Lista de Inscritos – Curso Educação Patrimonial, Cidadania e Direitos Humanos: desafios do tempo presente.

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É com satisfação que divulgamos a lista de inscritos para o curso “Educação Patrimonial, Cidadania e Direitos Humanos: desafios do tempo presente”.

As atividades começam nesta sexta-feira, 26/08, às 14h, no auditório do Arquivo Público (Rua Riachuelo, 1031, Centro de Porto Alegre). Até lá!

Lista de Inscritos Curso Educ Patrimonial 2016

Acesse aqui a programação completa.

APERS Entrevista: Nôva Marques Brando

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Nôva Brando - APERSNôva Marques Brando, 32 anos, é historiadora do Arquivo Público do RS, possui graduação em História e especialização em Ensino de Geografia e de História, ambas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já atuou profissionalmente como Professora de História nas séries finais do Ensino Fundamental e coordenou o Projeto APERS? Presente, professor! – Propostas pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas. Atualmente é membro suplente do Comitê Gestor do Sistema de Arquivos do Estado (SIARQ-RS) e da Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI). Trabalha com pesquisas, descrição documental, difusão cultural e educativa e atividades de conservação e restauro documental. Confira a entrevista com Nôva em alusão ao Dia do Historiador:

Blog do APERS: Nôva, você poderia comentar um pouco sobre como decidiu cursar História?

Nôva: Tenho a impressão que os motivos são muito semelhantes para todos que decidiram por graduar-se em História. Lembro da primeira semana na Faculdade, quando em uma aula de Sociologia o professor nos questionou sobre os motivos que nos levaram até alí. Boa parte das respostas continham, em suas justificativas, um desejo de contribuir para construção de um mundo mais justo e solidário e a certeza de que o historiador, o professor de história estaria a serviço disso. Para mim não foi diferente, decidi cursar história porque queria ser uma professora que trabalhasse para mudar o mundo. E não há muito de altruísta nessa posição, percebi tempos depois. A verdade é que o interesse pelo conhecimento histórico vinha antes e ficou fácil uni-lo, no momento de decidir minha profissão, à vontade de lutar por transformações nas relações sociais. Fora isso, também tive, assim como muitos colegas de profissão, aquele professor referência, que, através do modo como enxergava a história, provocava brilhos nos olhos durante suas aulas. E acho mesmo que a decisão final passou por isso também, por acreditar que meus dias de trabalho na sala de aula seriam vividos com paixão. O que aconteceu depois foi um pouquinho diferente (risos), mas isso é resposta para outra pergunta.

Blog do APERS: No Arquivo Público do RS, entre outras atividades que já desempenhas, estás te qualificando para assumir a área de preservação e conservação de documentos. No teu entendimento, qual o papel dos historiadores que atuam em arquivos?

Nôva: Sim. Depois de atuar em projetos de descrição e difusão documental, na organização de eventos, de participar do PEP UFRGS|APERS, de desenvolver materiais pedagógicos a partir dos acervos do Arquivo, hoje estou me qualificando para trabalhar nas atividades de conservação e restauração de documentos, área bastante importante dentro de um arquivo. Desde 2015 estou realizando cursos para poder responder a essa demanda. O trabalho é bastante complexo, sobretudo quando nos deparamos com documentos bastante castigados por fatores externos e internos. Uma responsabilidade e tanto. Esse, por exemplo, pode ser um dos papéis desempenhado por historiadores em um Arquivo e descobri isso bem recentemente (risos). De um modo geral, penso que os historiadores devem estar envolvidos em todas as principais atividades desenvolvidas em uma instituição arquivística – gestão documental, preservação, acesso e difusão. Entendo que a capacidade que temos de historicizar as relações sociais, inclusive a produção dos documentos, e os vestígios que sobre elas restaram, nos permitem contribuir de forma determinante para o cumprimento daqueles que eu considero como objetivos centrais de um arquivo, a preservação e a garantia de acesso ao maior número possível de documentos para um público que seja cada vez maior e mais diverso.

Blog do APERS: Tens contribuído para a organização de acervos, como o produzido pela Comissão Estadual da Verdade, que em breve será difundido aos nossos usuários. Quais foram as etapas do trabalho, e como você percebe esta experiência?

