse em ajudar, é um apoio, uma troca!

    Ao fazer um paralelo entre o público e o privado vejo um diferencial em dotação orçamentária. Quando uma empresa privada contrata um arquivista é porque realmente quer que o trabalho seja executado, ela quer resultado e prazo. E todos os recursos que solicitares, se justificado, será viabilizado. No público as pessoas entendem, mas o retorno demora para acontecer.

     Hoje percebo que sou valorizada, sabem que trabalho, que tenho resultado. Sinto-me uma profissional realizada! Gosto que as pessoas reconheçam meu trabalho. Mas sempre digo: “Para trabalhar em arquivo tem que ter autoestima”. Tanto no público quanto no privado o arquivista tem que ser interessado, persistente e gostar do que faz. Sabe aquele dizer “Ensina-me de várias formas e de várias maneiras que eu vou aprender”? Aplico isso direto. Tem pessoas resistentes, mas quando vêm os resultados obtidos pelos outros, se interessam. Como arquivistas, trabalhamos direto com as pessoas, temos que respeitar os perfis de usuários…

     Bom, nas minhas horas vagas sou a mãe do Augusto! Ele é a melhor, a maior, a mais difícil, a mais complexa das coisas que já fiz na vida! Exige uma atenção, monitoramento constante. Educar, ensinar valores é complicado, e demanda tempo, sou extremamente preocupada com isso. Eu abro mão de muitas coisas para ficar com ele, brincar, levar na pracinha… Levo-o na Bienal, no teatrinho, na feira do livro, na Redenção! Ele me renova! Descobri-me uma pessoa melhor depois que fui mãe. Ele e meu marido são meus companheiros em tudo que eu faço! Gosto de ler, happy hour e de ir ao Olímpico com as amigas. Jantinhas básicas… Não sei cozinhar, gosto de comer! Fico pensando: “Meu filho vai dizer: nossa, minha mãe faz a melhor lasanha congelada do mundo, tira no ponto certo!”. Mas isso é uma coisa que tenho que trabalhar.

     Para o futuro penso em continuar a fazer concursos melhores, porque acredito que nossa carreira é muito boa, gratificante, mas a remuneração não condiz com nossas atribuições. Tenho planos de morar fora e voltar a fazer trabalho voluntário.

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