Ação Educativa em Arquivos XI: experiências do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (II)

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2016-09-28-acao-educ-em-arquivos-apcbh   A postagem de hoje na categoria “Ação Educativa em Arquivos” traz a continuidade da reflexão levantada no texto anterior, a partir das experiências do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH). No final de julho apresentamos, de forma mais geral, as ações que vinham sendo desenvolvidas por este Arquivo desde a sua criação, na década de 1990. Hoje, vamos nos debruçar sobre os processos de reflexão que levaram à reformulação das visitas monitoradas à instituição e à formulação de novas compreensões que ajudaram a expandir os usos do Arquivo e de seus acervos nas ações educativas, para além da pesquisa e ensino sobre história local, como vinha sendo enfocado. Para acompanhar nossa análise, reveja o post anterior aqui.

   Alguns elementos levaram a equipe do APCBH a identificar a importância dessa reformulação: dificuldades percebidas em aplicar visitas que oportunizassem contato direto com os documentos, devido às limitações de infraestrutura do Arquivo (pouco espaço físico, sem área pedagógica ou para lanches e descontração, etc.); mudanças nas demandas das escolas a partir de transformações em seus currículos, que passaram a valorizar projetos transversais em detrimento às pesquisas sobre história local; percepção de que os documentos poderiam ser explorados para a construção de sentidos relacionados a identidades e memórias individuais e coletivas, gerando relações de pertencimento entre estudantes e arquivo, e não apenas para aprofundar conhecimentos sobre história local.

    Dois projetos foram fundamentais para que a equipe pudesse trabalhar nessa perspectiva: o projeto “Circuito de Museus”, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação, e o projeto “Arquivo 20 anos”, realizado para comemorar as duas décadas do APCBH.

    A partir do primeiro, foi possível receber retornos dos estudantes quanto à visita ao Arquivo, já que ao final das visitas do circuito eles registravam suas impressões em materiais que compuseram uma exposição. Tais retornos evidenciaram a dificuldade dos jovens em se reconhecer no espaço do Arquivo, demonstrando que a dinâmica relacionada à história da cidade a partir de documentos fotográficos ficava registrada para eles como mais uma aula de História, quase sem relação entre o acervo manuseado e a instituição que o salvaguardava. A visita ao Arquivo seria mais uma visita a um “museu”, porém sem os atrativos de um museu?!

    Já o segundo, oportunizou recursos para a contratação de uma consultoria na área, para a produção de sinalizações interpretativas plotadas em determinados espaços do Arquivo, trazendo reflexões apresentadas por uma “mascote” ao longo do percurso da visita, para a impressão de fac-símiles de documentos que seriam manuseados pelos grupos escolares, e para a montagem de kits pedagógicos com materiais para conservação preventiva de documentos (luvas e máscaras, lápis 2B, borracha, tecido, produtos caseiros para evitar infestação por pragas, etc.) dos próprios estudantes – viabilizando uma dinâmica de relação entre a preservação dos documentos do Arquivo e dos documentos pessoais dos visitantes. O próprio percurso da visita foi ampliado, passando agora por depósitos de acervos em diferentes estágios do tratamento documental, demonstrando a dinamicidade do trabalho cotidiano nos processos de gestão documental.

    Estas observações e conquistas oportunizaram a introdução da discussão sobre preservação e valoração dos documentos de arquivo, em paralelo aos documentos produzidos pelos próprios indivíduos ao longo de sua trajetória de vida. Assim, conceitos fundamentais à área de arquivos foram trazidos para dentro das visitas, debatendo a formação de acervos e fundos, valor informacional, formato e suporte dos documentos, etc.

    Algumas destas problematizações têm nos acompanhado ao longo do trabalho desenvolvido pelo APERS no campo da ação educativa, e o diálogo com o trabalho de outras instituições certamente é importante para que possamos nos atualizar, qualificar e ter estímulo para seguir. A experiência mineira evidencia dois pontos que, para nós, também são claros: a importância da avaliação constante do trabalho, expressa pelo salto de qualidade que foi possível dar a partir dos retornos e exposições produzidos pelas turmas, e a necessidade de recursos para o desenvolvimento do trabalho – no caso do APERS, a parceria com a UFRGS tem sido fundamental para que possamos investir na produção de reproduções de documentos, materiais pedagógicos em geral, contratação de bolsistas e de transporte para as escolas, compra de equipamentos, entre outros elementos.

    Certamente é possível realizar bons trabalhos com criatividade e empenho das equipes, mas nossa trajetória tem demonstrado a centralidade de lutar para que o poder público reconheça a importância da valorização das instituições de memória, e dos Arquivos, destinando condições materiais e humanas para aprofundar ações culturais, educativas e de gestão. Além disso, o diálogo com as experiências de Belo Horizonte nos fazem refletir sobre a importância de conectar oficinas de demais ações educativas com o papel técnico, político e social dos arquivos. Isso pode ser dado a partir de temáticas e reflexões históricas, mas elas precisam estar conectadas ao nosso tempo presente, e fazerem sentido para indivíduos e coletividades de agora. Por isso o investimento em temas que nos fazem pensar enquanto cidadãos e cidadãs de nosso tempo, como acesso à informação e ao patrimônio, relações étnico-raciais, relações de gênero, democracia e direitos humanos. Seguiremos!