Nôva: Quando comecei a trabalhar no APERS, em fevereiro de 2013, fui acolhida pela equipe que estava elaborando o Catálogo Resistência em Arquivo, instrumento de pesquisa que tem auxiliado na divulgação do Acervo da Comissão Especial de Indenização. Esse foi o primeiro contato que tive com um conjunto documental custodiado pelo Arquivo. Tal acervo já estava organizado, avaliado, classificado, descrito e indexado no Sistema de Administração de Acervos Públicos (AAP), e passava, naquele momento, por um processo de descrição mais minuciosa que atendesse e qualificasse o atendimento ao pesquisador e que divulgasse a documentação. No final de 2014, foi recolhido ao APERS, o Acervo da Comissão Estadual da Verdade cujos documentos, na perspectiva do conteúdo, são semelhantes aqueles que havia trabalhado em 2013. Acho que esse foi o motivo principal pelo qual fui demandada para compor a equipe de organização desse acervo. E percebi, já no início da organização, que o conhecimento sobre o contexto e sobre o processo de elaboração da documentação, bem como sobre o conteúdo registrado nela, foram de importância ímpar para a qualidade do trabalho que sobre ela realizamos. Acho que esse conhecimento foi minha maior contribuição e acredito que ele tenha auxiliado nas fases que foram desde o mapeamento, passando pela classificação e avaliação, pela decisão dos critérios para organização da documentação (dossiês e documentos individuais), até a fase de descrição. Também elaboramos um Catálogo para auxiliar na pesquisa ao acervo. Hoje estamos indexando a documentos no AAP e em breve tanto ele quanto o Catálogo estarão disponíveis para consulta pública. Diferentemente da primeira experiência com o Acervo da Comissão Especial de Indenização, o trabalho desenvolvido com o Acervo da Comissão Estadual da Verdade me permitiu entrar em contato com todas as fases da organização de um acervo, uma atividade repleta de novos aprendizados e do desenvolvimento de competências que não possuía antes desse trabalho.

Blog do APERS: A partir de tua experiência no Arquivo Público do RS, qual perfil acreditas que o historiador que atua na área de arquivos deve ter?

Nôva: Mais que um perfil definido, penso que um historiador que atua em arquivos tem de ter é disponibilidade para aprender e para “navegar em águas misteriosas”. Aponto isso, porque exceto aquela “capacidade de historicizar”, que mencionei acima, pouco estamos preparados para o trabalho em um arquivo ao sair dos cursos de graduação (quantos de nós sabemos o que é um Plano de Classificação ou uma Tabela de Temporalidade de Documentos?). Acho que os currículos apontam para mudanças, mas ainda estão centrados na formação de professores e de pesquisadores que produzem um tipo específico de conhecimento, o conhecimento acadêmico. Embora nossas atividades encontrem pontos de intersecção com o ensino e com a pesquisa acadêmica, não são elas que caracterizam nossas principais atribuições. As atividades pedagógicas e de pesquisa que realizamos nos arquivos são qualitativamente diferentes daquelas desenvolvidas por professores nas salas de aula ou por pesquisadores na academia. Os tempos de produção de conhecimento e de execução de tarefas também são outros. Temos que dialogar com uma série de conhecimentos que vão desde os arquivísticos até os da Filosofia do Direito. Dessa forma, pelas lacunas existentes na formação inicial (que nunca contemplará tudo), acredito que a característica necessária seja a disponibilidade para aprender e para dialogar, numa perspectiva interdisciplinar, com os outros profissionais e com as experiências desenvolvidas nas mais diferentes instituições de memória.

Blog do APERS: Enquanto historiadora, podes comentar alguma situação inusitada ou maior desafio vivenciado?

Nôva: O desemprego. Sem dúvida alguma esse foi o maior desafio que enfrentei. Terminar um curso de graduação sem perspectivas de trabalho, foi um momento bastante difícil, superado, ainda bem! O segundo foi (está sendo) me ressignificar profissionalmente neste outro espaço de atuação (APERS) que era improvável para a acadêmica que mirava na sala de aula seu futuro local de trabalho.

