Programação do APERS na 3ª Semana Nacional de Arquivos

Deixe um comentário

Cartaz ASCOM III SNA 3

3ª Semana Nacional de Arquivos: Exposições Presenciais

Deixe um comentário

Conheça as exposições presenciais que compõem o percurso “Caminhos dos Arquivos” em cada instituição parceira:

Exposições Presenciais SEM APERS

Acesse também a versão virtual e participe!

Participe da III Semana Nacional de Arquivos!

Deixe um comentário

Cartaz ASCOM III SNA 1

APERS participará da 3ª Semana Nacional de Arquivos

Deixe um comentário

Os arquivos representam espaços de memória importantes para a história de um lugar. Em seu interior residem vozes, muitas das vezes destoantes, que trazem à tona um passado complexo e multifacetado, revelando as experiências e percepções de indivíduos e/ou grupos sociais em seus vários loci de sociabilidade. Pela natureza histórica que adquirem com o passar do tempo, somado ao caráter comprobatório da documentação, os arquivos e coleções documentais constituem patrimônio cultural, sendo sua preservação e salvaguarda responsabilidade tanto do poder público quanto da população em geral. Somado a isto, os arquivos ainda podem ser articulados como instrumentos auxiliares para a promoção dos direitos sociais e fundamentais de cada cidadão e/ou de grupos específicos, servindo como munição contestatória em processos e ações que venham de alguma maneira ferir os direitos inalienáveis definidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completa 70 anos em 2019. (ANPUH, 2019)[1]

Vem aí a 3ª Semana Nacional de Arquivos, que acontecerá entre os dias 3 e 8 de junho de 2019. Este evento é promovido nacionalmente pelo Arquivo Nacional e pela Fundação Casa de Rui Barbosa, em comemoração ao Dia Internacional dos Arquivos: 9 de junho. O tema desta edição, proposto pelo Conselho Internacional de Arquivos, é: Desenhando Arquivos.

Esta iniciativa visa a dedicação de um período para realização de eventos de cunho acadêmico ou artístico-cultural relacionados aos arquivos, a fim de aproximar as instituições da sociedade, aumentar sua visibilidade e divulgar os acervos, serviços e instituições arquivísticas, centros de memória e de documentação, e demais entidades que abrigam acervos documentais. A Semana Nacional de Arquivo compreende, portanto, como um instrumento de acesso à informação, “de modo a apoiar o cidadão na defesa de seus direitos e a incentivar a produção de conhecimento científico e cultural – uma das funções dos arquivos”[2].

Neste ano, o Arquivo Público realizará nova edição da exposição Caminho dos Arquivos, em seus formatos presencial e virtual, as quais serão lançadas no dia 3 de junho. Trata-se de uma parceria entre o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul – APERS e o maior número possível de instituições gaúchas custodiadoras ou detentoras de acervos arquivísticos, de natureza pública ou privada, em uma ação conjunta de exposições temáticas, coletivas, participativas e temporárias, de formatos presencial e virtual, denominada “Caminhos dos Arquivos: Nossas Histórias, Nossas Heranças”, traçando suas localizações como caminhos a serem percorridos para completar a observação de todos os documentos expositivos, como forma de guiar o público para conhecer os acervos e serviços de cada Instituição participante, assim como uma forma de estímulo à visitação das mesmas. São mais de 40 instituições participantes, situadas na Capital e em muitas cidades do interior do Estado. A edição virtual poderá ser conferida, a partir do dia 3 de junho, pelo site www.caminhosdosarquivos.com.

Também será realizado o júri-simulado, no dia 3 de junho, às 14h, no Auditório do Arquivo Público do Estado (na rua Riachuelo 1031, Centro Histórico, Porto Alegre/RS) do processo de Joanna Eiras, em parceria com o Serviço de Assistência Jurídica da Faculdade de Direito da UFRGS. Assim como a oficina de Genealogia, ministrada por Israel Boff e Adriana Weber, realizada no dia 8 de junho, às 9h, no auditório do Arquivo Público do Estado (rua Riachuelo 1031, Porto Alegre/RS); e a 1ª edição “Rota Turística Caminhos dos Arquivos”, a qual contará com guia de turismo, iniciando com a visita ao Arquivo Público do RS, após à Praça da Matriz, com visita ao Memorial da Assembleia Legislativa RS e Memorial do Tribunal de Justiça RS, seguindo para o Instituto Histórico Geográfico do RS, descendo em direção da Praça da Alfandega, com Arquivo Histórico RS, e ao Arquivo Municipal de Porto Alegre, finalizando em frente à Prefeitura Municipal. Para inscrever-se clique aqui.

