APERS? Presente, professor! Novo Projeto de Ação Educativa do Arquivo

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2014.04.30 Banner Face_Projeto APERS (1)

     O Arquivo Público do Rio Grande do Sul (APERS), além das atribuições que lhe compete na área de gestão documental, possui uma significativa trajetória na área de Difusão Cultural. Dentre as ações desenvolvidas no sentido de divulgar os acervos custodiados pela instituição, as ações educativas e pedagógicas ocupam lugar privilegiado. Em parceria com o Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, possui um Programa de Educação Patrimonial que aproxima a educação básica e superior do mundo dos arquivos, das fontes arquivísticas e da discussão a respeito de patrimônio. De modo geral, todas as ações são desenvolvidas dentro da própria instituição, sejam elas as Oficinas de Educação Patrimonial com alunos da educação básica, sejam os diversos cursos destinados aos professores e aos estudantes de licenciaturas.

    Na intenção de darmos continuidade e de estendermos essa aproximação, elaboramos o Projeto APERS? Presente, professor! – Propostas Pedagógicas a partir de Fontes Arquivísticas. O resultado das ações previstas nele, levará um pouco do Arquivo Público até a escola e até o professor, a partir da construção de propostas pedagógicas que tenham como ponto de partida os documentos custodiados por essa instituição. Elas serão disponibilizadas em formato PDF no Blog Institucional do Arquivo nas segundas e nas quartas quartas-feiras de cada mês, de maio até dezembro desse ano.

      As propostas serão organizadas em três grandes eixos temáticos: (1) Ditadura Civil-militar no Brasil; (2) Escravidão no Brasil; e (3) Temas Transversais. O conjunto de publicações do primeiro eixo denomina-se A Resistência à Ditadura Civil-militar – das fontes arquivísticas para a sala de aula, 50 anos depois. Para a construção das propostas pedagógicas desse eixo, a equipe do projeto utilizará como fontes o Acervo da Comissão Especial de Indenização composto por processos de indenização de ex-presos políticos do período da Ditadura. Elas estarão disponíveis mensalmente no Blog, sempre nas segundas quartas-feiras de cada mês a partir de maio.

      Já o conjunto de publicações do segundo eixo, chama-se Cativeiro e Resistência – a escravidão negra no Rio Grande do Sul a partir de fontes arquivísticas. Construiremos as propostas desse eixo a partir de testamentos, inventários, documentos de compra e venda, processos crimes e cartas de liberdade, documentos sobre a escravidão que compõem diferentes acervos salvaguardado pelo Arquivo. Estarão disponíveis bimensalmente no Blog, sempre nas quartas quartas-feiras de cada mês a partir de junho.

    Para o conjunto de publicações do terceiro eixo, que recebeu o nome de A Transversalidade nas Fontes – diversificadas fontes arquivísticas para diferentes trabalhos pedagógicos, elaboraremos propostas a partir de documentos diversos de diferentes secretarias do Poder Executivo. Composto de temáticas variadas, planejaremos as propostas desse eixo, de modo que se adéquem aos temas transversais apontados nas legislações sobre a Educação Básica. Também estarão disponíveis bimensalmente no Blog, sempre nas quartas quartas-feiras de cada mês a partir de maio próximo (clique aqui para visualizar o calendário de postagens das propostas dos três eixos temáticos).

     Cada proposta pedagógica contará com texto de suporte temático para professor, texto didático-pedagógico para o aluno, fonte arquivística digitalizada, propostas de atividades a partir do texto e da fonte e sugestões metodológicas para a condução dos trabalhos em sala de aula. Ressaltamos, no entanto, que entendemos essa produção exatamente como uma proposta, cabendo ao professor o uso de sua total autonomia para avaliá-la, modificá-la e trabalhá-la em aula conforme seus princípios político-pedagógicos e seus métodos didáticos.