Blog do APERS: Para que conheçamos um pouquinho mais sobre você, nas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Nôva: Gosto de estar na companhia da família, dos amigos, da Capitú, da Negrinha e do Baixinho (meus cachorros). Assisto filmes e séries com meus sobrinhos e novela com a minha mãe. Com os cachorros, gosto mesmo é de ficar de frescura – correr no pátio, deitar no chão, ficar de barriga pra cima. Os amigos são aquela companhia indispensável para os Happy hours tão necessários à saúde psíquica da gente. Costumo também frequentar lugares com música ao vivo – como viver sem música. E quando sozinha, literatura.

Blog do APERS: Em alusão ao Dia do Historiador, 19 de agosto, deixe uma mensagem à classe!

Nôva: Porque desnaturalizamos as relações e porque questionamos o que parecia óbvio, nas mais diferentes esferas de atuação, nós somos parte daqueles que incomodam e que desacomodam. Que incomodam e desacomodam nas ruas, nas escolas, nas universidades, nos arquivos e nos churrascos de domingo. Que assim seja e que a gente possa ser feliz com isso!!!

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APERS Entrevista: Clarissa de Lourdes Sommer Alves

APERS Entrevista: Clarissa de Lourdes Sommer Alves

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Clarissa Alves - APERSClarissa de Lourdes Sommer Alves, 29 anos, possui Licenciatura e Bacharelado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e atua desde 2010 como historiadora no Arquivo Público do RS. Dedica-se a atividades de descrição e difusão do Arquivo e de seu acervo, em especial a ações educativas de educação patrimonial, organização de cursos, eventos e publicações. É membro titular do Sistema de Arquivos do Estado (SIARQ-RS) na condição de historiadora do APERS. Confira a entrevista que realizamos com Clarissa em homenagem ao Dia do Historiador!

Blog do APERS: Clarissa, você poderia comentar um pouco sobre como decidiu cursar História?

Clarissa: Chega a ser engraçado pensar nisso agora, mas a verdade é que foi um tanto “por acaso”. Conclui o Ensino Médio cedo, 17 anos recém feitos, e queria tentar o vestibular na universidade pública, até porque, na privada não teria condições. Sempre me interessei por muitas coisas, em geral gostava de aprender em todas as disciplinas escolares (com predileção pelas Humanas), mas não tinha um “grande sonho” com alguma profissão específica. Neste sentido, pensei que poderia ser feliz estudando História, tendo como horizonte a atuação como professora, pois poderia unir vários interesses: o estudo para compreender e intervir melhor na sociedade em que vivemos, o gosto pela leitura e pesquisa, o contato com pessoas e a contribuição para a formação delas… A decisão final se deu no momento mesmo de preencher o formulário de inscrição no vestibular, tanto que como segunda opção, sem ter alternativas em mente, acabei colocando o curso de Administração! Algo que hoje não me imaginaria fazendo, de forma alguma. Passei naquele primeiro vestibular, e felizmente deu certo: fui me identificando com a área desde o primeiro semestre do curso, e hoje, quase sete anos depois de formada, não me arrependo.

Blog do APERS: No Arquivo Público do RS, entre outras atividades, estás a frente do Programa de Educação Patrimonial. No teu entendimento, qual o papel dos historiadores que atuam em arquivos?