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Ação Educativa em Arquivos X: experiências do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (I)

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Após algumas viagens mais distantes, que nos levaram a arquivos estrangeiros, na postagem deste mês e do próximo a respeito de ações educativas em arquivos voltaremos nossa atenção ao trabalho desenvolvido pelo Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte. Este arquivo municipal foi fundado em 1991, mesmo ano de publicação da Lei de Arquivos no Brasil, nascendo voltado à modernização de tais instituições, engajado na construção de procedimentos de gestão documental amparados pela então nova legislação, em meio aos avanços democráticos vivenciados por nossa sociedade com o fim da ditadura e no contexto de promulgação da Constituição de 1988.

Nosso texto de hoje será referenciado especialmente no artigo “Educação Patrimonial e o Ensino de História em Instituições Arquivísticas: Ações educativas no Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte”, de Raphael Rajão Ribeiro, historiador e então chefe do Departamento de Tratamento, Pesquisa e Acesso do APCBH, e Michelle Cobra Torre, graduada em História e Comunicação Social, publicado pela Revista Acervo em volume de 2012. Neste trabalho os autores historicizam a trajetória das ações educativas desenvolvidas pela instituição, chamando a atenção para uma situação especial em meio à realidade arquivística que nos cerca majoritariamente: trazem à luz as experiências de um arquivo que vem se preocupando e atuando fortemente na área educativa desde sua fundação, compreendida como parte importante de suas ações de difusão. Por este motivo, decidimos dividir a reflexão em duas partes, apresentando de forma mais geral neste post os trabalhos desenvolvidos pelo APCBH até o ano de 2010, e no mês seguinte os processos de reflexão que levaram à reformulação de suas visitas monitoradas e à formulação de novas compreensões que ajudariam a expandir os usos do Arquivo e de seus acervos nas ações educativas para além da pesquisa e ensino sobre história local.

Raphael e Michelle refletem a respeito de tais ações buscando compreender os pressupostos teóricos e metodológicos que as embasaram ao longo dos anos, apontando para a escassez de produções específicas que fundamentem a educação em arquivos, assim como para a ausência de divulgação sistemática das ações levadas a cabo no país, o que teria contribuído para uma aproximação de referenciais do ensino de história e da educação patrimonial. Destacam que a presença de historiadores na equipe e o contato com referenciais franceses corroboraram para “maior ênfase na abordagem da instituição e de seu acervo pelo seu valor de evidência para o estudo do passado”. Nesse sentido, também teriam contribuído as novas diretrizes para a educação nacional constituídas no processo de redemocratização dos anos de 1980 e 1990, que colocavam a necessidade de se trabalhar com procedimentos de pesquisa histórica nas práticas de ensino-aprendizagem da Educação Básica.

Nesse percurso de análise, vão se debruçando sobre as atividades e projetos desenvolvidos desde a década de 1990, demonstrando como os serviços educativos demandados, especialmente pelas escolas, sempre estiveram presentes na vida do APCBH, contribuindo para seu reconhecimento social e fortalecimento de seus laços com a comunidade.

Para eles, a condição de arquivo municipal propiciou grande contato com as escolas da região, que apresentaram demandas por reproduções de documentos que pudessem ser usadas em sala de aula, assim como por visitações. Nos anos iniciais, em que a instituição Foto Visita APCBHestava instalada em um espaço diminuto, em salas da então Secretaria Municipal de Cultura, o Arquivo reproduziu uma amostra de seu acervo, que era levada às escolas. A partir da mudança para um espaço próprio, ocorrida em 1996, o APCBH passou a receber visitas do público escolar, que seguem sendo oferecidas até hoje. Daquele ano até 2010 as visitas monitoradas foram organizadas como espaço para apresentação tanto da instituição quanto da trajetória histórica do município, a partir de um trabalho didático com fotografias. Para qualificar a interação entre Arquivo e professores, estes eram convidados para realização prévia de visitas técnicas.

Em 1997, ano marcado pelas comemorações dos cem anos da capital mineira, foi lançado o Projeto Momentos de uma capital centenária, que teve como produto a reprodução 31 documentos fotográficos, em pranchas e em slides, que foram distribuídos para todas as escolas da cidade, retratando paisagens marcantes da história local. Apesar do mérito nas intenções do projeto, de sua qualidade ou abrangência no alcance, a ausência de acompanhamento mais sistemático do que era feito com o material nas escolas fez com que em muitos casos os kits não chegassem aos verdadeiros interessados, sendo tomados por indivíduos como um “presente” do Arquivo, e não como um material didático que deveria ser compartilhado por professoras e professores, socializado na biblioteca escolar.

A partir de 1999 iniciou-se o Projeto Histórias de Bairros de Belo Horizonte, em muito resultante da constante procura do Arquivo por estudantes das séries iniciais da Educação Básica, que desejavam pesquisar sobre a história local. O APCBH iniciou o “levantamento de fontes em seus acervos e nos de outras instituições de memória da cidade, sistematizado a partir da divisão espacial dos bairros”, e pensando produtos a partir do material coletado. Já em 2007 foi constituída uma equipe para “produzir uma coleção de cadernos paradidáticos APCBH 1voltados para o público de 9 a 12 anos”. Os primeiros exemplares da Coleção História de Bairros de BH foram lançados em 2008, contando hoje com nove cadernos, mais o volume dedicado ao professor. Todos podem ser baixados pela internet, acesse aqui um dos exemplares! Estes produtos colocaram o Arquivo em uma nova posição: deixaria de envolver-se apenas com o processo de seleção de fontes que seriam trabalhadas pelos professores em sala de aula, colocando-se como agente ativo, produtor de reflexões e propositor de metodologias no campo do ensino de história, evidenciando a pertinência da atuação de outros atores na confecção de materiais didáticos, para além dos profissionais diretamente envolvidos com as escolas e do grande mercado editorial brasileiro do livro didático.

