É amanhã! Estreia do projeto Cinema no Arquivo com o filme de Lucia Murat: “A memória que me contam”!

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2015.03.25 A Memoria que me Contam     Venha prestigiar mais um evento cultural no auditório Marcos Justo Tramontini, do Arquivo Público do RS. Amanhã, 26 de março de 2015, às 18h30min, teremos a exibição do filme A memória que me contam. Ao final da exibição, haverá debate com o presidente da ONG Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke.

     A entrada é franca! Participe!

    Confira a sinopse e trailer do filme abaixo:

Sinopse: Um drama irônico sobre utopias derrotadas, terrorismo, comportamento sexual e a construção de um mito. Um grupo de amigos, que resistiram à ditadura militar, e seus filhos vão enfrentar o conflito entre o cotidiano de hoje e o passado quando um deles está morrendo. Ana está morrendo. Ex-guerrilheira, ícone da esquerda, ela é o último elo de um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Na sala de espera de uma casa de saúde, eles se reencontram. Utopias falidas, terrorismo e liberação sexual sob o ponto de vista de duas gerações, um grupo de ex-guerrilheiros e seus filhos, são os temas deste filme. A morte de Ana reúne os amigos. No cemitério, antessala da cremação, estão todos presentes para uma última homenagem. Na tela grande, essa homenagem é mais do que perfeita. É uma bela e perfeita cena cinematográfica onde Ana tem a despedida que seus amigos gostariam que tivesse. De Lucia Murat. Com: Simone Spoladore, Irene Ravache, Franco Nero, Clarisse Abunjamra, Hamilton Vaz Pereira, Otávio Augusto, José Carlos Machado, Miguel Thiré, Patrick Sampaio, Naruna Kaplan de Macedo.

Fonte: Taiga Filmes

AfricaNoArquivo – Compartilhando a produção do Projeto (II)

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2015.03.25 AfricaNoArquivo II imagem

Hoje damos sequência à disponibilização dos materiais que compõe a Caixa Pedagógica AfricaNoArquivo. O “Material de Apoio à Professora e ao Professor!”, a seleção de páginas do inventário de Felisbina da Silva Antunes, a carta de liberdade da Rita e o testamento do Antonio Gaia já estão aqui. Agora, você pode baixar também:

– Carta de Liberdade de Faustino (Jaguarão, 1866) Liberto aos 18 anos com a condição de servir em um dos corpos do Exército por 12 anos no lugar de seu senhor. Possível problematizar o contexto da Guerra do Paraguai e a realidade de uma região de fronteira.

– Processo-crime de insurreição escrava na Aldeia dos Anjos (Comarca de Porto Alegre,1863) Tratando-se de um processo com cerca de 260 páginas, fizemos um recorte optando por digitalizar e transcrever sua abertura, o depoimento, o julgamento e a sentença relacionados ao réu Bento, apresentando a história registrada no documento a partir de sua versão. Contribui para debater a agência e a resistência dos escravizados em uma região (Gravataí) muito próxima aos estudantes que estão em contato com a caixa pedagógica. Interessante notar que esta insurreição já foi objeto das pesquisas do historiador Wagner Pedroso, que utilizou esse processo e diversos outros documentos do acervo do APERS. Acesse sua dissertação de mestrado e um artigo.

– Escritura de compra e venda de Felizarda e seus três filhos (Vila de Porto Alegre/Continente de Rio Grande de São Pedro, 1798) Documento registra a venda de Felizarda e seus filhos “mulatinhos” Francisco, Antonio e Felisbino pela quantia de 305$600. Permite questionar a formação de famílias, a paternidade muitas vezes relacionada aos próprios senhores, as transações mercantis com vidas humanas…

Aos que já acompanharam a postagem do mês passado e leram o material de apoio fica claro que a proposta da Caixa Pedagógica parte da exploração dos documentos em todo o seu potencial, incentivando que cada estudante se debruce sobre eles como pesquisadores, investigando informações, contextos e conceitos. A partir daí estarão aptos à próxima etapa: utilizar o conhecimento adquirido para explorar o jogo de tabuleiro, que será disponibilizado no mês seguinte com a cartela de regras.