     É com grande satisfação que convidamos a todos, desde já, a acessar o Blog do Arquivo e a baixar as propostas que aqui serão disponibilizadas, incorporando-as ao planejamento de suas aulas, conforme seu objetivo e conforme os interesses específicos dos contextos nos quais se desenvolve o processo de ensino-aprendizagem de suas turmas.

    Professora e professor, a mochila do APERS está cheia de ideias e estamos ansiosos pelo momento de compartilhamento e de construção de conhecimentos!

Campanha do Agasalho 2014: posto de coleta no APERS

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Campanha do Agasalho 2014 APERS     Conforme a iniciativa do Governo do Estado do RS, a Divisão de Relações Comunitárias – a partir da Central de Doações da Defesa Civil – já está recebendo peças de roupa para a Campanha do Agasalho 2014. Nesse sentido, comunicamos que, além da estrutura instalada no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF) e de outros locais da rede de postos de coleta, em Porto Alegre, o Arquivo Público do RS também está coletando doações de agasalhos.

     O APERS fica situado no centro da capital, na Rua Riachuelo, n° 1031 e recebe doações de segunda a sexta-feira, durante o seu horário de funcionamento: das 8h30min às 17h. Participe!

Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias es Histórias da Ditadura no Brasil

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     Na última semana, durante os dias 22, 23 e 24 de abril, o Arquivo Público do RS (APERS) lançou o Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. Este instrumento de pesquisa é composto por verbetes elaborados a partir dos 1704 processos administrativos resultantes do trabalho da Comissão Especial de Indenização.

     A mesa de abertura do evento foi composta pela Diretora Isabel Almeida, que contou o contexto de nascimento do projeto e porque a equipe do APERS optou pela descrição destes documentos. Em seguida, a historiadora Vanessa Menezes expôs a trajetória da equipe no processo de elaboração do catálogo, demonstrando, por exemplo, como os campos dos verbetes foram definidos. Finalizando a noite, a historiadora Nôva Brando apontou de que forma este acervo pode ser utilizado na construção de pesquisa histórica, bem como propostas de trabalhos pedagógicos a partir desta documentação.

     Na segunda noite estiveram presentes Marta Maria Sica da Rocha, César Augusto Tejera de Ré e Rita Maurício, familiares de pessoas que solicitaram o benefício junto ao Estado do Rio Grande do Sul. Os convidados relataram as prisões e maus-tratos sofridos por membros de suas famílias e de que forma esta detenção afetou suas vidas.

     Já no dia 24 foi exibido o documentário Os 15 filhos, de Maria de Oliveira e Marta Nehring. Após o filme foi aberto um espaço para os comentários de Bárbara Conte da Clínica do Testemunho/SIG RS, Tânia Kolker e Vera Vital Brasil da Clínica do Testemunho/RJ.

    O Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil será disponibilizado para estudantes, pesquisadores, sociedade em geral, no site do APERS no prazo de um mês. Será publicada também uma versão em braile que viabilizará o acesso para portadores de deficiência visual que terão, através deste instrumento, a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre este período.

     O projeto será realizado com recursos do Fundo de Apoio a Cultura (PRÓ-Cultura RS FAC), através da parceria com a Associação dos Amigos do Arquivo Público (AAAP). Este financiamento viabilizará a publicação e distribuição do catálogo em instituições públicas como arquivos, bibliotecas, universidades, escolas de ensino médio do Rio Grande do Sul e núcleos de estudo voltados para este tema.

     Acredita-se que a publicação deste instrumento de pesquisa, que relata uma parte importantíssima da história do Brasil, possibilitará que a sociedade estude os acontecimentos da época sobre diferentes perspectivas: política, direitos humanos e democracia, de forma a construir uma sociedade mais justa e igualitária.

     Confira abaixo a entrevista concedida pela Diretora Isabel e historiadora Vanessa ao programa Estação Cultura da TVE RS, e fotos do evento.

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Arquivos & Genealogia: dados de uma Certidão de Nascimento

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     Chegamos então na etapa de reconhecer os ingredientes de nossa receita e saber aproveitá-los da melhor maneira possível. Hoje vamos analisar quais dados uma Certidão de Nascimento pode fornecer para nossas pesquisas.