Em 2003 foi lançado o material Vídeo Documento, com 11 minutos de duração, conduzido pela narrativa de uma criança chamada Davi, estudante que entra em contato com o Arquivo a partir de uma proposta de atividade feita pela professora. Já buscando ampliar a percepção dos acervos como documentos que informam sobre o passado, o foco do vídeo é discutir “o sentido daquele arquivo público municipal como patrimônio da cidade. Para tanto, parte-se das referências da criança: seu arquivo pessoal e a variedade de documentos que o compõem; suas vivências na cidade, como o uso do transporte coletivo; os locais que reconhece na documentação histórica, como o parque central da cidade; a importância de se preservar os documentos e os critérios utilizados para isso”. O material foi reconhecido pelo IPHAN com o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade na categoria de melhor ação de Educação Patrimonial do ano, e passou a ser utilizado nas visitas monitoradas.

APCBH 2Em 2007, para qualificar a preparação das e dos professores, e consequentemente das(os) estudantes, às visitas, foi publicada a cartilha “Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte: informação e memória”, que pode ser acessada aqui. Nela são apresentados conceitos importantes para a compreensão das funções de uma instituição arquivísiticas, suas atividades nos processos de gestão documental, salvaguarda, difusão e acesso ao patrimônio cultural documental , além de apresentar o APCBH, sua história e acervos, trazer orientações para melhor organização e aproveitamento da visita, e sugestões de atividades para a sala de aula.

As produções aqui evocadas evidenciam a centralidade dada pelo APCBH às ações educativas enquanto elemento constitutivo de sua identidade enquanto instituição pública de arquivo. O sucesso e reconhecimento do trabalho, agraciado com parcerias, recursos captados externamente e premiação em nível nacional, certamente está relacionado à dedicação de uma equipe constituída e consolidada para esta área, e à compreensão, por parte da instituição como um todo, do potencial e do papel social dos Arquivos enquanto espaços de memória, cultura e educação. Seguiremos com essa reflexão!

Ação Educativa em Arquivos IX: serviço educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo

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Torre do TomboRetomando nossa série de postagens sobre ação educativa em arquivos, hoje abordamos as atividades desenvolvidas pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, localizado na cidade portuguesa de Lisboa, instituição importantíssima para pesquisadores do mundo inteiro, que abriga acervo milenar e, em muitos aspectos, intimamente relacionado à história do Brasil e dos demais países que foram colônias portuguesas.

Sua data de criação é incerta, e remonta ao século XIV. A mais antiga certidão expedida é de 1378. Desde então até o ano de 1755 funcionou como Arquivo do rei e dos seus vassalos, da administração do reino e das possessões ultramarinas, servindo à administração régia, emitindo certidões e franqueando a consulta a poucos pesquisadores. Apenas no século XIX as atribuições do Arquivo alargaram-se à formação de funcionários e ao ensino da Diplomática, em um processo que pouco a pouco trouxe a compreensão contemporânea do Arquivo como instituição voltada à sociedade.

Hoje, como um dos arquivos de âmbito nacional da rede portuguesa de arquivos, é subordinado à Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, serviço central da administração direta do Estado português, que por sua vez é integrado à Secretaria de Estado da Cultura. Tem investido em sua difusão por meio do Serviço Educativo, compreendido como uma necessidade para fazer valer os dispositivos legais que reconhecem o papel sócio cultural dos arquivos e do patrimônio por eles salvaguardados, conforme podemos acompanhar através do artigo “Conhecer e visitar: o Serviço Educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo”, de Maria de Lurdes Henriques.

Em um cenário marcado pela visão de que os arquivos seriam instituições eminentemente voltadas a apoiar a administração pública e atender a demanda de pesquisadores, nos quais pouco ou nenhum espaço sobraria para a educação. Maria de Lurdes enfatiza o esforço que fora empreendido nos últimos 10 anos, até mesmo entre os profissionais da área, para convencer sobre a necessidade de ir além das visitas tradicionalmente oferecidas ao público interessado em conhecer o Arquivo, passando a assumir uma postura pró ativa no campo da educação para a cidadania, buscando atrair novos públicos e atuando de forma articulada às escolas, afinal, somente é possível valorizar e divulgar aquilo que se conhece.

No caso português, o ainda jovem Serviço Educativo passou a oferecer “visitas temáticas apoiadas em textos didáctico-pedagógicos, complementados por documentos seleccionados, que poderão ser visualizados em diferentes suportes, do original ao digital”. São abordados temas como as origens e evolução da Língua Portuguesa; literatura e censura literária; formação e evolução do Estado Português; minorias étnicas e religiosas, entre muitos outros.

Guardar-memorias_abrir-caminhosO primeiro produto editado e publicado pelo Serviço como material de apoio voltado a um público amplo, especialmente de professores e estudantes, foi o “Guia jovem: Guardar memórias… Abrir caminhos…”, distribuído gratuitamente em todas as bibliotecas escolares. Igualmente, passou-se a criar e produzir exposições e mostras documentais, como polo dinamizador para as visitas e a interação com o público, já que estas permitem abordagens diversificadas, com a construção de diálogos que dependem muito dos saberes e interesses trazidos pelos visitantes.

