Entrevista com Jonas Moreira Vargas – parte II

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Na semana anterior, Jonas Vargas encontrava-se explicando as metodologias empregadas nos seus trabalhos.

Bom, uma questão que eu acho importante é que tu utilizas bastante fontes menos visitadas pelos historiadores, como os processos de liquidação, as ordinárias e com isso tu encontras cobrança de salários de trabalhadores livres, rendimento da empresa charqueadora, aquisição de escravos, cartas, dinâmicas e conexões do comércio. Então eu queria te pedir para falar um pouco sobre o potencial inexplorado do Arquivo Público.

É verdade. Foi uma documentação que, no início, eu estava muito receoso de mexer porque eu vi nos catálogos que era muita coisa e ninguém, praticamente, utilizava, e esses processos da vara cível e comércio, nossa, é uma mina de ouro! Muita coisa… Eu lembro quando eu terminei a tese eu pensei “depois eu vou voltar nisso porque tem muita coisa bacana”, é fazendeiro cobrando charqueador por gado que não foi pago, trabalhadores cobrando salários que não foram pagos e coisas do tipo. Os processos de falência ajudam a visualizar como as famílias administravam internamente os negócios das charqueadas. Eu acho impressionante como tem documentos desses fundos e que eu acho que precisam ser melhor explorados; as contas de tutela também, as gavetinhas que tem ali, que passaram muito tempo procurando, tem tipos de processos que eu nem sei para quê que serve. As vezes, eu pedia para dar uma olhada e encontrava informações preciosas e acabava usando. Mas, esses documentos que tu falaste, eu não cheguei a usar eles de forma sistemática, eu lembro que eu ia abrindo e abrindo, porque no final da tese a gente já está correndo né, e eu focava só naqueles que tinham charqueadores com o meu interesse, mas tem muita, muita coisa; comerciante inglês cobrando liquidação de firmas comercias daqui, o Mauá aparece muito na documentação, acho que não tem como alguém escrever sobre o Mauá e não dar uma olhada nesses processos que tem aqui. Ele estava envolvido com firmas exportadoras de couro e charque e importadoras de sal. Foi um cara importante naquele sistema mercantil. Mas, eu ainda tenho a esperança de voltar e tentar dar conta disso (risos).

Outra coisa que me chama a atenção no teu trabalho foi que tu verificas que alguns dos charqueadores mais ricos de Pelotas tem fortunas que estão par a par com os caras mais ricos do Império. E a impressão que tenho, que ia te pedir para falar um pouco sobre isso, é que essa é uma descoberta muito importante que não adquiriu a repercussão necessária, não sei se tu concordas comigo em relação a isso.

