APERS conta histórias: O sistema de microfilmagem

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     A microfilmagem é o processo de fotografar documentos com grande rapidez em filme. Os negativos podem ser utilizados por meio de um aparelho específico de leitura e, se necessário, uma cópia fotográfica do documento pode ser produzida e revelada em papel sensibilizado. Os aparelhos de leitura também são utilizados para projetar o filme numa tela pequena. O filme microfilmado, devidamente acondicionado numa temperatura que poderá variar entre 16°C e 20°C, tem durabilidade de aproximadamente 100 anos.

   Em fevereiro de 1958 o diretor Miguel Bertini Costa inaugurou o serviço de microfilmagem do APERS, sendo responsável pelo setor o técnico Duílio Severino. A proposta era microfilmar documentos de importância vital levando em consideração as condições físicas do papel e no caso da presença de prendedores ou grampos, estes deveriam ser retirados. Os documentos em microfilme recebiam os mesmos cuidados que os documentos originais quanto à classificação, mantendo assim, seu grau de restrição. Desta forma o APERS disponibilizava à comunidade cópias dos documentos arquivados no seu acervo. O serviço de microfilmagem foi suspenso no início da década de 60 e substituído pelo sistema de reprografia.

     No ano de 1972 foi realizado um estudo para a implantação de um prédio destinado aos serviços de microfilmagem no Arquivo Público. Este trabalho foi realizado baseando-se num levantamento de dados e pesquisas em locais com experiência neste tipo de serviço, tais como o Palácio da Justiça do Estado, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e o Banco do Estado do Rio Grande do Sul. Durante este estudo foram contatadas empresas especializadas em máquinas deste gênero afim de conseguir subsídios para elaboração de uma planta de layout.

     De acordo com este estudo alguns pontos precisavam ser levados em consideração para a implantação de um prédio de microfilmagem, a estrutura ideal deveria conter: sala de leitura de documentos, sala de seleção de material, sala de distribuição de material, sala de microfilmagem, pequeno arquivo da sala de microfilmagem, sala da câmara escura, arquivo de filmes com cofre de documentos especiais. Neste formato, a proposta de implantar um prédio específico destinado aos serviços de microfilmagem tornou-se inviável. Restabeleceu-se então somente a prestação deste serviço.

     Na gestão do Diretor Carlos Rossato (1987-1991) houve uma tentativa de reativar a microfilmagem de documentos e foram microfilmados parte do acervo do Registro Civil. Os últimos documentos microfilmados no APERS, durante a gestão da Diretora Lenir Fernandes (1991-1995), foram livros de Registro Civil das cidades de Nova Palma, Cachoeira do Sul e Porto Alegre. Após este período o serviço de microfilmagem deixou de ser disponibilizado.

   Todos os rolos de microfilme produzidos pelo APERS estão adequadamente acondicionados em uma sala climatizada que oferece todas as condições de preservação. Atualmente o Arquivo Público do RS disponibiliza cópias reprográficas de certidões de nascimento, casamento e de escrituras. Caso seja necessária comprovação do documento em juízo, as reproduções poderão ser autenticadas gratuitamente.

APERS 106 anos por José Carlos Soares Roque

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José Carlos Soares Roque

    Ingressei no Arquivo no dia 02 de junho de 1986, na época o governador era Jair Soares e o diretor do APERS era Cláudio Cirne Lima. Fui para Unidade de Documentação, onde minha função era busca e guarda de documentos e atendimento ao público. Com uma quantidade de 18 milhões de documentos foi um início de trabalho bem difícil para fazer a localização com rapidez, com o passar do tempo pude ser mais ágil.

     Com o governador Pedro Simon já empossado, apenas aguardávamos o novo diretor Carlos Aléssio Rossato. Das dez pessoas do setor, estávamos reduzidos a três funcionários para tudo, com a chegada do Rossato conversamos e ele nos disse que esperava contar com o nosso serviço. Fiquei muito contente e dei prosseguimento ao meu trabalho, ainda em processo de aprendizado, afinal não tinha ainda um ano de casa e ninguém domina um acervo deste tamanho em poucos meses.

   Chegaram novos funcionários, a situação do setor foi se normalizando e com a colaboração de duas arquivistas, fomos designados para reorganizar a documentação. O primeiro acervo foi o Registro Civil, livro por livro fomos fazendo a organização e realocando para outras salas para facilitar a busca. No segundo momento passei a estudar a história dos municípios e descobri que estes se encontravam em vários locais, um exemplo foi encontrar Nossa Senhora dos Anjos da Aldeia e Nossa Senhora dos Anjos de Gravataí numa sala e Gravataí em outra, sendo todos os livros do mesmo município. Esta segunda fase levou quase dois anos para ser concluída. A terceira fase foi mais fácil, era fazer a revisão e a elaboração do guia de localização. Lembro que não havia internet para pesquisar, foi tudo feito por pesquisa em livros e datilografado em máquina de escrever.

   Pronto o Registro Civil partimos para os Tabelionatos, no mesmo processo de organização. A experiência anterior tornou mais fácil o trabalho de união dos municípios, pois o problema de nomenclatura também foi encontrado. Como a documentação era mais antiga, o Registro Civil data de 1929 e os livros de Tabelionato datavam de 1763, em alguns casos a evolução dos municípios foi praticamente do início do primeiro nome até os dias de hoje. Este trabalho levou mais de três anos para ser concluído e também foi realizado em conjunto com arquivistas.

   Com a execução de todo este trabalho fiquei conhecendo a documentação por completo e sabia onde estava cada documento sem auxílio do guia, até para ver as datas de início e fim. Eu gosto de História e trabalhar no Arquivo foi uma experiência maravilhosa, se pudesse um dia gostaria de voltar para esta casa que carrego até hoje dentro do meu coração. Agradeço aos diretores Cláudio Cirne Lima, Carlos Aléssio Rossato, Lenir Fernandes, Vanderlino Ramage, Rosani Gorete Feron pela confiança durante os 12 anos que vivi no APERS. Fica a lembrança das amizades, dos churrascos e das gafes que podem vir à tona em outro momento. Sinto-me feliz em fazer parte da história desta instituição centenária.

ATIVIDADES APERS: Ação Educativa e Cultural

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     As atividades de Ação Educativa e Cultural são desenvolvidas no APERS com os objetivos centrais de difundir o acervo e a própria instituição, além de promover o exercício da cidadania através de acesso à informação e à cultura.