Clarissa: Atuo junto ao Programa de Educação Patrimonial desde que cheguei ao APERS, ainda como estagiária, em 2009. Tive a alegria de ve-lo nascer e acompanhar sua consolidação na parceria fundamental com a UFRGS. Mesmo com outras atribuições, envolvendo-me com diferentes ações e projetos ao longo destes anos, posso afirmar que foi especialmente a partir deste trabalho que me constitui enquanto profissional de arquivos, percebendo as limitações e oportunidades legadas por mim formação acadêmica para atuação neste espaço, enxergando o quanto são densas as conexões possíveis entre pesquisa e ensino quando estamos trabalhando aqui, entendendo afinal quais são as atribuições de um arquivo e quais são as demandas sociais que podem ser estimuladas, refletindo no dia a dia sobre o acesso e a difusão de acervos, e aprendendo a produzir conhecimentos a partir deles de uma forma diferente daquela para a qual somos “treinadas” na pesquisa histórica acadêmica. As oficinas de Educação Patrimonial têm sido um laboratório riquíssimo, e um quase “paraíso” quando deseja-se conectar ensino-aprendizagem com pesquisa em fontes históricas. Hoje ainda tenho dúvidas, e porque não dizer algumas “crises”, sempre que me pego pensando sobre o nosso papel dentro das instituições arquivísticas da atualidade – que certamente pouco têm a ver com os arquivos do passado, que eram em sua maioria organizados por historiadores e voltados para uma elite intelectual e política. Tanto que resolvi dedicar-me a esta questão no mestrado, que iniciei este ano. Mas, já posso afirmar, com certeza, que uma historiadora ou historiador que atua dentro de um arquivo tem como papel central contribuir com um olhar crítico em perspectiva histórica para todas as atividades em que for demandada(o): contribuir para reflexões que levem à preservação da maior gama possível de documentos que registrem vestígios do passado para o futuro; organizar eventos e publicações de caráter histórico que valorizem a instituição e seu acervo; produzir textos, exposições, oficinas, enfim, uma ampla gama de “produtos” que ajudem a desfazer percepções de senso comum sobre a história e a ampliar a noção de que as instituições de memória são públicas, acessíveis a cada cidadã e cidadão, estimulando a autonomia na busca por informações e direitos.

Blog do APERS: És membro titular do Comitê Gestor do Sistema de Arquivos do RS como historiadora represente do APERS. Como você percebe a importância da efetivação da gestão documental para a preservação e para o acesso ao patrimônio documental?

Clarissa: Esta é uma questão que, me parece, deve ser central para as historiadoras e historiadores de nosso tempo. Ao longo do século XX assistimos a uma grande e positiva expansão na compreensão do que pode ser fonte para a pesquisa histórica – que deixou de ser realizada apenas sobre os documentos ditos “oficiais” ou relativos a grandes acontecimentos e personagens notórios, passando a ser possível a partir de, enfim… todo e qualquer registro das sociedades humanas! Claro que isso é positivo quando pensamos a escrita da história das classes populares, das minorias não apenas numéricas mas políticas, como mulheres, negros e negras, indígenas, homossexuais, entre inúmeras outras possibilidades. Entretanto, colocou-se para nós, enquanto categoria profissional, um grande dilema: se tudo pode ser fonte, e não temos “bola de cristal” para antecipar quais serão as preocupações dos pesquisadores do futuro, como ajudar a definir que documentos devem ser preservados? Para complicar ainda mais, esta nova compreensão na historiografia efetivou-se ao passo em que o Estado e diversas organizações sociais ampliaram em muito a produção de documentos, pelo crescimento populacional, ampliação das lutas, demandas e acesso aos mais diversos direitos, etc. Neste cenário, afirmo sem pestanejar: os processos de gestão documental – que vão desde a produção da documentação, em meio físico ou digital, até sua destinação final, passando por classificação, avaliação, descrição, eliminação ou recolhimento a arquivos públicos – são de fundamental importância para que seja possível preservar a acessar qualquer informação hoje, e no futuro. Precisamos nos envolver no esforço conjunto com arquivistas, administradores e outros profissionais de pensar e registrar, de forma transparente, critérios globais para esta preservação, que resultem em instrumentos qualificados de gestão, representativos das funções do Estado ao longo da história. Se em meio a massas documentais acumuladas já há grande dificuldade de garantir o acesso qualificado a qualquer documentação, imaginem na era (que já está às portas) do documento digital? Essa possibilidade vai se perder se não houver política e ação.

Blog do APERS: A partir de tua experiência no Arquivo Público do RS, qual perfil acreditas que o historiador que atua na área de arquivos deve ter?

Clarissa: Além dos elementos que já pontuei nas questões anteriores, penso que deve saber trabalhar em equipe e dialogar com colegas de diferentes áreas, ter aptidão para a pesquisa e para a produção textual voltada a um público mais amplo do que o acadêmico, assim como sensibilidade e criatividade para atuar com este público no cotidiano, que poderá ser de estudantes da Educação Básica, de genealogistas, de pesquisadores das ciências humanas, sociais, jurídicas, etc.

Blog do APERS: Para que conheçamos um pouquinho mais sobre você, nas horas vagas quais são tuas atividades preferidas de lazer?

Clarissa: Gosto muito de viajar, ouvir música e ler, ainda que (confesso) não tenha tido muito tempo nos últimos anos para me dedicar a estas “tarefas”. Além das muitas horas no APERS, quando estou fora tenho me envolvido sempre com alguma atividade acadêmica ou de militância política, e poucas horas restam para puro lazer… Quando estou despreocupada em casa, as vezes o cansaço vence e o lazer transforma-se em sinônimo de “dormir”. Acho que 2016 é a maior prova de que não sei viver sem mil compromissos: além de “inventar” uma desejada aprovação no mestrado, fiquei sabendo que estou grávida no mês em que fiz a matrícula! Logo, estou tendo que aprender a ter como hobbies as leituras sobre maternidade e parto natural (algo que eu defendo), os preparativos na casa, o planejamento das coisas para os chás de bebê e para o quartinho, e lá se foi o tempinho que poderia reservar agora para a lista de livros de literatura que há muito me acompanha (risos).

Blog do APERS: Em alusão ao Dia do Historiador, 19 de agosto, deixe uma mensagem à classe!

Clarissa: Acreditem em nossa profissão e saboreiem cada uma das surpresas que ela nos traz, lembrando sempre que, se quisermos ser profissionais qualificados, não é possível dissociar o “historiador-pesquisador” do “historiador-professor” – seja na escola, na universidade ou no arquivo. Além disso, tenham em mente que nossa profissão está diretamente ligada às demandas e lutas do tempo presente, e que precisamos nos atualizar, para dialogar com a sociedade e produzir conhecimento que realmente cative e transforme!

Nas próximas semanas teremos mais entrevistas com nossas historiadoras, aguarde!

Estágio Curricular em História

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            A Capacitação de Oficineiros, ação do Programa de Educação Patrimonial UFRGS|APERS, desde 2009, é um reconhecido campo de estágio na área de educação patrimonial para os acadêmicos dos cursos de Licenciatura em História. Com o objetivo de habilitar futuros profissionais para práticas de ações educativas a partir de patrimônios documentais, tal iniciativa já contribuiu para a formação de dezenas de estudantes.

            O APERS, no entanto, não quis parar por aí. E para contemplar uma série de outras atividades sobre as quais se debruçam historiadores em arquivos e também para responder uma demanda já antiga, a instituição oferecerá, a partir do segundo semestre desse ano, Estágio Curricular em História, caracterizado por uma série de atividades destinadas ao cumprimento de estágio curricular obrigatório ou para horas complementares exigidas para integralização dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em História.

Estágio Curricular em História

            Nele, os alunos serão convidados a vivenciar diferentes atividades nas quais historiadores estão envolvidos em um arquivo, problematizar as possibilidades de atuação dos historiadores em espaços e instituições de memória e qualificar-se para o desenvolvimento de atividades vinculadas ao patrimônio documental.

            Clique aqui para ver, em detalhes, o Programa do Estágio Curricular em História do APERS e corra para realizar sua inscrição, pois as vagas são limitadíssimas e serão priorizados para aqueles que necessitem de carga horária para cumprimento de estágio curricular obrigatório.

            Para realizar sua inscrição, escreva para o e-mail apers@smarh.rs.gov.br, encaminhando nome completo do interessado, da Universidade na qual estuda e da disciplina que exige horas de estágio em instituições de memória. Informe também um telefone para contato.

            Ficamos à disposição para quaisquer esclarecimentos também por esse e-mail e pelo telefone 3288 9112.

Atualizado em 22.08.2016

Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS VI – História das Infâncias

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            Estamos nos aproximando da XIII Mostra de Pesquisa APERS e, com isso, chegamos à última postagem da série Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS. Nela, vamos discutir um pouco mais sobre uma temática recente na historiografia: Infâncias.

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            Para isso, vamos comentar as publicações de dois autores. O primeiro deles, Carlos da Silva Cardozo, apresentou trabalhos em quatro edições do evento, partindo de pesquisas em um mesmo acervo. O primeiro artigo foi publicado nos Anais da VII Mostra de Pesquisa e recebeu o título de A criança porto-alegrense na belle époque brasileira através do juízo de órfãos. Nele, o autor investigou a formação da criança porto-alegrense no período denominado de Belle Époque, sobre a influência do processo de modernização da cidade de Porto Alegre. Para isso, debruçou-se sobre a situação das crianças envolvidas nos processos de tutela, documentação produzida pelo Juízo Distrital da Vara de Órfãos de Porto Alegre, 2ª Vara de Família e Sucessão, no período de 1900 e 1930 custodiados pelo Arquivo Público do RS. Segundo o autor, ideias modernizadoras europeias do período influenciaram modificações importantes na instituição família, considerada como alvo para regularização do comportamento social, da remodelação do urbano e da normatização da conduta individual e coletiva. Para ele, o juizado de órfãos essencial para o encaminhamento e para solucionar questões relativas ao abandono e a marginalização de crianças como, por exemplo, a mediação nas relações praticadas pela família, em particular, “o interesse dos órfãos, das suas heranças, das relações entre os menores e seus familiares ou tutores, bem como de sua renda e de seus bens”. Nos processos, encontrou casos que demonstraram “o uso da tutela para a manutenção dos menores em atividades produtivas para a realização de casamentos, para o zelo e educação dos menores, além de mostrar a remodelação do espaço urbano […]”. Com o estudo, Carlos pretendeu apresentar as potencialidades dessas fontes para investigar a família e a criança, no sentido de somar tais conhecimentos às investigações sobre a história da infância no RS e no Brasil.

            Na VIII Mostra, Cardozo apresentou o trabalho O Juizado de Órfãos de Porto Alegre: um reflexo da sociedade. Nele o autor retoma a função do Juizado de órfãos, que teria contribuído “para a regularização social das famílias porto-alegrense que passaram por alguma situação de desagregação familiar envolvendo menores nos anos iniciais do século XX” e defende, como resultado de sua pesquisa, que “os valores sociais e morais possuíam importância nas decisões e desfechos para se tutelar um menor”. Carlos lembra que nos anos iniciais da República, a família burguesa era o exemplo de conformação de grupo familiar a ser seguido e o Juizado de Órfãos seria um dos exemplos de como o poder judiciário intervia de modo a uniformizar a conduta familiar e com a formação do futuro cidadão  – que era o menor, expressão problematizada conceitualmente tanto por Cardozo quanto pela Franciele cujo trabalho vamos abordar mais adiante. De acordo com o pesquisador, cuidou primeiro dos menores de elite, decidindo e normatizando questões que envolviam heranças, familiares e tutores e, com a elaboração de políticas reguladoras, “passou a direcionar uma vigilância distinta para o cuidado (abandono, saúde, educação, etc) da criança pobre”.

            Na IX Mostra, apresentou o trabalho Tutelar ou Adotar: o melhor para quem?, no qual abordou a requisição de tutelas de crianças, forma eleita por muitos adultos para zelar pela saúde, alimentação, moradia e educação de menores órfãos e para administrar heranças.

            E, por fim, na X Mostra, apresentou outro desdobramento de suas pesquisas no acervo: O Gênero na Justiça: o caso do Juízo dos Órfãos de Porto Alegre. Segundo ele, “o gênero estava presente na Justiça e, consequentemente, utilizados pelos sujeitos que pleiteavam a guarda de um menor de idade”. O objetivo de Cardozo, com esse trabalho, foi, a partir da História Social, identificar como se apresentavam nos processos judiciais de tutela (1900-1927) na cidade de Porto Alegre a “situação delicada que a mulher adulta tinha perante o homem adulto quando decidia pleitear a tutela de uma criança ou adolescente” e também “a preocupação que a Justiça e sociedade tinham com as meninas. De modo geral, o autor verificou que o Juízo de Órfãos de Porto Alegre “realizou sua ação de zelar pelas meninas e adolescentes, depreciando, por outro lado, as mulheres adultas como possível tutoras de menores de idade”.