Ressaltamos que os documentos que compõe a Caixa são apenas exemplares selecionados dentro de um acervo riquíssimo. A utilização dos mesmos pode e deve motivar novas pesquisas e desdobramentos.

Nesse sentido, reforçamos o convite para que sigam acompanhando as postagens relacionadas ao Projeto AfricaNoArquivo, e para que compartilhem conosco através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registros de suas experiências com o material, como reflexões, opiniões dos estudantes e fotos de atividades realizadas nas escolas. Tudo poderá contribuir para a difusão e a valorização desse trabalho, instigando desdobramentos!

Reencontro de professores do Curso de Formação 2014

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DDHH

Na última segunda, 23/03, a equipe do Programa de Educação Patrimonial UFRGS/APERS se reencontrou com parte do grupo que participou da quarta edição do curso de formação para professores, realizado em 2014 e intitulado Educação Patrimonial, Cidadania e Direitos Humanos. O objetivo do encontro foi realizar uma conversa sobre as formas encontradas pelos professores para incluir a Educação Patrimonial e o conhecimento adquirido no curso em seus planejamentos junto às escolas, sobre as dificuldades percebidas e as atividades já realizadas.

Os educadores comentaram o quão enriquecedor foi o curso para ampliar o repertório cultural e os recursos pedagógicos por eles utilizados, se dispuseram a abordar o tema em aula e a levar os estudantes para visitar museus e arquivos em 2015, e identificaram possibilidades de trabalho relacionadas aos Direitos Humanos a partir de bens culturais das comunidades em que as escolas estão inseridas.

Na conversa abordamos também os usos da Caixa Pedagógica AfricaNoArquivo, entregue a estes professores ao final do curso. Eles já tiveram suas primeiras experiências com o material, seja aplicando a pesquisa e o jogo pedagógico com turmas no final do ano letivo de 2014, seja apresentando-o para o corpo docente das escolas no começo desse ano, o que tem despertado a atenção e unido interesses de professores do Currículo por Atividades (CAT), das séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de diferentes disciplinas. Tais experiências reafirmam o caráter interdisciplinar da Educação Patrimonial, e a premente necessidade sentida nas escolas de extrapolar os debates sugeridos pelos atuais currículos fechados em disciplinas.

Contamos com a participação de professores das séries iniciais, o que gerou um diálogo que contribuiu para percebemos o grande potencial do trabalho com o patrimônio cultural e documental também junto às crianças. Ainda que as inscrições no curso tenham sido abertas a professores de todos os níveis do ensino, ainda não temos nenhuma oficina ou material produzido especificamente para este público. Agora, fica este desafio! Também observamos a importância de manter e fortalecer a oferta de atividades que contribuam, por um lado, para o acúmulo de novos conhecimentos sobre temas e conteúdos transversais presentes nos currículos e parâmetros educacionais, assim como para a formação didática dos professores, oferecendo subsídios para a qualificação da prática docente.

Seguiremos em contato com todas e todos os professores que participaram do curso, buscando fortalecer nossa rede de contatos e de formação. Agradecemos a cada participante, tanto os que puderam quanto os que não puderam estar presentes nessa segunda, e nos colocamos sempre a disposição. Em breve receberemos o novo grupo para a formação de 2015, em um trabalho que certamente renderá muitos novos e bons frutos!

Curso de Formação para Professores – Educação Patrimonial e Cidadania: história da escravidão e da liberdade no RS – Programação

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Hoje estamos disponibilizando o Programa Completo, clique aqui para acessá-lo, do Cursos de Formação para Professores. Conforme divulgado na semana passada, o Programa de Educação Patrimonial UFRGS/APERS, em parceria com o GT Emancipações e Pós-Abolição da ANPUH-RS no ano de 2015, realizará a quinta edição do Curso que abordará a história da escravidão e da liberdade no RS.