     Como instituição centenária que se localiza no coração da cidade em um conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAE, tanto os prédios que a abrigam quanto os mais de 8.000 metros lineares de documentos por ela salvaguardados são patrimônios que devem ser conhecidos, preservados, apropriados e resignificados por cada cidadão. Neste sentido, são desenvolvidas as seguintes ações:

  • Programa de Educação Patrimonial, que inclui:

a) realização das oficinas “Os Tesouros da Família Arquivo” e “Desvendando o Arquivo Público: historiador por um dia”, para turmas das séries finais do Ensino Fundamental;

b) visitas guiadas para turmas do Ensino Médio;

c)curso anual de formação continuada em Educação Patrimonial para professores;

d) capacitação semestral de novos oficineiros, estudantes de graduação que pretendem adquirir experiência com Educação Patrimonial;

e) divulgação do Programa em eventos e publicação.

  • Realização da Mostra de Pesquisa do APERS, evento anual para o qual são recebidos, avaliados e selecionados artigos e resumos de pôsteres produzidos a partir de pesquisas em fontes primárias de arquivo ou a partir de atividades arquivísticas. Além de apresentados, os trabalhos são publicados nos anais do evento.
  • Realização da Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos, evento bianual idealizado a partir da parceria entre o APERS, a Escola do Legislativo/ALRS, o Departamento e o Programa de Pós-graduação em História da UFRGS.
  • Cursos, eventos e exposições em geral: além das ações que já possuem calendário fixo, são promovidas atividades diversas, sempre conectadas com temas históricos relevantes e com a promoção da cidadania, como exposições temáticas, debates e ciclos de cinema.

     Muitas vezes as atividades envolvem outros servidores do APERS, sendo uma equipe variável, mas são participantes regulares: Aécio Severo, Clarissa Alves, Daniel da Silva, Daniela Cardoso, Fabiane Xavier, Helen Rotta, Natália Silva, Renata de Mattos, Vanessa Menezes. Veja algumas fotos de nossa equipe em ação:

Tratativa de convênio entre APERS e IFSul Campus Sapucaia do Sul

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      No dia 27 de março iniciaram-se as tratativas para a realização de um convênio entre o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul – APERS e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul Riograndense Campus Sapucaia do Sul – IFSul, cujo o objetivo será possibilitar estágios aos alunos do Curso Técnico de Gestão Cultural.

    A reunião aconteceu no APERS e estiveram presentes a diretora Isabel Oliveira Perna Almeida, as chefes divisão Elizabete de Lima e Maria Fernandes e, por parte da IFSul, o coordenador do curso professor Leonardo Koppe e a orientadora educacional professora Virgínia Ávila.

Painel sobre Ditaduras de Segurança Nacional foi um evento de êxito

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     Na última sexta-feira, dia 23 de março, o PPG de História da UFRGS realizou na Assembleia Legislativa, com o apoio do APERS, da Assembleia Legislativa e do Núcleo de Pesquisa em História da UFRGS, o painel Ditaduras de Segurança Nacional: Essência histórica e embates do tempo presente (ação, perdão e insubordinação). O evento contou com a presença dos professores Luiz Dario Teixeira Ribeiro (UFRGS), Enrique Serra Padrós (UFRGS) e Caroline Silveira Bauer (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República). O evento contou com público de mais de cem pessoas.

      Abrindo o debate, o profº Luiz Dario contextualizou o público em relação à Doutrina de Segurança Nacional, para uma maior compreensão das questões relacionadas ao período ditatorial brasileiro. Destacou que essa doutrina não influenciou apenas o Brasil em suas políticas, mas também diversos outros países, e alertou para a necessidade da realização, no Brasil, de estudos mais aprofundados na área, de modo a esclarecer as ações colaboracionistas durante o período da ditadura civil-militar brasileira.

     Já Caroline Silveira Bauer, destacou a vigência da temática da ditadura no tempo presente, visto que daquele período ainda carregamos feridas abertas. A importância, o papel e os desafios que se colocam a partir da Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527, de 18/11/2011) e da criação da Comissão da verdade (Lei 12.528, também de 18/11/2011), foram pautas do debate.

     Aspectos atuais também foram trazidos pelo profº Enrique Padrós, que noticiou acontecimentos, do âmbito da justiça, em relação aos crimes ocorridos durante a Ditadura no Uruguai e Argentina. O professor ainda tocou em pontos como o direito à memória, as questões psicológicas envolvidas no período ditatorial, e a esperança em uma justiça que repare os danos causados à sociedade e garanta que “nunca mais aconteça”.

25 anos do Centro Administrativo Fernando Ferrari

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APERS conta histórias: A implantação de Arquivos Intermediários no RS

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    Durante o ano de 1990 houve intenção de implantar no Estado Arquivos intermediários. A proposta era centralizar a documentação intermediária que tivessem destinação final permanente de uma região específica arquivando-a em um só lugar. Foram estabelecidos convênios com os municípios de Cachoeira do Sul, Santo Ângelo e Santo Antônio da Patrulha para que estes instutíssem os Arquivos Intermediários.

    O Arquivo Intermediário Regional de Cachoeira do Sul, fundado em 26/03/1990, nos termos da Resolução nº 01/90 da Coordenação Central do Sistema Estadual de Arquivos (SIARQ), seria responsável pela documentação recolhida pela Região Jacuí-Centro (AJACE) e estaria vinculado ao Arquivo Histórico Municipal.

    Os documentos públicos estaduais da Região Jacuí-Centro composta pelos municípios de Cachoeira do Sul, Cerro Branco, Dona Francisca, Agudo, Faxinal do Soturno, Formigueiro, Ivorá, Nova Palma, Paraíso do Sul, Restinga Seca e São Sepé seriam recolhidos ao Arquivo Intermediário Regional onde a direção seria exercida pelo Diretor do Arquivo Histórico do Município.

   No município de Santo Ângelo seria instalado o Arquivo Intermediário da Região Missioneira. Santo Antônio da Patrulha sediaria o Arquivo Intermediário da Região Litoral Norte. A escolha do município de Santo Antônio da Patrulha como sede do Arquivo Intermediário da Região Norte justificava-se historicamente por ter sido um dos quatro primeiros municípios criados no Rio Grande do Sul juntamente com Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo. Outra justificativa seria de que a documentação gerada nos povoados da região norte está diretamente ligada à cidade.