     Supondo que você já tenha pelo menos até o nome de seus avós ou mesmo bisavós, tios e primos, você colheu dados em casa, lembra? Se você tem informações orais e ainda não conseguiu os documentos poderá procurá-los no Arquivo Público do RS. Saiba o nome da cidade e/ou distrito e a época em que a pessoa que você quer pesquisar nasceu.

     Os Registros Civis iniciaram oficialmente no Brasil com a Proclamação da República em 1889, mas já vinham sendo mantidos em cartórios nos maiores centros desde aproximadamente 1870. Os principais, que são chamados Registros Vitais, são: Certidão de Nascimento, Casamento e Óbito. Os que estão arquivados no APERS cobrem o período de 1929 – 1975, e é o material que temos para nossa pesquisa.

     Considere que você pode fazer muita coisa, mesmo que este período seja restrito. Por exemplo: alguém que casou em 1929 pode ter nascido por volta de 1900, ou ainda alguém que morreu em 1929, pode ter nascido por volta de 1839. Você se surpreenderá com o que conseguirá fazer…

     Nem todos os municípios já tem os documentos digitalizados pelo FamilySearch, é um processo que está em andamento, e você pode acompanhar no próprio site quando são acrescentados novos lotes de imagens. Dois cameraman produzem cerca de 2000 imagens diariamente no APERS.

Certidao Nascimento Dietwald Weber     Portanto vamos analisar em primeiro lugar uma Certidão de Nascimento. Neste tipo de documento, normalmente encontramos o nome da criança, o local onde nasceu, a data, hora, o nome dos pais, e dos avó paternos e maternos. Veja o exemplo da certidão de nascimento do meu pai, Dietwald Weber (documento pesquisado no Acervo do APERS, ainda não disponível no FamilySearch).

     Advertência: Há um grande risco de você se apaixonar pela busca, se tornará um doce vício!!!!

     O próximo passo será encontrar a Certidão de Casamento dos pais dele.

     Para ler os artigos anteriores clique aqui.

Conversas Públicas no evento de Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo

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2014.04.23 Conversas Publicas no evento Lancamento Catalogo

Participação em curso de Descrição arquivística

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Renata e Profª Drª Dunia

Renata e Profª Drª Dunia

   A arquivista do APERS Renata Pacheco de Vasconcellos participou, nos dias 15 e 16 deste mês, do curso “Las nuevas tendencias de la descripción archivística y su normalización”, promovido pelo Curso de Arquivologia, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

  O curso teve como ministrante a Professora Dra. Dunia Llanes Padrón, da Universidad de la Habana/Cuba, que explanou sobre a normalização da descrição arquivística – conceitos e evolução; os processos nacionais e internacionais de descrição e sobre as normas ISAD(G) e ISAAR(CPF) seus princípios, finalidades, estruturas e aplicação nos acervos.

   O conhecimento das normas de descrição arquivística é importante para que o APERS prossiga com as atividades de descrição em seus acervos.

    Para acessar a apresentação do curso clique aqui.

Funcionamento do APERS nos dias 18 e 21 de abril

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2014.04.16 Expediente APERS 1

Mulheres no APERS, gênero e história I

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     Pensando um acervo como o do Arquivo Público, com cerca de 8 mil metros lineares de documentos oriundos dos Três Poderes, de Tabelionatos, do Registro Civil, obviamente podemos afirmar com tranquilidade que a história de milhares de mulheres está registrada nessas páginas: elas nascem, trabalham, casam, separam, buscam diretos junto à Justiça, cometem crimes, se revoltam, se organizam, compram, vendem, são compradas e vendidas, adoecem, lutam, sonham… Estão representadas de diversas formas, na maioria das vezes a partir da escrita dos homens – o que fica evidente quando lembramos que o acervo do APERS é composto por fontes primárias produzidas a partir do Estado especialmente entre os séculos XVIII, XIX e a primeira metade do século XX. Quem eram nesse período a imensa maioria dos escrivães, delegados, chefes de repartições públicas, juízes?

     Mas ainda assim, suas histórias estão lá, ora registradas em documentos mais complexos e ricos em detalhes, ora em documentos que aparentemente podem ser considerados diminutos em conteúdo, mas que quando analisados em relação a uma série documental, em relação ao período, à legislação, à mentalidade da época, poderão nos ajudar a traçar o perfil não apenas de determinadas mulheres, mas a compreender a sociedade em que estavam inseridas, suas relações com o Estado e suas instâncias, entre si e com os homens. Basta que pesquisadores se dediquem a resgatá-las entre tantas outras informações e problematizações pertinentes. Nesse sentido, um de nossos múltiplos acervos que poderia ser questionado é o acervo da Vara de Família e Sucessão, com o qual temos trabalhado desde 2011 no intuito de construir um catálogo seletivo que ajude a difundir as possibilidades de pesquisa na área de história das mulheres e gênero. Hoje lançamos luz sobre uma dessas personagens reais, sem a necessidade de expor sua identidade, já que poderia muito bem ser eu ou você, sua mãe ou sua prima, sua tia ou irmã, passando pelas mesmas vivências e dilemas…

     Ida nasceu em 1900 no Rio Grande do Sul, e casou-se em 1925, aos 25 anos, com Francisco. O registro dessa história chega a nós hoje através de um processo judicial de Desquite Amigável, que faz parte do referido acervo. Em 10 de janeiro de 1935 o casal entra com o pedido de desquite de forma consensual alegando que “pouco depois de realisado aquelle acto civil, por motivos da profissão exercida pela segunda peticionaria, entrou o casal a desentender-se de maneira a ficar compromettida a estabilidade da sociedade conjugal, visto como, a peticionaria […], tendo firmado o seu nome artisitico no theatro […] e reputando-o parte integral do seu patrimonio intelectual e economico, entendia de não submetter-se ás imposições de seu marido relativamente ao desempenho da sua actividade profissional, que, dest’arte, segundo ella, não poderia soffrer restricções quanto á sua autonomia, o que, evidentemente, implicava numa diminuição da autoridade do outro conjuge”. A profissão de Ida e sua recusa em abrir mão de sua autonomia gerou conflitos e desgastes de tal forma que no momento do desquite o casal declarou já viver em separação de corpos há 11 meses a fim de evitar que sua luta constante alcançasse “extremos legalmente condemnaveis”.

     No dia 25 de janeiro, data prevista para audiência de desquite, Francisco comparece e informa que Ida saiu do país. Partiu no navio a vapor “Araranguá”, sem aguardar o desfecho legal de seu desquite. Francisco afirma que sua atitude intempestiva era “confirmação plena e cabal dos motivos que determinaram a incompatibilidade existente entre ambos […] isto é, o damno moral que continua a causar-lhe, decorrente do proprio exercicio da profissão de artista que ella pretende continuar a exercer sem o controle da autoridade do marido e sem a sua outorga”.

     Ida foi uma atriz famosa e reconhecida em nosso país, pioneira no teatro, cinema e televisão em uma época em que as mulheres atrizes eram muito malvistas e por diversas vezes difamadas. Ainda assim, a situação vivenciada por ela na vida conjugal não é um caso excepcional: quantos ou quantas de nós conhecemos relatos de avós que sofreram por não poder escolher uma profissão, ou por ter que deixar de trabalhar após o casamento? Talvez nem precisemos ir tão longe… Quantos de nós ainda hoje vivenciamos ou conhecemos pessoas que vivenciam relacionamentos opressores, em que os homens pretendem controlar a vida das mulheres?

