Entrevista com Luís Augusto Ebling Farinatti – parte II

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No trecho da entrevista publicado na semana passada, Luís Augusto Farinatti falava sobre alguns empregos não tão usuais de fontes primárias, a exemplo das escrituras. Da mesma forma, ele seguiu, relatando o uso serial de processos criminais:

Outra questão que eu acho importante no teu trabalho, me chama muito a atenção, o uso serial e quantitativo dos processos criminais que geralmente o uso que se faz é qualitativo, né?

É, eu para estudar os peões, por exemplo, foi bem importante para mim. Porque a gente não tem censo, mapas de população como tem para a capitania de São Paulo, por exemplo, ou censos detalhados como o pessoal do Rio da Prata tem em que tu tens a profissão e a idade. E eu precisava construir uma caracterização social, um perfil social, que alguns grupos como os dos peões que é muito fugidio. Realmente, se tem menos informações sobre eles do que trabalhadores escravizados, por exemplo, por conta do próprio sistema escravista, já que eles não eram inventariados e considerados propriedade, como infelizmente os trabalhadores escravizados eram. E então os testemunhos, a caracterização, a qualificação das testemunhas e dos réus nos processos criminais me dava essa oportunidade, porque ali apareciam conjugadas informações como nome, idade, origem, a naturalidade, o estado civil e a profissão. Então eu podia verificar, por exemplo, que os peões eram em maioria jovens e maioria solteiros, muitos deles não eram considerados brancos porque para quem construiu a fonte eram considerados pardos ou índios, ou chamados de pretos na fonte. E também pude observar que era um perfil diverso dos pequenos produtores, que eram chamados de criadores ou lavradores nas fontes e que já eram casados, com mais de trinta anos. Então a minha conclusão um pouco foi que, pelo menos, parte desses peões não eram homens soltos, eles estavam inseridos dentro de um ciclo de vida familiar, porque ou morriam todos aos 30 anos ou alguns deles se tornavam pequenos produtores. Então a peonagem fazia parte para uma parte dos peões de uma diversificação da estratégia produtiva dos pequenos lavradores, mas eu só pude ver isso utilizando de forma serial os processos criminais.

Bom, queria te pedir para falar um pouco sobre esse teu projeto paralelo literário, sobre como isso incide sobre a tua escrita historiográfica.

2019.07.03 FarinattiEu na verdade, apesar de só ter publicado literatura de ficção agora, eu escrevo desde sempre e antes de ser historiador eu já escrevia literatura. Eu escrevi um livro de contos e não publiquei por razões diversas, muito por culpa minha. Depois veio o doutorado em história e uma necessidade de uma especialização da leitura, inevitável. Eu fiquei com um interregno literário dos quatro anos do doutorado. E depois voltei a fazer as duas atividades paralelamente, até que agora publiquei o primeiro livro de literatura. Eu te confesso que não é muito simples não, assim, porque são duas formas de raciocinar que para mim não são semelhantes. Elas tem semelhanças, mas tem suas especificidades. Eu admiro muito historiadores que conseguem ser muito literários na sua forma de escrita e eu acho que fico a dever muito. O que acontece é o contrário, eu tive dificuldade de construir qualquer projeto literário que envolvesse um passado que alguém vivo hoje não pudesse lembrar, oitenta anos para trás. Porque eu sempre tive medo que o historiador amarrasse o escritor, porque é preciso uma certa fluidez das ideias para escrever. E eu às vezes ficava pensando que eu ia escrever uma coisa que se passasse em 1900 e o historiador ia dizer “não, esse conceito não era usual, isso não existia”, mas, eu hoje estou com um projeto literário que é escrever uma peça literária, talvez uma novela ou só contos, não sei, nesse período. Então é um desafio para mim, eu estou integrando essas duas áreas, vou ver o que vai acontecer. Tá numa fase bem experimental, porque tu bem sabes, como historiador, que esses documentos do passado nos levam a enredos muito interessantes para ser base de possibilidades literárias, então, acho que vou tentar essa aventura.

Mas eu acho, se me permite te dizer, que o teu trabalho, os teus títulos, teus subtítulos, teus capítulos, teus subcapítulos têm nomes bem sonoros. Eu percebo uma presença literária que não percebo na maioria dos historiadores…

Talvez. É, os títulos eu gosto, início de capítulos principalmente, o início do livro. Eu tenho um amigo que diz que o livro promete ser muito mais interessante, o livro de história, da tese, “Confins Meridionais”, promete ser mais literário do que é porque ele inicia de uma forma literária e depois são muitas tabelas e gráficos. Mas, talvez pela metodologia que eu usei muito tempo, né? A metodologia serial, ela é mais descritivo-analítica do que narrativa, ainda que sempre será narrativa, é claro. Mas, sem dúvida, agora que você falou talvez interfira mais do que eu queira admitir.

Eu acho que sim. Já que tu falaste desse trabalho mais recente, eu queria te pedir para falar um pouco sobre esse êxodo rural historiográfico, sobre teus projetos mais recentes tanto do ponto de vista metodológico, como a questão das fontes. Tu estás voltando para o Arquivo Público, como é que o Arquivo entra nisso?

Bom, eu me interesso muito por uma combinação de história serial com análise micro-histórica, acho que ela é possível, tento praticar em termos metodológicos. E eu trabalhei vinte anos na sociedade rural da fronteira sul do Brasil. Alain Corbin em uma entrevista, historiador francês, disse que a gente tem que mudar de tema a cada dez anos para se apaixonar de novo.i Eu não sei se é exatamente isso, mas eu sempre tive uma interrogação muito forte sobre o mundo urbano, apesar de estudar o mundo rural. O mundo urbano sempre foi algo sobre o que eu li em literatura, antropologia, li urbanismo, sempre foi algo que esteve presente nas minhas indagações sobre o mundo. Agora eu resolvi então levar os meus instrumentos de historiador para uma análise do mundo urbano. Para me aproximar disso, eu estou com um projeto utilizando uma metodologia que eu conheço. Já que eu estou indo para um tema novo, achei prudente me aproximar da cidade a partir de uma metodologia que eu conheço. Estou trabalhando com uma história socioeconômica de Porto Alegre, na segunda metade do século XIX. Porto Alegre tem uma historiografia riquíssima, interessantíssima, sobretudo no que se trabalha com a cidade, com urbanidade e com a ampliação da pobreza, do controle social sobre a pobreza, da criminalização da pobreza, há uma tradição de estudos sobre isso. Muitos bons estudos sobre o pós-abolição também em Porto Alegre, sobre escravidão urbana em Porto Alegre. Mas, eu senti a falta de estudo mais estruturais sobre Porto Alegre: passou a moda dos estudos estruturais e Porto Alegre passou em silêncio. A gente tem sobre Alegrete, tem sobre Santa Maria, tem sobre Pelotas e não tem sobre Porto Alegre. Ela está conectada a isso que se chamou a Primeira globalização ou a Segunda revolução industrial… E como uma capital periférica se insere nesse mundo e como os estímulos econômicos e estruturais são socialmente metabolizados por uma configuração social que é sempre específica? Eu formularia assim a minha pergunta. Para me aproximar começo a trabalhar com os inventários post mortem, num trabalho que é metodologicamente nada inovador, mas que eu possa fazer comparações, é um projeto para dois ou três anos, para eu tomar conhecimento da cidade e aí fazer um projeto mais vertical que ainda vou decidir qual é. As minhas interrogações passam por espaço urbano e configuração do espaço social e como esse espaço social pode ser descontínuo, pode ser heterogêneo de cidade para cidade. Apesar de eu usar uma historiografia ligada lá à segunda fase dos Annales na metodologia, eu tenho horizontes fortes, por exemplo, de um historiador italiano Maurizio Gribaudi, de enxergar a cidade não apenas como espaço urbano, mas como um espaço social que é organizado de formas muito diversas, cujas combinações dessas formas e suas dinâmicas vão formando o “urbano”. É nesse sentido que eu quero estudar Porto Alegre e os inventários Post mortem são a primeira coleção que eu investigo estão aqui no Arquivo Público. Voltei e estou bem feliz de novo de estar aqui.

Tá certo! A gente está bem feliz também de te receber aqui. Agradeço pela muito boa entrevista, valeu.

Obrigado.

i A entrevista referida encontra-se no seguinte link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882005000100002

APERS Entrevista: Luís Augusto Ebling Farinatti – Parte I

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Luís Augusto Ebling Farinatti é professor na Universidade Federal de Santa Maria. Graduou-se em Direito (1993) e História (1997) na Universidade Federal de Santa Maria, tendo defendido seu mestrado em 1999 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e seu doutorado em 2007 na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Publicou sua tese “Confins Meridionais” (Editora UFSM, 2010) e um livro de contos, “Verão no fim do mundo” (Modelo de nuvem, 2018).

Queria te agradecer por participar desta entrevista e te pedir para falar um pouco sobre a tua trajetória de pesquisa e o papel das fontes do Arquivo público nessa trajetória.

Bom, eu… o Arquivo Público teve uma função iniciática, eu diria na minha trajetória, porque quando eu fiz a graduação, na universidade onde eu estudei ainda não havia uma grande tradição de Iniciação Científica. Eram alguns grupos, mas não era muito difundido e eu vim até o Arquivo Público sem conhecer muito, ainda estava na graduação, as fontes e o que tinha em cada arquivo, em Porto Alegre. O primeiro arquivo que eu bati para conhecer, para explorar, foi aqui. Eu lembro que a servidora do Arquivo me disse: “São vinte milhões de documentos, rapaz. O que tu quer, afinal de contas, me explica?” E bateu assim… Eu acabei fazendo o meu mestrado com história agrária do centro do Rio Grande do Sul, no século XIX e aí eu utilizei os registros paroquiais de terra, que estão aqui, e os inventários post mortem que também estão aqui. Também utilizei alguns processos criminais, foram a base da minha pesquisa. Depois, no doutorado, em que eu estudei a história social e econômica do mundo rural das regiões de pecuária no século XIX, região de fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, as fontes centrais também foram os inventários post mortem e essa coleção como sendo de processos judiciais estão no Arquivo Público. Então é o lugar aonde eu mais pesquisei, pesquisei em vários outros lugares também, mas é o lugar onde eu mais pesquisei e considero sim a oportunidade de ter, para um pesquisador do século XIX e pro XVIII também, para quem pesquisa, reunidos num só lugar, vários municípios. E em uma duração de média a longa, é um privilégio enorme, tanto no ponto de vista da conservação das fontes, de uma política de conservação – porque basta uma, não precisa uma por município – quanto da própria viabilidade da pesquisa. Então eu tenho uma relação que também é quase afetiva com o Arquivo Público, porque, sem dúvida, é o lugar aonde eu mais pesquisei e ainda hoje, na minha pesquisa atual, é principalmente aqui no Arquivo Público. Então tenho uma relação muito próxima.

Uma coisa que chama atenção nos seus trabalhos é que quando tu estudas os lavradores pobres, tu trazes a questão da escravidão e a presença dos escravos. Quando tu estudas a elite, tu trazes a presença dos escravos e dos peões. Quer dizer, tu nunca te desvinculas do estudo dos “de baixo”, digamos assim. Como é que tu vês as possibilidades de relações de uma história da elite e uma história desses ditos “de baixo”?

2019.06.26 Farinatti menorEu acho que tem um pouco também da formação, depois no doutorado que eu tive com o meu orientador que é o João Fragoso e dos debates que a gente tinha. Eu nunca consegui enxergar um grupo social segmentado. Ele está inserido em uma sociedade em relação. Eu fiz um doutorado sobre a elite, sobre classes dominantes, elas não existem sem se considerar em relação com o restante da sociedade. Eu ainda sou um historiador que enxerga relações de dominação, de expropriação, ainda que elas não sejam mecânicas nem simples. Então é preciso colocar em relação. A gente coloca o foco sobre uma categoria, recortada por nós, mas ela está em relação com outros, então para mim é inevitável. Aliás, eu vou te dizer que eu estudo a elite para entender a desigualdade social, para entender as formas de estratificação do espaço social, esse é o meu grande tema. E isso não dá para estudar um grupo só, então é uma questão de como ver a sociedade e a sociedade em movimento.

Uma grande contribuição do teu trabalho, eu creio que é a análise dos peões. Queria te pedir para falar um pouco sobre isso, como é que você chegou nessas fontes…

Eu tenho umas influências aí, eu gosto de citar as influências porque a gente não inventa nada do zero não, da Helen Osório que é professora da UFRGS e do Juan Carlos Garavaglia, historiador argentino, falecido em janeiro do ano passado… que foi meu tutor no doutorado sanduíche, na tentativa de ver maior complexidade num mundo social rural do século XIX das regiões de pecuária, no sul da América. Sempre me incomodou a ideia de que os pobres no Rio Grande do Sul do século XIX, mormente nas regiões de pecuárias, eram homens soltos. Garavaglia tinha uma fórmula irônica para isso, ele dizia: “Unos cuantos varones de ambulantes nacidos no se sabe dónde y cómo”. Porque não teria famílias, não haveria nenhuma forma de produção familiar, campesinato, estratégia familiar dos mais pobres, eram quase anômicos e isso me incomodava muito. O Garavaglia conseguiu mostrar para o Prata, a Helen para o século XVIII e eu acabei partindo em busca da grande pecuária no período da grande pecuária do século XIX na fronteira. Me interessou sempre conectar esses peões a seus vínculos sociais e de tentar compreendê-los dentro de estratégias familiares, de grupos próprios e não sozinhos como homens que oscilam entre o crime e a guerra.

Tem alguns levantamentos que tu fazes, que eu acho que são, não digo inéditos nem únicos, mas não são tão usuais assim na historiografia do Rio Grande do Sul, queria te pedir para falar sobre um pouco sobre eles. Primeiro no teu mestrado tu analisa o preço da terra através das escrituras. Pode falar um pouco sobre isso?