Lembramos que o curso é gratuito e que possui carga horária e certificação de 60 horas. Os encontros presenciais acontecerão nos dias 11, 18 e 25 de abril; 9, 16, 23 e 30 de maio; e 13, 20, e 27 de junho de 2015 (sempre aos sábados, das 8h30 as 12h) no Arquivo Público do RS. É destinado aos professores da rede pública de ensino com efetivo exercício em sala de aula e aos membros das equipes (estagiários, monitores, bolsistas) do Projeto Territórios Negros e do Programa de Educação Patrimonial.

Os interessados devem entrar em contato, para mais informações e para proceder com a inscrição (vagas limitadas), pelo telefone (51) 3288-9112/9117 ou pelo e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br.

2015.03.20 Cartaz Programação Corrigido

Ação Educativa em Arquivos

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A partir de hoje, sempre na terceira semana de cada mês, publicaremos artigos relacionados a ações educativas em instituições arquivísticas. A motivação para a escrita e compartilhamento de reflexões acerca do tema vem tanto das experiências cotidianas desenvolvidas no APERS nos últimos anos, quanto da percepção de que é necessário aprofundar a produção de conhecimento e o intercâmbio entre arquivistas, historiadores, educadores, estudantes e demais interessados na área.

Pensando o papel social dos arquivos e seu caráter enquanto lugar de memória, podemos afirmar que ainda há muito por fazer no Brasil para que tais instituições sejam socialmente reconhecidas em seu potencial educativo e cultural. Ainda que diversos arquivos brasileiros já desenvolvam ações educativas, hoje quando pensamos em visitar espaços culturais, quando imaginamos turmas escolares ou grupos da comunidade em contato com o patrimônio cultural, em geral nos remetemos a passeios em museus e bibliotecas, ao contato com acervos tridimensionais, com livros e coleções de periódicos. Para muitos a paisagem de estantes repletas de caixas e encadernações de documentos pode parecer complexa e ao mesmo tempo árida, pouco atrativa aos olhos do público geral, para além dos pesquisadores já habituados com esse cenário.

Entretanto, o estudo de ações no Brasil e em outros países, e a nossa própria experiência tem demonstrado que os arquivos podem, sim, ser qualitativamente explorados como espaços educativos, e que esse trabalho tanto contribui para a qualificação dos processos de ensino e aprendizagem nas escolas e espaços não formais de educação, quanto para que a sociedade conheça e reconheça a importância das instituições arquivísticas, e delas se apropriem.

2015.03.18 Ação Educativa em Arquivos Imagem2

Sabemos que na França, por exemplo, os “serviços educativos” vem sendo construídos e consolidados nos arquivos públicos desde a década de 1950. Como coloca Annick Pegeon, responsável pelo Serviço Educativo dos Archives Nacionales da França, “ao longo de décadas, o documento arquivístico fez, paulatinamente, sua entrada na escola, facilitada pela criação, na França, a partir dos anos de 1950, dos serviços educativos em arquivos, que oferecem aos professores e seus alunos oficinas e visitas pedagógicas destinadas a proporcionar a descoberta dos arquivos e dos grandes períodos históricos” (PEGEON, 2012). Outros países europeus, como a Itália e a Espanha, já desenvolveram uma trajetória maior nessa área.

No Brasil, podemos apontar que o final da década de 1980 – com a abertura democrática, a entrada em cena de diversos grupos e minorias reivindicando direitos e reconhecimento, e a chamada “Constituição Cidadã” – marcou um novo período nas relações da sociedade e do poder público com o patrimônio cultural, estando o patrimônio documental nesse bojo. Esse processo se expressou, entre outros textos legais e ações estatais, no novo texto constitucional, na legislação sobre salvaguarda e preservação do patrimônio, na Lei de Arquivos (8.189, de janeiro de 1991), e nos Parâmetros Curriculares Nacionais, que passaram a considerar fundamental o contato com documentos históricos nas escolas para o estudo das Ciências Humanas e a compreensão dos processos históricos. Da década de 1980 para cá, certamente uma série de atividades nesse sentido têm sido levadas a cabo em arquivos.

2015.03.18 Imagem para Ação Educ em Arquivos

No APERS, especialmente a partir de 2009, passamos a dedicar um esforço considerável para consolidar ações na área da difusão, com especial atenção ao potencial educativo da instituição e de seus acervos, oferecendo oficinas, visitas guiadas, cursos de formação para professores, capacitações de oficineiros, propostas pedagógicas virtuais. A relação com a comunidade tem se estreitado cada vez mais, com demanda crescente e reconhecimento por parte de universidades, escolas e outras instituições de memória.

A categoria “Ação Educativa em Arquivos” surgiu de tudo isso: a partir da nossa experiência, do conhecimento de diversas outras experiências em arquivos do Brasil e de fora do país, e por acreditar na necessidade de institucionalizar a função educativa nos arquivos, e não apenas realizar ações isoladas ou circunstanciais. Através desses artigos mensais pretendemos contribuir para conectar pessoas e ideias, reunir e compartilhar informações, e contribuir com mais alguns tijolinhos na construção de uma visão global e social dos arquivos no mundo contemporâneo. Acompanhe!
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PEGEON, Anick. Uma Experiência Pedagógica em Arquivos: A disciplina “Arquivo” dos Archives nacionales da França. Acervo, Rio de Janeiro, v. 25, n. 1, p. 89-102, jan./jun. 2012 – pág. 89. Disponível em: http://www.revistaacervo.an.gov.br/seer/index.php/info/article/viewFile/562/447

Cinema no Arquivo: A Memória que me Contam

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No dia 26 de março de 2015, o APERS promove o projeto Cinema no Arquivo. Celebrando o Dia Internacional da Mulher e o aniversário de 109 anos do APERS, exibiremos o filme A Memória que me Contam, de Lucia Murat.

Este filme retrata a história da utopia perante o poder e as fragilidades, dúvidas e feridas íntimas daqueles que seus filhos ainda consideram como “heróis”. Ana, a personagem livremente inspirada em Vera Silvia Magalhães, é apresentada no filme como uma fantasia dos principais personagens. Para eles, ela aparece jovem, como quando eles a conheceram. No filme, Ana nos é apresentada pela construção das diferentes visões que cada um dos amigos tem sobre esta amiga “incomum”.

A ligação do Arquivo Público do RS, lugar de guarda e preservação de documentos, com este filme se faz presente a partir do momento em que une memória e história.

A exibição do filme será realizada às 18h30min, no Auditório Marcos Justo Tramontini – APERS. Logo após, teremos um debate com Jair Krischke, presidente da ONG Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH).

A entrada é franca e não exige inscrição prévia. Venha prestigiar mais um evento cultural do APERS! Participe! Para acompanhar o evento via Facebook, clique aqui.

2015.03.18 Cinema no Arquivo cartaz blog

Pesquisando no Arquivo: Registros Paroquiais

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     Nossa primeira indicação da categoria Pesquisando no Arquivo será sobre os livros de Registros Paroquiais. Você sabe o que esses livros informam? Vamos voltar no tempo…

     Em 1850, a Lei de Terras, regulamentada pelo Decreto 1.318, de 30/01/1854, criou a Repartição Geral das Terras Públicas, órgão responsável por dirigir a medição, dividir e descrever as terras devolutas e prover sua conservação; propor ao governo quais terras devolutas deveriam ser reservadas à colonização indígena e fundação de povoações, e quais deveriam ser vendidas, além de fiscalizar tal distribuição e promover a colonização nacional e estrangeira; realizar o registro das terras possuídas, propondo ao Governo a fórmula a ser seguida para a legitimação dessas terras e revalidação de títulos.

2015.03.18 Pesquisando no Arquivo     Estes assentamentos, chamados de Registros Paroquiais de Terras, tornaram-se obrigatórios para todos os possuidores de terras, sendo os vigários de cada freguesia os encarregados de receber tais declarações, que, por sua vez, deveriam ter duas cópias iguais, contendo nome do possuidor, designação da freguesia em que estão situadas, nome particular da situação (se o tiver), sua extensão (se for conhecida) e seus limites.

    Em nosso acervo, temos disponíveis alguns Registros Paroquiais de Terras, clique aqui e confira a lista de livros. Se você tiver interesse em pesquisar estes documentos, envie um e-mail para saladepesquisa@planejamento.rs.gov.br e solicite seu atendimento!

Atualizado em 27 de agosto de 2019.

Curso de Formação para Professores – Educação Patrimonial e Cidadania: história da escravidão e da liberdade no Rio Grande do Sul

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Neste primeiro semestre de 2015, o Programa de Educação Patrimonial UFRGS/APERS realizará a quinta edição do Curso de Formação para Professores. Para organizá-la, o Programa buscou parceria junto ao Grupo de Trabalho Emancipações e Pós-Abolição da ANPUH-RS, que prontamente aceitou o convite para a construção do curso Educação Patrimonial e Cidadania: história da escravidão e da liberdade no Rio Grande do Sul.

Com recursos do Edital Proext/MEC 2015-16, o Programa, em conjunto com GT da Anpuh, elaborou uma programação, que será divulgada na próxima semana, cujo eixo será a história da escravidão e da liberdade no RS, abordadas por meio da leitura de documentos e das possibilidades de trabalhos pedagógicos a partir de patrimônios diversos.

O curso é gratuito e contará com uma carga horária de 60 horas, das quais 20 horas serão reservadas para estudos a distância. Os encontros presenciais acontecerão nos dias 11, 18 e 25 de abril; 9, 16, 23 e 30 de maio; e 13, 20 e 27 de junho, sempre aos sábados, das 08h30 as 12h no Auditório do Arquivo Público do RS. O público alvo são os professores da rede pública de ensino, para os quais serão destinadas a maior quantidade de vagas, as equipes do Projeto Territórios Negros e do Programa de Educação Patrimonial.

As inscrições (vagas limitadas) começam a partir do dia 19 de março e serão realizadas pelo e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br. Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (51) 3288-9112.

2015.03.13 Cartaz Corrigido

Mulheres no APERS, gênero e história X: resgatando trajetórias

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Estamos no mês das mulheres! No último domingo, 08 de março, celebramos o Dia Internacional das Mulheres, um dia de homenagens, mas especialmente de reflexão sobre direitos conquistados e direitos ainda almejados, e de luta para garantir equidade, respeito e autonomia. No mesmo dia o Arquivo Público comemorou seus 109 anos de existência, celebrando vida longa numa instituição centenária que se atualiza e dinamiza a cada ano, atenta às transformações da sociedade.

Nesta data tão especial, duplamente marcante, nada melhor do que reafirmar o compromisso institucional com a preservação do patrimônio documental por nós custodiado e com a garantia do acesso a ele, sempre buscando difundi-lo ampliando os “pontos de acesso” e os mecanismos de aproximação entre usuários e documentos. Neste sentido, conectando a celebração do aniversário do Arquivo à celebração do Dia das Mulheres, melhor ainda reafirmar este compromisso relembrando nosso empenho em construir instrumentos de pesquisa que lancem luz especial sobre as mulheres: até o final do mês de março pretendemos lançar o tão mencionado catálogo sobre História das mulheres e das relações familiares, que descreve os documentos da Vara de Família e Sucessão do Porto Alegre.

São documentos que estamos apresentando no blog mensalmente “em pílulas”, desde o começo do ano passado. Leitoras e leitores já devem ter percebido seu grande potencial para a pesquisa nas áreas de história das mulheres, das relações familiares e de gênero. Obviamente sabemos que o recorte do acervo descrito no catálogo não registra apenas partes de histórias de mulheres, mas de mulheres e homens em relação, entretanto, o projeto “Afinal, onde estão as mulheres no APERS? Gênero, memória e história”, através do qual o Catálogo História das Mulheres & Relações Familiares vem sendo lentamente construído desde 2011, apresenta uma intencionalidade política, de afirmar a história das mulheres. De apontar acervos que têm potencial para ajudar a resgatar e problematizar trajetórias, traçar perfis, questionar comportamentos, refletir sobre sofrimentos, resistências e conquistas.

Hoje, neste post celebrativo, apresentamos mais uma “pílula” torcendo para que ela instigue o desejo de pesquisar mais, de tornar-se uma usuária ou usuário do Arquivo Público, de desvendar muito mais sobre tantas mulheres que viveram em nosso estado, cujas histórias de vida são registradas aos fragmentos entre as caixas e milhares de folhas de nosso acervo. Apresentamos Ottilia em sua relação com Affonso, chamando a atenção para alguns aspectos que podemos analisar a partir dos documentos.

Ottilia era órfão de mãe e pai quando se casou, em dezembro de 1920, aos 16 anos. Seu marido, comerciante de Porto Alegre, era 18 anos mais velho, com 34. Menos de quatro anos após o matrimônio, em junho de 1924, dão entrada nos papéis de desquite amigável, documento salvaguardado pelo Arquivo e descrito no referido catálogo. Além de problematizar a grande diferença de idade entre o casal e o pouco tempo que durou a relação, outros elementos contribuem para aproximar-nos da história de Ottilia: através da pesquisa realizada para construção do instrumento, verificamos que há em nosso acervo um processo de tutela de agosto de 1920 em que Affonso aparece como tutor de Ottilia e de seu irmão, logo após o falecimento da mãe dos adolescentes. Pouco tempo depois, em novembro de 1920, ele passa o papel de tutor para o irmão mais velho dos jovens, que alcançou a maioridade.

Assim como ocorre em diversos outros casos, a tutela não foi descrita no catálogo por ser da 3ª Vara de Família, que está fora do recorte para esta ação, mas será referenciada em um campo do verbete de desquite, facilitando o trabalho de pesquisa ao relacionar os documentos da Vara de Família e Sucessão de determinado casal a outros documentos deles produzidos em outras varas/comarcas do Poder Judiciário. Mesmo que o processo de desquite amigável de Ottilia e Affonso seja relativamente simples, relacionando apenas a petição inicial, a certidão de casamento, despachos e pedidos de certidões, sem registrar a voz de testemunhas ou qualquer disputa entre os cônjuges, cruzá-lo com outros processos, como o de tutela, oportuniza ao(à) pesquisador(a) diversos elementos para construir análises e narrativas: qual seria a relação entre Affonso e a família de Ottilia, que lhe permitiu chegar a tutor? Como interpretar um casamento entre tutor e tutelada tão pouco tempo depois de sua morte da mãe, e sendo a noiva apenas uma menina? Era comum naquele período que tutores de meninas se casassem com elas? Quais as relações de poder se estabelecem em um casamento como este?

Aqui levantamos brevemente alguns apontamentos a partir de dois processos relacionados. Uma pesquisa que relacione uma quantidade maior de documentos a partir de questionamentos pertinentes, que busque localizar habilitações de casamento, processos criminais, ações de alimentos ou separação de corpos de um mesmo casal, ou de vários casais em determinado período, certamente poderá produzir reflexões expressivas e resgatar diversas trajetórias de vida!

Pesquisando no Arquivo

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Você sabia que no APERS há uma grande quantidade de documentos que foram pouco ou nada pesquisados? O acervo do APERS é constituído de documentos referentes aos Poderes Judiciário (1763 a 1980), Executivo (1822 a 2012) e Legislativo (1953 a 1995), assim como aos Tabelionatos (1763 a 1986) e ao Registro Civil (1929 a 1975), perfazendo mais 5 mil metros lineares de documentos. As datas referidas representam o período inicial e final, podendo haver lacunas de tempo entre elas.

Com o intuito de divulgar documentos que possam se tornar objeto de estudo, postaremos, na terceira semana de cada mês, indicações de possibilidades de pesquisa em nosso acervo. Confira na próxima semana nosso primeiro post.

A requalificação espacial do Complexo da ALRS e seus impactos para o APERS

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Na última terça-feira representantes do Arquivo Público do RS, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), da Assembleia Legislativa do RS (ALRS) e da Viliecca & Associados, empresa vencedora do concurso para requalificação espacial do Complexo da ALRS, reuniram-se para discutir os impactos que a intervenção no terreno ao lado do APERS causará à instituição.

2015.03.10 Reuniao predio assembleia 004O Complexo da ALRS está inserido na Área de Interesse Cultural (AIC) da Praça da Matriz e requer análise conjunta sob o ponto de vista do Patrimônio Histórico, por possuir o Solar dos Câmara tombado em instância federal e o Arquivo Público do RS em instância estadual.

2015.03.10 Reuniao predio assembleia 025A proposta de requalificação do Complexo da ALRS (clique aqui para saber mais) prevê a retirada da circulação de veículos sobre a cobertura do Prédio 1 do Arquivo Público do RS e a construção de um edifício, com mesma altura de nosso Prédio 2, no terreno vizinho ao de nossa instituição, na rua Riachuelo.

A partir desta reunião espera-se que se sigam as tratativas para que a requalificação do Complexo da ALRS esteja em harmonia com a arquitetura preexistente ao seu entorno, uma vez que edificações como o conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS são únicos e representam parte da história de nosso Estado.

APERS 109 ANOS!

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2015.03.11 Apers 109 anos 2

AfricaNoArquivo – Compartilhando a produção do Projeto (I)

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Conforme nos propusemos para 2015, hoje iniciamos as postagens mensais na categoria AfricaNoArquivo, que terão como objetivo difundir o Projeto AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil compartilhando seus produtos, problematizando as possibilidades de trabalho a partir deles e apontando desdobramentos para dar sequência ao que foi desenvolvido ao longo do ano passado.

Em 2014 já havíamos publicado no blog três reflexões produzidas a partir de três dos seis documentos que compõem o kit da caixa pedagógica. Nesses textos, que podem ser lidos na categoria “Arquivos & Diversidade Étnica” apresentamos previamente os documentos sugerindo possibilidades de abordagem. Porém, como o projeto ainda estava em construção, não postamos as reproduções no formato como estão sendo distribuídas nas caixas, com suas respectivas transcrições e diagramação.

2015.03.04 Imagem para AfricaNoArquivo

Hoje começamos a disponibilizar para download todos materiais que compõem o kit que está sendo entregue às escolas de Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Viamão. Dessa forma ampliaremos o alcance do projeto, permitindo que pesquisadores, leitores interessados no tema e educadores de qualquer lugar tenham acesso, podendo baixar, imprimir, utilizar em atividades educativas, criar propostas a partir das que são por nós apresentadas… Neste post você pode baixar:

Material de Apoio à Professora e ao Professor! Traz uma contextualização e introdução ao projeto, além de instruções e dicas de como aplicá-lo com as turmas escolares e com outros grupos.

Seleção de páginas do Inventário de Felisbina da Silva Antunes (1871, cidade de Pelotas). No documento constam arrolados um total de 146 escravizados. Optamos por digitalizar, transcrever e reproduzir a página inicial do processo, as duas primeiras e as duas últimas páginas do arrolamento dos “Bens semoventes e moveis”, onde é possível identificar nome, idade, especialização e valor atribuído às e aos escravizados. Dados que permitem problematizar a formação do plantel, o tipo de propriedade e de trabalho produtivo com que estes sujeitos históricos estavam envolvidos, a reprodução e a formação de famílias na propriedade, o local de nascimento dessas pessoas…

Carta de Liberdade de Rita (Pelotas, 1835). Escrava de ganho de Manoel José de Barros, foi ama de leite da filha do senhor e comprou sua alforria com pecúlio acumulado a partir da venda se “quitandas”.