No mesmo sentido, o Arquivo assinou protocolo de colaboração entre a Direcção Geral de Arquivos e a Direcção Geral do Desenvolvimento e Inovação Curricular, por meio do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, que coordena mais de 2 mil bibliotecas escolares, tendo como objetivo a sensibilização dos professores responsáveis pelas bibliotecas para as potencialidades pedagógicas e para a relevância dos recursos de informação disponíveis nos arquivos. Se as experiências cotidianas demonstravam que os professores muitas vezes não consideravam os arquivos como locais a visitar, tal como seriam bibliotecas, museus, monumentos ou sítios arqueológicos, o importante seria cativar e demonstrar o contrário. Esta proximidade com os professores tem sido valorizada em cada ação, especialmente no planejamento, construção e realização das visitas, pensadas de acordo com o perfil e os interesses dos grupos, em diálogo desde o agendamento, passando pela troca de materiais preparatórios, até a visita em si.

Maria de Lurdes também registra que a dedicação da instituição à digitalização de documentos contribuiu para a efetivação do Serviço Educativo, ao viabilizar a ampliação do acesso sem prejudicar a conservação dos originais.

Conhecer um pouco mais sobre as experiências portuguesas, em um país ibérico onde a arquivística é bastante desenvolvida, nos dá mais fôlego para seguir a diante na consolidação de nosso próprio serviço educativo, demonstrando que estamos na direção correta!

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Referência:

HENRIQUES, Maria de Lurdes. Conhecer e visitar: o Serviço Educativo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. ALA, n.27, 2012: 7° SIAT. Disponível em http://docplayer.com.br/4894782-Conhecer-e-visitar-o-servico-educativo-do-arquivo-nacional-da-torre-do-tombo.html, acesso em 24 mai 2016.

Relatórios 2015 – DIDOC: Ações educativas e culturais

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O Arquivo Público do Rio Grande do Sul possui uma série de atividades na Área de Ação Educativa, sobretudo as vinculadas ao Programa de Educação Patrimonial, consolidadas e reconhecidas pelas mais diversas instituições ligadas à educação. De modo geral, quase todas as atividades são desenvolvidas dentro da própria instituição. Na intenção de darmos continuidade e estendermos essa aproximação, elaboramos o projeto APERS? Presente, Professor? Propostas Pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas que pretendeu levar um pouco do Arquivo Público até a escola, a partir da construção de propostas pedagógicas que tiveram como ponto de partida os documentos custodiados pela instituição. O objetivo caracterizou-se pela disponibilização virtual de atividades que pudessem ser desenvolvidas pelos professores nas salas de aula da educação básica.

Logo Laranja

Para a segunda edição do projeto APERS? Presente, Professor? Propostas Pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas, foram construídas propostas de trabalho para a sala de aula com fontes arquivísticas, a partir do eixo temático História e Direitos Humanos. Essas propostas foram disponibilizadas, no formato PDF, no Blog do Arquivo, com os seguintes objetivos:

  • Contribuir, a partir de mais uma ação dentro da perspectiva da Difusão Cultural e das Ações Educativas, para a divulgação dos acervos do Arquivo e das suas potencialidades;
  • Contribuir para o uso de fontes arquivísticas no trabalho pedagógico desenvolvidas nas escolas de Educação Básica;
  • Fomentar discussões, no âmbito dos processos de ensino-aprendizagem, em torno dos Direitos Humanos a partir de uma perspectiva histórica.
  • Divulgar e incentivar a utilização, tanto para pesquisa quanto para o ensino, de documentos tais como os processos administrativos de indenização, inventários e processos-crime do período da escravidão, de processos de desquites e divórcios, de processos administrativos da Secretaria da Justiça, dentre outros que trabalhados.

Até o dia 28 de novembro, foram produzidas 6 propostas pedagógicas, com em média, 36 páginas cada uma. Desde o início da segunda edição até a metade do mês de dezembro as propostas pedagógicas tiveram cerca de 108 visualizações no Blog Institucional.

Com o encerramento dessa segunda edição do projeto, ocorrerá a publicação de uma coletânea em volume único, contendo as seis propostas. Praticamente finalizada, o arquivo aguarda apenas ficha catalográfica e ajustes finais de formatação. Para o ano de 2016 está prevista a publicação da coletânea no mês de fevereiro e a interrupção da produção de novas propostas pedagógicas. Nesse caso, não haverá uma IIIª edição para o próximo ano, uma vez que a historiadora responsável pelo projeto se dedicará a outras atividades na instituição. De qualquer forma, permanece no horizonte da Divisão de Documentação a possibilidade de publicação das propostas elaboradas nas duas edições. Para isso, a equipe da Divisão estará atenta aos editais e possibilidades de captação de recursos para esse fim.

Outra atividade que demandou atenção das equipes da Divisão de Documentação foi a elaboração do projeto piloto Estágio Curricular para o Curso de História. O Estágio Curricular em História é um dos serviços educativos oferecido pelo APERS. Caracteriza-se por uma série de atividades destinadas ao cumprimento de estágio curricular obrigatório ou para horas complementares exigidas para integralização dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em História. Objetiva oportunizar aos graduandos dos cursos de história vivências relacionados aos fazeres dos historiadores em instituições arquivísticas. No projeto-piloto foram previstas a apresentação da instituição e dos processos de trabalho realizados por sua equipe, em especial a equipe de historiadoras do APERS; observação participativa de atividades realizadas por historiadores; prática monitorada de atividades previamente selecionadas pela equipe responsável pela supervisão do estágio.

O Estágio Curricular objetivou oportunizar aos graduandos dos cursos de História vivências relacionadas aos fazeres dos historiadores em instituições arquivísticas. Seis alunos do Curso de História da FAPA concluíram o estágio que contou com uma carga horária de 30 horas. Para o ano de 2016 foram planejadas as seguintes atividades: seminário sobre instituições de guarda de acervos e seus profissionais, e estágio curricular.

CaixaPedagogicaAinda entre as ações educativas, merece destaque o projeto AfricaNoArquivo: fontes de pesquisa & debates para a igualdade étnico-racial no Brasil. Ele foi desenvolvido ao longo de 2014 a partir de recursos captados junto ao Prêmio Pontos de Memória 2012, do IBRAM (conforme registrado na aba “Projetos Patrocinados”). Em 2015 centramos o trabalho na finalização da montagem de 700 caixas pedagógicas, na distribuição das mesmas, e na divulgação dessa ação. Intencionávamos realizar parceria com a Secretaria Estadual de Educação para o processo de distribuição em todas as escolas de Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Viamão, conforme previsto originalmente no projeto aprovado pelo IBRAM. No entanto, como esta parceria não se efetivou, a entrega das caixas às escolas tornou-se mais morosa, exigindo que um responsável de cada instituição venha até o APERS retirar o material. Assim, após enviarmos e-mails para as Coordenadorias Regionais e Secretarias Municipais e divulgarmos em nossas mídias sociais, decidimos ampliar o público-alvo a partir do segundo semestre de 2015, passando a atender todas as escolas públicas que manifestem interesse em receber a caixa.

Ao longo deste percurso contamos com o auxílio da equipe do Departamento de Transporte da SMARH, que em diversos turnos cedeu um carro da Central de Veículos, com motorista, para visitar escolas de Canoas e Gravataí entregando as caixas. O motorista viajou sempre acompanhado por Davi dos Santos, estagiário que faz parte de nossa equipe de Ação Educativa. Registramos e agradecemos também o apoio da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (ATEMPA), que abriu espaço em seu IV Encontro de Educadores, realizado em outubro de 2015, para que pudéssemos entregar o material aos professores da rede municipal de Porto Alegre.

Até dezembro de 2015 foram distribuídas cerca de 400 unidades. Ainda temos um grande número de exemplares para fazer chegar aos estudantes e professores em 2016! Se você é professor(a), estudantes, ou membro de alguma comunidade escolar, comente sobre o projeto. Pergunte se a escola já recebeu o material, e caso haja interesse, entre em contato conosco através do e-mail acaoeducativa@smarh.rs.gov.br, ou do fone (51)3288-9117.

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Divulga APERS – Diretrizes 2016

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2016.01.06 Divulga APERS – Diretrizes 2015Hoje divulgamos as diretrizes gerais de nossas mídias virtuais e artigos periódicos que pretendemos publicar aqui no blog ao longo deste ano!

Para o blog institucional:

A partir de março as Técnicas em Assuntos Culturais Gigliori Rodrigues e Caroline Baseggio publicarão na categoria Pesquisando no Arquivo, na segunda semana de cada mês, artigos abordando as possibilidades de pesquisa nos acervos do APERS.

Na terceira semana a partir de março a Técnica em Assuntos Culturais Nôva Brando escreverá resenhas mensais de artigos publicados em edições de nossa Mostra de Pesquisa, instigando os pesquisadores a inscreverem seus trabalhos na edição de 2016.

Na quarta semana, a partir do mês de abril e de forma bimensal, nossa Técnica em Assuntos Culturais Clarissa Alves continuará a publicar seus artigos na categoria Mulheres no APERS, nos instigando ao debate sobre a temática tendo como ponto de partida o catálogo seletivo resultante do projeto “Afinal, onde estão as mulheres no APERS? Gênero, memória e história”. E a partir de maio Clarissa continuará a publicar na categoria Ação Educativa em Arquivos sobre experiências de ações educativas em instituições arquivísticas.

Na página no Facebook publicaremos chamadas para artigos publicados em anos anteriores em nosso blog institucional, nas terças e quintas-feiras, e claro, às quartas-feiras continuaremos a fazer as chamadas das publicações semanais! Assim, nas terças-feiras faremos chamadas para artigos publicados em 2015 nas categorias Ação Educativa em Arquivos, Acervo da Justiça e Pesquisa Histórica, AfricaNoArquivo, Mulheres no APERS, gênero e história, e Pesquisando no Arquivo, e nas quintas-feiras publicaremos chamadas para as dicas da categoria Mundos dos Arquivos publicadas na temporada de 2013.

Quanto ao Twitter continuaremos a postar, de segunda a sexta-feira, dicas que envolvam a área de atuação do APERS, além das chamadas para os conteúdos publicados em nosso blog institucional e replicações das postagens do Facebook.

Para 2016 desejamos que você continue a nos acompanhar pelas mídias, mas claro, também queremos sua presença em nossa Sala de Pesquisa, eventos e demais atividades que realizamos visando sua participação e interação!