     Com certeza essa realidade mudou muito da década de 1930 até hoje, com grandes conquistas femininas que vieram no bojo das lutas pelo direito ao voto, aos estudos e ao trabalho. A legislação mudou em relação ao próprio desquite, e desde o chamado Estatuto da Mulher Casada, de 1962, a mulher deixou de ser considerada uma cidadã de “segunda classe” e de precisar da autorização de seu marido para trabalhar. Pode parecer bastante tempo, 52 anos, mas a realidade é que para as transformações nas mentalidades se efetivarem, muitas vezes são necessários muitos anos mais, e muita consciência e organização por parte das mulheres! Nessa perspectiva, acreditamos que através do conhecimento de nosso passado e do destaque para a história das mulheres poderemos contribuir para a transformação de nossa sociedade. Mensalmente traremos nossa contribuição nesse sentido!

Lançamento Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil

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     Desde 2012, uma equipe, formada por historiadoras, arquivistas e estagiários do curso de história, dedicou-se a elaboração do Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil descrevendo, em forma de verbetes, os 1704 processos administrativos oriundos dos trabalhos da Comissão Especial de Indenização instituída pela Lei 11.042/97 .

     É com muita satisfação que convidamos a todos para o evento de lançamento do Catálogo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil. A atividade acontecerá nos dias 22, 23 e 24 de abril, sempre às 19 horas, no Arquivo Público do RS. A inscrição é gratuita e forneceremos certificado. Participe!!!

Lancamento Catalogo Resistencia em Arquivo

Arquivos & Diversidade Étnica: 12 anos de Escravidão e (re)escravizações – o que isso tem a ver com documentos de arquivo?

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Capa 12anosEscravidão     O filme 12 anos de Escravidão, do diretor Steve McQueen, está positivamente “na boca do povo”. Todos comentam a respeito do filme forte e sensível que deu o primeiro Oscar de Melhor Filme a um diretor negro. Steve, um britânico de 44 anos, levou para a telona a história real de Solomon Northup, um homem negro de Nova York, livre, pai de família, culto, que sabia ler e escrever em uma sociedade de maioria analfabeta, que tocava violino, mas que em 1841 foi sequestrado, transformado em escravo no Sul dos Estados Unidos, obrigado a trocar de nome, vendido a diversos proprietários, submetido aos mais cruéis regimes de trabalho e castigos. Solomon deixou sua história registrada em livro, que foi best-seller no final do século XIX e agora é redescoberto nos EUA.

     Realmente 12 anos de Escravidão pode ser considerado um belíssimo filme-denúncia, que nos faz refletir sobre os horrores da Escravidão. E é importante lembrarmos que a história de Solomon não é única, e infelizmente não é uma exceção, o que com certeza não diminui a importância de seu resgate, mas ao contrário, torna o papel desempenhado pelo filme ainda mais preponderante: a obra ajuda a ampliar o conhecimento e o debate em torno da escravidão, de suas perversidades, e de suas marcas em nossa sociedade. Nesse sentido, foi com grande satisfação que tomamos conhecimento do artigo 20 anos de escravidão, publicado pelo historiador Jônas Marques Caratti no Jornal Zero Hora. Jônas é pesquisador assíduo do Arquivo Público do RS, tendo conhecido, visitado e revisitado as histórias de muitos indivíduos escravizados e reescravizados através das páginas de nosso acervo, e nesse artigo lançou luz sobre tais documentos evidenciando que a história de Solomon tem inúmeras correspondências no Rio Grande do Sul: “Não é preciso ir longe para encontrarmos experiências de reescravização e escravização ilegal. É só dirigir-se à Rua Riachuelo, 1.031, no Arquivo Público do Estado, situado no Centro Histórico de Porto Alegre. Lá, o interessado encontrará milhares de documentos que revelam casos cinematográficos que mereceriam ser gravados por cineastas gaúchos”.

     Um dos casos citados por Jônas, em seu artigo, é o de Reina Rodrigues, que em 1854 foi sequestrada enquanto preparava a ceia em sua casa, e levada para São Leopoldo, onde foi vendida como escrava. A história de Reina está registrada em um dos processos crimes salvaguardados pelo APERS, e pode ser facilmente localizada a partir de nossos instrumentos de pesquisa, como o volume de Processos Crimes dos Catálogos Seletivos de Documentos da Escravidão. O processo mostra que Reina, solteira, 26 anos, e seu filho Candido Luz, de seis anos, foram sequestrados no dia 26 de março no Estado Oriental (Uruguai), e vendidos na localidade de São Leopoldo. Infelizmente os réus foram absolvidos.

     Caminhando entre acervos, percebemos diversos outros casos semelhantes. Assim como Cândido, filho de Reina, o menino Anacleto, livre, 11 anos, de Camaquã, filho de Marcela e ex-escravo de Antônio Escôto, foi capturado no Estado Oriental pelos réus José Maria e Crispim, que o conduziram a força até Jaguarão, onde foi vendido a Francisca Gomes da Porciúncula, que o obrigou a atender pelo nome de Gregório. Novamente nesse caso os réus foram absolvidos. Quem já pode assistir ao filme 12 anos de Escravidão certamente se lembrará das crianças que foram capturadas juntamente com Solomon, e da mãe, que desesperada ao encontrá-los em cativeiro, acreditando que poderia levá-los consigo, foi surpreendida pela escravização e venda de toda a família, inclusive para proprietários diferentes.

     Já no caso do menino Firmino, pardo livre de 12 anos, da localidade de Pelotas, filho de Felisbina, que foi capturado no ano de 1856 por Manoel Marques de Noronha e vendido a Joaquim José d’Assumpção, os réus foram condenados a três anos de prisão e multa.

     Esses e outros documentos podem ser acessados livremente na Sala de Pesquisa do Arquivo Público. São acervos que nos colocam em contato com o passado, e nos possibilitam diversas reflexões, de cunho humano, filosófico, sociológico, histórico… Como se transformava a vida dessas pessoas reescravizadas? A que sofrimentos eram expostos? Como tentavam lutar contra a escravização? Que fatores contribuíam para ampliar os casos de captura e reescravização de pessoas nascidas livres ou libertas? Será possível relacionar esses casos ao fim do tráfico internacional de escravos na segunda metade do século XIX? Como se dava o acesso à Justiça para essas pessoas, tão marginalizadas na sociedade brasileira escravista? De que forma os negros que lutavam contra a escravidão buscaram se organizar para disputar os rumos de sua história a partir do sistema judiciário, e que dificuldades enfrentavam? Porque em grande parte dos casos os réus eram absolvidos, se a legislação era clara ao tipificar como crime o ato de “reduzir à escravidão pessoas livres”?

     Essas e outras questões podem e devem ser levantadas a partir do filme, e a partir de nosso patrimônio documental, que está aqui no APERS, acessível a todos e todas!

Explorando o SIARQ/RS: Instrução Normativa nº 01

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Explorando o SIARQRS

     Dando continuidade à série Explorando o SIARQ/RS, que apresentou na última postagem a composição do Sistema de Arquivos do Estado do RS, agora, neste tópico, discorreremos sobre a Instrução Normativa n° 01, de 12 de janeiro de 2008.

     Através das atividades realizadas pelo Arquivo Público do Estado do RS (APERS), órgão gestor do SIARQ/RS, foram construídos diferentes Planos de Classificação de Documentos (PCD) e Tabelas de Temporalidade de Documentos (TTD) em várias Secretarias de Estado. A partir da reunião destes PCD’s e TTD’s, acrescidos de estudos das funções e atividades dos órgãos, foram elaborados instrumentos arquivísticos únicos para a Administração Pública Direta, tornando a sua publicação a mais importante instrução normativa para a gestão documental do Estado.

     Entende-se a gestão de documentos como o conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à produção, registro, classificação, tramitação, uso, avaliação e arquivamento de documentos em fase corrente e intermediária, visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente.

     O objetivo da gestão documental é assegurar que, de modo eficiente e eficaz, seja garantida a realização dos procedimentos e operações acima referidos, tendo em vista a destinação de documentos.

     Assim, para que os órgãos da Administração Direta coloquem em prática a gestão documental, de acordo com a Instrução Normativa nº 01, os servidores devem fazer uso do PCD e da TTD, classificando e identificando os prazos de guarda dos documentos sob sua custódia, eliminando os documentos que não possuírem valor permanente e recolhendo aqueles que possuírem valor histórico ou permanente ao APERS.

     É importante ressaltar que, utilizando a Instrução Normativa nº 01, os órgãos garantirão acesso às informações, espaço físico para o acondicionamento e, principalmente, uma melhor preservação dos documentos de valor intermediário e permanente, que futuramente contarão a história de nosso Estado.

     Tais instrumentos e procedimentos são apresentados mais detalhadamente na Instrução Normativa n° 01, de 12 de janeiro de 2008, que tem, como anexos, cada um dos elementos citados nesta postagem.

     Nos próximos posts, explanaremos acerca destes anexos da Instrução Normativa nº 01. Até a próxima!

Atualização de post: a Instrução Normativa nº 01/2008 foi revogada com a publicação da Instrução Normativa nº 02, de 22 de maio de 2014, para saber mais clique aqui.

AAAP e APERS têm Projeto de Catálogo Seletivo financiado pelo Pró-Cultura RS

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2014.04.02 Projeto Incentivado_Pro-Cultura

     Em dezembro de 2013 o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), por meio da Associação dos Amigos do Arquivo Público (AAAP), elaborou o Projeto Catálogo Seletivo Resistência em Arquivo: memórias e histórias da ditadura no Brasil, o qual foi inscrito no Edital da SEDAC nº 11/2013 – Concurso “Desenvolvimento da Economia da Cultura Pró-Cultura RS FAC, categoria Apoio à Produção e Inovação Cultural, sendo contemplado para receber um financiamento no valor de R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais).

     O projeto tem por objetivo a publicação do catálogo e sua distribuição gratuita para diversas instituições públicas, como: Arquivos, Bibliotecas, Universidades, Escolas de Ensino Médio do Rio Grande do Sul e Núcleos de Estudo voltados para o estudo da temática de Ditadura e Direitos Humanos, além de sua disponibilização na sala de pesquisa do APERS e em formato eletrônico no site da Instituição. Este projeto possui como inovação a publicação do catálogo também em braille, que será distribuído para entidades voltadas às pessoas portadoras de deficiência visual, contribuindo assim para a inclusão social destas.

     Acreditamos que a publicação deste instrumento de pesquisa é de suma importância para a difusão e a democratização das informações constantes neste acervo de grande relevância histórica para a sociedade brasileira, por retratar o período da ditadura Civil Militar no Brasil, e em especial no Rio Grande do Sul. Este instrumento possibilitará que a sociedade estude os acontecimentos da época sobre diferentes perspectivas: política, direitos humanos e democracia, de forma a construirmos uma sociedade mais justa e igualitária.

     Para acessar a lista de projetos contemplados clique aqui.

Sábados de funcionamento da Sala de Pesquisa do APERS – mês de abril

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   Para melhor atender aos seus pesquisadores, a Sala de Pesquisa do APERS abre um sábado por mês, das 9 às 14 horas, mediante solicitação prévia da documentação.2014.04.02 Sala de pesquisa

  No mês de abril a Sala de Pesquisa abrirá no sábado 26.

   Em março foram atendidos 03 pesquisadores.

  Os pesquisadores interessados em realizar suas pesquisas podem solicitar previamente os documentos no balcão de atendimento presencial ou por email (saladepesquisa@sarh.rs.gov.br), telefone (51 3288 9104) ou, ainda, através do Balcão Virtual.

     Agende sua pesquisa!