2019.09.11 JonasEntão, Rodrigo, eu migrei da história política para a história econômica um pouco porque eu não tinha muita interlocução na política, nos últimos anos está se estudando muito a política no século XIX e como eu fiz o doutorado lá no Rio tem muito dessas discussões da história econômica sendo realizadas. Analisando os inventários aqui do Arquivo eu pude perceber que tinha um grupo de charqueadores muito ricos e daí comparei com o de outras elites, cafeicultores, senhores de engenho, comerciantes, os de Pelotas tinham grandes fortunas mesmo. Então, o pessoal lá apresentava nos eventos e eles achavam algo bastante interessante, mas aqui no Rio Grande do Sul, como a história econômica está em queda já faz muito tempo, o pessoal não deu muita importância para essa descoberta que, de fato, tu tens razão, porque verificar que alguns setores estavam produzindo para o mercado interno com propriedades bem menores que as do centro do país, as fazendas de café e os engenhos e tal, conseguiram acumular fortunas muito próximas das elites desses grandes centros é algo muito importante, assim, na minha opinião, porque reverte um pouco daquelas explicações mais clássicas dentro da história econômica, a gente pode pegar Caio Prado Júnior, Celso Furtado, enfim; de que o grosso da riqueza no período era gerado pela agro exportação. Então, eu apresentava em alguns eventos no centro do país e o pessoal “poxa, fabricante de carne seca ganhava tanto dinheiro assim?”, mas mostra os inventários e tudo, não dava muito dinheiro, mas também tem que ser colocado que é um grupo de famílias que conseguiu acumular suas fortunas, bastante em detrimento de outras famílias charqueadoras que foram quebrando ao longo do período e também de que esse grupo que conseguiu acumular é um grupo que também atuava no comércio, no comércio marítimo. Então é uma riqueza que ela vem da produção sim do charque, mas ela também vem do comércio e também vem do preço do gado. Então, são famílias que eu chamo de empresas familiares, que diversificavam seus negócios e que deixaram uma grande fortuna para os seus herdeiros, enfim… A concentração de riqueza no município também era muito grande. Isso era no Brasil inteiro e acho que meu trabalho ajuda a mostrar a reprodução dessa desigualdade social ao longo do tempo. E essa riqueza também foi acumulada a partir da exploração dos trabalhadores escravizados, né. No final da década de 1870 Pelotas tinha uma das maiores concentrações de cativos do sul do Brasil. Quando acabou a escravidão, o número de charqueadas despencou de quase quarenta para menos de quinze estabelecimentos.

E quais documentos tu estás pesquisando agora no Arquivo Público?

Então, eu estou me dedicando mais a pesquisa nos processos criminais mesmo.

De Pelotas?

De Pelotas. Um projeto que eu estou quase finalizando e pretendo escrever um texto, é de localizar trabalhadores negros nas charqueadas do imediato pós-Abolição. Alguns certamente já eram trabalhadores nas charqueadas no período da escravidão. Claro que é bem difícil delimitar isso, mas eu achei que não ia encontrar muita coisa, eu analisei uns dez anos depois da abolição e encontrei e estou encontrando bastante coisa, acho que vai dar um artigo legal. E uma coisa que eu faço muito aqui, tu sabes que dou aula na UFPEL e os alunos gostam muito dessa fonte e eu estou ajudando eles, orientando TCC e aí eles dizem o tema que eles querem pesquisar, eu venho aqui, procuro, fotografo e levo para eles lá. Inclusive eu estava aqui fotografando, né? Tem uma aluna que está tentando estudar feminicídio em Pelotas no século XIX ou algo desse tipo e aí eu encontrei uns processos para ela e estou fotografando. Eu costumo fazer isso, porque não tem como ele vir para cá, gastar com hospedagem, alimentação e tal. Eu gosto de plantar essa sementinha da pesquisa neles, eu vejo que eles curtem e eles não têm como vir, então eu ajudo nesse sentido. Então, eu acabo pesquisando para mim e fotografo algumas coisas para eles também, na medida do possível.

Então tá, Jonas. Essas eram as questões, muito obrigado!

Eu que agradeço, muito obrigado!

Entrevista com Jonas Moreira Vargas – parte I

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Jonas Moreira Vargas é professor no departamento de História da Universidade Federal de Pelotas. Graduou-se em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2004 e defendeu seu mestrado na mesma instituição em 2007 (dissertação premiada no concurso de teses e dissertações da ANPUH – RS, em 2008). Defendeu sua tese de doutorado em 2013, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (menção honrosa do concurso de melhor tese de doutorado da Associação Nacional de História no biênio 2013-2014). De volta à UFRGS, realizou estágio pós-doutoral entre 2014 e 2015. Sua dissertação e sua tese foram publicadas: “Entre a Paróquia e a Corte – os mediadores e as estratégias familiares da elite política do Rio Grande do Sul (1850-1889)” (Editora UFSM / ANPUH, 2010) e “Os Barões do charque e suas fortunas. Um estudo sobre as elites regionais brasileiras a partir de uma análise dos charqueadores de Pelotas (Rio Grande do Sul, século XIX)” (Óikos, 2016).