Confira a programação completa aqui.

Atualizado 31.05.2019

DIVULGA APERS – Alteração de equipe!

Deixe um comentário

Em 2011 criamos o núcleo de difusão virtual do Arquivo Público do RS, o DIVULGA APERS, responsável por administrar o blogue, Twitter e Facebook da instituição.

A opção por criar um blogue para registrar e publicizar as ações do Arquivo Público do RS veio por conta de nosso site institucional ser antigo, engessado e por não termos perspectivas de atualização, apesar da demanda. O Twitter e o Facebook, por sua vez, se mostraram boas ferramentas para nos aproximar dos usuários e da sociedade em geral, direcionando-os para nosso blogue e abrindo mais um canal de comunicação.

Silvia, Juliano, Clarissa e Viviane

Assim, em 2011 as arquivistas Viviane Portella de Portella, Silvia de Freitas Soares e a historiadora Clarissa de Lourdes Sommer Alves, a época chefiadas pela arquivista Maria Cristina Kneipp Fernandes, planejaram as ações de criação do núcleo, com o lançamento das mídias no dia 1º de agosto.

Estruturamos o uso das mídias de forma a fidelizar o público, com publicações semanais (todas as quarta-feiras) no blogue, atualizações semanais no Facebook com as notícias que remetem a tais publicações e postagens diárias no Twitter com dicas e chamadas para os artigos do blogue. Foi um processo de “formiguinha” tanto para instigar os colegas a escreverem notícias e artigos de maneira a formarmos uma “linha do tempo virtual”, como também para fazer com que o público nos conhecesse e acompanhasse.

O tempo passou, o Divulga APERS ao longo destes quase 8 anos se consolidou, nossa equipe foi mudando… Maria Cristina deixou de fazer parte, Clarissa, com suas muitas demandas, se afastou, mas sempre que foi preciso “estava por perto” para ajudar Silvia e Viviane… Em abril desse ano Silvia foi relotada… e a necessidade de mudanças veio! Com isso, a partir de junho Viviane também deixa a equipe, passando o Divulga APERS ser de responsabilidade de Clarissa e do arquivista Juliano Silva Balbon. Sucesso crescente ao Divulga e a equipe do APERS!

Notícias relacionadas:

Atividades APERS: DIVULGA APERS

APERS Entrevista: Mariana Flores da Cunha Thompson Flores – Parte III

Deixe um comentário

No trecho da entrevista publicado na semana anterior, a historiadora Mariana Flores da Cunha Thompson Flores vinha explicando as formas como os sujeitos sociais manejavam o espaço fronteiriço, ensejando o questionamento sobre as fontes de pesquisa empregadas.

Trabalhou só com os processos-crime ou trabalhou também com processos cíveis?

Eu trabalhei com processos cíveis, processos-crime, eu trabalhei bastante com ações ordinárias, com ações possessórias, principalmente na dissertação de mestrado. E essas ações ordinárias foram muito interessantes porque elas na grande maioria trazem cobranças de comércio. Especialmente comerciantes que morrem e na abertura do inventário todo mundo com quem ele mantinha dívidas vai abrir suas ações para saldar essas dívidas, o que era normal. Era normal em um comércio que circula sem moeda e que se reproduz no crédito. E normalmente, muitas vezes essa dívida é saldada no momento da morte, quando se abre inventário. Nessas ações ordinárias tu percebes que tem um volume grande de comerciantes cobrando dívidas. Foi bacana, porque eu fui fazendo uma espécie de mapeamento dessas cobranças de dívidas. Quem cobrava de quem. Qual região do estado cobrava de qual região do estado. E aí de alguma forma tu consegues ver quais são as regiões que mais fornecem mercadorias e quais as que mais compram mercadorias. E por aí eu consegui ainda entender um pouco do alcance desse comércio feito pela fronteira oeste. Sabendo que esse comércio era baseado em grande medida por contrabando. E a gente consegue identificar comerciantes lá de Uruguaiana, lá de Alegrete, vendendo para lugares muito distantes. Lugares que estavam muito mais próximos de Porto Alegre. Muito mais próximos de Pelotas e Rio Grande. No entanto, compravam de Alegrete, compravam de Uruguaiana. Que eram muito mais distantes, mas certamente ofereciam um preço muito mais barato. E só ofereciam mais barato porque a mercadoria entrava por contrabando.