Ação Educativa em Arquivos VIII: serviço educativo no “The National Archives”, do Reino Unido

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Chegamos ao último texto do ano na série Ação Educativa em Arquivos, que abordará as experiências do The National Archives, ou Arquivos Nacionais do Reino Unido. Suas ações são bastante complexas, densas e bem estruturadas, certamente interessantes para motivar uma reflexão qualificada a respeito do potencial e do papel educativos dos arquivos públicos.

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Ele é responsável pela documentação do Reino Unido, composto pelos países da ilha da Grã-Bretanha – Inglaterra, Escócia e País de Gales – e a Irlanda do Norte. Interessante notar que é uma instituição jovem, fundada em 2003 a partir da fusão de quatro organizações: o Public Record Office, criado em 1838 para ocupar-se dos arquivos de governo produzidos pela Inglaterra, País de Gales e Reino Unido; a Royal Commission on Historical Munuscrip, comissão criada em 1869 pelo poder real para identificar a localização e conteúdos de registros privados de interesse à história do Reino; o Her Majesty’s Stationery Office, que desde 1786 era responsável pelos documentos e publicações oficiais de autoria da Coroa e do Parlamento; e o Office of Public Sector Information, criado em 2005 por diretiva da União Europeia, para tratar e utilizar as informações reproduzidas e recolhidas pelo setor público do âmbito da UE.

Esta diversidade e amplitude faz com que o The National Archives reivindique o posto de maior arquivo organizado do mundo, detentor de documentos que permitem a análise de mais de 1.000 anos de história, desde a ocupação daquele território insular até a atualidade, passando pelo “tombo feudal”, pelas obras de Shakespeare até chegar nos recentes documentos desclassificados e disponibilizados ao público pelos governos do Reino Unido. A fundação contemporânea da instituição se deu a partir de uma concepção moderna de arquivo, enquanto espaço vivo, acessível, responsável pela gestão de documentos públicos, mas especialmente amplamente conectado e voltado à comunidade. Uma breve navegação pelo site da instituição evidencia isso: um programa consolidado voltado ao atendimento de professores e estudantes, instrumentos de pesquisa descomplicados, serviço de atendimento especial e personalizado aos pesquisadores, de todas as áreas, faixas etárias e níveis de formação – desde estudantes das escolas até pós-graduandos.

Obviamente não é possível comparar diretamente a realidade dessa instituição com a do APERS, ou com outros arquivos públicos brasileiros. É um universo bastante diverso do nosso, não só por ser uma instituição de caráter nacional, enquanto nos colocamos em uma posição estadual, mas também por questões históricas, econômicas e políticas. No processo de desenvolvimento da Revolução Industrial o Reino Unido constituiu-se enquanto a maior potência mundial imperialista, cuja riqueza permitiu alto grau de desenvolvimento econômico e social – em grande parte às custas da exploração de outras regiões do planeta – e onde a educação e o acesso à cultura puderam efetivar-se em outro patamar. Entretanto, reconhecendo tais diferenças ou desigualdades, nada impede que nos inspiremos com o trabalho desenvolvido por lá, sempre buscando aprofundar as relações entre sociedade e arquivo!

Nesse sentido, é um prazer navegar pela sessão “Education”, em destaque no portal institucional. Seria inviável desenvolver qualquer análise mais aprofundada de cada proposta, pois são muitas, então nosso principal objetivo, mais uma vez, é incentivar que nossas leitoras e leitores sintam vontade de navegar por lá também! Podemos encontrar uma grande variedade de ações educativas:

  • Longa série de propostas pedagógicas para uso em sala de aula, disponíveis para baixar, tratando de temáticas diversas e sobre todos os períodos históricos contemplados no acervo da instituição. Em geral, em cada uma delas são disponibilizados textos introdutórios, documentos digitalizados com suas respectivas transcrições, e propostas de questões para análise. Também há conteúdos maiores, ou mais aprofundados, voltados aos professores, para que possam preparar suas aulas a partir de uma gama de documentos e conhecimentos – podemos comparar com as propostas pedagógicas de nosso projeto “APERS? Presente, professores!“;
  • Workshops, ou oficinas, que podem ser agendadas para turmas escolares nas dependências do Arquivo, oportunizando o trabalho a partir de documentos originais – também podem ser comparadas com as oficinas oferecidas a partir de nosso Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS (PEP);
TNA 6 Workshops

Página de acesso às oficinas oferecidas pelo Arquivo.

  • Videoconferências, que também podem ser agendadas para “levar” os arquivos até as escolas. Nessas atividades um profissional do setor educativo apresenta a instituição, seus serviços, espaços e acervos, em uma visita virtual interativa;
Conhecendo as opções de videoconferências.

Conhecendo as opções de videoconferências.

  • Virtual classrooms, ou aulas virtuais, em que um educador do Arquivo interage com as turmas apresentando, analisando e debatendo contextos históricos e documentos que são disponibilizados em alta resolução através de um ambiente virtual;
  • Professional development, ou programa de desenvolvimento profissional voltado para professores. Nesta área, são oferecidas atividades e formações que tem como foco oportunizar que eles tenham acesso aos fundos e coleções do Arquivo, e desenvolvam suas próprias pesquisas e planos de ensino a partir deles – neste tópico, também é justo destacar os cursos de formação para professores oferecidos anualmente através do PEP. O programa realiza encontros de treinamento para grupos de professores mediante agendamento; desenvolve propostas pedagógicas em parceria entre a equipe de educação do Arquivo e pesquisadores universitários; mantém um curso de formação online, Making History: Using archives in classroom, em que compartilham com professores sua experiência com a utilização de fontes arquivísticas nas salas de aulas; e realizam anualmente um curso de formação, sempre em parceria com universidades, sobre o qual cabe dizer algumas palavras a mais.