– Jonas, queria te pedir para falar um pouco da tua trajetória profissional e das principais pesquisas que tu realizaste.

Então, eu considero que o meu primeiro grande trabalho com fontes e com arquivos, início da trajetória profissional, foi quando eu fui estagiário do Memorial do Judiciário aqui no Rio Grande do Sul. Eu lembro que escolhi estudar os juízes de direito no Rio Grande do Sul, os magistrados, fazer uma prosopografia dos juízes de direito que atuaram na província entre 1833 e 1889, ver a prática mesmo da Justiça no cotidiano. E aí eu tive contato com o meu primeiro acervo que foi o Arquivo Histórico, nessa ocasião eu conheci o Paulo Moreira e a gente sabe que o Paulo, se tu conversas com ele um pouco, ele te dá várias dicas, se empolga e tudo. E aí eu acabei vindo pesquisar aqui no Arquivo Público, que nesse primeiro momento eu não utilizei muito as fontes do Arquivo. Logo depois eu entrei para o mestrado na UFRGS e aí eu já tinha esse meu interesse de estudar as elites, né? Acho importante estudar elas porque as decisões que elas tomam afetam um grupo muito maior de pessoas, acabam afetando nossas vidas, com projetos muitas vezes contrários ao da maioria da população. E aí no mestrado eu trabalhei basicamente com as famílias da elite política daqui do Rio Grande do Sul, na segunda metade do século XIX, até o fim da Monarquia. E depois, no doutorado, continuei o meu interesse pelos estudos das elites, mas em vez de estudar, digamos, os mais poderosos relacionados a política, eu tentei investigar as famílias mais ricas, aí eu fiz um recorte sobre os charqueadores em Pelotas. Aí foi um trabalho, que aí sim, o Arquivo Público foi a minha segunda casa, porque eu pesquisei muito aqui e foi fundamental para a minha tese. Entre o mestrado e o doutorado, eu fui professor substituto em Santa Maria na federal, aprendi muito lá. E ainda depois do pós-doutorado na UFRGS, eu comecei a pesquisar um pouco o caudilhismo, o pós Revolução Farroupilha e logo depois eu fui para UFPEL, que é onde eu estou. Mas, basicamente, eu destacaria isso.

E qual é a importância das fontes do Arquivo Público nas suas pesquisas, principalmente no doutorado que tu mencionaste que tem uma base mais forte no Arquivo Público?

2019.09.04 Jonas

Eu gostaria de começar respondendo essa pergunta falando um pouco da minha pesquisa de mestrado, porque eu acho importante, né? Porque a princípio se tu examinares o rol de fontes que tem no Arquivo Público, tu achas que não dá para se trabalhar com história política. Mas, como no mestrado eu estava predisposto a fazer uma história social da política, porque muitos da historiografia tradicional trabalhavam só com o anais da Assembleia, com imprensa, com o programa dos partidos e eu achei que outros tipos de documentação poderiam ser possíveis de ser tratados, a partir do ponto de vista da história social da política. Então utilizei processos crimes, inventários de Deputados, crimes em que os escravizados deles estavam envolvidos, ações que eu encontrei aqui para o alistamento eleitoral, então, eu comecei a perceber a riqueza da documentação daqui. Os inventários e os processos crimes são os que eu mais gosto. E aí já com essa experiência no doutorado, sim, como eu estava focando mais nas famílias mais ricas de charqueadores, eu pesquisei muito aqui os inventários post-mortem em Pelotas para fazer uma estrutura de posse dos cativos, os níveis de riqueza, o perfil dos investimentos dessa elite e analisar o patrimônio da população pelotense no período, mais na segunda metade do XIX. Os processos crimes também; crimes envolvendo escravizados nas charqueadas eu pesquisei muito aqui também. E os registros notariais de compra e venda, muita coisa, nossa… Essa documentação foi importante pra mostrar que as charqueadas de Pelotas não perderam escravizados para os cafezais do sudeste como se defendia. E aí ajudou a traçar então esse perfil socioeconômico da população pelotense, esses movimentos desses padrões no tempo e tal. Então, foi fundamental, eu tive aqui a minha tese e ela não teria surgido se não fosse a documentação aqui do Arquivo.

– Eu queria te pedir para falar um pouco sobre as metodologias que tu utilizaste…

Então, tanto no mestrado, como doutorado, eu fui fortemente influenciado pela micro-história italiana, principalmente pelos textos do Giovanni Levi, sobre estratégias familiares, mercado de terras, mediação política. Mas, eu destacaria assim, mais o método da prosopografia que, para quem não sabe é a análise de diversas biografias de um grupo em comum buscando tentar traçar um perfil coletivo deste grupo a partir de um questionário, uma origem social, trajetória, carreira, padrão de recrutamento, casamento, relações familiares e a partir do mestrado eu comparei então a elite do Partido Conservador com o Partido Liberal; se tinha uma ideia na historiografia que o Partido Liberal representava os interesses dos estancieiros da região da campanha e a partir do método prosopográfico eu mostro que isso não acontecia, o Partido Conservador estava muito presente na campanha e se tem um partido que representava os interesses dos estancieiros foi mais o Conservador. E no doutorado, esse método, eu utilizo também para ver o que diferenciava as famílias mais ricas de charqueadores das menos ricas, no caso. Qual seria, talvez, brincando, né, o segredo dessa… por que um grupo de famílias estava no topo dessa hierarquia social e conseguia de uma geração para outra reproduzir essas estruturas patrimoniais e comportamentais, e enfim…? E também um método que eu gosto bastante é a análise de redes sociais que eu uso muito. Na política é muito importante as relações que os parlamentares tinham com outras famílias de outras províncias do interior, como eles manejavam isso para ganhar as eleições e aí as correspondências é uma fonte muito importante para essa metodologia, eu acabei explorando ela mais lá no Arquivo Histórico. Acho que é importante o historiador cruzar vários métodos, né. Dependendo do objeto de pesquisa, das fontes e tal.

Confira a continuação da entrevista com Jonas na próxima semana!

Visitas guiadas ao APERS – Janeiro 2014

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No mês de janeiro foram realizadas 03 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 09: Ana Carla Sabino Fernandes, professora do Departamento de História da Universidade Federal do Ceará, a qual esteve no APERS para desenvolver sua pesquisa sobre história e arquivos; e Tatiane Vargas, assistente de arquivo da UNILASALLE.

Dia 14: 35 alunos do 2° semestre do Curso de História da Universidade Federal de Pelotas – UFPEL, acompanhados pela professora Márcia Janete Espig, que ministra a Disciplina de Educação Patrimonial.

Dia 27: 8 alunos da Turma Básica da Escola de Fotografia FLUXO, acompanhados da professora Rochele Zandavalli. Os alunos tiveram uma aula prática nas dependências do APERS.

Guias: José Gonçalves Araújo, Maria Lúcia Ricardo Souto.

Visitas guiadas ao APERS – Novembro

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No mês de novembro foram realizadas 06 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 06: 18 alunos do Curso Profissionalizante Jovem Aprendiz da ESPRO, acompanhados pelas professoras Ana Paula Madruga e Fabiane Silveira.

Dia 06: 12 alunos da Escola Indígena de Ensino Fundamental Karaí, acompanhados pelo professor Daniel Santos, que ministra a disciplina de História.

Dia 12: Paulo Fernando da Silva Mitidieri, da Brigada Militar de Alegrete, interessado na história das famílias italianas.

Dia 12: Alexandre Rambor Corrales do Curso de Cinema – Cena 1 – que funciona nas dependências do Museu José Hipólito da Costa.

Dia 14: 03 alunos do 1° semestre do Curso de Biblioteconomia da UFRGS. A visita estava relacionada à disciplina de Introdução às ciências da Informação, ministrada pela professora Helen Rozados.

Dia 30: 23 alunos entre o 4° e o 8° semestre do Curso de História da UFPEL, acompanhados pela professora Ana Inez Klein.

Guias: Iara Gomide Machado, José Gonçalves de Araújo e Maria Lúcia Ricardo Souto.

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Visitas guiadas ao APERS – Agosto

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   No mês de agosto foram realizadas 09 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 16: 18 alunos do 5° semestre do Curso de História da UFPEL, acompanhados da professora Elisabete Leal.

Dia 19: As alunas Victória Reina Caminha e Ana Victória Schwengber, da Escola Técnica Ernesto Dorneles.

Dia 23: 19 alunos do 7° ano do Ensino Fundamental, da Escola Professor Leopoldo Tietböhl, acompanhados pelos professores Maria Lúcia e Maurício Oliveira Dias.

Dia 24: 12 alunos do 1° semestre do Curso Técnico em Biblioteconomia, do Instituto Federal Rio Grande do Sul (IFRS), acompanhados pelo professor William Gontijo Silva, que ministra a disciplina de Organização de Materiais e Arquivos.

Dia 24: 07 alunos do último semestre do Curso Técnico em Secretariado, do IFRS, acompanhados pela professora Gleide de Oliveira.

Dia 24: 34 pessoas do Grupo Escoteiro da Associação dos Profissionais em Telecomunicações e Tecnologia da Informação (ASTTI), acompanhados pelo Coordenador do grupo Jeferson Lima.

Dia 26: Olga Maria Mata Fagundes Nunes, professora de História da 13ª Coordenaria Regional de Educação do município de Bagé.

Dia 29: Krzysztof Smolana, historiador polonês e professor universitário e dirigente do AAN – Archiwum AKT Nowych, em Varsóvia, e Wilson Rodycz, Cônsul Honorário da República da Polônia em Porto Alegre. O historiador está visitando Arquivos brasileiros que contenham acervos relativos à imigração polonesa.

Dia 29: 6 alunos do Curso de História da ULBRA – Canoas, acompanhados pela professora Evangelia Taravanis.

Guias: Carlos Henrique Armani Nery, Iara Gomide Machado, José Gonçalves Araújo, Maria Lucia Ricardo Souto e Rosemeri Franzin Iensen.

Aconteceu no APERS: II Jornada – 2º Dia de evento!

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     Continuando nossas postagens sobre a II Jornada de Estudos sobre Ditadura e Direitos Humanos, hoje falaremos sobre o segundo dia de evento (25/04, quinta-feira), além de trazer o depoimento da participante Cláudia Maia, acadêmica do curso de história da Faculdade Porto-alegrense (FAPA).

    Na quinta iniciamos às comunicações, espaço de apresentação de trabalhos acadêmicos dos variados níveis de graduação oriundos de diversas cidades e estados. Elas aconteceram em dois locais dentro do APERS, como alternativa para viabilizar um número maior de trabalhos apresentados. Assim, além do Auditório, já utilizado normalmente para atividades como essa, adaptou-se o espaço da Sala de Pesquisas, que ficou fechada excepcionalmente para manuseio dos acervos, de maneira a receber sessões de comunicações e debate. Essa atividade começou às 09h da manhã, com intervalo para o almoço e retomada às 13:30h, e estendeu-se até as 15:30h.

     Às 16h teve inicio a mesa redonda A imprensa como trincheira: denúncia e resistência, que contou a participação do jornalista Elmar Bones (CooJornal e Jornal Já) e do cartunista Santiago, com coordenação do Prof. Gerson Fraga, da UFFS. Os palestrantes abordaram o papel da imprensa e a atuação dos profissionais da área durante a ditadura civil militar a partir de suas experiências, comentando também a importância da democratização do acesso à informação e ampliação dos incentivos para mídias alternativas hoje, quebrando monopólios de grandes mídias e buscando garantir espaço para múltiplas posições e opiniões nos meios de comunicação.