Isso. É, tem também trabalhos fora do Brasil, no Brasil não são tantos trabalhos assim e na Argentina tem um bom grupo que trabalha com isso. Mas acho que é um campo ainda muito por explorar e é aí um exemplo de fonte do Arquivo Público que pode ser mais explorado. Eu, no momento, na pesquisa atual, fiz um êxodo rural historiográfico; estou estudando cidade, ainda de uma maneira genérica, mas uma das possibilidades que eu pretendo trabalhar no futuro, e que sugiro que outros trabalhem, por exemplo, são terrenos urbanos, mercado imobiliário urbano, mercado de terrenos urbanos. Isso me interessa muito e as escrituras públicas são fontes fáceis de pesquisar, no sentido de que são acessíveis e boas de trabalhar, eu acho muito interessante e é uma fonte pouco pesquisada, muito pouco pesquisada.

Acompanhe a continuação da entrevista com Luís Augusto Ebling Farinatti na próxima semana!

APERS Entrevista: Mariana Flores da Cunha Thompson Flores – Parte III

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No trecho da entrevista publicado na semana anterior, a historiadora Mariana Flores da Cunha Thompson Flores vinha explicando as formas como os sujeitos sociais manejavam o espaço fronteiriço, ensejando o questionamento sobre as fontes de pesquisa empregadas.

Trabalhou só com os processos-crime ou trabalhou também com processos cíveis?

Eu trabalhei com processos cíveis, processos-crime, eu trabalhei bastante com ações ordinárias, com ações possessórias, principalmente na dissertação de mestrado. E essas ações ordinárias foram muito interessantes porque elas na grande maioria trazem cobranças de comércio. Especialmente comerciantes que morrem e na abertura do inventário todo mundo com quem ele mantinha dívidas vai abrir suas ações para saldar essas dívidas, o que era normal. Era normal em um comércio que circula sem moeda e que se reproduz no crédito. E normalmente, muitas vezes essa dívida é saldada no momento da morte, quando se abre inventário. Nessas ações ordinárias tu percebes que tem um volume grande de comerciantes cobrando dívidas. Foi bacana, porque eu fui fazendo uma espécie de mapeamento dessas cobranças de dívidas. Quem cobrava de quem. Qual região do estado cobrava de qual região do estado. E aí de alguma forma tu consegues ver quais são as regiões que mais fornecem mercadorias e quais as que mais compram mercadorias. E por aí eu consegui ainda entender um pouco do alcance desse comércio feito pela fronteira oeste. Sabendo que esse comércio era baseado em grande medida por contrabando. E a gente consegue identificar comerciantes lá de Uruguaiana, lá de Alegrete, vendendo para lugares muito distantes. Lugares que estavam muito mais próximos de Porto Alegre. Muito mais próximos de Pelotas e Rio Grande. No entanto, compravam de Alegrete, compravam de Uruguaiana. Que eram muito mais distantes, mas certamente ofereciam um preço muito mais barato. E só ofereciam mais barato porque a mercadoria entrava por contrabando.

Eu acho interessante que essa documentação tem um grande potencial. E os historiadores geralmente se atêm aos processos criminais, aos inventários, mas se apropriando também das possessórias, das ordinárias, eu acho que o teu trabalho é um exemplo de que pode render muito.

Rende, e tem uma outra coisa que eu tenho feito, fincado pé, também, que é as valências dos processos-crime. Eu comento isso muito com meus alunos. Quando a gente fala, pessoa que pesquisa elite, ah, vai olhar inventário. A pessoa que pesquisa populares, vai pesquisar processos-crime. A pessoa tá pesquisando um determinado contexto ou sujeito. Vai olhar os processos-crime pra fazer a pesquisa mais verticalizada, mais qualitativa. Então, essas máximas, elas estão impregnadas no nosso senso comum de historiador. A ideia de que processo-crime é pra acessar camadas populares e a ideia de que processo-crime é pra pesquisas de cunho mais qualitativo. E eu tenho feito essa reivindicação já há algum tempo. É claro que processo-crime te dá uma visibilidade maior de populares. Mas isso também tem que ser visto com olhos críticos, porque essa afirmação, feita de qualquer maneira, é muito perigosa, porque ela vai endossar que, então, populares cometem mais crimes. Eles não cometem mais crimes. Só que sobre eles recai a criminalização. Sobre eles recai o patrulhamento, que não recai sobre a elite. Então naturalmente eles estão mais representados. Segunda coisa, que processos crime é pra análises de cunho mais qualitativo. É claro que nos processos-crime tu tens pessoas falando. Tu tens o discurso das pessoas, por mais que ele seja, a gente sabe, manipulado, manipulado pelo que o Boris Fausto chama manipuladores técnicos, todas aquelas regras de registro de processos-crime que vão tolhendo a redação e tolhendo muitas vezes recortando, editando, as falas dos depoentes, a gente sabe que apesar de tudo isso a gente tem acesso às falas dessas pessoas. É claro que isso nos dá uma qualidade pra um trabalho mais verticalizado que é diferente de outros processos. Por mais que tenham as manipulações, a gente sabe que o processo tem essa riqueza. Agora, além de tudo isso, o que eu tenho reivindicado muito é que o processo-crime é, os processos-crime são uma janela também muito interessante para se acessar elite. Vejam, os ladrões de gado, quem mais rouba gado nos processos que eu recolhi, são estancieiros. São criadores, assim, criadores pensando assim como médios proprietários, estancieiros como proprietários maiores. Mas são criadores com propriedades, que vão roubar entre vizinhos. Do sujeito da propriedade ao lado. Esses são os que roubam em maior número. O popular rouba uma cabeça de gado pra subsistência. Os que roubam muito gado são os proprietários, os estancieiros. Contrabandista. Quem faz o grande contrabando? O grande comerciante. Então o processo crime é também uma janela pra acessar uma classe média e uma elite também. E a outra coisa, nesse sentido então é que, sim, processos-crime servem para essas análises qualitativas, é claro que servem, não é à toa que a gente tem isso impregnado no nosso senso de historiador. Mas processos crime são fontes que se prestam a análises seriais! Elas respondem aos requisitos básicos. São fontes massivas, homogêneas e reiterativas. A gente consegue fazer análise serial com processo-crime. E eu tenho feito. Se pegar os resultados dos trabalhos… Tu vais ver, tem muita tabela, tem muita quantificação. Ivan Vellasco, que é um historiador de Minas Gerais faz isso brilhantemente! Quantifica processo, mapeia processo, faz georreferenciamento pra trabalhar com processo-crime. Eu tenho insistido muito com isso, com os meus orientandos, com os meus alunos. Processo-crime também pode ser tratado como fonte serial, como fonte quantitativa, portanto!

Então tá certo, Mariana, te agradeço pela entrevista, foi bem bacana.

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No trecho da entrevista publicado na semana passada, a historiadora Mariana Flores da Cunha Thompson Flores vinha falando do papel das fontes do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul em sua trajetória de pesquisa.

Tem uma questão que eu achei bastante importante no teu trabalho, que tu dizes que a fronteira não é apenas um cenário, ela é definidora de lógicas. Ela define o formato, o funcionamento de uma série de coisas, não é espaço físico somente.

 Sim, eu faço essa afirmação, embora, se descontextualizada, ela pode ser mal lida e pode nos empurrar pra uma leitura sobre o espaço de fronteira que já está vencida desde o século XIX, que atribui um determinismo geográfico, um determinismo do meio sobre as pessoas, e não é essa a ideia. A ideia é justamente pensar que a fronteira enquanto espaço territorializado, quer dizer, a fronteira que não é um espaço vazio, é um espaço que só existe porque as pessoas fizeram uso dele, se apropriaram dele, fizeram uso, e construíram as lógicas que aquele espaço permite. Então eu tô fazendo essa ressalva só pra deixar claro que tem… Sim, eu entendo que a fronteira é quase que um agente, eu digo isso, a fronteira não é um cenário, a fronteira é um agente, mas ela é um agente porque as pessoas territorializaram aquele espaço. As pessoas instituíram um limite político, justapondo soberanias, justapondo legislações. Os sujeitos fronteiriços apreenderam essas margens e conseguiram estabelecer essas estratégias em suas vivências através da fronteira. Ao mesmo tempo também isso precisa ser dito com certo cuidado, porque também para não incorrer numa total racionalidade desses agentes nas suas condutas. A minha ideia de racionalidade, enquanto eles se valem e estabelecem estratégias é muito mais numa linha Giovanni Lévi, naquela linha de racionalidade limitada, é racional mas é racional dentro do meu cotidiano, dentro do meu costumeiro, e não porque todos os dias ardilosamente eu defino o que eu vou fazer pra sobreviver. Uma coisa muito mais absorvida, orgânica, do que propriamente refletida… Porque a palavra estratégia ela traz um pouco essa carga.

E essa concepção da estratégia no sentido de uma racionalidade limitada está relacionada ao teu conceito, e do Farinatti, de fronteira manejada?

Esse conceito, ele nasceu aqui, no Arquivo Público.

Conta como foi?

Acho que vale a pena. O que havia da minha parte, quando eu comecei a fazer o mestrado, foi quase uma agonia, uma angústia muito grande. Porque toda oferta que eu tinha de historiografia a respeito do conceito de fronteira, que era uma historiografia tributária dos anos 90, de uma ideia de fronteira plenamente integrada, que os fronteiriços formavam grandes “comunidades do ‘nós’”, quase que se opondo aos seus Estados de origem, e tecendo redes bem articuladas nas regiões, quase que dirimindo o limite político que passava por ali. A própria fronteira. Essa é uma historiografia dos anos 90, que é uma historiografia que teve os seus avanços, porque trouxe o lugar da fronteira pro fronteiriço, pra essas redes, venceu uma historiografia tradicional, que pensava a fronteira como um espaço de barreira, limitador de relações, então essa historiografia dos anos 90 ela foi genial. Avançou imensamente. Rompeu com paradigmas que foram importantes. Só que em alguns momentos ela também forçou um pouco. Ela acabou carregando um pouco na interpretação e tendeu para uma integração plena do espaço fronteiriço. E essa era a historiografia que havia disponível quando eu estava fazendo minhas pesquisas. E quando a gente vai pras fontes, eu não consegui enxergar isso nas minhas fontes. Eu percebia sim, que havia essa fronteira, feita pelo indivíduo, pelo fronteiriço, mas eu percebia ao mesmo tempo o papel do Estado, o Estado não era irrisório, inútil, inoperante. Ele tava ali. Adaptado às redes locais, OK, mas ele estava ali. E eu percebia também que aqueles fronteiriços, por mais que tecessem suas redes sociais, familiares, de trabalho dos dois lados da fronteira, eles nunca deixavam de reconhecer estarem de um ou de outro lado da fronteira. Eles nunca deixaram de reconhecer o seu pertencimento, ainda que não fosse um pertencimento nacional, mas o seu pertencimento territorial diante do outro que vinha do outro lado. Eles pertenciam essas diferenças. E isso não combinava com essa historiografia dos anos 90. E essa angústia foi crescendo em mim. E eu também era nova e não achava que eu podia debater com uma historiografia consolidada. Minha angústia exatamente era esta. O que eu vou fazer? Eu vou mutilar as minhas fontes pra tentar fazer caber em um conceito de fronteira que já existe? E em conversas, isso foi um momento muito bacana, também, do Arquivo, como eu falei no início, a gente fez amizade, a gente saía pra almoçar todos juntos, a gente saía pra tomar café todos juntos, e essas saídas eram pra conversar sobre tudo, mas era muito pra falar sobre as pesquisas de cada um, e foi nessas conversas que eu, o Farinatti e a Márcia Volkmer compartilhamos, todos os três estavam com a mesma angústia. Todos os três estavam… “Pois é, que que a gente vai usar então? Que conceito de fronteira a gente vai usar?” E aí eu acho que a gente foi se encorajando também. Os três se encorajaram para dizer “não, se essa historiografia não serve, a gente talvez não tenha o vigor intelectual pra propor um novo conceito, mas a gente pelo menos vai, diante da munição que a gente tem, debater com essa historiografia, dizer o que serve e o que não serve. E isso foi ganhando corpo, até que se formulou, já na dissertação de mestrado eu apresentei uma primeira formulação, o Farinatti também na tese de doutorado dele, logo depois a gente publicou juntos um capítulo avançando um pouco mais nessa discussão, e aí eu acho que o fechamento foi na minha tese de doutorado, a apresentação assim mais bem acabada do que se pensou quando se propôs repensar esse conceito de fronteira e pensar a partir dessa nova perspectiva que a gente batizou fronteira manejada.

E qual foi o papel da pesquisa empírica com os processos criminais na formulação, na reflexão sobre esse conceito?

Foi tudo, porque toda essa agência dos fronteiriços que eu estou relatando, toda essa percepção que a gente teve do quanto os fronteiriços, desculpe a redundância, percebiam a existência de uma fronteira ali, eles sabiam inclusive onde passava o limite. A linha. Embora não estivesse riscada em lugar nenhum, eles sabiam onde passava o limite. Tudo isso tava, era perceptível nos processos. O Arquivo Público tem, eu trabalhei com alguns processos, nos quais o sujeito que comete uma infração, um delito, imediatamente vai em direção à fronteira. Usando daquele recurso que eu comentei antes, de se colocar livre de quem pode punir, de quem pode prender. Imediatamente ele foge em direção à fronteira. Isso se repete inúmeras vezes nos processos. Eu quantifiquei isso nos diferentes capítulos. Mas em alguns processos eles estão fugindo já sendo perseguidos pela polícia. E eles fogem em direção à fronteira, e quando eles cruzam a fronteira eles param, porque sabem que a partir dali a polícia não pode mais prender e a polícia também sabe. E veja, é um limite imaginário, um limite que não está riscado, eles simplesmente sabem que é por ali… E eles passam a fronteira e param de fugir. Porque a polícia não pode mais prender. Então os processos-crime foram fundamentais na percepção dessa forma como os fronteiriços se portavam na fronteira, como o Estado está presente ali. Como que as leis agem nesse espaço, como os fronteiriços se dão conta disso e manipulam essas leis. Quando eu trabalhei com casos de sedução de escravos e fugas de escravizados pela fronteira que iam em busca da sua liberdade também, porque do outro lado a legislação já havia abolido a escravidão. Também fica muito claro como escravizados vão em busca da sua liberdade cruzando a fronteira e como (isso não fui só eu que fiz, tem inúmeros trabalhos que lidam com esse tema).

Na próxima semana teremos a terceira e última parte da entrevista!

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Mariana Flores da Cunha Thompson Flores é professora no departamento de História da Universidade Federal de Santa Maria. Fez sua graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde também concluiu seu mestrado (Clique aqui para acessar a dissertação) em 2007. Cursou seu doutorado na Pontifícia Universidade Católica, tendo defendido em 2012. Sua tese (Clique aqui para acessar) recebeu menção honrosa no concurso da Anpuh/RS – 2012-2014. É autora de “Crimes de Fronteira” (EDIPUCRS/Anpuh, 2014).

Mariana, eu queria te pedir pra falar um pouco sobre tua trajetória e sobre o papel das fontes do Arquivo Público nela.

A minha trajetória como pesquisadora começou na iniciação científica, mas sem contato com fontes primárias. Eu trabalhava com o professor Guazzelli com fontes impressas. A minha empreitada de trabalhar com fontes primárias, isso foi aqui no Arquivo Público que começou. Quando eu resolvi fazer o mestrado, eu pensei em pesquisar contrabando, e essa ideia surgiu por que me parecia que a questão do contrabando na historiografia do Rio Grande do Sul era uma daquelas questões calcadas de um largo consenso historiográfico calcado em ausência de pesquisa. Porque todo mundo referia a questão do contrabando no Rio Grande do Sul, mas ninguém se dedicava a pesquisar. E de alguma maneira havia uma desculpa geral, também, que era difícil pesquisar contrabando, que era uma coisa que acontece na clandestinidade, afinal ninguém vai deixar registro disso.  E quando eu resolvi tomar isso como meu tema de mestrado, a minha ideia foi desde o princípio que era evidente que haveria algum tipo de registro. Se o contrabandista por si não deixou registro, que eu acho correto que ele não produza provas contra ele, mas algum contrabando foi apreendido em algum momento. E por isso eu vim pro Arquivo Público, procurar nos processos-crime. Mas era uma coisa totalmente intuitiva. Nunca ninguém me disse de ter encontrado processo. Pelo contrário.  As pessoas diziam que a minha empreitada talvez não desse certo. E eu vim para o Arquivo Público e comecei a olhar caixas de processos-crime de municípios da Fronteira Oeste… O início foi muito penoso. Porque eu vi muita coisa, muito processo crime sem encontrar nada que me interessasse e aquilo foi me desestimulando, e eu cheguei em algum momento a abandonar. Fui pro Arquivo Histórico. Achando que nos fundos da polícia eu encontraria mais coisas. Aí nos fundos da polícia do Arquivo Histórico, pouca coisa, pouquíssima coisa que não me renderia uma dissertação. E em algum momento eu me decidi. Eu disse, não, eu vou seguir meu faro inicial, como diz Ginzburg, os historiadores têm faro. Eu vou seguir meu faro inicial, eu vou voltar pro Arquivo Público e vou continuar olhando os processos crime. Com mais calma, com mais treino nessa leitura, eu vou seguir fazendo isso. E voltei pra cá e continuei nessa leitura. E a parte que eu digo que é um pouco engraçada é porque aqui, ao longo de todo esse tempo de pesquisa, a gente fez uma rede muito bacana. De pessoas que pesquisavam ao mesmo tempo aqui. E quase todos os dias alguém, ou mais de uma vez, mais de uma pessoa, vinha até a minha mesa perguntar, e aí, já encontrou alguma coisa, e eu sempre balançava a cabeça, não, não encontrei nada. Até o dia que eu encontrei o primeiro processo de apreensão. E eu saí caminhando por todas as mesas, achei, achei o processo, e no final todo mundo se alegrou comigo, porque viram que há muitos meses eu tava na busca. E aquele foi o primeiro, e a partir daquele, outros começaram a aparecer. Eu fui desenvolvendo uma metodologia melhor pra tratar com essas fontes. Eu fui treinando a minha leitura, eu fui também aprimorando a técnica como um todo, de ler mais rápido, de ler o que eu sabia que era necessário ler pra identificar o teor de um processo. Porque o processo crime tem essa característica, ele tem uma capa, só que a capa é a última coisa que vai no processo. É a primeira coisa que o historiador encontra, mas é a última coisa colocada no processo. Então aquela data, aquele título que se coloca eventualmente ali na frente do crime, tudo aquilo foi concluído por fim do processo. E a gente encontra aquilo como a nossa primeira informação. E a gente tem que tentar driblar isso e ler o processo na cadência na qual ele foi se construindo mesmo.  E na capa dificilmente tu encontras o rótulo fiável do que está ali dentro. Então nem sempre tu vais encontrar na capa “Processo de apreensão de contrabando”. Pode encontrar qualquer outra coisa.  E aí tu tens que ler para saber se ele te interessa ou se ele não te interessa. Então tinha que ler todos os processos. Não adiantava olhar só a capa e excluir “esse é de contrabando”, esse é, esse não é. É olhando todos os processos. E à medida que eu fui aprimorando essa técnica de leitura, desenvolvendo a minha metodologia, no trato empírico, eu acho que foi facilitando, o caminho foi ficando mais fácil, ficando mais rápido, mais produtivo, e aí os processos foram aparecendo. Eu consegui reunir um número bem significativo de processos-crime para fazer minha pesquisa de mestrado sobre o contrabando no Rio Grande do Sul. Paralelo a esses processos crime de apreensão de contrabando propriamente, e outros que mencionavam apreensão de contrabando, eu fui me atentando também para processos que se chamam de autos de responsabilidade, que são processos que envolvem sempre funcionários públicos, que no exercício de suas funções conduziram mal os seus trabalhos. E nessa minha zona de fronteira ali que eu recortei (que era Alegrete, Uruguaiana, Santana do Livramento) com imensa frequência os processos de auto de responsabilidade envolviam funcionários da alfândega em Uruguaiana. E quase sempre também tinha alguma questão relativa a contrabando. Por permitir a passagem de contrabando ou não vigiar como deveria ter sido vigiado. E esses processos de auto de responsabilidade foram num número muito maior que as apreensões. E a partir daí eu consegui cruzar esses dois pra conseguir chegar num desenho um pouco mais bem acabado. Porque o número de processos que eu encontrei de apreensão de contrabando não era um número muito grande. Ou seja, eles não condiziam com o que a gente supunha ser a incidência de contrabando na fronteira. Deu algo como, ao longo de todo o período deu um por ano. Evidente que havia mais contrabando do que um por ano! É claro que esses eram só os apreendidos, todos aqueles que tiveram êxito ninguém ia ficar sabendo. Mas mesmo assim, aquele um por ano representava muito pouco do que o que a gente supunha ser.  E daí cruzando com esses autos de responsabilidade a coisa foi ficando menos nebulosa, porque foi possível compreender que a própria alfândega era o vetor da passagem desse contrabando. Havia uma conivência entre uma rede de comerciantes e os inspetores da Alfândega a fim de demonstrar que a Alfândega se justificava, ela recolhia impostos, mas então o comércio ia passar por dentro dela, só que com uma redução de taxação. Isso não era legal, mas era a maneira como o contrabando acontecia. Com uma fachada de legalidade. E a partir dessa pesquisa de mestrado, enquanto, como eu disse, eu tinha que olhar todos os processos para ir depurando o que me interessava, uma coisa que ia me chamando a atenção ao longo dos processos é que a questão do espaço de fronteira sempre aparecia nos processos daquela região. De uma maneira ou de outra. Então o crime de contrabando, é óbvio que ele é um crime de fronteira, ele precisa de uma fronteira pra acontecer. Mas eu percebia que a fronteira apontava em vários processos das mais diferentes naturezas, e eu fui, digamos, separando aquilo. Guardando aquilo na manga pra outro momento. E o outro momento foi justamente o doutorado. Quando eu resolvi pegar todos aqueles processos que apareciam que guardavam relação com a fronteira pra pensar uma rede de crimes de fronteira. Que está baseada em uma legislação internacional, que crimes cometidos de um lado da fronteira, cometidos num determinado lugar só podem ser julgados por aquela jurisdição. Ou seja, no momento que tu vais na fronteira, tu tens a possibilidade de te colocar fora da alçada da jurisdição que pode te julgar, te punir, e pensando nessa valência estratégica de fugir pela fronteira, eu comecei a identificar não tipos criminais específicos, mas posturas dos fronteiriços manejando essa legislação de um lado e de outro, levando vidas entre o lícito e o ilícito, e se movimentando pela fronteira e acabou isso rendendo o próprio doutorado. Que é esse, o “Crimes de fronteira”.

Na semana que vem teremos a continuação da entrevista com a historiadora Mariana Flores da Cunha Thompson Flores!

A gestão documental no PROA é assunto de palestra na XIV SAA/UFSM

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   O Curso de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está promovendo sua XIV Semana Acadêmica e no dia 08 de novembro o arquivista do APERS, Jonas Ferrigolo Melo esteve presente no evento.

2016-11-08-palestra-na-ufsm-foto-fernanda-pedrazzi Jonas participou de apresentações em duas mesas: “Legados do Congresso Nacional de Arquivologia”, com Débora Flores e Gilberto Viana e “A gestão documental em sistemas de processos administrativos eletrônicos: caso UFSM e PROA/RS”, com Débora Flores.

   A Semana Acadêmica acontece até o dia 11 de novembro, no Prédio 74 do Centro de Ciências Sociais e Humanas da UFSM.

Aconteceu no APERS o Seminário de Políticas Públicas e Acervos Documentais

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            Na sexta-feira, dia 05 de agosto, aconteceu no APERS o Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais, que contou com a participação de um público que lotou o auditório da instituição. O evento foi aberto com as boas vindas da Diretora Aerta Moscon, que falou da importância do debate em torno de políticas públicas que visem a promoção da gestão, da preservação e da difusão de acervos documentais.

            Com a mediação da professora Claudira Cardoso, Sônia Constante e Débora Flores foram as primeiras palestrantes da tarde. Noções Teóricas em questão de Políticas Públicas Arquivísticas foi o nome dado pela Professora Sônia (UFSM) para sua apresentação. Começou tratando das competências nas diferentes esferas de governo e dos impostos e receitas federais, estaduais e municipais, a partir de informações contidas em portais institucionais, como forma de introduzir as discussões a respeito de políticas públicas, de modo geral, e depois de políticas públicas relacionadas a arquivos. Na sequência, partindo de exemplo de dados noticiados por alguns meios de comunicação, comentou a relação entre imprensa, comunicação e poder e a relação delas com as Políticas de Estado. Depois disso, Sônia trabalhou com o conceito de Jose Maria Jardim para Políticas Públicas Arquivísticas, “o conjunto de premissas, decisões e ações – produzidas pelo Estado e inseridas nas agendas governamentais em nome do interesse social – que contemplam os diversos aspectos (administrativo, legal, científico, cultural, tecnológico, etc.) relativos à produção, ao uso e à preservação da informação arquivística da natureza pública e privada”. Lembrou que de acordo com a legislação, caberia ao Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) a elaboração e ao Arquivo Nacional, a implementação e o acompanhamento de uma política nacional de arquivos, no âmbito de um Sistema Nacional de Arquivos (SINAR) –  o caminho entre a legislação e a efetiva implementação, foi palco de discussões ao longo do Seminário. Ainda em sua fala inicial, tocou em outros dois assunto. O primeiro deles, sobre o Modelo de Gestão de Llansó Sanjuan que dentre outras exigências, prevê a necessidade de recursos humanos e econômicos para implementação de uma política de sucesso. Por fim, falou para os participantes da necessidade da presença de abordagens sobre políticas públicas arquivíticas nos currículos dos cursos de arquivologia. E encerrou sua fala problematizando o projeto de Emenda Constitucional nº 241/2016 (PEC 241), que tramita no Congresso Federal e que institui um novo regime fiscal, o qual desvincula os gastos e investimentos do setor público à receita de impostos e ao Produto Interno Bruto. Com a possibilidade de sua aprovação, deixou a seguinte pergunta: Seria possível, diante deste cenário e de maiores restrições de recursos, a efetivação de uma política pública para arquivos?

            Rosani Feron, diretora do Arquivo Histórico de Porto Alegre Moisés Vellinho, retomou o conceito de Jardim para problematizar a existência de políticas públicas de arquivo no Brasil em sua apresentação intitulada Políticas Públicas de Arquivo. Além desse autor, a palestrante recorreu aos elementos, apontados por Renato Tarcísio, necessários para efetivá-las, como a necessidade de definição das ações e metas a serem realizada, a implementação de processos e meios para colocá-las em prática e as normas para dar a garantia legal a ações. Conforme Rosani, teríamos uma quantidade expressiva de leis e normativas sobre arquivos, entretanto, estariam faltando os meios para colocá-las em prática. O Arquivo Nacional, responsável por implementar e acompanhar a Política Nacional de Arquivos, definida pelo Conselho Nacional de Arquivos, não cumpriria os objetivos, justamente pela ausência de dotação orçamentária prevista para a execução de políticas públicas de arquivo em esfera nacional. De acordo com a gestora, portanto, a inexistência de recursos destinados à execução de uma política nacional de arquivos seria o elemento central para a não efetivação daquilo que é previsto em legislação.

            No segundo momento da tarde, conduzido por Jonas Melo, Débora Flores levantou, com a apresentação de Os Documentos Digitais e o uso do Processo Eletrônico, inquietações sobre a produção de documentos digitais. Segundo a palestrante, seriam poucas as experiências de preservação digital comprovadas e experimentadas por instituições se comparadas às experiências com manuscritos ou com impressos. Ressaltou, entretanto, que os documentos digitais estão sendo produzidos em escala crescente e que o respeito a normas e a procedimentos legais para a gestão e a preservação desse material seria mais que urgente – lembrou que a responsabilidade para a definição de norma, procedimentos e instrumentos legais é de responsabilidade da Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos (CTDE) do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ). A arquivista apresentou aos participantes um conceito de documento arquivístico digital e falou sobre o Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos (SIGAD), um conjunto de procedimentos e operações técnicas, característica do sistema de gestão arquivística de documentos, processado por um computador. Lembrou da necessária observância do e-Arq Brasil, um modelo de requisitos para sistemas informatizados de gestão arquivítica de documentos que devem integrar qualquer SIGAD e da necessidade de um repositório digital confiável (RDC-Arq). Por fim, explorou um pouco o projeto de Processo Eletrônico Nacional e da implantação do Processo eletrônico no RS (PROA – Processos Administrativos e-GOV), sistema de tramitação integral em forma digital de processo administrativo, através de atividade de cadastramento e movimentações efetuadas pelos usuários. Ressaltou a participação do SIARQ/RS (Sistema de Arquivos do RS) no Comitê Gestor do PROA; das normativas arquivísticas previstas pelo sistema, desde a elaboração do Decreto que o instituiu no âmbito do Poder Executivo Estadual; da implantação de política de classificação, avaliação e preservação de acesso aos processos eletrônicos de modo que o atual sistema possa ser transformado, futuramente, em um SIGAD; e do cadastramento de assuntos dos processos estar centralizada no APERS.

            E na última palestra, Da avaliação à Difusão da Informação: estratégias para arquivistas e profissionais da informação, de Moisés Rockembach foram discutidos os paradigmas que separam diferentes concepções sobre o objeto da arquivologia, o modelo custodial e o modelo pós-custodial. Apresentou os métodos de avaliação de forma historicizada, desde as origens da avaliação de Jenkinson (1922), passando pela Teoria dos valores de Schellenberg (1958),  Plano documental de Booms (1970), Estratégia documentária de Samuels (1986), Macroavaliação de Cook (1992), Microavaliação de Eastwood (1992), Avaliação integrada de Couture (1998) até o Fluxo Informacional de Silva e Ribeiro (2005). Seguiu no caminho da difusão, ponto que considerou como interdisciplinar nos estudos da informação. Falou sobre a diferença entre a difusão passiva e a difusão ativa (cultural, educativa, editorial); sobre acessibilidade e transparência, sobre o atendimento e o entendimento do público que procura por documentos custodiados por arquivos; sobre as mudanças na mediação, compreendida, para ele, como uma forma de selecionar, filtrar, acrescentar qualidade na recuperação de conteúdos; e sobre o reconhecimento de que toda ação sobre qualquer informação não é neutra e nem imparcial e que, portanto, o trabalho arquivístico é posicionado.

            Lembrando da grande participação do público, que esteve presente até o final do evento, agradecemos a todos os apoiadores (Museu da História da Medicina do RS, PPG em História da UFSM, Programa de Educação Patrimonial UFRGS|APERS e Associação de Amigos do APERS) que auxiliaram na construção do evento e, principalmente, ao público, que compreendeu a necessidade de que discutamos cada vez mais o assunto até que consigamos, de fato, implementar uma Política Nacional de Arquivos que responda a urgente necessidade de gestão, preservação, acesso e difusão dos acervos públicos e de interesse social em nosso país.

Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais: transferido para dia 05, sexta-feira!

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Informamos que, por diferentes motivos, tivemos alterações na data e na programação do Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais.

Cartaz_Novas data e Programau§u£o

Inscrições Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais

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    Devido a problemas técnicos, não estamos conseguindo realizar as inscrições para o Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais pelo e-mail institucional apers@smarh.rs.gov.br (divulgado anteriormente). Como forma de solucionar o problema rapidamente, criamos uma conta de e-mail para efetivação do procedimento.

   Portanto, para os interessados, divulgamos o novo e-mail para realização das inscrições: seminarioapers@gmail.com. Basta enviar o nome completo do interessado e um e-mail para contato. Avisamos também, que toda a inscrição será confirmada por e-mail. Desde já nos desculpamos pelos transtornos e ficamos à disposição, para quaisquer dúvidas, pelo telefone 51 3288 9112.

Cartaz Programacao - Email

Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais – Programação e Inscrição

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    Hoje divulgamos a Programação do Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais, que será realizado no dia 04 de agosto no Arquivo Público do Rio Grande do Sul, Auditório Marcos Justos Tramontini (Rua Riachuelo 1031, Centro).

Cartaz Programacao - Email

   A participação é gratuita e as inscrições podem ser realizadas pelo e-mail seminarioapers@gmail.com. Serão fornecidos certificados com carga horária de 6 horas para ouvintes que acompanharem o evento na sua totalidade. Outras informações por e-mail ou pelo telefone 51 3288 9112.

Post alterado em 20/07/2016: alteração do email para inscrição.

Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais

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Cartaz Geral_Divulgação

No dia 04 de agosto será realizado, pelo Arquivo Público do Rio Grande do Sul, o Seminário Políticas Públicas e Acervos Documentais. Com o objetivo de conhecer, explorar e problematizar as políticas públicas destinadas à gestão, preservação e difusão dos acervos documentais públicos e de interesse social.

O evento será realizado com o apoio do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS, do Programa de Pós-Graduação em História da UFSM, do Museu da História da Medicina do RS e da Associação de Amigos do APERS.

Em breve divulgaremos a programação completa. Acompanhe em nosso Blog!!!

Visitas guiadas ao APERS – Outubro 2015

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No mês de setembro foram realizadas 08 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 05: Lúcia Andreia de N. de O. Nunes e Claudia Daniela da Silva Vieira, estudantes do curso de Arquivologia/UFRGS e Rachel Pomatti, do curso de Biblioteconomia/UFRGS.

Dia 07: 36 alunos do Curso de Arquivologia/UFSM acompanhados dos professores Jorge Cruz e Raone Somavilla.

Dia 14: No turno da manhã, 18 alunos do Centro de Promoção da Infância e da Juventude (CPIJ), acompanhados pelos professores Cristiana, Gislaina, Angela, Gabriel e Luiz. Os alunos estão cursando a disciplina de Relações Humanas e o objetivo da visita foi introduzir a temática da violência, traçando um paralelo com outras épocas da história do Rio Grande do Sul.

Dia 14: No turno da tarde, 18 alunos do Centro de Promoção da Infância e da Juventude (CPIJ), acompanhados pelos professores Cristiana, Gislaina, Angela, Gabriel e Luiz. Os alunos estão cursando a disciplina de Relações Humanas e o objetivo da visita foi introduzir a temática da violência, traçando um paralelo com outras épocas da história do Rio Grande do Sul.

Dia 15: 6 alunos dos Cursos de Gestão Pública e Administração em Saúde, da UERGS, acompanhados pelo professor Mauro Mastella. O objetivo da visita foi relacionar o conteúdo abordado em sala de aula, como, por exemplo, a Gestão do Conhecimento, com o trabalho desenvolvido pelo Arquivo Público.

Dia 16: Os professores Alessandro Batisttella, Marcos Gerhardt e Rosane M. Neumann e 28 alunos dos níveis IV e VII do curso de História da Universidade de Passo Fundo/RS.

Dia 21: 17 alunos da disciplina Cultura, Esporte e Lazer do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Restinga, e a professora Carina Abreu.

Dia 29: Os servidores Sandro Escobar da SDECT, Juliana Silva e Paola Silva da SMARH, e Marilez Prestes do DAER participaram da visita guiada oferecida durante a Semana do Servidor Público.

Guias: Carlos Henrique Armani Nery, Giglioli Rodrigues, Nôva Brando, Viviane Portella de Portella.

Oferecemos, semanalmente, visitas guiadas ao conjunto arquitetônico, com duração de 1h30min, nas segundas-feiras às 14h30min e nas sextas-feiras às 10h. Também é possível agendar sua Visita Guiada pelo e-mail visitas@smarh.rs.gov.br ou ligue para (51) 3288 9112. Estamos esperando sua visita!

Visitas guiadas ao APERS – Junho 2015

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No mês de junho foram realizadas 04 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 05: André Rodeghero, Lucrécia Bordgnon e Regina Rodeghero.

Dia 05: Arion Helder Pilla e Lucca Pilla. Arion é aluno do Curso de Arquivologia da UFSM e aproveitou o feriadão para conhecer o APERS.

Dia 15: Alunas do Curso de História da UFFS: Carla Agostini e Elisa Pilotto, com o professor da disciplina de História Regional, Alisson Droppa. Também participou da visita Vanessa Dorneles Schinke, doutoranda em Direito da PUC/RS.

Dia 19: Grupo de 35 estudantes do 6º ao 9º ano e professores da Escola Estadual José Carlos Ferreira, do bairro Partenon, em Porto Alegre.

Guias: Clarissa Sommer, Giglioli Rodrigues, Nôva Brando, Viviane de Portella

APERS Entrevista: Débora Flores

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2015.04.29  APERS Entrevista Debora Flores    Para apresentar a nova Diretora do Arquivo Público do RS, preparamos este APERS Entrevista onde a mesma pode contar sobre sua formação, experiência profissional e sua proposta de trabalho.

     Débora Flores, 30 anos, iniciou as atividades como Diretora do Departamento de Arquivo Público no mês de março e teve sua nomeação publicada no Diário Oficial do Estado no dia 10 de abril (clique para visualizar). Confira abaixo a entrevista!

Blog do APERS: Iniciando com uma apresentação: conte sobre a tua formação, como decidiu por Arquivologia e sobre tua experiência profissional.

Débora: Sou formada em Arquivologia pela Universidade Federal de Santa Maria no ano de 2005, com Especialização em Gestão de Negócios pela FAMES e Mestrado em Patrimônio Cultural pela UFSM. Minha escolha profissional sempre foi muito tranquila, pois sempre quis trabalhar com a área de documentação, e tive uma relação muito próxima com a Arquivologia desde cedo, quando um tio meu começou a cursar Arquivologia ainda em 1997. No decorrer da minha formação, acabei me inserindo em diversas áreas de atuação, desde o trabalho com consultoria em instituições privadas, órgãos públicos enquanto servidora federal e docente como professora substituta. Também interajo muito com a Pesquisa, participando como membro de um Grupo de Pesquisa CNPQ, o qual proporciona que eu ministre capacitações e treinamentos pelo Brasil afora. Um envolvimento muito grande nos últimos três anos, foi a participação no movimento associativista da Arquivologia no Brasil. Atualmente estou encerrando o mandato como Presidente da Associação dos Arquivistas do RS, durante o qual sediamos o VI Congresso Nacional de Arquivologia com sucesso de público e crítica, culminando com a criação do Fórum Nacional de Associações de Arquivologia do Brasil, que vem a ser um importante marco para a união da área. Agora, inicio uma nova etapa profissional, com o desafio de dirigir a maior instituição arquivística do estado (APERS), e coordenar o tão importante Sistema de Arquivos do Estado (SIARQ/RS).

Blog do APERS: Com uma carreira profissional desenvolvida desde 2005, atuando no setor privado e no serviço público federal, que contribuições tu acreditas trazer para o APERS e como vês este desafio?

Débora: Acredito que conseguiremos oxigenar os projetos, a visão do que deve ser o APERS para a sociedade e principalmente para uma gestão estratégica e moderna do acervo documental do Estado. Venho com propostas de parcerias com instituições que possam nos subsidiar para uma gestão inovadora e moderna, a exemplo das universidades, que através dos seus Cursos de Graduação e Pós-Graduação podem auxiliar na implementação de diferentes ações. O desafio é grande, preservar e disponibilizar cada vez mais a memória do Estado, retratada em nossos documentos, mas principalmente implementar novas ferramentas de gestão documental, assumindo políticas e diretrizes de gestão arquivística com o uso de tecnologias. Acredito ainda, que as experiências nas diferentes áreas de atuação enquanto arquivista, bem como a experiência no âmbito da Administração Pública Federal e seus Sistemas de Gestão Documental, possibilitam a priorização de algumas ações estratégicas e estruturantes necessárias ao trabalho arquivístico no APERS.

Blog do APERS: Em 1989 foi criado o Sistema de Arquivos do Estado (SIARQ/RS) composto por comitês e órgãos, com diferentes competências. Como você pensa que o APERS, órgão gestor do Sistema, pode instigar os demais órgãos a atuarem juntos visando a implementação efetiva de gestão documental no Estado?

Débora: O primeiro passo é ter um caso de sucesso para servir de modelo e inspiração. Nossa ideia é termos na nossa Secretaria, a SMARH, a efetiva gestão documental com a utilização dos instrumentos arquivísticos, e partir dos resultados alcançados nessa Secretaria para a sensibilização dos demais órgãos integrantes do SIARQ/RS. É necessário mostrar os benefícios da aplicação da gestão documental, e realmente alguns desse benefícios são perceptíveis a médio e longo prazo, o que dificulta a manutenção e continuidade das ações. No entanto, nossa missão é trabalhar muito forte na sensibilização dos gestores para que se tenham projetos com uma visão a longo prazo. Outra questão muito importante é a capacitação dos servidores como um todo, visando a gestão arquivística de documentos já na produção dos documentos, sejam eles em suporte papel ou em meio digital através de sistemas informatizados. Para tanto, já estamos fortalecendo a qualificação e aperfeiçoamento da equipe do APERS. Trabalharemos ainda, com um planejamento estratégico, composto por metas e com cronogramas de implementação e acompanhamento, traçando um acompanhamento mais efetivo aos órgãos que estiverem aplicando os instrumentos normativos do SIARQ/RS.

Blog do APERS: Para conhecermos um pouco mais sobre você, fale-nos sobre quem é a Débora quando está fora do trabalho, em família e nas horas de lazer.

Débora: Sempre que consigo um tempo livre é para estar com minha família, com meus filhos, curtindo e brincando com eles. Sou uma mãe muito presente, e tenho tentado me dedicar nas horas de folga a fazer passeios e atividades que proporcionem experiências de vida, as quais acredito serem importantes na sua formação.

Visitas guiadas ao APERS – Março 2015

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     No mês de março foram realizadas 03 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 02: 25 estudantes do SENAC Comunidade (Centro de Porto Alegre), turma do Programa Jovem Aprendiz, acompanhados pela professora Valéria Neutzling, orientadora de educação profissional.

Dia 17: 17 estudantes do Programa Jovem Aprendiz do SENAC Comunidade (Centro de Porto Alegre), acompanhados pela professora Martha Luciana Scholze, que ministra a disciplina de Serviços de Escritório. O objetivo da visita foi conhecer a estrutura arquivística do APERS para relacioná-la com arquivos de empresas.

Dia 26: 31 alunos de semestres variados do Curso de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, acompanhados pelo professor Jorge Alberto Soares Cruz. Os alunos tiveram por objetivo conhecer o APERS em seu contexto geral.

Guias: Carlos Henrique Armani Nery e Clarissa Sommer Alves.

APERS na Semana Acadêmica da Arquivologia da UFSM

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APERS na UFSMNesta semana, de 15 a 19 de setembro, acontece a Semana Acadêmica do Curso de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) com o tema “Revolução Arquivística: Arquivologia no Rio Grande do Sul, o profissional arquivista e a nossa história”. O evento tem o apoio do Diretório Acadêmico do Curso de Arquivologia (Dacar) e da Associação dos Arquivistas do Rio Grande do Sul (AARS), e a programação inclui dinâmicas, palestras, mesas redondas, oficinas e apresentações de trabalhos.

No dia 15 de setembro o Arquivo Público do RS foi representado pela Arquivista Chefe da Divisão de Pesquisas e Projetos, Maria Cristina Kneipp Fernandes na mesa “Instituições Arquivísticas, políticas e medidas tomadas no acervo”. Esta mesa contou ainda com a presença da arquivista Francieli Merlo da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, e na oportunidade as profissionais dividiram como os alunos experiências profissionais e debateram a atuação do arquivista em suas instituições.

APERS na UFSM (1).APERS na UFSM (2)

Visitas guiadas ao APERS – abril 2014

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No mês de abril foram realizadas 07 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 01: A aluna do 1° semestre do Curso de História da PUCRS, Diéssica Silva da Rosa. A estudante está cursando a Disciplina de Introdução à História, a qual é ministrada pelo professor Luciano Abreu.

Dia 02: 18 alunos do Curso Técnico em Biblioteconomia, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RS (IFRS), acompanhados pelo professor William Jerônimo Gontijo Silva, que ministra a Disciplina de Organização de Materiais e Arquivos.

Dia 04: Os Desembargadores Federais do Trabalho, João Paulo Lucena e Maria Guilhermina Miranda; a Juíza do Trabalho, Anita Job Lübbe e os servidores do Tribunal Regional do Trabalho da 4° Região (TRT4), Walter Oliveira, Cintya Rolim Dreger, Elton Luiz Decker, Fernando Estanislau Bressani Allgayer e Daniel Aguiar Dedavid.

Dia 09: 20 alunos do 2° semestre do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RS (IFRS), acompanhados pela professora Gleide Penha de Oliveira, que ministra a Disciplina de Sistemas de Informação e Arquivística.

Dia 11: 36 alunos, entre o 1° e o 7° semestre do Curso de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), acompanhados pelo professor Daniel Flores.

Dia 26: 21 alunos do 5° semestre do Curso de História da UNISINOS, acompanhados pelo professor Paulo Roberto Staudt Moreira, que ministra a Disciplina de Fontes e Temas.

Dia 29: 30 alunos do 1° semestre do Curso de História da PUCRS, acompanhados pelo professor Luciano Aronne de Abreu, que ministra a Disciplina de Introdução ao Estudo da História.

Guias: Iara Gomide Machado e Maria Lúcia Ricardo Souto.

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Participação em curso de Descrição arquivística

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Renata e Profª Drª Dunia

Renata e Profª Drª Dunia

   A arquivista do APERS Renata Pacheco de Vasconcellos participou, nos dias 15 e 16 deste mês, do curso “Las nuevas tendencias de la descripción archivística y su normalización”, promovido pelo Curso de Arquivologia, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

  O curso teve como ministrante a Professora Dra. Dunia Llanes Padrón, da Universidad de la Habana/Cuba, que explanou sobre a normalização da descrição arquivística – conceitos e evolução; os processos nacionais e internacionais de descrição e sobre as normas ISAD(G) e ISAAR(CPF) seus princípios, finalidades, estruturas e aplicação nos acervos.

   O conhecimento das normas de descrição arquivística é importante para que o APERS prossiga com as atividades de descrição em seus acervos.

    Para acessar a apresentação do curso clique aqui.

Visitas guiadas ao APERS – Fevereiro

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No mês de fevereiro foram realizadas 03 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Dia 01: Olga Luísa Herbertz, estudante do 4° semestre do curso de Arquivologia da UFSM. Olga estava interessada em conhecer a posição e a atuação do APERS, no sentido de seu funcionamento, dentro da estrutura administrativa do Estado.

Dia 06: 28 pessoas participaram da visita guiada noturna, promovida pelo Sr. Jorge Pique, da Agência de Inovação Social – UrbsNova. Durante a visita, os participantes tiveram a oportunidade de contemplar o panorama do APERS à noite, além de conhecer o início do túnel que inicia nas dependências do Arquivo e, supostamente, dá acesso ao Palácio Farroupilha.

Dia 19: 25 alunos dos 2° e 3° semestres do curso de História da UFPel, acompanhados pelas professoras Ana Inez Klein e Márcia Espig, que ministram, respectivamente, as disciplinas de Organização de Arquivos Históricos e Educação Patrimonial.

Guias: Carlos Henrique Armani Nery, Maria Lucia Souto e Jose Gonçalves de Araújo.

APERS Entrevista: Rosani Gorete Feron

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Rosani Gorete Feron, 51 anos, é arquivista formada pela UFSM (1982), ingressou no Arquivo Público em 1989 para coordenar a unidade de documentação, em 1995 foi convidada a assumir o cargo de direção e, em 1996 desliga-se do APERS para se dedicar a projetos pessoais, retornando ao cargo de direção em 2003 onde permaneceu até 2010. Desde 2010 é Diretora do Arquivo Histórico de Porto Alegre. Confira nossa entrevista com Rosani!

Blog do APERS: Rosani, você poderia comentar um pouco sobre como decidiu cursar arquivologia?

Rosani: Foi no mural do Colégio, quando estava no 2° Grau. Sempre fui muito tímida, reservada e não tinha coragem de escolher uma profissão onde tivesse que me expor muito. Na lista dos Cursos quando li as características de Arquivologia achei bom, que não iria precisar trabalhar com pessoas. Durante o Curso notava uma deficiência, era um Curso jovem, tinha poucos professores da área. Lembro que gostei de elaborar o projeto de conclusão de Curso e de fazer o estágio final, tive um contato mais efetivo!

Blog do APERS: Na década de 1980 ingressaste no APERS para coordenar a unidade de documentação. Foste uma das primeiras arquivistas a trabalhar aqui, quais foram os maiores desafios?

Rosani: Quando o professor Rossato (Carlos Aléssio Rossato) assumiu a direção do Arquivo Público ele mapeou os arquivistas que estavam trabalhando no Estado. Havia alguns em cargo de técnico em arquivos, então ele começou o trabalho para relotá-los no Arquivo. Eu estava em outra Secretaria, então somente após oito meses do pedido consegui a liberação para ir trabalhar no Arquivo. Logo que cheguei fui convidada a assumir a Unidade de Documentação, na época o Arquivo já contava com algumas arquivistas e tinha uns dezoito funcionários. O foco era atender aos usuários, então algumas vezes atendia a sala de pesquisa, foi uma boa experiência, realmente conheci a Instituição. A estrutura do prédio era bem precária, o Arquivo servia basicamente a guarda de documentos, o corredor lateral do prédio II tinha uma estante de madeira com documentos. Trabalhávamos entre os acervos, onde hoje é corredor de passagem era nosso espaço de trabalho! A rede elétrica foi o primeiro projeto proposto, porque era um perigo, era tudo muito exposto. Contratamos uma bióloga para elaborar um projeto de preservação… Trabalhamos muito na estruturação. Criamos a sala de microfilmes de segurança em conjunto com a Secretaria da Fazenda, que na época armazenava outro acervo… Então primeiro coordenamos a reforma e readequamos os acervos, a sala de pesquisa, pois os usuários que solicitavam cópias autenticadas dividiam o espaço com os pesquisadores, assim o barulho e o fluxo de pessoas atrapalhava a pesquisa… Apesar de no início sermos poucos funcionários, havia um choque cultural, as pessoas que trabalhavam há algum tempo sentiam-se invadidas… Mas aos poucos foram entendendo o nosso trabalho. Criamos o Decreto que institui o SIARQ/RS, a partir disso conseguimos o concurso para dotar o Arquivo de arquivistas…

Blog do APERS: Em 1996 você participou do Plano de Demissão Voluntária (PDV), passando a atuar no setor privado. Como você avalia a comparação público/privado?

Rosani: Fui substituta do Rossato e da Lenir (Lenir Beatriz Fernandes) e quando mudou o governo indicaram-me para assumir a direção. Fiquei um ano e meio, teve o PDV e me candidatei, tinha e tenho gosto pelo privado. Na iniciativa privada estamos à mercê do mercado, dos seus altos e baixos, essa oscilação não temos no público. Acho mais complexo conseguir resultados no público porque precisamos de mais empenho da equipe, temos que convencê-la, no privado contratamos de acordo com o perfil que mais se adéqua a necessidade. No público tens uma diversidade de perfis e atividades a serem executadas… Mas precisas fazer um gerenciamento que, a meu ver, se faz muito mal no Estado, por isso tem tanto problema nos resultados. Não tem uma unidade que auxilia o gestor a dirigir pessoas, na iniciativa privada as pequenas e médias empresas têm equipes especializadas em qualificá-las, no Estado é tudo muito solto. Essas qualificações existentes não possui foco, sempre fui muito crítica, porque oferecem cursos, mas não há aplicação, os resultados não são acompanhados, então eventualmente para o servidor é bom, mas nem sempre ele consegue transformar isso em resultado para o Estado.

Blog do APERS: Foste diretora do APERS entre 1995/6 e 2003/10. O que julgas como maior legado destas gestões?

Rosani: Sempre gostei de desafios, então acabei assumindo responsabilidades no decorrer de minha carreira e fui desenvolvendo um perfil que quando jovem talvez não percebesse. As coisas foram acontecendo, mas nunca me filiei a partido algum. Na primeira gestão começamos a encaminhar alguns projetos, retomamos a discussão sobre a reforma dos prédios, a retomada do prédio III, algumas questões do SIARQ/RS… Só que no Estado a tramitação é lenta. Quando saí no PDV, realmente me desliguei. Ao retornar percebi que o SIARQ/RS não havia evoluído muito, então o elegemos como um projeto prioritário. Os técnicos (arquivistas) estavam atendendo (quanto à gestão documental) por demanda, capacitavam às pessoas para que elaborassem o plano de classificação e a tabela de temporalidade de documentos. Percebi que isso não era a gestão documental que eu imaginava, porque avaliávamos tipologias, por setor! Como o projeto era muito amplo procurei parceiros, mas infelizmente nem todos corresponderam às expectativas. A equipe de técnicos do Arquivo foi qualificada para poder assumir as responsabilidades de trabalhar como consultores. Assim, participaram de capacitações sobre gestão de processos… Mudamos o perfil da equipe para atuarem como gestores! Além disso, a equipe foi dividida em grupos para que também coordenassem projetos internos, avançamos em todos os sentidos! Penso que o maior legado foi a mudança, o resgate do papel do arquivista no Estado como gestor, conseguimos definir melhor o papel de técnico. Como é que tu vais fazer gestão documental sem conhecer, estudar a Instituição? O arquivista não tem que executar, e sim planejar! Conseguimos elaborar o plano de classificação e a tabela de temporalidade únicos porque assumimos a gestão do processo.

Blog do APERS: Qual a sua dica para os arquivistas recém-formados que estão ingressando no mercado de trabalho?

Rosani: Sou defensora do arquivista como gestor e não tecnicista. Claro, no início da carreira tem que fazer a parte prática, até mesmo para ter experiência. Mas tenho dúvida se a Universidade os prepara para atuar no planejamento, parece-me que ainda têm uma formação tecnicista. Muitas vezes perdemos mercado para a área de informática em decorrência disso. Se nós atuarmos como gestores, no planejamento, os sistemas serão feitos pelo pessoal da informática a partir das nossas demandas. Para mim isso ficou bem claro quando da elaboração do sistema AAP. Os arquivistas definiram as necessidades e os programadores executaram o que foi planejado. O arquivista deve gerir e não ficar “apagando incêndios”! Meu perfil de arquivista é aquele com uma formação consistente para ser gestor.

Blog do APERS: Nas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Rosani: Sou muito caseira! Adoro cozinhar, receber os amigos… Tenho uma hortinha… Curto as coisas simples, poder tomar chimarrão descansada, conviver com a família… Também gosto de viajar!

Participação do APERS na X Semana Acadêmica do Curso de Arquivologia/UFSM

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     Na semana de 15 a 19 de outubro de 2012 foi realizada a X Semana Acadêmica do Curso de Arquivologia/UFSM, no auditório do CCSH, com a temática “Acesso à informação e democracia: para quem?”.

    O Arquivo Público do RS foi convidado para participar e, no dia 16 de outubro, a arquivista Renata Pacheco de Vasconcellos apresentou o trabalho “Aplicação da Norma ISDIAH no APERS”.

      Em maio de 2012 foi publicada a ISDIAH APERS, baseada na análise da norma, uma vez que ao realizarmos o mapeamento não encontramos a aplicação da mesma por outras instituições. A apresentação deste estudo aos acadêmicos buscou estimulá-los à pesquisa a partir de um caso prático de aplicação da norma, o qual servirá de exemplo para instrumentos descritivos futuros.

     Acesse a apresentação clicando aqui.

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Mês do Arquivista: Maria Cristina Kneipp Fernandes

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Maria Cristina Kneipp Fernandes, ou a “Kithy”, 44 anos, natural de Uruguaiana/RS, é formada no Curso de Arquivologia da UFSM em 1988 e integra o quadro de arquivistas do APERS desde 1992. Agora Maria Cristina, contará um pouco de sua experiência, confira!

     Na época que estava no 2° grau tinha vontade de cursar história, mas em 1984 teve a greve dos professores estaduais, como filha e irmã de professores me diziam: “quem sabe vê outro Curso…”. Então ao analisar o ementário dos Cursos da UFSM gostei de Arquivologia e me inscrevi no vestibular! A primeira aula foi com a professora Eneida (Eneida Isabel Schirmer Richter), de início eu não gostei porque ela ficava falando as características do profissional e eu não me enquadrava… Tinha que ser organizado, metódico, cuidadoso… Bah, quase levantei e fui embora, mas já estava lá… Fiquei!

     No primeiro semestre de 1988 teve o Congresso Brasileiro de Arquivologia, então o pessoal do Curso organizou um ônibus e fomos à Brasília. Lá uma das professoras nos apresentou para uma conceituada consultora de arquivos daquela cidade. No segundo semestre, na época do estágio de final de Curso, essa consultora estava iniciando um projeto de arquivo em uma fábrica de um grupo empresarial e nos convidou, eu e uma colega para fazer o estágio neste projeto. Moramos por três meses em Brasília! No retorno, essa colega considerou que tínhamos que fazer um curso de dicção e oratória antes da defesa do relatório de estágio! Procuramos um curso e ficamos uns quinze dias em Porto Alegre. Os promotores do curso eram a dona Sônia e seu João Brunet, hoje membros da diretoria da AAAP!

     Depois da defesa do relatório, uma consultoria de São Paulo abriu seleção, pois tinha fechado um contrato com uma empresa em Guaíba. Veio um ônibus da UFSM com os candidatos! Eu e outros colegas fomos selecionados, fiquei nesse trabalho por um ano e três meses, após fui trabalhar em outra consultoria em Porto Alegre! Fiquei por um ano e meio trabalhando em uma organização social voltada à indústria, fazia levantamento da produção documental na sede e nas unidades da região metropolitana.

     Neste período prestei o concurso para o Arquivo Público. Contei que havia passado e claro, fui demitida! Lembro que cheguei em casa e choraaaava! Passei os próximos seis meses trabalhando com um colega arquivista em sua consultoria em arquivos. Em janeiro de 1992, a arquivista Lenir Fernandes, então diretora do Arquivo, convidou-me e comecei a trabalhar aqui em Cargo em Comissão! Trabalhava de manhã na consultoria e a tarde atendia na sala de pesquisa do Arquivo. No início de abril fui nomeada! Nós não sabíamos muito bem quantos iam ser chamados, iam nomeando… Nada muito planejado.

    Entrei em exercício, o SIARQ/RS tinha sido criado… Então os arquivistas que já trabalhavam aqui criaram um formulário para fazer um diagnóstico da situação dos arquivos nas Secretarias para saber o volume, áreas destinadas, documentos… Era bem descritivo, para desenvolver a atividade fomos divididos em duplas. Isso foi bom porque conhecemos a estrutura do Estado. Algumas pessoas nos recebiam bem, outras não… Em cada lugar tínhamos que explicar o que era arquivista, o que íamos fazer… Apesar de ter sido encaminhado ofício antes, informando sobre o diagnóstico, nem todos tiveram conhecimento.

     Nessa época nem mesa de trabalho tínhamos, utilizávamos uma sala de reunião para debater com os colegas o andamento do trabalho… Ao concluirmos o levantamento, voltamos para o Arquivo e aí, o que fazer? Não havia muito planejamento… Houve relotações e alguns arquivistas foram para o interior… Pensou-se em elaborar uma tabela de temporalidade única, mas o levantamento não tinha informações suficientes, depois de um tempo abortamos essa ideia. De qualquer forma ele teve resultado porque os órgãos passaram a ter conhecimento de que no Arquivo Público havia arquivistas e nós conhecemos a estrutura do Estado.

    Observamos que a organização do acervo tinha falhas e concluímos que talvez fosse necessário “trabalhar” o Arquivo, precisávamos organizar a casa antes de vender trabalho externo. Fomos divididos em equipes de acordo com o perfil, como precisávamos de local de trabalho, passamos a ter salas dentro do acervo! Fazíamos o levantamento dos acervos para qualificar os instrumentos de pesquisa e atendíamos as Secretarias de acordo com a demanda, com a elaboração de planos de classificação e tabelas de temporalidade individuais. Percebemos que não era porque tinha um Decreto instituindo o SIARQ/RS que ele iria ser implementado.

    Elaboramos um estudo administrativo da história das Secretarias que resultou em uma publicação interna nomeada “Os sete governos”, a qual originou o livro “Fontes para a história administrativa do Rio Grande do Sul” publicado em 2006. Foi um trabalho de bastante pesquisa, a ideia era que contribuísse para a elaboração de instrumentos futuros.

     O período da reforma dos prédios do Arquivo e a saída da Junta Comercial agitou um pouco o dia a dia… Tomamos posse do prédio III. Bah, isso foi uma qualidade para nosso trabalho! Porque era um problema de identidade, trabalhávamos no Arquivo Público, endereço Riachuelo “2° portão”, em referência ao portão da garagem!

    Outro fato foi delimitar o espaço entre o Arquivo e os usuários. Eles iam ao acervo, faziam buscas, pegavam o que queriam, atendiam aos usuários no lugar dos atendentes, tínhamos que pedir licença… Era tudo muito amador. Tinha-se o entendimento de que o Arquivo era um arquivo intermediário, um cartório em decorrência do fornecimento de certidões. Essa mudança de imagem é fruto do nosso trabalho enquanto arquivistas. Por isso o receio de retrocesso quando notamos algumas atitudes.

    Considero que a criação do Sistema AAP, em termos de conhecimento da teoria arquivística, foi um dos projetos que mais me exigiu. Esse projeto consistiu em uma tratativa da direção do Arquivo com a PROCERGS. Tínhamos reuniões quase semanais, precisávamos delimitar o que queríamos e eles entenderem isso. O sistema foi planejado, tem falhas, mas atende as nossas necessidades e permite melhorias. Senti muita satisfação em ver o resultado!

     Também criamos a tabela de temporalidade única. Um divisor de águas! Elaboramos um levantamento através das competências dos órgãos direcionado para as funções, constituindo-se em um trabalho bem consistente com a Comissão de Avaliação. Ao concluirmos, queríamos publicar por Decreto, mas a proposta não foi bem aceita e ficou um ano parado até ser publicado por Instrução Normativa pela SARH em 2008.

    Desde 2004 estou na chefia da DIPEP, aceitei o cargo porque julgo que tinha legitimidade e sou dedicada. Não tive preparação para ser gestora, minha formação acadêmica foi bastante tecnicista e enquanto servidora participei de algumas capacitações isoladas. Considero-me boa servidora pública, não boa gestora. Conheço o Arquivo, tenho minimamente uma noção do que é ser servidor público, do que é bom ou não para o Arquivo… Sou responsável, sei que tenho de cumprir as tarefas e trabalhar.

     Até 2004 a DIPEP era dividida por funções, tínhamos equipe de descrição, avaliação, preservação e quem trabalhava com avaliação também acompanhava o SIARQ/RS. Depois disto houve a divisão por atividades e todos atendiam as demandas do SIARQ/RS. Hoje não há tanta definição, por isso eu digo que não sou uma boa gestora… Tem momentos que todos nos concentramos nas mesmas atividades, estagnando outras… Não tem muito planejamento… Nesse sentido podemos dizer que as atividades de rotina do Arquivo muitas vezes não recebem incentivo, mas projetos eventuais sim, e de certa forma o Arquivo ganha!

     Por um tempo criou-se o mito que eu tinha de falar em público, mas isso é porque nunca me neguei, sou participativa, quando tem que ir a reuniões sempre vou… Isso fez com que ficasse mais conhecida, quando trabalhávamos nos grupos setoriais do SIARQ/RS o pessoal me via e já falava “Tu de novo!”, mas era numa boa! E quando dizem que tenho boa memória é porque participo, contextualizo as situações, retendo as informações…

     Sou satisfeita enquanto arquivista. Tenho mais satisfação de fazer, por isso digo que sou boa servidora pública… Não é a função que me leva a ser o que eu sou. Dos meus 20 anos de Casa destaco a elaboração e implantação do sistema AAP como momento marcante. Foi quando me senti mais arquivista, fui exigida teoricamente… Os mínimos avanços do SIARQ/RS também são uma satisfação.

     Paralelo ao Arquivo, desde a segunda diretoria da AARS sempre ocupei algum cargo. Nunca quis ser presidente nem vice, mas já passei por todos os outros! No meu tempo livre gosto de sair, me divertir! Vou ao cinema, teatro, shows… Beber com os amigos… Gosto de caminhar… Sou colorada, gosto de ir ao Beira Rio!

Mês do Arquivista: Carine Melo Cogo Bastos

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Carine Melo Cogo Bastos, 32 anos, natural de Santiago/RS, é formada pelo Curso de Arquivologia (UFSM – 2001), especialista em Gestão Estratégica de Tecnologia da Informação (PUC/RS – 2008), especialista em Gestão em Arquivos (UAB/UFSM – 2011) e integra o quadro de arquivistas do Estado com lotação na SUSEPE desde 2010. Confira o relato sobre sua experiência enquanto arquivista!

    Durante o ensino médio participei do PEIES (Programa de Ingresso ao Ensino Superior) da UFSM, e no terceiro ano precisa optar por um Curso, fiz um teste vocacional e o resultado foi direcionado a área de administração, organização… Teve uma feira das profissões no Colégio e peguei alguns folders… Diziam que o mercado era amplo, que estava em expansão… Sempre fui “cricrizona” com questões de organização, então optei pelo Curso de Arquivologia. Fui aprovada!

     No início desanimei porque, no currículo da época, as disciplinas dos primeiros semestres eram o básico do básico… Nunca chegavam as disciplinas mais específicas… Dava uma insegurança. Mas quando começaram as práticas me maravilhei com a Arquivo. Mais para o final do Curso estagiei em uma Secretaria Municipal, elaborei plano de classificação e implantei, foi minha primeira experiência profissional sozinha!

     Depois fiz meu estágio curricular no Ministério Público em Porto Alegre, trabalhei com duas arquivistas do quadro. A experiência foi bem produtiva! Participei do trabalho inicial para a elaboração da tabela de temporalidade, fazíamos o levantamento documental e depois íamos aos setores para sugerir os prazos com base na legislação. Um ano depois que saí, publicaram a tabela e ligaram-me para entrar no site, pois tinha um agradecimento por ter iniciado o trabalho com elas. Isso foi muito gratificante!

     Então veio a formatura! E aí o mercado de trabalho é cruel! Voltei para Santiago, fiquei seis meses lá, sem perspectiva. O desespero chegou! Comecei a mandar currículo para tudo quanto é lugar… Fui chamada aqui em Porto Alegre para trabalhar em uma consultoria.

     Trabalhei nessa consultoria de 2001 a 2005, foi uma das maiores experiências da minha vida! Lá eu tive a oportunidade de trabalhar em empresas de pequeno, médio e grande porte, algumas multinacionais. Conheci várias realidades, pessoas de todos os níveis, culturas… Trabalhei com organização de arquivos eletrônicos, de engenharia, contábil. Os projetos eram muito bons, a parte da administração dessa consultoria não era boa, mas os projetos sim. Foi uma experiência engrandecedora, só não remunerava bem. E sempre procuramos ser valorizados financeiramente, então durante esse período procurei oportunidades melhores. E em 2005 a oportunidade surgiu!

     Participei do processo seletivo para uma Universidade em Porto Alegre e eles ficaram de informar o resultado dias depois. Informaram que fui selecionada, bem no dia do meu aniversário! Foi muito engraçado! Essa foi uma das melhores experiências profissionais que tive! Era chefe da divisão de arquivos, tinha equipe, respaldo total da minha chefia, infraestrutura… Havia parceria de minha chefia em relação ao desenvolvimento do trabalho, conheciam, acreditavam… Até oportunizaram-me a cursar uma especialização em “Estratégia de tecnologia da informação”, como parte do programa de capacitação de funcionários, investiram em mim!

     Em 2009, quando voltei da licença maternidade, parti para os concursos públicos em busca da estabilidade, sempre me classificava, mas nunca nas vagas. Vi o edital do concurso do Estado e uma amiga, também arquivista, me convidou para estudarmos juntas. Ela se classificou para as vagas e eu fiquei em vigésimo oitavo lugar. Pensei: “Nossa Senhora, nunca vão me chamar”, e continuei a inscrever-me para outros concursos na área. Foi muito engraçado! Em outubro de 2010, estava trabalhando e essa amiga ligou avisando que havíamos sido nomeadas! Tive uma crise de riso! Ela enviou a página do Diário Oficial por email, mas eu não acreditei. Chamaram 32 de uma só vez, isso é histórico! Quando fui pedir demissão meu chefe disse que cobria a proposta, porém como era para concurso público não teve como, em decorrência da estabilidade. Foi difícil sair de lá, gostava do trabalho. Antes de sair indiquei outro profissional.

    Quando comecei no serviço público foi um choque! Ao entrar em exercício me apresentaram ao diretor do departamento que chamou a chefia do setor o qual eu seria lotada. Ela se mostrou contente e me conduziu para o setor. Todos do setor emocionados, felizes, pensando: “Pronto, agora temos uma colega para colocar os processos dentro das caixas e arrumar o arquivo!”.

     Claro, primeiro bateu aquele desânimo! O início foi muito complicado. Com o tempo fui ensinando o que é a Arquivo, seus objetivos, conceitos, finalidades… Decidi elaborar um diagnóstico do arquivo da divisão na qual estava lotada. Pedi para me levarem ao arquivo, chegando lá a porta não abria de tão lotado que estava! Eu passei cinco dias medindo, calculando o volume, fotografando o espaço… No relatório coloquei o diagnóstico e a situação proposta, os materiais e recursos humanos necessários… Apresentei para o diretor do departamento, ele achou tudo muito bom, mas como era troca de gestão, ficou para a próxima chefia.

   Os colegas de outros setores me viam fotografando, medindo os arquivos e perguntavam o que estava fazendo… A história que a SUSEPE tinha uma arquivista foi se espalhando e comecei a elaborar relatórios para outros setores, isso foi bom! Deixei de ser vista como arquivista de um setor, para ser arquivista da SUSEPE! Comecei a apresentar os relatórios para todas as chefias, batia de porta em porta… Mas era época de troca de governo, e no serviço público tem isso… As chefias trocam de acordo com o governo.

     Eu vinha com a mentalidade da iniciativa privada, tinha projetos com cronogramas e prazos para ser cumpridos. Isso agora posso dizer que entendi. Não vou resolver alguns problemas mais difíceis e de espaço físico que já vem de muitos anos em somente dois anos! Foi difícil conseguir estagiários, após um ano e meio solicitando e justificando, eles foram contratados e segui trabalhando a mudança nas pessoas: “Olha, se tu aplicares a gestão documental vai melhorar o espaço físico, encontrarás a informação que precisas em menos tempo…”. Organização de arquivo é mudança cultural, não adianta!

     As pessoas, por desconhecimento, não tinham noção de que os documentos tem prazo de guarda, diziam: “Guarda os últimos cinco anos e o anterior pode colocar fora”. Atualmente vinte por cento dos setores estão organizando seus arquivos, aplicando os instrumentos de gestão com meu auxílio. Então foi uma conquista, porque no início fui rejeitada por ser uma profissional que eles desconheciam… Depois vendo os resultados, foram entendendo que o trabalho funciona, que é bom. Mas é muito trabalho e “euquipe” não dá conta sozinha!

     A chefia do protocolo foi alterada e o trabalho de gestão documental foi interrompido… Nesse período a SUSEPE começou um projeto com a PROCERGS para a reformulação do site e intranet. A chefia da DTI (Divisão de Tecnologia de Informação) soube que tenho especialização em gestão em tecnologia da informação e convidou-me a integrar a divisão. Esse projeto seria um trabalho com início, meio e fim e eu poderia dar continuidade ao meu trabalho de gestão documental. Peguei minhas coisas e fui bem feliz!

     Em três meses concluímos o site e em maio deste ano a intranet da instituição. Pude agregar o conhecimento que tinha dos setores, criamos formulários eletrônicos para facilitar o fluxo de informação… Esse projeto foi muito legal, já conhecia o pessoal e todos foram bem receptivos e participativos nas sugestões para a intranet. Hoje na DTI atuo com os colegas no desenvolvimento de POPs (Procedimentos Operacionais Padrão) e projetos na área.

    Quanto à gestão documental, quando a atual gestão compreendeu meu trabalho, passei a ter maior credibilidade. Já fiz consultorias, conforme demanda, nas delegacias e presídios do interior, não fico só no órgão central! Desenvolvi um “pacote padrão” com formulário requerendo informações sobre o estado da documentação entre outros dados, plano de classificação, tabela de temporalidade e uma apresentação básica sobre os procedimentos de gestão documental. Eles começam a aplicar os instrumentos e quando tem dúvidas entram em contato.

    Desde março deste ano, com os estagiários trabalhando no arquivo, estamos aplicando a tabela de temporalidade. Liberamos espaço, temos dois computadores, as lâmpadas queimadas foram trocadas e a sala é limpa regularmente. Os colegas dizem: “Nossa, tu conseguiu muito em pouco tempo!” e eu penso: “Poderia ter conseguido muito mais!”. A diferença entre o público e o privado é a cultura, porque quando as pessoas entendem, o trabalho funciona. No desenvolvimento do meu trabalho sempre registro tudo e dou ciência para meus superiores.

    Quanto ao apoio externo, sou muito satisfeita com a assessoria da equipe do SIARQ/RS do Arquivo Público. Isso é importante, pois trabalho sozinha e são 14 mil processos cadastrados anualmente só na SUSEPE. Algumas vezes deparo-me com situações que necessitam debate técnico para classificar a informação corretamente e a equipe do SIARQ/RS do Arquivo Público me assessora totalmente. Eu ligo, mando email e sempre me retornam, às vezes questionam… E isso é bom, mostra o interesse em ajudar, é um apoio, uma troca!

    Ao fazer um paralelo entre o público e o privado vejo um diferencial em dotação orçamentária. Quando uma empresa privada contrata um arquivista é porque realmente quer que o trabalho seja executado, ela quer resultado e prazo. E todos os recursos que solicitares, se justificado, será viabilizado. No público as pessoas entendem, mas o retorno demora para acontecer.

     Hoje percebo que sou valorizada, sabem que trabalho, que tenho resultado. Sinto-me uma profissional realizada! Gosto que as pessoas reconheçam meu trabalho. Mas sempre digo: “Para trabalhar em arquivo tem que ter autoestima”. Tanto no público quanto no privado o arquivista tem que ser interessado, persistente e gostar do que faz. Sabe aquele dizer “Ensina-me de várias formas e de várias maneiras que eu vou aprender”? Aplico isso direto. Tem pessoas resistentes, mas quando vêm os resultados obtidos pelos outros, se interessam. Como arquivistas, trabalhamos direto com as pessoas, temos que respeitar os perfis de usuários…

     Bom, nas minhas horas vagas sou a mãe do Augusto! Ele é a melhor, a maior, a mais difícil, a mais complexa das coisas que já fiz na vida! Exige uma atenção, monitoramento constante. Educar, ensinar valores é complicado, e demanda tempo, sou extremamente preocupada com isso. Eu abro mão de muitas coisas para ficar com ele, brincar, levar na pracinha… Levo-o na Bienal, no teatrinho, na feira do livro, na Redenção! Ele me renova! Descobri-me uma pessoa melhor depois que fui mãe. Ele e meu marido são meus companheiros em tudo que eu faço! Gosto de ler, happy hour e de ir ao Olímpico com as amigas. Jantinhas básicas… Não sei cozinhar, gosto de comer! Fico pensando: “Meu filho vai dizer: nossa, minha mãe faz a melhor lasanha congelada do mundo, tira no ponto certo!”. Mas isso é uma coisa que tenho que trabalhar.

     Para o futuro penso em continuar a fazer concursos melhores, porque acredito que nossa carreira é muito boa, gratificante, mas a remuneração não condiz com nossas atribuições. Tenho planos de morar fora e voltar a fazer trabalho voluntário.

Mês do Arquivista: Aerta Grazzioli Moscon

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Aerta Grazzioli Moscon, 47 anos, natural de Santa Maria/RS, é formada no Curso de Arquivologia da UFSM em 1987 e integra o quadro de arquivistas do APERS desde 1992. Agora ela nos contará um pouco de sua experiência, confira!

     Quando estava no 3° ano de Ensino Médio fiz um teste vocacional e o resultado foi direcionado para a área de Ciências Humanas, então prestei vestibular para Arquivologia na UFSM e História em uma universidade privada de Santa Maria. Fui aprovada nos dois e optei por Arquivologia. Minha primeira aula foi com a professora Eneida (Eneida Izabel Schirmer Richter), ela era bem empolgada, eu adorei! Deslumbrei-me pelo Curso, identifiquei-me, nunca pensei em desistir! Sempre participava das viagens para congressos, visitas… A primeira vez que vim ao Arquivo Público lembro que fiquei fascinada pelas escadarias, pelo piso, pela quantidade de documentos, tirei fotos… e pensei: “Eu quero trabalhar aqui!”.

    Minha formatura foi em 1987 e no ano seguinte fiz especialização em arquivos médicos, também pela UFSM. Enquanto acadêmica fiz estágios em arquivos médicos e meu estágio curricular foi no Hospital Regional de Chapecó. Foi bem legal porque o Hospital era novo, fomos eu e minha colega que estruturamos o arquivo! Fiz alguns concursos, mas não cheguei a ser chamada… Trabalhei em um censo do IBGE, ia às casas aplicar os questionários, eu gostava! Em 1991 prestei o concurso para o Estado, meu único concurso na área de arquivo, fui nomeada em maio de 1992, logo entrei em licença gestante, retornando em setembro.

     A forma como os arquivistas do concurso de 1991 e os do concurso de 2010 entraram foi bem semelhante. Em ambos foram vários nomeados para o Arquivo e quando entramos em exercício não tinha muito direcionamento do que fazer, não havia preparação para receber tantos servidores novos. O decreto do SIARQ/RS é de 1989 e foi em função disso que os arquivistas ingressaram no Estado através de concurso. Anterior ao concurso tinha algumas arquivistas nomeadas como Cargo em Comissão na gestão do Rossato (Carlos Aléssio Rossato). Foi essa equipe a responsável pela elaboração das bases do SIARQ/RS e dentro da conjuntura da época fizeram um bom trabalho.

     Quando entrei em exercício já estavam fazendo o levantamento documental nas Secretarias, a partir deste levantamento seria feito a tabela de temporalidade do Estado. Ao retornar da licença maternidade o levantamento documental já estava em fase final, fui designada para montar a tabela de temporalidade. Naquela época o Arquivo tinha dois computadores, dois! Então eu ficava na sala de informática montando a tabela. Hoje refletindo sobre isso penso: “Uma pessoa que de experiência profissional só tinha estágios em arquivos médicos, ficou responsável por montar a tabela de temporalidade do Estado. Que insanidade!” A ideia de criar uma tabela única foi concretizada em 2008.

     Depois disso os técnicos científicos, que não estavam em função de chefia, foram divididos em três equipes: uma responsável por pesquisar a história administrativa do Estado, outra responsável pela preservação do acervo e outra por elaborar um instrumento para o acervo do Poder Judiciário, eu fiquei nessa. Para isso nós líamos os processos e elaborávamos um resumo. Esse trabalho resultou num catálogo, Cadastro de Processos, que é consultado até hoje. Eu penso que estes trabalhos foram válidos, são úteis até hoje.

     Concluídos esses trabalhos as equipes foram novamente divididas, mas agora em consonância com algumas funções arquivísticas: avaliação, descrição e preservação. Eu compunha a equipe de descrição, a qual produziu o Mapeamento do Judiciário por Município (conhecido como “Mapeamento Azul”). Para isto realizamos um levantamento no acervo, olhávamos nas estantes as Varas e o que tinha nos maços, as tipologias. Não olhamos o que tinha documento a documento porque na época optamos por proceder dessa forma para termos um instrumento em menos tempo, assim esse mapeamento apresenta algumas falhas. Depois disso fiquei afastada por dois anos em licença interesse.

     Ao retornar passei a integrar a equipe de avaliação por quatro anos. Participei da elaboração de alguns planos de classificação e tabela de temporalidade de algumas Secretarias, mas tudo demanda. Nesse período também participei da organização do acervo dos Tabelionatos, que foi um trabalho bastante exaustivo que se estendeu por alguns anos. Esse trabalho foi demandado em decorrência da reforma dos prédios I e II. Para a elaboração do índice dos tabelionatos foi realizado o levantamento por unidade documental, foi um trabalho interessante, um desafio. Tivemos que estudar toda a estrutura dos Tabelionatos, seu funcionamento, para organizá-los respeitando o princípio da proveniência. Isso foi bom, pois da forma como estava antes, classificado por municípios, os Tabelionatos foram emancipados junto com os municípios, um exemplo disso é que em determinadas ocasiões tínhamos um documento do município de Agudo, mas que na verdade ele era de Cachoeira do Sul, antes da emancipação.

   Para execução deste trabalho, pela primeira vez arquivistas e historiadores desenvolveram um projeto em conjunto no APERS. O estudo administrativo dos municípios resultou no índice e na ISAD(G) dos Tabelionatos. Outro acervo que eu gostei de trabalhar, que ficou de acordo com a teoria arquivística, foi o da Supervisão de Ordem Política e Social – SOPS/RS, que infelizmente depois de organizado, por meio do Decreto 39.680/99, foi transferido para o Memorial do RS.

     Depois disso, em 2003, assumi a chefia da DIDOC. Foi um desafio! Eu já estava aqui há 12 anos, tinha ficado afastada por dois, e pouco conhecia do Arquivo. Quando fui convidada eu disse que iria tentar, mas não sabia se ia conseguir. A diretora disse que eu podia contar com ela sempre “Tudo que tu precisares venha falar comigo porque eu conheço o acervo, o Arquivo”. E realmente conhecia. Ela fazia busca, guardava a documentação no acervo…, trabalhou em todas as estâncias do Arquivo, tem uma bagagem. Hoje eu posso dizer que conheço também, mas no momento que assumi não tinha muita noção. O meu maior medo era que um servidor ou pesquisador me solicitasse algo e eu não soubesse… Eu penso que para ser um coordenador tu tens que conhecer, ter domínio para saber orientar tua equipe e os usuários. Tive dificuldade, mas consegui, acho que me sai bem!