Eu acho interessante que essa documentação tem um grande potencial. E os historiadores geralmente se atêm aos processos criminais, aos inventários, mas se apropriando também das possessórias, das ordinárias, eu acho que o teu trabalho é um exemplo de que pode render muito.

Rende, e tem uma outra coisa que eu tenho feito, fincado pé, também, que é as valências dos processos-crime. Eu comento isso muito com meus alunos. Quando a gente fala, pessoa que pesquisa elite, ah, vai olhar inventário. A pessoa que pesquisa populares, vai pesquisar processos-crime. A pessoa tá pesquisando um determinado contexto ou sujeito. Vai olhar os processos-crime pra fazer a pesquisa mais verticalizada, mais qualitativa. Então, essas máximas, elas estão impregnadas no nosso senso comum de historiador. A ideia de que processo-crime é pra acessar camadas populares e a ideia de que processo-crime é pra pesquisas de cunho mais qualitativo. E eu tenho feito essa reivindicação já há algum tempo. É claro que processo-crime te dá uma visibilidade maior de populares. Mas isso também tem que ser visto com olhos críticos, porque essa afirmação, feita de qualquer maneira, é muito perigosa, porque ela vai endossar que, então, populares cometem mais crimes. Eles não cometem mais crimes. Só que sobre eles recai a criminalização. Sobre eles recai o patrulhamento, que não recai sobre a elite. Então naturalmente eles estão mais representados. Segunda coisa, que processos crime é pra análises de cunho mais qualitativo. É claro que nos processos-crime tu tens pessoas falando. Tu tens o discurso das pessoas, por mais que ele seja, a gente sabe, manipulado, manipulado pelo que o Boris Fausto chama manipuladores técnicos, todas aquelas regras de registro de processos-crime que vão tolhendo a redação e tolhendo muitas vezes recortando, editando, as falas dos depoentes, a gente sabe que apesar de tudo isso a gente tem acesso às falas dessas pessoas. É claro que isso nos dá uma qualidade pra um trabalho mais verticalizado que é diferente de outros processos. Por mais que tenham as manipulações, a gente sabe que o processo tem essa riqueza. Agora, além de tudo isso, o que eu tenho reivindicado muito é que o processo-crime é, os processos-crime são uma janela também muito interessante para se acessar elite. Vejam, os ladrões de gado, quem mais rouba gado nos processos que eu recolhi, são estancieiros. São criadores, assim, criadores pensando assim como médios proprietários, estancieiros como proprietários maiores. Mas são criadores com propriedades, que vão roubar entre vizinhos. Do sujeito da propriedade ao lado. Esses são os que roubam em maior número. O popular rouba uma cabeça de gado pra subsistência. Os que roubam muito gado são os proprietários, os estancieiros. Contrabandista. Quem faz o grande contrabando? O grande comerciante. Então o processo crime é também uma janela pra acessar uma classe média e uma elite também. E a outra coisa, nesse sentido então é que, sim, processos-crime servem para essas análises qualitativas, é claro que servem, não é à toa que a gente tem isso impregnado no nosso senso de historiador. Mas processos crime são fontes que se prestam a análises seriais! Elas respondem aos requisitos básicos. São fontes massivas, homogêneas e reiterativas. A gente consegue fazer análise serial com processo-crime. E eu tenho feito. Se pegar os resultados dos trabalhos… Tu vais ver, tem muita tabela, tem muita quantificação. Ivan Vellasco, que é um historiador de Minas Gerais faz isso brilhantemente! Quantifica processo, mapeia processo, faz georreferenciamento pra trabalhar com processo-crime. Eu tenho insistido muito com isso, com os meus orientandos, com os meus alunos. Processo-crime também pode ser tratado como fonte serial, como fonte quantitativa, portanto!

Então tá certo, Mariana, te agradeço pela entrevista, foi bem bacana.