Chamou-nos a atenção a última proposta de formação de professores mencionada, por buscar desenvolver algo que nos parece central: a habilidade de manuseio, leitura, interpretação e produção de conhecimento em parceria entre professores da educação básica, educadores do arquivo e professores universitários. O curso desenvolve-se a partir de palestras, atividades práticas, encontros no Arquivo e na sede da Universidade parceria, e tem como principal resultado a produção de pesquisa voltada ao ensino de história a partir de documentos arquivísticos, com a apresentação de novas propostas pedagógicas criadas pelos professores, que são publicadas pelo The National Archives. Certamente é um avanço em um longo e necessário caminho que visa desconstruir abismos ou hierarquias entre professores acadêmicos, professores da educação básica, e profissionais das instituições de memória. Muitas vezes ainda percebemos o acadêmico como aquele que produz e detém conhecimento, os professores do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio como aqueles que vão “traduzir” para uma linguagem “simples” o conhecimento produzido pelos primeiros, e os historiadores, arquivistas de demais profissionais de arquivo como técnicos que devem simplesmente organizar e dar acesso às fontes para que outros “pensem-nas”. Nessa perspectiva, deixamos de lado a importante compreensão de que o processo de ensino-aprendizagem exige e envolve complexa produção de conhecimento, assim como ocorre nos processos de gestão documental, descrição, difusão e educação em arquivos.

Encerramos as postagens de 2015 sobre ação educativa em arquivos, felizes por difundir esse caminho de valorização, tanto da educação quanto dos arquivos, e de todos os profissionais que podem ser responsáveis pela construção de uma sociedade mais informada, preparada, ciente de seus direitos e de sua história, capaz de se apropriar do patrimônio cultural que a cerca, de questioná-lo e preservá-lo. Que em 2016, apesar das crises que vivenciamos e que lutaremos para superar, possamos seguir abrindo caminhos nessa perspectiva por aqui.

Ações Educativas em Arquivos VII – Experiências Portuguesas

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Na última postagem sobre Ações Educativas em Arquivo, abordamos os trabalhos realizados pelo Arquivo Histórico de São Paulo. Hoje, vamos atentar para experiências desenvolvidas por arquivos de Portugal, uma referência para o campo de conhecimento arquivístico. Vamos começar pelo Arquivo Municipal de Lisboa (AML) responsável pela custódia de acervos datados desde o século XIII e considerado um dos maiores daquele país.

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Fisicamente ocupa diferentes espaços físicos e guarda documentos capazes de contar a história da cidade. Nesses espaços são encontrados documentos em diversos suportes, tais como pergaminho, livros, fotografias, vídeos, cartazes. De um modo geral os acervos são constituídos por documentos produzidos pelos órgãos do município, documentos históricos que compõem outros fundos diversos, documentos de particulares como os processos de construção de obras privadas e acervo videográfico.

Além de todas às tarefas que são competência de arquivos públicos, ele dispõe de um exemplar serviço educativo que pode ser notado em uma visita rápida ao site da instituição. As informações que encontramos na página são muitas e, por isso, vamos comentar de forma genérica e ampla por aqui – ao leitor, deixamos o convite para uma pesquisa mais ampla na página do AML.

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O Arquivo Municipal de Lisboa dispõe de atividades destinadas para distintas faixas etárias que abordam a história de Lisboa e a história da fotografia. Para o público Pré-escolar encontramos: (1) A casa do Kivo e (2) Pequenos fotógrafos. Para o 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico, equivalente ao nosso ensino fundamental temos atividades sobre a história de lisboa: (1) Lisboa no tempo de D. Afonso Henriques; (2) Lisboa no tempo de D. Dinis; (3) O Foral Manuelino e Lisboa dos Descobrimentos; (4) A restauração da independência de Portugal em 1640; (5) O terremoto de 1755 e a reconstrução de Lisboa; (6) 5 de Outubro de 1910: A revolução republicana; (7) A revolução de 25 de Abril de 1974. Atividades sobre os costumes e tradições da cidade de Lisboa: (1) A bandeira municipal de Lisboa: história e símbolos; (2) Ontem e Hoje: os meios de transporte em Lisboa; (3) Os vendedores ambulantes e quiosques no princípio do século XX; (4) Santo António: tradição e festa. E atividades temáticas sobre a fotografia: (1) Álbum em branco; (2) À descoberta da photographia; (3) Fotógrafo à la minute.

Essas são as atividades realizadas nas dependências do Arquivo que podem ser compreendidas nos seus detalhes na página do AML. Além delas, é disponibilizada ao professor, uma atividade intitulada Explorar a cidade, que acontece durante um ano letivo. O objetivo dessa atividade é explorar a história do bairro na qual está inserida a escola onde os alunos estudam a partir do documento do AML. Acontece por meio de três ou quatro visitas e prevê a elaboração de um trabalho final, uma reflexão das experiências vividas e das atividades realizadas.

Por fim, ainda encontramos sugestões de atividades disponibilizadas em formato digital. Para as crianças e jovens temos: A História de Kivo e sua família, Jornal ArKivo, Jogos e Segredos e Tesouros. Para as famílias, roteiros de atividades que incluem exposições, visitas e exibições de filmes em diversas instituições culturais. E para os professores, materiais de apoio à sala de aula.