   Durante o período que fiquei na DIDOC tivemos conquistas: implantamos o teleatendimento, iniciamos a informatização do acervo e mudamos a forma de atendimento ao pesquisador. Nessa época estávamos reorganizando o acervo então eu procurava entrevistar os pesquisadores para ajudá-los a filtrar suas demandas. Assim auxiliava a identificar quais documentos deveria pesquisar e eu já tinha um levantamento do que ele iria pedir, antevendo as suas solicitações e os possíveis problemas de localização.

     O teleatendimento foi entre 2004 e 2005… Necessitávamos normatizar, qualificar e padronizar o nosso atendimento, e reduzir o prazo para entrega dos documentos. Para isso contamos com o apoio da equipe do DEORG para estruturar o fluxo das atividades da Divisão de Documentação. Também fizemos uma ampla campanha de divulgação nos ônibus de Porto Alegre e região metropolitana, TRENSURB, Tudo Fácil, SINE, e outros órgãos que faziam solicitações de documentos do Registro Civil. A aceitação foi boa. Teve um ano que participamos do “Ação Global” na Restinga. Foi muito gratificante, pois das solicitações de certidões mil foram localizadas e atendidas.

     Começamos a planejar a informatização do acervo em 2003, sendo a implantação do Sistema AAP em 2005. Diria que foi o projeto com o qual mais me identifiquei. Sempre falo que o pesquisador não tem que chegar aqui e dizer a localização do documento, e sim nós darmos o documento para ele. E com a informatização eu acredito que estamos conseguindo isso; hoje pela internet é possível realizar uma consulta e ver que documentos têm, para então solicitá-lo. O sistema AAP é um grande banco de dados onde é possível descrever a documentação e também anexá-la. Penso que esse foi um dos grandes projetos desenvolvidos pela equipe do Arquivo, foi um grande ganho. Até pensamos em colocar as referências de acordo com as fichas para ser mais rápidos, porém percebemos que isso seria impraticável, que era necessário checar os itens documentais antes. Elaboramos o sistema com base na ISAD(G), que era referência na época, em conjunto com a PROCERGS. O sistema foi pensado para servir aos usuários, então quando fomos decidir que acervos inserir primeiro, optamos pelos que eram mais consultados e que ainda não tinham instrumento de busca. Começamos pelos processos de habilitação para casamento.

   Claro que a mudança para o sistema causou alguns problemas, pois alguns pesquisadores possuem índices próprios e tem por costume solicitar o documento já com suas referências. Mas tem que ficar claro que o pesquisador tem que solicitar a informação e nós temos que localizar o documento que a contem, é nossa obrigação. Além disso, tínhamos problemas com os processos de habilitação para casamento, eles estavam organizados por municípios, emancipados e não por proveniência. E os pesquisadores são pessoas esclarecidas, então eles questionavam “como tem um documento de Agudo, se nesse período ela pertencia a Cachoeira do Sul?”. Tudo isso foi reorganizado no processo de informatização.

     Atualmente desenvolvo um trabalho muito legal! Coordeno o projeto “Documentos da escravidão: preservação das cartas de liberdade”, patrocinado pela Petrobrás através da Associação dos Amigos – AAAP. Eu acompanho esse projeto desde o início e é gratificante quando participamos de algo desde o início! O projeto tem duração de um ano, e a contra partida do Estado é a disponibilização dos documentos para o trabalho, infraestrutura, coordenação do projeto, acesso ao sistema AAP e a disponibilização no portal do Arquivo após a conclusão. Estamos com um bom andamento, o trabalho é executado por uma equipe de estagiários.

     Eu me sinto realizada enquanto arquivista, gosto da Instituição em que trabalho, apesar de discordar de algumas atitudes. Questiono-me bastante sobre o andamento das coisas, se poderia ter feito mais… A estrutura do serviço público é complicada, muitas vezes dependemos de outras pessoas, é preciso ser persistente, questionar… O difícil me fascina, mas nem todos pensam assim, por isso que na esfera pública tudo é lento ou estagnado.

     Enquanto servidora do Arquivo muitos acontecimentos me marcaram: a reforma do Arquivo, participei das comemorações aos 100 anos, organização da SOPS e Tabelionatos… Sinto orgulho de trabalhar aqui, foi um sonho realizado. Quando não estou no Arquivo, gosto de ler bons livros, assistir filmes, fazer tricô, compras… adoro sapatos, bolsas e relógios! Curto cuidar da minha casa, sou super família!

APERS 106 anos por Carlos Aléssio Rossato

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Carlos Aléssio Rossato

    Na coordenação do Curso de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria, elaboramos um projeto de gerenciamento do Arquivo Público do RS que foi enviado ao governador eleito, Pedro Simon.

    Alguns dias antes da posse o governador convocou-me para uma reunião, com todos os novos secretários de estado e principais assessores. Neste encontro tive a oportunidade de falar sobre esse projeto, sobre o Curso de Arquivologia da UFSM, dos professores, dos arquivistas, dos contatos com o APERS; conhecendo seus problemas e as soluções cabíveis. Foi ai que recebi o convite do governador para dirigir o APERS. De início, relutei em aceitar, pois era professor da UFSM e nunca tinha assumido um cargo político. Mas o governador foi firme em sua escolha, dizendo que “o dono do projeto seria o seu gestor” e firmou o pé nisso. Disse ainda: “é a primeira vez que eu recebo um projeto que detalha problemas e soluções para um órgão público o dono do projeto não solicita o cargo”.

    Para assumir coloquei uma condição, que seria de levar alguns arquivistas comigo. Então, encaminhei uma relação de seis nomes, os quais consegui que fossem nomeados como Cargos de Confiança (CC), e estes foram os primeiros arquivistas, de fato, do APERS.  Logo que assumi, havia no Arquivo 14 funcionários, (em tempos anteriores teria mais de 70 servidores). Chamei um por um em meu gabinete e perguntei o que eles faziam e o que gostariam de fazer e se estavam gostando do serviço ou não. Alguns pediram para sair, outros eu pedi que saíssem. Dos que ficaram e dos novos que assumiram, cobrei produtividade e eficiência. Também incentivei a todos que estudassem.

    Depois de um ano de trabalho no Arquivo, pudemos constatar uma grande dinamização no atendimento ao público. Documentos que antes podiam demorar semanas, passaram a ser entregues em 15 ou 20 minutos, no máximo. Houve prioridade absoluta para o atendimento ao público. O Arquivo está ali para atender às necessidades das pessoas. Tudo isto vinha da minha formação em Administração de Empresas, e meu gosto por aplicar alguns conceitos de marketing. O público pesquisa e nós vivemos do público.

    Informado sobre nossos serviços no APERS o Governador, em um discurso para empresários, disse: “o melhor serviço do Estado está sendo prestado pelo Arquivo Público”. Com este destaque, todos os recursos que solicitamos nos foram dados, pois o Arquivo foi considerado prioridade número 1 da Secretaria da Justiça, a qual éramos vinculados na época. Conseguimos fazer a reforma na rede elétrica, hidráulica, do telhado e uma sala climatizada para armazenar arquivos em microfilmes.

   Em 1989, conseguimos trazer para Porto Alegre a “II Conferência Nacional de Arquivos.” Na abertura deste evento o Governador do Estado assinou dois importantes decretos, por nós elaborados, para o gerenciamento da documentação produzida pelo Estado, os decretos da criação do SIARQ/RS e da Comissão Central de Avaliação. Para fazer cumprir estes decretos, pedi a criação de 30 vagas de Arquivistas para o APERS e a abertura de um concurso público para a nomeação destes profissionais. Foram aprovados 33 candidatos, dos quais 30 eram Arquivistas graduados pela UFSM.

    Na minha gestão como Diretor do APERS (1988-1991), também formalizei através de processo a devolução do Prédio III, frontal à Rua Riachuelo, então ocupado pela Junta Comercial do RS, o que veio a ser concretizado tempos depois com a saída da mesma. Nesse período também fui Presidente do Fórum Nacional de Diretores de Arquivos Públicos Estaduais.

    Outra iniciativa foi a criação de Arquivos Intermediários no interior do Estado. A ideia era criarmos quatro arquivos descentralizados (Cachoeira do Sul, Passo Fundo, Caxias do Sul e Pelotas) com o objetivo de começar a recolher a documentação de uso intermediário para estes locais, tendo em vista que o APERS não possuía mais espaço. Fizemos um primeiro convênio assinado com a Prefeitura de Cachoeira do Sul, que funcionou bem e chegou a ser uma sede regional.

    Falando sobre o conjunto arquitetônico do APERS, sempre gostei mais do Prédio I. Quando trabalhei ali, queria provar que a construção era perfeita, pois este prédio foi o único do mundo, confirmado por renomados arquivistas, planejado e construído em 1910/11 especificamente para ser um arquivo. Claro, hoje existem muitos prédios novos construídos para arquivo.  Fiz uma pesquisa de controle interno da temperatura, que no inverno chegou próxima de 0° no pátio e nunca baixou de 17°C no interior do Prédio I.  E no verão, com temperatura externa que chegou próxima a 40°C, no interior nunca passou de 25°C. Então a temperatura era de 17°C a 25°C, o que é ideal. E a variação máxima dentro do prédio durante um dia, tanto no inverno quanto no verão, foi de 1°C. Este prédio tinha detalhes na construção original que se forem hoje ao Palácio Piratini poderão encontrar esperas para o aspirador de pó que na reforma do arquivo foram retirados. Era uma tubulação que passava por todo o prédio e em todas as salas havia um cano onde se acoplava o mangote do aspirar de pó. Isso foi projetado lá em 1910, antes da construção.

    Atualmente estou desfrutando da minha aposentadoria junto com minha esposa. Gostamos de receber amigos, de cinema e de viajar. Fora isso gosto de ficar no nosso sítio! Meu hobbie é trabalhar com madeira, fazer ou recuperar móveis, colocar a mão na terra (horta, jardins, árvores frutíferas). Este é meu dia-a-dia! Temos casa em Porto Alegre, perto dos filhos e um neto. Como sócio vou a quase todos os jogos no Beira-Rio.

    Fico muito feliz quando alguém se refere a minha pessoa ao falar da história do APERS e dos arquivistas. Tenho orgulho de ter dirigido o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul. Sei que contribui, mas principalmente tive a oportunidade de aprender muito. O importante é que se mantenha um bom quadro de servidores e com qualificação.

APERS Entrevista: Carmen Lucia Borges Teixeira Valenti

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Carmen Lucia Borges Teixeira Valenti, 47 anos, é arquivista da UFRGS desde 2008, onde trabalha no Arquivo Geral. Carmen concluiu sua graduação em Arquivologia pela UFRGS em 2005 e sua pós-graduação em Gestão em Arquivos pela UFSM em 2010. Foi estagiária e cargo em comissão no APERS de 2003 a 2007, onde atualmente desenvolve projeto voluntário. Saiba um pouco mais sobre Carmen:

Blog do APERS: Carmen, você realizou teu estágio de final de Curso de Graduação no APERS e depois para escrever tua monografia de Pós Graduação retornou a instituição, podes comentar um pouco sobre o desenvolvimento destes trabalhos?

Carmen: Comecei como estagiária no APERS em 2003, e em 2004 fui contratada em cargo de comissão, permanecendo na instituição até 2007. Durante esse período trabalhei com acervos do Poder Executivo e os dos Tabelionatos. Então, quando o Sistema AAP começou a ser implementado comecei a trabalhar na estruturação intelectual dos acervos no Sistema. Assim quando tive de fazer meu relatório de estágio, optei por descrever o passo a passo da implementação do Sistema. E ao começar minha pesquisa para a pós-graduação retornei a instituição para conversar com a equipe técnica sobre a possibilidade de desenvolver um trabalho com algum dos acervos custodiados.

Blog do APERS: Carmen, você poderia comentar um pouco sobre seu trabalho desenvolvido na Pós Graduação?

Carmen: Após conversar com a equipe do APERS e ter a autorização para realizar meu trabalho, optei por trabalhar com um acervo que fosse “pequeno” (240 caixas) para ter tempo hábil de concluir o projeto. No APERS a equipe se mostrou muito receptiva ao meu trabalho, disponibilizando local, material e assessoria técnica para o desenvolvimento do trabalho que envolveu a classificação, avaliação e higienização dos documentos sobre o Orçamento Participativo, além da discussão e análise da situação destes documentos.

Blog do APERS: Como ocorreu a escolha de realizar “Um estudo nos Documentos do Orçamento Participativo do RS”?

Carmen: Escolhi esse acervo como objeto de pesquisa por ele ter sido recolhido ao APERS sem ter passado por nenhum tratamento prévio, e por ter condições de ser analisado quanto a sua formação.

Blog do APERS: E qual foi à colaboração do APERS para a tua pesquisa?

Carmen: Além de oportunizar a pesquisa, tive auxílio da equipe para treinamento quanto à aplicação do plano de classificação e da tabela de temporalidade documental, e continua assessoria.

Blog do APERS: Qual a tua dica para os estudantes de arquivologia que estão começando a pesquisar, a desenvolver estágios e trabalhos de conclusão de cursos?

Carmen: Definir primeiro o foco da pesquisa, pois normalmente as pessoas querem pesquisar, mas não sabem o que. E quando tiver interesse em desenvolver uma pesquisa aplicada, conversar com quem trabalha na instituição, para poder desenvolver um trabalho onde o pesquisador e a instituição sejam beneficiados.

Blog do APERS: Nas tuas horas vagas, quando não estás pesquisando, quais são os teus hobbies ou tuas atividades preferidas de lazer?

Carmen: Gosto de ler e ver filmes de ficção, romance, aventura ou que tenham em sua temática o Egito! Também gosto de montar quebra-cabeças, já tenho dez montados. Depois que termino de montar, mando colocar em uma moldura!

Para quem tiver interesse em ler os trabalhos que Carmem desenvolveu, eles estão disponíveis em nossa biblioteca de apoio da Sala de Pesquisa.

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