     O turno da noite começou com uma surpresa especial: contamos com a saudação especial de Adelaide de Alayde, integrante do movimento argentino Madres de Plaza de Mayo, que viera a Porto Alegre para outro evento da área e brindou-nos com sua presença, trazendo um pouco da experiência e persistência das mães do país vizinho, que seguem insistentemente procurando por seus filhos desaparecidos pela Ditadura. Em seguida teve início a segunda mesa redonda do dia, Brasil: mídias e ditadura, com Carla Luciana da Silva, Prof.ª de História da UNIOESTE, e Nilo Piana de Castro, Prof. do Colégio de Aplicação da UFRGS, sob coordenação da Prof.ª Alessandra Gasparotto, da UFPel. Luciana abordou a relação da Revista Veja com a Ditadura e seus posicionamentos político-ideológicos, explicitando o espaço dado pelo periódico aos militares e suas versões da história em relação aquele período mesmo após a abertura política e redemocratização, mostrando o quanto estavam comprometidos com a defesa desta posição e de um ideal neoliberal e reacionário. Já Nilo falou a respeito da Rede Globo, narrando a história da emissora e apresentando diversas evidências que a ligam ao regime militar, demonstrando o quanto cresceram e se beneficiaram neste período, defendendo. Foi uma mesa riquíssima, densa de informação e com amplo debate!

     Agora apresentamos parte da conversa que tivemos com a participante Cláudia Maia:

APERS: Como tu ficaste sabendo do evento? O que mais te chamou a atenção até agora?

Cláudia: Fiquei sabendo da atividade pelo site do APERS. O assunto é por si só interessante e indiferentemente de ser ou não estudante de história, o tema nos desperta curiosidade. As apresentações chamam muito atenção por sua diversidade temática, além disso temos a oportunidade de escolher entre diferentes apresentações que ocorrem paralelamente. Até o momento o que mais chamou minha atenção foram as apresentações relacionadas à memória local, que auxiliam a compreender o que estava ocorrendo no período da ditadura militar. Destaco a importância do depoimento da madre da Praça de Maio, cujo relato permitiu uma melhor compreensão dos fatos na Argentina.

APERS: De que modo os conhecimentos adquiridos na II Jornada serão uteis na tua vida acadêmica?

Cláudia: Desde o inicio da Jornada observei diferentes casos e relatos que tenham grande importância para meu desenvolvimento acadêmico. Sendo o assunto atual os exemplos são importantes para uma melhor compreensão do período e para a desconstrução das abordagens feitas pela mídia. A mídia assim como influencia hoje, influenciou muito no período ditatorial, o que nos permite traçar um paralelo entre o passado e o presente, observando mutações e permanências.

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Visitas guiadas ao APERS – Fevereiro

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No mês de fevereiro foram realizadas 03 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 01: Olga Luísa Herbertz, estudante do 4° semestre do curso de Arquivologia da UFSM. Olga estava interessada em conhecer a posição e a atuação do APERS, no sentido de seu funcionamento, dentro da estrutura administrativa do Estado.

Dia 06: 28 pessoas participaram da visita guiada noturna, promovida pelo Sr. Jorge Pique, da Agência de Inovação Social – UrbsNova. Durante a visita, os participantes tiveram a oportunidade de contemplar o panorama do APERS à noite, além de conhecer o início do túnel que inicia nas dependências do Arquivo e, supostamente, dá acesso ao Palácio Farroupilha.

Dia 19: 25 alunos dos 2° e 3° semestres do curso de História da UFPel, acompanhados pelas professoras Ana Inez Klein e Márcia Espig, que ministram, respectivamente, as disciplinas de Organização de Arquivos Históricos e Educação Patrimonial.

Guias: Carlos Henrique Armani Nery, Maria Lucia Souto e Jose Gonçalves de Araújo.

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