Os próximos serviços educativos que vamos apresentar fazem parte das atividades desenvolvidas pelo Arquivo Regional da Madeira (ARM), localizado na cidade portuguesa de Funchal na Ilha da Madeira, capital da Região Autônoma da Madeira.

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Sob a responsabilidade desse arquivo está a guarda de documentação da administração da Ilha da Madeira e do Porto Santo, desde o início do povoamento da região. Por lá, entendem que as atividades pedagógicas fazem parte de um Serviço Educativo e de Extensão Cultura, que objetiva o contato com um público não tradicionalmente usuário de arquivo.

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Destinado ao público escolar, são oferecidas ações realizadas permanentemente pela instituição e outras de caráter temporário. Ambas problematizam as temáticas da genealogia e da emigração. São elas: (1) Vamos conhecer o Arquivo Regional da Madeira; (2) Dia aberto a Comunidade; (3) Workshop Genealogia e História da Família; (4) O Meu Conselho… Porto Santo, Porto de Moniz; (5) Cadernos Pedagógicos Temáticos; (6) Maletas Pedagógicas “Eu Escondidos” (genealogia e história das famílias na escola); Ateliê Aprendiz de Arquivo: uma aposta ganha.

As atividades são minuciosamente explicadas na edição número 0 do Jornal Aprendiz do Arquivo, outra ação voltada para o público escolar. Até o momento foram 15 edições que divulgam as atividades desenvolvidas pela Instituição. Composto por um editorial, manchete das principais notícias e atividades, projeto em curso, guia do Arquivo, tema central, atua escola e generalidades, a publicação tem periodicidade semestral e possui uma linguagem extremamente acessível ao público não especializado e pensado mesmo para ser lida por estudantes.

Além disso, o Arquivo disponibiliza visitas orientadas ou ações organizadas de acordo com o solicitado pelas escolas e instituições de ensino superior. Isso se deve a compreensão, expressa na página da Instituição, de que o ARM é um dos veículos da identidade coletiva de uma comunidade, da mesma forma que um dos suportes da administração pública e que tem como função “democratizar e simplificar o contato do público com os documentos históricos, quebrando barreiras culturais, sociais e geográficas ao seu acesso e instituindo-se como fator de cidadania” dos madeirenses.

Por fim, vamos apresentar o serviço educativo do Arquivo Municipal Ponte de Lima, localizado na vila mais antiga de Portugal, hoje Município de Ponte de Lima.

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Responsável pela coordenação das ações referentes à Seção do Arquivo da repartição Administrativa, a instituição também possui como tarefa a defesa e a salvaguarda de arquivos, coleções e demais documentos com valor histórico e patrimonial originados por outros organismos, pessoas ou serviços existentes no Concelho (unidade administrativa).

Além de recolher, inventariar, preservar, cabe ao Arquivo divulgar o patrimônio documental do Conselho de Ponte de Lima ao grande público. Para isso, são organizadas exposições, atividades de extensão cultural e educativa e publicações.

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Encontramos as informações sobre os serviços educativos em um plano de atividades para o ano letivo 2014/2015. Lá estão descritas as seguintes ações:(1) Exposição Ponte de Lima: a noite pelo dia, uma história feita de Luz; (2) Projeto Artes e Ofícios: Os saberes e as artes tradicionais – Lotoaria Luminária, para os 3º e 4º anos do 1º Ciclo; (3) Concurso O meu Cartaz das Feiras Novas: 190 anos, para os 3º e 4º anos do 1º Ciclo; Oficinas O meu Cartaz das Feira Novas à minha maneira e A mascote das Feiras Novas à minha maneira, para o Jardim de Infância e 1º Ciclo; (4) Teatro de Fantoches Feiras Novas, uma história feita de luz e D. Teresa fez vila o lugar de Ponte, para o Jardim de Infância e 1º Ciclo; (5) Outras atividades destinadas para o Jardim de Infância, 1º e 2º ciclos: (a) Arquivista por um dia, (b) A caça de documentos no Reino da Informação, (c) Viagem pela rota das especiarias e (d) A minha árvore genealógica.

Tudo isso para uma apresentação genérica. Conseguem imaginar o quanto de discussão poderíamos fazer a respeito de cada uma dessas experiências? Sobre cada uma dessas atividades? Nossa intenção ao sugerirmos uma série de postagens a respeito das ações educativas desenvolvida por arquivos não foi essa e sim abrimos o caminho para refletirmos o quanto essa deve ser uma das tarefas desenvolvidas pelas instituições arquivísticas de forma permanente, a despeito das mudanças por alterações governamentais. Parece-nos óbvio que os arquivos de Portugal tem percorrido esse caminho, atividades pedagógicas e educativas são compreendidas como serviço público e sobre isso ainda precisamos falar, escrever e defender muito nesta terra do além-mar.

Fontes:
Arquivo Regional da Madeira, disponível em: http://www.arquivo-madeira.org
Arquivo Municipal Ponte de Lima, disponível em: http://arquivo.cm-pontedelima.pt/ver.php?cod=0H
Arquivo Municipal Ponte de Lima, disponível em: http://arquivo.cm-pontedelima.pt/imagens/noticias/julho2015/AMPL_Atividades_do_Servico_Educativo_2015-2016.pdf
Arquivo Municipal de Lisboa, disponível em: http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/educação/

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