Notícias relacionadas:

APERS Entrevista: Mariana Flores da Cunha Thompson Flores – Parte I 

APERS Entrevista: Mariana Flores da Cunha Thompson Flores – Parte II 

APERS Entrevista: Mariana Flores da Cunha Thompson Flores – Parte II

Deixe um comentário

No trecho da entrevista publicado na semana passada, a historiadora Mariana Flores da Cunha Thompson Flores vinha falando do papel das fontes do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul em sua trajetória de pesquisa.

Tem uma questão que eu achei bastante importante no teu trabalho, que tu dizes que a fronteira não é apenas um cenário, ela é definidora de lógicas. Ela define o formato, o funcionamento de uma série de coisas, não é espaço físico somente.

 Sim, eu faço essa afirmação, embora, se descontextualizada, ela pode ser mal lida e pode nos empurrar pra uma leitura sobre o espaço de fronteira que já está vencida desde o século XIX, que atribui um determinismo geográfico, um determinismo do meio sobre as pessoas, e não é essa a ideia. A ideia é justamente pensar que a fronteira enquanto espaço territorializado, quer dizer, a fronteira que não é um espaço vazio, é um espaço que só existe porque as pessoas fizeram uso dele, se apropriaram dele, fizeram uso, e construíram as lógicas que aquele espaço permite. Então eu tô fazendo essa ressalva só pra deixar claro que tem… Sim, eu entendo que a fronteira é quase que um agente, eu digo isso, a fronteira não é um cenário, a fronteira é um agente, mas ela é um agente porque as pessoas territorializaram aquele espaço. As pessoas instituíram um limite político, justapondo soberanias, justapondo legislações. Os sujeitos fronteiriços apreenderam essas margens e conseguiram estabelecer essas estratégias em suas vivências através da fronteira. Ao mesmo tempo também isso precisa ser dito com certo cuidado, porque também para não incorrer numa total racionalidade desses agentes nas suas condutas. A minha ideia de racionalidade, enquanto eles se valem e estabelecem estratégias é muito mais numa linha Giovanni Lévi, naquela linha de racionalidade limitada, é racional mas é racional dentro do meu cotidiano, dentro do meu costumeiro, e não porque todos os dias ardilosamente eu defino o que eu vou fazer pra sobreviver. Uma coisa muito mais absorvida, orgânica, do que propriamente refletida… Porque a palavra estratégia ela traz um pouco essa carga.

E essa concepção da estratégia no sentido de uma racionalidade limitada está relacionada ao teu conceito, e do Farinatti, de fronteira manejada?

Esse conceito, ele nasceu aqui, no Arquivo Público.

Conta como foi?