    Esta iniciativa, de criar Arquivos Intermediários no Estado, não prosperou. A falta de estrutura e de recursos humanos foram os principais motivos para que o projeto não se desenvolvesse.

Acordo cooperação técnica AI Cachoeira do Sul – Parte I

Acordo cooperação técnica AI Cachoeira do Sul – Parte II

Acordo cooperação técnica AI Cachoeira do Sul – Parte III

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ofício solicitando instalação AI em Santo Ângelo

Ofício solicitando instalação AI em Santo Antônio da Patrulha – Parte I

Ofício solicitando instalação AI em Santo Antônio da Patrulha – Parte II

 

 

 

APERS 106 anos por Carlos Aléssio Rossato

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Carlos Aléssio Rossato

    Na coordenação do Curso de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria, elaboramos um projeto de gerenciamento do Arquivo Público do RS que foi enviado ao governador eleito, Pedro Simon.

    Alguns dias antes da posse o governador convocou-me para uma reunião, com todos os novos secretários de estado e principais assessores. Neste encontro tive a oportunidade de falar sobre esse projeto, sobre o Curso de Arquivologia da UFSM, dos professores, dos arquivistas, dos contatos com o APERS; conhecendo seus problemas e as soluções cabíveis. Foi ai que recebi o convite do governador para dirigir o APERS. De início, relutei em aceitar, pois era professor da UFSM e nunca tinha assumido um cargo político. Mas o governador foi firme em sua escolha, dizendo que “o dono do projeto seria o seu gestor” e firmou o pé nisso. Disse ainda: “é a primeira vez que eu recebo um projeto que detalha problemas e soluções para um órgão público o dono do projeto não solicita o cargo”.

    Para assumir coloquei uma condição, que seria de levar alguns arquivistas comigo. Então, encaminhei uma relação de seis nomes, os quais consegui que fossem nomeados como Cargos de Confiança (CC), e estes foram os primeiros arquivistas, de fato, do APERS.  Logo que assumi, havia no Arquivo 14 funcionários, (em tempos anteriores teria mais de 70 servidores). Chamei um por um em meu gabinete e perguntei o que eles faziam e o que gostariam de fazer e se estavam gostando do serviço ou não. Alguns pediram para sair, outros eu pedi que saíssem. Dos que ficaram e dos novos que assumiram, cobrei produtividade e eficiência. Também incentivei a todos que estudassem.

    Depois de um ano de trabalho no Arquivo, pudemos constatar uma grande dinamização no atendimento ao público. Documentos que antes podiam demorar semanas, passaram a ser entregues em 15 ou 20 minutos, no máximo. Houve prioridade absoluta para o atendimento ao público. O Arquivo está ali para atender às necessidades das pessoas. Tudo isto vinha da minha formação em Administração de Empresas, e meu gosto por aplicar alguns conceitos de marketing. O público pesquisa e nós vivemos do público.

    Informado sobre nossos serviços no APERS o Governador, em um discurso para empresários, disse: “o melhor serviço do Estado está sendo prestado pelo Arquivo Público”. Com este destaque, todos os recursos que solicitamos nos foram dados, pois o Arquivo foi considerado prioridade número 1 da Secretaria da Justiça, a qual éramos vinculados na época. Conseguimos fazer a reforma na rede elétrica, hidráulica, do telhado e uma sala climatizada para armazenar arquivos em microfilmes.

   Em 1989, conseguimos trazer para Porto Alegre a “II Conferência Nacional de Arquivos.” Na abertura deste evento o Governador do Estado assinou dois importantes decretos, por nós elaborados, para o gerenciamento da documentação produzida pelo Estado, os decretos da criação do SIARQ/RS e da Comissão Central de Avaliação. Para fazer cumprir estes decretos, pedi a criação de 30 vagas de Arquivistas para o APERS e a abertura de um concurso público para a nomeação destes profissionais. Foram aprovados 33 candidatos, dos quais 30 eram Arquivistas graduados pela UFSM.

    Na minha gestão como Diretor do APERS (1988-1991), também formalizei através de processo a devolução do Prédio III, frontal à Rua Riachuelo, então ocupado pela Junta Comercial do RS, o que veio a ser concretizado tempos depois com a saída da mesma. Nesse período também fui Presidente do Fórum Nacional de Diretores de Arquivos Públicos Estaduais.

    Outra iniciativa foi a criação de Arquivos Intermediários no interior do Estado. A ideia era criarmos quatro arquivos descentralizados (Cachoeira do Sul, Passo Fundo, Caxias do Sul e Pelotas) com o objetivo de começar a recolher a documentação de uso intermediário para estes locais, tendo em vista que o APERS não possuía mais espaço. Fizemos um primeiro convênio assinado com a Prefeitura de Cachoeira do Sul, que funcionou bem e chegou a ser uma sede regional.

    Falando sobre o conjunto arquitetônico do APERS, sempre gostei mais do Prédio I. Quando trabalhei ali, queria provar que a construção era perfeita, pois este prédio foi o único do mundo, confirmado por renomados arquivistas, planejado e construído em 1910/11 especificamente para ser um arquivo. Claro, hoje existem muitos prédios novos construídos para arquivo.  Fiz uma pesquisa de controle interno da temperatura, que no inverno chegou próxima de 0° no pátio e nunca baixou de 17°C no interior do Prédio I.  E no verão, com temperatura externa que chegou próxima a 40°C, no interior nunca passou de 25°C. Então a temperatura era de 17°C a 25°C, o que é ideal. E a variação máxima dentro do prédio durante um dia, tanto no inverno quanto no verão, foi de 1°C. Este prédio tinha detalhes na construção original que se forem hoje ao Palácio Piratini poderão encontrar esperas para o aspirador de pó que na reforma do arquivo foram retirados. Era uma tubulação que passava por todo o prédio e em todas as salas havia um cano onde se acoplava o mangote do aspirar de pó. Isso foi projetado lá em 1910, antes da construção.

    Atualmente estou desfrutando da minha aposentadoria junto com minha esposa. Gostamos de receber amigos, de cinema e de viajar. Fora isso gosto de ficar no nosso sítio! Meu hobbie é trabalhar com madeira, fazer ou recuperar móveis, colocar a mão na terra (horta, jardins, árvores frutíferas). Este é meu dia-a-dia! Temos casa em Porto Alegre, perto dos filhos e um neto. Como sócio vou a quase todos os jogos no Beira-Rio.

    Fico muito feliz quando alguém se refere a minha pessoa ao falar da história do APERS e dos arquivistas. Tenho orgulho de ter dirigido o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul. Sei que contribui, mas principalmente tive a oportunidade de aprender muito. O importante é que se mantenha um bom quadro de servidores e com qualificação.

ATIVIDADES APERS: Descrição de Documentos

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    As atividades que envolvem a Descrição de documentos são realizadas por uma equipe multidisciplinar composta de arquivistas, historiadores, agentes administrativos e estagiários de nível médio e superior.

    Com a descrição documental feita nos acervos do Arquivo Público do RS, através da elaboração dos instrumentos de pesquisa, é possível recuperar as informações contidas nos documentos e disponibilizá-las aos pesquisadores e cidadãos interessados.

    São atividades da Descrição Documental:

  • Descrição dos acervos do APERS utilizando as normas oficiais (ISAD G, ISDIAH, NOBRADE);
  • Criação de instrumentos de pesquisa: leitura dos documentos, elaboração de verbetes, revisão e formatação dos dados;
  • Gerenciamento e manutenção do Sistema AAP – Administração de Acervos Públicos: criação de classificação, custódia, topografia, acondicionadores e reuniões de atualização de telas do sistema conforme a demanda;
  • Digitação / inclusão de dados dos documentos no AAP;
  • Revisão da digitação no AAP;
  • Liberação das informações cadastradas no AAP para consulta, através do Portal do APERS.

     Fazem parte desta equipe: Aécio Severo, Aerta Moscon, Aline Maciel, Clarissa Alves, Cristiane da Silva, Daniel da Silva, Daniela Cardoso, Édina Agliardi, Fábio Zimmer, Gabriel Ferreira, Helen Rotta, José Araújo, Karine Dressler, Luana da Silva, Luciane Flores, Marta Araújo, Renata de Mattos, Renata de Vasconcellos, Silvia Soares, Sônia Clavijo, Thayane Charão, Vanessa Menezes, Viviane de Portella.

Participação do APERS na CONSOCIAL-RS

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    Na quinta-feira, dia 15 de março, o Arquivo Público do RS esteve presente através da Diretora Isabel Almeida, da Chefe da DIPEP Maria Cristina Fernandes e dos Arquivistas Aline Maciel, Aline Vedoin, Fábio Zimmer, Gabriel Ferreira e Karine Dressler na 1ª Conferência Estadual sobre Transparência e Controle Social – CONSOCIAL-RS, realizada em Porto Alegre com o tema “A Sociedade no Acompanhamento e Controle da Gestão Pública”.

   A CONSOCIAL-RS é uma etapa preparatória para a Conferência Nacional, que acontece entre os dias 18 e 20 de maio de 2012, em Brasília. A iniciativa tem como objetivos, entre outros, promover o debate de políticas e ações de participação social, estimular a participação democrática da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública e estabelecer medidas de prevenção e combate à corrupção.

    Os debates da Conferência, desde a etapa municipal até a nacional, terão interface com os seguintes eixos temáticos: a) Promoção da transparência pública e acesso à informação e dados públicos; b) Mecanismos de controle social, engajamento e capacitação da sociedade para o controle da gestão pública; c) A atuação dos conselhos de políticas públicas como instâncias de controle; d) Diretrizes para a prevenção e o combate à corrupção.

    A etapa estadual congregou os delegados escolhidos nas etapas municipais da Conferência e demais público interessado no assunto. Durante o dia os participantes tiveram a oportunidade de conhecer e debater as propostas já eleitas prioritárias nas etapas municipais. Ao final do evento, houve a votação das propostas prioritárias, bem como a eleição dos delegados que representarão o Estado na Conferência Nacional.

    A 1ª CONSOCIAL é organizada pela Controladoria-Geral da União – CGU em nível nacional, e pela Casa Civil (Subchefia de Ética, Controle Público e Transparência) em nível estadual.

Políticas de acesso à informação: Decreto nº 48.910

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    No dia 13 de março foi publicado, no Diário Oficial do Estado, o Decreto nº 48.910, de 09/03/2012. Este decreto institui Grupo de Trabalho com o objetivo de diagnosticar, estudar, sistematizar e propor alternativas para a implementação de políticas de acesso à informação da Administração Pública Estadual.

    Clique e leia na íntegra o Decreto nº 48.910.

APERS conta histórias: Organização do Acervo do Tabelionato

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   O acervo dos tabelionatos é composto por livros notariais onde o tabelião lavra escrituras públicas, procurações, notas, traslados de procurações, compra e venda, substabelecimentos e registros diversos. Não há restrição quanto à consulta deste acervo, que é muito utilizado por cidadãos que necessitam de cópias autenticadas e pelos usuários da sala de pesquisa. O acervo dos tabelionatos contém 39.404 livros notariais com data de abrangência entre 1763 a 1985 e está localizado no Prédio I.

    No início do ano de 2000 foi realizado o levantamento deste acervo e foram identificadas algumas inconsistências nas sequências numéricas. Isto aconteceu por conta da transferência do acervo dos tabelionatos do Prédio III para o Prédio I, após a conclusão das obras de recuperação do conjunto arquitetônico. As sequências de livros que estavam fora da ordem cronológica adotada, foram reposicionadas para que ficassem na ordem sequencial do índice.

   A necessidade de solucionar problemas como a diferença de dados entre a lombada e o conteúdo dos livros notariais, em razão de alterações nos nomes de municípios de origem para o município emancipado, motivou a equipe do APERS a realizar uma organização técnica para sanar as dificuldades existentes.

   O primeiro passo foi fazer um estudo histórico sobre a evolução dos municípios e descobrir quais municípios originaram os municípios existentes no acervo. Em seguida foi definido o quadro de arranjo em que os tabelionatos de cada município são um fundo, somando 95 fundos. Os tabelionatos de Porto Alegre, por ser a capital do Estado, foram considerados o fundo número 1 e os demais municípios receberam a numeração sequencial em ordem alfabética.

  O segundo passo foi organizar um novo índice numérico por fundo, contendo a seguinte estrutura: número e nome do fundo, tipologia documental, número do tabelionato e/ou nome da localidade, numeração dos livros notariais, datas-limite, volume, localização física e um campo de observações. Todos os livros foram ordenados nas estantes pelo método geográfico. Em seguida foram elaboradas recomendações para a manutenção e identificação do acervo e para o uso e manuseio do índice. Os problemas e dúvidas foram resolvidos em reuniões técnicas.

   O acervo dos tabelionatos é muito valioso, pois, nestes livros podemos encontrar cartas de alforria e registros de compra e venda de escravos. Com base nestas fontes documentais torna-se possível realizar, por exemplo, estudos sobre a etnia negra no Rio Grande do Sul. Encontramos também testamentos, que por serem documentos que listam o patrimônio dos indivíduos, permitem visualizar o panorama sócio econômico da sociedade gaúcha.

  A reorganização do acervo dos tabelionatos foi concluída em 2005 e os objetivos traçados pela equipe foram alcançados. O APERS acredita que uma das prioridades de nossa instituição é atender a comunidade disponibilizando um acervo devidamente tratado e todo este trabalho não teria sentido se a população não tivesse acesso a esta documentação.

Projeto organização acervo

Relatório atividades

Projeto Descrição Acervo

Participe do Painel Ditaduras de Segurança Nacional: essência histórica e embates do tempo presente

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APERS conta histórias: Restauração do conjunto arquitetônico

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   O Arquivo Público, consciente de sua responsabilidade na guarda e preservação dos documentos de seu acervo, sempre buscou medidas de proteção para a documentação aqui resguardada. Neste sentido ao longo dos anos o APERS, em parceria com outras instituições, passou por uma série de reformas.

     Os prédios do Arquivo Público constituem o Patrimônio Histórico do Estado e estão sob a orientação técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado – IPHAE. Para reformar as instalações do APERS é necessário um parecer técnico emitido pelo IPHAE autorizando tais reparos.

    Uma grande reforma em toda a estrutura dos prédios históricos da instituição teve início em 21.10.1999. O maior desafio era proteger a documentação abrigada nos Prédios I e II. A equipe do Arquivo Público organizou-se e transferiu as 120 toneladas de documentos armazenados no Prédio I para o Prédio III sem nenhum dano ou extravio. A documentação foi organizada nas estantes previamente identificadas com o número da sala, estante, prateleira, município, distrito e documentos pertencentes em cada prateleira. Para a preservação da documentação no Prédio II foram criados caixotes e confeccionadas portas de madeira nos 03 andares para facilitar o acesso à documentação durante a realização das obras.

     De acordo com laudo da CIENTEC, as fissuras no Prédio I foram causadas pelo intenso fluxo de veículos no estacionamento da Assembléia Legislativa, localizado em cima do prédio. Cabe salientar que a movimentação de veículos neste estacionamento persiste, exigindo reparos frequentes na estrutura do Prédio I. Estas fissuras foram motivo relevante para que se desencadeasse a reforma. Ao invés de retirar totalmente o reboco do Prédio I, optou-se pela remoção total da cal e aplicação de impermeabilizante, já que o reboco apresentava boas condições. As fissuras nas abóbodas na cobertura do prédio foram reparadas com adesivo elástico e reboco fino de reparo.

    No Prédio II foi feita a remoção de reboco em locais específicos onde apresentava deterioração por umidade, aplicação de impermeabilizante e recobrimento geral com tinta. A construção de uma passarela coberta de policarbonato entre os Prédios II e III foi a solução adotada para preservar a documentação durante seu transporte em dias de chuva.

   Quanto à prevenção de incêndios, optou-se pela utilização de mangotinhos e extintores devidamente distribuídos. A utilização de sprinklers foi descartada, pois ocasionaria na perda total da documentação.A pintura das paredes, interna e externa, foi totalmente recuperada e os exaustores dos Prédios I e II receberam manutenção.

      Com a restauração dos demais prédios, viu-se a necessidade de restaurar o Prédio III, até então ocupado pela Junta Comercial. Foram realizados os reparos hidráulicos e elétricos mais urgentes, lavagem e pintura das paredes internas e externas, assim como a pintura das esquadrias e janelas. O prédio possui 03 andares da construção, sendo térreo destinado ao setor de atendimento ao cidadão e a sala de pesquisa.

    A reforma concluída em 26/06/2001 trouxe além da preservação da documentação, segurança para todos que trabalham no APERS. Cabe enfatizar que durante a restauração nenhum dos serviços prestados pelo APERS foi interrompido. O atendimento à comunidade prosseguiu, além disso, os pesquisadores habituais foram informados sobre a reforma e mantiveram seus estudos.

    A última grande reforma ocorreu no ano de 2010, no terceiro andar do Prédio III. A reforma deste andar serviu para melhor acomodar as equipes de trabalho.

Termo audiência sobre condições Prédios – Parte I

Termo audiência sobre condições Prédios – Parte II

Ofício solicitando parecer sobre condições Prédios

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Desocupação Prédio I

Caixotes de proteção Prédio II – Vista externa

Caixotes de proteção Prédio II – Vista interna

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Passarela entre os Prédios II e III

3º andar Prédio III antes da reforma

3º andar Prédio III após reforma

APERS 106 anos por Silvana Rodrigues Miranda

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Silvana Rodrigues Miranda

  Silvana Rodrigues Miranda, a Dona Silvana, começou sua história com APERS quando trabalhava no restaurante da Junta Comercial, na época que esta ocupava o nosso Prédio III. Era a responsável por cozinhar no restaurante, onde hoje é o refeitório para nossos servidores.

  Com a desocupação do Prédio III, pela Junta Comercial, o restaurante também encerrou suas atividades. Então, o diretor da época, conhecendo o trabalho da Dona Silvana, a convidou para trabalhar no APERS como cargo em comissão.

    No APERS começou como serviços gerais, fazendo faxina, atendimento na portaria, office boy, jardinagem, entre outras funções. Também, no início continuou a cozinhar, mas somente para os servidores do APERS.

     Dona Silvana conta que o atual refeitório era onde ficava o restaurante, e na época da Junta Comercial, além de servir almoços para os funcionários da Junta, o restaurante era aberto ao público externo, servindo até 300 almoços por dia. Conta que nessa época as atividades entre Arquivo e Junta eram distintas, apenas alguns funcionários do Arquivo frequentavam o restaurante, sem muita comunicação entre os prédios.

     Quando tinha um “tempinho” ficava no laboratório de restauração ajudando e aprendendo com os encadernadores da época. Vendo o seu interesse pelo ofício o então diretor convidou-a para fazer um curso de encadernação com outros funcionários. Então começou seu curso na escola “Arte do Livro”, porém no mesmo período a escola encerrou suas atividades, o concluindo na escola Parobé.

    No começo do seu trabalho como encardenadora trabalhou no laboratório localizado no Prédio II, no qual estão os maquinários e materiais adequados para a prática de restauração de documentos. Porém a sala teve de ser interditada devido ao estado precário de conservação. Então a encardenação foi parcialmente transferida para uma sala improvisada, onde hoje é o nosso Auditório. Quando esta sala foi destinada para ser o auditório, a atividade de encadernação foi transferida para o terceiro andar do Prédio III, sendo que após a última reforma neste andar, em 2010, foi destinado um espaço para a realização de pequenos reparos nos documentos.

   Mesmo tendo a sala de trabalho separada do local original para laboratório de encadernação, Dona Silvana, diz que “com carinho a gente faz o trabalho”, se deslocando de um local para outro, quando necessário.

   Conta, ainda, que quando começou a trabalhar o portão do Prédio I, ao lado do Teatro São Pedro, era aberto para circulação de pessoas. Porém, com o passar do tempo, para melhor segurança dos funcionários e do acervo, este foi fechado. Nos anos que trabalha no Arquivo vê muitas melhorias, como a reforma dos prédios, as quais trouxeram mais beleza e segurança para o acervo.

    Trabalhando aqui há 25 anos, diz que o Arquivo é sua “segunda casa”, fala com carinho do seu trabalho e tem orgulho em dizer que criou e formou suas duas filhas mais novas, uma pedagoga e outra professora de educação física, trabalhando aqui. No seu tempo livre gosta de frequentar CTG’s, o 35, Vertente Missioneira e o Candeeiro, onde dança e cozinha para os amigos. Na cozinha aproveita pra passar seu conhecimento aos mais novos.

ATIVIDADES APERS: Avaliação de Documentos

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   As atividades que envolvem Avaliação de Documentos são realizadas por arquivistas e tem como objetivo avaliar os documentos produzidos e recebidos pelo APERS, assim como os transferidos sem critérios de avaliação.

    São atividades desempenhadas pela equipe:

  • Verificação no Acervo do Poder Executivo do órgão a ser avaliado;
  • Pesquisa e contextualização administrativa e histórica do órgão;
  • Aplicação do Plano de Classificação de Documentos – PCD e Tabela de Temporalidade de Documentos – TTD;
  • Reacondicionamento dos documentos
  • Contribuição ao SIARQ/RS com sugestões para melhoria e atualização dos instrumentos arquivísticos;
  • Conferência de acervos recolhidos quanto à aplicabilidade da TTD.

    Com a aplicação dos instrumentos arquivísticos, o APERS garante liberação do espaço físico que atualmente está ocupado por acervos passíveis de avaliação, para futuros recolhimentos de acervos permanentes. Garante-se, assim, a preservação da documentação da história do Estado e assegura maior acessibilidade à informação.

Semana APERS 106 anos e a violência contra a mulher: reflexões

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   Na semana que passou o Arquivo Público celebrou seu aniversário de 106 anos, que é comemorado no dia 08 de março, oferecendo diversas atividades. Como sabemos, o dia 08 de março é especial, afinal, nesta data comemora-se também o Dia Internacional da Mulher. E como não poderia deixar de ser, o APERS aproveitou a oportunidade para debater uma questão fundamental: a violência contra a mulher.

    Mesmo após muitos anos de luta e trabalho das mulheres para garantir que as diferenças de sexo e gênero não sejam determinantes de relações de poder que as coloque em posição de submissão, e após diversas conquistas como o sufrágio universal, o acesso à educação e ao mercado de trabalho, sabemos que os movimentos de mulheres ainda se deparam com este grave problema: como acabar com a violência contra a mulher? Assim, no dia 07 reuniram-se para debate Clarissa Sommer (historiadora/APERS); Eloá Muniz da Silva (Coordenação Municipal da Mulher de Porto Alegre); Delegada Isabel Trevisan (Delegacia de Atendimento à Mulher de Bento Gonçalves); Nilce Azevedo Cardoso (psicopedagoga); e Marília Menezes (Centro de Referência da Mulher/Secretaria de Políticas para as Mulheres do RS). Todas as falas foram riquíssimas e evidenciaram a importância do trabalho em rede para proteger as mulheres e dar-lhes suporte para que consigam se libertar emocional, psicológica e financeiramente de relações violentas.

    Outro aspecto destacado por todas foi o reconhecimento do caráter histórico e cultural da violência contra a mulher em nossa sociedade, o que torna a resolução do problema mais complexa, já que suas raízes estão nas mentalidades que permeiam cada um de nós. Neste sentido, a historiadora Clarissa destacou a importância de iniciativas como o Projeto Afinal, onde estão as mulheres no APERS? Gênero, memória e história, que vem sendo desenvolvido desde março de 2011 no intuito de destacar através de Catálogos Seletivos acervos do APERS que possibilitem olhar para o passado e compreender melhor tais relações e a história das mulheres. Ao longo do trabalho no projeto, que atualmente lida com os documentos produzidos pela Vara de Família e Sucessão da Comarca de Porto Alegre, evidencia-se que a violência e a subjugação das mulheres é histórica. Mas, cabe destacar que se tal situação é construída historicamente, ela não é natural. E não sendo natural, ela pode e deve ser transformada! Por isto todas as iniciativas para acabar com a violência contra as mulheres são importantes: resgate da historicidade destas relações de gênero; amparo legal, psicológico e econômico; e inclusive de reeducação de agressores – além da punição legal cabível, é claro – como vem buscando fazer a Delegada Isabel Trevisan.

    Conheça parte de um processo do acervo do APERS que está sendo catalogado pelo referido Projeto:

Processo de Desquite Judicial. Autora: Ercy; Réu: Augusto; Ano: 1940; Motivação: sevícias e injúria grave

Abertura do processo: argumentação da autora. Parte I

Abertura do processo: argumentação da autora. Parte II

Abertura do processo: argumentação da autora. Parte III

APERS conta histórias: Tombamento do conjunto arquitetônico do APERS

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                A construção do conjunto arquitetônico do Arquivo Público teve início no ano de 1910, em estilo neoclássico. Com passarelas e escadas de ferro e prateleiras de concreto aramado, o APERS é considerado único no gênero no país e apresenta segurança máxima para a conservação dos documentos.

                Em março de 1991 foram solicitadas providências para o tombamento dos prédios do Arquivo Público junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Rio Grande do Sul – IPHAE. No mesmo mês este se declarou favorável ao tombamento do conjunto arquitetônico do Arquivo Público, reconhecendo seu valor histórico-cultural.

                A portaria nº 06/91, da Secretaria da Cultura, oficializa o tombamento dos prédios do APERS. Em função do tombamento, para a realização de qualquer reforma no complexo é necessário a apresentação de um projeto junto ao IPHAE. Após a análise do projeto, é emitido um parecer técnico autorizando os reparos, desde que a obra não descaracterize o prédio.

                Este ano o sistema de climatização do Arquivo Público foi renovado. Para a instalação dos splits foi solicitada a autorização ao IPHAE. Este emitiu um parecer técnico manifestando-se a favor do projeto desde que a obra não causasse impacto na fachada principal.

                Para o APERS, ter seu conjunto arquitetônico, composto pelos Prédios I, II e III, tombado o e reconhecido como Patrimônio Histórico do Estado do Rio Grande do Sul é muito importante, pois assegura a conservação da estrutura física dos prédios garantindo assim a preservação e o acesso à documentação neles resguardada.

Oficio solicitando tombamento dos prédios

Parecer 05-91 IPHAE – Parte I

Parecer 05-91 IPHAE – Parte II

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Parecer 05-91 IPHAE – Parte III

Parecer 06-91 IPHAE – Parte I

Parecer 06-91 IPHAE – Parte II

APERS conta histórias: O APERS toma posse do Prédio III

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    Parte do conjunto arquitetônico do Arquivo Público já abrigou e serviu de sede para outras instituições como a Escola Estadual Júlio de Castilhos e a Secretaria da Administração do Estado. A Junta Comercial ocupou as instalações do Arquivo Público a partir de 1985 quando lhe foi cedido espaço, por um período de seis meses, no andar térreo do Prédio III com objetivo de instalar um posto de recebimento de comunicações para fins de enquadramento de microempresas. A cedência do espaço por seis meses foi renovada e prorrogada até maio de 1986.

    As renovações de cedência do espaço sucederam-se até julho de 1989 quando se inicia o processo de retomada do Prédio III pelo diretor Carlos Alessio Rossato. Para a desocupação do Prédio III pela Junta Comercial algumas providências foram tomadas no sentido de acomodar em local adequado todos os servidos lotados no APERS. A Junta Comercial solicitou um prédio com dimensões semelhantes às do Arquivo Público e que também estivesse localizado na área central.

    Em setembro de 1989, contatos entre a Junta Comercial e o Departamento de Patrimônio da Secretaria da Fazenda possibilitaram a localização de um amplo terreno, na Rua Marcilio Dias, viável e adequado para as pretensões e finalidades da Junta Comercial. A autorização para a ocupação do terreno pela Junta Comercial é concedida em outubro do mesmo ano.

    A demora na transferência dos servidores e equipamentos da Junta Comercial para a nova sede obriga a diretora, Lenir Beatriz Fernandes, a reivindicar novamente o prédio, no ano de 1995, para a instalação do laboratório de restauração e de equipamentos de informática, atendimento ao público, realização de eventos culturais e desenvolvimento de atividades das equipes técnicas.

    No início de junho de 1999 foi concluída a desocupação do Prédio III pela Junta Comercial. A diretora do APERS, Isabel Oliveira Perna Almeida, solicita os reparos necessários em todos os níveis para que o Prédio III possa ser ocupado pela equipe do Arquivo Público. Os reparos incluíram a manutenção na rede elétrica, revisão hidráulica, na estrutura e no telhado.

   O processo de retomada do Prédio III durou dez anos. Assim somente depois de quatro décadas de ocupação por outras instituições o Arquivo Público pode assumir definitivamente as instalações do Prédio III. Hoje o prédio abriga mais de cinquenta funcionários incluindo arquivistas, historiadores, restauradores, estagiários, área administrativa e terceirizados.

Prédio III APERS

Capa processo solicitando que seja mantida a destinação original do Prédio III

Ofício informando concordâcia do Governador na manutenção da destinação original do Prédio III

Capa processo solicitando cedência de espaço do Prédio III à Junta Comercial

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Ofício solicitando cedência de espaço do Prédio III à Junta Comercial

Capa processo solicitando devolução do Prédio III

Ofício solicitando devolução do Prédio III

Ofício oficializando a devolução do Prédio III ao APERS

Participe da Capacitação de Oficineiros!

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APERS 106 anos por Jorge Miranda da Silva

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Jorge Miranda da Silva

  Jorge Miranda da Silva, o Jorginho, como é chamado carinhosamente pelos que passam pelo APERS, começou a trabalhar aqui em março de 1984 e hoje é o funcionário mais antigo em atividade. Inicialmente começou como office boy de uma empresa terceirizada. Vendo seu trabalho, o então diretor, Cláudio Cirne Lima, o convidou para permanecer como cargo em comissão na Instituição, iniciando suas atividades em 28 de junho de 1986.

    Como Jorge estava gostando do trabalho e vendo que havia poucos funcionários no Arquivo, em torno de vinte ou trinta, decidiu permanecer. Nos primeiros meses continuou seu trabalho de office boy, sendo que depois assumiu a função de busca e rearquivamento dos documentos, função que desempenha até hoje.

   Aprendeu a trabalhar com os acervos dos Tabelionatos, Registro Civil, Poder Judiciário e Executivo a partir do conhecimento passado pelos colegas da época que tinham mais experiência, pois ainda não haviam instrumentos de busca. Jorge destaca que os instrumentos e estudos a respeito do arranjo dos acervos começaram a ser realizados após a chegada dos arquivistas, na década de 1990.

    Dos acervos custodiados os do Poder Judiciário lhe chamam mais a atenção. Isto porque tem casos interessantes, diferentes e, algumas vezes, envolvendo personalidades conhecidas ou, ainda, tratando de algo que foi notícia na época. Destaca que no desempenho de sua função é importante ter atenção no rearquivamento dos documentos, pois o acervo é imenso e uma vez um documento rearquivado inadequadamente, somente por sorte para encontrá-lo.

   Com os colegas sempre manteve um bom relacionamento, mas dos colegas, são os da “primeira turma” que sabe os nomes completos, pois depois da década de 1990 o número de funcionários e seu fluxo aumentou o que dificulta guardar todos os nomes. Em seu relacionamento com os colegas, algo “clássico” é o churrasco do seu aniversário.

   Em janeiro de 1987, em seu primeiro ano como funcionário do Arquivo, os colegas da época decidiram lhe fazer uma festa surpresa, mas o salário daquele mês atrasou! Então, no dia do seu aniversário, 28 de janeiro, compraram salgadinhos do tipo “chips” e guaraná frisante para uma festa surpresa. Uma das colegas pediu que ele fosse entregar um processo na Secretária da Justiça, que na época ficava na Rua Caldas Junior, quando voltou encontrou o arquivo as escuras. Foi até a sala “do administrativo”, onde hoje é o nosso auditório, e lá estavam todos a sua espera. Assim, no ano seguinte retribuiu convidando todos para um churrasco em comemoração ao seu aniversário, algo que acontece todos os anos na última sexta-feira de janeiro, sendo que só não ocorreu no ano da reforma dos prédios do APERS.

  Jorge é um dos funcionários que fazem com que nosso acervo seja disponibilizado aos usuários.

ATIVIDADES APERS: Busca e Rearquivamento

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     Os serviços de localização e guarda de documentos do APERS é prestado pela equipe de Busca e Rearquivamento. A equipe tem por objetivo buscar e rearquivar os documentos solicitados pelos usuários internos e externos, desenvolvendo as seguintes atividades:

  • Recebimento das solicitações de documentos registradas pelas equipes de atendimento aos usuários;
  • Localização física no acervo dos documentos solicitados;
  • Quando se trata de solicitação de cópias autenticadas, é realizada a fotocópia e autenticação;
  • Entrega dos documentos solicitados a equipe de atendimento aos usuários; e
  • Rearquivamento dos documentos após o término da consulta.

     Conheça quem faz parte desta equipe:

Denilson de Oliveira e Christopher Silva

Gerson Costa

Irineu de Lima

Jorge da Silva

APERS participa de Seminário sobre os Direitos da Mulher

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   Na segunda-feira, dia 05, o Arquivo Público do RS esteve presente através da diretora Isabel Almeida, da chefe da DIPEP Maria Cristina Fernandes e da servidora Márcia Reis, no Seminário sobre os Direitos da Mulher, no auditório do CAFF, que foi idealizado pela DPU, em parceria com a APERS e a SARH.

     No evento, em alusão ao Dia Internacional do Mulher, foram discutidos temas como: políticas de promoção à equidade do gênero, suas interfaces para o enfrentamento das desigualdades sociais e dos direitos humanos, além da participação das mulheres na política, buscando a ampliação da representatividade de gênero na política brasileira.

     A participação neste evento foi importante visto que a temática está em voga no APERS com o desenvolvimento do projeto “Afinal, onde estão as mulheres no Arquivo Público? Gênero, memória e história”.

Saiba mais sobre o evento.

APERS em Números – Fevereiro 2012

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Confira alguns dados referentes aos serviços realizados no APERS durante o mês de fevereiro:

Atendimentos aos usuários: 1.340

Busca e rearquivamento: 1.674

Documentos recuperados: 129

Encaixamento: 29

Indexação Sistema AAP: 1366

Reprodução de documentos: 186

Visitas guiadas: 06

Saiba mais sobre os serviços que o APERS presta a comunidade.

APERS conta histórias: Primeiro concurso para a contratação de arquivistas

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     O Arquivo Público do Estado do RS (APERS) é responsável pela organização, guarda e proteção da documentação com valor permanente produzida por nosso Estado. Ciente desta responsabilidade o então Diretor do APERS, Carlos Alessio Rossato, solicitou em 1990 a abertura de Concurso Público para o cargo Arquivista, profissionais qualificados e indispensáveis na implantação e desenvolvimento dos projetos propostos pela instituição.

      Para assegurar as condições de implementação das disposições dos Decretos nºs 33.200 que “Institui o Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul” e 33.201 que “Institui a Comissão de Avaliação de Documentos e as Comissões Setoriais de Arquivo”, ambos de 05.07.1989, foi sugerida a contratação de 30 arquivistas.

      Em setembro de 1990, após uma análise econômico-financeira, o pedido foi encaminhado ao Conselho Estadual de Política que se manifestou favorável à abertura do Concurso Público, o qual teve sua abertura autoriza em 30.10.1990, pelo Governador do Estado, Sinval Guazzelli.

     Em maio de 1991, o Diretor do APERS, Carlos Alessio Rossato solicitou a nomeação de 33 arquivistas aprovados no concurso realizado em 16.02.1991, já que atividades como a, implantação de sistemas automatizados, como microfilmagem e a informatização, a avaliação e definição do destino dos documentos existentes e a criação do SIARQ/RS, não estavam em pleno desenvolvimento por falta de um quadro técnico.

    Uma manifestação sobre a repercussão financeira nos cofres públicos foi solicitada pela Casa Civil à Secretaria da Fazenda. Feitas estas considerações, ficou autorizado pelo Governador do Estado, Alceu Collares, a contratação de vinte e cinco arquivistas para exercer suas funções no Arquivo Público.

     Quase duas décadas depois, através de concurso público, foram nomeados 32 arquivistas para diversas secretarias estaduais e destes foram destinados ao Arquivo Público 13 profissionais, sendo que destes 03 se desligaram da Instituição. A equipe renovada qualificou ainda mais os serviços prestados pelo APERS.

Capa processo solicitando abertura do concurso público para arquivista

Ofício justificando necessidade de ter arquivistas no APERS - Parte I

Ofício justificando necessidade de ter arquivistas no APERS - Parte II

Capa processo solicitando nomeação dos arquivistas aprovados

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Conheça a equipe atual de arquivistas do APERS.

Exposição Virtual: 106 anos do APERS

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    Em comemoração aos 106 anos do Arquivo Público do RS, a equipe do Divulga APERS convidou os servidores a mostrar a instituição a partir de seu olhar.

     Para isso os participantes fotografaram um local do conjunto arquitetônico, interno ou externo. Agora todas as fotografias fazem parte desta Exposição Virtual. Confira abaixo!

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