            Na IX Mostra de Pesquisa, tivemos a apresentação do trabalho de Franciele Becher, Conceituando a infância e a juventude: memória, esquecimento e políticas públicas de assistência em Caxias do Sul – RS, que partiu de sua pesquisa de mestrado sobre as políticas públicas voltadas à infância e à juventude pobre de Caxias do Sul-RS, para analisar um conjunto de fontes pertencentes a uma instituição assistencial da cidade de modo a observar a trajetória do conceito de menoridade – conceito também problematizado por Carlos Cardozo nos artigos que mencionamos anteriormente. Além das fontes analisadas, também o período pesquisado pela autora diferem dos trabalhos anteriores. Ela voltou-se para as décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990 (Promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente), no interesse de perceber “o quanto mudanças sociais e jurídicas na área da assistência refletiram também em mudanças conceituais a nível documental”. Para isso, parte da ideia de que o significado de infância não foi sempre o mesmo e que o “menor” e a “criança” não seriam meros substantivos, mas sim adjetivos da infância do final do século XIX e início do século XX – o menor seria a criança filha da pobreza, “que exigia ações urgentes do Estado em vias de sua educação, recuperação, vigilância e repressão”. Após consistentes abordagens e problematizações conceituais, a autora segue com a exploração de uma série de legislação e apresentação de instituições que foram criadas no período para dar conta da assistência (e repressão) dessa criança filha da pobreza. E, tomando isso como fonte, lista uma série de nomeclaturas utilizadas para rotular as crianças que apresentavam determinados comportamentos (e chega até a recente expressão meninos e meninas de rua). Entretanto, ressalta que “todas as noções que rondam o conceito de menoridade tinham por finalidade um controle do Estado sobre a vida dessas crianças, tendo elas famílias ou não”. Depois disso, foca na análise de documentos da Comissão Municipal de Amparo à Infância (COMAI) de Caxias do Sul e sintetiza, afirmando que a palavra menor não seria apenas uma categoria jurídica e nem uma expressão para indicar o estágio de desenvolvimento físico-corporal e sim “um conceito a partir do momento em que adjetiva, tutela e impõe controle sobre a população que pretende nomear”. De acordo com Franciele, a análise da trajetória de tal conceito nos documentos oficiais seria um dos caminhos para entendermos a trajetória da institucionalização da infância e da juventude no Brasil.

            Desde a História da Infância e da Família (1960) de Philippe Ariès, passando pela A Construção Social da Infância (1994) de Miguel Gonzáles Arroyo, a infância transformou-se em tema de pesquisa recorrente em diferentes campos do conhecimento, de modo a declararmos a existência de Infâncias. E podemos verificar isso tanto na pesquisa de Carlos Cardozo quando na pesquisa de Franciele Becher que, a partir de diferentes perguntas e fontes, verificaram indícios (classe social e gênero, por exemplo) que apontam para a existência de mais de um tipo de infância.

            Encerramos, sugerindo a leitura da recente publicação Dossiê “Infância, Juventude e Família”, resultado da I Jornada do Grupo de Trabalho Infância, Juventude e Família da ANPUH, realizado em outubro de 2015, disponível em: https://www.rbhcs.com/rbhcs

            Com essa postagem, finalizamos a série de textos Revisitando as Mostras de Pesquisas e aproveitamos para convidar os leitores a participarem da XIII edição do evento, que acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de setembro próximo. As inscrições para ouvinte continuam abertas e basta que encaminhe para o e-mail mostradepesquisa@smarh.rs.gov.br o nome e o e-mail completo do interessado ou interessada. Lembramos também, que serão fornecidos certificados de 30 horas para os participantes com, no mínimo, 75% de frequência. Para acessar a programação completa do evento, clique aqui.

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Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS I

Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS II

Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS III

Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS IV

Revisitando as Mostras de Pesquisa APERS V – História da Ditadura Civil-Militar

Hoje tem APERS no Programa Nação da TVE, assista!

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Hoje, às 22h30min, vai ao ar a segunda parte do programa Nação da TVE RS apresentado pela jornalista Fernanda Carvalho, gravado no Arquivo Público do RS, com a participação de nossas servidoras Aerta Moscon, arquivista, e Caroline Baseggio, técnica em assuntos culturais – historiadora.