Testamento de Antonio Gaia (Rio Grande, 1883). Preto forro da Costa da Mina, Antonio registra neste documento seus últimos desejos por encontrar-se “doente e temendo a morte”. Acumulou bens e estabeleceu rede de sociabilidade com negros e negras que são contemplados em seu Testamento.

No próximo mês disponibilizaremos os outros três documentos do kit, e na sequência o jogo de tabuleiro e o vídeo produzido pela equipe para aprofundar e qualificar as ações nas escolas. Acompanhe e compartilhe conosco através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registros de suas experiências com o material produzido pelo Projeto AfricaNoArquivo. Reflexões, fotos de atividades realizadas nas escolas… Tudo poderá contribuir para a difusão e a valorização desse trabalho, instigando desdobramentos!

Distribuição de Caixas Pedagógicas e Catálogos Seletivos

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Relembramos que estamos em fase de distribuição das caixas pedagógicas do projeto AfricaNoArquivo e do catálogo seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Saiba mais:

CaixaPedagogicaCaixas pedagógicas AfricaNoArquivo: distribuídas às escolas públicas de Canoas, Gravataí, Porto Alegre, Viamão e para as 30 primeiras escolas de qualquer município, instituições de memória, associações e entidades da área (cultura negra) que declararem e justificarem o interesse em receber o material. Neste caso, a escola/ instituição/ entidade deverá enviar uma mensagem para nossa equipe através do e-mail acaoeducativa@sarh.rs.gov.br registrando o interesse e referenciando a atuação na área. Essas 30 caixas serão destinadas conforme a ordem de recebimento dos e-mails. Mais informações na Aba “Projetos Patrocinados”.

2015.01.21 Catalogo ResistenciaCatálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil: distribuição do catálogo para instituições voltadas para o ensino e a pesquisa sobre a história da ditadura no Brasil, como escolas de ensino médio da rede pública, universidades, arquivos, bibliotecas e organizações ligadas a essa temática. Acesse aqui a listagem de instituições contempladas. Para ler outras notícias sobre este catálogo, clique aqui.

Ambos os materiais, de distribuição gratuita, podem ser retirados na sede do Arquivo Público do RS (Rua Riachuelo, nº 1031 – Centro Histórico | Porto Alegre) por um representante da instituição devidamente identificado e mediante a assinatura de termo de compromisso, sendo doada uma caixa ou um catálogo por instituição.

Sábado de funcionamento da Sala de Pesquisa do APERS – Março 2015

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    Para melhor atender aos seus pesquisadores, a Sala de Pesquisa do APERS abre um sábado por mês, das 9 às 14 horas, mediante solicitação prévia da documentação.

    No mês de março a Sala de Pesquisa abrirá no sábado 28.

  Os pesquisadores interessados em realizar suas pesquisas podem solicitar previamente os documentos por e-mail (saladepesquisa@sarh.rs.gov.br), ou pelo Balcão Virtual.

    Agende sua pesquisa!

APERS em Números – Fevereiro 2015

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Confira alguns dados referentes aos serviços realizados no APERS durante o mês de fevereiro:

  • Usuários atendidos: 421
  • Atendimentos aos usuários: 736
  • Documentos recuperados: 23
  • Encaixamento: 86
  • Indexação Sistema AAP: 1.270
  • Reprodução de documentos: 858
  • Visitas guiadas: 01
  • Visualizações blog institucional: 5.720

Veja abaixo gráfico com os quantitativos diários de atendimento aos usuários referente ao mês de fevereiro:

2015.03.04 - APERS em Números

Saiba mais sobre os serviços que o APERS presta a comunidade.

Visitas guiadas ao APERS – Fevereiro 2015

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No mês de fevereiro foi realizada 01 visita guiada ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitou nossa instituição:

Dia 25: Carla Medeiros, arquivista da Universidade Federal Fluminense – UFF, no Rio de Janeiro. Carla, que estava de passeio por Porto Alegre, aproveitou para conhecer o APERS, tendo em vista a sua formação profissional.

Guia: Carlos Henrique Armani Nery.

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