 

APERS em Números – Março 2014

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Confira alguns dados referentes aos serviços realizados no APERS durante o mês de março:

Usuários atendidos: 721

Atendimentos aos usuários: 1.127

Busca e rearquivamento: 2.428

Documentos recuperados: 345

Encaixamento: 125

Indexação Sistema AAP: 1.563

Oficinas de educação patrimonial: 03

Reprodução de documentos: 1.112

Visitas guiadas: 04

Visualizações blog institucional: 5.790

Visualizações blog temático: 667

Veja abaixo gráfico com os quantitativos diários de atendimento aos usuários referente ao mês de março:

2014.04.02 APERS em Números

Gráfico de atendimentos realizados aos usuários do APERS em março de 2014

Para saber mais sobre os serviços que o APERS presta a comunidade clique aqui.

Os Caminhos da Matriz

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     No último sábado ocorreu a primeira edição do ano do roteiro de visitas guiadas “Os Caminhos da Matriz”. A atividade começou na Praça da Matriz onde foi apresentado um breve histórico do local. Em seguida os participantes foram encaminhados para o Museu Júlio de Castilhos, primeira instituição do Roteiro 1, onde puderam identificar através das exposições momentos da história do Rio Grande do Sul.

   Mais tarde todos se dirigiram ao Arquivo Público do RS onde nossos guias apresentaram o conjunto arquitetônico e as atividades desenvolvidas pela Instituição, como as oficinas de educação patrimonial, os projetos de preservação e aquelas direcionadas ao atendimento dos usuários em geral.

    O passeio finalizou-se no Memorial do Ministério Público e nesta instituição todos puderam perceber a importância do resgate da memória institucional e conhecer os programas desenvolvidos, como o de História Oral, o de Pesquisas e Publicações e o de Produção e Eventos.

     A próxima edição dos Caminhos da Matriz será realizada no dia 26 de abril de 2014, onde será oferecido o Roteiro 2: Solar dos Câmara, Palácio Piratini e Memorial do Judiciário. Todos estão convidados!

     Siga a página dos Caminhos da Matriz no Facebook! Parta acessá-la, clique aqui.

Visitas guiadas ao APERS – março 2014

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No mês de março foram realizadas 04 visitas guiadas ao conjunto arquitetônico do Arquivo Público do RS. Visitaram nossa instituição:

Arquivo Municipal de Passo Fundo

Arquivo Municipal de Passo Fundo

Dia 12: 3 alunos do 6° semestre da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, acompanhados pelo professor Fabiano Scherer, que ministra a Disciplina de Projeto Integrado de Criação I.

Dia 19: 3 servidoras do Arquivo Municipal de Passo Fundo: Ana Maria Machado, do Núcleo de Documentação; Graciela Possa, do Protocolo e Patrícia Escobar Mello, da Coordenadoria Administrativa.

Dia 21: 3 estudantes de doutorado em áreas relacionadas à educação, como, por exemplo: história e historiografia na educação. Os estudantes são alunos da UNIOESTE, localizada na cidade-pólo de Cascavel, no Oeste do Paraná.

Dia 27: 27 alunos do 1° ano do Ensino Médio do Instituto de Educação General Flores da Cunha, acompanhados pela professora Laura Ferrari Montemezzo, que ministra a Disciplina de Seminário Integrado.

Guias: Iara Gomide Machado, Maria Lúcia Ricardo Souto e Rosemeri Franzin Iensen.

Oficinas de Educação Patrimonial – Março

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Imagem para post Oficinas

Confira as escolas que participaram das Oficinas de Educação Patrimonial oferecidas pelo APERS durante o mês de março/2014:

Dia 25: os alunos da turma 31C do Colégio Estadual Júlio de Castilhos participaram da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos” acompanhados pelo professor Sérgio Rovay. Clique aqui para acessar o álbum de fotos.

Dia 26: os alunos da turma 31B do Colégio Estadual Júlio de Castilhos participaram da oficina “Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos” acompanhados pelo professor Sérgio Rovay. Clique aqui para acessar o álbum de fotos.

Dia 26: os alunos da turma 62 da Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Ferreira de Abreu participaram da oficina “Os Tesouros da Família Arquivo” acompanhados pela professora Andreia Ferreira de Souza. Clique aqui para acessar o álbum de fotos.

   Para saber mais sobre nossas oficinas acesse: http://goo.gl/Jkzihw

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