De acordo com a emissora, o Programa Nação desta semana continua a busca pelas raízes africanas, mostrando registros e certidões do século XIX que permitem a localização de antepassados através do projeto Cartas de Liberdade do Arquivo Público do RS. E também como a genética, através de testes de DNA, pode ajudar a reconstituir a história dos afrodescendentes.

Além de nossas servidoras participam do programa os professores de história Walter Lippold e Adriano Viaro e a bióloga Rosa Maria Tavares Andrade.

O programa Nação vai ao ar hoje, às 22h30min, e sábado, às 19h30min, na TVE RS e também ao vivo pela internet (clique aqui e acesse o link) e quinta-feira, a meia noite, e domingo, às 6h, na TV Brasil.

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Documentos do acervo do APERS no Programa Nação da TVE!

APERS é palco de gravação do Programa Nação da TVE!

Resultados do Projeto Documentos da Escravidão – Preservação das Cartas de Liberdade

Pesquisando no Arquivo: Sugestões para o Historiador III

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Os Arquivos Públicos, como o nosso Arquivo Público do Estado do RS, tem um público em geral bastante significativo de pesquisadores que buscam por meio dos documentos salvaguardados reconstruir trajetórias de vidas de sua família, por motivos que variam desde a simples curiosidade de saber sobre seus antepassados, como a necessidade de levantar documentos para obtenção de cidadania em outras nações (italiana, portuguesa, alemã, polonesa, etc) ou academicamente, por meio de estudos biográficos.

Dentro do campo de estudo da História, o gênero de estudo biográfico experimentou um retorno nos últimos anos, em função principalmente da descrença de modelos totalizantes de explicação histórica. Durante muito tempo, principalmente durante a hegemonia dos Annales, o entendimento era de que apenas as explicações estruturais de longa duração seriam capazes de recuperar os grandes movimentos das sociedades, escapando a superficialidade dos fatos. O mal estar suscitado pelo retorno da biografia foi aos poucos sendo dissipado; porém, ainda dentro dessas perspectivas totalizantes, a biografia encontrou-se numa encruzilhada teórica, se limitando a dois modelos: ora como biografia representativa, ora como estudo de caso.

Neste mês, queremos propor aos nossos pesquisadores que lancem um olhar para as fontes custodiadas pelo APERS no sentido de reconstruir trajetórias de vidas. Contamos com um acervo riquíssimo, composto por diversos fundos que podem auxiliar nesta tarefa. Começando pelo Poder Judiciário, que nos aponta a possibilidade de conhecer um pouco do indivíduo quando de seu acesso à justiça, seja no feitio de um inventário, como inventariante ou inventariado. Que bens ou dívidas este indivíduo deixou? Como os adquiriu? Ainda temos a possibilidade de verificar os processos-crime, outra fonte com potencial de nos auxiliar a responder diversas perguntas: este indivíduo é réu ou vítima? De que está sendo acusado ou acusando? Que discursos constrói perante à justiça para se defender ou para acusar?

Ainda contamos com o Acervo do Registro Civil (certidões de nascimento, casamento e óbito, além dos processos de Habilitação para Casamento) que podem nos dizer um pouco sobre as configurações familiares. Onde casou, se era o primeiro casamento (no caso de haver mais de uma habilitação), qual o motivo do primeiro enlace ter sido desfeito. E os Livros Notariais de Tabelionatos, onde diversos tipos de contratos podem ter sido registrados (compra ou doação de um imóvel, de um pedaço de terra, de outros tipos de bem).

Não podemos perder de vista, contudo, que o historiador-biógrafo precisa tomar certos cuidados, como o de tentar formatar seus biografados e induzir o leitor a acreditar numa vida marcada por regularidades, repetições e permanências. Sabemos que as trajetórias de vidas são singulares e não respeitam, necessariamente, as nossas necessidades de linearidade, de causa-efeito. Neste sentido, acreditamos que nosso Acervo pode ser um ponta-pé inicial para àqueles que pretendam se aventurar por esta forma de escrita da História.

Fonte:

AVELAR, Alexandre de Sá. A biografia como escrita da História: possibilidades, limites e tensões. Acesso em julho de 2016.

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