Acho que vale a pena. O que havia da minha parte, quando eu comecei a fazer o mestrado, foi quase uma agonia, uma angústia muito grande. Porque toda oferta que eu tinha de historiografia a respeito do conceito de fronteira, que era uma historiografia tributária dos anos 90, de uma ideia de fronteira plenamente integrada, que os fronteiriços formavam grandes “comunidades do ‘nós’”, quase que se opondo aos seus Estados de origem, e tecendo redes bem articuladas nas regiões, quase que dirimindo o limite político que passava por ali. A própria fronteira. Essa é uma historiografia dos anos 90, que é uma historiografia que teve os seus avanços, porque trouxe o lugar da fronteira pro fronteiriço, pra essas redes, venceu uma historiografia tradicional, que pensava a fronteira como um espaço de barreira, limitador de relações, então essa historiografia dos anos 90 ela foi genial. Avançou imensamente. Rompeu com paradigmas que foram importantes. Só que em alguns momentos ela também forçou um pouco. Ela acabou carregando um pouco na interpretação e tendeu para uma integração plena do espaço fronteiriço. E essa era a historiografia que havia disponível quando eu estava fazendo minhas pesquisas. E quando a gente vai pras fontes, eu não consegui enxergar isso nas minhas fontes. Eu percebia sim, que havia essa fronteira, feita pelo indivíduo, pelo fronteiriço, mas eu percebia ao mesmo tempo o papel do Estado, o Estado não era irrisório, inútil, inoperante. Ele tava ali. Adaptado às redes locais, OK, mas ele estava ali. E eu percebia também que aqueles fronteiriços, por mais que tecessem suas redes sociais, familiares, de trabalho dos dois lados da fronteira, eles nunca deixavam de reconhecer estarem de um ou de outro lado da fronteira. Eles nunca deixaram de reconhecer o seu pertencimento, ainda que não fosse um pertencimento nacional, mas o seu pertencimento territorial diante do outro que vinha do outro lado. Eles pertenciam essas diferenças. E isso não combinava com essa historiografia dos anos 90. E essa angústia foi crescendo em mim. E eu também era nova e não achava que eu podia debater com uma historiografia consolidada. Minha angústia exatamente era esta. O que eu vou fazer? Eu vou mutilar as minhas fontes pra tentar fazer caber em um conceito de fronteira que já existe? E em conversas, isso foi um momento muito bacana, também, do Arquivo, como eu falei no início, a gente fez amizade, a gente saía pra almoçar todos juntos, a gente saía pra tomar café todos juntos, e essas saídas eram pra conversar sobre tudo, mas era muito pra falar sobre as pesquisas de cada um, e foi nessas conversas que eu, o Farinatti e a Márcia Volkmer compartilhamos, todos os três estavam com a mesma angústia. Todos os três estavam… “Pois é, que que a gente vai usar então? Que conceito de fronteira a gente vai usar?” E aí eu acho que a gente foi se encorajando também. Os três se encorajaram para dizer “não, se essa historiografia não serve, a gente talvez não tenha o vigor intelectual pra propor um novo conceito, mas a gente pelo menos vai, diante da munição que a gente tem, debater com essa historiografia, dizer o que serve e o que não serve. E isso foi ganhando corpo, até que se formulou, já na dissertação de mestrado eu apresentei uma primeira formulação, o Farinatti também na tese de doutorado dele, logo depois a gente publicou juntos um capítulo avançando um pouco mais nessa discussão, e aí eu acho que o fechamento foi na minha tese de doutorado, a apresentação assim mais bem acabada do que se pensou quando se propôs repensar esse conceito de fronteira e pensar a partir dessa nova perspectiva que a gente batizou fronteira manejada.

E qual foi o papel da pesquisa empírica com os processos criminais na formulação, na reflexão sobre esse conceito?

Foi tudo, porque toda essa agência dos fronteiriços que eu estou relatando, toda essa percepção que a gente teve do quanto os fronteiriços, desculpe a redundância, percebiam a existência de uma fronteira ali, eles sabiam inclusive onde passava o limite. A linha. Embora não estivesse riscada em lugar nenhum, eles sabiam onde passava o limite. Tudo isso tava, era perceptível nos processos. O Arquivo Público tem, eu trabalhei com alguns processos, nos quais o sujeito que comete uma infração, um delito, imediatamente vai em direção à fronteira. Usando daquele recurso que eu comentei antes, de se colocar livre de quem pode punir, de quem pode prender. Imediatamente ele foge em direção à fronteira. Isso se repete inúmeras vezes nos processos. Eu quantifiquei isso nos diferentes capítulos. Mas em alguns processos eles estão fugindo já sendo perseguidos pela polícia. E eles fogem em direção à fronteira, e quando eles cruzam a fronteira eles param, porque sabem que a partir dali a polícia não pode mais prender e a polícia também sabe. E veja, é um limite imaginário, um limite que não está riscado, eles simplesmente sabem que é por ali… E eles passam a fronteira e param de fugir. Porque a polícia não pode mais prender. Então os processos-crime foram fundamentais na percepção dessa forma como os fronteiriços se portavam na fronteira, como o Estado está presente ali. Como que as leis agem nesse espaço, como os fronteiriços se dão conta disso e manipulam essas leis. Quando eu trabalhei com casos de sedução de escravos e fugas de escravizados pela fronteira que iam em busca da sua liberdade também, porque do outro lado a legislação já havia abolido a escravidão. Também fica muito claro como escravizados vão em busca da sua liberdade cruzando a fronteira e como (isso não fui só eu que fiz, tem inúmeros trabalhos que lidam com esse tema).

Na próxima semana teremos a terceira e última parte da entrevista!

Notícias relacionadas:

APERS Entrevista: Mariana Flores da Cunha Thompson Flores – Parte I 

Older Entries

%d blogueiros gostam disto: